domingo, 20 de setembro de 2026

Chineses se unem para lançar baterias que recarregam em 15 minutos até 2027

Fabricantes chinesas se unem para lançar baterias que recarregam em 15 minutos até 2027.

Fabricantes chinesas estão se unindo para acelerar o desenvolvimento das baterias de estado sólido, uma tecnologia que promete mudar profundamente o mercado de elétricos.

A proposta é forte: baterias capazes de armazenar mais energia, reduzir o tempo de recarga para menos de 15 minutos e diminuir os riscos de incêndio.

Fabricantes de baterias e carros elétricos da China uniram forças em uma aliança apoiada pelo Estado para iniciar a produção experimental de baterias de estado sólido até 2027, com promessa de recarga em cerca de 15 minutos.

Detalhes da Aliança e da Tecnologia

• Principais empresas: Gigantes do setor como CATL e BYD, além de marcas como Geely, EVE, Farasis, CALB e Gotion, participam do projeto.

• Previsão de cronograma: A produção-piloto e os testes reais em veículos começam em 2027, enquanto a comercialização em massa para o consumidor final está projetada para o período entre 2029 e 2032.

• Vantagens esperadas: As baterias de estado sólido oferecem maior densidade energética (mais autonomia), menor risco de incêndio e recargas ultrarrápidas em relação aos modelos tradicionais com eletrólito líquido.

Recarga de 600 km em 10 minutos: o salto das baterias chinesas

Tecnologia Cell-to-Pack da CATL oferece carga rápida e maior autonomia.

Os carros elétricos evoluíram muito nas últimas duas décadas, principalmente quando falamos de baterias. Avanços no gerenciamento de energia, construção dos módulos e até a química usada levaram ao aumento do rendimento e à redução dos custos de produção. No entanto, ainda há muito por onde avançar e uma das propostas repousa sobre as chamadas baterias de estado sólido.

Com a promessa de armazenar mais carga, reduzir o tempo de recarga para menos de 15 minutos e diminuir os riscos de incêndio, a tecnologia mudará profundamente os carros elétricos. Fabricantes tradicionais como BMW, Honda, Nissan e Toyota têm investido em pesquisas, ainda sem chegar a uma descoberta que viabilize a produção em série. Mas as empresas chinesas, que dominam a tecnologia das baterias atuais, também passaram a olhar para esse tipo de solução, o que vai apressar a corrida pela inovação.

O governo chinês incentivou a criação de uma aliança entre empresas como CATL, BYD e SVolt (GWM) para acelerar os estudos, em colaboração com a academia, como as universidades de Pequim e Ningbo, que antes mesmo do acordo anunciaram descobertas que finalmente podem viabilizar a produção em massa. Marcas como BYD, Chery, Dongfeng, GAC, Geely e FAW prometeram iniciar os testes de produção até 2027. (biodieselbr)

Canadian Solar projeta triplicar vendas residenciais no Brasil em 2026

A empresa Canadian Solar projeta triplicar as vendas residenciais no Brasil em 2026, apostando no crescimento do mercado de telhados solares e em novas estratégias comerciais no país.

Principais Motivos da Projeção

• Foco no Consumidor Residencial: A empresa nota que o mercado brasileiro segue forte na geração solar em residências, enquanto grandes usinas e projetos de grande porte registram queda.

• Venda Direta e E-commerce: A Canadian Solar ampliou sua operação com uma plataforma própria de vendas online voltada para instaladores e integradores locais.

• Armazenamento de Energia: A aposta em baterias e sistemas híbridos (que guardam energia para usar à noite ou em quedas de luz) ganha espaço para dar mais segurança aos consumidores.

Companhia vê crescimento de vendas no país com ampliação da atuação em armazenamento e vendas diretas a integradores.

ACanadian Solar projeta um crescimento significativo das vendas no Brasil em 2026, com destaque para o segmento residencial. Segundo Samir Moura, General Manager da Canadian Solar South America, a expectativa é de que as vendas destinadas a esse segmento alcancem aproximadamente três vezes o volume registrado em 2025.

A companhia avalia que o mercado brasileiro continua concentrado na geração solar residencial, enquanto os projetos de maior porte apresentam retração em relação ao ano passado. O acesso ao crédito permanece entre os principais fatores que condicionam a expansão da demanda, especialmente nos segmentos residencial e comercial.

