Matriz energética e o impacto ambiental
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
quarta-feira, 4 de março de 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Brasil desperdiça 20% da geração renovável em 2025 e perdas chegam a R$ 6,5 bilhões
O Brasil desperdiçou cerca de
20,6% da energia solar e eólica gerada em 2025, totalizando um prejuízo de
aproximadamente R$ 6,5 bilhões, segundo relatório da Volt Robotics. Esse
recorde de curtailment (corte de energia) decorre da incapacidade do sistema
elétrico de escoar a produção, com picos ocorrendo em fins de semana devido ao
excesso de oferta e baixa demanda.
Principais Impactos e Dados
de 2025:
Desperdício Significativo: O
corte de 20,6% é considerado um recorde, com os maiores índices concentrados
nos estados de Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte.
Impacto Financeiro: A perda
estimada superou R$ 6 bilhões, impactando a viabilidade econômica de projetos
renováveis.
Riscos ao Sistema: O operador
nacional (ONS) foi forçado a reduzir a geração renovável para evitar o colapso
do sistema por excesso de energia, especialmente no Nordeste.
Paradoxo Energético: O
Brasil, ao mesmo tempo que bateu recordes de geração limpa, desperdiçou o equivalente
a cerca de 10 meses de produção da hidrelétrica de Belo Monte.
Causa Estrutural: O problema
acende um alerta sobre a necessidade de modernização das linhas de transmissão
e subestações, que não acompanharam o ritmo de expansão das energias solar e eólica.
O relatório destacou ainda
que em 16 dias de 2025 o sistema operou próximo ao limite de segurança,
exigindo medidas emergenciais de corte para evitar apagões.
Estudo da Volt Robotics mostra avanço recorde de corte de energia solar e eólica, aponta 16 dias críticos de operação do sistema elétrico e alerta para riscos econômicos e de segurança energética. Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte lideraram os percentuais de energia desperdiçada.
Evolução mensal do curtailment em 2025, destacando o pico em ago/set/out.
O Brasil deixou de aproveitar
cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada ao
longo de 2025, acumulando um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões. Os dados
fazem parte do Balanço Anual do Curtailment divulgado pela Volt Robotics, que
revela um cenário inédito de excesso de oferta renovável e dificuldades
operativas do sistema elétrico nacional.
De acordo com o levantamento,
os cortes de geração atingiram, em média, 4.021 MW ao longo do ano, volume
equivalente à produção mensal de grandes usinas hidrelétricas. Em pelo menos 16
dias de 2025, o sistema operou perigosamente próximo do limite inferior de
segurança, situação associada não à escassez, mas à sobra de energia — um
contraste significativo em relação a 2024, quando apenas um episódio semelhante
foi registrado.
O problema se intensificou especialmente entre agosto e outubro, período que concentrou os maiores níveis históricos de curtailment. Os cortes ocorreram por diferentes razões, incluindo limitações operativas para garantir a confiabilidade do sistema, excesso de geração frente à demanda e restrições na infraestrutura de transmissão.
Segundo o estudo, o domingo — especialmente no período da manhã — tornou-se o principal teste de estresse do sistema elétrico brasileiro. Nesse dia, a atividade econômica é reduzida, com comércio fechado, indústria desacelerada e escritórios parados, o que provoca queda acentuada da demanda. Ao mesmo tempo, a geração solar atinge níveis elevados e, em muitos casos, é reforçada pela produção eólica, criando uma combinação recorrente de baixa carga e alta oferta de energia. O resultado é a sobrecarga das redes, a necessidade de cortes forçados de geração e a aproximação do sistema ao limite inferior de segurança, padrão observado em vários dos 16 dias críticos registrados em 2025.
O levantamento também chama atenção para um risco pouco conhecido fora do meio técnico: a possibilidade de apagões provocados pelo excesso de geração renovável. Em 2025, o sistema elétrico brasileiro operou por 16 dias próximo ao seu limite inferior de segurança, situação considerada crítica pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Esse número representa um salto expressivo em relação a 2024, quando apenas um episódio semelhante foi registrado, e levou o operador a adotar medidas emergenciais com apoio institucional da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluindo a previsão de cortes extraordinários de geração. Quando esse limite é ultrapassado, aumenta significativamente o risco de falhas sistêmicas e interrupções no fornecimento, evidenciando que a abundância de energia limpa, sem ajustes estruturais no sistema, pode se transformar em fator de instabilidade.
A Volt Robotics também
destaca que os impactos econômicos vão além da perda direta de receita. O
curtailment recorrente aumenta a percepção de risco, pressiona o custo de
capital, afeta financiamentos e compromete a atratividade do país para novos
investimentos em energia renovável. Segundo a análise, tantos projetos no
ambiente regulado quanto no mercado livre foram afetados, com exposição a
penalidades contratuais e ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
Do ponto de vista regional, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte lideraram os percentuais de energia desperdiçada, formando o que o estudo chama de “triângulo do curtailment” no Brasil. Já estados do Sul apresentaram perdas significativamente menores ao longo do ano.
O Brasil desperdiçou em 2025 uma fatia enorme de sua energia renovável, com cortes em usinas solares e eólicas que revelam falhas no sistema elétrico e riscos para o futuro.
Energia renovável em excesso
vira desperdício bilionário no Brasil; a parte que vai para o lixo já é
equivalente à produção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Para a consultoria, a crise
evidencia um descompasso estrutural entre a rápida expansão das fontes
renováveis, o crescimento da geração distribuída, os gargalos de transmissão e
um modelo tarifário ainda pouco capaz de sinalizar adequadamente quando
consumir energia. O relatório defende avanços em tarifas horárias mais
dinâmicas, maior engajamento dos consumidores e ajustes regulatórios como
caminhos essenciais para reduzir o desperdício e preservar a segurança do
sistema elétrico brasileiro. (pv-magazine-brasil)




