sábado, 10 de janeiro de 2026

Energia solar contribui para a pauta climática além da transição energética

Como a energia solar contribui para a pauta climática além da transição energética.
Energia solar e mudanças climáticas: como essa solução pode fazer a diferença

Com o crescente alerta global sobre os efeitos das mudanças climáticas, a busca por soluções sustentáveis tornou-se mais urgente do que nunca.

A energia solar surge como uma poderosa aliada na luta pela redução dos impactos ambientais e pela construção de um futuro mais sustentável.

Uma das maiores contribuições da energia solar é a significativa redução nas emissões de gases de efeito estufa. Ao contrário das fontes de energia tradicionais, como o carvão e o petróleo, os sistemas solares não liberam dióxido de carbono ou outros poluentes durante a geração de eletricidade.

A capacidade da energia solar de se aliar a outras tecnologias, como o armazenamento, e sua versatilidade parar atender diversas demandas energéticas, a posiciona como ferramenta que contribui com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, segundo relatório da ONU lançado durante a COP30. Em entrevista à pv magazine, o chair do Global Solar Council e presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, comenta a contribuição da fonte para a pauta climática.

A Conferência do Clima da ONU em Belém confirmou e ampliou importantes metas de transição energética e de financiamento para soluções climáticas. Para além das pautas mais abrangentes, a COP30 também foi palco de marcos para o setor fotovoltaico, com o lançamento de uma campanha do Global Solar Council pela ampliação dos telhados solares no mundo, de 70 milhões atualmente, para 300 milhões até 2030. 

“Ou seja, seria quadruplicar o volume atual, um objetivo mais ambicioso do que a meta de triplicar as renováveis até 2030”, disse à pv magazine o chair do GSC e presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia. “A campanha busca aproximar a tecnologia da sociedade: pessoas, pequenos negócios, produtores rurais e prédios públicos. Claro, sem abrir mão das grandes usinas, que continuarão sendo necessárias para atender novos usos industriais”.

A versatilidade da fonte fotovoltaica para atender diversos perfis de demanda mencionada por Sauaia foi destacada no relatório “PV+ and Opportunities for South-South Cooperation: Solar Energy Use for Sustainable Development”, também lançado durante a COP30 pelo Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, em parceria com a Associação Chinesa de Indústrias Renováveis e o GSC.

O relatório caracteriza sistemas “PV Plus” pela implantação descentralizada e consumo localizado, similar aos sistemas fotovoltaicos distribuídos convencionais, mas priorizando a integração da geração de energia FV estreitamente com os perfis de carga específicos do usuário. Por meio da adaptação tecnológica e aplicações personalizadas, os sistemas PV Plus facilitam sinergias em todo o setor energético e em domínios intersetoriais, como agricultura, aquicultura, manufatura, construção civil, transporte e comunidades. “Esta abordagem permite a otimização dos benefícios econômicos, ambientais e sociais, ao mesmo tempo que promove transições energéticas inclusivas”, diz o relatório, que também destaca a oportunidade aberta pela queda de custos da tecnologia de armazenamento.

Mitigação de impactos ambientais

A transição para a energia solar também ajuda a mitigar outros impactos ambientais adversos. A mineração e o transporte de combustíveis fósseis provocam desmatamento, contaminação do solo e da água, além de ameaçar a biodiversidade em regiões sensíveis.

Sistemas de energia solar, por serem modulares e escaláveis, têm um menor impacto nas áreas onde são instalados e geralmente requerem pouca preparação de terreno.

