Junho concentrou grande parte dos emplacamentos
Produção nacional responde por 80% dos ônibus
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
O volume acumulado no semestre já representa cerca de 70% de todos
os ônibus elétricos emplacados ao longo de 2025, quando o mercado encerrou o
ano com 844 unidades. O desempenho foi impulsionado principalmente pela entrega de 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal
de transporte coletivo da cidade de São Paulo, realizada em 21 de junho.
Com a incorporação desse lote, a capital paulista passou a contar
com uma frota de 1.759 ônibus eletrificados, entre veículos movidos a bateria e
trólebus, consolidando sua posição como principal polo da eletrificação do
transporte público no Brasil.
O resultado reforça uma mudança de escala do setor, que deixa de depender de projetos-piloto para avançar em programas estruturados de renovação das frotas urbanas. Segundo a avaliação do mercado, os próximos desafios incluem ampliar as linhas de financiamento, aumentar a previsibilidade das compras públicas e expandir a eletrificação para cidades de médio porte e municípios do interior.
Junho concentrou grande parte dos emplacamentos
Somente em junho foram emplacados 278 ônibus elétricos no país,
crescimento de 717,6% frente às 34 unidades registradas no mesmo mês de 2025.
Em relação a junho de 2024, quando apenas nove veículos foram licenciados, a
expansão se aproxima de 3.000%.
Apesar da forte alta, o comportamento mensal do segmento costuma
apresentar grandes oscilações, uma vez que as entregas dependem dos cronogramas
de produção das fabricantes, dos processos licitatórios e da execução dos
contratos de renovação das frotas municipais. Por isso, o desempenho acumulado
do semestre é considerado um indicador mais representativo da evolução do
mercado.
São Paulo concentra quase 80% do mercado
A região Sudeste respondeu por 468 dos 589 ônibus elétricos
emplacados no primeiro semestre, equivalente a 79,5% do mercado nacional. O
estado de São Paulo concentrou praticamente todo esse volume, com 464 veículos,
impulsionado pelas aquisições da capital e por iniciativas em outros municípios
paulistas.
Entre os municípios, São Paulo liderou com ampla vantagem,
registrando 429 emplacamentos (72,8% do total nacional). Brasília aparece na
segunda posição, com 90 unidades (15,3%), seguida por São Bernardo do Campo,
com 19 veículos.
A concentração dos emplacamentos evidencia que a eletrificação do transporte coletivo ainda ocorre de forma desigual no país. A expansão do mercado dependerá da adoção desses veículos por um número maior de municípios e da criação de condições técnicas e econômicas para viabilizar a renovação das frotas fora dos grandes centros urbanos.
Produção nacional responde por 80% dos ônibus
O mercado brasileiro contou, no primeiro semestre, com nove
fabricantes oferecendo 19 modelos de ônibus elétricos. Destas empresas, 5
possuem produção em território nacional e quatro atuam com veículos importados.
Das 589 unidades emplacadas no período, 476 foram fabricadas no
Brasil, correspondendo a 80% do total. Os 113 veículos restantes foram
importados.
O desempenho demonstra o fortalecimento da indústria instalada no
país, com destaque para fabricantes como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e
Marcopolo.
No ranking de emplacamentos por fabricante, a Eletra liderou o mercado com 224 unidades, o equivalente a 38% de participação. A Mercedes-Benz ficou em segundo lugar, com 113 veículos (19,2%), seguida pela BYD, com 109 unidades (18,5%). (pv-magazine-brasil)
Essa queda consolida o país
entre os mercados mais competitivos internacionalmente, ficando abaixo da média
global e equiparando-se a gigantes como a China e a Índia Custo nivelado da
energia solar cai 25% no Brasil e coloca o país entre os mais competitivos do
mundo, diz Irena. A expansão dessa matriz tem sido vital para a economia de
energia, cortando até 90% dos gastos com eletricidade para consumidores Energia
solar já corta 90% da conta de luz e pode dobrar de tamanho no Brasil até 2027
e poupando bilhões em combustíveis fósseis evadidos Brasil foi o 3º país que
mais reduziu gasto com fósseis, diz relatório.
Relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis aponta que o custo nivelado da energia solar fotovoltaica no Brasil caiu para US$ 37/MWh em 2025, colocando o país entre os mercados mais competitivos do mundo para novos projetos de geração.
Complexo Solar Boa Sorte, em Paracatu (MG).
O custo nivelado de geração
(LCOE, na sigla em inglês) da energia solar fotovoltaica no Brasil caiu 25% em
2025, alcançando US$ 37/MWh, segundo o relatório Renewable Power Generation
Costs in 2025, divulgado nesta semana pela Agência Internacional para as
Energias Renováveis (Irena). O resultado coloca o país entre os mercados mais
competitivos do mundo para novos empreendimentos solares em escala de utilidade
pública.
Segundo o estudo, apenas
China (US$ 36/MWh) e Índia (US$ 35/MWh) registraram custos médios inferiores
aos observados no Brasil. O valor brasileiro também ficou significativamente
abaixo da média global da geração fotovoltaica, que permaneceu em US$ 44/MWh em
2025.
O levantamento mostra que,
embora o custo médio global da tecnologia tenha permanecido praticamente
estável em relação a 2024, alguns mercados conseguiram avanços expressivos
graças à combinação de equipamentos mais baratos, ganhos de produtividade e
melhores condições de implantação. O Brasil foi um dos destaques desse
movimento.
Para a Irena, a redução dos
custos dos equipamentos continuou compensando parcialmente o aumento do custo
de capital observado em diversos países, permitindo que a energia solar mantivesse
sua competitividade frente às fontes fósseis.
Segundo o relatório,
aproximadamente 91% dos novos projetos renováveis comissionados em 2025
produziram eletricidade a custos inferiores à alternativa fóssil mais barata
disponível em seus respectivos mercados.
Além da energia solar fotovoltaico, o Brasil também aparece entre os países mais competitivos na geração eólica terrestre. O estudo aponta que o custo nivelado da fonte eólica onshore no país permaneceu próximo dos menores níveis globais, reforçando a posição brasileira como um dos principais mercados para investimentos em energias renováveis.
Competitividade crescente
O relatório destaca que a
queda dos custos das tecnologias renováveis observada ao longo da última década
continua transformando a economia da geração elétrica. Entretanto, a IRENA
ressalta que a próxima etapa da transição energética dependerá menos da redução
do preço dos equipamentos e mais da expansão da infraestrutura elétrica, da
modernização das redes de transmissão, da incorporação de sistemas de
armazenamento e da redução do custo do financiamento.
Segundo a agência, em muitos
mercados os principais desafios para novos investimentos já não estão
relacionados ao custo da geração em si, mas à capacidade das redes elétricas de
absorver volumes crescentes de energia renovável e às limitações de conexão dos
empreendimentos.
No caso brasileiro, o resultado ocorre em um momento em que o setor enfrenta desafios relacionados ao curtailment, principalmente nas regiões Nordeste e Norte, evidenciando que a elevada competitividade da fonte solar precisa ser acompanhada por investimentos em transmissão, flexibilidade operativa e armazenamento de energia.
Custo da energia solar cai 25% no Brasil: País está entre os mais competitivos do mundo
Com LCOE de US$ 37/MWh,
Brasil se aproxima dos patamares da China e da Índia e permanece abaixo da
média global. (pv-magazine-brasil)
O projeto consolida a
infraestrutura que já vem sendo testada no reservatório da usina:
• Capacidade da Usina Solar:
O sistema flutuante inicial opera com 1 MWp, formado por 1.584 módulos
fotovoltaicos de 705 Wp cada Itaipu Binacional instalará sistema de
armazenamento com baterias em sua usina solar flutuante.
