sábado, 4 de julho de 2026

Postes de iluminação solar com inteligência artificial resolverá a demanda dos data centers

Postes de iluminação solar com inteligência artificial podem resolver a demanda de energia dos data centers.

Inserir chips de computador da Nvidia em postes de iluminação pública movidos a energia solar para criar uma usina de energia virtual é uma solução simples para os problemas de demanda energética gerados por data centers, segundo Edward Fitzpatrick. Sua empresa, a ConFlow Power Group, está fazendo exatamente isso com seus postes de iluminação iLamp, conforme ele declarou à pv magazine.
As luminárias iLamps, da empresa ConFlow, com sede no Reino Unido, são equipadas com um painel solar circular de 600 W, duas baterias de íon-lítio e um chip de processamento de computador da Nvidia. Tudo é monitorado remotamente por meio de um aplicativo, e todo o hardware do sistema está alojado dentro do poste de iluminação.

A ideia é aproveitar a iluminação pública para criar uma grande rede de usinas virtuais de energia (VPP, na sigla em inglês) capaz de absorver a demanda imposta às redes elétricas mundiais por grandes centros de dados.

Rede VPP

A implementação já está em andamento na Nigéria, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e Fitzpatrick disse à pv magazine que a ConFlow pretende ter meio milhão de unidades de postes de iluminação em produção até o próximo ano. Mas o poste de iluminação não é exatamente o produto.

“Estamos construindo uma plataforma de IA para energia, comunicações e dados. O iLamp é apenas o nó pelo qual integramos tudo isso”, explicou Fitzpatrick.

“Muita gente diz que não podemos competir com um data center de grande escala colocando GPUs em postes de luz. Isso é verdade. Mas nós não precisamos resfriar as nossas, então já somos mais eficientes, o poder computacional é maior e custa menos para nós e para o meio ambiente”.

Ele acrescentou que a rede VPP de postes de luz fornece uma espécie de intermediário entre os grandes centros de dados que executam tarefas de aprendizado de máquina mais complexas. “O iLamp aproxima o centro de dados do seu telefone para tarefas de menor demanda, como fazer uma pergunta ao ChatGPT”, disse Fitzpatrick. Isso é conhecido como inferência, e a latência é menor do que a necessária para tarefas baseadas em aprendizado.
Meta anuncia projeto para data centers alimentados por luz solar gerada à noite.

Modelo de negócio

As autoridades locais e os governos pagam pelo poder computacional por hora e pela energia fornecida pelas lâmpadas. Atualmente, a ConFlow cobra 49 centavos por hora de computação, o que Fitzpatrick afirmou ser “realmente barato para computação de inferência em IA”. Cada iLamp gera cerca de US$ 4.500 por ano.

“Também cobramos um pouco pela energia porque queremos criar serviços públicos ‘verdes’ em todos os lugares”, acrescentou o CEO. “Se houver 50.000 iLamps em um estado, criamos um serviço público verde e vendemos a energia para o governo a um preço de quilowatt-hora verde, mas a uma taxa muito baixa. O serviço público verde é muito mais benéfico para o usuário final do que para nós… oferece a eles inúmeros benefícios, como créditos de carbono”.

A ConFlow está em negociações com autoridades locais para implantar as lâmpadas no Reino Unido, bem como no Cazaquistão, Sri Lanka, Índia, Quênia, Nigéria e Estados Unidos. O licenciamento já está disponível na maioria dos países. O maior problema é a burocracia envolvida, e Fitzpatrick afirmou que a empresa tem priorizado a implantação inicial em países com menos restrições burocráticas, como a Nigéria.

Serviços de inteligência

O tipo de dados de inteligência baseados em inferência que as lâmpadas fornecem depende das necessidades do usuário. O governo escolhe os serviços desejados, que variam desde dados meteorológicos, conexões com veículos autônomos, dados de tráfego, segurança predial, desempenho esportivo e até detecção de disparos, tudo fornecido por meio de uma câmera com inteligência artificial instalada dentro da lâmpada, na altura dos olhos.

“Desde monitoramento de velocidade até prevenção de tiroteios e esportes, estamos desenvolvendo 80 aplicações desse tipo, porque podemos ensinar a câmera literalmente qualquer coisa. Estamos trabalhando com um departamento de teatro local para nos ajudar a ensinar a câmera”, disse Fitzpatrick.

