Matriz energética e o impacto ambiental
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Eletrificação liderará próxima fase da transição energética
A análise integra o relatório “Transição para longe dos
combustíveis fósseis: um roteiro baseado em energias renováveis, eletrificação
e aprimoramento da rede elétrica”, divulgado em colaboração com a presidência
brasileira da COP30. O documento reforça que, além das preocupações atuais com
a segurança energética, os sistemas energéticos vigentes permanecem
estruturalmente despreparados para atingir a meta climática de 1,5°C acima dos
níveis pré-industriais, estabelecida no Acordo de Paris, em 2015.
Embora as metas globais de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar as melhorias na eficiência energética até 2030 continuem sendo essenciais, elas não são suficientes por si só para alcançar a transição energética global, destaca o relatório. Com o rápido aumento da demanda nos setores de transporte, indústria, construção civil e digitalização, a transição deve agora se concentrar na eletrificação desses setores de uso final, ao mesmo tempo em que se abandona o uso de combustíveis fósseis.
Os países devem investir simultaneamente em redes elétricas, armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir sistemas de eletricidade confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente demanda, avalia a Irena. No entanto, a infraestrutura tornou-se um gargalo crítico: cerca de 2.500 gigawatts de energia eólica e solar estão aguardando conexão às redes.
As atualizações previstas para 2035 e 2050 não serão alcançadas
sem que processos de licenciamento sejam agilizados e sem o aumento
significativo dos investimentos. A Irena estima que as necessidades de
investimento em redes elétricas sejam de US$ 1,2 trilhão por ano, em média –
mais que o dobro dos US$ 0,5 trilhão investidos em 2025.
A Irena e os governos da Turquia e da Austrália, futuros anfitriões da COP31, apelaram para um esforço global maior para que veículos, indústrias e edifícios funcionem com eletricidade em vez de combustíveis fósseis, antes das negociações climáticas da conferência do clima deste ano, em novembro, destaca o Climate Home. Para o presidente-designado da COP31, Murat Kurum, os governos deveriam descarbonizar a geração elétrica, mas também expandir a eletrificação para todas as esferas da vida.
Hoje em dia, energia solar e eólica são alternativas mais barata para geração de energia em países
“O mundo precisa se adaptar a uma nova realidade energética. Além das metas de triplicar as energias renováveis e dobrar a eficiência energética (até 2030), existe o desafio maior de transformar sistemas energéticos inteiros e reduzir o uso de combustíveis fósseis em toda a oferta e demanda. A eletrificação e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis são inseparáveis e devem avançar juntas”, reforçou o diretor-geral da Irena, Francisco La Camera. (biodieselbr)
Centrais hidrelétricas podem competir com a energia solar fotovoltaica
Como pequenas centrais
hidrelétricas podem competir com a energia solar fotovoltaica.
A energia hidrelétrica
desempenha um papel importante na transição energética. É uma fonte de energia
renovável e contribui para a redução das emissões globais. Na Suíça, a energia
hidrelétrica fornece quase 60% da geração de eletricidade doméstica. De acordo
com as estatísticas do governo suíço, a Suíça é o quarto maior produtor de
energia hidrelétrica da Europa, atrás da Noruega, Áustria e Islândia.
A energia hidrelétrica também
desempenha um papel fundamental no equilíbrio da rede elétrica, compensando as
flutuações na geração de energia solar fotovoltaica (FV) e eólica, por meio de
usinas reversíveis. A eletricidade é utilizada para bombear água para
reservatórios em altitudes mais elevadas durante períodos de baixa demanda
energética. Quando a demanda é maior, a água é liberada através de turbinas
localizadas em altitudes mais baixas para gerar eletricidade.
Custo ambiental das grandes
usinas hidrelétricas
Algumas desvantagens
significativas são inerentes ao uso dessa fonte de energia renovável milenar.
