segunda-feira, 30 de março de 2026

Projeto que colocou cidade brasileira entre os maiores complexos solares da AL

O projeto que colocou uma cidade brasileira entre as maiores complexos solares da América Latina.

Conheça São Gonçalo do Gurguéia, cidade brasileira que abriga o maior complexo de energia solar da América Latina e impulsiona energia limpa.
São Gonçalo do Gurguéia abriga o maior complexo de energia solar da América Latina. - Imagem criada por inteligência artificial.

O Brasil tem investido cada vez mais em energia renovável, especialmente em projetos solares de grande escala. Entre esses avanços, chama atenção a cidade brasileira que abriga o maior complexo de energia solar da América Latina. Localizada no estado do Piauí, São Gonçalo do Gurguéia tornou-se referência no setor energético. Portanto, entender como esse projeto transformou a região ajuda a explicar o crescimento da energia solar no país.

Como São Gonçalo do Gurguéia se tornou referência em energia solar?

A escolha da cidade de São Gonçalo do Gurguéia para sediar um grande projeto solar ocorreu devido às condições naturais favoráveis. Segundo dados divulgados pelo site da Enel Green Power, a região possui alto índice de radiação solar durante praticamente todo o ano, o que torna a produção de eletricidade mais eficiente.

Além disso, o estado do Piauí oferece grandes áreas disponíveis para instalação de painéis solares. Portanto, investidores enxergaram na região uma oportunidade estratégica para desenvolver um dos maiores complexos solares do continente.

- Início do projeto

Empresas de energia iniciaram estudos na região do sul do Piauí para identificar locais ideais para grandes usinas solares.

- Construção do complexo

Após os estudos, começaram as obras de instalação de milhares de painéis solares no município.

- Operação e expansão

Com a conclusão das primeiras etapas, o complexo passou a gerar energia limpa para milhões de pessoas.

Por que São Gonçalo do Gurguéia atraiu o maior complexo solar?

A localização geográfica do município favorece a geração solar em larga escala. Além disso, a região apresenta baixos índices de chuva durante grande parte do ano, o que aumenta o tempo de exposição dos painéis à luz solar.

Contudo, não foi apenas o clima que contribuiu para o projeto. Portanto, políticas de incentivo à energia renovável e investimentos em infraestrutura também ajudaram a consolidar São Gonçalo do Gurguéia como um dos principais polos solares do Brasil.

Milhares de painéis solares ocupam uma área extensa gerando eletricidade limpa – Créditos: Enel Green Power

Qual é o tamanho do complexo solar em São Gonçalo do Gurguéia?

O complexo solar instalado na região faz parte de um grande projeto de geração de energia limpa que reúne diversas usinas interligadas. Além disso, milhares de painéis solares ocupam uma área extensa, transformando a paisagem local.

Portanto, a capacidade de produção do complexo permite abastecer milhões de residências com eletricidade renovável. Esse tipo de projeto também contribui para reduzir emissões de carbono e ampliar a matriz energética sustentável do país.

Característica

Detalhe

Impacto

Localização

São Gonçalo do Gurguéia/PI

Alta incidência solar anual

Infraestrutura

Milhares de painéis solares

Grande capacidade de geração

Energia gerada

Energia limpa e renovável

Redução emissões de carbono

Como o complexo solar mudou São Gonçalo do Gurguéia?

O desenvolvimento do projeto trouxe impactos econômicos importantes para o município. Além disso, a construção das usinas gerou empregos diretos e indiretos durante diferentes fases da obra.

Portanto, a cidade passou a ganhar destaque nacional no setor de energia renovável. Com novos investimentos e expansão da infraestrutura energética, São Gonçalo do Gurguéia consolidou sua posição como um dos principais centros solares do Brasil. (olhardigital)

Buscas por energia solar crescem 52% em meio à preocupação com conta de luz

Estudo da Bulbe aponta aumento nas pesquisas por termos ligados à energia fotovoltaica no Google.