Botões de pânico também podem ser instalados nas iLamps para alertar os serviços de emergência. Fitzpatrick não está muito preocupado com a possibilidade de roubo de chips de computador ou painéis solares das lâmpadas. Como ele disse, o painel solar é integrado à lâmpada e qualquer pessoa que tentasse roubá-lo precisaria de uma esmerilhadeira e desativar a câmera. Se a GPU for removida da lâmpada, ela é automaticamente danificada e, portanto, torna-se inútil. “Ninguém consegue roubar 50.000 lâmpadas”, afirmou Fitzpatrick.

Ele também defendeu o aspecto de vigilância do serviço, alegando que a ConFlow oferece um serviço que os governos desejam comprar. (pv-magazine-brasil)

O que o El Niño significa para a geração solar?

O El Niño altera os padrões climáticos globais e, no Brasil, costuma trazer mais dias de céu limpo e seco para o Norte e interior do Nordeste, impulsionando a geração solar nessas regiões. No entanto, no Sul, o aumento das chuvas pode reduzir a eficiência fotovoltaica.

Compreender como o fenômeno atua é fundamental para avaliar o desempenho do seu sistema:

• Aumento da irradiação (Norte e Nordeste): O fenômeno reduz as chuvas e a nebulosidade persistente. Como a incidência de raios solares aumenta, o rendimento dos painéis tende a ser superior à média nessas áreas.

• Queda de rendimento por calor extremo (Centro-Oeste e Sudeste): Embora haja menos nuvens, o calor extremo e contínuo diminui levemente a eficiência dos módulos solares, já que os inversores e painéis operam melhor em temperaturas mais amenas.

• Redução na geração (Sul): Na região Sul, o El Niño frequentemente provoca chuvas intensas e prolongadas, o que reduz a captação de luz solar e a geração diária de energia.

Para entender detalhadamente como o El Niño altera a sua região e como otimizar o uso da energia, você pode ler mais sobre a pv magazine Brasil ou conferir o artigo sobre AXS Energia para entender o papel estratégico da fonte solar em momentos de instabilidade climática.

No Brasil, os efeitos mais favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do Nordeste. Já no Sul do país, o cenário costuma ser oposto. No entanto, esse comportamento não é uniforme.

O clima é aquilo que esperamos. O tempo é aquilo que acontece”. A famosa frase atribuída ao escritor Mark Twain resume bem um dos principais desafios do setor elétrico diante do El Niño. Embora o fenômeno tenha padrões conhecidos, seus impactos reais sobre a geração solar estão longe de seguir uma receita fixa. No Brasil, isso significa que o mesmo evento capaz de ampliar a irradiância e favorecer a geração fotovoltaica em regiões estratégicas também pode aumentar riscos operacionais ligados ao excesso de calor, tempestades severas e irregularidade atmosférica, exigindo monitoramento constante por parte do setor energético.

Segundo atualização divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) em 14 de maio, há 82% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho e 96% de chance de permanência durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027.

Caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, o El Niño altera significativamente os padrões de circulação atmosférica ao redor do planeta, modificando o comportamento das chuvas, temperaturas, vento e nebulosidade.

No Brasil, os efeitos mais favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do Nordeste. Nessas regiões, o El Niño costuma reduzir as chuvas durante a primavera e início do verão (setembro a dezembro), favorecendo a disponibilidade de irradiância solar. A nebulosidade não desaparece completamente, mas passa a ocorrer de forma mais irregular e menos persistente.

Sistemas típicos da estação chuvosa, como corredores de umidade e episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), tornam-se menos frequentes. Como consequência, há maior incidência de radiação solar em uma época do ano normalmente marcada por céu mais encoberto.

Parte desse comportamento pode beneficiar parcialmente áreas do norte de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, onde o aumento da irradiância tende a favorecer o desempenho dos sistemas solares.

No Sul do país, o cenário costuma ser oposto. O aumento da frequência de sistemas frontais, períodos prolongados de nebulosidade e eventos de chuva intensa reduzem a disponibilidade de irradiância e podem impactar negativamente a geração solar.

No entanto, esse comportamento não é uniforme. A distribuição da precipitação na região também depende de fenômenos de menor escala, como a Oscilação de Madden-Julian (MJO), que influencia a organização de sistemas convectivos em escala semanal, e a Oscilação Antártica (AAO), que modula a posição de frentes frias. Esses mecanismos podem deslocar áreas de precipitação ao longo do tempo, evitando impactos simultâneos nos três estados do Sul. Em alguns casos, a chuva pode ser muito volumosa na Argentina, Uruguai e Paraguai e ter dificuldade de chegar ao Sul do Brasil, como ocorreu em dezembro de 2023, por exemplo.

