terça-feira, 20 de outubro de 2026

Buscas por veículos eletrificados novos crescem 17% no 1º semestre de 2026

Buscas por veículos eletrificados novos crescem 17% no primeiro semestre de 2026, revela Webmotors.

Procura por modelos 100% elétricos avançou 47% no período, enquanto híbridos cresceram 8%; apesar da maior expansão dos elétricos, híbridos concentram 71% das buscas por veículos eletrificados novos.
GWM Haval H6

O interesse por veículos eletrificados novos cresceu 17% no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Webmotors Autoinsights. O levantamento considera as buscas e visitas aos modelos elétricos e híbridos realizadas na plataforma entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período de 2025.

Os modelos 100% elétricos registraram o maior avanço, com crescimento de 47% nas buscas no primeiro semestre, enquanto os híbridos tiveram alta de 8%. Apesar da diferença nas taxas de crescimento, os híbridos ainda concentram a maior parte da procura por veículos eletrificados novos, com 71% das buscas, ante 29% dos modelos elétricos.

De acordo com o CEO da Webmotors, Eduardo Jurcevic, a expansão da oferta de modelos elétricos no mercado brasileiro contribui para o aumento do interesse dos consumidores. “Quando consideramos questões de preço, os elétricos contam hoje com uma oferta mais ampla de modelos em faixas mais acessíveis, especialmente entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, o que acaba atraindo uma parcela considerável dos consumidores interessados nessa tecnologia”, afirma.

Segundo o executivo, os híbridos devem continuar representando a maior parcela das buscas devido, entre outros fatores, aos desafios relacionados à infraestrutura para veículos eletrificados no país.

Haval H6 lidera buscas por eletrificados 0 km

Eletrificados conquistam 21% de participação de mercado e devem atingir 450 mil em 2026.

O GWM Haval H6 foi o veículo eletrificado novo mais buscado na plataforma no 1º semestre/2026. O modelo aparece à frente de 7 veículos da BYD e 2 modelos da Omoda no ranking.

A lista dos 10 eletrificados 0 km mais buscados é composta por:

1. GWM Haval H6

2. BYD Dolphin Mini

3. BYD King

4. Omoda 5

5. Omoda 7

6. BYD Song Plus

7. BYD Song Pro

8. BYD Dolphin

9. Volvo EX2

10. BYD Seal

Interesse por eletrificados usados cresce 13%

O levantamento também aponta aumento da procura por veículos eletrificados usados. As buscas e visitas aos modelos cresceram 13% no 1º semestre/2026, na comparação anual.

Entre os usados, os modelos elétricos registraram alta de 17% nas buscas, enquanto os híbridos avançaram 12%. Assim como no mercado de veículos novos, os híbridos concentram a maior parcela da procura, representando 75% das buscas por eletrificados usados, contra 25% dos elétricos.

O GWM Haval H6 também liderou o ranking de modelos usados mais buscados. Na sequência aparecem BYD Song Plus, Volvo XC60, Toyota Corolla, Porsche Cayenne, BYD Seal, BYD Dolphin Mini, Toyota Corolla Cross, BYD King e BYD Dolphin. (pv-magazine-brasil)

domingo, 18 de outubro de 2026

A corrida pela energia solar espacial

A energia solar espacial é a captação da luz do Sol no espaço por grandes painéis e o envio dessa energia sem fios para a Terra.

Como funciona

• Órbita alta: As usinas ficam a 36 mil quilômetros da Terra, em órbita geoestacionária.

• Luz constante: Fora da atmosfera, não há nuvens ou ciclos de dia e noite, o que torna a luz dez vezes mais intensa.

• Transmissão: A energia captada vira ondas de rádio ou micro-ondas e é enviada para antenas na superfície terrestre.

A corrida atual

• Projetos da China: O país planeja construir uma matriz solar de 1 quilômetro de largura no espaço para gerar energia em grande escala.

• Iniciativas nos EUA: Institutos como a Caltech desenvolvem projetos próprios para testar a viabilidade da transmissão por micro-ondas.

• Economia espacial: O mercado espacial movimenta bilhões e especialistas afirmam que a nova corrida espacial será definida pela capacidade de gerar energia.

Desafios

• Montagem complexa: É impossível lançar uma estrutura pronta; robôs precisariam montar os módulos no espaço.

• Custos e perdas: O transporte de carga pesada e a eficiência na conversão e transmissão da energia ainda enfrentam barreiras técnicas.

