Matriz energética e o impacto ambiental
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
sábado, 6 de junho de 2026
Energia solar em canais reduz a evaporação da água em 70% e o crescimento de algas em 85%
A instalação de painéis solares sobre canais de irrigação (como no
projeto Nexus na Califórnia) reduz a evaporação da água em até 70% e diminui o
crescimento de algas em cerca de 85%. Essa solução híbrida gera energia
renovável enquanto preserva recursos hídricos e aumenta a eficiência dos
painéis devido ao resfriamento pela água, evitando o uso de terras cultiváveis.
Principais Benefícios do Solar em Canais:
Economia de Água: A sombra dos painéis reduz a evaporação,
essencial para áreas de seca.
Melhoria da Água: A inibição de algas impede o entupimento de
bombas e equipamentos de irrigação.
Alta Eficiência: A proximidade com a água resfria os painéis,
aumentando a produção de energia em até 11%.
Uso Inteligente do Solo: Aproveita infraestruturas existentes em
vez de ocupar áreas agrícolas.
Estudos indicam que cobrir a extensa rede de canais da Califórnia
poderia economizar 63 bilhões de galões de água anualmente, beneficiando a
gestão hídrica e a produção energética simultaneamente.
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Informações sobre a viabilidade dessa tecnologia no Brasil.
Comparação entre painéis solares terrestres vs. flutuantes.
O projeto piloto Nexus, de 1,6 MW, na Califórnia demonstrou que painéis solares instalados sobre canais de irrigação podem reduzir significativamente a evaporação da água e o crescimento de algas em 85%, além de apresentarem maior eficiência operacional.
Em setembro de 2025, o projeto piloto Nexus, na Califórnia, Estados Unidos, foi concluído. A instalação solar de 1,6 MW está localizada em canais operados pelo Distrito de Irrigação de Turlock (TID) e foi desenvolvida por meio de uma parceria público-privada entre o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia, o TID, a Solar AquaGrid e a Universidade da Califórnia (UC), Merced. O projeto teve como objetivo gerar dados empíricos em condições reais de operação.
Lançado em 2022, o projeto piloto avaliou a viabilidade técnica e
operacional da implantação de sistemas fotovoltaicos em canais de irrigação
ativos. O conceito permite o uso duplo da infraestrutura existente: geração de
energia limpa, redução da evaporação da água e minimização do uso da terra –
uma abordagem particularmente relevante em regiões agrícolas como o Vale
Central da Califórnia.
O projeto monitora indicadores-chave de desempenho, incluindo
geração de eletricidade, perdas por evaporação, qualidade da água, crescimento
da vegetação aquática e necessidades de manutenção dos canais. Após uma
temporada de irrigação, os resultados iniciais indicam benefícios mensuráveis
para o setor hídrico. Trechos de canais cobertos com módulos fotovoltaicos
apresentaram redução na evaporação e menor proliferação de plantas aquáticas
invasoras, o que pode se traduzir em custos operacionais reduzidos.
Com US$ 20 milhões e dois trechos de canal já testados, Califórnia
avança com painéis solares sobre a água para conter perdas por evaporação,
produzir energia limpa e reduzir a pressão sobre um sistema cada vez mais
afetado pelo calor.
Especificamente, medições contínuas ao longo de toda uma temporada
de irrigação registraram reduções de evaporação de 50 a 70% sob os painéis
solares e uma diminuição de 85% no crescimento de algas, um resultado que pode
gerar ganhos de eficiência operacional na gestão de canais. Essas descobertas
são consistentes com pesquisas anteriores da UC Merced, que destacaram o
potencial de sistemas solares instalados em canais para melhorar a eficiência
do uso da água em infraestrutura de canais abertos.
Do ponto de vista técnico, o projeto também serve como campo de
testes para diversas configurações de design. Estas incluem estruturas de
grande vão sobre canais largos, sistemas menores em canais mais estreitos,
instalações verticais ao longo das margens dos canais e protótipos retráteis em
fase inicial. Como relatado anteriormente pela pv magazine, um sistema de
armazenamento de energia em baterias (BESS) também foi instalado no local mais
estreito, utilizando baterias de fluxo de ferro de 75 kW fornecidas pelo
fabricante americano ESS.
