segunda-feira, 22 de junho de 2026

Eletrificação liderará próxima fase da transição energética

Eletrificação liderará próxima fase da transição energética, afirma Irena.
O aumento das tensões geopolíticas, a demanda crescente de energia e a volatilidade cada vez maior do mercado de combustíveis fósseis estão remodelando o cenário energético global. Por isso, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), o mundo está entrando em uma nova fase da transição energética, centrada na eletrificação, nas energias renováveis e na aceleração da substituição de petróleo, gás fóssil e carvão.

A análise integra o relatório “Transição para longe dos combustíveis fósseis: um roteiro baseado em energias renováveis, eletrificação e aprimoramento da rede elétrica”, divulgado em colaboração com a presidência brasileira da COP30. O documento reforça que, além das preocupações atuais com a segurança energética, os sistemas energéticos vigentes permanecem estruturalmente despreparados para atingir a meta climática de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, estabelecida no Acordo de Paris, em 2015.

Embora as metas globais de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar as melhorias na eficiência energética até 2030 continuem sendo essenciais, elas não são suficientes por si só para alcançar a transição energética global, destaca o relatório. Com o rápido aumento da demanda nos setores de transporte, indústria, construção civil e digitalização, a transição deve agora se concentrar na eletrificação desses setores de uso final, ao mesmo tempo em que se abandona o uso de combustíveis fósseis.

Os países devem investir simultaneamente em redes elétricas, armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir sistemas de eletricidade confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente demanda, avalia a Irena. No entanto, a infraestrutura tornou-se um gargalo crítico: cerca de 2.500 gigawatts de energia eólica e solar estão aguardando conexão às redes.

As atualizações previstas para 2035 e 2050 não serão alcançadas sem que processos de licenciamento sejam agilizados e sem o aumento significativo dos investimentos. A Irena estima que as necessidades de investimento em redes elétricas sejam de US$ 1,2 trilhão por ano, em média – mais que o dobro dos US$ 0,5 trilhão investidos em 2025.

A Irena e os governos da Turquia e da Austrália, futuros anfitriões da COP31, apelaram para um esforço global maior para que veículos, indústrias e edifícios funcionem com eletricidade em vez de combustíveis fósseis, antes das negociações climáticas da conferência do clima deste ano, em novembro, destaca o Climate Home. Para o presidente-designado da COP31, Murat Kurum, os governos deveriam descarbonizar a geração elétrica, mas também expandir a eletrificação para todas as esferas da vida.

Hoje em dia, energia solar e eólica são alternativas mais barata para geração de energia em países

“O mundo precisa se adaptar a uma nova realidade energética. Além das metas de triplicar as energias renováveis e dobrar a eficiência energética (até 2030), existe o desafio maior de transformar sistemas energéticos inteiros e reduzir o uso de combustíveis fósseis em toda a oferta e demanda. A eletrificação e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis são inseparáveis e devem avançar juntas”, reforçou o diretor-geral da Irena, Francisco La Camera. (biodieselbr)

Centrais hidrelétricas podem competir com a energia solar fotovoltaica

Como pequenas centrais hidrelétricas podem competir com a energia solar fotovoltaica.

A microgeração hidrelétrica pode ser uma solução para o acesso à energia em áreas remotas, especialmente em países em desenvolvimento? E quais são as normas exigidas?
Zengamina é uma pequena usina hidrelétrica localizada perto de Kalene Hill, no distrito de Ikelenge, no noroeste da Zâmbia.

A energia hidrelétrica desempenha um papel importante na transição energética. É uma fonte de energia renovável e contribui para a redução das emissões globais. Na Suíça, a energia hidrelétrica fornece quase 60% da geração de eletricidade doméstica. De acordo com as estatísticas do governo suíço, a Suíça é o quarto maior produtor de energia hidrelétrica da Europa, atrás da Noruega, Áustria e Islândia.

A energia hidrelétrica também desempenha um papel fundamental no equilíbrio da rede elétrica, compensando as flutuações na geração de energia solar fotovoltaica (FV) e eólica, por meio de usinas reversíveis. A eletricidade é utilizada para bombear água para reservatórios em altitudes mais elevadas durante períodos de baixa demanda energética. Quando a demanda é maior, a água é liberada através de turbinas localizadas em altitudes mais baixas para gerar eletricidade.