Este vídeo explica os planos da NASA e os métodos robóticos para erguer usinas solares gigantescas no espaço:

Há uma intensa movimentação acima de nossas cabeças, e ela será alimentada, como ocorre há mais de 70 anos, pela energia solar. Para quem trabalha no segmento de alta tecnologia solar, é difícil ignorar o aumento dos investimentos e a expansão das atividades dos setores público e privado nas emergentes indústrias espaciais.

O volume de recursos destinados ao setor parece representar uma nova oportunidade para a indústria solar avançar em direção a um mercado de alto valor, embora sua escala e importância finais ainda estejam começando a ser compreendidas.

Enquanto grande parte da atenção da mídia e das discussões tem se concentrado em ofertas públicas iniciais (IPOs) e em ambições de grande escala, uma dinâmica interessante está surgindo entre os fornecedores de tecnologias solares que buscam alimentar a crescente frota de satélites e outras operações espaciais.

Impulsionados pelo forte interesse dos investidores, desenvolvedores de satélites, empresas espaciais e fabricantes especializados de equipamentos solares estão desenvolvendo novas tecnologias e capacidades que podem permitir que atividades econômicas em órbita ganhem escala e prosperem.

Expansão dos eventos

Esse aumento da atividade ficou evidente em três eventos realizados nos Estados Unidos em 2026 dos quais a Eternal Sun participou: o Space Power Workshop, realizado em abril em Torrance, Los Angeles; a Space Photovoltaics Research and Technology Conference (SPRAT), em Cleveland; e a Small Satellite Conference, em Salt Lake City, ambas realizadas no último mês.

Os 3 eventos acontecem há décadas, o que demonstra tanto a importância histórica dos sistemas de energia para as operações espaciais quanto a profundidade do conhecimento acumulado nessa área.

Quando participei do Space Power Workshop, ficou evidente a familiaridade entre representantes do setor de tecnologia espacial e das empresas solares com longa trajetória no fornecimento de equipamentos para esse mercado. E isso não chega a ser surpreendente, já que o evento comemorou sua 40ª edição neste ano.

Ao lado dos profissionais experientes e das empresas já estabelecidas, porém, havia também um grupo de novos participantes interessados em levar abordagens inovadoras para as operações espaciais e os sistemas de energia.

Muitas das organizações espaciais representadas no Workshop são conhecidas, como a National Aeronautics and Space Administration (NASA), a European Space Agency (ESA) e a organização sem fins lucrativos Aerospace Corporation, que atua desde 1960.

Em relação às necessidades de energia em órbita, essas organizações frequentemente mantêm relações de longa data com fornecedores especializados de sistemas solares para aplicações espaciais. Muitos deles baseiam suas tecnologias fotovoltaicas em semicondutores III-V, incluindo células solares de arseneto de gálio (GaAs).

Abordagens tradicionais

Como usinas solares no espaço podem transmitir energia para a Terra.

Já foram projetados satélites para coletar energia solar no espaço.

Não é necessário ter um doutorado em energia fotovoltaica para compreender as vantagens dos semicondutores III-V. Com eficiências de conversão superiores a 30% e alta resistência aos prótons e elétrons de alta energia predominantes em órbitas elevadas, eles há muito tempo são uma escolha natural para aplicações espaciais.

No entanto, a capacidade de produção de dispositivos solares III-V continua bastante limitada. Durante o Space Power Workshop, foi mencionado que a capacidade anual de produção permanece abaixo de 5 MW, enquanto os prazos de entrega podem ser longos, representando uma restrição significativa à expansão das aplicações.

Ainda há poucos dados confiáveis sobre a cadeia de suprimentos de sistemas solares para aplicações espaciais. Como me disse um analista experiente do setor solar, “a energia solar espacial é muito interessante, mas atualmente está na fronteira de nossa pesquisa”.

Apesar dessa visibilidade limitada, está claro que a atividade em toda a cadeia de suprimentos de sistemas solares espaciais está se acelerando.

Nova geração de fotovoltaicos espaciais

Vale a pena observar alguns dos desenvolvimentos recentes no mercado de energia solar espacial. Em 20 de maio, a York Space Systems, com sede em Denver, anunciou a aquisição da desenvolvedora de sistemas solares espaciais Solestial por US$ 67 milhões, em dinheiro e ações.

