quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Gigante chinês de vidros automotivos anuncia teto solar integrado ao veículo

Teto solar que gera energia!

O Fuyao Group, maior fabricante mundial de vidros automotivos, confirmou que atingiu capacidade técnica para produção em massa de tetos solares com células fotovoltaicas embutidas no vidro laminado. A tecnologia converte a luz do sol em eletricidade para alimentar sistemas auxiliares do veículo, marcando a transição de protótipos para o mercado comercial em larga escala.

Como Funciona a Tecnologia

• Integração: Células solares ficam presas dentro do vidro laminado do teto.

• Potência e Eficiência: Especula-se na mídia automotiva um rendimento de até 720 W com 23,18% de eficiência de conversão.

• Aplicações Práticas: A energia gerada alimenta cargas de baixa potência e sistemas em standby, além de auxiliar no pré-resfriamento do ar-condicionado enquanto o carro está estacionado ao sol.

Para Que Serve e Limitações

• Não move o carro: A área de um teto automotivo é pequena demais para recarregar a bateria de tração principal para rodagem.

• Foco em comodidade: Evita o descarregamento da bateria de 12V e mantém sistemas eletrônicos ativos sem gastar a autonomia principal do elétrico.

• Parcerias de mercado: Rumores apontam o uso inicial da inovação em opcionais de marcas como a BYD, embora a Fuyao mantenha a confidencialidade de clientes específicos. Para acompanhar mais detalhes institucionais diretamente no site oficial da Fuyao Group.

A Fuyao Glass confirmou capacidade de produção em escala de vidros para tetos solares com células fotovoltaicas incorporadas ao vidro automotivo laminado para alimentar cargas auxiliares dos veículos. Embora relatos tenham associado a tecnologia a modelos da BYD e citado números elevados de potência e eficiência, essas informações ainda não foram confirmadas pela Fuyao, que avança na comercialização da tecnologia fotovoltaica integrada a veículos.

Fuyao Group, maior fabricante mundial de vidros automotivos, confirmou o desenvolvimento de vidros para tetos solares com células fotovoltaicas incorporadas e afirmou ter capacidade para fabricar o produto em escala, após relatos anteriores associarem a tecnologia a veículos da BYD.

A Fuyao informou que o produto incorpora células solares ao vidro automotivo laminado, permitindo converter a luz solar em eletricidade para alimentar cargas auxiliares do veículo. A empresa descreve a tecnologia como um “teto solar”, e não como um sistema fotovoltaico que cobre todo o teto do veículo. Segundo as informações oficiais sobre o produto, a eletricidade gerada pode ser utilizada para alimentar equipamentos elétricos embarcados.

A tecnologia não é inteiramente nova para a Fuyao. Em maio/2024, a empresa informou a investidores que havia alcançado capacidade de produção em massa de vidros para tetos solares e que fornecia o produto para programas automotivos nos quais os clientes demandavam a solução. As divulgações mais recentes, portanto, parecem indicar avanços na comercialização, e não a conclusão do desenvolvimento da tecnologia.

Desde fevereiro, diversos veículos de imprensa automotivos chineses afirmaram que o sistema havia sido desenvolvido em conjunto com a BYD e seria oferecido nos modelos Han e Tang por um preço opcional de CNY 8.000 (US$ 1.190). Outros números amplamente divulgados incluem potência de pico de 720 W e eficiência de conversão de 23,18%, com base em células solares de heterojunção (HJT).

No entanto, nem a Fuyao nem a BYD publicaram especificações técnicas ou um anúncio conjunto que confirme esses números. Durante uma reunião com investidores em março, a Fuyao se recusou a identificar seus clientes ou divulgar preços, afirmando que ambas as informações eram comercialmente confidenciais.

Recentemente, a Fuyao informou que suas fábricas de Fuqing Yangxia e Hefei haviam alcançado, cada uma, capacidade de produção de 3 milhões de conjuntos de vidros automotivos até o final de 2025 e estavam ampliando a produção em 2026. A empresa não informou qual parcela dessa capacidade, se houver, é destinada aos tetos solares.

