quarta-feira, 22 de abril de 2026

Reuso de módulos solares poli cristalinos após 23 anos de operação

Testes validam reuso de módulos solares poli cristalinos após 23 anos de operação.

Pesquisadores no Brasil mostram que módulos fotovoltaicos poli cristalinos de segunda vida mantêm 87–88% da potência original, com baixa degradação e desempenho estável. Apesar dos ganhos em sustentabilidade, a viabilidade econômica ainda é limitada pela queda nos preços dos módulos novos.
Módulos poli cristalinos antigos instalados em uma unidade de armazenamento de gás na Universidade Federal de Santa Catarina.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no Brasil realizaram testes durante dois anos em módulos solares poli cristalinos de segunda vida implantados no campus e descobriram que eles ainda podem garantir um comportamento “estável”, com desempenho consistente com taxas anuais de degradação de até 0,44%.

“Apesar dos muitos aspectos que dificultam a venda, questões de economia circular e sustentabilidade podem favorecer módulos fotovoltaicos de segunda vida, devido à enorme quantidade de painéis que ficarão disponíveis com o crescimento exponencial que essa tecnologia vem passando por quase uma década”, disse o autor principal da pesquisa, Ricardo Rüther, à pv magazine.

“Apesar do claro argumento de segunda vida para módulis em questões técnicas, sustentabilidade e aspectos da economia circular, é difícil defender isso com base na economia, porque o silício fotovoltaico de última geração continua caindo de preço”, continuou. “Atualmente é difícil acreditar que alguém optaria por um módulo fotovoltaico Si de segunda vida por um preço pelo menos 50% abaixo do preço atual do mercado para módulos fotovoltaicos de Si novos, de última geração. Além disso, os prazos de garantia são um pouco incertos nesse mercado”.

Para o experimento, a equipe de pesquisa utilizou módulos fotovoltaicos multicristalinos de segunda vida recuperados de um sistema fora da rede desativado na Ilha Ratones, Brasil, originalmente instalados para substituir a geração a diesel. O sistema consistia em 76 módulos, totalizando 4,7 kW, e operou por mais de 22 anos antes de ser remotorizado em 2022 com tecnologia de maior eficiência.

Após o descomissionamento, os módulos foram transportados para o laboratório fotovoltaico do UFSC para avaliação detalhada sob condições ambientais costeiras semelhantes. Em 2023, todos os módulos passaram por avaliações visuais, elétricas e de segurança, levando à aprovação de 68% para uso em segunda vida.

Configuração experimental

Os módulos aprovados foram então testados em duas configurações: uma configuração externa em nível de módulo e uma instalação conectada à rede em nível de sistema. No nível do módulo, dois módulos representativos foram instalados em um rastreador de eixo único com medições contínuas da curva IV com resolução de um minuto.

Essa configuração permitia monitoramento detalhado de parâmetros elétricos, como potência máxima, corrente, voltagem e comportamento de degradação em condições reais de operação. Sensores de alta precisão mediam irradiância e temperatura, permitindo a correção dos resultados para condições padrão de teste. A filtragem rigorosa de dados garantiu conjuntos de dados de alta qualidade, resultando em 49 dias válidos de céu limpo durante um período de monitoramento de dois anos.

Imagens eletroluminescentes foram realizadas tanto após a desativação quanto após dois anos de exposição externa para detectar defeitos e degradação dos trilhos. Essa abordagem combinada elétrica e de imagem forneceu insights sobre a estabilidade a longo prazo dos módulos reutilizados.

O desempenho do sistema foi avaliado usando a razão de desempenho (PR), incluindo PR corrigida pelo clima para levar em conta variações de temperatura. Dados elétricos e ambientais foram coletados e processados com critérios de filtragem para garantir confiabilidade, resultando em 128 dias válidos de análise.

Testes adicionais de campo, incluindo traçado de curvas IV, medições de resistência de isolamento e inspeções com drones térmicos, foram realizados para avaliar a integridade do sistema. A temperatura de operação foi estimada usando modelos estabelecidos devido à ausência de sensores diretos.

Reciclagem de Módulos Fotovoltaicos. É possível?

Resultados

Os testes foram realizados entre 2023 e 2025 e mostraram que os módulos conseguiram manter 87–88% de sua potência original, com degradação adicional mínima de cerca de 0,4% por ano, com curvas IV sob condições de céu limpo confirmando comportamento elétrico estável ao longo de dois anos, consistente com medições pós-descomissionamento.