Esta gama de configurações tem como objetivo avaliar a adaptabilidade do sistema sob diferentes condições hidráulicas e estruturais.
Os desenvolvedores do projeto observam que o potencial de escalabilidade é significativo, dada a extensa rede de canais da Califórnia. Um estudo da Universidade da Califórnia estima que a cobertura de aproximadamente 4.000 km de canais poderia economizar 63 bilhões de galões de água anualmente, o equivalente à irrigação de 20.234 hectares de terras agrícolas ou ao atendimento da demanda residencial de água de mais de 2 milhões de pessoas. Além da economia de água, a melhoria da qualidade da água por meio da redução do crescimento da vegetação também é de interesse da TID. (pv-magazine-brasil)
quinta-feira, 4 de junho de 2026
China reforça responsabilização por emissões de carbono
Pontos-chave da nova postura
chinesa:
Responsabilização Formal: As
"Medidas Abrangentes de Avaliação e Análise para o Limite de Emissões de
Carbono" oficializam a avaliação dos governos locais em relação às metas
de carbono.
Aceleração Renovável: A China
instalou mais painéis solares e turbinas eólicas que o resto do mundo
combinado, com renováveis representando quase 40% da geração total no 1º semestre/25.
Metas de Longo Prazo: O país
projeta mais de 30% da energia vinda de fontes não fósseis e projeta a expansão
de energia solar/eólica em mais de 6 vezes até 2030.
Estabilização das Emissões: A
alta geração de energia limpa possibilitou uma queda de 1% nas emissões de CO2
no primeiro semestre de 2025, prolongando uma tendência de estabilidade
iniciada em 2024.
Liderança na Transição:
Apesar de ser o maior emissor mundial, a China investe pesado em tecnologia
verde, dominando o mercado de baterias e carros elétricos.
Apesar do progresso, a China
ainda enfrenta desafios, pois sua matriz energética continua dependente do
carvão, exigindo reduções contínuas de intensidade de carbono para cumprir as
metas do Acordo de Paris.
Pequim introduziu um sistema nacional de avaliação de carbono mais rigoroso que responsabiliza formalmente os governos provinciais pelas metas de redução de emissões e transição energética.
A China divulgou uma nova regulação nacional para avaliar o progresso em direção às suas metas de redução das emissões de carbono e neutralidade de carbono, formalizando o que antes era uma diretriz política em um sistema estruturado de responsabilização para os governos provinciais.
As chamadas “Medidas Abrangentes de Avaliação e Análise para o Limite de Emissões de Carbono e a Neutralidade de Carbono” foram aprovadas em reunião do Comitê Permanente do Politburo em 26/02/2026, emitidas conjuntamente pelo Gabinete Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e pelo Gabinete Geral do Conselho de Estado em 12/04/2026 e publicadas na íntegra em 23/04/2026.
As medidas entram em vigor a partir de 2026.
No cerne da estrutura está um
sistema de indicadores “5+9”. Os cinco indicadores vinculantes são: emissões
totais de carbono, redução da intensidade de carbono, consumo total de carvão,
consumo total de petróleo e a participação de energias não fósseis no consumo
total de energia. Estes são complementados por 9 indicadores de apoio que
abrangem conservação de energia, indústria, construção urbana e rural,
transporte, instituições públicas e comércio de carbono. De acordo com a Comissão
Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), a estrutura visa apoiar a
transição da China de uma abordagem de controle do consumo de energia para um
sistema de controle das emissões de carbono.
A metodologia de avaliação é mais rigorosa do que os sistemas anteriores. Em vez de um modelo baseado em pontos, adota uma abordagem de aprovação/reprovação com 3 classificações finais: excelente, qualificado e não qualificado. Uma província será classificada como não qualificada se qualquer indicador obrigatório não atingir a meta ou se 3 ou mais indicadores de apoio não forem atingidos.