Além disso, parte relevante das chuvas intensas na região está associada a Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCMs), que frequentemente se formam durante a madrugada e o início da manhã. Isso significa que nem todos os eventos de chuva volumosa comprometem, necessariamente, os períodos de maior geração solar ao longo do dia.

No Sudeste e no Centro Oeste, porém, o comportamento atmosférico associado ao El Niño tende a ser mais variável. Dependendo da configuração de cada evento, estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul podem apresentar um padrão mais úmido, semelhante ao Sul, como ocorreu em 2015, ou condições mais secas, como observado em novembro e dezembro de 2023.
O principal ponto é que nenhum episódio de El Niño é idêntico, já que a interação com outros fenômenos atmosféricos pode alterar significativamente os efeitos esperados. Um dos principais exemplos é o Atlântico Tropical Sul: quando suas águas apresentam temperaturas mais elevadas, há maior disponibilidade de umidade na atmosfera, o que pode, em alguns casos, compensar parcialmente os efeitos clássicos do fenômeno e favorecer a ocorrência de chuvas no Centro-Norte do Brasil, especialmente entre janeiro e abril.

Sistemas regionais também exercem influência relevante. Na faixa costeira do Nordeste, o posicionamento do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) exige atenção. Embora o centro do sistema esteja associado a condições mais estáveis, suas bordas favorecem chuva e aumento da nebulosidade. Em determinados episódios de El Niño, o VCAN pode se posicionar de forma a manter essas áreas mais instáveis sobre polos de geração solar, reduzindo a irradiância por vários dias consecutivos.

Como o El Niño dificulta a organização de corredores de umidade e aumenta as temperaturas, ele também tende a intensificar a ocorrência de tempestades isoladas em regiões do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Essas pancadas, geralmente concentradas entre a tarde e a noite, podem apresentar alta intensidade, com raios, granizo e rajadas de vento que superam 80 km/h, elevando o risco de danos às estruturas fotovoltaicas.

A questão das temperaturas elevadas completa o cenário de atenção. Apesar de o excedente de irradiância favorecer a geração solar, o calor excessivo reduz a eficiência dos módulos solares, que perdem capacidade de conversão em condições térmicas extremas. A situação piora em ondas de calor, porque as altas temperaturas persistem por mais tempo.

Nesse contexto, o principal desafio do setor elétrico é lidar com a variabilidade das condições atmosféricas. A performance dos ativos passa a depender não apenas da irradiância média, mas também da ocorrência de eventos extremos e da dinâmica entre fenômenos atmosféricos de diferentes escalas.

El Niño: o que é, por que ocorre e como o aquecimento global o torna pior

Ele é um fenômeno natural, que sempre causou enchentes, secas e incêndios. Mas o aquecimento global acentua seus efeitos catastróficos.

O monitoramento climático contínuo, apoiado por plataformas como o TOKsolar, da Tempo OK, que oferece séries históricas e climatologias detalhadas de irradiância solar, deixa de ser um diferencial e passa a ocupar papel central na estratégia das empresas de energia. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Veículos eletrificados batem recorde de vendas no Brasil

Veículos eletrificados batem recorde de vendas no Brasil impulsionados por produção nacional.
O mercado brasileiro de veículos eletrificados leves registrou um recorde histórico recente de 44.981 emplacamentos, atingindo uma participação de 17% nas vendas totais de automóveis e comerciais leves. A produção local já responde por 39% do segmento, um avanço significativo em comparação aos meros 6% registrados um ano antes.

Essa transformação na matriz automotiva do país traz dados e marcos importantes:

• Domínio Nacional em Ascensão: A participação dos veículos fabricados ou montados no Brasil saltou para 39%, encurtando o espaço dos modelos importados, que caíram de 94% para 61% do mercado em apenas doze meses.

• Crescimento Acelerado: Os quase 45 mil emplacamentos representam um crescimento de mais de 170% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em picos quinzenais, a fatia de mercado chegou a tocar 19,2%.

• Impacto na Indústria: Grandes marcas e montadoras (como BYD, BMW, e General Motors) estão liderando essa virada, o que expandiu a oferta de tecnologias como os elétricos puros (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e modelos flex.