“Em 2026, observamos um mercado brasileiro ainda bastante concentrado no segmento residencial, que continua sendo um importante motor do setor de energia solar. Ao mesmo tempo, percebemos uma redução no volume de projetos de maior capacidade em comparação com 2025, o que impacta diretamente o perfil da demanda”, afirma Moura.

Apesar da redução dos projetos de maior capacidade no mercado, a Canadian Solar espera manter o volume de vendas nesse segmento em 2026. A estratégia é ampliar a presença da companhia em diferentes faixas do mercado, combinando módulos, inversores e sistemas de armazenamento.

“A Canadian Solar projeta um crescimento significativo de suas vendas no Brasil em 2026, em comparação com 2025. O principal destaque é o segmento residencial, no qual a expectativa é de que as vendas alcancem aproximadamente o triplo do volume registrado no ano anterior”, diz o executivo.

Distribuição e venda direta

A expectativa de expansão das vendas ocorre em paralelo à consolidação de uma frente de distribuição da Canadian Solar no país. A empresa iniciou essa operação há pouco mais de um ano e, desde junho de 2025, também comercializa diretamente com integradores por meio de uma plataforma própria de e-commerce.

A plataforma permite a aquisição de produtos da Canadian Solar e de itens complementares de outras marcas. A companhia mantém ainda acordos comerciais com distribuidores selecionados, de acordo com sua estratégia e posicionamento no mercado brasileiro.

“O mercado brasileiro ainda apresenta um volume significativo de estoques nas distribuidoras. No entanto, observamos que uma parcela relevante desses produtos possui características e posicionamento diferentes do portfólio da Canadian Solar, especialmente em termos de tecnologia, qualidade e eficiência”, afirma Moura.

Segundo a companhia, a venda direta busca ampliar o acesso dos integradores ao portfólio e complementar a atuação por meio da rede de distribuição. A estratégia também permite à empresa oferecer uma gama mais ampla de equipamentos e soluções a seus parceiros.

Portfólio para geração e armazenamento

A estratégia será apresentada durante a The smarter E South America 2026, onde a Canadian Solar ocupará o estande G4-70. A companhia levará ao evento produtos destinados a aplicações residenciais, comerciais e industriais (C&I), grandes usinas e sistemas de armazenamento de energia.

Entre os módulos, estarão o TOPHiKu6 All Black, baseado em tecnologia TOPCon, com potência entre 455 W e 470 W e direcionado principalmente ao segmento residencial; o TOPBiHiKu6, também TOPCon e com frame compósito, na faixa de 630 W a 660 W; e o TOPBiHiKu6 Gen 3, com potência de até 670 W e eficiência de até 24,8%, voltado a projetos que demandam maior potência e eficiência.

No segmento de inversores, a empresa apresentará os modelos 60K 220 V e 333K 800 V, desenvolvidos e fabricados integralmente pela Canadian Solar e direcionados especialmente a projetos C&I.

Para armazenamento, o portfólio inclui o KuBank, voltado a aplicações C&I, além do SolBank 4.0 e do eBESS, soluções da e-STORAGE, subsidiária da Canadian Solar. O eBESS é uma solução modular para sistemas de armazenamento de energia.

“Com esse portfólio, queremos demonstrar a amplitude das soluções da Canadian Solar e nossa capacidade de atender diferentes necessidades do mercado, desde projetos residenciais até grandes aplicações de geração e armazenamento de energia”, diz Moura.

O avanço do armazenamento é uma das apostas da companhia para ampliar sua atuação no Brasil. A Canadian Solar afirma que oferece soluções para diferentes escalas desde 2024, incluindo baterias residenciais, sistemas para aplicações comerciais e industriais e soluções de maior porte.

Nos últimos 2 anos, a empresa registrou crescimento consistente nas vendas desses sistemas e já possui diversos BESS instalados. No mercado brasileiro, a expectativa é de expansão da demanda à medida que consumidores e empresas busquem maior flexibilidade, segurança energética e otimização do consumo.

“A Canadian Solar possui um portfólio completo de soluções para geração fotovoltaica e armazenamento de energia, posicionando-se como um one-stop shop para instaladores e investidores”, afirma o executivo.

