terça-feira, 18 de agosto de 2026

Renováveis responderam por 86% da geração durante a Copa do Mundo

 Renováveis responderam por 86% da geração durante a Copa do Mundo, aponta NOS.
Copa do Mundo 2026: Renováveis garantem 86% da geração e ONS gerencia picos de carga

Durante a Copa do Mundo FIFA 2026, fontes renováveis supriram 86% da energia, com o ONS gerenciando picos de demanda.

Confirmado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), esse percentual refere-se ao balanço da operação especial durante a Copa do Mundo de 2026 no Sistema Interligado Nacional (SIN). A matriz limpa garantiu o suprimento e atendeu a oscilações bruscas, como as rampas de demanda de até 6.479 MW no fim das partidas.

O expressivo volume de energia limpa disponível exigiu até ações de limitação temporária da produção (curtailment) para manter a estabilidade da rede, como a redução de 20 GW durante a partida entre Brasil e Japão.

No jogo entre Brasil e Japão, a demanda por eletricidade registrou uma rampa de 12.783 MW, equivalente à carga média combinada do Paraná e de Minas Gerais; segundo o operador, o suprimento de energia transcorreu sem intercorrências durante todo o torneio.

No jogo entre Brasil e Japão, a demanda por eletricidade registrou uma rampa de 12.783 MW.

A Copa do Mundo FIFA 2026 transcorreu sem intercorrências no suprimento de energia elétrica, período em que as fontes renováveis responderam por 86% da geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo balanço divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

De acordo com o operador, o planejamento especial para o torneio permitiu atender com segurança às rápidas variações de carga provocadas pelos horários das partidas, especialmente durante o intervalo e o apito final dos jogos, momentos em que milhões de consumidores retomam simultaneamente o uso de eletrodomésticos e equipamentos elétricos.

O maior salto de demanda ocorreu na partida entre Brasil e Japão, quando a carga aumentou 12.783 MW, valor equivalente ao consumo médio combinado dos estados do Paraná e Minas Gerais (PR+MG). O ONS classificou esse comportamento como a maior rampa de carga registrada durante o campeonato.

Outras partidas da Seleção Brasileira também provocaram elevações expressivas na demanda. No confronto entre Escócia e Brasil, a rampa atingiu 8.546 MW, equivalente à carga média dos estados do Paraná e Bahia (PR+BA). Já no jogo entre Brasil e Noruega, foi registrada uma rampa de 7.128 MW, equivalente à carga média de Minas Gerais (MG). Em outro confronto contra a Noruega, a variação chegou a 7.011 MW, equivalente à carga média combinada do Rio de Janeiro e Rondônia (RJ+RO).

Segundo o ONS, outros jogos da Copa também exigiram atenção especial da operação do sistema elétrico. A partida entre Alemanha e Paraguai provocou uma rampa de 4.450 MW em apenas 20 minutos, enquanto o confronto entre Argentina e Cabo Verde registrou uma variação de 3.000 MW em 11 minutos.

Para garantir o atendimento seguro à demanda, o operador reforçou o monitoramento em tempo real do SIN e intensificou a coordenação com agentes de geração, transmissão e distribuição. Também foram realizados estudos específicos para antecipar diferentes cenários operativos, considerando o comportamento da carga, as condições meteorológicas e a disponibilidade das instalações do sistema.

Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o planejamento antecipado e a atuação coordenada entre os agentes do setor foram fundamentais para assegurar a confiabilidade do sistema durante todo o campeonato. “A realização da Copa do Mundo exigiu uma atuação coordenada e um acompanhamento permanente do sistema elétrico. O planejamento realizado previamente e a integração com os agentes permitiram que o atendimento à demanda ocorresse de forma segura durante todo o evento”, afirmou.

A Copa do Mundo de 2026 já mostra que o futuro do esporte também passa pela sustentabilidade. Com estádios investindo em energia renovável e eficiência energética, o futebol entra em campo. (pv-magazine-brasil)

Volkswagen levou 100 ovelhas para pastar sob 31.000 painéis solares

A Volkswagen levou 100 ovelhas para pastar sob 31.000 painéis solares e começou a mudar a forma como a energia é produzida.
Essa iniciativa na fábrica da Volkswagen em Września, na Polônia, é um exemplo brilhante de agrivoltaica (ou agro fotovoltaica). O rebanho de quase 100 ovelhas da raça Wielkopolska substitui os cortadores de grama mecânicos, mantendo o pasto aparado, reduzindo emissões e custos, e melhorando o microclima para a biodiversidade local.