A energia fotovoltaica integrada a veículos (VIPV, na sigla em inglês) dificilmente substituirá o carregamento convencional de veículos elétricos, devido à área limitada disponível nos automóveis de passeio. Seu papel mais imediato provavelmente será fornecer energia para cargas auxiliares de baixa potência enquanto os veículos estão estacionados, reduzindo potencialmente o consumo da bateria e dando suporte à ventilação e a outras funções em modo de espera.

O avanço da Fuyao em direção à produção em volume indica que a aplicação de energia fotovoltaica em veículos está passando de uma solução predominantemente experimental para um produto com maior potencial de comercialização. (pv-magazine-brasil)

Geração solar cresce 24,7% em 2025

Geração solar cresce 24,7% em 2025, aponta Atlas do MME.
A geração solar fotovoltaica no Brasil cresceu 24,7% em 2025, alcançando a marca de 88,1 TWh e uma capacidade instalada total de 64,8 GW, conforme dados divulgados no Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional (BEN) pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Dados do Setor Solar em 2025

• Crescimento percentual: Alta de 24,7% na geração em comparação ao ano anterior.

• Volume gerado: 88,1 TWh de energia solar fotovoltaica.

• Capacidade instalada: Atingiu 64,8 GW no país.

• Outras fontes renováveis: A energia eólica registrou um crescimento de 8,2% no mesmo período.

Fontes solar e eólica respondem por 26,4% da geração elétrica brasileira; participação de renováveis chega a 49,4% na matriz energética e a 86,8% na matriz elétrica, enquanto país avança na implementação de políticas voltadas à transição energética e estabelece meta de até 81% de renovabilidade na matriz energética em 2055.

A geração de energia solar cresceu 24,7% em 2025 no Brasil, enquanto a geração eólica avançou 8,2% e a bioeletricidade, 8,5%. Os dados integram a versão 2026 do Atlas Brasileiro da Transição Energética – Recorte dos Estados, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com cooperação técnica da Agência Internacional de Energia (IEA).

Segundo o Atlas, a expansão das fontes renováveis contribuiu para que a participação de renováveis na matriz energética brasileira chegasse a 49,4% em 2025. Na matriz elétrica, a participação das fontes renováveis alcançou 86,8% no mesmo ano.

Consideradas conjuntamente, a geração eólica e a solar fotovoltaica responderam por 26,4% da geração elétrica total do país em 2025. O Atlas registra ainda uma redução de 5,7% na geração hidráulica, atribuída a condições hidrológicas menos favoráveis, parcialmente compensada pelo aumento da geração termelétrica.

Transição energética

O Atlas destaca que o Brasil mantém uma posição de destaque no cenário internacional da transição energética, apoiada pela participação das fontes renováveis na matriz energética e elétrica. O documento também aponta que o país atualizou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), estabelecendo como horizonte a neutralidade climática até 2050.

No âmbito institucional, o levantamento destaca a Política Nacional de Transição Energética (PNTE), instituída pela Resolução CNPE nº 5, de 2024, o Plano Nacional de Transição Energética (Plante) e o Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) como instrumentos estruturados para orientar o processo de transição energética no país.

O Plante estabelece diretrizes de longo prazo para que o Brasil alcance até 81% de participação renovável na matriz energética em 2055. O plano foi submetido a consulta pública entre abril e junho/2026 e prevê ciclos de revisão a cada 4 anos.

País adicionou 14,5 GWp de potência fotovoltaica em 2025, queda de 23% em relação ao ano anterior.

Emissões

O Atlas também apresenta indicadores relacionados às emissões do setor energético. De acordo com o levantamento, o Brasil registra 2,1 toneladas de CO2 equivalente per capita e 67,5 kg de CO2 equivalente por MWh na geração elétrica. O documento destaca que os indicadores são inferiores às médias de Estados Unidos, China e União Europeia.

O Atlas Brasileiro da Transição Energética – Recorte dos Estados é uma base pública de informações sobre políticas, instrumentos e iniciativas relacionadas à transição energética. A plataforma foi desenvolvida pelo MME em parceria com a EPE e conta com cooperação técnica da IEA.

O levantamento é estruturado em 2 eixos. O Eixo Normativo reúne políticas, planos, programas, marcos legais e instrumentos regulatórios federais e estaduais. Já o Eixo Executivo registra projetos, ações e iniciativas em implementação.