• Objetivos do Piloto de
Baterias: A integração das baterias permitirá avaliar o desempenho em
aplicações de flexibilidade operativa e como o armazenamento é capaz de
entregar energia de maior qualidade ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
• Visão de Futuro: O aproveitamento
do reservatório e a expansão para milhares de megawatts dependem da atualização
das diretrizes do Tratado de Itaipu, abrindo caminho para complementar as águas
da hidrelétrica com a geração fotovoltaica Itaipu prepara projeto-piloto com
baterias para testar integração entre usina solar flutuante e hidrelétrica.
Empreendimento terá caráter demonstrativo e servirá para avaliar aplicações como energy shifting, flexibilidade operativa e complementaridade entre geração solar e hidrelétrica, com base em critérios técnicos previstos para o LRCAP.
A Itaipu Binacional avança na estruturação de um projeto-piloto de armazenamento de energia em baterias (BESS) associado à sua usina solar flutuante. A iniciativa terá caráter demonstrativo e pretende gerar conhecimento técnico para subsidiar futuros investimentos em sistemas de armazenamento e na expansão de fontes renováveis.
O
projeto foi anunciado durante um evento do setor elétrico e, segundo
informações de Itaipu à pv magazine Brasil, ainda está em fase de estruturação
em parceria com o Itaipu Parquetec. Nesta etapa, aspectos como cronograma,
potência instalada, capacidade de armazenamento, tecnologia das baterias,
investimento e modelo de contratação ainda não foram definidos.
A proposta é utilizar o
projeto como uma plataforma para avaliar o desempenho operacional dos sistemas
BESS em diferentes aplicações. Entre elas estão o deslocamento temporal da
energia (energy shifting), a ampliação da flexibilidade operativa, a integração
da geração solar flutuante e a complementaridade entre a produção fotovoltaica
e a geração hidrelétrica.
Segundo a binacional, os resultados obtidos deverão produzir indicadores técnicos que servirão de base para futuras decisões de investimento em armazenamento de energia.
Projeto seguirá parâmetros considerados no LRCAP
Como referência para a
concepção do projeto, a Itaipu informou que está considerando critérios
técnicos semelhantes aos previstos para o Leilão de Reserva de Capacidade na
forma de Potência (LRCAP) voltado aos sistemas de armazenamento.
Entre os parâmetros
analisados estão autonomia mínima de quatro horas, fornecimento contínuo de
potência durante todo esse período, além de requisitos relacionados à
disponibilidade e ao desempenho operacional dos equipamentos.
De acordo com a empresa, esses critérios permitirão avaliar a aderência da tecnologia às futuras necessidades do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente diante da crescente participação de fontes renováveis variáveis na matriz elétrica.
Base para futuros investimentos
Embora o projeto tenha escala
experimental, a iniciativa faz parte da estratégia da Itaipu de ampliar o
conhecimento sobre o uso de baterias em aplicações voltadas ao sistema
elétrico.
A expectativa é que os dados
obtidos orientem futuras decisões sobre investimentos em armazenamento
eletroquímico e na expansão da geração renovável, contribuindo para aumentar a
confiabilidade, a flexibilidade operativa e a segurança energética dos sistemas
elétricos do Brasil e do Paraguai.
Durante o anúncio do projeto,
o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, também afirmou que os estudos
da empresa apontam potencial para expandir a geração solar na área do
reservatório para mais de 1 GW, reforçando a perspectiva de integração entre a
usina hidrelétrica, a geração fotovoltaica flutuante e os sistemas de
armazenamento em baterias. (pv-magazine-brasil)
Com esse desempenho, os eletrificados passaram a responder por
15,8% das vendas nacionais de veículos leves — o equivalente a 16 de cada 100
veículos comercializados no Brasil. Em junho, a participação alcançou um novo
recorde de 18,3%, com 47.579 emplacamentos, o maior volume mensal da série
histórica da entidade.