A imagem eletroluminescenta, por sua vez, detectou apenas reduções moderadas da luminescência, sem células inativas ou propagação severa de defeitos graves. Além disso, a degradação em nível de sistema foi encontrada em média de cerca de 0,7% ao ano, um pouco maior devido ao desajuste dos módulos, mas ainda abaixo das expectativas do fabricante.

Testes de segurança, incluindo resistência de isolamento e inspeções térmicas, confirmaram que os módulos eram confiáveis, mesmo para unidades reparadas com pequenas rachaduras. Os módulos reparados apresentaram apenas pontos quentes leves, sem risco imediato ao desempenho ou segurança.

“No geral, o estudo fornece evidências abrangentes sobre o desempenho, confiabilidade e comportamento de degradação de módulos fotovoltaicos de segunda vida”, disse Rüther. “Isso demonstra que, apesar do envelhecimento, uma parte significativa dos módulos desativados ainda pode operar de forma eficaz. No entanto, incentivos financeiros ainda são necessários para estabelecer e escalar mercados de reutilização de forma sustentável”.
Os resultados da pesquisa estão disponíveis em “Second-Life Photovoltaics in Practice: Performance Results from a Brazilian Case“, publicado em Solar Energy Advances.

A UFSC também está sediando o sistema fotovoltaico mais antigo do Brasil. Ele foi implantado pelo próprio Rüther em 1997, após concluir um pós-doutorado em Sistemas de Energia Solar na Alemanha, no Instituto Fraunhofer de Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE) em Freiburg, Alemanha. (pv-magazine-brasil)

Programa prá eletrificar frota oficial prevê integração com energia solar

MAPA cria programa para eletrificar frota oficial e prevê integração com energia solar.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lançou um programa para eletrificar sua frota oficial de veículos, com o objetivo de adotar modelos elétricos e híbridos. A iniciativa prevê a integração com fontes de energia renovável, destacando a utilização de energia solar fotovoltaica para abastecer os novos veículos, visando reduzir emissões de gases de efeito estufa e otimizar recursos naturais.

Detalhes do Programa de Eletrificação do MAPA:

Foco na Sustentabilidade: A portaria do ministério incentiva a transição para uma frota mais sustentável, alinhando a administração pública com práticas de baixo carbono.

Integração Solar: A estratégia não apenas troca os veículos, mas planeja a infraestrutura de carregamento utilizando a energia gerada por painéis solares.

Renovação da Frota: As novas aquisições priorizam tecnologia híbrida e elétrica para a frota oficial.

Essa iniciativa reflete uma tendência de eletrificação da frota governamental, buscando eficiência energética e sustentabilidade no setor agropecuário brasileiro.

Portaria estabelece diretrizes para adoção de veículos elétricos e híbridos, com foco em redução de emissões, eficiência e uso de geração fotovoltaica nos pontos de recarga.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) instituiu, por meio da Portaria nº 897/2026, o Projeto MAPA Sustentável, que estabelece diretrizes para a transição da frota oficial da pasta para veículos de matriz energética renovável. Medida foi publicada no Diário Oficial da União em 26/03/26 e se insere no contexto das políticas federais de descarbonização e modernização da administração pública.

A iniciativa prevê a adoção gradual de veículos elétricos e híbridos, seja por aquisição ou locação, com base em critérios como eficiência energética, redução de emissões e custo total de propriedade. O texto também inclui veículos movidos a biocombustíveis sustentáveis dentro do escopo de alternativas elegíveis.

Segundo a portaria, a substituição da frota representa um avanço nas práticas de gestão ambiental do setor público, ao alinhar economicidade e inovação tecnológica às metas nacionais de redução de emissões. A medida dialoga com instrumentos como o Programa Mover, que incentiva eficiência energética e descarbonização no setor de transportes.

Um dos pontos centrais do projeto é a previsão de instalação de infraestrutura de recarga elétrica nas dependências do ministério. Os chamados Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE) deverão ser utilizados exclusivamente pela frota oficial eletrificada e seguir normas técnicas específicas de segurança e operação.

A portaria também estabelece que, de forma progressiva, os pontos de recarga deverão ser integrados a sistemas de geração de energia fotovoltaica. A diretriz indica uma tentativa de avançar para modelos de autoconsumo energético, reduzindo tantos custos operacionais quanto a pegada de carbono associada ao abastecimento dos veículos.

Além da infraestrutura, o MAPA determina a criação de mecanismos de monitoramento e controle da frota sustentável. Entre as exigências estão a elaboração de relatórios periódicos sobre consumo energético, emissões evitadas e desempenho operacional, bem como a transparência na divulgação dos resultados.

