quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Brasil pode gastar mais adiando a transição climática do que investindo nela

Brasil pode gastar mais adiando a transição climática do que investindo nela, mostra estudo.
O custo de não agir e adiar a transição climática no Brasil tende a superar rapidamente o valor necessário para realizar as mudanças estruturais na economia.

Os Custos da Inação vs. Investimentos

• Setor Agroalimentar: Os custos sistêmicos anuais do modelo atual ficam entre US$ 410 bilhões e US$ 526 bilhões, enquanto a transformação estrutural até 2050 exigiria de US$ 268 bilhões a US$ 511 bilhões. Ou seja, pouco mais de um ano de manutenção do modelo atual equivale a todo o investimento da transição.

• Setor Energético: Os gastos atuais somam de US$ 300 bilhões a US$ 428 bilhões por ano, ao passo que a transição energética demandaria entre US$ 597 bilhões e US$ 915 bilhões até 2050 (cerca de 1,5 a 3 anos dos custos atuais).

• Prejuízos Gerais: Projeções de mercado indicam que o custo total da inação climática no país pode alcançar perdas expressivas comparáveis a uma fração enorme ou à totalidade do PIB nacional nas próximas décadas.

Oportunidade e Caminhos

• Vantagem Competitiva: O Brasil possui uma matriz elétrica majoritariamente limpa e potencial para liderar em energias renováveis e biocombustíveis.

• Mecanismos de Financiamento: Iniciativas como o programa EcoInvest buscam combinar recursos públicos e privados para dar escala aos projetos de longo prazo.
Pesquisa aponta que país corre risco de reproduzir “neoextrativismo verde” se não integrar transições energética e agroalimentar

Levantamento inédito do Cebrap e do Instituto ClimaInfo estima que os custos anuais de manter o modelo atual de energia e agropecuária no Brasil chegam a US$ 954 bilhões, valor que supera, em poucos anos, o investimento total necessário para uma transição ecológica justa até 2050.

Custo da inação climática pode superar investimentos necessários para transição ecológica no Brasil, aponta estudo

Pesquisa lançada pelo Cebrap e pelo ClimaInfo analisa de forma integrada as transições energética e agroalimentar e alerta para risco de país reproduzir modelo de “neoextrativismo verde”.

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e o ClimaInfo lançaram o estudo “Cenários e custos da transição ecológica no Brasil – As interdependências entre a transição energética e a transição agroalimentar e os riscos de um neoextrativismo verde”. A pesquisa analisa diferentes caminhos para a transição ecológica brasileira e mostra que as transformações nos sistemas energético e agroalimentar precisam ser pensadas de forma integrada.

O estudo parte do entendimento de que energia, produção de alimentos, uso da terra, biodiversidade e exploração de minerais críticos fazem parte de um mesmo sistema. Decisões que são tomadas nessas áreas têm impactos sobre as demais e exigem maior coordenação de políticas públicas, investimentos e planejamento territorial.

Entre as conclusões da pesquisa está a de que adiar uma transição ecológica implica em mais custos ecológicos, biofísicos, econômicos, sociais e fiscais. “O levantamento mostra que os custos da inação, isto é, de continuar fazendo as coisas como fazemos hoje, já são muito maiores do que os custos de uma transição melhor”, destacou Arilson Favareto, pesquisador do Cebrap e um dos autores do estudo. “Apresentamos alguns caminhos para passar do cenário inercial que estamos agora, para um cenário mais desejado”.

No sistema agroalimentar, os custos sistêmicos do modelo atual são estimados entre US$ 410 bilhões e US$ 526 bilhões por ano, enquanto os investimentos acumulados necessários para sua transição são calculados entre US$ 268 bilhões e US$ 511 bilhões até 2050. Isso significa que entre meio ano e pouco mais de um ano dos custos associados ao funcionamento do modelo atual equivalem, em ordem de grandeza, ao investimento estimado para sua transformação estrutural.

No setor energético, essa equivalência ocorre em um horizonte de aproximadamente 1,5 a 3 anos. Os custos sistêmicos atuais são estimados entre US$ 300 bilhões e US$ 428 bilhões por ano. Já os investimentos necessários para a transição até 2050 ficariam entre US$ 597 bilhões e US$ 915 bilhões — o equivalente a aproximadamente 1,5 a 3 anos dos custos sistêmicos do modelo atual.