O sistema faz parte de uma mudança na forma como as empresas pensam o uso da terra ao redor de usinas solares de grande porte. A central da VW possui mais de 31.000 painéis e capacidade de 18,3 megawatts, fornecendo uma parte substancial da energia usada na fabricação dos veículos.

Os benefícios dessa integração incluem:

• Manutenção Natural: As ovelhas comem o mato, eliminando o uso de máquinas barulhentas a combustão ou tratores.

• Impacto Ambiental Reduzido: Sem a passagem constante de veículos pesados, evita-se a compactação do solo e há menos emissão de poluentes.

• Sinergia Ecológica: A área sombreada pelos painéis cria um ambiente favorável para insetos e polinizadores, além de manter o solo mais úmido, beneficiando o pasto e o próprio ecossistema sob a estrutura.

Ovelhas substituem cortadores de grama em usina solar da Volkswagen.

Curiosidades

Cortador de grama de quatro patas: A Volkswagen substituiu máquinas cortadoras por cerca de 100 ovelhas para cuidar da vegetação sob 31 mil painéis solares.

Sombra que vira conforto: Assim como buscamos sombra em dias quentes, as ovelhas encontram abrigo embaixo dos painéis solares.

Lã de melhor qualidade: Pesquisadores notaram sinais de melhor saúde e pelagem nos animais que pastam entre os painéis solares.

Imagine trocar o barulho constante de um cortador de grama pelo balanço tranquilo de um rebanho pastando. Foi exatamente isso que a Volkswagen fez em uma de suas fábricas na Polônia, onde cerca de 100 ovelhas cuidam da vegetação por baixo de mais de 31 mil painéis solares. A cena parece simples, quase bucólica, mas esconde uma descoberta que está mudando a forma como pensamos a produção de energia renovável.

O que a ciência descobriu sobre a parceria entre ovelhas e painéis solares

A usina fica em Wrzesnia, na Polônia, e pertence à planta da Volkswagen em Poznań. Ali, cerca de 100 ovelhas da raça Wielkopolska pastam livremente entre fileiras de painéis solares espalhados por 27 hectares. É uma das maiores instalações fotovoltaicas ligadas a uma fábrica em toda a Europa.

Com mais de 31 mil painéis solares e capacidade de 18,3 megawatts, a estrutura fornece parte importante da energia usada na produção da Volkswagen. O modelo faz parte de uma tendência crescente chamada agro fotovoltaica, que une geração de energia e criação de animais no mesmo pedaço de terra.

Pastoreio solar une energia renovável e pecuária no mesmo terreno.

Como esse sistema funciona na prática

As ovelhas circulam devagar entre as fileiras de painéis solares, mantendo o capim baixo sem precisar de máquinas, combustível ou herbicidas. É como ter uma equipe de jardinagem que trabalha o dia inteiro e ainda recebe pagamento em forma de lã e boa alimentação.

Por serem menores do que vacas ou cabras, os animais têm muito menos chance de esbarrar ou danificar as estruturas metálicas. Assim, o terreno continua produtivo dos dois lados, servindo tanto para a pecuária quanto para a energia solar.

Lã, sombra e saúde: o que mais os pesquisadores encontraram

Além de manterem a grama sob controle, as ovelhas parecem sair ganhando com o arranjo. Nos dias mais quentes, elas encontram sombra embaixo dos painéis solares e certa proteção contra chuva e vento, o que ajuda a manter o bem-estar do rebanho.

Estudos preliminares em outras fazendas com o mesmo sistema já registraram animais com melhor estado de saúde e pelagem de qualidade superior. Ainda assim, os cientistas são cautelosos: faltam dados de longo prazo sobre os efeitos reais na biodiversidade e na recuperação do solo.

Pontos-chave do estudo

🐑. Ovelhas fazem o trabalho pesado

Substituem cortadores de grama tradicionais e cuidam da vegetação sob os painéis solares da Volkswagen.

️. Uma usina de 18,3 megawatts

A instalação reúne mais de 31 mil painéis solares e abastece parte da produção da fábrica na Polônia.

🔬. Ciência ainda investiga os efeitos

Pesquisadores acompanham se a sombra e o pastoreio trazem ganhos reais para o solo e a biodiversidade.

