domingo, 2 de agosto de 2026

A nova fronteira da energia nuclear

“Nova fronteira” da energia limpa, fusão nuclear tem investimentos de Gates, Bezos e outros bilionários

Startups e governos estão criando iniciativas para gerar energia a partir do processo inverso do que é utilizado hoje.

A nova fronteira da energia nuclear é marcada pelo avanço dos SMRs (Reatores Modulares Pequenos), pelo uso do tório como combustível limpo e seguro, por usinas subterrâneas e flutuantes. No Brasil, a expansão foca em triplicar a capacidade até 2050, na conclusão da usina de Angra 3 e na extração de urânio em Santa Quitéria.

A inovação na indústria atômica global e nacional vai muito além das tradicionais usinas em grande escala, apresentando as seguintes frentes principais:

1. Reatores Modulares Pequenos (SMRs)

• O que são: Usinas de 30 MW a 300 MW construídas em fábricas e montadas no local, facilitando investimentos (estimados em US$ 670 bilhões até 2050).

• Vantagens: São ideais para abastecer áreas remotas, polos industriais e grandes centros de tecnologia, como data centers.

2. Tório em vez de Urânio

• A nova fronteira do combustível: O uso do tório representa uma mudança radical. Ele oferece um ciclo de combustível que inviabiliza a proliferação de armas nucleares e gera resíduos com toxicidade muito menor e por um período bem mais curto.

3. Soluções Flutuantes e Subterrâneas

• Usinas subaquáticas: Projetos recentes nos Estados Unidos já testam reatores instalados a quase dois mil metros de profundidade, eliminando estruturas visíveis na superfície.

• Usinas nucleares flutuantes: Pioneira no Ártico russo, a tecnologia tem atraído interesse global por levar eletricidade a locais isolados e plataformas offshore de mineração.

4. O Cenário Brasileiro

• Segurança energética: O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo e domina o ciclo do combustível, o que coloca o país — e especialmente o Ceará, com o Projeto Santa Quitéria — no centro da estratégia nuclear.

• Angra 3: Com previsão de término para o fim de 2028, a unidade é uma aposta para garantir a estabilidade do sistema elétrico nacional, equilibrando a intermitência de fontes eólicas e solares.
ETF de energia nuclear: a nova fronteira de investimentos em tecnologia limpa

Existem mais de 80 projetos de SMRs e MRNs em desenvolvimento, distribuídos em cerca de 18 países. E o Brasil possui vantagens estratégicas relevantes, tendo uma das maiores reservas de urânio do mundo, domínio do ciclo do combustível nuclear e capacidade tecnológica em áreas críticas.

A energia nuclear voltou definitivamente ao centro da agenda estratégica global. Após décadas em segundo plano, o setor vive um novo ciclo de expansão impulsionado pelo crescimento acelerado da demanda por eletricidade, necessidade de descarbonização da economia e busca por maior segurança energética em um cenário internacional cada vez mais instável.

A expansão da inteligência artificial, dos data centers, da eletrificação industrial, mobilidade e da economia digital vem pressionando os sistemas elétricos em escala global. Ao mesmo tempo, crises energéticas recentes e tensões geopolíticas expuseram a vulnerabilidade de modelos excessivamente dependentes de combustíveis fósseis importados ou de fontes de geração intermitentes, sem capacidade adequada de armazenamento.

Energia nuclear voltou a ser vista não apenas como fonte limpa, mas como infraestrutura estratégica para garantir fornecimento contínuo, previsível e de baixa emissão de carbono. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os investimentos globais anuais em energia nuclear já ultrapassam US$ 60 bilhões por ano e podem chegar a US$ 120 bilhões anuais na próxima década. Atualmente, mais de 60 reatores nucleares estão em construção no mundo, enquanto diversos países ampliam ou retomam seus programas nucleares.