• Destaques de Mercado: O sucesso do movimento tem forte adesão de modelos urbanos e compactos que alcançaram o topo do ranking de vendas nacional, como é o caso do BYD Dolphin Mini e do Song Plus.

Com quase 45 mil emplacamentos em maio, mercado de eletrificados leves alcançou participação recorde de 17% nas vendas totais de veículos. Produção local já responde por 39% do segmento, ante apenas 6% há um ano.
O mercado brasileiro de veículos eletrificados leves registrou um novo recorde histórico em maio, com 44.981 emplacamentos, consolidando a rápida expansão da eletromobilidade no país. Além do crescimento das vendas, o avanço da produção nacional começa a redesenhar o setor: os veículos fabricados ou montados no Brasil responderam por 39% das vendas do mês, ante apenas 6% em maio/2025.

Os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que a participação dos modelos importados caiu de 94% para 61% no período de um ano, enquanto a produção local ganhou relevância com investimentos realizados por montadoras como BYD, GWM, General Motors, BMW, Toyota e pela fabricante brasileira Hitech Electric.

Segundo o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, o país vive o início de um ciclo de transformação industrial impulsionado pela eletrificação da frota.

“Estamos testemunhando o início de um notável círculo virtuoso. A produção nacional já começa a impulsionar a eletrificação da frota – são os primeiros movimentos de uma revolução na indústria automotiva brasileira, com efeitos em outros segmentos industriais”, afirmou.

Participação dos eletrificados atinge 17% do mercado

O crescimento do segmento também se reflete na participação dos eletrificados sobre o mercado total de automóveis e comerciais leves. Em maio, os veículos eletrificados — excluindo os micro-híbridos (MHEV) — representaram 17% das vendas domésticas, mais que o dobro dos 7,8% registrados no mesmo mês do ano anterior.

O resultado confirma uma tendência de maior aceitação da tecnologia pelo consumidor brasileiro, sustentada pelo aumento da oferta de modelos, pela expansão da infraestrutura de recarga e pela chegada de veículos produzidos localmente.

Oferta de modelos cresce e favorece nacionalização

A variedade de veículos disponíveis no mercado também avançou. Em maio/2025, o Brasil contava com 174 modelos eletrificados leves, dos quais apenas 5 eram fabricados ou montados localmente. Um ano depois, o número total de modelos chegou a 229, incluindo 21 produzidos no país.

Embora os importados ainda representem a maior parte da oferta, o crescimento dos modelos nacionais sinaliza uma gradual nacionalização da eletromobilidade brasileira.

Veículos plug-in dominam as vendas

Os veículos com recarga externa continuam liderando a preferência do consumidor. Dos 44.981 eletrificados vendidos em maio, 82% foram modelos plug-in, categoria que engloba os veículos totalmente elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV).

Os BEV responderam por 20.974 unidades, equivalentes a 46,6% do mercado de eletrificados do mês. O volume representa crescimento de 20% em relação a abril e de 198% na comparação com maio/2025. Já os PHEV somaram 15.821 emplacamentos, alta de 20% sobre abril e de 109% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a ABVE, a recente definição de normas para instalação de pontos de recarga em edificações por corpos de bombeiros de diversos estados, especialmente São Paulo, pode estar contribuindo para o aumento das vendas de veículos 100% elétricos.

Híbridos mantêm crescimento acelerado

Os híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex) totalizaram 8.186 unidades em maio, o equivalente a 18% do mercado de eletrificados. Os híbridos convencionais alcançaram 4.273 emplacamentos, crescimento de 278,5% na comparação anual, enquanto os híbridos flex chegaram a 3.913 unidades, avanço de 307% sobre maio/2025.

Já os micros híbridos (MHEV), que não são classificados pela ABVE como veículos eletrificados por não possuírem tração elétrica, registraram 6.615 unidades vendidas em maio, alta de 17% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Sudeste lidera vendas

Regionalmente, o Sudeste permanece como principal polo da eletromobilidade brasileira, concentrando 44% dos emplacamentos de maio, com 19.740 unidades. Em seguida aparecem Nordeste (19%), Sul (18%), Centro-Oeste (14%) e Norte (5%).

Entre os estados, São Paulo liderou com 12.421 veículos eletrificados vendidos, seguido por Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Já entre as cidades, os maiores mercados foram São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba.