Cientistas de outras partes do mundo estudam esse mesmo modelo, conhecido como pastoreio solar. Um levantamento publicado no periódico Frontiers in Sustainable Food Systems, sobre como o pastoreio de ovelhas em usinas solares comerciais afeta a saúde do solo em comparação ao corte mecânico, pode ser consultado neste estudo, que reúne dados coletados diretamente em instalações reais.

Por que essa descoberta importa para você

Mesmo quem não mora perto de uma usina solar sente os efeitos desse tipo de inovação. Menos máquinas cortando grama significa menos ruído, menos combustível queimado e menos emissões, algo que ganha peso conforme o número de painéis solares instalados no mundo continua crescendo.

O modelo também abre uma porta econômica interessante. Pequenos produtores podem alugar terra ou prestar serviço de pastoreio para empresas de energia, unindo pecuária tradicional e energia renovável em um só negócio, sem que uma atividade precise excluir a outra.

Painéis solares também oferecem sombra para o rebanho.

O que mais a ciência está investigando sobre o pastoreio solar

Os próximos passos da pesquisa incluem entender qual a quantidade ideal de ovelhas por hectare, se a sombra dos painéis realmente reduz o estresse térmico dos animais em ondas de calor e como esse modelo pode ser replicado com segurança em outras grandes instalações industriais pelo mundo.

No fim das contas, a Volkswagen mostra que nem toda solução precisa ser high tech. Às vezes, um rebanho de ovelhas pastando em silêncio consegue resolver um problema que a engenharia sozinha ainda estava tentando descobrir como fazer. (brasil247)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Potencial multifuncional das energias ecovoltaica e da agrivoltaica

 Onde a energia solar encontra o solo: o potencial multifuncional da ecovoltaica e da agrivoltaica.

A ecovoltaica e a agrivoltaica propõem o uso compartilhado do solo, unindo a geração de energia limpa com a preservação ambiental ou produção agrícola. Enquanto a agrivoltaica eleva os painéis para cultivar alimentos e criar animais, a ecovoltaica usa o sombreamento para restaurar a vegetação nativa e atrair polinizadores.

Agricultura e Energia (Agrivoltaica)

Sistemas agrivoltaicos utilizam estruturas elevadas (geralmente acima de 2,5 metros) que permitem o trânsito de máquinas e o cultivo de plantações.

• Benefícios mútuos: O sombreamento parcial reduz o estresse hídrico das plantas e a temperatura do solo. Em contrapartida, a transpiração das plantas ajuda a resfriar os painéis solares, aumentando a eficiência na geração de energia.

• Aplicações: Culturas tolerantes à sombra, como hortaliças (alface, tomate), frutas vermelhas e pastagens para gado, são excelentes para esse tipo de consórcio.

Biodiversidade e Solo (Ecovoltaica)

Na ecovoltaica, o espaço sob e ao redor dos módulos solares é dedicado à regeneração da vegetação nativa e à criação de habitats ecológicos.

• Benefícios: Essa prática melhora a qualidade e a retenção de umidade do solo, além de criar corredores ecológicos que atraem polinizadores e aumentam a biodiversidade de insetos e aves na região.

• Estudos de campo: Pesquisas internacionais indicam que esse manejo regenerativo restaura ecossistemas locais sem comprometer a eficiência da captação solar.

Cenário de Implementação

Enquanto o uso duplo do solo já é explorado em diferentes países, como a China e nações europeias, no Brasil — com seu vasto território e clima tropical — iniciativas como as da Tecnologia Agrovoltaica do Instituto Fraunhofer estão adaptando esses modelos para a nossa realidade local.

À medida que a demanda global por energia aumenta, abordagens de uso múltiplo da energia solar, como a ecovoltaica e a agrivoltaica, demonstram que a integração de painéis fotovoltaicos com habitats nativos e áreas agrícolas pode gerar eletricidade renovável ao mesmo tempo em que promove a biodiversidade, conserva recursos hídricos e garante uma fonte estável de renda para os proprietários de terras.

Nos últimos 12 meses, o setor de energia passou por mudanças significativas à medida que a demanda aumentou, impulsionada, em parte, pelo crescimento do consumo de eletricidade por data centers, mineração de criptomoedas e veículos elétricos. Esse aumento ocorre em um contexto em que o governo federal dos Estados Unidos tem bloqueado ou desacelerado a construção de novos projetos de geração renovável e priorizado os combustíveis fósseis, responsáveis por 87% das emissões globais de dióxido de carbono. Enquanto o governo concentra esforços na expansão dessas fontes — como o investimento de US$ 625 milhões do Departamento de Energia para ampliar a produção de carvão —, a tecnologia solar fotovoltaica (FV) tornou-se mais eficiente e registrou uma redução de 88% nos custos de produção nos últimos 15 anos, consolidando-se como uma alternativa energética competitiva para diversos setores.

