Você sabia que a posição da
sua casa em relação ao sol pode mudar drasticamente o conforto térmico e a
conta de luz?
Entendendo o gráfico
(Hemisfério Sul):
Melhor (Face Norte): Recebe a
maior parte da insolação durante o inverno (quando o sol está mais baixo),
mantendo a casa aquecida e livre de mofo. No verão, como o sol passa mais a
pino (alto), é fácil proteger essa fachada com beirais curtos.
Pior (Face Sul): Recebe
pouquíssima incidência direta de sol durante o ano todo. Em regiões frias ou
úmidas, isso pode significar quartos gelados e problemas com umidade.
Antes de construir, sempre
verifique a Bússola! O projeto deve se adaptar ao terreno, e não o contrário.
Estes dados são os mesmos utilizados para a melhor colocação das placas solares a fim de produzir energia solar fotovoltaica.
Acumulado anual de irradiação solar em plano horizontal. A escala de cores indica o potencial solar das regiões: tons vermelhos representam áreas com maior incidência solar, enquanto os tons azulados indicam menor potencial.
Durante o inverno de 2026, a
irradiância solar no Brasil apresentou um comportamento dividido entre as
regiões Centro-Norte e o Sul do país.
Cenários por Região
• Centro-Norte: Em junho,
locais como Centro-Oeste, São Paulo, sul de Minas e Triângulo Mineiro tiveram
radiação abaixo da média devido a correntes de jato e umidade do Atlântico. Em
agosto, a situação melhorou com a redução de nuvens impulsionada pelo
enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical. O extremo Norte (como
Roraima e Amazonas) registrou índices superiores à média em julho.
• Região Sul: O padrão
inverteu-se no fim do inverno. O Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina
registraram irradiância abaixo da média devido ao aumento de frentes frias e
ciclones extratropicais.
Fatores de Influência
• Circulação Atmosférica: A
nebulosidade e a umidade pesaram mais que a chuva isolada na quantidade de luz
recebida pelos painéis.
• Papel do El Niño: O
fenômeno influenciou o deslocamento de sistemas que trouxeram mais nuvens ao
Sul e tempo mais aberto no Centro-Norte durante agosto.
O comportamento chamou
atenção justamente porque o inverno meteorológico, período que é compreendido
entre os meses de junho, julho e agosto, tradicionalmente, é uma das estações
mais favoráveis à geração solar em grande parte do Sudeste, Centro-Oeste e
interior do Nordeste. Entre junho e agosto, o período seco costuma favorecer a
presença de dias ensolarados e menor persistência de nuvens nessas regiões,
compensando parcialmente o fato de os dias serem mais curtos.
A condição é sazonal e se dá
por conta do auge da estação seca na América do Sul. Durante o período seco, a
circulação atmosférica em baixos níveis tende a dificultar que a convergência
de umidade e a nebulosidade mais persistente se posicionem no Centro-Norte do
Brasil. Junto a isso, a circulação em altitude, dominada majoritariamente pelos
jatos subtropical e polar, tende a ficar mais intensa no Sul do país, que é
onde se concentra a maior frequência de sistemas como frentes frias e ciclones.
Em 2026, porém, a atmosfera apresentou uma configuração diferente. Uma corrente de jato mais intensa e deslocada para o norte, combinada com águas mais aquecidas no Atlântico Sul Tropical, favoreceu o aumento da umidade e da nebulosidade sobre parte do Centro-Norte do país. Mesmo sem provocar necessariamente mais chuva, essa condição reduziu a incidência de radiação solar em algumas regiões e afetou o potencial de geração fotovoltaica.
Figura 1: irradiância solar durante o mês de junho/2026.
Em junho, a irradiância ficou
abaixo da média na metade sul da Região Norte, no Centro-Oeste, em São Paulo,
no sul de Minas Gerais e no Triângulo Mineiro (Figura 1). A corrente de jato
mais deslocada para o norte e o maior aporte de umidade do Atlântico Tropical
favoreceram a formação de nebulosidade e reduziram a incidência de radiação
solar.
No extremo Norte, o cenário
foi oposto, com irradiância acima da média, especialmente próximo às fronteiras
com Venezuela, Colômbia e norte do Peru. O enfraquecimento da Zona de
Convergência Intertropical, influenciado pelo El Niño, reduziu a formação de
nuvens e favoreceu a radiação solar. Grande parte do Nordeste também teve
condições favoráveis, enquanto o Sul permaneceu próximo da média.
Em julho, o contraste se intensificou. A faixa de menor irradiância avançou pela porção sul da Amazônia, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e áreas da Bahia e do Maranhão, sob influência da maior umidade e da corrente de jato deslocada para o norte.
Figura 2: irradiância solar durante o mês de julho/2026.
No extremo Norte, a
irradiância aumentou ainda mais. Em grande parte de Roraima e no norte do Amazonas,
ficou mais de 1,20 kWh/m2 por dia acima da média (Figura 2). O leste
do Nordeste também manteve o padrão favorável, associado ao enfraquecimento dos
ventos alísios e à menor frequência de sistemas que levam umidade do Atlântico
para a região.
No Sul, por outro lado, os sinais começaram a mudar. O Rio Grande do Sul passou a registrar menor irradiância, acompanhando o aumento da frequência de sistemas frontais que avançaram sobre a região.
Figura 3: irradiância solar durante o mês de agosto/2026.
No último mês do inverno
meteorológico, o cenário começou a mudar. Em agosto, as áreas do Centro-Norte
que haviam registrado menor irradiância nos meses anteriores apresentaram
recuperação, com os níveis de radiação solar mais próximos da média e apenas
alguns pontos isolados de valores abaixo do normal (Figura 3).
Enquanto o Centro-Norte
ganhava força, o Sul passou a concentrar as condições menos favoráveis à
geração solar. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram as áreas
mais extensas de irradiância abaixo da média, com o padrão também avançando
sobre o Uruguai e o nordeste da Argentina.
A mudança acompanhou o
aumento da frequência e da intensidade de frentes frias e ciclones
extratropicais, típicos do fim do inverno e que podem ter sua atuação reforçada
pelo El Niño. A maior presença desses sistemas aumentou a nebulosidade sobre a
região e reduziu a disponibilidade de radiação solar.
O inverno de 2026 mostrou que chuva não é o único fator que influencia a geração fotovoltaica. A presença de nuvens, a umidade e a circulação atmosférica também interferem diretamente na quantidade de radiação que chega aos painéis.
As diferenças observadas entre as regiões ao longo da estação reforçam a importância de acompanhar essas variáveis para prever a geração e planejar a operação dos sistemas solares. (pv-magazine-brasil)



