Custo ambiental das grandes usinas hidrelétricas

Algumas desvantagens significativas são inerentes ao uso dessa fonte de energia renovável milenar. Grandes projetos hidrelétricos são caros de construir, com custos de capital proibitivos. Outra desvantagem crucial é o custo ambiental dessas grandes instalações. De acordo com o Scienceinsights.org, a maioria dos reservatórios hidrelétricos requer uma área de terra muito maior por unidade de energia produzida do que qualquer outra grande fonte de eletricidade. Todos nós já vimos reportagens na TV sobre terras e vilarejos inundados quando grandes barragens foram construídas. A maior parte da capacidade hidrelétrica mundial provém dessas barragens com reservatórios. Inundar uma área de terra pode destruir comunidades e ecossistemas terrestres. O Scienceinsights relata que a Usina Hidrelétrica de Balbina, no Brasil, inundou mais de 2.300 quilômetros quadrados da floresta amazônica para produzir uma quantidade relativamente modesta de eletricidade.

O outro custo ambiental recai sobre a fauna aquática, especialmente os peixes. As barragens construídas em rios impedem a migração dos peixes. O salmão, ao subir o rio para desovar em riachos de água doce, é impedido de fazê-lo pelas barragens, mesmo que algumas delas possuam passagens construídas para atenuar o problema. As barragens também podem afetar a temperatura da água e causar flutuações no fluxo, ambos fatores que impactam a vida marinha.

O que são micro e pequenas centrais hidrelétricas?

Muitos pequenos sistemas hidrelétricos operam no modelo “a fio d’água”, e essas instalações geralmente não envolvem um armazenamento de energia em larga escala. De acordo com este artigo de um fornecedor de equipamentos para pequenas centrais hidrelétricas, os sistemas a fio d’água utilizam turbinas que podem operar em uma ampla faixa de vazão, gerando energia tanto em níveis altos quanto baixos do rio, independentemente da quantidade de água presente no curso d’água no momento. No entanto, alguns dos maiores projetos hidrelétricos a fio d’água operam com barragem e podem armazenar uma pequena quantidade de energia.

De acordo com o site Energy Education, os sistemas são classificados como micro, mini ou pequenos, dependendo da quantidade de energia que podem gerar em um determinado momento. Os microssistemas geram menos de 100 quilowatts (kW) de eletricidade, enquanto os minissistemas chegam a 1 megawatt (MW), e os pequenos sistemas hidrelétricos atingem 50 MW.

Mas a classificação de projetos hidrelétricos varia entre os diferentes países. Pierre Maruzewski é o presidente do IECa empresa estatal francesa de energia elétrica. Ele tem uma visão diferente do que constitui uma turbina de pequena escala.

“Na França, a EDF classifica os sistemas hidrelétricos como pequenos se gerarem 7 MW, e os pico-hidrelétricos, 20 kW. Na China ou nos EUA, as usinas hidrelétricas são tão maiores que, para eles, 50 MW é considerado pequeno, mas nós não construímos usinas hidrelétricas na mesma escala”, explica ele.

Uma das vantagens dos microssistemas é o seu custo. De acordo com a Energypedia, o custo de instalação pode variar entre US$ 1.000 e US$ 20.000, dependendo do tamanho, da localização e da demanda de energia.

Os microssistemas podem fornecer energia para residências individuais e até mesmo pequenas comunidades. Seu impacto ambiental é insignificante em comparação com os grandes sistemas hidrelétricos. O único pré-requisito é a presença de um rio nas proximidades. No entanto, é preciso levar em consideração as variações sazonais. A vazão dos rios pode diminuir durante os verões quentes, gerando menos eletricidade. Além disso, geralmente é necessário obter autorização das autoridades locais e órgãos ambientais antes da instalação, o que pode levar tempo.
Pequenas hidrelétricas: o potencial de uma nova Itaipu

Competindo com a energia solar fotovoltaica pelo acesso à energia em países emergentes

A empresa de pesquisa de mercado Coherent estima que o mercado global de pequenas centrais hidrelétricas atingirá US$ 3 bilhões em 2026. A mesma empresa prevê que esse mercado crescerá para US$ 3,77 bilhões até 2033, apresentando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3,5%. Isso inclui os microssistemas, que, segundo estimativas, liderarão o mercado com uma participação de 61,1% na receita em 2026, devido ao seu design compacto e escalabilidade.