No setor agropecuário, a energia solar pode oferecer benefícios que os combustíveis fósseis não proporcionam. Além de gerar receitas adicionais para proprietários rurais, como agricultores e pecuaristas, os sistemas fotovoltaicos podem reduzir impactos sobre os ecossistemas e até contribuir para o aumento da biodiversidade em usinas solares.

Duas abordagens de uso múltiplo vêm sendo estudadas e implementadas para alcançar esses benefícios: a ecovoltaica e a agrivoltaica.
Ecovoltaica

O desenvolvimento de usinas solares frequentemente envolve a remoção da vegetação existente e a terraplenagem da área, eliminando praticamente todos os vestígios da flora nativa. Esse processo destrói sistemas radiculares e bancos de sementes, reduz a qualidade do solo e favorece a colonização por espécies vegetais exóticas, dificultando a restauração da biodiversidade original.

A ecovoltaica propõe uma abordagem diferente. Em vez de eliminar a vegetação, utiliza os painéis fotovoltaicos como fonte de sombreamento parcial para favorecer o crescimento de espécies vegetais nativas e promover a biodiversidade.

Um estudo realizado em Minnesota avaliou os efeitos de três usinas solares sobre a biodiversidade e constatou que o estabelecimento de um ecossistema de pradaria nativa sob os painéis fotovoltaicos melhorou a qualidade do solo, atraiu mais polinizadores, aumentou a abundância de espécies floríferas e ampliou a diversidade de grupos de insetos.

Outro estudo semelhante analisou 13 usinas fotovoltaicas distribuídas por diferentes estados da região Centro-Oeste dos Estados Unidos, com diferentes níveis de manejo da vegetação. Utilizando técnicas de monitoramento acústico passivo, os pesquisadores concluíram que os locais com manejo ecovoltaico abrigavam um número maior de aves em comparação com áreas vizinhas sem geração solar.

O Projeto Solar Gemini, em Las Vegas, Nevada, está inserido em um ecossistema bastante diferente das pradarias, mas apresentou resultados semelhantes aos observados em Minnesota. Como a área abriga espécies vegetais raras, as atividades de construção foram adaptadas para minimizar os impactos sobre o ambiente. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que a usina reduziria a sobrevivência dessas espécies. No entanto, verificou-se que as plantas nativas presentes no local cresceram mais e se tornaram mais abundantes do que aquelas encontradas em áreas externas ao empreendimento. Nesse caso, a construção da usina foi planejada levando em consideração o ecossistema local — e o ambiente acabou se beneficiando.

Esses estudos indicam que a ecovoltaica pode melhorar efetivamente a biodiversidade dos habitats e favorecer espécies vegetais nativas, resultado que tende a fortalecer a aceitação social de novos projetos solares.

Agrivoltaica

A maior parte dos sistemas fotovoltaicos é instalada em áreas destinadas exclusivamente à geração de eletricidade. A agrivoltaica, por sua vez, combina produção agrícola e geração solar na mesma área, prática conhecida como co-localização.

Esse modelo pode trazer benefícios importantes, pois elimina a necessidade de separar fisicamente a produção de alimentos da geração de energia renovável e, quando bem planejado, cria uma relação mutuamente vantajosa para ambas as atividades.

Em estados com disponibilidade limitada de terras para agricultura e geração renovável, a co-localização pode ser particularmente útil. Além disso, a agrivoltaica oferece uma fonte estável de renda durante períodos de volatilidade dos mercados agrícolas, especialmente em regiões que vêm reduzindo a disponibilidade de água para irrigação em cumprimento a políticas de conservação hídrica.

Embora a adoção da agrivoltaica ainda esteja em estágio inicial nos Estados Unidos, outros países já demonstraram seu potencial. No Japão, por exemplo, foram desenvolvidos arrozais capazes de manter elevada produtividade sob painéis solares.

Uma das modalidades da agrivoltaica consiste na integração entre painéis fotovoltaicos e áreas de pastagem. Conhecida como solar grazing, essa prática utiliza o mesmo terreno para geração de energia e criação de animais.