Em vez de utilizar semicondutores III-V, a Solestial produz células e módulos de silício cristalino (c-Si) para aplicações espaciais. A empresa utiliza substratos de c-Si ultrafinos, de 60 micrômetros, para produzir células e módulos de heterojunção por meio de processos de fabricação em baixa temperatura.

A aquisição ocorreu após a oferta pública inicial da York Space Systems, que levantou US$ 4,75 bilhões na Bolsa de Valores de Nova York em janeiro.

Olhando para além da energia solar, fica claro que os recursos estão fluindo para todo o setor espacial emergente. A organização sem fins lucrativos Space Foundation informa que apenas em abril de 2026 foram direcionados US$ 28,7 bilhões em investimentos privados para empresas espaciais.

Segundo a organização, além dos investidores tradicionais de capital de risco, empresas como Airbus, Lockheed Martin e Google estão destinando recursos ao setor, assim como fundos soberanos, fundos de pensão e family offices. As constelações de satélites estão entre os segmentos particularmente atraentes para os investidores.

Evolução tecnológica

A crescente demanda por satélites em órbita terrestre baixa (LEO), incluindo aplicações como a Starlink, parece estar levando a uma reavaliação dos semicondutores utilizados em sistemas solares espaciais.

A LEO geralmente se estende de aproximadamente 160 km a 2.000 km acima da superfície terrestre. Como essas órbitas apresentam menor exposição à radiação que provoca degradação do que as órbitas mais elevadas, além de uma vida útil geralmente mais curta dos satélites, células mais convencionais de silício cristalino podem ser mais adequadas para essa próxima fase da industrialização espacial.

A queda dos custos de lançamento também está tornando mais viáveis os sistemas solares espaciais de c-Si de menor custo.

Um relatório da PwC sobre a indústria espacial, publicado em abril de 2025, observa que, embora “lançar materiais pesados em órbita continue sendo um obstáculo logístico”, o aumento da frequência dos lançamentos e inovações como foguetes reutilizáveis podem reduzir a importância da relação entre potência e peso nos sistemas solares espaciais.

Segundo o relatório, os custos de lançamento para a LEO caíram acentuadamente nos últimos 15 anos, chegando a aproximadamente US$ 2.000/kg ou menos.

Em reconhecimento à importância da inovação contínua em laboratórios e na fabricação de sistemas solares espaciais, o Departamento de Energia dos Estados Unidos lançou uma oportunidade de financiamento de US$ 12 milhões.

Não são apenas satélites que estão sendo lançados. As informações sobre o Space Photovoltaic Research and Development Program foram divulgadas em 31/08/2026 e indicam que o programa pretende acelerar a inovação tecnológica e ampliar a capacidade doméstica de fabricação de sistemas solares para aplicações espaciais. O processo de concessão é administrado pela TechWerx e ficou aberto até 08/10/26.

Oportunidade para as perovskitas

Assim como ocorre na Terra, a tecnologia fotovoltaica baseada em perovskitas apresenta grande potencial como uma solução de nova geração para aplicações espaciais.

Na SPRAT, realizada no início deste mês no Glenn Research Center, da NASA, desenvolvedores de perovskitas tiveram participação de destaque na programação.

Equipes da desenvolvedora de perovskitas Swift Solar e pesquisadores da University of Rochester, em Nova York, e da University of North Texas fizeram apresentações no evento. A equipe da Eternal Sun também conversou com representantes das empresas de perovskitas Oxford PV e Beyond Silicon durante os intervalos.

As discussões mostraram que, embora as aplicações espaciais talvez não tenham sido uma prioridade para a pesquisa e a comercialização de células de perovskita no passado, hoje elas são vistas como uma oportunidade de negócios relevante pelos desenvolvedores.

Para as empresas espaciais, eficiências superiores a 30% a custos muito inferiores aos dos semicondutores III-V representam uma perspectiva particularmente atraente.

Para concretizar esse potencial, porém, as células de perovskita precisam demonstrar durabilidade e confiabilidade no longo prazo. As empresas espaciais não podem arcar com degradação inesperada ou falhas dos dispositivos depois de assumir os altos custos de lançamento dos equipamentos para a órbita.

O desafio é semelhante ao enfrentado pela implantação das perovskitas em aplicações terrestres, mas com consequências muito maiores.

Diante da necessidade de testar e caracterizar com precisão células e módulos de perovskita e c-Si destinados a aplicações espaciais, incluindo dispositivos tandem, é positivo observar uma forte demanda por simuladores solares avançados nesse nicho em expansão.