A metodologia segue parâmetros de padronização, comparabilidade e rastreabilidade de dados, em linha com recomendações da IEA sobre governança da transição energética. Os registros são organizados por instrumentos de política — políticas, planos, programas, projetos e ações — e por temas relacionados à transição energética.

O que será que nos espera para 2026 no mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil?

A edição 2026 utiliza 2025 como ano-base e está dedicada à coleta estruturada das contribuições dos estados e ao cadastramento das informações junto à EPE. A base busca apoiar a formulação de políticas públicas, a cooperação entre os entes federativos e a tomada de decisão baseada em evidências. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

São Paulo acelera eletrificação e América Latina chega a 10 mil ônibus elétricos

Ônibus elétricos circulam pelas ruas de São Paulo; cidade tem a segunda maior frota do tipo na América Latina.

As cidades da América Latina atingiram a marca histórica de 10 mil ônibus elétricos em operação, impulsionadas por Santiago, Bogotá e por São Paulo, que adicionou 500 novos veículos em meados de 2026 e alcançou uma frota municipal eletrificada de 1.759 unidades.

O Marco na América Latina

• Volume total: Mais de 10 mil ônibus elétricos espalhados por cerca de 80 cidades em 13 países.

• Liderança regional: Santiago (Chile), Bogotá (Colômbia) e São Paulo lideram a transição que abandona projetos-piloto rumo à escala real.

• Impacto ambiental conjunto: A redução estimada chega a 10 milhões de toneladas de CO₂ evitadas por ano em todo o continente.

Avanços em São Paulo

• Tamanho da frota: 1.759 veículos eletrificados, sendo 1.570 a bateria e 189 trólebus.

• Redução de emissões: Cerca de 130 mil toneladas de CO2 a menos por ano na capital paulista.

• Economia de combustível: Poupança estimada em 57 milhões de litros de diesel anuais.

Cidades da América Latina atingiram a marca de 10 mil ônibus elétricos em operação, segundo dados consolidados pelo E-Bus Radar e divulgados pelo C40 Cities e pelo International Council on Clean Transportation (ICCT).

A frota está espalhada por mais de 80 cidades de 13 países e, em conjunto, evita a emissão estimada de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano.

O levantamento mostra a expansão da eletrificação do transporte coletivo na região, em um movimento que substitui gradualmente ônibus movidos a diesel por veículos de emissão zero no local de operação. Santiago, São Paulo e Bogotá concentram mais de 7 mil dos ônibus elétricos em circulação.

São Paulo tem a segunda maior frota elétrica da América Latina, atrás de Santiago.

A capital paulista chegou a 1.759 veículos em junho, quando incorporou 500 ônibus elétricos de uma só vez, segundo os dados apresentados pela prefeitura e divulgados pelo C40 e pelo ICCT.

São Paulo reduz consumo de diesel

Dos 1. 759 veículos elétricos da capital, 1. 570 são ônibus movidos exclusivamente a bateria e 189 são trólebus. De acordo com os dados divulgados pelo Com40 Cities, a frota evita aproximadamente 130 mil toneladas de CO₂ por ano e reduz o consumo anual de diesel em cerca de 57 milhões de litros.

A prefeitura também estabeleceu uma regra para acelerar a substituição dos veículos a combustão.

Ônibus que chegam ao fim da vida útil não podem ser substituídos por novos veículos a diesel, o que cria uma migração gradual para tecnologias de baixa ou zero emissão.

O sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo atende mais de 7 milhões de passageiros por dia. A escala da operação torna a substituição dos ônibus a diesel uma das principais frentes de redução de emissões no transporte urbano da cidade.

Investimento chega a R$ 6,5 bilhões

A eletrificação, porém, exige investimentos que vão além da compra dos veículos. As cidades precisam instalar carregadores, adaptar garagens e ampliar ou adequar a infraestrutura elétrica.

Em São Paulo, o programa de eletrificação foi estruturado com investimentos estimados em R$ 6,5 bilhões, combinando recursos nacionais e internacionais. Segundo o Com40, participam da estruturação financeira instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O modelo paulista é apresentado pelo Com40 e pelo ICCT como uma alternativa para outras cidades, ao combinar regras para renovação da frota com mecanismos de financiamento.

Desde 2019, as duas organizações, por meio da parceria ZEBRA, trabalham com municípios latino-americanos para estruturar projetos e aproximar governos, instituições financeiras e fabricantes.