Os microssistemas têm um enorme potencial para viabilizar o acesso à energia em países em desenvolvimento, principalmente na África Subsaariana, onde sistemas isolados da rede elétrica permitem o fornecimento de eletricidade para comunidades rurais. De acordo com o relatório 2025″ da Associação Internacional de Hidroeletricidade (IHA), a África mais que dobrou o desenvolvimento combinado dos três anos anteriores, com a entrada em operação de 4,5 GW de nova capacidade hidrelétrica em 2024. A energia hidrelétrica já fornece 20% da eletricidade total do continente, segundo o relatório, e há um enorme potencial para desenvolvimento futuro, com apenas uma pequena fração dos mais de 600 GW de potencial do continente atualmente aproveitada. O relatório menciona diversos grandes projetos, incluindo o início das operações do projeto Julius Nyere, na Tanzânia, a adição de 800 MW à Grande Barragem do Renascimento Etíope com suas terceira e quarta unidades, bem como a entrada em operação completa das usinas de Karuma (600 MW), em Uganda, e Nachtigal (420 MW), em Camarões. No entanto, o financiamento desses grandes projetos hidrelétricos continua sendo um desafio na África, apesar da participação de muitas empresas privadas.

Por outro lado, os sistemas micro hidrelétricos podem ajudar a eletrificar regiões e áreas com pouco ou nenhum acesso à energia, a um custo relativamente baixo, sendo mais confiáveis do que outras fontes renováveis. No entanto, competem com os projetos de energia solar fotovoltaica (FV).

Uganda é um exemplo disso. Como explica Winnie Grace Onziru, Oficial Sênior de Normas do Escritório Nacional de Normas de Uganda: “A maior parte da energia fornecida pela nossa rede elétrica provém de hidrelétricas. Portanto, fazia sentido analisar também as tecnologias de micro e pequenas centrais hidrelétricas para projetos fora da rede, e várias foram instaladas em todo o país”.

Mas, segundo Onziru, a maioria dos rios usados nesses pequenos e microprojetos secou durante as recentes e terríveis secas em Uganda: “Então o governo decidiu mudar para a energia solar fotovoltaica. A principal crítica à energia solar fotovoltaica, no início, era a sua baixa eficiência: era preciso cobrir um telhado inteiro com painéis solares para obter energia suficiente apenas para iluminação! Mas a tecnologia melhorou muito desde então, com o desenvolvimento de filmes finos e outros avanços, o que significa que os painéis solares são agora a opção preferida em Uganda para o acesso à eletricidade em áreas rurais”.

Segundo Pierre Maruzewski, os projetos de micro e pequenas centrais hidrelétricas apresentam um enorme potencial de crescimento, não só nos países emergentes, mas também na Europa, sendo a França um exemplo típico. “De todos os projetos hidrelétricos que instalamos no país, mais de metade – 237, para ser exato – são pequenas centrais hidrelétricas. E esperamos que este segmento de mercado cresça ainda mais no futuro. É por isso que criámos uma unidade específica dentro da EDF para lidar com pequenas centrais hidrelétricas”.
Quais são as normas para pequenas centrais hidrelétricas?

O Comitê Técnico 4 da IEC (IEC TC 4) criou um grupo de trabalho para padronizar turbinas hidráulicas de pequeno porte. O grupo está trabalhando na manutenção da norma IEC, que especifica os testes de aceitação de pequenas instalações hidrelétricas. A norma se aplica a instalações que contêm turbinas de impulso ou reação com potência por unidade de até cerca de 15 MW. Os mesmos especialistas também estão trabalhando na revisão da norma, que é um guia para os equipamentos eletromecânicos de pequenas instalações hidrelétricas. Ela se aplica a usinas com potência de saída inferior a 5 MW e turbinas com diâmetro inferior a 3 metros.

“Trabalhamos em estreita colaboração com o ISO TC/339, que desenvolve normas para o planejamento e projeto de pequenas centrais hidrelétricas. Formamos um grupo de trabalho conjunto com o TC, e eles usam nossas normas de turbina como referência, assim como nós usamos as deles”, explica Maruzewski.

Com a crescente pressão para atingirmos nossas metas de emissão zero, as pequenas centrais hidrelétricas surgem como uma opção de baixo custo, ecologicamente correta, bastante flexível e renovável, ganhando cada vez mais espaço.