Com o ritmo atual de crescimento, a ABVE projeta que o mercado brasileiro de eletrificados leves poderá superar a marca de 300 mil emplacamentos anuais já em 2026, consolidando uma nova etapa da transição para a mobilidade elétrica no país. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 30 de junho de 2026

Nem só carro de elétrico se chega ao futuro

Nem só carro de elétrico se chega ao futuro: Brasil pode construir rota própria para descarbonizar a mobilidade.

A descarbonização da mobilidade vai muito além dos veículos movidos puramente a bateria. A transição energética envolve uma rota com múltiplas soluções onde motores a combustão mais limpos e fontes renováveis desempenham papéis essenciais.

O Papel dos Híbridos e Combustíveis Renováveis

No Brasil, a eletrificação não exclui tecnologias alternativas. O futuro da frota automotiva passa diretamente pelo uso de:

• Híbridos-Flex: Carros que combinam motor elétrico com a combustão, abastecidos com etanol. O etanol é uma fonte de energia limpa e renovável.

• Biometano: Alternativa promissora para o transporte pesado e frotas, substituindo combustíveis fósseis por biogás.

• Biocombustíveis: A evolução contínua do etanol e do biodiesel permite uma redução expressiva nas emissões de carbono sem exigir a troca de toda a infraestrutura automotiva.

O Cenário Internacional vs. Local

A Europa e outros mercados desenvolvidos caminham fortemente para a eletrificação total, focando em emissão zero nas frotas. No entanto, a realidade de cada país dita o seu futuro:

• Autonomia e infraestrutura: A rede de carregadores para carros elétricos ainda está em expansão, enquanto motores flex já são dominantes no mercado nacional.

• Matriz energética: A liderança brasileira em biocombustíveis e energia limpa oferece uma vantagem regional de descarbonização, tornando os carros a combustão movidos a etanol muito mais ecológicos a curto prazo do que em países dependentes de carvão para gerar eletricidade.

A transição da mobilidade no Brasil pode passar menos por uma substituição dos carros à combustão por modelos elétricos e mais por uma combinação de rotas tecnológicas adaptadas à realidade energética e industrial do país.

Etanol, híbridos-flex, biometano, biodiesel, combustíveis sustentáveis de aviação, eletrificação parcial e infraestrutura de recarga formam um mosaico estrutural que, segundo especialistas, pode transformar vantagens brasileiras em uma estratégia de descarbonização, de fato, competitiva.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, concluído após mais de 20 anos de negociações, tende a ampliar exigências ambientais sobre produtos brasileiros. A pressão por rastreabilidade, pegada de carbono e critérios sociais deve crescer sobre cadeias ligadas à indústria automotiva, energia, combustíveis e agro exportação.

“Ao mesmo tempo em que o acordo abre mercados para a indústria automotiva e bioenergética do Brasil, com alíquotas declinantes, portanto mais atrativas, ele impõe rígidos critérios de medição da pegada de carbono no ciclo produtivo, da comprovação de rastreabilidade ambiental e a aderência a critérios sociais previstos nas diretrizes europeias”, analisou o presidente do Instituto MBCBrasil, José Eduardo Luzzi, em entrevista ao Um Só Planeta.

Luzzi considera que a competitividade comercial brasileira deverá estar associada ao cumprimento desses requisitos. O desafio, porém, é fazer com que as especificidades da matriz energética brasileira sejam reconhecidas nos parâmetros internacionais.

“Há um caminho a ser percorrido para que a comunidade europeia aceite os biocombustíveis de primeira geração como fontes de descarbonização da mobilidade e das certificações nacionais como válidas nos parâmetros definidos por suas diretrizes”, avaliou José Eduardo.
Uma transição menos óbvia

O Instituto MBCBrasil é uma organização multissetorial dedicada a acelerar a descarbonização da mobilidade no país. A entidade reúne empresas, associações, entidades de pesquisa e representantes de trabalhadores com o objetivo de transformar evidências técnicas em propostas de políticas públicas. Sua atuação se baseia na chamada neutralidade tecnológica, conceito segundo o qual diferentes soluções podem contribuir para a redução de emissões, desde que avaliadas por critérios técnicos e pelo impacto real ao longo do ciclo de vida.

Essa visão aparece no estudo “Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Com até 2040”, elaborado pela LCA Consultores para o Instituto MBCBrasil. O levantamento projeta uma expansão expressiva dos veículos eletrificados no Com, mas, indica que a transição nacional continuará fortemente apoiada nos motores flex e nos biocombustíveis.