Os autores da pesquisa destacam que essa comparação não significa que os investimentos na transição seriam recuperados financeiramente nesse período. Ela mostra, porém, a dimensão dos custos econômicos, ambientais e sociais de manter as trajetórias atuais e reforça a viabilidade econômica de uma transformação de longo prazo.

Transição energética e agroalimentar precisam caminhar juntas

Transição ecológica custa caro, mas falta de ação será pior para o Brasil.

Estudo defende transição integrada, capaz de reduzir emissões sem ampliar pressões sobre biodiversidade, recursos naturais e territórios.

No Brasil, o peso do sistema agroalimentar e do uso da terra na agenda climática é grande. Ao mesmo tempo, a transformação desse setor apresenta oportunidades importantes, como a recuperação de pastagens degradadas, a intensificação sustentável da pecuária, a restauração de ecossistemas, o avanço da bioeconomia e o uso de bioinsumos.

Na energia, a transição exige investimentos mais intensivos em capital e infraestrutura, envolvendo expansão de fontes solar e eólica, eletrificação dos transportes, modernização de redes e armazenamento, eficiência energética, hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis.

O relatório também alerta que ampliar a participação de fontes renováveis ou de atividades consideradas verdes não garante, por si só, uma transição sustentável. Algumas soluções criadas para reduzir as emissões podem aprofundar outros aspectos da crise ambiental, como a perda de biodiversidade e a pressão sobre recursos essenciais à produção de alimentos e à conservação dos ecossistemas.

“Os biocombustíveis, por exemplo, ajudam a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas podem ser produzidos em grandes plantações que avançam sobre áreas de floresta, intensificando a perda de biodiversidade. Assim, resolvemos uma parte do problema, mas agravamos outra”, explica Favareto.

Três cenários para o futuro

Para analisar os possíveis caminhos do Brasil, os pesquisadores trabalham com três cenários. No cenário de Business as Usual — de continuidade do modelo atual — as tecnologias verdes avançam, mas sem uma transformação estrutural. As renováveis crescem, porém sem substituição profunda dos fósseis, enquanto a economia mantém forte especialização primária e persistem desigualdades e pressões ambientais.

O segundo cenário considera uma transição orientada pelas NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada), com o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, redução significativa das emissões, eliminação do desmatamento ilegal até 2030 e expansão das energias renováveis. Ainda haveria uma coordenação incompleta entre os diferentes setores.

Já o cenário de Transição Justa e Sustentável prevê uma coordenação sistêmica entre políticas energéticas, agroalimentares, industriais e ambientais. Nesse caminho, a descarbonização é associada à regeneração dos ecossistemas, redução das desigualdades, diversificação produtiva e recuperação de áreas degradadas, eliminando a necessidade de expansão da fronteira agrícola.

“A transição é viável do ponto de vista econômico e também tecnológico. O que a gente precisa é ter vontade política para conseguir colocar de pé essa transição e, de fato, fazer com que ela seja justa e traga benefícios para a sociedade como um todo”, afirma Carolina Marçal, coordenadora de projetos do ClimaInfo.

Risco do neoextrativismo verde

Proposta do Brasil pode recolocar o país à frente do combate à mudança climática

Governo brasileiro propõe a criação de metas globais alinhadas aos limites de temperatura definidos pelo Acordo de Paris.

Um dos principais alertas do estudo é que a transição ecológica não será necessariamente justa e sustentável apenas porque envolve atividades de baixo carbono.

Sem coordenação, o Brasil corre o risco de manter uma economia concentrada na exportação de produtos primários, agora incorporando novas atividades associadas à economia verde. O relatório identifica a possibilidade de formação de um padrão de especialização baseado em agro, energia e minerais, caracterizado como “neoextrativismo verde”.

Nesse cenário, a expansão de atividades necessárias à descarbonização pode reproduzir problemas históricos, como pressão sobre territórios e recursos naturais, concentração dos benefícios econômicos e baixa agregação de valor.