A perspectiva de crescimento do armazenamento também está relacionada aos desafios enfrentados pela geração solar no país. Para a Canadian Solar, a possibilidade de combinar geração fotovoltaica e baterias amplia as aplicações da tecnologia e cria novas oportunidades comerciais em diferentes segmentos.

Preços e equilíbrio da indústria

No mercado internacional de módulos, a Canadian Solar avalia positivamente os movimentos recentes do governo chinês e dos principais fabricantes para reduzir a sobrecapacidade produtiva. Na visão da companhia, uma indústria mais equilibrada pode contribuir para maior estabilidade dos preços no médio e longo prazo.

A evolução das cotações até o fim de 2026 e em 2027, entretanto, dependerá também da demanda global, da capacidade produtiva e das condições de financiamento.

“A expectativa é de que a redução da sobrecapacidade contribua para um ambiente comercial e financeiro mais saudável para toda a cadeia, podendo trazer maior estabilidade aos preços dos módulos no médio e longo prazo”, afirma Moura.

A companhia também destaca a estratégia de manter investimentos em tecnologia e priorizar eficiência e qualidade dos produtos diante dos ciclos de pressão sobre os preços. Para a Canadian Solar, um cenário de maior equilíbrio tende a favorecer fabricantes com capacidade tecnológica e fundamentos financeiros sólidos.

O estado da energia solar no Brasil em 2026

No Brasil, a empresa pretende combinar esse posicionamento com a ampliação dos canais de venda e do portfólio, incluindo soluções de geração e armazenamento. “Nossa estratégia é ampliar o acesso dos integradores a soluções de qualidade e fortalecer o relacionamento com os parceiros, mantendo uma atuação que combine diferentes canais de venda e uma oferta abrangente para o mercado brasileiro”, conclui Moura. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A 100 metros a energia solar influencia vizinhos a adotarem a tecnologia

Mesmo a 100 metros de distância, a energia solar influencia vizinhos a adotarem a tecnologia.
Sim, a instalação de painéis solares gera um forte "efeito contágio" na vizinhança. Uma pesquisa publicada recentemente pela pv magazine Brasil aponta que o exemplo visual e a proximidade geográfica incentivam outras famílias a adotarem a tecnologia. Mesmo residências localizadas a até 100 metros de distância de uma casa com energia fotovoltaica registram maior probabilidade de se tornarem sustentáveis.

Os principais motivos desse contágio:

• Gatilho visual: Ver os painéis instalados no telhado do vizinho funciona como uma propaganda constante e silenciosa no bairro.

• Boca a boca: Os moradores conversam e compartilham o nível de economia real obtido na conta de luz, reduzindo o medo do investimento inicial.

• Incentivo social: Cria-se um sentimento de pertencimento e modernização, fazendo com que outras pessoas queiram adotar práticas ecológicas semelhantes.

Análises prévias de mercado, repercutidas por portais como o Olhar Digital, já mostravam que a chance de alguém investir em energia solar chega a ser 89% maior se ela conhecer pessoalmente um vizinho que já utiliza a tecnologia.

Pesquisas da Suíça mostram que proprietários cujos vizinhos instalam um sistema solar têm mais probabilidade de instalar um sistema solar por conta própria, adotar um veículo elétrico e reduzir seu consumo de eletricidade.

Bern, Switzerland

Instalar um sistema solar fotovoltaico pode influenciar o comportamento das famílias vizinhas em relação à energia, revelou o artigo de pesquisa “Green spills: Peer effects in pro-environmental behaviors“, disponível no Journal of Public Economics. Os autores Benedikt Janzen, da Universidade de Passau da Alemanha, e Patrick Bigler, da Universidade de Lausanne, na Suíça, analisaram dados geocodificados de 260.000 domicílios suíços no cantão de Berna observados entre 2008 e 2019.

Eles combinaram informações sobre uso de eletricidade, propriedade de veículos elétricos (EV) e sistemas fotovoltaicos e características residenciais. Eles também mediram a densidade das instalações fotovoltaicas próximas com base na distância entre residências e sistemas solares a cada ano, permitindo examinar como as mudanças na adoção local de PV afetaram o comportamento energético das famílias vizinhas.

Janzen e Bigler disseram à pv magazine que, de acordo com suas descobertas, quando uma residência instala um sistema solar fotovoltaico, casas vizinhas ficam mais propensas a instalar energia solar elas mesmas, adotar um veículo elétrico e reduzir o consumo de eletricidade.