Os dados indicam que a eletrificação avança em ritmo muito
superior ao do mercado automotivo como um todo. Enquanto as vendas totais de
veículos leves cresceram 20% no primeiro semestre, os eletrificados registraram
expansão de 125%, consolidando uma mudança no perfil de consumo do setor.
Segundo o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, os resultados
refletem um conjunto de iniciativas que vem fortalecendo a eletromobilidade no
país. “Ainda falta muito para termos um ambiente regulatório robusto no Brasil,
mas essas medidas já fizeram a eletromobilidade ganhar a confiança do
consumidor brasileiro”, afirmou.
De acordo com Bastos, a aprovação de legislações estaduais garantindo o direito à recarga, a atualização das normas para instalação de carregadores em edifícios residenciais e a expansão da infraestrutura pública de recarga contribuíram para aumentar a confiança dos consumidores na tecnologia.
Oferta de modelos cresce 19%
A ampliação do portfólio disponível também impulsionou o mercado.
Entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, a oferta de
veículos leves eletrificados aumentou de 294 para 350 modelos, crescimento de
19%.
Os veículos 100% elétricos (BEV) lideraram essa expansão, passando
de 152 para 192 modelos, alta de 26%. Os híbridos plug-in (PHEV) cresceram de
101 para 106 opções, enquanto os híbridos convencionais (HEV) passaram de 37
para 44 modelos. Já os híbridos flex dobraram de quatro para oito versões
disponíveis.
Rede de recarga supera 25 mil eletropostos
O avanço das vendas foi acompanhado pela expansão da
infraestrutura de recarga.
Levantamento da ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade aponta que
o Brasil contava, em junho, com 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos,
crescimento de 21% em relação a fevereiro, quando eram 21.061 pontos.
Os carregadores rápidos em corrente contínua (DC) já representam
34% da infraestrutura nacional, fator apontado pela entidade como um dos
principais responsáveis pelo aumento da confiança dos consumidores nos veículos
elétricos e híbridos plug-in.
Segundo a associação, a combinação entre maior oferta de modelos, expansão da infraestrutura de recarga, aumento da concorrência, início da produção nacional de veículos eletrificados e maior familiaridade dos consumidores com a tecnologia vem acelerando a transição para a eletromobilidade no Brasil.
Elétricos a bateria mantém liderança
Os veículos plug-in — categoria formada pelos modelos totalmente
elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV) — responderam por 83% das vendas de
eletrificados em junho, totalizando 39.344 unidades.
Pelo quinto mês consecutivo, os veículos 100% elétricos lideraram
o mercado, com 21.138 emplacamentos, equivalentes a 44,4% das vendas de
eletrificados no mês. Os híbridos plug-in registraram 18.206 unidades,
participação de 38,3%.
Os híbridos convencionais (HEV) responderam por 4.507 unidades
(9,5%), enquanto os híbridos flex (HEV Flex) somaram 3.728 veículos (7,8%).
No acumulado do semestre, os veículos totalmente elétricos permaneceram na liderança, com 90.626 emplacamentos (42,2%), seguidos pelos híbridos plug-in, com 76.400 unidades (35,5%). Os híbridos flex registraram 24.078 veículos (11,2%) e os híbridos convencionais, 23.919 (11,1%).
Sudeste concentra maior mercado
Regionalmente, o Sudeste respondeu por 44,7% das vendas nacionais
de veículos leves eletrificados no primeiro semestre, com 96.159 emplacamentos.
Na sequência aparecem Nordeste (40.310 unidades), Sul (38.716),
Centro-Oeste (30.426) e Norte (9.411).
Entre os estados, São Paulo liderou o ranking, com 61.629 veículos
vendidos, seguido pelo Distrito Federal (18.131), Minas Gerais (16.341), Paraná
(14.738) e Rio de Janeiro (12.959).
Entre as cidades, São Paulo liderou com 22.566 emplacamentos,
seguida por Brasília (18.131), Belo Horizonte (9.896), Rio de Janeiro (7.096) e
Curitiba (6.395).