Por outro lado, o estudo aponta que uma transição conduzida de forma integrada pode representar uma oportunidade para o Brasil combinar descarbonização, regeneração ecológica, inclusão social e diversificação produtiva, transformando a agenda climática em uma estratégia mais ampla de desenvolvimento.

“Não estamos refém desse cenário do extrativismo verde. É possível pensar uma transição que não se baseie unicamente na exportação de bens primários, ainda que de menor pegada de carbono”, reforça Jordano Roma, pesquisador do Cebrap e um dos autores do estudo. (ecodebate)

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Energia injetada por MMGD em 2026 corresponde a 21% do consumo cativo

Energia injetada por MMGD na rede deve corresponder a 21% do consumo cativo em 2026.
Geração solar distribuída e rede elétrica urbana em ilustração conceitual. Imagem produzida com inteligência artificial; não retrata instalação específica.

Energia injetada pela geração distribuída cresceu 41,8% em 2025

A energia injetada por mini e microgeração distribuída (MMGD) na rede deve alcançar 21,2% do consumo cativo no Brasil em 2026.

O Cenário da MMGD em 2026

• Crescimento projetado: O montante injetado pelas unidades geradoras vai subir 3,3 pontos percentuais em relação a 2025, quando representou 17,8% do mercado cativo.

• Volume esperado: As distribuidoras estimam uma expansão de 18,1% na energia injetada, atingindo cerca de 65 TWh no ano.

• Fonte dos dados: As informações constam na edição de 2026 do painel Mercado de Distribuição, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Impactos no Setor Elétrico

• Regra de transição (Lei 14.300): O encargo referente ao componente Fio B sobre a energia compensada sobe para 60% em 2026 para os sistemas sob a regra de transição.

• Desafios operacionais: Associações do setor apontam que a alta injeção de energia afeta a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), elevando as discussões sobre cortes de geração (curtailment) e a necessidade de ajustes regulatórios.

Em 2025, a modalidade injetou 55 TWh na rede, o correspondente a 17,8% do consumo de clientes cativos, aqueles abastecidos obrigatoriamente pelas distribuidoras. Os dados fazem parte da edição 2026 do painel Mercado de Distribuição, da EPE.

A energia injetada de micro e minigeração distribuída (MMGD) na rede atingiu 55 TWh em 2025, crescimento de 41,8% em comparação com 2024. Para 2026, é esperada pelas distribuidoras uma expansão de 18,1% (+10,0 TWh) em 2026, chegando a 65 TWh.

Em 2025, o montante de energia injetada de MMGD respondeu por 17,8% do consumo cativo. Em 2026, as distribuidoras esperam que a energia injetada de MMGD responda por 21,2% do mercado cativo (aumento de 3,3 pontos percentuais).

Os dados fazem parte da edição 2026 do painel Me​rcado de Distribuição, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que reúne informações inéditas de energia injetada de mini e microgeração distribuída (MMGD) e perda na distribuição. Esse trabalho é produto da cooperação dos agentes de distribuição de energia elétrica, realizado no âmbito da Comissão Permanente de Análise e Acompanhamento do Mercado de Energia Elétrica (COPAM).

Quanto ao modelo de contratação, a participação do consumo livre no mercado de distribuição avançará de 39,9%, em 2025, para 41,2%, em 2026, ainda segundo as distribuidoras, o que representa aumento de 1,2 pontos percentuais.

Painel Mercado de Distribuição 2026 aponta alta de 20% na injeção de MMGD e avanço do mercado livre.

Publicação da COPAM revela que a micro e minigeração distribuída alcançará 21,2% do consumo cativo em 2026, enquanto a participação do ambiente livre nas redes de distribuição avança para 41,2%. (pv-magazine-brasil)

sábado, 24 de outubro de 2026

Localização e horário do consumo podem proporcionar 34% de economia

Localização e horário do consumo podem proporcionar até 34% de economia na conta de energia.
Análise da Voltera aponta diferenças tarifárias entre regiões e oportunidades de economia com gestão do consumo.

No mercado de energia brasileiro, onde a localização geográfica influencia diretamente os custos operacionais, o ajuste estratégico no perfil de consumo pode resultar em economias reais de até 34%. Ou seja, transforma uma despesa operacional em ganho direto de margem para as empresas.