Em dezembro de 2025, a Eternal Sun informou que estava fornecendo equipamentos com placas de diodos emissores de luz (LED) pré-calibradas para testes em condições de massa de ar zero (AM0), permitindo a caracterização precisa de tecnologias solares projetadas para uso no espaço.

A Space Foundation estima que a economia espacial global tenha alcançado US$ 686 bilhões em 2025, com crescimento anual de 12%.

O relatório classifica a energia solar espacial como uma “tecnologia fundamental” para a expansão contínua das operações em órbita. À medida que a economia espacial cresce e novas tecnologias fotovoltaicas surgem, testes rigorosos, caracterização e validação dos produtos serão fundamentais para garantir que a energia solar consiga atender às necessidades dessa indústria no futuro.

E acredito que posso falar em nome de toda a equipe da Eternal Sun ao dizer que temos orgulho de contribuir para o desenvolvimento dessa nova área da economia.

Pepijn Veling é diretor de vendas da Eternal Sun | WAVELABS desde 2019. É responsável pelas vendas na Europa, Índia, Oriente Médio e América Latina, além de atuar como engenheiro de vendas, gerenciando contas na América Latina e na Europa. Anteriormente, trabalhou como desenvolvedor de novos negócios na Kimberly-Clark e na Innovice, onde teve entre seus principais clientes a Apple Benelux e o Rabobank Utrecht.

Veling é bacharel em Gestão da Inovação e mestre em Ciência e Gestão da Inovação pela Utrecht University, além de possuir qualificações adicionais em negócios sustentáveis. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Solar responde por 73% da expansão da matriz elétrica brasileira em 2026

Solar responde por 73% da expansão da matriz elétrica brasileira em 2026, aponta Aneel.
A energia solar fotovoltaica respondeu por cerca de 73% de toda a expansão da matriz elétrica brasileira entre janeiro e agosto de 2026, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Detalhes da Expansão

• Capacidade Adicionada: O Brasil ampliou sua capacidade de geração centralizada em 4.852,78 MW no acumulado dos 8 primeiros meses de 2026.

• Participação Solar: Desse total, 3.520,93 MW vieram exclusivamente de 75 novas centrais solares fotovoltaicas (de um total de 91 usinas liberadas no período).

• Estados Destaque: O ranking de expansão no ano é liderado por Mato Grosso do Sul (894,20 MW), seguido pelo Pará (649,37 MW) e pelo Rio Grande do Norte (639,57 MW).

• Potência Total: Com esses acréscimos, a potência fiscalizada do país alcançou 220,66 GW, sendo que as fontes renováveis já representam 84,67% de toda a capacidade instalada nacional.

A energia solar fotovoltaica foi responsável por cerca de 73% de toda a expansão da matriz elétrica brasileira entre janeiro e agosto de 2026, com a adição de 3,52 GW de nova capacidade. No período, o país registrou um acréscimo total de 4,85 GW fiscalizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), elevando a potência instalada nacional para 220,66 GW.

A fonte fotovoltaica adicionou 3,52 GW entre janeiro e agosto, enquanto 15 novas usinas solares acrescentaram 891 MW apenas no último mês. A agência aponta 220,6 GW de potência instalada no país.

Brasil ultrapassa 20 GW em grandes usinas solares e acelera transição energética com investimentos bilionários, geração de empregos verdes e expansão estratégica no Nordeste e Sudeste.

A energia solar fotovoltaica segue como principal vetor de expansão da matriz elétrica brasileira em 2026. Entre janeiro e agosto, 75 usinas solares entraram em operação comercial, acrescentando 3.520,93 MW de potência, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O volume representa 72,6% dos 4.852,78 MW adicionados à matriz elétrica brasileira no período.

Somente em agosto, foram adicionados 1.968,37 MW de capacidade, dos quais 891 MW vieram de 15 centrais solares fotovoltaicas. Assim, a fonte respondeu por aproximadamente 45,3% da expansão registrada no mês. No mesmo período, entraram em operação três termelétricas, com 100,87 MW, e duas usinas eólicas, com 76,50 MW.

O desempenho reforça a liderança da energia solar entre as fontes que vêm ampliando a capacidade de geração do país. No acumulado até agosto, as termelétricas adicionaram 1.087,05 MW, as eólicas 184,50 MW, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) 52,70 MW e as centrais geradoras hidrelétricas (CGHs) 7,60 MW.