De acordo com os dados do artigo científico, cada domicílio reduz seu consumo anual de eletricidade em 0,21% para cada nova instalação solar fotovoltaica a 100 metros de distância, correspondendo a uma economia média anual de cerca de 11 kWh. Cada nova instalação de energia solar fotovoltaica a menos de 10 metros de uma residência leva a uma redução de 2,1% no consumo anual de eletricidade.

Descobertas adicionais acrescentam que uma nova instalação solar a 100 metros de distância de uma residência leva a um aumento de 0,02 ponto percentual na probabilidade de adoção de sistemas fotovoltaicos e a um aumento de 0,01 ponto percentual na probabilidade de adoção de veículos elétricos.

“Embora a magnitude desses efeitos pareça pequena, eles são relativamente grandes em comparação com as probabilidades básicas de 1% para a energia solar fotovoltaica e 0,44% para a adoção de veículos elétricos”, diz o artigo científico. “Em outras palavras, uma nova instalação de solar a 100 metros de distância de uma residência leva a um aumento significativo tanto na probabilidade de adoção de um sistema fotovoltaico quanto um EV em 2% e 2,3%, respectivamente”.

Quando o painel solar fotovoltaico está a menos de 10 metros de uma residência, a pesquisa constatou que a probabilidade de adoção de sistemas solares aumenta 20% e de EV em 23%.

“No geral, nossa pesquisa sugere que os benefícios da adoção do sistema solar fotovoltaico residencial vão além do sistema solar fotovoltaico em residências, pois isso incentiva outras residências a agirem de forma mais pró-ambiental”, explicaram Janzen e Biger.

Eles também disseram que esperam ver influências semelhantes de pares no comportamento energético das residências em outros mercados nacionais, apontando para pesquisas anteriores dos EUA e de outros países europeus que descobriram que a adoção da energia solar fotovoltaica tende a se agrupar geograficamente.

“Estamos entre os primeiros a documentar um impacto no consumo de eletricidade das famílias vizinhas, mas não vemos motivo óbvio para que esse efeito seja exclusivo da Suíça”, acrescentaram Janzen e Biger. “Dito isso, a magnitude e a natureza desses transbordamentos provavelmente dependem do contexto local”.

Análises adicionais simularam padrões de adoção contrafactual ao atribuir aleatoriamente sistemas solares fotovoltaicos a telhados privados na região do estudo, para ilustrar as implicações econômicas das mudanças comportamentais estimadas. Essa simulação constatou que a instalação de um sistema solar PV adicional pode gerar mediana 0,07 sistemas solares fotovoltaicos adicionais, 0,05 veículos elétricos adicionais e 3,7 MWh de economia anual de eletricidade por meio dos efeitos entre pares apresentados na pesquisa.

Janzen e Bigler disseram à pv magazine que suas conclusões indicam que os formuladores de políticas devem levar em conta os efeitos locais ao avaliar políticas que incentivam a adoção de energia solar fotovoltaica residencial.

“Apoiar uma instalação adicional pode não apenas beneficiar a família que recebe o apoio, mas também pode incentivar comportamentos pró-meio ambiente entre as famílias vizinhas”, disseram eles. “Isso implica que os benefícios gerais das políticas que promovem a energia fotovoltaica residencial podem ser maiores do que o que é capturado ao considerar apenas os benefícios diretos das famílias apoiadas”.
Vizinhança influencia o uso de energia solar

Energia solar é uma das alternativas em prol do clima e Brasil já apresenta bons resultados nessa área.

As políticas em torno da adoção residencial de energia solar fotovoltaica poderiam buscar aproveitar essas dinâmicas sociais locais, acrescentaram.

“Por exemplo, campanhas de informação poderiam destacar a adoção solar nos bairros e facilitar as trocas entre residências que já instalaram sistemas fotovoltaicos e aquelas que estão considerando fazê-lo”, acrescentaram Janzen e Biger. “Pesquisas anteriores sobre essas campanhas nos EUA sugerem que aproveitar as interações sociais pode, de fato, incentivar a adoção da energia solar fotovoltaica”. (pv-magazine-brasil)

Proteger ativos solares de incêndios florestais

Como proteger os ativos solares dos incêndios florestais.
Para proteger usinas e ativos solares contra incêndios florestais, é fundamental adotar medidas de manejo de vegetação no entorno e tecnologias de segurança elétrica.