Outro aspecto abordado é a necessidade de qualificação técnia para manutenção de veículos elétricos e híbridos. A portaria estabelece que inspeção e reparos devem seguir normas específicas para sistemas de alta tensão, em conformidade com diretrizes de segurança do trabalho.

Embora a iniciativa tenha foco interno, a medida reforça uma tendência mais ampla de eletrificação de frotas institucionais no Brasil, com potencial de estimular cadeias associadas, como infraestrutura de recarga e geração distribuída. No caso do MAPA, a inclusão explícita da energia solar como parte da estratégia sinaliza uma convergência entre mobilidade elétrica e expansão da fonte fotovoltaica no setor público. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Alta do diesel acelera participação de veículos elétricos a 30% antes de 2030

Alta do diesel pode acelerar participação de veículos elétricos a 30% antes de 2030 no Brasil.
A alta nos preços dos combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, acelera a adoção de veículos elétricos (VEs) no Brasil, impulsionada pela busca por menor custo operacional e eficiência energética. A eletrificação avança rapidamente, com projeções indicando que os eletrificados podem representar uma parcela significativa do mercado até 2030, apoiados por investimentos de montadoras.

Pontos-chave da eletrificação no Brasil:

Vantagem Econômica: Motores elétricos operam com mais de 90% de eficiência, contrastando com os 20-30% dos motores a combustão, tornando-os mais vantajosos economicamente com a alta do petróleo.

Aceleração pelo Diesel: O encarecimento do diesel, conforme reportado pelo pv magazine Brasil e Canal VE, impulsiona a eletrificação.

Infraestrutura e Produção: A necessidade de sistemas de armazenamento de energia (BESS) é destacada pela Livoltek Brasil no Instagram como estratégica para a expansão.

Cenário 2030: Estudos, como os citados pela Minaspetro e Canal VE, sugerem que, impulsionados pela alta da gasolina Fast Company Brasil e pela mudança na demanda Brasil 247, os eletrificados (incluindo híbridos) terão forte presença.

Produção Local: A fabricação nacional de VEs deve aumentar a partir de 2026, impulsionada pelo programa Mover, informa o InsideEVs Brasil.

Apesar do aumento da produção nacional de petróleo, a eletrificação é vista como uma tendência irreversível para a descarbonização.

Pressão sobre custos do transporte impulsiona busca por alternativas mais estáveis, enquanto avanço da recarga, produção nacional e acesso ao FINAME fortalecem viabilidade da mobilidade elétrica. Livoltek projeta forte crescimento do mercado.
A disparada recente do preço do diesel, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, começa a redesenhar a discussão sobre mobilidade no Brasil. Com impacto direto sobre o transporte público e a logística, o cenário abre espaço para a eletrificação ganhar tração mais rapidamente do que o previsto.

Para a Livoltek, fabricante de inversores, sistemas de armazenamento e carregadores veiculares do grupo chinês Hexing, o momento atual reforça uma vantagem estrutural da energia elétrica frente aos combustíveis fósseis.

“Se buscamos maior controle de custos, a energia elétrica, de geração local e imune a crises internacionais, sempre vai se apresentar como uma alternativa vantajosa”, afirmou o diretor comercial da Livoltek Mobility para a América Latina, Flávio PImenta. Segundo o executivo, a volatilidade do diesel contrasta com a previsibilidade da eletricidade, especialmente com a expansão do mercado livre de energia, que amplia o acesso a contratos mais competitivos.

Crescimento acima das projeções

Nesse contexto, a empresa avalia que a adoção de veículos elétricos pode avançar mais rápido do que as estimativas atuais. “Acredito que haverá um crescimento exponencial. Aquele percentual que se pensava de 30% de novas vendas de elétricos em 2030 será alcançado muito antes, pelo menos no segmento de veículos leves”, relatou Pimenta.

Para o diretor, além do fator econômico, o avanço da infraestrutura e a entrada de montadoras com produção local consolidam a transição. “A infraestrutura de recarga cresce a olhos vistos e essa insegurança está se desfazendo com o tempo”.

Recarga rápida e mudança de comportamento

A evolução da infraestrutura também passa por uma mudança no perfil da recarga. Segundo o executivo, redes públicas e semipúblicas devem priorizar carregadores rápidos (DC), enquanto o carregamento AC tende a se concentrar no ambiente residencial.

Flavio Pimenta, diretor comercial da Livoltek Mobility para a América Latina.

“Menos tempo carregando gera valor para o cliente e também para o operador das redes. A distância em relação ao abastecimento com combustível fóssil tende a se encurtar”, afirmou. Já no uso cotidiano, a tendência é de massificação da recarga doméstica. “Todos teremos carregadores em nossas casas, como temos hoje um micro-ondas”, comparou.