De acordo com o estudo, a participação dos veículos eletrificados na frota circulante deve crescer 44 vezes até 2040. No segmento de veículos leves, os eletrificados podem chegar a 17,4 milhões de unidades, mais de 27% da frota nacional. Ainda assim, os motores flex devem seguir predominantes: a projeção é que representem 62,4% da frota leve em 2040.

Na visão de Luzzi, esse dado mostra que a discussão sobre mobilidade sustentável ficou excessivamente concentrada no carro elétrico, desviando possibilidades para acelerar o processo.

“A eletrificação é uma tecnologia importante e terá um papel crescente globalmente, mas a discussão não pode ignorar as realidades econômicas, sociais, energéticas e industriais de cada país. No caso brasileiro, defender apenas uma rota tecnológica significa desconsiderar vantagens competitivas já consolidadas, especialmente, em bioenergia”, afirmou.

Nesse ponto, os híbridos-flex aparecem como uma das principais apostas brasileiras. Oriundos do setor de bioelétricos, esses veículos combinam eletrificação parcial com o uso de combustível renovável, especialmente, o etanol. A tese é que essa solução pode reduzir emissões sem estar atrelada à infraestrutura de recarga ainda em expansão.

“Os bioelétricos, híbridos-flex, representam uma solução particularmente aderente à realidade brasileira porque combinam eficiência energética, eletrificação parcial e uso de combustível renovável. Isso permite reduzir emissões de forma competitiva, sem depender exclusivamente de uma infraestrutura de recarga ainda em expansão ou de uma substituição acelerada da frota nacional”, disse Luzzi.
Etanol, SAF e biometano

O estudo também projeta uma ampliação da demanda por etanol. No cenário-base, o consumo do combustível no ciclo Otto deve passar de 33,6 bilhões de litros em 2025 para 47,8 bilhões de litros em 2040. Em um cenário alternativo, pode chegar a 52,2 bilhões de litros.

A expansão não viria apenas dos veículos leves. O etanol também deve ganhar espaço como insumo para a produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e como alternativa para transporte marítimo, máquinas agrícolas e caminhões fora de estrada. Segundo o material do Instituto MBCBrasil, a demanda por etanol pode ser ampliada em até 2,4 vezes até 2040, considerando esses novos usos.

O biometano é outro vetor apontado como estratégico, especialmente para o transporte pesado. Produzido a partir de resíduos agroindustriais, pode substituir parte do diesel utilizado em caminhões e ônibus. O estudo aponta que o combustível tem potencial para substituir até 70% do consumo de diesel no transporte pesado até 2040, desde que haja infraestrutura e políticas públicas coordenadas.

A descarbonização dos pesados é considerada uma das frentes mais urgentes. O transporte de cargas no Brasil é majoritariamente rodoviário e ainda depende fortemente do diesel. Em estudo anterior, o MBCBrasil indicou que os veículos pesados representam cerca de 6% da frota, mas respondem por aproximadamente 57% das emissões de gases de efeito estufa do transporte.

Mesmo em 2040, a projeção do Instituto é que 85% da frota de caminhões ainda seja formada por veículos de combustão interna. Por isso, a transição desse segmento deve depender de uma combinação entre biodiesel, biometano, gás natural, eletrificação em rotas específicas e renovação de frota.
Infraestrutura e gargalo

Apesar do potencial, o estudo aponta que a transição da mobilidade brasileira depende de um salto em infraestrutura. A demanda por eletricidade para veículos leves deve sair de 693 GWh em 2025 para 28,7 mil GWh em 2040. Para acompanhar esse crescimento, seriam necessárias cerca de 807 mil novas estações de recarga até 2040, com investimento estimado entre R$ 20,7 bilhões e R$ 24,9 bilhões em eletropostos.

Luzzi argumenta que o Brasil tem condições de atender à expansão da demanda por combustíveis renováveis, porém, precisa avançar em planejamento e coordenação.

“O país tem potencial para atender essa expansão, mas ainda precisa avançar de forma consistente em planejamento, coordenação, investimentos e segurança regulatória para o aumento de capacidade, o avanço da produtividade no campo, na recuperação de terras degradadas e na infraestrutura de distribuição, de forma sustentável, eficiente e rastreável”, afirmou.