Grandes projetos hidrelétricos são caros de construir, com custos de capital
proibitivos. Outra desvantagem crucial é o custo ambiental dessas grandes
instalações. De acordo com o Scienceinsights.org, a maioria dos reservatórios
hidrelétricos requer uma área de terra muito maior por unidade de energia
produzida do que qualquer outra grande fonte de eletricidade. Todos nós já
vimos reportagens na TV sobre terras e vilarejos inundados quando grandes
barragens foram construídas. A maior parte da capacidade hidrelétrica mundial
provém dessas barragens com reservatórios. Inundar uma área de terra pode
destruir comunidades e ecossistemas terrestres. O Scienceinsights relata que a
Usina Hidrelétrica de Balbina, no Brasil, inundou mais de 2.300 quilômetros
quadrados da floresta amazônica para produzir uma quantidade relativamente
modesta de eletricidade.
O outro custo ambiental recai sobre a fauna aquática, especialmente os peixes. As barragens construídas em rios impedem a migração dos peixes. O salmão, ao subir o rio para desovar em riachos de água doce, é impedido de fazê-lo pelas barragens, mesmo que algumas delas possuam passagens construídas para atenuar o problema. As barragens também podem afetar a temperatura da água e causar flutuações no fluxo, ambos fatores que impactam a vida marinha.
O que são micro e pequenas centrais hidrelétricas?
Muitos pequenos sistemas
hidrelétricos operam no modelo “a fio d’água”, e essas instalações geralmente
não envolvem um armazenamento de energia em larga escala. De acordo com este
artigo de um fornecedor de equipamentos para pequenas centrais hidrelétricas,
os sistemas a fio d’água utilizam turbinas que podem operar em uma ampla faixa
de vazão, gerando energia tanto em níveis altos quanto baixos do rio,
independentemente da quantidade de água presente no curso d’água no momento. No
entanto, alguns dos maiores projetos hidrelétricos a fio d’água operam com
barragem e podem armazenar uma pequena quantidade de energia.
De acordo com o site Energy
Education, os sistemas são classificados como micro, mini ou pequenos,
dependendo da quantidade de energia que podem gerar em um determinado momento.
Os microssistemas geram menos de 100 quilowatts (kW) de eletricidade, enquanto
os minissistemas chegam a 1 megawatt (MW), e os pequenos sistemas hidrelétricos
atingem 50 MW.
Mas a classificação de
projetos hidrelétricos varia entre os diferentes países. Pierre Maruzewski é o
presidente do IECa empresa estatal francesa de energia elétrica. Ele tem uma
visão diferente do que constitui uma turbina de pequena escala.
“Na França, a EDF classifica
os sistemas hidrelétricos como pequenos se gerarem 7 MW, e os
pico-hidrelétricos, 20 kW. Na China ou nos EUA, as usinas hidrelétricas são tão
maiores que, para eles, 50 MW é considerado pequeno, mas nós não construímos
usinas hidrelétricas na mesma escala”, explica ele.
Uma das vantagens dos
microssistemas é o seu custo. De acordo com a Energypedia, o custo de
instalação pode variar entre US$ 1.000 e US$ 20.000, dependendo do tamanho, da
localização e da demanda de energia.
Competindo com a energia
solar fotovoltaica pelo acesso à energia em países emergentes
A empresa de pesquisa de
mercado Coherent estima que o mercado global de pequenas centrais hidrelétricas
atingirá US$ 3 bilhões em 2026. A mesma empresa prevê que esse mercado crescerá
para US$ 3,77 bilhões até 2033, apresentando uma taxa de crescimento anual composta
(CAGR) de 3,5%. Isso inclui os microssistemas, que, segundo estimativas,
liderarão o mercado com uma participação de 61,1% na receita em 2026, devido ao
seu design compacto e escalabilidade.
Os microssistemas têm um
enorme potencial para viabilizar o acesso à energia em países em
desenvolvimento, principalmente na África Subsaariana, onde sistemas isolados
da rede elétrica permitem o fornecimento de eletricidade para comunidades
rurais. De acordo com o relatório 2025″ da Associação Internacional de Hidroeletricidade
(IHA), a África mais que dobrou o desenvolvimento combinado dos três anos
anteriores, com a entrada em operação de 4,5 GW de nova capacidade hidrelétrica
em 2024. A energia hidrelétrica já fornece 20% da eletricidade total do
continente, segundo o relatório, e há um enorme potencial para desenvolvimento
futuro, com apenas uma pequena fração dos mais de 600 GW de potencial do
continente atualmente aproveitada. O relatório menciona diversos grandes
projetos, incluindo o início das operações do projeto Julius Nyere, na
Tanzânia, a adição de 800 MW à Grande Barragem do Renascimento Etíope com suas
terceira e quarta unidades, bem como a entrada em operação completa das usinas
de Karuma (600 MW), em Uganda, e Nachtigal (420 MW), em Camarões. No entanto, o
financiamento desses grandes projetos hidrelétricos continua sendo um desafio
na África, apesar da participação de muitas empresas privadas.
