Matriz energética e o impacto ambiental
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
quarta-feira, 8 de julho de 2026
MME amplia a tarifa rural e abre espaço para energia solar no campo
MME amplia acesso à tarifa
rural e abre espaço para avanço da energia solar no campo.
Medida anunciada pelo ministro Alexandre Silveira busca simplificar o enquadramento de consumidores rurais na tarifa de energia elétrica e pode ampliar a atratividade de sistemas fotovoltaicos em propriedades agrícolas, reduzindo custos operacionais do agronegócio.
Pelas regras atuais, os
consumidores beneficiados devem concentrar o uso da energia em um período
noturno contínuo de 8 horas e 30 minutos para acessar o desconto tarifário. Com
a mudança proposta pelo governo, esse período poderá ser utilizado de forma
contínua ou fracionada em horários previamente definidos entre o produtor e a
distribuidora de energia, desde que fora do horário de ponta do sistema
elétrico.
Segundo o MME, a flexibilização permitirá que o consumo de energia seja deslocado para períodos de maior disponibilidade de geração renovável, especialmente durante o dia, quando a produção solar atinge seus maiores níveis. A medida busca adequar uma política criada há décadas a uma nova realidade do setor elétrico brasileiro, marcada pela rápida expansão da geração fotovoltaica.
Medida permitirá melhor aproveitamento da energia solar no campo, reduzindo desperdício energético e o curtailment.
Na avaliação da pasta, a
mudança contribuirá para reduzir desperdícios de energia renovável, melhorar o
aproveitamento da infraestrutura elétrica existente e aumentar a eficiência da
operação do sistema. O governo estima que aproximadamente 1,5 milhão de
unidades consumidoras rurais poderão ser beneficiadas pela nova regulamentação,
que preserva os descontos atualmente concedidos ao setor.
Para o segmento solar, a
iniciativa representa um importante sinal regulatório. Ao permitir que sistemas
de irrigação e aquicultura operem em horários de elevada geração fotovoltaica,
a medida tende a ampliar a sinergia entre consumo rural e produção solar,
reduzindo a necessidade de restrições operativas e fortalecendo o papel da
energia solar como fonte estratégica para o agronegócio.
Nos últimos anos, produtores rurais têm se consolidado entre os principais investidores em geração distribuída no Brasil. A energia solar vem sendo utilizada para abastecer sistemas de irrigação, bombeamento de água, armazenagem refrigerada, secagem de grãos e outras atividades intensivas em consumo elétrico, proporcionando redução de custos operacionais e maior previsibilidade financeira.
Vacas pastam sob painéis solares em uma fazenda, integrando produção de energia limpa e atividade agropecuária em um dia com céu parcialmente nublado.
Durante o anúncio, Alexandre
Silveira destacou que a medida faz parte do compromisso do governo federal com
o desenvolvimento do agronegócio e com a busca por soluções que conciliem
competitividade econômica, segurança energética e sustentabilidade. Para o
setor fotovoltaico, a expectativa é que a flexibilização contribua para
acelerar a eletrificação sustentável do campo e ampliar o aproveitamento da
energia solar produzida no país. (pv-magazine-brasil)
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Projeto híbrido de energia solar e hidrogênio será usado na Antártida
Projetos de energia híbrida (solar + hidrogênio) estão sendo
desenvolvidos na Antártida para eliminar o uso de geradores a diesel. Eles usam
painéis solares para gerar eletricidade e realizar a eletrólise da água,
armazenando energia em forma de gás hidrogênio e células de combustível para
uso durante a noite polar.
Os principais pilotos no continente gelado incluem:
• Base Julio Escudero (Chile): Localizada na Ilha Rei George. A
iniciativa é conduzida pela agência alemã GIZ em parceria com a União Europeia,
testando sistemas que reduzem a dependência extrema de combustíveis fósseis em
um dos climas mais severos do mundo. Mais detalhes sobre a validação desse
projeto estão disponíveis no artigo da pv magazine Brasil.
• Estação Qinling (China): Localizada no Mar de Ross. A China
implementou um sistema robusto que combina energia solar, eólica, baterias e
hidrogênio para garantir que a estação continue autônoma e totalmente funcional
mesmo durante a noite polar.
Um projeto piloto de energia híbrida, que combina energia solar, baterias e células de combustível de hidrogênio, está em desenvolvimento em uma base científica na Ilha Rei George para explorar a redução do consumo de diesel em operações de pesquisa isoladas.