A lógica é reduzir o peso do investimento inicial para as administrações municipais e viabilizar compras em maior escala.

Eletrificação avança em outras capitais

A expansão da tecnologia também ocorre em outras cidades brasileiras. Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro têm projetos de eletrificação do transporte coletivo em diferentes estágios.

Em Recife, o governo federal destinou R$ 319 milhões para a compra de 100 ônibus elétricos e da infraestrutura de recarga para a Região Metropolitana.

Segundo o programa Brasil Mutirão, ligado ao C40 e ao Pacto Global de Prefeitos, o projeto contou com apoio técnico para a revisão dos termos de aquisição, a modelagem econômica e a definição das rotas que receberão os veículos.

Em Belo Horizonte, o foco está na infraestrutura necessária para a operação dos primeiros ônibus elétricos da cidade. O projeto prevê a instalação e o comissionamento de 27 carregadores nas garagens e permitirá a operação de aproximadamente 100 veículos. O investimento é financiado pelo Novo PAC.

No Rio de Janeiro, o trabalho está concentrado na preparação dos terminais do sistema municipal para receber futuros ônibus elétricos. Entre as medidas estão estudos sobre infraestrutura de recarga, modelagem econômica e financeira e estruturação dos projetos.

Em Salvador, o programa apoia um projeto para eletrificar pelo menos metade da frota do BRT.

Transporte público entra na transição energética

A marca de 10 mil ônibus mostra que a eletrificação do transporte coletivo deixou de ser restrita a projetos-piloto e passou a integrar políticas públicas de diferentes cidades latino-americanas.

O avanço, segundo C40 e ICCT, depende da combinação entre regras de renovação das frotas, financiamento e infraestrutura.

Como os ônibus urbanos percorrem trajetos definidos e normalmente retornam às garagens, a instalação de pontos de recarga pode ser concentrada em locais específicos, uma característica que favorece a eletrificação do segmento.

O desafio agora é ampliar essa infraestrutura e encontrar modelos de financiamento capazes de levar a tecnologia a um número maior de cidades.

Para além da redução das emissões de carbono, a substituição dos ônibus a diesel também pode reduzir a poluição do ar nas áreas urbanas, aproximando a eletrificação do transporte das políticas de saúde e qualidade ambiental. (biodieselbr)

sábado, 12 de setembro de 2026

Impacto de temperaturas extremas sobre sistemas fotovoltaicos e baterias

Temperaturas extremas reduzem a eficiência de conversão e aceleram a degradação de painéis solares e baterias. O calor excessivo diminui a tensão elétrica dos módulos fotovoltaicos e degrada a capacidade química de armazenamento das baterias, exigindo projetos robustos de dimensionamento e resfriamento.

Impactos nos Sistemas Fotovoltaicos

• Queda de rendimento: O aumento na temperatura das células solares reduz a tensão de circuito aberto, provocando perda de potência máxima.

• Coeficiente térmico: Cada grau acima de 25°C gera uma perda percentual específica de potência informada no manual do fabricante.

• Desgaste de componentes: Cabos, conectores e inversores sofrem estresse térmico elevado, o que acelera o envelhecimento dos materiais isolantes.

• Fenômenos locais: O risco de pontos quentes (hotspots) aumenta sob forte irradiância combinada com falhas de sombreamento ou sujeira.

Impactos nas Baterias de Armazenamento

• Redução da vida útil: O calor extremo acelera reações químicas internas indesejadas, diminuindo o ciclo de vida útil da bateria.

• Perda de eficiência: O aumento da resistência interna reduz a eficiência de carga e descarga do sistema.

• Necessidade de climatização: Sistemas de gerenciamento térmico tornam-se obrigatórios para manter a temperatura operacional dentro de faixas seguras.

• Desbalanceamento de carga: Diferenças térmicas entre racks de baterias provocam desvios no estado de carga (SOC) e falhas operacionais.