O documento avalia que a fonte solar pode contribuir para diversos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável — especialmente o ODS 7 “Energia Acessível e Limpa” e do ODS 13 “Ação Climática”, mas também:

- Cria oportunidades de emprego distribuídas, com 7 milhões de pessoas já empregadas em todo o mundo (quase todas na instalação; muito poucas na fabricação) e ajuda a impulsionar os setores industrial e agrícola (ODS 8 “Trabalho decente e crescimento econômico” e ODS 9 “Indústria, Inovação e Infraestrutura”);

- Possibilita atividades geradoras de renda por meio do acesso descentralizado à energia (ODS 1 “Redução da pobreza”);

- Empodera mulheres com empregos locais em energia limpa e elimina a necessidade de coleta de lenha ou o uso de fogões poluentes, atividades geralmente realizadas por mulheres (ODS 5 “Empoderamento feminino”);

- Aprimora a equidade energética por meio do fornecimento de eletricidade para populações carentes através de sistemas fora da rede, impulsionando transições energéticas justas (ODS 10 “Redução da desigualdade”);

- E fornece energia para escolas, clínicas e sistemas de purificação de água, melhorando assim o saneamento e a iluminação, e aumentando o número de horas em que a tecnologia está disponível para o aprendizado (ODS 6 “Agua potável” e ODS 4 “Educação”).

- Em aplicações como agrovoltaica e solar flutuante, a energia solar também contribui para reduzir a necessidade de irrigação e aumentar a produção agrícola, além de reduzir a vaporização da água em reservatórios e indiretamente contribuir para melhorar a qualidade do abastecimento (ODS 2 “Fome Zero” e ODS 6 “Água limpa e Saneamento”);

- Quando usada para substituir geradores a diesel, a fonte contribui para a melhora da qualidade do ar de populações locais (ODS 3 “Saúde e Bem-Estar”).
Confirmação e ampliação de ambições

Presente em diversas discussões durante a COP30, tanto representando o Global Solar Council quanto apresentando o caso de sucesso da expansão fotovoltaica no Brasil na última década pela Absolar, Sauaia fez um balanço positivo do evento. 

Ele destacou a reafirmação da meta de triplicar as renováveis e duplicar a eficiência energética até 2030, o reforço do pledge de redes e armazenamento para a construção ou reforma de 25 mil km de linhas de transmissão e a adição de 1.500 GW de capacidade de armazenamento até 2030. O Brasil é signatário de ambos os pledges.

“Os dois pledges precisam caminhar juntos. O crescimento das renováveis está gerando novos desafios — como a saturação de redes em vários países e cortes de geração, não apenas no Brasil. Para expandir renováveis, é essencial fortalecer redes e ampliar o armazenamento. A necessidade exata varia país a país, de acordo com a matriz e as características locais. Este ano, na COP 30, tivemos mais adesões de países e uma renovação desse compromisso”.

Outro ponto importante foi o aumento do compromisso de financiamento climático de US$ 300 bilhões por ano até 2030 para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.

“Na COP 30, graças a um esforço grande do governo brasileiro, conseguimos triplicar esse valor. É um avanço, mas ainda insuficiente. Para chegar lá [objetivo de limitar o aquecimento global do Acordo de Paris] seria necessário multiplicar por 4,65, não apenas por 3”, disse Sauaia. 

O executivo alerta sobre a importância da implementação das metas. “De nada adianta ter um compromisso bonito no papel se isso não virar ação concreta — políticas públicas, medidas governamentais, atuação de financiadores multilaterais, bancos de desenvolvimento e instituições privadas. Agora é criar e aprimorar os mecanismos, fundos e caminhos do dinheiro”.
ANEEL aponta que a energia solar foi responsável pela expansão da matriz elétrica brasileira em novembro/25, reforçando o aumento da capacidade renovável e o avanço contínuo da transição energética nacional.

O “elefante preto na sala”

Apesar de reconhecer os avanços, Sauaia destacou como ponto negativo falta de uma menção nos acordos finais da COP30 de uma rota para que o mundo deixe de ser dependente de combustíveis fósseis. 

“Precisamos falar sobre o ‘elefante preto na sala’: óleo, gás e carvão. Segundo o IPCC, cerca de 70% das emissões vêm da queima de combustíveis fósseis. Não dá para evitar os piores impactos do aquecimento global sem enfrentar essa questão. Temos um orçamento de carbono limitado, em gigatoneladas de CO2 equivalente, e estamos emitindo muito mais do que a atmosfera consegue absorver”.