Um exemplo é o projeto híbrido Cornucopia, no condado de Fresno, Califórnia. A iniciativa integra os esforços do governo local para ampliar a oferta de energia renovável, manter atividades agrícolas e fortalecer a conservação das águas subterrâneas. O projeto prevê a instalação de uma usina solar com capacidade de 300 MW, permitindo simultaneamente o pastejo de ovelhas entre os painéis para controle da vegetação. Dessa forma, além de fornecer eletricidade renovável à rede regional, o empreendimento reduz o risco de incêndios provocado pelo acúmulo de vegetação e diminui a necessidade de pesticidas ou de outras formas de manejo vegetal.
Embora a integração de painéis fotovoltaicos com ecossistemas nativos, áreas agrícolas e pastagens ainda seja relativamente recente, essas abordagens demonstram um potencial significativo para otimizar o uso do solo e ampliar os benefícios associados à geração de energia renovável. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Emplacamentos de ônibus elétricos quase dobram no primeiro semestre

Com 589 veículos emplacados entre janeiro e junho, mercado alcança 70% de todo o volume registrado em 2025. Produção nacional responde por 80% das unidades e São Paulo concentra a maior parte das entregas.
O mercado brasileiro de ônibus elétricos manteve o ritmo de expansão no primeiro semestre de 2026, com 589 veículos emplacados entre janeiro e junho, alta de 92,5% em relação às 306 unidades registradas no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro semestre de 2024, quando foram emplacados 127 ônibus, o crescimento chega a 363,8%, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O volume acumulado no semestre já representa cerca de 70% de todos os ônibus elétricos emplacados ao longo de 2025, quando o mercado encerrou o ano com 844 unidades. O desempenho foi impulsionado principalmente pela entrega de 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo da cidade de São Paulo, realizada em 21 de junho.

Com a incorporação desse lote, a capital paulista passou a contar com uma frota de 1.759 ônibus eletrificados, entre veículos movidos a bateria e trólebus, consolidando sua posição como principal polo da eletrificação do transporte público no Brasil.

O resultado reforça uma mudança de escala do setor, que deixa de depender de projetos-piloto para avançar em programas estruturados de renovação das frotas urbanas. Segundo a avaliação do mercado, os próximos desafios incluem ampliar as linhas de financiamento, aumentar a previsibilidade das compras públicas e expandir a eletrificação para cidades de médio porte e municípios do interior.

Junho concentrou grande parte dos emplacamentos

Somente em junho foram emplacados 278 ônibus elétricos no país, crescimento de 717,6% frente às 34 unidades registradas no mesmo mês de 2025. Em relação a junho de 2024, quando apenas nove veículos foram licenciados, a expansão se aproxima de 3.000%.

Apesar da forte alta, o comportamento mensal do segmento costuma apresentar grandes oscilações, uma vez que as entregas dependem dos cronogramas de produção das fabricantes, dos processos licitatórios e da execução dos contratos de renovação das frotas municipais. Por isso, o desempenho acumulado do semestre é considerado um indicador mais representativo da evolução do mercado.

São Paulo concentra quase 80% do mercado

A região Sudeste respondeu por 468 dos 589 ônibus elétricos emplacados no primeiro semestre, equivalente a 79,5% do mercado nacional. O estado de São Paulo concentrou praticamente todo esse volume, com 464 veículos, impulsionado pelas aquisições da capital e por iniciativas em outros municípios paulistas.

Entre os municípios, São Paulo liderou com ampla vantagem, registrando 429 emplacamentos (72,8% do total nacional). Brasília aparece na segunda posição, com 90 unidades (15,3%), seguida por São Bernardo do Campo, com 19 veículos.

A concentração dos emplacamentos evidencia que a eletrificação do transporte coletivo ainda ocorre de forma desigual no país. A expansão do mercado dependerá da adoção desses veículos por um número maior de municípios e da criação de condições técnicas e econômicas para viabilizar a renovação das frotas fora dos grandes centros urbanos.

Produção nacional responde por 80% dos ônibus

O mercado brasileiro contou, no primeiro semestre, com nove fabricantes oferecendo 19 modelos de ônibus elétricos. Destas empresas, 5 possuem produção em território nacional e quatro atuam com veículos importados.

Das 589 unidades emplacadas no período, 476 foram fabricadas no Brasil, correspondendo a 80% do total. Os 113 veículos restantes foram importados.

O desempenho demonstra o fortalecimento da indústria instalada no país, com destaque para fabricantes como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo.