Solar domina novos empreendimentos

Painéis solares e turbinas eólicas captam energia limpa em uma paisagem rural durante o pôr do sol.

Além de responder pela maior parcela da potência adicionada, a solar também representa a maioria dos novos empreendimentos que entraram em operação. Das 91 usinas liberadas comercialmente entre janeiro e agosto, 75 são fotovoltaicas, equivalentes a mais de 80% dos novos empreendimentos.

A expansão ocorreu em 15 estados. Mato Grosso do Sul liderou o ranking no acumulado do ano, com 894,20 MW, seguido por Pará, com 649,37 MW, e Rio Grande do Norte, com 639,57 MW.

O Mato Grosso do Sul também foi o principal destaque em agosto, com 891 MW, praticamente todo o volume de expansão registrado no estado no mês. O Pará ficou em segundo lugar, com 629,37 MW.

O avanço das novas usinas ocorre em uma matriz que já alcançou 220,6 GW de potência instalada, de acordo com o infográfico de expansão da Aneel, atualizado em 10/09/2026.

Considerando as usinas em operação, a hidrelétrica continua sendo a maior fonte individual, com 46,64% da capacidade, seguida pelas termelétricas, com 22,80%. A solar fotovoltaica já representa 15,83% da capacidade, enquanto a eólica responde por 10,67%.

Na soma das fontes renováveis, a participação chega a 84,67% da potência instalada, segundo os dados do Sistema de Informações de Geração da Aneel (SIGA). A agência registrava 220.662,7 MW de potência fiscalizada em 08/09/26.

Solar também lidera capacidade que ainda não iniciaram construção

No início do século XXI, com o avanço da globalização e das tecnologias digitais, as perspectivas de energia renovável tomaram um novo fôlego.

O infográfico da Aneel mostra ainda a dimensão da expansão solar que permanece no pipeline.

Entre os empreendimentos cuja construção ainda não foi iniciada, a fonte fotovoltaica representa 81,19% da potência, muito à frente das demais tecnologias. Já entre os empreendimentos em construção, a solar responde por 22,01% da capacidade, atrás das termelétricas, que representam 41,72%.

Os números indicam que, além da forte expansão já materializada em 2026, existe um volume expressivo de projetos fotovoltaicos ainda em diferentes estágios de implantação.

A Aneel acompanha essa expansão por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (RALIE), que reúne informações sobre os empreendimentos em implantação, cronogramas, situação das obras e previsões de entrada em operação. A base é atualizada periodicamente pela agência.

Expansão aumenta desafios de integração

O crescimento acelerado da capacidade solar também amplia os desafios para a operação do sistema elétrico. A entrada de grandes volumes de geração fotovoltaica, concentrada principalmente durante o período diurno, exige maior capacidade de flexibilidade, transmissão e armazenamento para acomodar a produção e manter o equilíbrio entre oferta e demanda.

Esse cenário ganha relevância diante do avanço dos sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e das discussões regulatórias sobre flexibilidade e integração de fontes renováveis variáveis.

Para 2026, entretanto, os dados da Aneel mostram que a expansão da matriz continua fortemente concentrada na fonte solar: de cada 10 MW adicionados ao sistema entre janeiro e agosto, cerca de 7,3 MW vieram de usinas fotovoltaicas. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Irradiância solar no Brasil no inverno de 2026

Irradiância solar enfrenta cenários opostos no Brasil durante o inverno de 2026.
O segredo para uma casa fresca no verão e quentinha no inverno!

Você sabia que a posição da sua casa em relação ao sol pode mudar drasticamente o conforto térmico e a conta de luz?

Entendendo o gráfico (Hemisfério Sul):

Melhor (Face Norte): Recebe a maior parte da insolação durante o inverno (quando o sol está mais baixo), mantendo a casa aquecida e livre de mofo. No verão, como o sol passa mais a pino (alto), é fácil proteger essa fachada com beirais curtos.

Pior (Face Sul): Recebe pouquíssima incidência direta de sol durante o ano todo. Em regiões frias ou úmidas, isso pode significar quartos gelados e problemas com umidade.

Antes de construir, sempre verifique a Bússola! O projeto deve se adaptar ao terreno, e não o contrário.

Estes dados são os mesmos utilizados para a melhor colocação das placas solares a fim de produzir energia solar fotovoltaica.