Mas o movimento mais importante talvez esteja na nova geração de reatores: os Small Modular Reactors (SMRs) e os Micro Reatores Nucleares (MRNs). Enquanto os projetos convencionais exigem investimentos bilionários, longos prazos de construção e elevada complexidade operacional, os SMRs e MRNs foram concebidos para operar de forma modular, flexível e descentralizada.
Cientistas dão novo passo em direção à energia de fusão nuclear quase ilimitada

Os SMRs possuem potência inferior a 300 MW. Já os MRNs operam em escala ainda menor, frequentemente entre 1 MW e 20 MW, permitindo aplicações específicas em regiões remotas, mineração, plataformas offshore, mobilidade, bases militares, pequenos municípios, infraestrutura crítica e data centers.

A principal vantagem desses sistemas está na combinação de segurança energética, baixa emissão de carbono e modularidade. Os projetos utilizam sistemas passivos de segurança, menor área ocupada e capacidade de operação contínua por mais de 10 anos sem necessidade de reabastecimento.

O mercado global percebeu rapidamente o potencial dessa nova tecnologia. A IEA estima que os investimentos acumulados em SMRs poderão atingir US$ 670 bilhões até 2050. Hoje, existem mais de 80 projetos de SMRs e MRNs em desenvolvimento, distribuídos em cerca de 18 países. O interesse crescente das big techs ajuda a explicar parte desse movimento.

Nesse novo cenário, o Brasil possui vantagens estratégicas relevantes. O país reúne uma das maiores reservas de urânio do mundo, domínio do ciclo do combustível nuclear e capacidade tecnológica em áreas críticas, incluindo o reator nuclear para propulsão de submarino e a tecnologia de enriquecimento por ultracentrifugação desenvolvidos no âmbito do programa nuclear da Marinha, além de mão de obra qualificada, instituições nucleares consolidadas e setores industriais capazes de participar da cadeia de suprimentos dos futuros SMRs e MRNs.

O projeto pioneiro de um MRN no país está sendo desenvolvido pela Terminus Energy, startup do Grupo Diamante e controlada da holding Núcleo Brasil Energia Participações. O projeto conta com recursos da Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, da Diamante Energia, e possui parceria com instituições como a CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear, Amazul, INB, CTMSP, institutos de pesquisa e universidades federais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Santa Catarina.
Da energia fóssil a energia nuclear

A iniciativa insere o país em um dos segmentos mais estratégicos da nova economia energética global.

Naturalmente, o avanço do setor exigirá evolução regulatória. O Brasil possui um marco nuclear estruturado e reconhecido internacionalmente, mas o novo ambiente tecnológico tende a demandar modernização institucional para ampliar segurança jurídica, permitir maior participação privada em determinados segmentos e acelerar investimentos.

Na nova economia energética global, os países que liderarem o desenvolvimento de SMRs e MRNs não estarão apenas produzindo energia, mas construindo soberania tecnológica, competitividade industrial e poder estratégico. (brasilenergia)

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Consumo de eletricidade no país pode crescer 130% até 2050

Consumo de eletricidade no Brasil pode crescer 130% até o ano de 2050.
O consumo de eletricidade no Brasil deve saltar dos atuais 764 TWh para cerca de 1.754 TWh até 2050, um aumento de quase 130%, segundo projeções da Envol Energy Consulting. Esse salto será impulsionado principalmente pela expansão dos data centers, pela eletrificação dos transportes e pela substituição de combustíveis fósseis na indústria.

O cenário para as próximas décadas se desenha através dos seguintes pilares:

• O Crescimento Digital: O boom da inteligência artificial e da computação em nuvem requer grandes infraestruturas de processamento de dados.

• Matriz Renovável: O Brasil tem vantagem estratégica para atrair investimentos em infraestrutura digital devido à sua matriz predominantemente limpa e renovável.

• Eletrificação: O aumento da eficiência energética da indústria e a expansão da frota de carros elétricos forçarão a modernização da rede de distribuição e da matriz energética nacional.

Este aumento sem precedentes transformará o mercado energético nas próximas duas décadas e meia, criando desafios de infraestrutura, armazenamento e políticas públicas.

Segundo estudo da consultoria Envol, eletrificação e expansão de data centers devem impulsionar esse crescimento. Os centros de dados têm potencial para alcançar cerca de 23 GW de demanda até 2034.

O consumo de energia elétrica no Brasil deverá mais que dobrar nas próximas décadas, impulsionado pela eletrificação de diversos setores da economia e pela expansão acelerada dos data centers. A projeção é da Envol Energy Consulting, que estima crescimento de aproximadamente 130% na demanda nacional até 2050, passando dos atuais 764 TWh para cerca de 1.754 TWh.