Por outro lado, os sistemas micro
hidrelétricos podem ajudar a eletrificar regiões e áreas com pouco ou nenhum
acesso à energia, a um custo relativamente baixo, sendo mais confiáveis do que
outras fontes renováveis. No entanto, competem com os projetos de energia solar
fotovoltaica (FV).
Uganda é um exemplo disso.
Como explica Winnie Grace Onziru, Oficial Sênior de Normas do Escritório
Nacional de Normas de Uganda: “A maior parte da energia fornecida pela nossa
rede elétrica provém de hidrelétricas. Portanto, fazia sentido analisar também
as tecnologias de micro e pequenas centrais hidrelétricas para projetos fora da
rede, e várias foram instaladas em todo o país”.
Mas, segundo Onziru, a
maioria dos rios usados nesses pequenos e microprojetos secou durante as
recentes e terríveis secas em Uganda: “Então o governo decidiu mudar para a
energia solar fotovoltaica. A principal crítica à energia solar fotovoltaica,
no início, era a sua baixa eficiência: era preciso cobrir um telhado inteiro com
painéis solares para obter energia suficiente apenas para iluminação! Mas a
tecnologia melhorou muito desde então, com o desenvolvimento de filmes finos e
outros avanços, o que significa que os painéis solares são agora a opção
preferida em Uganda para o acesso à eletricidade em áreas rurais”.
O Comitê Técnico 4 da IEC
(IEC TC 4) criou um grupo de trabalho para padronizar turbinas hidráulicas de
pequeno porte. O grupo está trabalhando na manutenção da norma IEC, que
especifica os testes de aceitação de pequenas instalações hidrelétricas. A
norma se aplica a instalações que contêm turbinas de impulso ou reação com
potência por unidade de até cerca de 15 MW. Os mesmos especialistas também
estão trabalhando na revisão da norma, que é um guia para os equipamentos
eletromecânicos de pequenas instalações hidrelétricas. Ela se aplica a usinas
com potência de saída inferior a 5 MW e turbinas com diâmetro inferior a 3
metros.
“Trabalhamos em estreita
colaboração com o ISO TC/339, que desenvolve normas para o planejamento e
projeto de pequenas centrais hidrelétricas. Formamos um grupo de trabalho
conjunto com o TC, e eles usam nossas normas de turbina como referência, assim
como nós usamos as deles”, explica Maruzewski.
Com a crescente pressão para
atingirmos nossas metas de emissão zero, as pequenas centrais hidrelétricas
surgem como uma opção de baixo custo, ecologicamente correta, bastante flexível
e renovável, ganhando cada vez mais espaço.
A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) é uma organização global sem fins lucrativos que reúne 174 países e coordena o trabalho de 30.000 especialistas em todo o mundo. As normas internacionais da IEC e a avaliação da conformidade são fundamentais para o comércio internacional de produtos elétricos e eletrônicos. Elas facilitam o acesso à eletricidade e verificam a segurança, o desempenho e a interoperabilidade de dispositivos e sistemas elétricos e eletrônicos, incluindo, por exemplo, dispositivos de consumo como telefones celulares ou geladeiras, equipamentos de escritório e médicos, tecnologia da informação, geração de eletricidade e muito mais.
Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs): impactos e oportunidades. (pv-magazine-brasil)
sábado, 20 de junho de 2026
Mudanças climáticas redesenham o potencial da energia solar no Brasil
O cenário nacional apresenta
dinâmicas distintas:
• Novos polos de geração:
Regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste (com destaque para Minas Gerais)
projetam um aumento de até 5% na incidência de radiação, beneficiando a
proximidade com grandes centros de consumo.
• Queda no Sul: Em
contrapartida, as predições climáticas apontam para uma redução de cerca de 3%
no potencial de geração da região Sul, exigindo um desenho de sistema mais
sofisticado.