Acumulado anual de irradiação solar em plano horizontal. A escala de cores indica o potencial solar das regiões: tons vermelhos representam áreas com maior incidência solar, enquanto os tons azulados indicam menor potencial.

Durante o inverno de 2026, a irradiância solar no Brasil apresentou um comportamento dividido entre as regiões Centro-Norte e o Sul do país.

Cenários por Região

• Centro-Norte: Em junho, locais como Centro-Oeste, São Paulo, sul de Minas e Triângulo Mineiro tiveram radiação abaixo da média devido a correntes de jato e umidade do Atlântico. Em agosto, a situação melhorou com a redução de nuvens impulsionada pelo enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical. O extremo Norte (como Roraima e Amazonas) registrou índices superiores à média em julho.

• Região Sul: O padrão inverteu-se no fim do inverno. O Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina registraram irradiância abaixo da média devido ao aumento de frentes frias e ciclones extratropicais.

Fatores de Influência

• Circulação Atmosférica: A nebulosidade e a umidade pesaram mais que a chuva isolada na quantidade de luz recebida pelos painéis.

• Papel do El Niño: O fenômeno influenciou o deslocamento de sistemas que trouxeram mais nuvens ao Sul e tempo mais aberto no Centro-Norte durante agosto.

O inverno de 2026 mostrou que chuva não é o único fator que influencia a geração fotovoltaica. A presença de nuvens, a umidade e a circulação atmosférica também interferem diretamente na quantidade de radiação que chega aos painéis, escreve o meteorologista da Tempo OK, Paulo Lombardi, em nova coluna publicada pela pv magazine Brasil.
O inverno meteorológico de 2026 terminou com fortes contrastes nas condições de geração solar pelo país. Enquanto o extremo Norte e o leste do Nordeste registraram irradiância acima do padrão para a estação, áreas do Centro-Oeste, da Amazônia e do Matopiba enfrentaram nebulosidade mais frequente que o normal, reduzindo a incidência de radiação solar e, consequentemente, o potencial de geração dos sistemas fotovoltaicos.

O comportamento chamou atenção justamente porque o inverno meteorológico, período que é compreendido entre os meses de junho, julho e agosto, tradicionalmente, é uma das estações mais favoráveis à geração solar em grande parte do Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste. Entre junho e agosto, o período seco costuma favorecer a presença de dias ensolarados e menor persistência de nuvens nessas regiões, compensando parcialmente o fato de os dias serem mais curtos.

A condição é sazonal e se dá por conta do auge da estação seca na América do Sul. Durante o período seco, a circulação atmosférica em baixos níveis tende a dificultar que a convergência de umidade e a nebulosidade mais persistente se posicionem no Centro-Norte do Brasil. Junto a isso, a circulação em altitude, dominada majoritariamente pelos jatos subtropical e polar, tende a ficar mais intensa no Sul do país, que é onde se concentra a maior frequência de sistemas como frentes frias e ciclones.

Em 2026, porém, a atmosfera apresentou uma configuração diferente. Uma corrente de jato mais intensa e deslocada para o norte, combinada com águas mais aquecidas no Atlântico Sul Tropical, favoreceu o aumento da umidade e da nebulosidade sobre parte do Centro-Norte do país. Mesmo sem provocar necessariamente mais chuva, essa condição reduziu a incidência de radiação solar em algumas regiões e afetou o potencial de geração fotovoltaica.

Figura 1: irradiância solar durante o mês de junho/2026.

Em junho, a irradiância ficou abaixo da média na metade sul da Região Norte, no Centro-Oeste, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Triângulo Mineiro (Figura 1). A corrente de jato mais deslocada para o norte e o maior aporte de umidade do Atlântico Tropical favoreceram a formação de nebulosidade e reduziram a incidência de radiação solar.

No extremo Norte, o cenário foi oposto, com irradiância acima da média, especialmente próximo às fronteiras com Venezuela, Colômbia e norte do Peru. O enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical, influenciado pelo El Niño, reduziu a formação de nuvens e favoreceu a radiação solar. Grande parte do Nordeste também teve condições favoráveis, enquanto o Sul permaneceu próximo da média.

Em julho, o contraste se intensificou. A faixa de menor irradiância avançou pela porção sul da Amazônia, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e áreas da Bahia e do Maranhão, sob influência da maior umidade e da corrente de jato deslocada para o norte.