A energia fotovoltaica depende da luz solar. Os sistemas de armazenamento de baterias dependem da absorção e liberação de energia precisamente quando a rede elétrica precisa dela. Ambos parecem uma combinação ideal para os dias quentes de verão: muita luz solar, alta geração, aumento da demanda de eletricidade devido à necessidade de refrigeração e maior flexibilidade para a rede. Na prática, a questão é mais complexa.
Ondas de calor na Europa estão se tornando a norma. A forte incidência de luz solar não é o problema. O fator crítico é a temperatura. Os módulos solares são avaliados em condições padrão de teste: irradiância de 1.000 watts por metro quadrado e temperatura da célula de 25°C. Em campo, as temperaturas das células em dias quentes são significativamente mais altas. Os módulos podem atingir temperaturas consideravelmente superiores à temperatura do ar ambiente.

Nas células solares cristalinas, a potência normalmente diminui à medida que a temperatura aumenta. Se a temperatura da célula não for de 25°C, mas de 65°C, isso corresponde a uma perda de potência de aproximadamente 16% em comparação com as condições padrão, considerando um coeficiente de temperatura de menos 0,4% por grau.

Para os operadores, essa distinção é crucial. Aqueles que analisam apenas os números brutos de geração estão deixando de considerar o quadro mais amplo. A questão mais importante é: o sistema fotovoltaico produziu conforme deveria sob as condições reais de irradiância e temperatura?

Temperaturas extremas raramente são a única causa de um problema. Muitas vezes, elas revelam fragilidades já existentes. Entre elas estão módulos sujos, sombreamento parcial, vegetação e áreas de células danificadas. Sob alta irradiância, os fluxos de corrente e os estresses térmicos aumentam. Pequenos desequilíbrios podem, portanto, tornar-se mais evidentes.

Um exemplo típico são os hotspots. Eles ocorrem quando determinadas áreas das células são submetidas a cargas maiores do que o restante do módulo. Sob forte irradiância, um efeito elétrico localizado pode se transformar em um problema térmico.

O armazenamento em baterias torna a questão sistêmica mais complexa

Com o armazenamento em baterias, a questão do calor se torna ainda mais relevante, pois ele altera a lógica operacional de todo o sistema. Um sistema de armazenamento pode absorver o excesso de energia solar, suavizar os picos de injeção, reduzir o curtailment, deslocar a eletricidade para horários de maior valor, prestar serviços à rede e estabilizar os perfis de carga. É precisamente por isso que o armazenamento está se tornando cada vez mais importante em mercados com elevada participação da energia fotovoltaica.

Mas os dispositivos de armazenamento de energia têm sua própria física: as baterias de íons de lítio envelhecem por meio do envelhecimento de calendário e do envelhecimento por ciclos. Temperatura, estado de carga, profundidade de descarga, taxa C, períodos de inatividade e estratégia operacional influenciam a velocidade com que a capacidade e o desempenho diminuem. Estudos mostram claramente que temperaturas elevadas, estados de carga elevados e ciclos profundos podem acelerar o envelhecimento.

O calor também afeta os sistemas de armazenamento em vários níveis. Os sistemas de refrigeração precisam trabalhar mais, o autoconsumo aumenta e as reservas térmicas diminuem. Os sistemas de baterias podem reduzir seu desempenho quando as temperaturas das células, racks ou contêineres atingem limites críticos. Ao mesmo tempo, períodos prolongados de alta temperatura e alto estado de carga podem acelerar o envelhecimento de calendário.

Isso é particularmente relevante em aplicações acopladas a sistemas fotovoltaicos, nas quais os sistemas de armazenamento são rapidamente carregados ao meio-dia e, em seguida, permanecem por horas com alto estado de carga e alta temperatura ambiente.

A segurança também é uma questão fundamental. Os sistemas modernos de baterias contam com sistemas de gerenciamento de baterias, sensores de temperatura, conceitos de proteção contra incêndio e lógica de desligamento. Ainda assim, a fuga térmica continua sendo um risco significativo. Estudos indicam que um defeito interno na célula, depois que ela deixa o processo de fabricação, não pode ser completamente descartado pela tecnologia operacional.

Por isso, é fundamental impedir a propagação, medir os gases liberados e projetar e operar os sistemas de maneira que uma única falha não se transforme em um evento sistêmico.
Fotovoltaica e armazenamento devem ser considerados em conjunto

Nos sistemas híbridos, dois efeitos convergem: o sistema fotovoltaico produz uma quantidade substancial de energia sob alta irradiância, mas perde parte de seu potencial de geração devido às elevadas temperaturas das células. O sistema de armazenamento deve absorver o excedente de energia, deslocar os picos de carga e estabilizar a rede elétrica, mas também fica sujeito a um estresse maior devido às altas temperaturas.