O projeto piloto que combina um sistema fotovoltaico de 27 kW com baterias e células de combustível de hidrogênio está em desenvolvimento em uma base científica chilena em uma ilha da Antártida.
O projeto está sendo desenvolvido na Base Científica Professor
Julio Escudero, operada pelo Instituto Antártico Chileno (INACH) na Ilha Rei
George, que fica a cerca de 120 km da costa da Antártica.
A iniciativa está sendo implementada pela agência alemã Deutsche
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) como parte do projeto Team
Europe Renewable Hydrogen Development (RH2), com cofinanciamento da União
Europeia e do Ministério Federal da Economia e Energia da Alemanha (BMWE).
O projeto proposto visa testar soluções de energia híbrida em um
dos ambientes operacionais mais exigentes do mundo, reduzindo simultaneamente a
dependência de combustíveis fósseis na infraestrutura da Antártida.
De acordo com o estudo de pré-viabilidade do projeto, uma das opções em consideração é uma usina fotovoltaica de 27 kW utilizando painéis solares monocristalinos de 500 W. Essa configuração geraria uma estimativa de 66 kWh por dia, 1.980 kWh por mês e 11.880 kWh por semestre. Considerando a potência de cada módulo, o projeto exigiria aproximadamente 54 painéis solares. O relatório também compara essa opção com uma usina eólica de 12 kW e um sistema de painéis solares optoeletrônicos de 11 kW.
China opera na Antártida sistema híbrido com energia solar, eólica, hidrogênio e baterias para manter a Estação Qinling ativa no gelo.
No que diz respeito ao hidrogênio, o projeto conceitual prevê a
produção local de hidrogênio utilizando um pequeno eletrolisador com capacidade
de aproximadamente 0,5 Nm³/h, equivalente a 1 kg de hidrogênio por dia, e um consumo
nominal de eletricidade de 2,4 a 5 kW. O estudo contempla tecnologias de
eletrolisadores alcalinos, PEM ou AEM, visto que todas as três atendem aos
requisitos do projeto piloto.
O hidrogênio seria armazenado como gás em tanques ou cilindros
estacionários com capacidade mínima de 5 kg e pressão máxima de 30 a 40 bar. O
hidrogênio armazenado alimentaria células de combustível PEM projetadas para
fornecer 30 kW de energia de reserva para o laboratório base por até duas horas
por mês. O consumo estimado de hidrogênio para essa finalidade é de 4,14 kg por
mês, 25 kg por temporada de operação e 50 kg por ano.
A eletricidade gerada pelas células de combustível exigiria um inversor de 30 kW e um painel de transferência automática para isolar e alimentar diretamente o laboratório em caso de queda de energia. O projeto do sistema também inclui sensores de vazamento de hidrogênio, sistemas de alarme, mecanismos de desligamento de emergência, controle térmico, sistemas de renovação de ar, equipamentos de purificação de água e tubulação de aço inoxidável para a saída de hidrogênio, água e oxigênio.
O projeto surgiu após estudos realizados em 2022 e 2023, que avaliaram a viabilidade técnica e econômica do uso de hidrogênio como fonte de eletricidade e calor em condições extremas. As análises concluíram que é viável desenvolver um sistema modular capaz de produzir, armazenar e utilizar hidrogênio renovável no local. (pv-magazine-brasil)
sábado, 4 de julho de 2026
Postes de iluminação solar com inteligência artificial resolverá a demanda dos data centers
Postes de iluminação solar
com inteligência artificial podem resolver a demanda de energia dos data
centers.
A ideia é aproveitar a
iluminação pública para criar uma grande rede de usinas virtuais de energia
(VPP, na sigla em inglês) capaz de absorver a demanda imposta às redes
elétricas mundiais por grandes centros de dados.
Rede VPP
A implementação já está em
andamento na Nigéria, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e Fitzpatrick disse
à pv magazine que a ConFlow pretende ter meio milhão de unidades de postes de
iluminação em produção até o próximo ano. Mas o poste de iluminação não é exatamente
o produto.
“Estamos construindo uma
plataforma de IA para energia, comunicações e dados. O iLamp é apenas o nó pelo
qual integramos tudo isso”, explicou Fitzpatrick.
“Muita gente diz que não
podemos competir com um data center de grande escala colocando GPUs em postes
de luz. Isso é verdade. Mas nós não precisamos resfriar as nossas, então já
somos mais eficientes, o poder computacional é maior e custa menos para nós e
para o meio ambiente”.