Um estudo da Bulbe aponta que as buscas por energia solar cresceram 52% no Brasil.
Um levantamento realizado pela Bulbe apontou que o termo “energia solar valor” registrou aumento de 52,6% nas buscas feitas no Google Brasil nos últimos seis meses. A análise também identificou crescimento em outras pesquisas relacionadas à tecnologia: o termo “energia solar preço”, por exemplo, teve alta de 46,2%.

O levantamento analisou pesquisas feitas no Google e identificou aumento significativo em termos relacionados à energia fotovoltaica.

Segundo o estudo, o aumento do interesse está associado principalmente ao impacto que a geração fotovoltaica pode ter na redução da conta de luz. A pesquisa indica que a procura por informações sobre a tecnologia tem relação com os sucessivos aumentos nas tarifas de energia elétrica.

O levantamento também aponta que o consumo tende a crescer durante o verão, período em que as famílias utilizam com maior frequência equipamentos de refrigeração e passam mais tempo dentro de casa em dias de temperaturas elevadas, o que contribui para o aumento da fatura de energia.

Segundo o estudo, o crescimento está associado à preocupação dos consumidores com o aumento da conta de luz e ao interesse em alternativas para reduzir gastos com energia.

A tendência reforça a expansão do mercado solar e o aumento da procura por soluções de geração própria.

Além disso tudo, o crescimento das pesquisas acompanha a expansão do próprio setor no país. Nos últimos anos, o Brasil registrou aumento significativo na instalação de sistemas fotovoltaicos, superando em dois anos projeções internacionais para o avanço da fonte solar. (canalsolar)

sábado, 28 de março de 2026

Energia solar no Brasil supera projeção internacional com 2 anos de antecedência

Energia solar no Brasil supera projeção internacional com quase dois anos de antecedência.

Estimativa da IEA era que o país superasse 66 GW ao fim de 2027, mas meta foi atingida quase dois anos antes.
O Brasil poderá triplicar sua atual capacidade operacional em energia solar (22,9 GW) e ultrapassar a marca de 66 GW de potência instalada até o fim de 2027. Essa era a projeção feita em dezembro/2022 pela IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês) para o mercado brasileiro.

No entanto, essa estimativa já foi superada com mais de um ano e meio de antecedência. Dados atualizados nesta semana pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que o país já atingiu cerca de 67 GW de capacidade instalada em energia solar.

O número considera a soma da potência instalada em usinas de grande porte (geração centralizada) e em pequenos sistemas de geração própria instalados em residências, comércios e indústrias (geração distribuída).

Quando divulgou a projeção, a IEA estimava que entre 40 GW e 44 GW seriam adicionados pela geração distribuída até o fim de 2027 – patamar que já foi ultrapassado. Atualmente, a modalidade se aproxima dos 46 GW instalados no Brasil.

No caso da geração centralizada, a expectativa da agência internacional era que o país alcançasse entre 22 GW e 26 GW até o fim de 2027. Esse deverá ser atingido sem muitas dificuldades, uma vez que hoje o Brasil possui cerca de 21,5 GW no segmento.

Segundo profissionais do setor, os números poderiam ser ainda mais expressivos se não fossem alguns desafios regulatórios e operacionais enfrentados pela fonte, como questões relacionadas à inversão de fluxo nas redes de distribuição e os cortes forçados de geração nas grandes usinas, prática conhecida no setor como curtailment.

Esses cortes já resultaram na perda de energia equivalente ao consumo anual de cerca de 26 milhões de residências brasileiras.

O presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Ronaldo Koloszuk, avalia que, sem esses entraves, a expansão da fonte solar no país poderia estar ainda mais avançada.

“Trata-se da fonte mais competitiva, rápida de implantar e que também está alinhada às metas de descarbonização. O Brasil, por sua abundância de recursos solares, tem uma oportunidade estratégica de liderar esse movimento”, destaca.
Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.

Já o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, afirma que o potencial solar brasileiro pode ser ainda melhor explorado com avanços regulatórios e novos investimentos em infraestrutura.