Segundo o estudo, o país reúne condições favoráveis para capturar uma parcela relevante da nova demanda global por infraestrutura digital, especialmente em razão de sua matriz elétrica predominantemente renovável. “A expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais vem elevando a necessidade de grandes centros de processamento de dados, considerados uma das principais fontes de crescimento do consumo de eletricidade em todo o mundo”, explica Mayra Guimarães, gerente consultora da Envol.

Data centers e eletrificação devem elevar consumo de energia no Brasil em 130% até 2050.

Estudo aponta salto na demanda nacional para 1.754 TWh e consolida infraestrutura digital como nova fronteira estratégica do setor elétrico brasileiro.

No Brasil, esse movimento já começa a aparecer nos pedidos de conexão à rede elétrica. Com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Envol avalia que os projetos de data centers em operação, contratados ou em desenvolvimento possuem potencial para alcançar cerca de 23 GW até 2034, consolidando estes empreendimentos como uma nova fronteira estratégica de consumo de energia no país.

Além da digitalização da economia, o estudo aponta que o aumento da renda da população, a maior utilização de equipamentos elétricos, a eletrificação industrial e o crescimento do consumo per capita de energia devem sustentar a expansão da demanda brasileira ao longo das próximas décadas. O processo acompanha uma tendência global conhecida como “Era da Eletricidade”, marcada pela substituição gradual de combustíveis fósseis por eletricidade em setores como transporte, indústria e edificações.

A consultoria alerta, porém, que o desafio não será apenas gerar mais energia. “O avanço da eletrificação e da infraestrutura digital vai transformar o planejamento energético em um dos temas centrais para a competitividade da economia brasileira nas próximas décadas”, destaca Mayra. A expansão da demanda exigirá investimentos significativos em redes de transmissão e distribuição, sistemas de armazenamento e mecanismos de flexibilidade capazes de garantir a segurança e a confiabilidade do fornecimento elétrico.

Consumo elétrico no Brasil mais que duplicará até 2050 puxado por eletrificação e data centers. (pv-magazine-brasil)

Com R$ 34 mi, semiárido ganha 1º centro de pesquisa em energias renováveis

 Paraíba terá centro de pesquisas em energias renováveis com investimento de R$ 34 milhões.

Movimento Econômico Com R$ 34 mi, semiárido ganha 1º centro de pesquisa em energias renováveis O Semiárido brasileiro tem agora sua primeira estrutura dedicada à pesquisa em energias renováveis. O CTERSA foi inaugurado em Campina Grande (PB) com R$ 34 milhões do FNDCT, via Finep/MCTI.

Estrutura será instalada na Paraíba com recursos da Finep e do Governo do Estado para desenvolver pesquisas em energia solar, eólica, hidrogênio verde, armazenamento de energia e combustíveis sustentáveis, aproximando universidades e setor produtivo.

Paraíba receberá o primeiro Centro de Pesquisas em Energias Renováveis voltado ao semiárido brasileiro, empreendimento que contará com investimento de R$ 34 milhões e pretende fortalecer o desenvolvimento de tecnologias voltadas à transição energética na região Nordeste. O projeto reúne recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Governo da Paraíba e busca integrar pesquisa científica, inovação e demandas da indústria.

O novo centro será implantado no estado como um ambiente de pesquisa aplicada, reunindo laboratórios especializados para o desenvolvimento de soluções em energia solar fotovoltaica, energia eólica, armazenamento de energia em baterias (BESS), hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis e digitalização do setor elétrico. A proposta é acelerar a transferência de tecnologia para empresas e formar mão de obra qualificada para um mercado que cresce rapidamente no Nordeste.

Segundo as informações divulgadas, a estrutura também deverá atuar como elo entre universidades, institutos de pesquisa e empresas, permitindo o desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). A expectativa é ampliar a capacidade da região de atrair investimentos em tecnologias voltadas às energias renováveis e à descarbonização da economia.