A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) é uma organização global sem fins lucrativos que reúne 174 países e coordena o trabalho de 30.000 especialistas em todo o mundo. As normas internacionais da IEC e a avaliação da conformidade são fundamentais para o comércio internacional de produtos elétricos e eletrônicos. Elas facilitam o acesso à eletricidade e verificam a segurança, o desempenho e a interoperabilidade de dispositivos e sistemas elétricos e eletrônicos, incluindo, por exemplo, dispositivos de consumo como telefones celulares ou geladeiras, equipamentos de escritório e médicos, tecnologia da informação, geração de eletricidade e muito mais.

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs): impactos e oportunidades. (pv-magazine-brasil)

sábado, 20 de junho de 2026

Mudanças climáticas redesenham o potencial da energia solar no Brasil

Entre nuvens e calor: mudanças climáticas redesenham o potencial da energia solar no Brasil.
As mudanças climáticas estão reescrevendo a geografia da energia solar no Brasil. Se, por um lado, o aumento das temperaturas e a redução da cobertura de nuvens impulsionam a irradiação em grande parte do país, o calor extremo impõe um paradoxo: ele reduz a eficiência dos painéis solares em até 10%.

O cenário nacional apresenta dinâmicas distintas:

• Novos polos de geração: Regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste (com destaque para Minas Gerais) projetam um aumento de até 5% na incidência de radiação, beneficiando a proximidade com grandes centros de consumo.

• Queda no Sul: Em contrapartida, as predições climáticas apontam para uma redução de cerca de 3% no potencial de geração da região Sul, exigindo um desenho de sistema mais sofisticado.

• O Paradoxo do Calor: Embora o Brasil possua uma irradiação natural excelente, o superaquecimento dos módulos fotovoltaicos exige maior atenção à ventilação e ao design das plantas para mitigar perdas operacionais.

Essas variáveis mostram que, embora o potencial geral da energia solar siga crescendo e garantindo estabilidade à matriz nacional, os projetos exigem uma adaptação técnica contínua. Para se aprofundar nos impactos operacionais, confira as análises sobre os impactos climáticos da Testari Energia. Para entender o peso econômico e regulatório do setor, consulte a ABSOLAR.

Em novo artigo para a pv magazine Brasil, Jorge Rosas, meteorologista da Tempo OK, analisa como as mudanças climáticas poderão impactar o potencial de geração de energia solar no Brasil.

Evidencias observadas de tendências da nebulosidade desde 1983-2009 com dados de satélite, concordando com o previsto pelos modelos climáticos é um cenário de um clima mais aquecido.

O ditado popular “dois lados da mesma moeda” sugerem que elementos distintos podem ser inseparáveis e, ao mesmo tempo, complementares. Esse conceito também pode ser observado nas mudanças climáticas e seus impactos na geração de energia. Por um lado, há uma tendência de mudança no regime de chuvas e elevação das temperaturas médias globais. Por outro, esses mesmos processos podem influenciar a irradiância na superfície e, portanto, a geração de energia solar em determinadas regiões, devido à variação da nebulosidade.

Dentro desse contexto, há uma tendência de redução da cobertura de nuvens no longo prazo em algumas regiões do Brasil, como o Nordeste, partes do Sudeste e o interior do Sertão. Estados como Goiás, Tocantins e Mato Grosso aparecem entre as áreas potencialmente mais impactadas.

Esse comportamento não é isolado. Ele está associado a mudanças mais amplas na circulação atmosférica global. No cenário de aquecimento global, estudos e simulações climáticas indicam um positive cloud feedback, ou feedback positivo das nuvens. Isso significa que, em um planeta mais aquecido, as nuvens podem responder de forma a amplificar o próprio aquecimento do sistema climático.

Evidências recentes apontam que esse tipo de reorganização já está em curso. Um dos padrões mais consistentes observados é a tendência de redução da cobertura de nuvens nas regiões subtropicais, onde se concentra grande parte do território brasileiro, e aumento em latitudes mais altas, próximas aos polos.