Outro fator relevante para a expansão do mercado é a fabricação nacional de equipamentos, que permite acesso a linhas de financiamento como o Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos Industriais (FINAME), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Por terem fabricação nacional, esses produtos contam com alternativa de financiamento pelo FINAME, diluindo o investimento inicial, que ainda é um entrave natural para a eletrificação”, explicou.

A Livoltek também aposta em uma estratégia integrada de fornecimento. “Grandes clientes podem acessar uma solução completa, lidando com apenas um fornecedor em toda a infraestrutura de recarga”.

Transporte público ainda enfrenta barreiras

Apesar do avanço no segmento de veículos leves, a eletrificação de ônibus urbanos ainda depende de fatores estruturais e regulatórios. “O transporte público segue uma lógica própria, com interferência de questões políticas e um certo tradicionalismo na adoção de novas tecnologias”, disse.

Segundo Pimenta, a expansão em larga escala exigirá planejamento prévio da infraestrutura e maior descentralização dos projetos. “São Paulo tem cumprido um papel importante, mas é preciso fomentar essa tecnologia por todo o país”.

Diante das limitações da rede elétrica, sistemas de armazenamento de energia (BESS) aparecem como solução estratégica para acelerar a eletrificação, especialmente no transporte público. “O BESS pode encurtar o tempo de renovação da frota e trazer mais segurança operacional. Em caso de interrupções, parte da frota pode seguir operando com a energia armazenada”, afirmou.

Já a geração solar localizada nas garagens, segundo Pimenta, tende a ter papel mais limitado nesse segmento. “A demanda de energia é muito grande. É preciso muita área”.
O futuro é mesmo elétrico?

A empresa também prepara uma nova fase de crescimento no Brasil, com foco na ampliação de parcerias. “Já consolidamos presença em diversos segmentos e agora a fase é de escalar. São muitos processos em andamento e novidades devem ser anunciadas ainda no primeiro semestre”, disse. Segundo ele, a estratégia passa pela integração tecnológica. “Quando o cliente entende como as soluções trabalham de forma integrada, a Livoltek se torna a alternativa mais interessante”. (pv-magazine-brasil)

sábado, 18 de abril de 2026

Copel investe R$ 23 mi levando energia solar a 155 escolas públicas em PR

Copel investe R$ 23 milhões para levar energia solar a 155 escolas públicas no Paraná.
Copel (uma das maiores companhias elétricas do Brasil) está investindo R$ 23 milhões para instalar sistemas de energia solar em 155 escolas públicas do Paraná, substituindo equipamentos antigos por outros mais eficientes. O projeto, parte do Programa de Eficiência Energética, beneficiará 200 instituições no total (incluindo 45 com apenas troca de equipamentos), reduzindo custos e modernizando a infraestrutura até 2027.

Principais detalhes do projeto:

Abrangência: 100 escolas estaduais e 100 municipais, distribuídas por todo o estado, incluindo áreas rurais.

Benefícios: Instalação de 6.467 placas fotovoltaicas e substituição de 246 geladeiras, 196 aparelhos de ar-condicionado e 10.540 lâmpadas.

Impacto: Aproximadamente 77.000 estudantes, professores e funcionários serão beneficiados, permitindo que a economia na conta de luz seja reinvestida em ações educacionais.

Andamento: A primeira fase já está em andamento no Noroeste do Paraná, em municípios como Perobal, Esperança Nova, Alto Piquiri, São Jorge do Patrocínio, Cafezal do Sul e Brasilândia do Sul.

Foco: O programa prioriza escolas com base no IDH do município e no Ideb, visando o consumo consciente de energia.

O projeto é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e visa aumentar a sustentabilidade nas instituições de ensino paranaenses.

O avanço das obras contempla unidades de ensino em diversas regiões do estado com a instalação de sistemas próprios que contarão com 6,4 mil módulos fotovoltaicos. Outras 45 unidades serão contempladas apenas com a substituição de equipamentos elétricos, devido a limitações estruturais.

As obras de instalação de sistemas de geração solar em escolas públicas do Paraná estão avançando por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE) da Copel, com investimento total previsto de R$ 23 milhões. A iniciativa deve beneficiar 200 instituições de ensino das redes estadual e municipal.

Do total, 155 escolas receberão sistemas próprios de geração fotovoltaica, enquanto outras 45 unidades serão contempladas apenas com a substituição de equipamentos elétricos, devido a limitações estruturais.