Modelo de negócio
As autoridades locais e os
governos pagam pelo poder computacional por hora e pela energia fornecida pelas
lâmpadas. Atualmente, a ConFlow cobra 49 centavos por hora de computação, o que
Fitzpatrick afirmou ser “realmente barato para computação de inferência em IA”.
Cada iLamp gera cerca de US$ 4.500 por ano.
“Também cobramos um pouco
pela energia porque queremos criar serviços públicos ‘verdes’ em todos os
lugares”, acrescentou o CEO. “Se houver 50.000 iLamps em um estado, criamos um
serviço público verde e vendemos a energia para o governo a um preço de
quilowatt-hora verde, mas a uma taxa muito baixa. O serviço público verde é
muito mais benéfico para o usuário final do que para nós… oferece a eles
inúmeros benefícios, como créditos de carbono”.
A ConFlow está em negociações com autoridades locais para implantar as lâmpadas no Reino Unido, bem como no Cazaquistão, Sri Lanka, Índia, Quênia, Nigéria e Estados Unidos. O licenciamento já está disponível na maioria dos países. O maior problema é a burocracia envolvida, e Fitzpatrick afirmou que a empresa tem priorizado a implantação inicial em países com menos restrições burocráticas, como a Nigéria.
Serviços de inteligência
O tipo de dados de
inteligência baseados em inferência que as lâmpadas fornecem depende das necessidades
do usuário. O governo escolhe os serviços desejados, que variam desde dados
meteorológicos, conexões com veículos autônomos, dados de tráfego, segurança
predial, desempenho esportivo e até detecção de disparos, tudo fornecido por
meio de uma câmera com inteligência artificial instalada dentro da lâmpada, na
altura dos olhos.
“Desde monitoramento de
velocidade até prevenção de tiroteios e esportes, estamos desenvolvendo 80
aplicações desse tipo, porque podemos ensinar a câmera literalmente qualquer
coisa. Estamos trabalhando com um departamento de teatro local para nos ajudar
a ensinar a câmera”, disse Fitzpatrick.
Botões de pânico também podem ser instalados nas iLamps para alertar os serviços de emergência. Fitzpatrick não está muito preocupado com a possibilidade de roubo de chips de computador ou painéis solares das lâmpadas. Como ele disse, o painel solar é integrado à lâmpada e qualquer pessoa que tentasse roubá-lo precisaria de uma esmerilhadeira e desativar a câmera. Se a GPU for removida da lâmpada, ela é automaticamente danificada e, portanto, torna-se inútil. “Ninguém consegue roubar 50.000 lâmpadas”, afirmou Fitzpatrick.
Ele também defendeu o aspecto de vigilância do serviço, alegando que a ConFlow oferece um serviço que os governos desejam comprar. (pv-magazine-brasil)
O que o El Niño significa para a geração solar?
Compreender como o fenômeno
atua é fundamental para avaliar o desempenho do seu sistema:
• Aumento da irradiação
(Norte e Nordeste): O fenômeno reduz as chuvas e a nebulosidade persistente.
Como a incidência de raios solares aumenta, o rendimento dos painéis tende a
ser superior à média nessas áreas.
• Queda de rendimento por
calor extremo (Centro-Oeste e Sudeste): Embora haja menos nuvens, o calor
extremo e contínuo diminui levemente a eficiência dos módulos solares, já que
os inversores e painéis operam melhor em temperaturas mais amenas.
• Redução na geração (Sul):
Na região Sul, o El Niño frequentemente provoca chuvas intensas e prolongadas,
o que reduz a captação de luz solar e a geração diária de energia.
Para entender detalhadamente
como o El Niño altera a sua região e como otimizar o uso da energia, você pode
ler mais sobre a pv magazine Brasil ou conferir o artigo sobre AXS Energia para
entender o papel estratégico da fonte solar em momentos de instabilidade
climática.
No Brasil, os efeitos mais favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do Nordeste. Já no Sul do país, o cenário costuma ser oposto. No entanto, esse comportamento não é uniforme.
O clima é aquilo que esperamos. O tempo é aquilo que acontece”. A famosa frase atribuída ao escritor Mark Twain resume bem um dos principais desafios do setor elétrico diante do El Niño. Embora o fenômeno tenha padrões conhecidos, seus impactos reais sobre a geração solar estão longe de seguir uma receita fixa. No Brasil, isso significa que o mesmo evento capaz de ampliar a irradiância e favorecer a geração fotovoltaica em regiões estratégicas também pode aumentar riscos operacionais ligados ao excesso de calor, tempestades severas e irregularidade atmosférica, exigindo monitoramento constante por parte do setor energético.