Isso cria objetivos conflitantes na operação. Um sistema de armazenamento pode ser totalmente carregado ao meio-dia, mesmo quando a temperatura ambiente está elevada. Ele pode permanecer com alto nível de carga por horas. Pode ser fortemente descarregado à noite, enquanto o resfriamento, a carga da rede e os sinais de preços estão todos em jogo. Cada uma dessas decisões pode ser economicamente justificável. Ou pode se tornar cara no longo prazo.

Portanto, o que importa não é um único modo de operação, mas a avaliação contínua dos casos de uso. Os ganhos potenciais provenientes de comercialização de energia, otimização do autoconsumo ou serviços à rede devem ser constantemente ponderados em relação às perdas de eficiência, ao estresse térmico e ao envelhecimento adicional. Os sistemas modernos de gerenciamento de energia realizam essa tarefa e reavaliam continuamente as condições técnicas, os sinais do mercado e da rede, derivando dessa análise a estratégia operacional adequada. Veja a que os operadores devem estar atentos:

1. A lógica térmica começa no projeto da usina

O sombreamento geralmente é prejudicial aos painéis solares porque reduz a geração, agrava os efeitos de incompatibilidade e pode favorecer a formação de hotspots. No entanto, o sombreamento direcionado pode ser benéfico para os sistemas de armazenamento em baterias, pois reduz o estresse térmico e alivia a carga sobre o sistema de refrigeração.

Isso parece trivial, mas, na prática, rapidamente se transforma em um verdadeiro conflito de objetivos. O que proporciona a máxima geração para a área fotovoltaica não é automaticamente a melhor solução para contêineres de armazenamento, inversores, subestações ou quadros elétricos.

Por isso, o projeto de um sistema também deve considerar como ele se comporta em dias quentes. Onde ocorre o acúmulo de calor? Quais componentes ficam permanentemente expostos à luz solar direta? Quão bem os sistemas de armazenamento, inversores e a infraestrutura elétrica são ventilados ou protegidos do sol? Qual é a facilidade de acesso aos componentes críticos para manutenção, inspeção e acesso do corpo de bombeiros?

2. Teste a capacidade de controle sob condições de estresse

Para sistemas fotovoltaicos com armazenamento, não basta simplesmente verificar se os componentes individuais estão funcionando. O fator crucial é saber se o sistema como um todo permanece controlável quando várias demandas estão presentes simultaneamente: alta irradiância, altas temperaturas, requisitos da rede, estratégia de armazenamento, limites dos inversores e cronogramas de operação econômica.

Os operadores devem, portanto, não apenas avaliar o conceito de controle no papel, mas também validá-lo em operação. Os setpoints são adotados de forma confiável? O sistema reage corretamente às especificações no ponto de conexão à rede? O controle de potência ativa e reativa funciona mesmo sob alta carga? As taxas de rampa são mantidas? A operação do armazenamento é ajustada quando a temperatura, o estado de carga ou os limites de derating tornam essa operação inadequada? E está claramente documentado quando e por que o sistema foi regulado ou sofreu curtailment?

3. A qualidade dos dados é a base de toda avaliação

O próximo passo é estabelecer uma base de dados confiável. Irradiância, temperatura ambiente, temperatura dos módulos, vento, dados dos inversores, dados das strings, temperaturas das baterias, estado de carga e condições operacionais devem ser plausíveis.

Sensores defeituosos levam a diagnósticos incorretos. Diagnósticos incorretos levam a deslocamentos desnecessários para manutenção ou a problemas que não são identificados.

4. O desempenho deve ser avaliado com correção de temperatura

Os operadores também devem utilizar uma lógica de comparação. Strings individuais, inversores, seções de trackers, subsistemas ou contêineres de armazenamento devem ser comparados com unidades semelhantes durante o mesmo período.

Se todas as áreas reagem de maneira semelhante ao calor, isso sugere um efeito geral da temperatura. Se áreas individuais apresentam diferenças significativas, isso indica um problema localizado.