O projeto prevê a instalação de 6.467 módulos solares, além da troca de 246 geladeiras, 196 aparelhos de ar-condicionado e 10.540 lâmpadas, ampliando a eficiência energética das unidades e reduzindo o consumo de eletricidade.

A primeira etapa já está em execução em oito escolas da região Noroeste do estado, em municípios como Perobal, Esperança Nova, Alto Piquiri, São Jorge do Patrocínio, Cafezal do Sul e Brasilândia do Sul.

Segundo a Copel, a iniciativa permitirá economia nas contas de energia, possibilitando que os recursos sejam direcionados para melhorias educacionais. Além disso, a adoção da geração solar e de equipamentos mais eficientes contribui para maior conforto térmico e melhores condições de ensino nas unidades beneficiadas.

O programa integra uma estratégia mais ampla de promoção do uso racional de energia, com foco na redução de desperdícios e na disseminação de tecnologias limpas no setor público, sob regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Investimento de R$ 23 milhões vai beneficiar 200 unidades escolares estaduais e municipais

Escolas públicas do Paraná já estão recebendo sistemas de geração solar da Copel (uma das maiores companhias elétricas do Brasil). (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Substituir biomassa por solar corta 99,66% de emissões no processo da castanha de caju

Substituição de biomassa por solar corta 99,66% das emissões no processamento da castanha de caju.

Estudo realizado por pesquisadores brasileiros e dinamarqueses revela que a geração fotovoltaica evita 282 t de CO2/ano, alcança autossuficiência elétrica e payback de aproximadamente 7 meses, com potencial de replicação em agroindústrias de alimentos, grãos e bebidas.
Um estudo recente avaliou a substituição de fontes térmicas baseadas em biomassa por eletrificação com energia solar fotovoltaica em uma agroindústria brasileira, com foco no processamento de castanha de caju. A análise investiga os impactos técnicos, econômicos e ambientais dessa transição energética em processos industriais intensivos em calor.

Os resultados mostram que a eletrificação dos processos térmicos, quando combinada com geração fotovoltaica, permite uma redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa. A substituição da biomassa evitou cerca de 282 toneladas de CO2 por ano, correspondendo a 99,66% das emissões totais reduzidas no sistema analisado.

O estudo também evidencia que, em comparação, o uso convencional da energia solar apenas para compensação do consumo elétrico da rede apresenta impacto limitado na redução de emissões, respondendo por apenas 0,34% do total evitado. Esse resultado está relacionado ao perfil da matriz elétrica brasileira, que já possui elevada participação de fontes de baixo carbono.

A análise indica que o maior potencial de descarbonização da energia solar no país está na substituição de fontes térmicas, e não apenas na geração elétrica. Ao eletrificar processos que tradicionalmente dependem de biomassa ou outras fontes térmicas, a tecnologia fotovoltaica amplia significativamente seu impacto climático.

Do ponto de vista econômico, o sistema apresentou elevada atratividade. A configuração analisada alcançou autossuficiência elétrica e registrou tempo de retorno de aproximadamente 7 meses, indicando viabilidade para aplicações em agroindústrias com perfil de consumo semelhante.

A avaliação técnica demonstra que a eletrificação dos processos térmicos é capaz de atender às demandas operacionais da unidade, mantendo níveis adequados de desempenho e estabilidade. A integração com a geração solar também contribui para maior previsibilidade energética e redução da dependência de insumos tradicionais.

Segundo os autores, os resultados avançam a literatura ao demonstrar que a substituição de energia térmica por eletrificação baseada em fotovoltaico pode gerar benefícios climáticos até cem vezes maior do que os sistemas solares convencionais voltados apenas à geração elétrica.

A pesquisa também destaca o potencial de replicação da solução em outras cadeias agroindustriais com consumo intensivo de calor, reforçando o papel da energia solar como vetor de descarbonização não apenas do setor elétrico, mas também de processos produtivos.

O novo modelo foi apresentado por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e da Universidade Técnica da Dinamarca com foco na avaliação integrada da eletrificação renovável no setor agroindustrial no país por meio do estudo “Green electrification of agroindustry: Technical, economic and environmental assessment”, publicado em Sustainable Energy Technologies and Assessments.

Placa Solar com Castanha de Caju: 43,86% mais eficiência

Com LCC da castanha, coletor solar térmico chega a 43,86% e pode reduzir o custo do aquecimento de água. Payback estimado entre 2 e 5 anos.

Conteúdo aborda uma aplicação específica da energia solar. Para entender quanto custa a energia solar no Brasil, quando ela compensa e quais fatores influenciam o preço. (pv-magazine-brasil)