Esse comportamento está associado à expansão da célula de Hadley. Como consequência direta da redução da cobertura de nuvens nas regiões em Brasil, esse processo pode favorecer o potencial de geração solar no país, uma vez que grande parte dos empreendimentos fotovoltaicos está concentrada justamente nessas regiões de alta incidência solar. No médio e longo prazo, isso pode reforçar a atratividade do setor.

As nuvens exercem papel central no balanço de radiação da terra, funcionando como uma espécie de filtro natural da radiação solar. Elas refletem grande parte da radiação solar de volta ao espaço (efeito albedo) e, ao mesmo tempo, absorvem e espalham outra parcela. Nuvens altas, as chamadas cirrus, são mais transparentes à radiação solar, enquanto as nuvens baixas e nuvens de tempestades, resultam em um maior albedo, ou seja, maior capacidade de reflexão.

Assim, quanto maior a cobertura de nuvens, especialmente nuvens baixas e médias, menor a radiação que atinge o solo e, consequentemente, menor a irradiância disponível para a geração solar.

No entanto, o aumento da temperatura ambiente, consequência do aquecimento global, pode reduzir a eficiência dos sistemas fotovoltaicos. Isso porque a temperatura dos módulos solares depende tanto da radiação incidente quanto das condições ambientais, podendo ultrapassar 60°C em dias de alta insolação.

Além das condições atuais e tendências climáticas, o aproveitamento do potencial solar no Brasil também depende de fatores estruturais do setor elétrico. Nos últimos anos, o país tem enfrentado restrições operativas que levam ao chamado curtailment.
Segundo levantamento da consultoria PowerBay, usinas eólicas e solares no Brasil já deixaram de gerar cerca de 48,7 TWh de energia devido a essas restrições. Apenas em janeiro de 2026, os cortes somaram 2,86 TWh, um aumento de 45% em relação ao mês anterior.

Embora as mudanças climáticas possam ampliar o potencial de geração solar em parte do território brasileiro, a efetiva conversão desse potencial em energia depende não apenas de condições meteorológicas, mas também da capacidade de expansão e modernização da infraestrutura de transmissão elétrica do país. (pv-magazine-brasil)

Acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos eletrificados

Programa Move Brasil facilita acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos eletrificados.

Programa do governo federal operado pelo BNDES, prevê financiamento de veículos novos de até R$ 150 mil com condições facilitadas de crédito e pode impulsionar a expansão da infraestrutura de recarga, abrindo novas oportunidades de negócios para integradores do setor solar.
Governo federal lançou em 19/05/26 o programa Move Brasil – Táxi e Aplicativos, iniciativa que prevê até R$ 30 bilhões em crédito para renovação da frota de taxistas e motoristas de aplicativos, incluindo veículos elétricos, híbridos e modelos movidos a etanol entre os beneficiados.
Operado pelo BNDES, o programa permitirá o financiamento de veículos novos de até R$ 150 mil com condições facilitadas de crédito. Segundo o governo, motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e taxistas regularizados poderão acessar as linhas de financiamento a partir de junho.

A medida é vista pelo setor de eletromobilidade como um estímulo adicional à eletrificação do transporte urbano no Brasil, especialmente em segmentos que percorrem longas distâncias diariamente e buscam reduzir custos operacionais com combustível e manutenção.

Para a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a inclusão de carros eletrificados no programa representa um reconhecimento da importância da eletromobilidade para a modernização da frota brasileira.

“O Move Brasil demonstra sensibilidade social, ao apoiar a aquisição de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativos, e reconhecimento da centralidade das novas tecnologias de transporte, ao incluir os carros elétricos e eletrificados entre os beneficiários do programa”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Bastos.

Segundo Bastos, a iniciativa também reconhece que a melhoria das condições de trabalho desses profissionais tem sido impulsionada pela adoção crescente de veículos eletrificados.

Para o setor solar, a iniciativa também pode impulsionar a expansão da infraestrutura de recarga elétrica no país. Com o crescimento esperado da frota eletrificada, a tendência é de aumento na demanda por eletropostos em residências, condomínios, centros comerciais, estacionamentos e hubs de abastecimento para frotas urbanas.

Estações de recarga da Aldo Solar, em sua sede em Maringá (PR), oferece carregamento gratuito de veículos elétricos com energia fotovoltaica.