“Os cortes e a dificuldade de conexão de pequenos sistemas acendem um alerta para a necessidade de modernizar o planejamento e acelerar os investimentos na infraestrutura do setor elétrico, sobretudo em linhas de transmissão e novas formas de armazenar a energia limpa e renovável gerada em abundância no país”, afirma.

Nesse contexto, Sauaia ressalta que a integração entre geração solar e sistemas de armazenamento em baterias pode desempenhar um papel estratégico para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.

“Neste sentido, a combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação do sistema elétrico, reduzir custos aos consumidores e contribuir de forma ainda mais consistente para o desenvolvimento do Brasil”, conclui.

Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR. (canalsolar)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Pesquisas mostram que painéis solares convencionais podem sustentar o pastoreio de gado

Parques solares convencionais podem sustentar o pastoreio de ovelhas e gado, pois a vegetação sob e entre os módulos fotovoltaicos fornece alimento de qualidade adequada, de acordo com um novo relatório de pesquisa que analisa cinco instalações na Alemanha.
Segundo um estudo da Associação Federal para a Indústria de Novas Energias, as pastagens em parques solares convencionais podem ser utilizadas para a criação de ovelhas e gado. A pesquisa constatou que a vegetação dentro das instalações solares fornece alimento de qualidade suficiente, sugerindo que o uso agrícola é possível sem sistemas agrivoltaicos dedicados.

O estudo baseia-se em pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Göttingen e da Universidade de Colônia, que analisaram a vegetação, a biomassa e o comportamento animal em cinco parques solares em Schleswig-Holstein, Brandemburgo, Hesse e Baixa Saxônia, ao longo de um período de 18 meses.

Pesquisadores compararam as condições de pastagens sob, entre e fora das fileiras de módulos solares, incluindo locais com solos ricos em carbono e condições secas. Eles também avaliaram como os módulos fotovoltaicos influenciam fatores microclimáticos, como umidade do solo, temperatura do solo e condições de luminosidade, e como esses fatores afetam o desenvolvimento da vegetação e os serviços ecossistêmicos.
Ovelhas entre os painéis solares da Azure Sky, no Texas

Energia solar e animais no mesmo local: o novo jeito dos fazendeiros americanos de ganhar dinheiro.

Sistemas agrovoltaicos ganham espaço nos EUA e ajudam a derrubar barreiras em regiões mais conservadoras, geralmente hostis às energias renováveis.

Utilizando scanners lidar montados em plataformas móveis e drones, a equipe mapeou a estrutura da vegetação em três dimensões nos parques solares, incluindo áreas sob os módulos. O estudo constatou maior diversidade de espécies e maior teor de proteína em plantas que cresciam sob os módulos, enquanto a biomassa era tipicamente maior entre as fileiras de módulos.

Observações de animais em pastoreio mostraram que as ovelhas tendiam a permanecer sob os módulos em temperaturas mais altas, onde as estruturas ofereciam proteção contra a luz solar direta e as intempéries.

A associação afirmou que as conclusões indicam que os parques solares devem ser cada vez mais considerados terrenos agrícolas. Segundo a BNE, as instalações fotovoltaicas em solo podem gerar eletricidade e, ao mesmo tempo, permitir o uso agrícola.
Pastoreio solar, um aliado natural da energia renovável

O grupo recomendou que esse tipo de gestão de terras seja reconhecido como agricultura, juntamente com os sistemas agrivoltaicos. (pv-magazine-brasil)

A transição energética europeia entre sol, previsão e economia

Pela primeira vez na história, a combinação das fontes eólica e solar gerou 30% da eletricidade total da União Europeia (UE), superando a participação até de combustíveis fósseis (29%). Nesse cenário, a meteorologia deixa de ser apenas uma ciência de observação do tempo e se torna um instrumento estratégico: antecipar frentes frias, plumas de poeira ou padrões de nuvens permite planejar picos de geração, ajustar contratos de energia e evitar desperdício, garantindo que o sistema seja mais eficiente e econômico.
A energia solar na Europa não é apenas uma questão de tecnologia, é também uma dança complexa entre sol, tempo e economia. O ano de 2025 consolidou um marco para a transição energética europeia. Pela primeira vez na história, a combinação das fontes eólica e solar gerou 30% da eletricidade total da União Europeia (UE), superando a participação até de combustíveis fósseis (29%), segundo o relatório European Electricity Review 2026, da EMBER. Mas esse avanço impressionante veio acompanhado de desafios que mostram que a geração renovável depende tanto do sol quanto do conhecimento meteorológico.