Políticas como o RenovaBio e o programa Combustível do Futuro representam tentativas de estruturar uma transição energética adaptada às características brasileiras, estimulando aumento de produtividade, expansão sustentável da biomassa, rastreabilidade e previsibilidade regulatória para novos investimentos.

Na avaliação do instituto, a discussão não se resume a escolher uma tecnologia prioritária, mas construir uma transição viável para um país continental, com desigualdades regionais, matriz renovável consolidada e forte dependência do transporte rodoviário.

Métrica vira disputa

Um dos pontos da discussão é como medir a emissão real de cada tecnologia. A análise apenas do escapamento tende a favorecer veículos elétricos, que não emitem durante o uso. No entanto, avaliações mais amplas, como a análise de ciclo de vida, consideram também a fabricação do veículo, origem da energia, produção de combustíveis, baterias, insumos e descarte.

Para o Instituto MBCBrasil, essa diferença é decisiva para países como o Brasil, onde a matriz elétrica é majoritariamente renovável e há uma cadeia consolidada de biocombustíveis.

“A pressão internacional por rastreabilidade e pegada de carbono pode representar tanto uma oportunidade estratégica quanto um risco comercial para o Brasil”, disse Luzzi. O país possui vantagens comparativas importantes, contudo, precisam ser demonstradas com dados auditáveis.

“O mercado internacional caminha para exigir cada vez mais dados auditáveis sobre emissões, origem da biomassa, da matéria-prima, uso da terra, intensidade de carbono e rastreabilidade produtiva. Nesse contexto, a discussão deixa de ser apenas ambiental e passa a ser também comercial e geopolítica”, afirmou.

O risco é o Brasil apenas reagir a padrões definidos externamente, sem participar da construção das regras globais. Nesse caso, soluções brasileiras de baixo carbono poderiam ser avaliadas por modelos desenhados para realidades energéticas diferentes, sobretudo, de países com matrizes mais dependentes de carvão, gás e petróleo. “Corremos o risco de ter suas especificidades energéticas e produtivas ignoradas em modelos internacionais desenhados para outras realidades”, disse o especialista.
Disputa industrial

A transição da mobilidade também tem um componente industrial. Um estudo anterior do MBCBrasil, elaborado pela LCA Consultores e MTempo Capital, comparou cenários de eletrificação da frota e apontou que uma trajetória com predominância de híbridos poderia gerar impacto econômico mais positivo do que uma rota dominada por veículos 100% elétricos.

De acordo com o levantamento, o cenário com híbridos teria uma diferença acumulada de R$ 2,8 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e 1,6 milhão de empregos em relação ao cenário de predominância de elétricos puros. A explicação está no maior conteúdo local da cadeia produtiva híbrida, que preserva parte dos elos industriais já existentes e incorpora novas tecnologias.

Para Luzzi, uma transição baseada exclusivamente em eletrificação poderia ampliar a dependência tecnológica externa em relação a minerais críticos, baterias e cadeias produtivas concentradas em poucos países. “Isso pode gerar desafios para a competitividade industrial brasileira”, afirmou. Na avaliação do instituto, a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre tecnologias, mas como uma tentativa de reduzir emissões preservando empregos, capacidade industrial e segurança energética.

A ideia não é negar a importância da eletrificação, mas evitar que ela seja tratada como a única rota possível. Conforme a argumentação, no caso brasileiro, a combinação entre eletrificação, bioenergia e eficiência energética pode ser uma forma de reduzir emissões, preservar capacidade industrial e criar mercados de exportação.
Sul Global

O Instituto MBCBrasil defende que o país não deve apenas copiar os modelos de transição adotados por China, Europa ou Estados Unidos. A realidade brasileira permite uma estratégia mais diversificada, com potencial de influência sobre outros países em desenvolvimento.

“Poucos países reúnem as condições que o Brasil possui: matriz elétrica majoritariamente renovável, forte produção de biocombustíveis, capacidade agrícola, experiência industrial automotiva e disponibilidade de diferentes fontes energéticas de baixo carbono”, ressaltou Luzzi.

Segundo ele, o país pode protagonizar uma agenda de mobilidade de baixo carbono mais adaptada às condições do Sul Global, exportando tecnologia flex, modelos regulatórios, biocombustíveis e conhecimento acumulado em bioenergia.

“O Brasil pode e deve liderar ativamente o Sul Global para a adoção gradual do modelo nacional de descarbonização da mobilidade, exportando know how (expertise), modelos regulatórios, biocombustíveis e tecnologia automotiva, como os carros flex e bioelétricos”, disse.