Os dados também mostram que os micro-híbridos (MHEV) registraram
29.938 emplacamentos no primeiro semestre, crescimento de 10% em relação ao
mesmo período de 2025. No entanto, desde janeiro de 2025, a ABVE deixou de
incluir essa tecnologia em suas estatísticas de veículos eletrificados por
considerar eletrificados apenas os veículos com tração elétrica — casos dos
híbridos convencionais (HEV), híbridos flex (HEV Flex), híbridos plug-in (PHEV)
e veículos 100% elétricos (BEV). (pv-magazine-brasil)
Em 2025, a Índia importou
cerca de 27% de suas necessidades de ureia e mais de 80% do gás natural
utilizado na produção de fertilizantes. Quando o fornecimento de gás se torna
escasso e os custos aumentam, o governo absorve o impacto por meio de
subsídios. Somente em 2024-2025, a conta de subsídios para fertilizantes
ultrapassou 1,71 trilhão de rúpias indianas (US$ 17,9 bilhões). Este não é um
desafio pontual, mas sim uma fragilidade estrutural. O problema reside no cerne
da cadeia produtiva. A produção de ureia depende da amônia, e a produção de
amônia depende do gás natural. O gás serve tanto como matéria-prima quanto como
combustível. Consequentemente, interrupções no Golfo Pérsico podem afetar a
economia da produção de fertilizantes na Índia em questão de semanas. Os
agricultores, em última instância, arcam com as consequências, seja por meio de
restrições de oferta ou pelo ônus fiscal do aumento dos subsídios. Para
enfrentar esse desafio, são necessárias mais do que medidas de curto prazo; é
preciso repensar a forma como os fertilizantes são produzidos.
Um caminho integrado para a
autossuficiência em fertilizantes
A resposta pode não estar
apenas no setor de fertilizantes. A localização conjunta de sistemas
agrivoltaicos, cultivo de milho, produção de etanol e fabricação de ureia pode
criar um sistema integrado no qual energia, carbono e produção agrícola se
apoiam mutuamente.
No entanto, as usinas de
etanol também liberam quantidades substanciais de dióxido de carbono (CO2)
durante a fermentação. Para cada litro de etanol produzido, são emitidos cerca
de 0,8 kg de CO2, a maior parte dos quais é atualmente liberada na
atmosfera.
Ao contrário dos sistemas
convencionais de captura de carbono, que precisam separar o CO2 dos
fluxos diluídos de gases de escape industriais, a fermentação produz um fluxo
concentrado de CO₂ biogênico de alta pureza, tornando a captura e a utilização
comparativamente mais simples. Esse CO2 pode, em vez disso,
tornar-se um insumo valioso. Em um cluster localizado no mesmo local, o CO2
biogênico proveniente de usinas de etanol pode ser fornecido diretamente para
instalações de produção de ureia próximas. A fabricação de ureia requer CO2,
grande parte do qual atualmente se origina de processos baseados em
combustíveis fósseis ligados à amônia derivada de gás. Substituir esse CO2
por CO2 biogênico pode reduzir as emissões, diminuir a dependência
de insumos importados e converter um fluxo de resíduos em um recurso produtivo.
A energia é o elemento que
une o sistema. A eletricidade gerada por meio de sistemas agrivoltaicos pode
alimentar usinas de etanol e eletrolisadores que produzem hidrogênio verde. O
hidrogênio pode então ser usado na síntese de amônia. A combinação de amônia
verde com CO2 capturado permite a produção de ureia com baixa
emissão de carbono, reduzindo a dependência do gás natural importado e
protegendo a produção de fertilizantes da volatilidade dos preços globais.
É importante ressaltar que esses polos não precisam depender exclusivamente do milho cultivado sob instalações agrovoltaicas. A agrovoltaica pode servir como uma âncora energética para um ecossistema regional mais amplo, com usinas de etanol adquirindo milho das comunidades agrícolas vizinhas. Isso não só apoia a produção de etanol e fertilizantes em larga escala, como também cria um mercado confiável para os agricultores de toda a região. Ao gerar uma demanda industrial sustentada por milho, o modelo pode fortalecer as cadeias de valor locais, fornecer aos agricultores uma via adicional para comercializar seus produtos e melhorar a obtenção de preços por meio de maior concorrência de mercado e oportunidades de compra diversificadas.