Manejo de Vegetação e Perímetro

• Faixas de aceiro: Mantenha uma faixa limpa de vegetação ou com vegetação rasteira controlada em um raio de até 50 metros ao redor da cerca perimetral da usina fotovoltaica.

• Coordenação local: Alinhe a limpeza e a manutenção de áreas limítrofes com os proprietários dos terrenos vizinhos antes do período de estiagem.

• Monitoramento preventivo: Utilize sistemas integrados com dados de satélite (como os do INPE) e inteligência artificial para detectar focos de calor nas proximidades em tempo real.

Tecnologias de Segurança e Desligamento

• Desligamento rápido (Rapid Shutdown): Adote dispositivos que reduzem rapidamente a tensão CC (corrente contínua) a nível de módulo em caso de emergência, facilitando a ação segura do corpo de bombeiros.

• Proteção contra arco voltaico (AFCI): Garanta que os inversores possuam o sistema AFCI para identificar e interromper falhas de arco elétrico que possam iniciar chamas.

O número de incêndios florestais em toda a Europa está aumentando. Países da Europa Central e do Norte também são cada vez mais afetados. Este artigo apresenta uma série de medidas preventivas para proteger sistemas fotovoltaicos contra incêndios e relata experiências na França.

Idealmente, após a implementação dessas medidas de proteção, as florestas ao redor apresentariam pouca vegetação combustível capaz de alimentar as chamas.

Os relatos de incêndios florestais em toda a Europa têm aumentado nos últimos anos. Não são apenas os destinos turísticos do sul da Europa — como as áreas próximas a Madri, Creta e o sul da França — que são afetados. Incêndios também estão ocorrendo na Grã-Bretanha, Bélgica e Alemanha, impulsionados, em parte, pelas mudanças climáticas, que vêm provocando ondas de calor mais frequentes e persistentes e períodos de seca. A indústria fotovoltaica precisa se adaptar a essa nova realidade, uma vez que a expectativa é de que o risco de incêndios florestais continue aumentando. Mas estamos indefesos diante dessas forças da natureza ou existem medidas eficazes capazes de reduzir o risco?

Nesse contexto, vale olhar além das fronteiras nacionais para países que já acumularam uma experiência maior — e muitas vezes dolorosa — com incêndios florestais. Em grande parte da França, por exemplo, os proprietários de imóveis são legalmente obrigados a implementar as chamadas Obligations Légales de Débroussaillement (OLD), termo que pode ser traduzido como “obrigações legais de limpeza da vegetação”. O artigo L. 131-10 do Código Florestal francês define essas medidas da seguinte forma:

“Limpeza da vegetação: medidas destinadas a reduzir combustíveis vegetais de qualquer natureza, com o objetivo de diminuir a intensidade do fogo e limitar sua propagação. Essas medidas garantem a existência de interrupções suficientes na cobertura vegetal. Elas envolvem a poda das árvores que devem ser preservadas e a remoção dos resíduos resultantes”.

De maneira um tanto incomum para um país que, de resto, possui uma administração altamente centralizada, as prefeituras locais determinam as áreas específicas abrangidas e as regulamentações aplicáveis. As regiões afetadas são destacadas em rosa no mapa do Geoportal. No entanto, as exigências não se aplicam apenas à região do Mediterrâneo e ao sul da França. Elas também estão em vigor no centro do país e até mesmo na Bretanha e na Normandia — áreas que normalmente não são associadas ao calor extremo. Nesses locais, a latitude e as condições meteorológicas são comparáveis às da Alemanha.

Quais medidas específicas são exigidas pelas OLD?

A Autoridade de Proteção contra Incêndios Florestais da Aquitânia (DFCI) publicou um guia específico para operadores de sistemas fotovoltaicos. O diagrama a seguir apresenta uma visão simplificada das regulamentações aplicáveis.

Parcs Photovoltaïques

A vegetação dentro da usina fotovoltaica deve ser mantida baixa. Essa é a exigência mais simples de ser cumprida, uma vez que os operadores já têm interesse econômico direto em evitar o sombreamento. Em instalações de grande porte ou em locais próximos a florestas, a construção de valas também pode ser obrigatória. Além disso, deve ser mantida, ao longo dos dois lados da cerca perimetral, uma faixa de acesso de 5 metros de largura para os serviços de emergência.

