O Brasil foi o país que mais
recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$
6,1 bilhões em projetos distribuídos por 20 estados brasileiros. O valor
corresponde a 10,9% dos investimentos da China em outros países, com Estados
Unidos (6,8) e Guiana (5,7%) parecendo em seguida.
O setor de eletricidade, que
inclui geração, transmissão e distribuição de energia, foi o que mais atraiu
investimentos chineses no Brasil em 2025, representando 29,5% do total, com US$
1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024. Em ritmo semelhante, o número
de projetos chegou a 27, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.
Os números são apresentados
no estudo “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade
Elétrica e Renováveis”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China
(CEBC).
Durante evento de lançamento
do documento, a CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, destacou a atratividade
do Brasil para investimentos em energia renovável, não apenas pela
disponibilidade de recursos naturais, mas também pela estrutura regulatória,
pelos contratos de longo prazo e pela presença de instrumentos de
financiamento. Segundo ela, o país reúne condições importantes para atrair
empresas chinesas do setor, especialmente em um contexto global de aumento da
demanda por energia limpa.
“O Brasil tem uma matriz
elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo
quer estar em 2050”, afirmou Waltrick. A CEO da SPIC Brasil também chamou
atenção para desafios regulatórios e operacionais, como a necessidade de
expansão da transmissão, maior digitalização do sistema elétrico, avanço em
armazenamento, hidrogênio verde e integração de diferentes fontes de energia.
A
principal investidora chinesa em eletricidade no Brasil em 2025 foi a CPFL,
controlada pela State Grid desde 2017. Houve ainda a expansão de projetos
realizados diretamente pela State Grid Brazil Holding e por outras empresas com
presença consolidada no país, como China Three Gorges, SPIC e China Energy, por
meio de sua subsidiária brasileira, CEEC. Todos os projetos no setor envolveram
iniciativas em energias limpas, com foco em usinas fotovoltaicas, eólicas e
hidrelétricas, incluindo também a expansão de projetos de transmissão de
eletricidade.
Mobilidade elétrica
O carro elétrico se tornou
sinônimo de carro chinês no Brasil. De acordo com dados da Federação Nacional
da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a BYD respondeu, em 2025,
por 72% das vendas locais de carros eletrificados, categoria que abrange
híbridos
e elétricos puros. Além
disso, das 10 marcas que mais venderam carros eletrificados, 6 foram chinesas,
desbancando montadoras dos Estados Unidos, da França e da Alemanha.
“A inauguração das fábricas
da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o
amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”,
comentou o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello.
Dando continuidade aos seus
investimentos no país, a BYD, que adquiriu em 2023 o antigo complexo industrial
da Ford na Bahia, e a GWM, que comprou em 2021 a planta de automóveis da
Mercedes no estado de São Paulo, inauguraram suas operações produtivas no Brasil
em 2025, dando início à fabricação de seus primeiros veículos eletrificados em
território nacional.
No mesmo ano, a Geely
adquiriu 26,4% da Renault do Brasil. O acordo prevê a produção e venda de
veículos de baixa ou zero emissão das marcas Renault e Geely no Brasil,
incluindo a fabricação de modelos da Geely na fábrica da Renault em São José
dos Pinhais, no Paraná. Com a parceria, as empresas criaram a Renault Geely do
Brasil e anunciaram investimentos de R$ 3,8 bilhões (cerca de US$ 680 milhões)
para o período 2025-2027.

Segundo o presidente da
Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, as vendas de
veículos eletrificados representam parcela crescente do mercado nacional,
enquanto a China segue como referência tecnológica global no setor. Para
Bastos, a chegada de montadoras chinesas ao Brasil marca uma nova etapa, mas
também exige adaptação à realidade local.
“O modelo chinês deu muito
certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil,
é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade
brasileira”, afirmou. Bastos também ressaltou que o Brasil tem uma cadeia
automotiva relevante, historicamente vinculada à indústria tradicional, e que o
desafio agora é promover a migração e a incorporação de novas tecnologias
ligadas à eletrificação.
Para o chief representative
officer do Bradesco em Hong Kong, Danilo Goulart, o crescimento dos
investimentos chineses no Brasil combina fatores conjunturais e estruturais.
Ele mencionou o cenário internacional mais fragmentado, as restrições
enfrentadas por empresas chinesas em alguns mercados e o interesse crescente
por setores estratégicos, como mineração e cadeias produtivas ligadas à
transição energética. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Brasil tem uma relevância
de longo prazo para a China e que a relação bilateral vem amadurecendo com a
diversificação dos investimentos.

Minerais críticos e transição
energética
Ligados à transição
energética, os investimentos chineses em mineração no Brasil também são
destaque do estudo. Os investimentos chineses em mineração mais que triplicaram
em 2025, atingindo US$ 1,76 bilhão, o que representou 29% do total investido
pela China no Brasil. Este foi o maior valor desde 2011 e a maior participação
histórica do setor.
Esse movimento reflete o
interesse estratégico da China por minerais críticos como cobre, níquel, ouro,
grafite e terras raras, uma vez que o país lidera o desenvolvimento e a
fabricação de produtos ligados à transição energética. Além disso, carros
elétricos demandam seis vezes mais minerais críticos do que veículos a
gasolina, e usinas fotovoltaicas e parques eólicos offshore requerem,
respectivamente, seis e 13 vezes mais desses minerais do que uma usina termelétrica
a gás natural com capacidade equivalente.
Nesses cenários, o Brasil se
destaca com 26,5% das reservas globais de grafite, é o 2º maior detentor de
terras raras no mundo (23%), o 3º maior detentor de reservas de níquel (12,2%)
e a 4ª maior reserva global de bauxita e alumina (9%). (pv-magazine-brasil)