Vocação do semiárido

A criação do centro ocorre em um momento de expansão dos investimentos em energias renováveis no Nordeste, região que concentra alguns dos maiores parques solares e eólicos do país e reúne condições favoráveis para o desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à transição energética.

Além da elevada disponibilidade de recursos solar e eólico, estados nordestinos vêm ampliando iniciativas relacionadas ao hidrogênio verde, armazenamento de energia e produção de combustíveis de baixo carbono, criando demanda por infraestrutura de pesquisa capaz de apoiar o desenvolvimento tecnológico e a formação de especialistas.

Pesquisa aplicada para a indústria

De acordo com o projeto, o centro deverá atuar em pesquisa aplicada, desenvolvimento de protótipos, ensaios laboratoriais e validação tecnológica, oferecendo suporte tanto para empresas já estabelecidas quanto para startups e novos empreendimentos do setor energético.

Entre os objetivos estão o desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da eficiência dos sistemas de geração renovável, integração entre diferentes fontes de energia, armazenamento eletroquímico, produção de hidrogênio verde e novas aplicações para combustíveis sustentáveis. A estrutura também deverá contribuir para projetos de inovação financiados por programas de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico.

A iniciativa reforça o movimento de descentralização da infraestrutura brasileira de pesquisa em energia, aproximando laboratórios especializados das regiões que concentram a maior expansão da geração renovável e fortalecendo a capacidade de inovação do semiárido brasileiro. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Capacidade instalada de energia solar atingiu 664 GW em 2025

Capacidade instalada de energia solar em todo mundo atinge 664 GW em 2025.
O ano de 2025 foi histórico para a energia solar. O mundo atingiu a marca recorde de 664 GW de nova capacidade instalada, o que elevou a frota global de energia solar para ultrapassar 3 TW no início de 2026. Essa expansão reafirma o protagonismo do setor na matriz energética global.

Os dados do Global Solar Market Outlook 2026-2030 da SolarPower Europe trazem os principais destaques do mercado global:

• Liderança Absoluta: A região Ásia-Pacífico foi responsável por 73% das adições (487 GW), com a China liderando e detendo 57% da capacidade global instalada.

• Destaques Regionais: A Índia adicionou 45,7 GW e ultrapassou os Estados Unidos como o segundo maior mercado solar do ano. A Europa instalou 81,6 GW, mantendo a Alemanha como um dos principais mercados.

• Demanda Global: Essa capacidade instalada permite que a energia solar supra atualmente quase 10% de toda a demanda de eletricidade do planeta.

No cenário nacional, o Brasil também acompanhou esse ritmo de forte crescimento. O país se consolidou no topo do ranking internacional de energia renovável, expandindo a geração distribuída em residências, comércios e propriedades rurais.

A capacidade instalada de energia solar no mundo ultrapassou 3 TW no início de 2026. A fonte supre atualmente 9% da demanda global de eletricidade, três vezes mais do que há cinco anos. Apesar desse impulso, o mercado parece estar a caminho da sua primeira contração em mais de 20 anos.
Segundo o relatório Global Solar Market Outlook 2026-2030 da SolarPower Europe, o mercado global de energia solar adicionou um recorde de 664 GW em 2025.

O número representa um aumento de 69 GW em comparação com 2024 e de 212 GW em comparação com 2023, mas indica que o crescimento anual do mercado está desacelerando, de 85% em 2023 e 32% em 2024 para 12% no ano passado.

A região Ásia-Pacífico foi responsável por 487 GW, ou 73%, da energia solar instalada no ano passado, com a China sozinha instalando 382 GW, o que representa uma participação de mercado recorde de 57%. A Índia adicionou 45,7 GW, ultrapassando os Estados Unidos como o segundo maior mercado de energia solar.

A Europa instalou 81,6 GW de energia solar no ano passado, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, liderada pela Alemanha como o quarto maior mercado global. As Américas adicionaram 43,2 GW, uma queda de 13% em relação ao ano anterior, enquanto o Oriente Médio e a África adicionaram 23,7 GW, um aumento de 51% nas instalações previstas para 2024.

Os dez maiores mercados do ano passado – China, Índia, EUA, Alemanha, Brasil, Espanha, Arábia Saudita, França, Itália e Japão – foram responsáveis por 82% das novas instalações de energia solar em 2025.