Segundo atualização divulgada
pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) em 14 de maio, há 82%
de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho e 96% de
chance de permanência durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027.
Caracterizado pelo
aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, o El Niño altera
significativamente os padrões de circulação atmosférica ao redor do planeta,
modificando o comportamento das chuvas, temperaturas, vento e nebulosidade.
No Brasil, os efeitos mais favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do Nordeste. Nessas regiões, o El Niño costuma reduzir as chuvas durante a primavera e início do verão (setembro a dezembro), favorecendo a disponibilidade de irradiância solar. A nebulosidade não desaparece completamente, mas passa a ocorrer de forma mais irregular e menos persistente.
Sistemas típicos da estação chuvosa, como corredores de umidade e episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), tornam-se menos frequentes. Como consequência, há maior incidência de radiação solar em uma época do ano normalmente marcada por céu mais encoberto.
Parte desse comportamento
pode beneficiar parcialmente áreas do norte de Mato Grosso, Goiás e Minas
Gerais, onde o aumento da irradiância tende a favorecer o desempenho dos
sistemas solares.
No Sul do país, o cenário
costuma ser oposto. O aumento da frequência de sistemas frontais, períodos
prolongados de nebulosidade e eventos de chuva intensa reduzem a
disponibilidade de irradiância e podem impactar negativamente a geração solar.
No entanto, esse
comportamento não é uniforme. A distribuição da precipitação na região também
depende de fenômenos de menor escala, como a Oscilação de Madden-Julian (MJO),
que influencia a organização de sistemas convectivos em escala semanal, e a
Oscilação Antártica (AAO), que modula a posição de frentes frias. Esses
mecanismos podem deslocar áreas de precipitação ao longo do tempo, evitando
impactos simultâneos nos três estados do Sul. Em alguns casos, a chuva pode ser
muito volumosa na Argentina, Uruguai e Paraguai e ter dificuldade de chegar ao
Sul do Brasil, como ocorreu em dezembro de 2023, por exemplo.
Além disso, parte relevante
das chuvas intensas na região está associada a Sistemas Convectivos de
Mesoescala (SCMs), que frequentemente se formam durante a madrugada e o início
da manhã. Isso significa que nem todos os eventos de chuva volumosa
comprometem, necessariamente, os períodos de maior geração solar ao longo do
dia.
Sistemas regionais também
exercem influência relevante. Na faixa costeira do Nordeste, o posicionamento
do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) exige atenção. Embora o centro do
sistema esteja associado a condições mais estáveis, suas bordas favorecem chuva
e aumento da nebulosidade. Em determinados episódios de El Niño, o VCAN pode se
posicionar de forma a manter essas áreas mais instáveis sobre polos de geração
solar, reduzindo a irradiância por vários dias consecutivos.
Como o El Niño dificulta a
organização de corredores de umidade e aumenta as temperaturas, ele também
tende a intensificar a ocorrência de tempestades isoladas em regiões do
Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Essas pancadas, geralmente
concentradas entre a tarde e a noite, podem apresentar alta intensidade, com
raios, granizo e rajadas de vento que superam 80 km/h, elevando o risco de
danos às estruturas fotovoltaicas.
A questão das temperaturas
elevadas completa o cenário de atenção. Apesar de o excedente de irradiância
favorecer a geração solar, o calor excessivo reduz a eficiência dos módulos
solares, que perdem capacidade de conversão em condições térmicas extremas. A
situação piora em ondas de calor, porque as altas temperaturas persistem por
mais tempo.
Nesse contexto, o principal desafio do setor elétrico é lidar com a variabilidade das condições atmosféricas. A performance dos ativos passa a depender não apenas da irradiância média, mas também da ocorrência de eventos extremos e da dinâmica entre fenômenos atmosféricos de diferentes escalas.
El Niño: o que é, por que ocorre e como o aquecimento global o torna pior
Ele é um fenômeno natural,
que sempre causou enchentes, secas e incêndios. Mas o aquecimento global
acentua seus efeitos catastróficos.
O monitoramento climático
contínuo, apoiado por plataformas como o TOKsolar, da Tempo OK, que oferece
séries históricas e climatologias detalhadas de irradiância solar, deixa de ser
um diferencial e passa a ocupar papel central na estratégia das empresas de
energia. (pv-magazine-brasil)