O potencial, porém, não garante liderança automática. A disputa dependerá da capacidade de coordenar política industrial, infraestrutura, certificação, segurança regulatória e posicionamento internacional.
Carros elétricos não vão substituir totalmente os a combustão, mas ônibus urbanos terão frota 100% eletrificada no Brasil até 2045.

“A questão central agora é nos organizarmos, poder público, privado e sociedade, para estruturarmos políticas públicas e estratégias industriais que endereçam os desafios estruturantes para que a oferta e distribuição futura atenda a demanda projetada”, finalizou Luzzi. (biodieselbr)

Assaí faz contrato de autoprodução solar para atender 48% de sua demanda

Assaí firma contrato de autoprodução solar para atender 48% de sua demanda a partir de 2028.
Assaí terá 48% do consumo de energia atendido por autoprodução

O Assaí Atacadista firmou um contrato de longo prazo de 15 anos para autoprodução de energia solar, garantindo 48% de sua demanda total a partir de janeiro de 2028. A operação foi aprovada pelo Cade e envolve o Projeto Boa Hora, localizado em Tacaimbó (PE).

Detalhes do Acordo

• Volume Assegurado: 25 MW médios (MWm).

• Parceiros: A iniciativa foi viabilizada em parceria com a BCP Global e a European Energy.

• Objetivo: Além de mitigar impactos ambientais e avançar na descarbonização, o modelo por equiparação garante maior previsibilidade de custos.

• Fontes Oficiais: Você pode acompanhar o comunicado oficial diretamente no Assaí Atacadista e conferir as análises do setor no CanalEnergia e na pv magazine Brasil.

Acordo de 15 anos com a BCP Global e a European Energy envolve energia proveniente de uma usina fotovoltaica em Pernambuco, com fornecimento equivalente a 25 MW médios e foco em previsibilidade de custos, segurança energética e ampliação do uso de fontes renováveis.

Assaí Atacadista avançou em sua estratégia de contratação de energia renovável e terá 48% de seu consumo elétrico total atendido por autoprodução a partir de janeiro de 2028. A iniciativa foi viabilizada após a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da operação firmada entre a companhia, a BCP Global e a European Energy.

O acordo prevê o fornecimento de energia proveniente do Projeto Boa Hora, usina solar em desenvolvimento no município de Tacaimbó (PE), por meio de um contrato de longo prazo com duração de 15 anos. A energia destinada ao Assaí corresponderá a 25 MW médios (MWm).

Segundo a empresa, a iniciativa integra a estratégia de eficiência energética da companhia, que busca aumentar a previsibilidade de custos operacionais e fortalecer a segurança do abastecimento energético de suas operações.

“Esse projeto representa um avanço importante na estratégia de eficiência energética do Assaí e reforça nosso compromisso com soluções estruturantes e sustentáveis para o negócio. Além de ampliar a previsibilidade de custos operacionais no longo prazo, a iniciativa fortalece a segurança energética da Companhia e amplia nossa participação no mercado de energia renovável”, afirmou o gerente de projetos do Assaí, Lucas Attademo.

Assaí terá 48% do consumo atendidos por autoprodução

Com mais de 310 lojas em operação distribuídas por 24 estados e o Distrito Federal, a rede atacadista tem na energia elétrica uma de suas principais despesas operacionais. Nesse contexto, a contratação de energia por meio da autoprodução surge como alternativa para reduzir a exposição às oscilações de preços e garantir maior estabilidade no planejamento financeiro da empresa.

A operação será estruturada no modelo de autoprodução por equiparação, mecanismo que permite a grandes consumidores participarem da geração da própria energia por meio da aquisição de participação em empreendimentos de geração renovável e da celebração de contratos de longo prazo. A modalidade tem sido cada vez mais adotada por consumidores corporativos em busca de competitividade, previsibilidade tarifária e redução da pegada de carbono.

Com a aprovação do Cade, as empresas poderão avançar na implementação do projeto, ampliando a participação de fontes renováveis na matriz energética do Assaí.

Atacadista avança na migração de lojas para o mercado livre.

Desenvolvido pela European Energy, o Projeto Boa Hora passará a integrar o portfólio energético da varejista e reforça o movimento de expansão dos contratos corporativos de energia solar no país, especialmente por meio de estruturas de autoprodução voltadas ao atendimento de grandes cargas. (pv-magazine-brasil)