O crescimento continuou neste ano, com a SolarPower Europe relatando que a capacidade global total ultrapassou a marca de 3 TW no início deste ano, menos de 2 anos após atingir 2 TW e quatro anos após ultrapassar 1 TW. A energia solar agora supre 9% da demanda global de eletricidade, três vezes mais do que há cinco anos.

Apesar desse impulso, o relatório prevê uma queda nas instalações solares globais anuais este ano. Estima-se que sejam instalados 612 GW em um cenário médio, o que representaria uma redução anual de 8% e marcaria a primeira contração em mais de 20 anos.

A SolarPower Europe explica que essa desaceleração é impulsionada principalmente pela China, que está a caminho de registrar uma redução de 24% nas instalações após mudanças nas políticas. “O declínio supera o crescimento contínuo em todas as outras regiões, destacando a influência da China nas instalações globais”, afirma o relatório, antes de acrescentar que o declínio global não deve ser confundido com uma desaceleração estrutural.

Prevê-se que as instalações na região Ásia-Pacífico, excluindo a China, aumentem 18% este ano, enquanto a implantação de energia solar na Europa deverá crescer cerca de 3%. A implantação de energia solar nas Américas deverá expandir-se em 11% este ano, acrescenta o relatório, enquanto as instalações deverão aumentar 48% no Médio Oriente e em África.

O cenário intermediário do relatório prevê que a capacidade solar global mais que dobrará, atingindo 6,6 TW até o final da década, uma revisão para baixo em relação à previsão do ano passado de 7,1 TW. O relatório cita congestionamento da rede, armazenamento insuficiente, flexibilidade limitada do sistema, atrasos na obtenção de licenças, barreiras de financiamento e resiliência da cadeia de suprimentos como os principais desafios que dificultam um maior crescimento.

“Embora persistam incertezas a curto prazo, a perspectiva de longo prazo para a energia solar permanece sólida, com a tecnologia continuando a se expandir em um ritmo sem precedentes e consolidando seu papel central nos esforços globais de descarbonização, bem como seu novo papel como tecnologia-chave para países que buscam maior segurança energética”, acrescenta o relatório.

O estudo também destaca o papel da energia solar em meio às tensões geopolíticas e à segunda crise dos combustíveis fósseis em menos de quatro anos. Em 2025, a eletricidade gerada por energia solar foi equivalente a quase cinco anos de fluxo de gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz.

A energia solar representou cerca de 80% dos acréscimos de capacidade renovável no ano passado, superando a soma dos acréscimos de geração de energia a partir de combustíveis fósseis e energia nuclear. “Essas conquistas notáveis refletem o ritmo extraordinário com que a energia solar se tornou a espinha dorsal da transição energética global”, afirma o relatório.

Walburga Hemetsberger, CEO da SolarPower Europe, comentou que a desaceleração do crescimento observada em 2025 e a queda esperada em 2026 são sinais importantes que destacam uma nova realidade.

“A expansão da energia solar não se resume mais apenas a implantar mais capacidade, mas sim a quão bem ela pode ser integrada ao sistema”, disse Hemetsberger.

“Precisamos investir urgentemente em redes elétricas, armazenamento de baterias e outras soluções de flexibilidade não fósseis para continuarmos integrando grandes volumes de energias renováveis às nossas redes”, acrescentou Hemetsberger. “Se os formuladores de políticas enfrentarem esses desafios, a energia solar continuará liderando a transição energética e permanecerá a ferramenta mais poderosa para garantir segurança energética, competitividade e descarbonização”.

Com mais de 400 km de painéis solares e 30 gigawatts de capacidade, a China concluiu um megaprojeto no deserto de Tengger, localizado na Mongólia Interior, que pode abastecer 13 milhões de residências, o equivalente a toda a população de países como Portugal e Bélgica juntos.