O processo inclui auto avaliação local, revisão departamental, verificação in loco, avaliação abrangente e aprovação final pelo Comitê Central do Partido e pelo Conselho de Estado, seguida de feedback às autoridades provinciais.
Os resultados da avaliação serão utilizados como referência na avaliação de desempenho, nomeação e supervisão das equipes de liderança provinciais e dos funcionários relevantes. As províncias classificadas como não qualificadas deverão apresentar relatórios de retificação no prazo de 30 dias úteis. Caso os problemas não sejam corrigidos dentro do prazo, os principais funcionários poderão ser submetidos a entrevistas formais. Casos que envolvam negligência grave no cumprimento do dever, falsificação de dados, ocultação ou adulteração serão classificados diretamente como não qualificados e poderão acarretar medidas disciplinares ou legais.
Para o setor energético, a política reforça a priorização a longo prazo do desenvolvimento de energias não fósseis, ao mesmo tempo que aumenta a pressão sobre as trajetórias de crescimento dependentes de carvão e petróleo. Espera-se também que ela fortaleça os sinais políticos para energias renováveis, armazenamento de energia, comercialização de energia verde e desenvolvimento do mercado de carbono, incorporando de forma mais sólida a implantação de tecnologias de baixo carbono nos requisitos de governança provincial. (pv-magazine-brasil)
terça-feira, 2 de junho de 2026
Energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que todo o crescimento global
Principais Destaques
(2025-2026):
Virada Histórica: Pela
primeira vez, o aumento da produção solar e eólica foi superior ao crescimento
total da demanda por eletricidade no mundo.
Declínio Fóssil: A geração a
partir de fontes fósseis (carvão, gás e petróleo) recuou, com as fontes
renováveis representando 33,8% da geração mundial.
Motor da Mudança: A energia
solar liderou o crescimento, sendo responsável por 75% da expansão da geração
renovável em 2025.
China e Índia: A China
reduziu sua geração fóssil pela primeira vez desde 2015, enquanto a Índia viu
uma queda de 3,1% no carvão, impulsionadas pela rápida expansão renovável.
Brasil em Destaque: Em 2024,
solar e eólica geraram 24% da eletricidade brasileira, com as emissões do setor
elétrico em queda desde 2014, atingindo uma redução de 45% na dependência de
fósseis.
Apesar do rápido avanço, a integração de fontes renováveis variáveis ainda enfrenta desafios relacionados às condições climáticas.
Em 2025 a energia renovável forneceu 109% do crescimento da demanda global de eletricidade segundo relatório Ember.
Pela primeira vez na
história, as energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que
todo o crescimento da demanda global em 2025 — e a geração fóssil caiu pela
primeira vez em um século.
Em 2025, algo aconteceu pela
primeira vez na história da energia renovável: a eletricidade gerada por fontes
solares e eólicas superou 100% de todo o crescimento da demanda global.
Além disso, segundo relatório
da Ember publicado em 21/04/26, as renováveis forneceram 109% do aumento da
demanda — sobrando energia limpa suficiente para que a geração fóssil global
recuasse pela primeira vez neste século.
Na prática, a energia renovável não apenas acompanhou o crescimento do consumo mundial. Dessa forma, ela ultrapassou e começou a empurrar carvão, gás e petróleo para trás.
Os números que marcam o ponto de virada da energia renovável
O relatório “Global
Electricity Review 2025” da Ember analisou dados de 215 países, cobrindo 93% da
demanda global de eletricidade.
Consequentemente, os dados
mostram que a geração de energia renovável atingiu 33,8% de toda a eletricidade
mundial em 2025 — um recorde histórico.
A energia solar liderou:
cresceu 30% em um único ano e adicionou 600 TWh de geração — a maior expansão
já registrada por qualquer tecnologia de energia em um único ano.
Renováveis em 2025: 33,8% da
eletricidade global (recorde)
Solar + eólica: forneceram
109% do crescimento da demanda
Solar sozinha: +600 TWh em
2025 (maior expansão de qualquer fonte na história)
Carvão: caiu abaixo de 33% —
menor participação em 100 anos
Capacidade instalada
renovável global: 49% do total (quase metade)
Adição de baterias: 110 GW —
superou recorde histórico de novas usinas a gás
Para ter uma ideia da escala,
a energia renovável instalada globalmente atingiu 49% de toda a capacidade
elétrica — praticamente metade. Em um mundo de 5.149 GW renováveis, a era
fóssil começa a parecer a exceção, não a regra.