Economia de até 34% na conta de energia com ajuste de horário e localização

Ajustar o perfil de consumo e a localização geográfica pode gerar uma redução de até 34% nos custos de energia elétrica.

Como funciona essa economia

• Localização geográfica: Diferentes regiões do país e áreas de concessão apresentam tarifas variadas, o que cria oportunidades para otimizar os custos dependendo de onde a operação está situada.

• Horário do consumo: O uso de energia fora do horário de pico reduz o valor pago na fatura. O horário de pico no Brasil costuma ficar entre o final da tarde e a noite (geralmente das 18h às 21h, variando conforme a distribuidora local).

• Tarifa Branca: Essa modalidade de cobrança diferencia o preço da eletricidade conforme a hora do dia. A energia custa mais caro nos picos de demanda e fica mais barata nos períodos de menor movimento.

Dicas para aproveitar

• Desloque o uso: Evite ligar equipamentos pesados — como aparelhos de ar-condicionado, motores e máquinas — durante o horário de pico.

• Aproveite os horários econômicos: Concentre atividades de maior gasto em períodos com tarifas reduzidas ou maior oferta de geração renovável (como no meio do dia).

• Avalie a troca de tarifa: Estude junto à sua distribuidora se a adesão à Tarifa Branca compensa para a sua rotina e capacidade de remanejar o consumo.
Otimizar o perfil de consumo e a localização geográfica permite que empresas alcancem uma redução de até 34% nos custos com energia, impulsionando a eficiência no mercado livre brasileiro.

No dinâmico cenário da energia elétrica no Brasil, a estratégia de consumo tornou-se um diferencial competitivo fundamental. Empresas que operam ou planejam migrar para o Mercado Livre de Energia agora contam com uma variável crítica para o sucesso financeiro: o ajuste inteligente entre o horário de utilização e a localização da operação. Estudos recentes apontam que essa gestão estratégica pode gerar economias de até 34%, transformando a conta de luz de um custo fixo em uma variável de alta performance.

A localização geográfica atua como um dos pilares centrais dessa mudança. Enquanto companhias situadas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul encontram um campo fértil para reduzir despesas na migração para o ambiente livre, consumidores que já operam sob essas condições — e que mantêm benefícios da TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) — encontram as maiores oportunidades de ganho nas regiões Norte e Nordeste. O segredo está em entender como as tarifas das distribuidoras variam conforme a infraestrutura local e o cronograma produtivo.

Quadro Consumo Consciente

Economia: governo dá dicas de consumo consciente de energia elétrica.

A volatilidade tarifária como oportunidade

De acordo com análises da Voltera, o custo do MWh não é uniforme e flutua drasticamente dependendo do ponto de consumo e do horário. Em horários fora de ponta, observam-se valores mais atrativos, como os registrados na CEB Distribuição, no Distrito Federal, e em áreas sob responsabilidade da Energisa Minas Rio, CPFL Piratininga e CEEE Distribuição. Em contrapartida, durante o horário de ponta, as tarifas sofrem uma escalada agressiva, impactando severamente empresas como a Coelba, Celpa e Cemar, onde os custos chegam a patamares elevados.

Tarifa branca: opção para reduzir a conta de luz

Simuladores online ajudam a escolher ou não novo regime de cobrança.

A declaração de Alan Henn, CEO da Voltera, afirma:

O preço da energia não é estático e depende de onde a empresa está, quando ela consome e como sua operação está estruturada.

Essa perspectiva reforça que a eficiência energética deixou de ser apenas uma questão de sustentabilidade para se tornar uma engenharia financeira indispensável. A capacidade de deslocar processos industriais ou administrativos para janelas horárias mais econômicas é, hoje, a ferramenta mais eficaz para quem busca otimizar o orçamento operacional frente a um mercado cada vez mais volátil.

O futuro do mercado livre de energia

Este cenário torna-se ainda mais urgente com a aproximação da abertura total do mercado. A previsão de que consumidores de baixa tensão tenham acesso ao ambiente de livre contratação a partir de 25/11/2027 promete democratizar o acesso a preços mais competitivos. Contudo, essa transição exige que gestores estejam preparados para analisar o perfil de demanda da sua organização com antecedência.