Para não ultrapassar esse orçamento, avalia, só há duas opções: parar de emitir — como quem para de sacar dinheiro da conta — ou capturar carbono, como quem faz novos depósitos, por meio de reflorestamento e outras medidas.

“Se não reduzirmos a queima de fósseis, todas as outras ações serão em vão. Mesmo com mais renováveis, ultrapassaremos o orçamento climático e a temperatura subirá 1,5°C, 2°C, 2,5°C, trazendo impactos graves para vidas, economias e sociedades”. 

Sauaia avalia que o Brasil fez bem em trazer o tema para a conferência de Belém, como resposta a uma expectativa popular global. “Aproximadamente 80 países aderiram à proposta brasileira de construir um roadmap — estabelecer prazos, responsabilidades e compromissos. Mas é um tema difícil, com muitos interesses econômicos e geopolíticos envolvidos. Isso gerou frustração, porque a sociedade esperava um compromisso mais concreto”.

O fato é que existem alternativas competitivas para atender a demanda que deixaria de ser atendida pela saída dos combustíveis fósseis, avalia Sauaia.

“Um compromisso de phase-out levaria à substituição dessa geração por opções não emissoras. As renováveis, especialmente a solar, estão muito bem posicionadas: são competitivas, confiáveis e locais. Elas poderiam atender grande parte dessa demanda. Outras fontes entram conforme a realidade de cada país e tipo de consumo: eletrificação, hidrogênio verde, biocombustíveis e até nuclear. E mais: muitas tecnologias já são mais competitivas do que os fósseis — como solar + bateria substituindo geradores a diesel, ou grandes usinas renováveis mais baratas do que termelétricas existentes”.
Transição energética justa e inclusão

O termo “transição energética justa” entrou de vez no vocabulário das discussões climáticas, incluindo a COP30. Entretanto, Sauaia alerta que o termo não deve servir para postergar a saída dos fósseis. Uma transição justa, para ele, implica capacitar trabalhadores e permitir que setores inteiros migrem para atividades sustentáveis. “Muitas funções são transferíveis entre diferentes segmentos da indústria energética, e o restante depende de formação técnica e atualização curricular”.

Ele destacou que energia solar também possui papel central no combate à exclusão energética. Tecnologias solares associadas a telecomunicação via satélite podem levar eletricidade e internet a regiões hoje isoladas, ampliando acesso à educação e serviços básicos. Micro e mini redes, além de sistemas que substituem geradores a diesel, que são caminhos para a descarbonização da Amazônia, cuja matriz ainda é majoritariamente fóssil.

Sobre o futuro da matriz elétrica, Sauaia lembra que a própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já estudou cenários de 100% renováveis até 2050. Vários países — entre eles Alemanha, Estados Unidos, Chile e Reino Unido — formalizaram metas de matrizes totalmente limpas. Embora o Brasil já tenha chegado a cerca de 92% de eletricidade renovável no ano passado, esse percentual está estagnado há mais de uma década. Para ele, metas oficiais dariam mais clareza aos investidores e ajudariam a manter a competitividade do país.

Transição energética já está em curso no Brasil e no mundo, pode impactar diretamente a vida de todos os consumidores.

A transição energética é um movimento crucial na luta contra os efeitos das mudanças climáticas e na promoção da sustentabilidade. Além de oferecer benefícios significativos ao meio ambiente, os impactos da transição energética podem ser percebidos diretamente pelos consumidores. (pv-magazine-brasil)

Primeira usina híbrida solar e eólica da Equinor no Brasil entra em operação

O complexo híbrido Serra da Babilônia Solar na Bahia combina 140 MW de energia solar com 223 MW de energia eólica, totalizando 363 MW de capacidade instalada. O projeto aproveita a complementaridade entre sol e vento, reduzindo a intermitência e aumentando a eficiência da planta.
A Equinor, por meio de sua subsidiária brasileira Rio Energy, anunciou o início da produção comercial do seu primeiro complexo híbrido de energia no Brasil — o Serra da Babilônia Solar, localizado na Bahia. O empreendimento integra geração solar e eólica, combinando 140 MW de potência solar com 223 MW já existentes de eólica — totalizando 363 MW de capacidade instalada.