O complexo combina energia solar, eólica e armazenamento inteligente, garantindo fornecimento contínuo mesmo em períodos sem vento ou luz solar. A energia será transmitida por linhas de alta tensão até as regiões industriais do leste chinês, reforçando a infraestrutura verde do país, e evitando a emissão de 60 milhões de toneladas de CO2 por ano. (pv-magazine-brasil)

domingo, 26 de julho de 2026

Veículo percorre 140 km com 1 kg de hidrogênio produzido pelo IPT

Em uma demonstração inédita realizada em junho de 2026, um Toyota Mirai movido a célula de combustível percorreu 140 km gastando apenas 1 kg de hidrogênio produzido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). O teste feito entre a cidade de São Paulo e São José dos Campos validou a viabilidade e a eficiência da produção nacional do combustível limpo.

Detalhes do Teste Tecnológico

• Modelo utilizado: Toyota Mirai com célula a combustível.

• Distância total: 140 quilômetros rodados em condições reais.

• Abastecimento inicial: O tanque recebeu 5 kg de hidrogênio.

• Consumo verificado: Restaram 4 kg ao final da viagem.

• Origem do gás: Produzido localmente nos laboratórios do IPT.

Funcionamento da Tecnologia

• Eletricidade a bordo: Reação química entre hidrogênio e oxigênio.

• Subproduto zero: Emissão exclusiva de vapor de água pelo escapamento.

• Bateria menor: Dispensa o uso de grandes bancos de íon-lítio.

• Abastecimento rápido: Processo similar ao de combustíveis fósseis tradicionais.

Financiamento e Próximos Desafios

O projeto recebeu um aporte de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo voltado à transição energética. Com o sucesso da demonstração na Pulsar Expo IPT 2026, os pesquisadores agora focam em metas específicas para o mercado:

• Ganhar escala: Ampliar o volume de produção do combustível.

• Cortar custos: Tornar a tecnologia financeiramente competitiva no Brasil.

• Logística: Desenvolver métodos de armazenamento e distribuição eficientes.

• Infraestrutura: Viabilizar postos de recarga nas principais rodovias.

O projeto de hidrogênio do IPT recebeu investimentos da ordem de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias para energia limpa, mobilidade sustentável e descarbonização da indústria.
Um veículo modelo Toyota Mirai, que opera com tecnologia de célula a combustível, convertendo hidrogênio em eletricidade para movimentação, percorreu 140 quilômetros utilizando 1 quilograma de hidrogênio produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Nesse sistema, uma bateria de menor porte é utilizada apenas para gerenciamento e recuperação de energia, reduzindo significativamente a dependência de grandes bancos de baterias e os desafios associados à destinação desses materiais ao final da vida útil.

“O hidrogênio vem sendo apontado mundialmente como uma das principais alternativas para a descarbonização do transporte. Levar essa tecnologia para condições reais de uso é fundamental para ampliar a confiança do mercado e acelerar sua adoção”, afirma Anderson Correia, diretor-presidente do IPT.

O percurso ocorreu durante a Pulsar Expo IPT 2026, realizada de 22 a 24/06/26 no Parque de Inovação Tecnológica (PIT), em São José dos Campos.

O veículo foi abastecido com cerca de cinco quilogramas de hidrogênio produzido no IPT. Ao final da viagem entre São Paulo e São José dos Campos, apenas um quilograma foi efetivamente consumido.

O projeto de hidrogênio do IPT recebeu investimentos da ordem de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias para energia limpa, mobilidade sustentável e descarbonização da indústria.

Além dos avanços já alcançados, os pesquisadores trabalham na otimização dos processos de produção e no desenvolvimento de soluções capazes de reduzir custos e ampliar a competitividade da tecnologia.

“O desafio agora é ampliar a escala de produção, reduzir custos e criar as condições para que essa alternativa ganhe espaço na matriz energética e na mobilidade brasileira. O IPT atua para reduzir riscos tecnológicos, validar soluções e apoiar a chegada dessas inovações ao mercado com segurança e competitividade”, afirma João Cordeiro, diretor da Unidade de Negócios de Energia do IPT.
O Instituto atua em toda a cadeia tecnológica do hidrogênio, incluindo pesquisa, produção, armazenamento, distribuição e aplicações em mobilidade e indústria. Com investimentos em infraestrutura, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico, o IPT vem contribuindo para consolidar essa fonte energética como uma alternativa estratégica para a construção de uma economia de baixo carbono no Brasil. (pv-magazine-brasil)