5. Priorize de forma consistente os riscos locais

Hotspots, sombreamento e sujeira devem ser priorizados de forma consistente. Especialmente sob alta irradiância solar, os efeitos locais podem ter um impacto maior. O controle da vegetação, as estratégias de limpeza, a termografia e a inspeção visual não devem, portanto, ser considerados isoladamente, mas como parte de uma estratégia abrangente de gerenciamento de riscos.

A infraestrutura elétrica também merece mais atenção: conectores, cabos, caixas de junção, caixas de distribuição, quadros elétricos e transformadores estão todos sujeitos a estresse durante períodos de calor.

6. Os dispositivos de armazenamento precisam de transparência térmica

Para os sistemas de armazenamento em baterias, uma boa operação começa com a transparência térmica. As temperaturas das células, módulos, racks e contêineres não devem apenas ser medidas, mas também avaliadas dentro de seu contexto. Não é relevante apenas a temperatura máxima absoluta, mas também a distribuição da temperatura. Grandes variações de temperatura dentro de um sistema podem indicar problemas de refrigeração, questões relacionadas ao fluxo de ar, falhas nos sensores ou distribuição desigual da carga.

7. Controle conscientemente o nível de carga e o envelhecimento

As faixas de estado de carga (SOC) devem ser cuidadosamente selecionadas. Um sistema de armazenamento não precisa ser mantido constantemente próximo de 100% de SOC apenas porque há muita energia fotovoltaica disponível. Especialmente em temperaturas ambientes elevados, pode ser vantajoso desenvolver estratégias operacionais para que estados de carga elevados não sejam mantidos por mais tempo do que o necessário.

O sistema de refrigeração também deve ser tratado como um componente crítico. Sistemas de HVAC ou de refrigeração líquida não são componentes secundários. Eles garantem desempenho, vida útil e segurança. Filtros, dutos de ar, refrigerantes, compressores, bombas, sensores e redundâncias devem ser incluídos nos planos de manutenção.

8. Leve a sério os indicadores iniciais e os alarmes

Indicadores iniciais importantes também incluem: aumento das diferenças de temperatura entre racks, desvios perceptíveis na tensão das células, aumento da resistência interna, redução da eficiência de ida e volta, maior frequência de derating, desvios inesperados de SOC, erros de comunicação ou tempos de operação incomuns do sistema HVAC.

Um único sinal não constitui uma emergência. Juntos, eles podem formar um padrão.

9. Acompanhe sistematicamente as ondas de calor

Após uma onda de calor, o sistema não deve retornar automaticamente à operação normal. Os dias quentes fornecem dados valiosos: quais inversores sofreram derating primeiro? Quais strings apresentaram desvios? Quais dados dos sensores eram implausíveis? Quais áreas de armazenamento apresentaram atividade térmica incomum? Quais alarmes foram úteis e quais foram apenas ruído? Essas análises levam a uma operação aprimorada.
Sistemas de armazenamento de energia de bateria (BESS)

O que nós, como setor, podemos aprender com isso

As ondas de calor são, portanto, mais do que apenas um evento extremo sazonal. Elas são um teste prático para verificar se os sistemas fotovoltaicos, de armazenamento e híbridos podem ser compreendidos e gerenciados ao longo de todo o seu ciclo de vida. A avaliação sistemática dessas fases fornece insights não apenas sobre os componentes individuais, mas também sobre a qualidade do modelo operacional como um todo.

A energia solar funciona através da captura sistemática da luz do sol e sua subsequente transformação em eletricidade utilizável para residências, empresas e indústrias.

Esse processo ocorre por meio de células fotovoltaicas que convertem a radiação em corrente elétrica, a qual é posteriormente adaptada por inversores para se tornar compatível com os equipamentos convencionais da rede elétrica. (pv-magazine-brasil)

Escolas do litoral paulista receberão 1,3 MW de energia solar

Governo do Estado destina de R$ 6 milhões prevê 1,7 GWh de geração anual em 40 unidades de ensino de 12 municípios; sistemas devem suprir cerca de 75% do consumo das escolas.
O Governo de São Paulo iniciou a execução de um projeto que levará geração solar a 40 escolas estaduais do litoral paulista. A iniciativa, realizada em parceria com a Neoenergia Elektro, prevê a instalação de sistemas fotovoltaicos que somarão 1,3 MW de potência e deverão produzir aproximadamente 1,7 GWh de eletricidade por ano.