A maior parte da manutenção da vegetação e da limpeza exigidas oficialmente deve ser realizada em um raio de até 50 metros ao redor da cerca perimetral da usina fotovoltaica. É nesse ponto que frequentemente surgem complicações. Por um lado, os terrenos vizinhos normalmente não estão incluídos nos contratos de arrendamento existentes, o que exige que os operadores coordenem as ações com os respectivos proprietários.

Por outro lado, essas medidas podem ser complexas e caras, especialmente quando uma usina fotovoltaica é cercada por florestas ou está localizada em terrenos inclinados e de difícil acesso. O objetivo não é realizar o corte raso das árvores ou remover completamente os arbustos, mas reduzir a quantidade de vegetação inflamável. Na prática, os operadores frequentemente enfrentam conflitos entre as exigências de segurança contra incêndios e as normas de proteção de espécies, ou entre as exigências de compensação ecológica e as regras que determinam a realização de uma limpeza extensa da vegetação. Por isso, uma coordenação estreita com as autoridades locais é essencial.

Outro desafio é escolher o momento adequado para realizar os trabalhos. Se eles começarem muito cedo no ano, a vegetação poderá crescer novamente de forma significativa antes do verão. Se começarem tarde demais, um incêndio florestal poderá ocorrer antes que todas as medidas de proteção estejam implementadas. Isso deixa apenas uma janela relativamente estreita, entre o fim da primavera e o início do verão, adequada para a execução dos trabalhos. Encontrar uma empresa especializada disponível nesse período pode representar um desafio adicional.

Após os incêndios devastadores nas proximidades de Bordeaux, outra medida preventiva ganhou destaque. Faixas corta-fogo (pare-feu) estão sendo cada vez mais propostas em áreas densamente florestadas, onde as árvores são plantadas particularmente próximas umas das outras por razões econômicas. Ainda não está claro se isso resultará em requisitos específicos para o planejamento, a construção e a operação de sistemas fotovoltaicos.

Medidas voluntárias adicionais

Os operadores instalam reservatórios flexíveis de água para combate a incêndios, em alguns casos por exigência regulatória e, em outros, de forma voluntária. Diversos fatores precisam ser considerados. Uma coordenação estreita com o corpo de bombeiros local é essencial para garantir que as equipes de emergência estejam equipadas e preparadas para combater um incêndio dentro da instalação. Os bombeiros nem sempre são treinados ou estão dispostos a atuar diretamente em incêndios em usinas solares. O tanque de água também deve ser acessível pelo lado externo da cerca perimetral, para que não haja perda de tempo com a abertura de portões ou a entrada de veículos no local.

Outra medida após a manutenção da vegetação é remover do local os resíduos resultantes da poda e da limpeza. Nesse caso, o objetivo também é reduzir a quantidade de material combustível. Quando o manejo da vegetação é feito com a utilização de ovelhas, essa remoção ocorre automaticamente.

Qual é a eficácia dessas medidas?

Há algumas semanas, a pv magazine noticiou o caso de uma instalação de 11 MW na qual, apesar de um grande incêndio florestal ter atravessado a usina solar, apenas duas estruturas de suporte dos módulos, que sustentavam cerca de 100 módulos, foram danificadas.

Como isso foi possível? O fator decisivo foi a implementação consistente e abrangente de medidas preventivas de segurança contra incêndios. Tanto o investidor quanto a empresa responsável pela manutenção confirmaram os detalhes descritos na reportagem.

O exemplo mostra que a proteção preventiva contra incêndios não é apenas uma exigência regulatória. À medida que as mudanças climáticas avançam e o risco de incêndios florestais aumenta, essas medidas passam a atender cada vez mais aos próprios interesses dos operadores. Naturalmente, a decisão de implementar medidas adicionais, bem como sua abrangência, depende em grande medida das condições locais. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Gigante chinês de vidros automotivos anuncia teto solar integrado ao veículo

Teto solar que gera energia!

O Fuyao Group, maior fabricante mundial de vidros automotivos, confirmou que atingiu capacidade técnica para produção em massa de tetos solares com células fotovoltaicas embutidas no vidro laminado. A tecnologia converte a luz do sol em eletricidade para alimentar sistemas auxiliares do veículo, marcando a transição de protótipos para o mercado comercial em larga escala.

