O El Niño altera os padrões
climáticos globais e, no Brasil, costuma trazer mais dias de céu limpo e seco
para o Norte e interior do Nordeste, impulsionando a geração solar nessas
regiões. No entanto, no Sul, o aumento das chuvas pode reduzir a eficiência
fotovoltaica.
Compreender como o fenômeno
atua é fundamental para avaliar o desempenho do seu sistema:
• Aumento da irradiação
(Norte e Nordeste): O fenômeno reduz as chuvas e a nebulosidade persistente.
Como a incidência de raios solares aumenta, o rendimento dos painéis tende a
ser superior à média nessas áreas.
• Queda de rendimento por
calor extremo (Centro-Oeste e Sudeste): Embora haja menos nuvens, o calor
extremo e contínuo diminui levemente a eficiência dos módulos solares, já que
os inversores e painéis operam melhor em temperaturas mais amenas.
• Redução na geração (Sul):
Na região Sul, o El Niño frequentemente provoca chuvas intensas e prolongadas,
o que reduz a captação de luz solar e a geração diária de energia.
Para entender detalhadamente
como o El Niño altera a sua região e como otimizar o uso da energia, você pode
ler mais sobre a pv magazine Brasil ou conferir o artigo sobre AXS Energia para
entender o papel estratégico da fonte solar em momentos de instabilidade
climática.
No Brasil, os efeitos mais
favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do
Nordeste. Já no Sul do país, o cenário costuma ser oposto. No entanto, esse
comportamento não é uniforme.

O clima é aquilo que
esperamos. O tempo é aquilo que acontece”. A famosa frase atribuída ao escritor
Mark Twain resume bem um dos principais desafios do setor elétrico diante do El
Niño. Embora o fenômeno tenha padrões conhecidos, seus impactos reais sobre a
geração solar estão longe de seguir uma receita fixa. No Brasil, isso significa
que o mesmo evento capaz de ampliar a irradiância e favorecer a geração
fotovoltaica em regiões estratégicas também pode aumentar riscos operacionais
ligados ao excesso de calor, tempestades severas e irregularidade atmosférica,
exigindo monitoramento constante por parte do setor energético.
Segundo atualização divulgada
pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) em 14 de maio, há 82%
de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho e 96% de
chance de permanência durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027.
Caracterizado pelo
aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, o El Niño altera
significativamente os padrões de circulação atmosférica ao redor do planeta,
modificando o comportamento das chuvas, temperaturas, vento e nebulosidade.
No Brasil, os efeitos mais
favoráveis à geração solar tendem a se concentrar no Norte e no interior do
Nordeste. Nessas regiões, o El Niño costuma reduzir as chuvas durante a
primavera e início do verão (setembro a dezembro), favorecendo a
disponibilidade de irradiância solar. A nebulosidade não desaparece
completamente, mas passa a ocorrer de forma mais irregular e menos persistente.

Sistemas típicos da estação
chuvosa, como corredores de umidade e episódios de Zona de Convergência do
Atlântico Sul (ZCAS), tornam-se menos frequentes. Como consequência, há maior
incidência de radiação solar em uma época do ano normalmente marcada por céu
mais encoberto.
Parte desse comportamento
pode beneficiar parcialmente áreas do norte de Mato Grosso, Goiás e Minas
Gerais, onde o aumento da irradiância tende a favorecer o desempenho dos
sistemas solares.
No Sul do país, o cenário
costuma ser oposto. O aumento da frequência de sistemas frontais, períodos
prolongados de nebulosidade e eventos de chuva intensa reduzem a
disponibilidade de irradiância e podem impactar negativamente a geração solar.
No entanto, esse
comportamento não é uniforme. A distribuição da precipitação na região também
depende de fenômenos de menor escala, como a Oscilação de Madden-Julian (MJO),
que influencia a organização de sistemas convectivos em escala semanal, e a
Oscilação Antártica (AAO), que modula a posição de frentes frias. Esses
mecanismos podem deslocar áreas de precipitação ao longo do tempo, evitando
impactos simultâneos nos três estados do Sul. Em alguns casos, a chuva pode ser
muito volumosa na Argentina, Uruguai e Paraguai e ter dificuldade de chegar ao
Sul do Brasil, como ocorreu em dezembro de 2023, por exemplo.
Além disso, parte relevante
das chuvas intensas na região está associada a Sistemas Convectivos de
Mesoescala (SCMs), que frequentemente se formam durante a madrugada e o início
da manhã. Isso significa que nem todos os eventos de chuva volumosa
comprometem, necessariamente, os períodos de maior geração solar ao longo do
dia.
No
Sudeste e no Centro Oeste, porém, o comportamento atmosférico associado ao El
Niño tende a ser mais variável. Dependendo da configuração de cada evento,
estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul podem apresentar um padrão mais
úmido, semelhante ao Sul, como ocorreu em 2015, ou condições mais secas, como observado
em novembro e dezembro de 2023.
O principal ponto é que
nenhum episódio de El Niño é idêntico, já que a interação com outros fenômenos
atmosféricos pode alterar significativamente os efeitos esperados. Um dos
principais exemplos é o Atlântico Tropical Sul: quando suas águas apresentam
temperaturas mais elevadas, há maior disponibilidade de umidade na atmosfera, o
que pode, em alguns casos, compensar parcialmente os efeitos clássicos do
fenômeno e favorecer a ocorrência de chuvas no Centro-Norte do Brasil,
especialmente entre janeiro e abril.
Sistemas regionais também
exercem influência relevante. Na faixa costeira do Nordeste, o posicionamento
do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) exige atenção. Embora o centro do
sistema esteja associado a condições mais estáveis, suas bordas favorecem chuva
e aumento da nebulosidade. Em determinados episódios de El Niño, o VCAN pode se
posicionar de forma a manter essas áreas mais instáveis sobre polos de geração
solar, reduzindo a irradiância por vários dias consecutivos.
Como o El Niño dificulta a
organização de corredores de umidade e aumenta as temperaturas, ele também
tende a intensificar a ocorrência de tempestades isoladas em regiões do
Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Essas pancadas, geralmente
concentradas entre a tarde e a noite, podem apresentar alta intensidade, com
raios, granizo e rajadas de vento que superam 80 km/h, elevando o risco de
danos às estruturas fotovoltaicas.
A questão das temperaturas
elevadas completa o cenário de atenção. Apesar de o excedente de irradiância
favorecer a geração solar, o calor excessivo reduz a eficiência dos módulos
solares, que perdem capacidade de conversão em condições térmicas extremas. A
situação piora em ondas de calor, porque as altas temperaturas persistem por
mais tempo.
Nesse contexto, o principal
desafio do setor elétrico é lidar com a variabilidade das condições
atmosféricas. A performance dos ativos passa a depender não apenas da
irradiância média, mas também da ocorrência de eventos extremos e da dinâmica
entre fenômenos atmosféricos de diferentes escalas.

El Niño: o que é, por que
ocorre e como o aquecimento global o torna pior
Ele é um fenômeno natural,
que sempre causou enchentes, secas e incêndios. Mas o aquecimento global
acentua seus efeitos catastróficos.
O monitoramento climático
contínuo, apoiado por plataformas como o TOKsolar, da Tempo OK, que oferece
séries históricas e climatologias detalhadas de irradiância solar, deixa de ser
um diferencial e passa a ocupar papel central na estratégia das empresas de
energia. (pv-magazine-brasil)