Em última análise, a busca pela eficiência energética será o grande motor de crescimento para os próximos anos. Com o amadurecimento do setor e a digitalização do monitoramento de carga, a redução de custos por meio do ajuste de perfil será a regra para empresas que desejam se manter resilientes no mercado de energia limpa e sustentável do país. (energialimpa)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O futuro da energia renovável: o consumidor como protagonista

Os consumidores “do futuro” maciçamente produzirão e armazenarão sua energia, se transformando em “prosumidores”.

Como a inteligência de consumo, os sistemas BESS e a geração distribuída transformam o cidadão de pagador de conta a gestor do próprio ecossistema energético.

O consumidor deixa de ser um receptor passivo e passa a atuar ativamente na gestão, escolha e geração de sua própria energia limpa.

O Novo Papel do Consumidor

• Prosumidor: O consumidor que produz e consome sua própria energia, utilizando fontes como a solar e a eólica compartilhada.

• Mercado Livre de Energia: A ampliação do acesso permite escolher livremente o fornecedor de eletricidade.

• Conscientização: Reduzir a conta de luz com geração distribuída é possível, muitas vezes sem exigir altos investimentos iniciais.

Tendências Tecnológicas e Inovações

• Armazenamento (BESS): O uso de baterias residenciais ajuda a gerenciar o consumo nos horários de pico.

• Mobilidade Elétrica: Veículos elétricos carregados em casa integram-se ao gerenciamento inteligente da energia doméstica.

• Digitalização: Redes de distribuição se transformam em plataformas digitais para conectar milhões de ativos descentralizados.

Desafios da Transição no Brasil

• Regulação: O maior entrave é regulamentar a participação de baterias, agregadores e usinas virtuais.

• Infraestrutura: A expansão acelerada de fontes renováveis exige melhorias na rede de transmissão.

Hugo Andrade é o fundador e CEO da Orbis Energia.

Durante décadas, a relação do brasileiro com a energia elétrica resumiu-se a um gesto passivo: abrir a conta no fim do mês e pagar a tarifa estipulada pela concessionária local. No entanto, a consolidação da Geração Distribuída nos últimos anos provocou uma ruptura silenciosa no status quo nacional – uma mudança que promete ser ainda mais radical no médio prazo.

O país ostenta uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta. Em 2025, 89% de toda a nova capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional veio de fontes renováveis, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). No entanto, agora, o setor se vê no meio de uma revolução, em que o protagonismo migra de quem produz a energia para quem domina o seu uso.

A transformação ocorrida no Brasil em menos de uma década impressiona até mesmo alguém como eu, inserido em seu contexto e evolução.

Dados do setor, por exemplo, apontam que a GD ultrapassou a marca de 44 Gigawatts (GW) de potência instalada, alcançando mais de 7,3 milhões de unidades consumidoras (dados de maio/2026) com algo como 21 milhões de brasileiros beneficiados. Com uma primeira fase pautada pela instalação massiva de usinas e painéis solares nos telhados.

Vejo um cenário de mercado que se desenha para o futuro que não pertence mais aos comercializadores de equipamentos, mas às empresas capazes de entender a inteligência de consumo do cliente final.

O painel fotovoltaico deixou de ser o produto final e passou a ser o ponto de partida de um conjunto integrado, que inclui baterias, veículos elétricos, infraestrutura pulverizada de carregamento e sistemas de gestão inteligentes. O “solar” deixa de ser um produto e passa a ser a base de um ecossistema.

Energia Renovável: Rumo à Liderança Global

No horizonte dos próximos 5 anos, acredito que a prioridade estratégica estará na ampliação do acesso.

Com a geração compartilhada e a energia por assinatura como instrumentos de democratização da economia na conta de luz para consumidores residenciais e pequenos comércios sem capital para investir ou espaço para instalação.

Abertura gradual do mercado livre vai acelerar esse movimento, porém precisa superar dois grandes gargalos: o custo de capital elevado, que encarece o crédito de novos projetos, e a assimetria de informação – e sem resolver essas lacunas, os avanços podem ser limitados.

Falando em educação, grande parte dos consumidores ainda desconhece que pode aderir à geração distribuída e reduzir sua conta de luz sem qualquer investimento. Precisamos trabalhar essa conscientização com mais força no nosso mercado.