Figura 2: irradiância solar durante o mês de julho/2026.

No extremo Norte, a irradiância aumentou ainda mais. Em grande parte de Roraima e no norte do Amazonas, ficou mais de 1,20 kWh/m2 por dia acima da média (Figura 2). O leste do Nordeste também manteve o padrão favorável, associado ao enfraquecimento dos ventos alísios e à menor frequência de sistemas que levam umidade do Atlântico para a região.

No Sul, por outro lado, os sinais começaram a mudar. O Rio Grande do Sul passou a registrar menor irradiância, acompanhando o aumento da frequência de sistemas frontais que avançaram sobre a região.

Figura 3: irradiância solar durante o mês de agosto/2026.

No último mês do inverno meteorológico, o cenário começou a mudar. Em agosto, as áreas do Centro-Norte que haviam registrado menor irradiância nos meses anteriores apresentaram recuperação, com os níveis de radiação solar mais próximos da média e apenas alguns pontos isolados de valores abaixo do normal (Figura 3).

Enquanto o Centro-Norte ganhava força, o Sul passou a concentrar as condições menos favoráveis à geração solar. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram as áreas mais extensas de irradiância abaixo da média, com o padrão também avançando sobre o Uruguai e o nordeste da Argentina.

A mudança acompanhou o aumento da frequência e da intensidade de frentes frias e ciclones extratropicais, típicos do fim do inverno e que podem ter sua atuação reforçada pelo El Niño. A maior presença desses sistemas aumentou a nebulosidade sobre a região e reduziu a disponibilidade de radiação solar.

O inverno de 2026 mostrou que chuva não é o único fator que influencia a geração fotovoltaica. A presença de nuvens, a umidade e a circulação atmosférica também interferem diretamente na quantidade de radiação que chega aos painéis.

As diferenças observadas entre as regiões ao longo da estação reforçam a importância de acompanhar essas variáveis para prever a geração e planejar a operação dos sistemas solares. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Energia solar amplia interesse no Brasil para além das residências

O interesse por energia solar no Brasil avança fortemente no agronegócio e no setor corporativo, com as fazendas e empresas figurando entre os principais tipos de imóveis buscados na internet para a instalação de sistemas fotovoltaicos.

Principais Motivos da Expansão

• Agronegócio no campo: As fazendas aparecem no topo das buscas para aplicações como irrigação, bombeamento de água, refrigeração e processamento de safras.

• Buscas aceleradas: Pesquisas recentes apontam que o tema registra um novo interesse de busca no Google a cada 6 segundos no país, impulsionado por empresas e comércios na segunda posição geral.

• Redução de custos: A alta nas tarifas de eletricidade estimula consumidores rurais e comerciais a buscarem autonomia e economia na conta de luz.

Buscas por sistemas fotovoltaicos para empresas e fazendas ganham relevância, enquanto mais de 4,9 milhões de pesquisas relacionadas à fonte foram registradas no Google em 12 meses.

Economia, sustentabilidade e busca por maior autonomia energética estão entre os fatores que impulsionam a procura por sistemas de geração solar no Brasil. Esse movimento também aparece no comportamento dos consumidores nos mecanismos de busca, com o interesse pela tecnologia se expandindo para diferentes tipos de imóveis e atividades econômicas.

Um levantamento realizado pela Descarbonize Soluções, energytech especializada em energia solar e transição energética, identificou mais de 4,9 milhões de buscas relacionadas aos termos “energia solar” e “energia solar para” no Google entre julho/2025 e junho/2026.

Os dados mostram que, embora as aplicações residenciais ainda concentrem a maior parte do interesse, as pesquisas por soluções destinadas a empresas, fazendas, apartamentos e condomínios também aparecem entre os principais resultados. O movimento sugere uma diversificação dos públicos que consideram a geração fotovoltaica como alternativa para reduzir custos e ampliar a autonomia no consumo de eletricidade.

A expansão do interesse ocorre em paralelo ao crescimento da fonte no país. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a solar soma 68,8 GW de capacidade instalada no Brasil e responde por cerca de 25% da matriz elétrica, ocupando a segunda posição entre as fontes de geração.

Residências ainda lideram as buscas

A pesquisa por “energia solar para residência” aparece na primeira posição entre os tipos de imóveis analisados pela Descarbonize. O resultado acompanha a expansão da geração distribuída entre consumidores residenciais.