China e Índia derrubaram
emissões fósseis ao mesmo tempo — pela primeira vez
O dado mais surpreendente do
relatório é que China e Índia — os 2 países mais populosos e historicamente
maiores emissores de CO2 do setor elétrico — reduziram sua geração
fóssil simultaneamente pela primeira vez na história.
A China derrubou 0,9% de sua
geração fóssil. A Índia cortou 3,3%.
Em comparação, esses dois
países juntos representam mais de ⅓
de toda a demanda elétrica global. Por isso, quando ambos recuam ao mesmo
tempo, o impacto no balanço global é imediato.
Na Califórnia, baterias
gigantes já fornecem 42,8% da eletricidade quando o sol se põe — outro sinal de
que a transição está acelerando nas maiores economias.
110 GW de baterias: a peça
que faltava para a energia renovável funcionar de noite
Um dos argumentos mais usados
contra a energia renovável sempre foi a intermitência: o sol não brilha de
noite, o vento nem sempre sopra.
Em 2025, o mundo adicionou
110 GW de baterias — mais do que qualquer ano de novas usinas a gás natural na
história.
Além disso, o custo das
baterias caiu 45%, tornando o armazenamento economicamente viável pela primeira
vez em escala massiva.
A América Latina e o Caribe
tiveram desempenho ainda mais expressivo que a média global.
Na região, solar e eólica
adicionaram 39 TWh de geração em 2025, 2,5 vezes mais do que o crescimento da
demanda elétrica de 16 TWh.
Ou seja, a energia renovável
na região não só cobriu toda a demanda nova como substituiu parte da geração
fóssil existente.
Para o Brasil, que já tem uma
das matrizes mais limpas do mundo graças à hidroeletricidade, a adição de solar
e eólica diversifica ainda mais o mix — reduzindo a vulnerabilidade a secas que
afetam represas.
O que isso significa para
quem paga conta de luz
Para o consumidor final, o
avanço da energia renovável tem consequências diretas no bolso. Por exemplo,
quanto mais solar e eólica entram no sistema, menor a necessidade de acionar
termelétricas a gás e carvão — que são mais caras.
No Brasil, esse efeito já é
visível: quando os reservatórios estão cheios e a geração eólica e solar está
alta, a bandeira tarifária fica verde — sem custo adicional na conta.
Em comparação, países
europeus que ainda dependem fortemente de gás natural viram suas contas de
energia dispararem durante a crise de 2022. Dessa forma, a energia renovável
não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança econômica.
De acordo com a Eco/Sapo, o
crescimento recorde da energia solar foi determinante para conter a demanda por
eletricidade fóssil em 2025.
Além disso, a tendência se
conecta diretamente ao que acontece nos Estados Unidos, onde 99% de toda nova
capacidade elétrica em 2026 será renovável.
As ressalvas que a própria
Ember faz questão de destacar
Apesar do marco histórico, o
relatório alerta para limitações importantes.
Em primeiro lugar,
eletricidade representa apenas uma fração do consumo total de energia global.
Transportes (navios, aviões, caminhões) e indústria pesada ainda dependem
massivamente de fósseis.
Além disso, a capacidade
instalada de energia renovável (49%) é muito maior que a geração efetiva
(33,8%) — porque solar e eólica não produzem 24 horas por dia.
Por outro lado, a
concentração geográfica preocupa: China, EUA e União Europeia juntos respondem
por 79,5% de todas as adições renováveis. Países em desenvolvimento ficam para
trás.
Mesmo assim, o diretor-geral
da IRENA, Francesco La Camera, resumiu: “Ao final de 2025, as renováveis
representavam 49% da capacidade elétrica global instalada e 85,6% de todas as
adições anuais”.