Nesse contexto, sistemas de recarga abastecidos por energia solar ganham atratividade econômica ao permitir redução de custos operacionais e maior previsibilidade tarifária. Empresas do setor fotovoltaico já vêm ampliando a oferta de soluções integradas que combinam geração distribuída, armazenamento de energia e carregamento veicular, movimento que pode ganhar tração adicional com programas de incentivo à renovação da frota.

A expectativa do mercado é que o avanço da eletromobilidade também abra novas frentes de atuação para integradores solares, sobretudo em projetos comerciais voltados à infraestrutura de recarga para condomínios, estacionamentos, empresas e operadores de frota.

A ABVE avaliou ainda que o programa pode beneficiar toda a cadeia da eletromobilidade no Brasil, incluindo empresas de infraestrutura de recarga e fabricantes de baterias.

Para a entidade, o programa “impacta positivamente as empresas que estão na liderança da renovação tecnológica da indústria, oferecendo as condições para uma mobilidade mais eficiente, segura e sustentável para a maioria da população”. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Motoristas de aplicativo aumentam até 70% na margem de lucro com carros elétricos

Levantamento nacional da plataforma GigU foi realizado com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros e mostra que a margem média dos condutores de veículos elétricos chega a 57%, enquanto nos automóveis a combustão o índice fica em 36,8%.
Entre motoristas de aplicativo, a troca dos veículos a combustão por modelos elétricos aumenta a rentabilidade da atividade, revela levantamento divulgado em abril/2026 pela plataforma GigU, especializada em análise de desempenho de motoristas de aplicativo.  Segundo o estudo, profissionais que utilizam carros elétricos conseguem obter até 70% mais lucro em comparação aos veículos movidos a gasolina ou etanol. A troca também influencia a relação desses profissionais com o mercado de energia.

O estudo foi realizado com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros e mostra que a margem média dos condutores de veículos elétricos chega a 57%, enquanto nos automóveis a combustão o índice fica em 36,8%.

A principal diferença está justamente no custo operacional. Com a substituição dos combustíveis fósseis pela eletricidade, o gasto por quilômetro rodado cai significativamente, reduzindo o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis sobre a renda dos trabalhadores.

O efeito prático, segundo especialistas do setor energético, é uma mudança estrutural na lógica financeira da atividade. Se antes o abastecimento era o principal fator de pressão sobre os ganhos, agora a energia elétrica passa a ocupar papel central no orçamento dos motoristas.

Carros elétricos para motoristas de aplicativo 70% menos custos

Para o diretor da Coesa Energia, Luís Fernando Roquette, o avanço dos carros elétricos cria uma nova dinâmica de consumo energético e aproxima os motoristas de soluções alternativas de fornecimento de energia.

“O carro elétrico muda completamente a lógica de custo do motorista. A energia passa a ser o principal insumo da atividade, e hoje já existem alternativas que permitem reduzir esse gasto sem investimento inicial, o que impacta diretamente a renda de quem depende do veículo para trabalhar”, afirma.

Segundo Roquette, o crescimento da mobilidade elétrica também começa a impulsionar o interesse por modelos como geração distribuída, energia solar compartilhada e energia por assinatura, especialmente entre profissionais que utilizam o veículo como ferramenta diária de trabalho.

A mudança ocorre em meio à consolidação do carro elétrico como alternativa financeiramente competitiva no país. Nos grandes centros urbanos, motoristas de aplicativo relatam redução relevante nos gastos mensais com abastecimento e manutenção, dois dos principais custos da atividade.

Além da economia com combustível, os veículos elétricos também apresentam menor necessidade de manutenção mecânica, devido à redução do número de componentes móveis e à ausência de itens como óleo lubrificante, velas e sistemas tradicionais de combustão.

O movimento tende a ampliar a conexão entre os setores de mobilidade e energia nos próximos anos. Com o crescimento da frota elétrica, a discussão sobre infraestrutura de recarga e custo da eletricidade deve ganhar protagonismo semelhante ao que os combustíveis tiveram nas últimas décadas.

Para Roquette, a transformação já começou e deve impactar diretamente a forma como consumidores enxergam o mercado energético.

Motoristas da Uber descobriram forma de lucrar até 70% a mais

“A energia deixa de ser apenas uma despesa doméstica e passa a fazer parte da estratégia de renda de milhares de trabalhadores. Isso muda a percepção do consumidor e acelera a busca por soluções mais eficientes e econômicas”, diz. (pv-magazine-brasil)