Segundo dados de 2025 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil já ultrapassou a marca de 3 milhões de sistemas residenciais de geração solar.

O interesse, entretanto, não se restringe às casas. As buscas por energia solar para apartamentos e energia solar para condomínios também aparecem no levantamento, indicando que a procura pela tecnologia alcança diferentes modelos de habitação.

A diversificação é relevante porque a instalação de sistemas fotovoltaicos em empreendimentos residenciais coletivos envolve modelos diferentes daqueles adotados em casas, incluindo geração compartilhada, autoconsumo remoto e projetos destinados ao atendimento das áreas comuns.

Empresas ganham espaço no interesse

Depois das aplicações residenciais, as empresas aparecem na segunda posição entre os tipos de imóveis mais associados às buscas por energia solar.

No segmento corporativo, a geração própria pode ser utilizada como estratégia para reduzir despesas com eletricidade e aumentar a previsibilidade dos custos, além de contribuir para metas de sustentabilidade e descarbonização.

O interesse também acompanha a expansão da geração própria entre consumidores empresariais. Segundo levantamento da TTS Energia, elaborado com base em dados oficiais da Aneel, mais de 217 mil empresas passaram a contar com geração própria entre janeiro e outubro.

A distribuição regional das pesquisas também chama atenção. No Norte, Rondônia e Tocantins aparecem entre os estados com maior volume proporcional de buscas por energia solar para empresas. Os dois estados também estão entre os três primeiros da região em geração distribuída solar, segundo dados de 2026 da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O Nordeste aparece representado por Piauí, Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Norte. Embora apresentem elevado interesse proporcional nas pesquisas, esses estados ainda não estão entre os líderes nacionais em capacidade instalada de geração distribuída solar.

A diferença entre interesse digital e capacidade instalada pode indicar mercados em diferentes estágios de desenvolvimento, nos quais a procura por informações e soluções fotovoltaicas cresce antes de uma expansão equivalente da infraestrutura instalada.

No Centro-Oeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aparecem entre os destaques. Mato Grosso, por sua vez, lidera a geração distribuída solar na região.

No Sudeste, o Espírito Santo figura entre os estados com maior interesse proporcional nas pesquisas. Já o Paraná, no Sul, ocupa a terceira posição nacional em capacidade instalada de geração distribuída solar, reforçando a importância da tecnologia no estado.

Agronegócio amplia procura por geração própria

O interesse também avança para o meio rural. As fazendas aparecem entre os cinco tipos de imóveis mais associados às buscas por energia solar, indicando a crescente presença da tecnologia no agronegócio.

No campo, a geração própria pode atender cargas como sistemas de irrigação, bombeamento de água, refrigeração, armazenamento, processamento e outras operações que dependem de eletricidade.

Segundo os dados apresentados pela Descarbonize, a classe rural responde por aproximadamente 14% da potência solar instalada no Brasil. Nos últimos 4 anos, a capacidade fotovoltaica associada ao agronegócio teria crescido mais de 7 vezes.

O número de unidades consumidoras rurais atendidas por geração solar também aumentou significativamente, passando de 54 mil em 2020 para 471 mil ao final de 2024.

O avanço indica que a geração distribuída deixou de estar concentrada nos centros urbanos e passou a ganhar relevância em atividades produtivas nas quais a disponibilidade e o custo da eletricidade têm impacto direto sobre a operação.

“A energia solar vem ganhando espaço em diferentes setores e realidades, e o crescimento das buscas por instalações fotovoltaicas mostra que cada vez mais brasileiros enxergam a geração solar como uma alternativa para conquistar mais autonomia, eficiência e previsibilidade nos custos de energia”, afirma a gerente de Marketing da Descarbonize Soluções, Milena Andrade.

De acordo com a executiva, a mudança no comportamento das buscas acompanha uma transformação na maneira como consumidores e empresas avaliam o próprio consumo de energia.

Metodologia

O levantamento foi realizado a partir da identificação de buscas no Google relacionadas aos termos “energia solar” e “energia solar para”, considerando o período de julho/2025 a junho/2026.

Para identificar os estados brasileiros com maior interesse por energia solar para empresas, foram considerados os volumes de pesquisa relacionados ao termo. Os resultados foram posteriormente ponderados pelo número de habitantes de cada estado, de modo a estabelecer rankings proporcionais e reduzir o efeito das diferenças populacionais entre as unidades da federação. (pv-magazine-brasil)