No ranking de emplacamentos por fabricante, a Eletra liderou o mercado com 224 unidades, o equivalente a 38% de participação. A Mercedes-Benz ficou em segundo lugar, com 113 veículos (19,2%), seguida pela BYD, com 109 unidades (18,5%). (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Brasil reduz em 25% o custo da geração solar e se aproxima dos menores mundiais

Brasil reduz em 25% o custo da geração solar e se aproxima dos menores LCOEs do mundo, aponta Irena.
O custo nivelado de energia (LCOE) da geração solar fotovoltaica no Brasil caiu para US$ 37/MWh, uma redução de 25% que aproxima o país dos menores custos do mundo, segundo dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

Essa queda consolida o país entre os mercados mais competitivos internacionalmente, ficando abaixo da média global e equiparando-se a gigantes como a China e a Índia Custo nivelado da energia solar cai 25% no Brasil e coloca o país entre os mais competitivos do mundo, diz Irena. A expansão dessa matriz tem sido vital para a economia de energia, cortando até 90% dos gastos com eletricidade para consumidores Energia solar já corta 90% da conta de luz e pode dobrar de tamanho no Brasil até 2027 e poupando bilhões em combustíveis fósseis evadidos Brasil foi o 3º país que mais reduziu gasto com fósseis, diz relatório.

Relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis aponta que o custo nivelado da energia solar fotovoltaica no Brasil caiu para US$ 37/MWh em 2025, colocando o país entre os mercados mais competitivos do mundo para novos projetos de geração.

Complexo Solar Boa Sorte, em Paracatu (MG).

O custo nivelado de geração (LCOE, na sigla em inglês) da energia solar fotovoltaica no Brasil caiu 25% em 2025, alcançando US$ 37/MWh, segundo o relatório Renewable Power Generation Costs in 2025, divulgado nesta semana pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena). O resultado coloca o país entre os mercados mais competitivos do mundo para novos empreendimentos solares em escala de utilidade pública.

Segundo o estudo, apenas China (US$ 36/MWh) e Índia (US$ 35/MWh) registraram custos médios inferiores aos observados no Brasil. O valor brasileiro também ficou significativamente abaixo da média global da geração fotovoltaica, que permaneceu em US$ 44/MWh em 2025.

O levantamento mostra que, embora o custo médio global da tecnologia tenha permanecido praticamente estável em relação a 2024, alguns mercados conseguiram avanços expressivos graças à combinação de equipamentos mais baratos, ganhos de produtividade e melhores condições de implantação. O Brasil foi um dos destaques desse movimento.

Para a Irena, a redução dos custos dos equipamentos continuou compensando parcialmente o aumento do custo de capital observado em diversos países, permitindo que a energia solar mantivesse sua competitividade frente às fontes fósseis.

Segundo o relatório, aproximadamente 91% dos novos projetos renováveis comissionados em 2025 produziram eletricidade a custos inferiores à alternativa fóssil mais barata disponível em seus respectivos mercados.

Além da energia solar fotovoltaico, o Brasil também aparece entre os países mais competitivos na geração eólica terrestre. O estudo aponta que o custo nivelado da fonte eólica onshore no país permaneceu próximo dos menores níveis globais, reforçando a posição brasileira como um dos principais mercados para investimentos em energias renováveis.

Competitividade crescente

O relatório destaca que a queda dos custos das tecnologias renováveis observada ao longo da última década continua transformando a economia da geração elétrica. Entretanto, a IRENA ressalta que a próxima etapa da transição energética dependerá menos da redução do preço dos equipamentos e mais da expansão da infraestrutura elétrica, da modernização das redes de transmissão, da incorporação de sistemas de armazenamento e da redução do custo do financiamento.

Segundo a agência, em muitos mercados os principais desafios para novos investimentos já não estão relacionados ao custo da geração em si, mas à capacidade das redes elétricas de absorver volumes crescentes de energia renovável e às limitações de conexão dos empreendimentos.

No caso brasileiro, o resultado ocorre em um momento em que o setor enfrenta desafios relacionados ao curtailment, principalmente nas regiões Nordeste e Norte, evidenciando que a elevada competitividade da fonte solar precisa ser acompanhada por investimentos em transmissão, flexibilidade operativa e armazenamento de energia.

Custo da energia solar cai 25% no Brasil: País está entre os mais competitivos do mundo

Com LCOE de US$ 37/MWh, Brasil se aproxima dos patamares da China e da Índia e permanece abaixo da média global. (pv-magazine-brasil)