De acordo com a empresa, a geração anual estimada do complexo alcançará 236 A energia será comercializada por meio da trading da própria Equinor no Brasil, a Danske Commodities.

Segundo representantes da Equinor, a combinação de fontes solar e eólica aproveita a complementaridade entre os recursos: quando não há vento, pode haver sol; quando o céu está nublado, o vento pode soprar — o que reduz a intermitência típica das renováveis e promove maior estabilidade na oferta de energia. Além disso, a infraestrutura solar usa a estrutura já existente do parque eólico, o que gera economia de escala, redução de custos de operação e manutenção e maior eficiência em comparação a projetos isolados.

Rio Energy, da Equinor, inicia operação comercial de sua 1ª usina híbrida eólica-solar no Brasil

Com o Serra da Babilônia Solar, a Equinor consolida sua transição para uma matriz energética mais diversificada no Brasil. O portfólio nacional da empresa já ultrapassa 600 MW de capacidade — somando os parques eólicos e solares operados pela Rio Energy, além de participação em outros ativos em estados como Ceará e Rio Grande do Norte. A decisão reforça a aposta da companhia no país, visto como peça-chave para seu crescimento de longo prazo no setor de energia renovável.

“Projetos híbridos que integram de forma eficiente as tecnologias solar e eólica contribuem para um fornecimento de energia estável e confiável, ao mesmo tempo em que aumentam a criação de valor, em linha com a estratégia da Equinor. Esses projetos, assim como a integração de tecnologias, serão fundamentais para o desenvolvimento de um negócio de energia competitivo”, afirmou o vice-presidente executivo da área de Power da Equinor, Helge Haugane.

Equinor e Rio Energy iniciam operação de seu primeiro complexo híbrido solar-eólico: Serra da Babilônia entrega 363 MW e reforça energia renovável no Nordeste.

A Equinor e a Rio Energy ampliam a geração de energia renovável no Nordeste com a operação do Serra da Babilônia, seu primeiro complexo híbrido solar-eólico no Brasil, que adiciona 363 MW ao sistema elétrico nacional. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Fontes renováveis representaram 50% da matriz energética brasileira em 2024

Fontes renováveis representaram 50% da matriz energética brasileira em 2024, um marco histórico alcançado pela primeira vez, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME). Esse aumento foi impulsionado pela expansão das energias eólica e solar, além do uso contínuo de biomassa, consolidando a matriz energética nacional como uma das mais renováveis do mundo.

Marco histórico: A participação de 50% de fontes renováveis na oferta interna de energia (OIE) foi alcançada em 2024, atingindo 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep).

Fontes de maior crescimento: A expansão da energia solar e eólica foi fundamental para este resultado.

Desempenho em relação a outros países: A participação renovável brasileira em 2024 foi quase quatro vezes maior que a média global (14,2%) e superior à média dos países da OCDE (13%).

Matriz elétrica: Para a geração de eletricidade, a participação renovável foi ainda maior, chegando a 88,2% em 2024, com destaque para a energia hidráulica (56,8%), eólica (14,1%) e solar (9,3%).

A Oferta Interna de Energia (OIE) chegou a 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) em 2024, com crescimento de 2,4% em relação a 2023. O consumo de eletricidade aumentou 5,5%. A fonte solar, com crescimento mais acelerado, passou a representar 2,2% da matriz energética brasileira ao final de 2024, com 7,2 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep).
Fontes renováveis de energia, solar e eólica

As fontes renováveis atingiram 50% da matriz energética brasileira em 2024, um avanço de 0,9% em relação ao ano anterior, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME). A matriz energética abrange, além da geração e consumo de eletricidade, outros usos da energia em processos como a combustão em setores como indústria e transportes. Com a marca, o Brasil tem uma participação de renováveis quase 4 vezes superior à média global de 14,2% e ao verificado nos países da OCDE (13%).