Como Funciona a Tecnologia

• Integração: Células solares ficam presas dentro do vidro laminado do teto.

• Potência e Eficiência: Especula-se na mídia automotiva um rendimento de até 720 W com 23,18% de eficiência de conversão.

• Aplicações Práticas: A energia gerada alimenta cargas de baixa potência e sistemas em standby, além de auxiliar no pré-resfriamento do ar-condicionado enquanto o carro está estacionado ao sol.

Para Que Serve e Limitações

• Não move o carro: A área de um teto automotivo é pequena demais para recarregar a bateria de tração principal para rodagem.

• Foco em comodidade: Evita o descarregamento da bateria de 12V e mantém sistemas eletrônicos ativos sem gastar a autonomia principal do elétrico.

• Parcerias de mercado: Rumores apontam o uso inicial da inovação em opcionais de marcas como a BYD, embora a Fuyao mantenha a confidencialidade de clientes específicos. Para acompanhar mais detalhes institucionais diretamente no site oficial da Fuyao Group.

A Fuyao Glass confirmou capacidade de produção em escala de vidros para tetos solares com células fotovoltaicas incorporadas ao vidro automotivo laminado para alimentar cargas auxiliares dos veículos. Embora relatos tenham associado a tecnologia a modelos da BYD e citado números elevados de potência e eficiência, essas informações ainda não foram confirmadas pela Fuyao, que avança na comercialização da tecnologia fotovoltaica integrada a veículos.

Fuyao Group, maior fabricante mundial de vidros automotivos, confirmou o desenvolvimento de vidros para tetos solares com células fotovoltaicas incorporadas e afirmou ter capacidade para fabricar o produto em escala, após relatos anteriores associarem a tecnologia a veículos da BYD.

A Fuyao informou que o produto incorpora células solares ao vidro automotivo laminado, permitindo converter a luz solar em eletricidade para alimentar cargas auxiliares do veículo. A empresa descreve a tecnologia como um “teto solar”, e não como um sistema fotovoltaico que cobre todo o teto do veículo. Segundo as informações oficiais sobre o produto, a eletricidade gerada pode ser utilizada para alimentar equipamentos elétricos embarcados.

A tecnologia não é inteiramente nova para a Fuyao. Em maio/2024, a empresa informou a investidores que havia alcançado capacidade de produção em massa de vidros para tetos solares e que fornecia o produto para programas automotivos nos quais os clientes demandavam a solução. As divulgações mais recentes, portanto, parecem indicar avanços na comercialização, e não a conclusão do desenvolvimento da tecnologia.

Desde fevereiro, diversos veículos de imprensa automotivos chineses afirmaram que o sistema havia sido desenvolvido em conjunto com a BYD e seria oferecido nos modelos Han e Tang por um preço opcional de CNY 8.000 (US$ 1.190). Outros números amplamente divulgados incluem potência de pico de 720 W e eficiência de conversão de 23,18%, com base em células solares de heterojunção (HJT).

No entanto, nem a Fuyao nem a BYD publicaram especificações técnicas ou um anúncio conjunto que confirme esses números. Durante uma reunião com investidores em março, a Fuyao se recusou a identificar seus clientes ou divulgar preços, afirmando que ambas as informações eram comercialmente confidenciais.

Recentemente, a Fuyao informou que suas fábricas de Fuqing Yangxia e Hefei haviam alcançado, cada uma, capacidade de produção de 3 milhões de conjuntos de vidros automotivos até o final de 2025 e estavam ampliando a produção em 2026. A empresa não informou qual parcela dessa capacidade, se houver, é destinada aos tetos solares.

A energia fotovoltaica integrada a veículos (VIPV, na sigla em inglês) dificilmente substituirá o carregamento convencional de veículos elétricos, devido à área limitada disponível nos automóveis de passeio. Seu papel mais imediato provavelmente será fornecer energia para cargas auxiliares de baixa potência enquanto os veículos estão estacionados, reduzindo potencialmente o consumo da bateria e dando suporte à ventilação e a outras funções em modo de espera.

O avanço da Fuyao em direção à produção em volume indica que a aplicação de energia fotovoltaica em veículos está passando de uma solução predominantemente experimental para um produto com maior potencial de comercialização. (pv-magazine-brasil)