Por que a economia funciona
A viabilidade econômica de um
sistema como esse é sustentada por múltiplas fontes de receita. A produção de
etanol se beneficia da demanda garantida pelas metas de mistura estabelecidas
pelo governo, enquanto a ureia atende a um mercado interno que ultrapassa 33
milhões de toneladas anualmente. A eletricidade gerada por meio de sistemas
agrivoltaicos e consumida internamente pode reduzir os custos de energia
industrial em aproximadamente 35% a 50%, dependendo da estrutura tarifária de
eletricidade do estado. Além disso, o sistema garante a comercialização da
energia gerada pelos agricultores que adotam sistemas agrivoltaicos.
Os mercados de carbono podem
fornecer uma fonte adicional de receita. A captura de CO2, a
substituição de insumos de origem fóssil e o uso de eletricidade renovável
podem gerar reduções de emissões verificáveis. Essas reduções podem ser
monetizadas por meio de mercados de carbono voluntários, melhorando a
viabilidade geral do projeto.
Os benefícios se estendem a
todas as partes interessadas. Os agricultores obtêm renda tanto da produção
agrícola quanto da geração de eletricidade, reduzindo os custos de insumos e
melhorando a estabilidade da renda. A indústria pode reduzir a exposição às
flutuações do preço do gás e diversificar as oportunidades de receita. Para o
governo, a menor dependência de fertilizantes e matérias-primas importadas pode
reduzir tanto os gastos com importações quanto a pressão sobre os subsídios.
Considerando os bilhões de dólares que a Índia gasta anualmente com importações
de fertilizantes, mesmo uma substituição parcial poderia gerar economias
fiscais significativas.
O modelo também apoia o desenvolvimento econômico rural. Em vez de depender exclusivamente de grandes instalações centralizadas, podem surgir polos integrados nas regiões produtoras de milho. Esses polos podem gerar empregos em diversos setores, como agricultura, processamento, geração de energia, manufatura e logística, ao mesmo tempo que retêm maior valor nas economias locais.
Rumo a Atmanirbharta na produção de fertilizantes
Muitos dos elementos
fundamentais já existem. O futuro programa KUSUM 2.0 deverá apoiar 10 GW de
instalações agrivoltaicas em todo o país, enquanto as políticas de incentivo ao
etanol continuam a estimular a procura por milho. O que ainda falta é uma
estrutura que ligue estes componentes num sistema coerente.
Criar essa ligação exigirá
ação coordenada. Estados podem identificar regiões adequadas para o cultivo de
milho e desenvolver polos de produção. Organizações de produtores rurais,
grupos de autoajuda e cooperativas podem apoiar a agregação e a implementação.
Padrões para ureia de baixo carbono podem ajudar a criar sinais de mercado e
estimular a demanda. O financiamento pode contar com apoio público,
investimento privado, títulos verdes e receitas de carbono para melhorar a
viabilidade econômica dos projetos e atrair capital.
A Índia tem dependido de importações e subsídios para garantir o fornecimento de fertilizantes, mas essa abordagem continua vulnerável a choques globais de preços e oferta. A integração de agrivoltaica, bioetanol e produção de ureia oferece um caminho para a autossuficiência (Atmanirbharta) na produção de fertilizantes — um caminho que começa não com importações, mas com recursos já presentes nos campos da Índia.
Suhas Sathyakiran é Analista Sênior na equipe de Energias Renováveis, enquanto Saptak Ghosh lidera o setor de Energias Renováveis e Conservação de Energia no Centro de Estudos de Ciência, Tecnologia e Política (CSTEP), um think tank voltado para pesquisa. (pv-magazine-brasil)