• O Paradoxo do Calor: Embora
o Brasil possua uma irradiação natural excelente, o superaquecimento dos
módulos fotovoltaicos exige maior atenção à ventilação e ao design das plantas
para mitigar perdas operacionais.
Essas variáveis mostram que,
embora o potencial geral da energia solar siga crescendo e garantindo
estabilidade à matriz nacional, os projetos exigem uma adaptação técnica
contínua. Para se aprofundar nos impactos operacionais, confira as análises
sobre os impactos climáticos da Testari Energia. Para entender o peso econômico
e regulatório do setor, consulte a ABSOLAR.
Em novo artigo para a pv magazine Brasil, Jorge Rosas, meteorologista da Tempo OK, analisa como as mudanças climáticas poderão impactar o potencial de geração de energia solar no Brasil.
Evidencias observadas de tendências da nebulosidade desde 1983-2009 com dados de satélite, concordando com o previsto pelos modelos climáticos é um cenário de um clima mais aquecido.
O ditado popular “dois lados
da mesma moeda” sugerem que elementos distintos podem ser inseparáveis e, ao
mesmo tempo, complementares. Esse conceito também pode ser observado nas
mudanças climáticas e seus impactos na geração de energia. Por um lado, há uma
tendência de mudança no regime de chuvas e elevação das temperaturas médias
globais. Por outro, esses mesmos processos podem influenciar a irradiância na
superfície e, portanto, a geração de energia solar em determinadas regiões,
devido à variação da nebulosidade.
Dentro desse contexto, há uma
tendência de redução da cobertura de nuvens no longo prazo em algumas regiões
do Brasil, como o Nordeste, partes do Sudeste e o interior do Sertão. Estados
como Goiás, Tocantins e Mato Grosso aparecem entre as áreas potencialmente mais
impactadas.
Esse comportamento não é isolado. Ele está associado a mudanças mais amplas na circulação atmosférica global. No cenário de aquecimento global, estudos e simulações climáticas indicam um positive cloud feedback, ou feedback positivo das nuvens. Isso significa que, em um planeta mais aquecido, as nuvens podem responder de forma a amplificar o próprio aquecimento do sistema climático.
Evidências recentes apontam que esse tipo de reorganização já está em curso. Um dos padrões mais consistentes observados é a tendência de redução da cobertura de nuvens nas regiões subtropicais, onde se concentra grande parte do território brasileiro, e aumento em latitudes mais altas, próximas aos polos.
Esse comportamento está
associado à expansão da célula de Hadley. Como consequência direta da redução
da cobertura de nuvens nas regiões em Brasil, esse processo pode favorecer o
potencial de geração solar no país, uma vez que grande parte dos
empreendimentos fotovoltaicos está concentrada justamente nessas regiões de
alta incidência solar. No médio e longo prazo, isso pode reforçar a
atratividade do setor.
As nuvens exercem papel
central no balanço de radiação da terra, funcionando como uma espécie de filtro
natural da radiação solar. Elas refletem grande parte da radiação solar de
volta ao espaço (efeito albedo) e, ao mesmo tempo, absorvem e espalham outra
parcela. Nuvens altas, as chamadas cirrus, são mais transparentes à radiação
solar, enquanto as nuvens baixas e nuvens de tempestades, resultam em um maior
albedo, ou seja, maior capacidade de reflexão.
Assim, quanto maior a
cobertura de nuvens, especialmente nuvens baixas e médias, menor a radiação que
atinge o solo e, consequentemente, menor a irradiância disponível para a
geração solar.
No entanto, o aumento da
temperatura ambiente, consequência do aquecimento global, pode reduzir a
eficiência dos sistemas fotovoltaicos. Isso porque a temperatura dos módulos
solares depende tanto da radiação incidente quanto das condições ambientais,
podendo ultrapassar 60°C em dias de alta insolação.
Embora as mudanças climáticas
possam ampliar o potencial de geração solar em parte do território brasileiro,
a efetiva conversão desse potencial em energia depende não apenas de condições
meteorológicas, mas também da capacidade de expansão e modernização da
infraestrutura de transmissão elétrica do país. (pv-magazine-brasil)