Com investimento estimado em R$ 6 milhões, financiado integralmente pelo Programa de Eficiência Energética/PEE da Agência Nacional de Energia Elétrica/ANEEL, o projeto também inclui diagnósticos do consumo de cada unidade e intervenções nos sistemas de iluminação.

A expectativa é que a geração solar corresponda a aproximadamente 75% da demanda elétrica das escolas participantes. O volume anual de energia projetado equivale, segundo o governo estadual, ao consumo de cerca de 770 residências.

As unidades foram selecionadas pela Secretaria da Educação (Seduc) e estão distribuídas por 12 municípios: Bertioga, Cananéia, Guarujá, Ilhabela, Ilha Comprida, Iguape, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Registro e Ubatuba.

Ao todo, a iniciativa deverá alcançar diretamente cerca de 29 mil estudantes, professores e funcionários.

Diagnóstico energético e modernização

Antes da implantação das medidas de eficiência, cada escola passará por uma avaliação das instalações e do perfil de consumo. O objetivo é identificar pontos de desperdício e oportunidades para reduzir a utilização de eletricidade.

Uma das frentes previstas é a atualização dos sistemas de iluminação, com foco na redução do consumo e na melhoria das condições dos ambientes escolares.

O projeto também considera o aumento da demanda provocado pela utilização de aparelhos de ar-condicionado nas escolas. De acordo com o governo paulista, a expansão da climatização elevou a carga elétrica das unidades, embora tenha contribuído para melhores condições de trabalho para professores e de aprendizagem para os alunos.

A combinação entre eficiência energética e geração fotovoltaica deverá, portanto, reduzir parte desse impacto e diminuir as despesas do Estado com eletricidade.

Para a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a geração solar é particularmente adequada às escolas porque boa parte do consumo ocorre durante o período diurno. Segundo ela, a iniciativa também está alinhada às políticas estaduais de transição energética e expansão da geração renovável.

Resende afirma ainda que a economia obtida com a redução das despesas de energia poderá liberar recursos para outras áreas do governo. As escolas também deverão funcionar como espaços de aprendizado sobre geração limpa, eficiência energética e economia de baixo carbono.

Energia solar como ferramenta de educação ambiental

Além da redução da conta de energia, o projeto pretende incorporar a sustentabilidade ao cotidiano das escolas. A expectativa do governo é que os sistemas fotovoltaicos sirvam como exemplos práticos para estudantes e comunidades sobre produção de energia renovável e uso consciente da eletricidade.

O secretário da Educação de São Paulo, Renato Feder, destaca que a iniciativa combina redução de custos com ações de educação ambiental e inovação dentro das unidades de ensino.

A Neoenergia Elektro, responsável pelo investimento no âmbito do PEE, atende 223 municípios paulistas. Para a vice-presidente da Neoenergia, Solange Ribeiro, a implantação das usinas permite aproximar a transição energética da população e dos ambientes educacionais.

A executiva também ressalta que a companhia investiu R$ 113 milhões em projetos de eficiência energética em 2025, com ações que alcançaram mais de 160 mil unidades consumidoras no país.

Programa solar também contempla municípios

O projeto nas escolas ocorre paralelamente a outra iniciativa do governo paulista voltada à expansão da geração solar no setor público. Início de julho/26, o Estado divulgou a relação de 214 municípios classificados para projetos de geração fotovoltaica destinados às prefeituras.

A iniciativa busca reduzir os gastos municipais com eletricidade e ampliar a adoção de soluções de energia renovável, além de contribuir para as políticas estaduais de combate às mudanças climáticas. O programa está relacionado às metas do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e do Plano Estadual de Energia (PEE 2050).

Na 1ª etapa, estão previstos R$ 5 milhões do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). A classificação dos municípios foi publicada no Diário Oficial do Estado e antecede a convocação das prefeituras para apresentação da documentação necessária, conforme a disponibilidade de recursos.

Escolas do litoral de SP terão 75% da demanda suprida por energia solar

Do litoral norte ao sul: escolas de SP terão 75% da demanda suprida por energia solar.

Projeto de R$ 6 milhões prevê instalação de sistemas fotovoltaicos em 40 escolas de 12 municípios do litoral paulista. (pv-magazine-brasil)