Esse crescimento da participação de renováveis foi impulsionado, principalmente, pela expansão da energia solar, que registrou aumento de 33,2%, seguida pela eólica (12,4%) e pelos óleos vegetais (28,35%). Ao mesmo tempo, o consumo final de derivados de petróleo e de gás natural caiu 0,7% e 3,4%, respectivamente.

Os dados fazem parte da edição de 2025 da Resenha Energética Brasileira, publicada pelo MME em 01/12/25.

A Oferta Interna de Energia (OIE) alcançou seu maior nível histórico em 2024, chegando a 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), com crescimento de 2,4% em relação a 2023. O consumo de eletricidade aumentou 5,5%, de 53 milhões de toneladas equivalentes de petróleo em 2023 para 55,9 milhões em 2024.

A fonte solar passou a representar 2,2% da matriz energética brasileira ao final de 2024, com 7,2 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) — na matriz elétrica, atualmente, a participação da fonte solar é de 23%, com 60 GW de 256 GW em operação no país, incluindo os micros e miniusinas de geração distribuída.

No setor de transportes, o consumo final de energia cresceu 2,7%, com destaque no uso de biocombustíveis: o etanol registrou alta de 15,6% e o biodiesel, 19,2%. Esse movimento foi reforçado pela sanção da Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), que estabelece mandatos para biocombustíveis, biometano e diesel verde.
No campo da eficiência energética, o Brasil mostrou evolução consistente. O Índice ODEX, que mede os ganhos de eficiência do país, indica que em 2023 estávamos 11,8% mais eficientes do que em 2005. Resultado do fortalecimento de políticas e programas do governo, como o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) que, desde 1986, já economizou cerca de 263 bilhões de quilowatt-hora (kWh). (pv-magazine-brasil)

Japão lança edital para tecnologias solares em pavimentos rodoviários

 O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT) começou a aceitar propostas para novas tecnologias fotovoltaicas em superfície rodoviária, com verificação em campo planejada em áreas de pedestres em estações à beira da estrada para testar o desempenho e o consumo de eletricidade antes da implementação em larga escala.

O governo japonês começou a promover a geração de energia renovável em rodovias e ao longo delas como parte dos planos do país para alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Terras (MLIT) lançou um edital para o desenvolvimento de tecnologias que confirmem o desempenho de sistemas fotovoltaicos em pavimentos rodoviários. Testes de campo anteriores, realizados em áreas que simulam vias e estacionamentos, mostraram rachaduras, provavelmente causadas pelo tráfego intenso de veículos, de acordo com um comunicado online divulgado pelo MLIT esta semana.

O ministério afirmou que sua nova iniciativa se concentrará em espaços para pedestres em estações rodoviárias e locais similares com baixa demanda de energia, proporcionando condições mais próximas do uso real pela sociedade. Os projetos de demonstração incluirão experimentos sociais que utilizarão a eletricidade gerada de acordo com cenários de implantação previstos. O ministério ressaltou que a chamada de propostas não envolve a certificação de empresas, produtos ou tecnologias.

Os prazos para envio de manifestações de interesse são 22/12/2025 e para envio de materiais técnicos, 27/01/2026. As diretrizes e instruções para inscrição estão disponíveis no site do Centro de Inovação em Engenharia Civil do Japão.
A aplicação de sistemas fotovoltaicos em vias públicas é uma área de crescente interesse no Japão. Esta semana, a AirWater e a Luxor Solar KK, subsidiária japonesa da fornecedora alemã de módulos fotovoltaicos Luxor Solar GmbH, revelaram que instalaram recentemente sistemas fotovoltaicos verticais em estacionamentos japoneses sob contratos de compra de energia (PPAs).