A sazonalidade é um fator determinante na geração solar no Hemisfério Norte, onde a produção é regida pela grande variação climática da irradiância. Durante a primavera e o verão, a menor distância zenital do sol e o aumento do foto período garantem o pico de disponibilidade energética. Em contrapartida, no outono e inverno, a geração é reduzida por fatores como o ângulo de incidência solar mais baixo, a persistência de nebulosidade, dias mais curtos e até o acúmulo de neve sobre os painéis. Adicionalmente, fenômenos regionais também podem atuar como atenuadores críticos, como as plumas de poeira do Saara que, ao cruzarem a Europa Central, elevam a concentração de aerossóis e reduzem drasticamente a transparência atmosférica.

O contraste geográfico também é marcante. No sul da Europa (Espanha, Portugal, Grécia), a irradiação é comparável a partes do Brasil, enquanto no Norte (Alemanha, Polônia), pode ser 40% a 60% menor (Figura 1). Por outro lado, temperaturas mais amenas no centro-norte europeu ajudam a manter a eficiência das células fotovoltaicas, compensando parcialmente a menor radiação, já que o calor não sobrecarrega as placas geradoras.
Comparativo de Geração de Energia Brasil/Europa

O Brasil apresenta um nível de irradiação bem superior quando comparado a Europa, outro fator relevante é o custo da energia fotovoltaica, ela vem diminuindo gradativamente ano após ano e a tendência é que esses custos diminuam mais ainda.

No ano passado, a geração solar atingiu recorde de 369 TWh, com expansão superior a 20% pelo quarto ano consecutivo, representando 13% da matriz elétrica da UE, superando carvão e hidrelétrica. Mais da metade da eletricidade produzida no segundo trimestre veio de fontes renováveis, com a solar liderando momentos-chave, como junho, quando forneceu 22% da eletricidade. O aumento da capacidade foi uniforme: em 14 das 27 nações da UE, eólica e solar já superam os combustíveis fósseis. Países como Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Países Baixos já veem a solar responder por mais de 20% da eletricidade consumida.

O avanço acelerado da geração solar trouxe impactos econômicos diretos. Preços negativos passaram a ocorrer em momentos de pico, principalmente ao meio-dia, quando a radiação solar está no ápice e a demanda não acompanha a oferta. Nesses casos, o custo atacadista cai abaixo de zero, e os geradores chegam a pagar para que a energia seja consumida.

A Espanha se destacou, com mais de 500 horas de preços zerados ou negativos, devido ao salto da capacidade instalada impulsionada por mais de €1,2 bilhão em subsídios, agilidade nos licenciamentos e expansão de projetos de grande escala. A Alemanha também registrou forte impacto da geração solar. Em outubro, a energia solar no país recebeu cerca de €71,55/MWh, valor abaixo dos €84,40/MWh do mercado.

Mais do que excesso de oferta, o desafio reflete a necessidade de investir em armazenamento por bateria para absorver o excedente e garantir maior flexibilidade da rede elétrica. Nesse cenário, a meteorologia deixa de ser apenas uma ciência de observação do tempo e se torna um instrumento estratégico: antecipar frentes frias, plumas de poeira ou padrões de nuvens permite planejar picos de geração, ajustar contratos de energia e evitar desperdício, garantindo que o sistema seja mais eficiente e econômico.

O marco de 2025 evidencia que a transição energética europeia atingiu maturidade, onde eficiência, segurança e valor econômico estão diretamente ligados às condições climáticas. Em uma matriz elétrica dominada por fontes variáveis, previsões meteorológicas precisas são agora fundamentais para decisões de operação, planejamento e investimento, consolidando a meteorologia como pilar estratégico da gestão e energética. (pv-magazine-brasil)