Para a próxima década, acredito que a verdadeira fronteira de inovação estará na convergência entre armazenamento de energia (BESS), mobilidade elétrica, inteligência de dados e a escolha do fornecedor.

No momento em que se torna mais comum o veículo elétrico e ele passa a ser abastecido em casa com as baterias residenciais permitindo gerenciar o uso nos horários de pico, a geração limpa se torna o pilar e o motor de uma vida ainda mais conectada. O real valor migra da geração isolada para a capacidade de prever hábitos e otimizar o consumo.

Por isso, reafirmo: os próximos passos do setor não vão depender apenas da expansão de grandes linhas de transmissão. Vão depender, sobretudo, da autonomia de escolha do consumidor final, de forma mais democrática e transparente.

Em poucos anos, o cidadão comum vai ocupar de fato o centro desse processo, não mais como quem só paga a conta, mas como o gestor definitivo do seu próprio ecossistema energético.

Brasil lançou um edital para acelerar energia limpa e tecnologias inovadoras com foco em reduzir emissões e fortalecer a indústria nacional sustentável. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Buscas por veículos eletrificados novos crescem 17% no 1º semestre de 2026

Buscas por veículos eletrificados novos crescem 17% no primeiro semestre de 2026, revela Webmotors.

Procura por modelos 100% elétricos avançou 47% no período, enquanto híbridos cresceram 8%; apesar da maior expansão dos elétricos, híbridos concentram 71% das buscas por veículos eletrificados novos.
GWM Haval H6

O interesse por veículos eletrificados novos cresceu 17% no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Webmotors Autoinsights. O levantamento considera as buscas e visitas aos modelos elétricos e híbridos realizadas na plataforma entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período de 2025.

Os modelos 100% elétricos registraram o maior avanço, com crescimento de 47% nas buscas no primeiro semestre, enquanto os híbridos tiveram alta de 8%. Apesar da diferença nas taxas de crescimento, os híbridos ainda concentram a maior parte da procura por veículos eletrificados novos, com 71% das buscas, ante 29% dos modelos elétricos.

De acordo com o CEO da Webmotors, Eduardo Jurcevic, a expansão da oferta de modelos elétricos no mercado brasileiro contribui para o aumento do interesse dos consumidores. “Quando consideramos questões de preço, os elétricos contam hoje com uma oferta mais ampla de modelos em faixas mais acessíveis, especialmente entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, o que acaba atraindo uma parcela considerável dos consumidores interessados nessa tecnologia”, afirma.

Segundo o executivo, os híbridos devem continuar representando a maior parcela das buscas devido, entre outros fatores, aos desafios relacionados à infraestrutura para veículos eletrificados no país.

Haval H6 lidera buscas por eletrificados 0 km

Eletrificados conquistam 21% de participação de mercado e devem atingir 450 mil em 2026.

O GWM Haval H6 foi o veículo eletrificado novo mais buscado na plataforma no 1º semestre/2026. O modelo aparece à frente de 7 veículos da BYD e 2 modelos da Omoda no ranking.

A lista dos 10 eletrificados 0 km mais buscados é composta por:

1. GWM Haval H6

2. BYD Dolphin Mini

3. BYD King

4. Omoda 5

5. Omoda 7

6. BYD Song Plus

7. BYD Song Pro

8. BYD Dolphin

9. Volvo EX2

10. BYD Seal

Interesse por eletrificados usados cresce 13%

O levantamento também aponta aumento da procura por veículos eletrificados usados. As buscas e visitas aos modelos cresceram 13% no 1º semestre/2026, na comparação anual.

Entre os usados, os modelos elétricos registraram alta de 17% nas buscas, enquanto os híbridos avançaram 12%. Assim como no mercado de veículos novos, os híbridos concentram a maior parcela da procura, representando 75% das buscas por eletrificados usados, contra 25% dos elétricos.

O GWM Haval H6 também liderou o ranking de modelos usados mais buscados. Na sequência aparecem BYD Song Plus, Volvo XC60, Toyota Corolla, Porsche Cayenne, BYD Seal, BYD Dolphin Mini, Toyota Corolla Cross, BYD King e BYD Dolphin. (pv-magazine-brasil)