Iniciativas semelhantes também estão em andamento na Europa. O estado alemão da Baviera instalou um sistema fotovoltaico no telhado de uma via de acesso ao aeroporto em agosto, enquanto Luxemburgo começou a permitir a instalação de painéis solares perto de rodovias em novembro e a Polônia iniciou os testes de painéis fotovoltaicos perto de importantes rodovias em junho.

Outras nações ao redor do mundo também estão focando na integração de energia renovável na infraestrutura de transporte. Em agosto, a startup Ko-Solar e a alemã R. Kohlhauer revelaram planos para construir barreiras acústicas com painéis fotovoltaicos integrados ao longo de importantes corredores de transporte nos Estados Unidos, enquanto na China, províncias estão expandindo rapidamente as instalações solares ao longo de rodovias, incluindo taludes, túneis e áreas de serviço.
Caminhão roda pela rodovia solar de Jinan, na China

Rodovia que substituiu o asfalto por painéis solares é testada na China.

Além de substituir o asfalto, os painéis produzem energia que pode ser utilizada para abastecer o entorno.

No Brasil, o Grupo CCR, que opera diversas rodovias no país, tem objetivo de abastece 100% de sua demanda elétrica com fontes renováveis. A companhia possui usinas próprias e também fechou um contrato de geração compartilhada de energia com a EDP. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Demanda por energia elétrica deve crescer 3,8% ao ano entre 2026 e 2030

O documento, referência fundamental para decisões de política energética, expansão da oferta e estratégias de mercado, projeta que a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer, em média, 3,8% ao ano no período de 2026 a 2030.

A EPE, o ONS e a CCEE divulgaram sua projeção de crescimento da carga no Sistema Interligado Nacional, incluindo a projeção de crescimento de 1,6% em 2025, em comparação com 2024, chegando a 81.302 MW médios.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgaram em 04/12/25, as Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética – 2026-2030. A perspectiva é de crescimento médio anual de 3,8% da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) no período.

Para 2025, os estudos apontam para um crescimento de 1,6% em relação a 2024, com a carga projetada de 81.302 MW médios. A estimativa considera os dados verificados até novembro e as previsões divulgadas no Programa Mensal da Operação (PMO) de dezembro. Em 2026, espera-se uma expansão de 4,6% frente a 2025, atingindo 85.067 MW médios. Em 2030, espera-se uma carga de 98.151 MW médios.

A projeção de crescimento do PIB para 2025 foi mantida em 2,3%. Houve, também, suave redução de 0,1 ponto percentual nas projeções do índice para o período de 2026 a 2029, devido à expectativa de manutenção da política monetária restritiva por um período mais prolongado. No horizonte de médio e longo prazo, prevê-se que a implantação da reforma tributária contribua para aumentar a produtividade da economia e encorajar investimentos, especialmente em infraestrutura.
Importância estratégica do estudo para o setor elétrico

As Previsões de Carga do PLAN são consideradas um dos insumos mais relevantes para o planejamento energético nacional. Elas influenciam desde análises de expansão da transmissão e da geração até decisões empresariais ligadas a portfólios de compra, estratégias de longo prazo no mercado livre, avaliação de riscos e projeções de preço.

O crescimento acelerado previsto para o período 2026-2030 reforça a necessidade de:

Consolidar investimentos em infraestrutura,

Ampliar a resiliência da operação,

Integrar novas tecnologias ao sistema,

Fortalecer mecanismos de flexibilização e resposta da demanda,

Acelerar projetos que permitam acompanhar a transição energética.

Dada a rápida evolução do setor, especialmente com o avanço de fontes renováveis variáveis e novas cargas emergentes, as previsões de carga se tornam ainda mais essenciais para o equilíbrio estrutural e a segurança operativa do SIN.
Relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) prevê expansão sustentada no consumo elétrico nos próximos 2 anos, com protagonismo das fontes renováveis e da energia nuclear.
Demanda global por eletricidade crescerá até 2026 e exigirá redes mais resilientes e investimentos em flexibilidade. (pv-magazine-brasil)