sábado, 20 de junho de 2026

Mudanças climáticas redesenham o potencial da energia solar no Brasil

Entre nuvens e calor: mudanças climáticas redesenham o potencial da energia solar no Brasil.
As mudanças climáticas estão reescrevendo a geografia da energia solar no Brasil. Se, por um lado, o aumento das temperaturas e a redução da cobertura de nuvens impulsionam a irradiação em grande parte do país, o calor extremo impõe um paradoxo: ele reduz a eficiência dos painéis solares em até 10%.

O cenário nacional apresenta dinâmicas distintas:

• Novos polos de geração: Regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste (com destaque para Minas Gerais) projetam um aumento de até 5% na incidência de radiação, beneficiando a proximidade com grandes centros de consumo.

• Queda no Sul: Em contrapartida, as predições climáticas apontam para uma redução de cerca de 3% no potencial de geração da região Sul, exigindo um desenho de sistema mais sofisticado.

• O Paradoxo do Calor: Embora o Brasil possua uma irradiação natural excelente, o superaquecimento dos módulos fotovoltaicos exige maior atenção à ventilação e ao design das plantas para mitigar perdas operacionais.

Essas variáveis mostram que, embora o potencial geral da energia solar siga crescendo e garantindo estabilidade à matriz nacional, os projetos exigem uma adaptação técnica contínua. Para se aprofundar nos impactos operacionais, confira as análises sobre os impactos climáticos da Testari Energia. Para entender o peso econômico e regulatório do setor, consulte a ABSOLAR.

Em novo artigo para a pv magazine Brasil, Jorge Rosas, meteorologista da Tempo OK, analisa como as mudanças climáticas poderão impactar o potencial de geração de energia solar no Brasil.

Evidencias observadas de tendências da nebulosidade desde 1983-2009 com dados de satélite, concordando com o previsto pelos modelos climáticos é um cenário de um clima mais aquecido.

O ditado popular “dois lados da mesma moeda” sugerem que elementos distintos podem ser inseparáveis e, ao mesmo tempo, complementares. Esse conceito também pode ser observado nas mudanças climáticas e seus impactos na geração de energia. Por um lado, há uma tendência de mudança no regime de chuvas e elevação das temperaturas médias globais. Por outro, esses mesmos processos podem influenciar a irradiância na superfície e, portanto, a geração de energia solar em determinadas regiões, devido à variação da nebulosidade.

Dentro desse contexto, há uma tendência de redução da cobertura de nuvens no longo prazo em algumas regiões do Brasil, como o Nordeste, partes do Sudeste e o interior do Sertão. Estados como Goiás, Tocantins e Mato Grosso aparecem entre as áreas potencialmente mais impactadas.

Esse comportamento não é isolado. Ele está associado a mudanças mais amplas na circulação atmosférica global. No cenário de aquecimento global, estudos e simulações climáticas indicam um positive cloud feedback, ou feedback positivo das nuvens. Isso significa que, em um planeta mais aquecido, as nuvens podem responder de forma a amplificar o próprio aquecimento do sistema climático.

Evidências recentes apontam que esse tipo de reorganização já está em curso. Um dos padrões mais consistentes observados é a tendência de redução da cobertura de nuvens nas regiões subtropicais, onde se concentra grande parte do território brasileiro, e aumento em latitudes mais altas, próximas aos polos.

Esse comportamento está associado à expansão da célula de Hadley. Como consequência direta da redução da cobertura de nuvens nas regiões em Brasil, esse processo pode favorecer o potencial de geração solar no país, uma vez que grande parte dos empreendimentos fotovoltaicos está concentrada justamente nessas regiões de alta incidência solar. No médio e longo prazo, isso pode reforçar a atratividade do setor.

As nuvens exercem papel central no balanço de radiação da terra, funcionando como uma espécie de filtro natural da radiação solar. Elas refletem grande parte da radiação solar de volta ao espaço (efeito albedo) e, ao mesmo tempo, absorvem e espalham outra parcela. Nuvens altas, as chamadas cirrus, são mais transparentes à radiação solar, enquanto as nuvens baixas e nuvens de tempestades, resultam em um maior albedo, ou seja, maior capacidade de reflexão.

Assim, quanto maior a cobertura de nuvens, especialmente nuvens baixas e médias, menor a radiação que atinge o solo e, consequentemente, menor a irradiância disponível para a geração solar.

No entanto, o aumento da temperatura ambiente, consequência do aquecimento global, pode reduzir a eficiência dos sistemas fotovoltaicos. Isso porque a temperatura dos módulos solares depende tanto da radiação incidente quanto das condições ambientais, podendo ultrapassar 60°C em dias de alta insolação.

Além das condições atuais e tendências climáticas, o aproveitamento do potencial solar no Brasil também depende de fatores estruturais do setor elétrico. Nos últimos anos, o país tem enfrentado restrições operativas que levam ao chamado curtailment.
Segundo levantamento da consultoria PowerBay, usinas eólicas e solares no Brasil já deixaram de gerar cerca de 48,7 TWh de energia devido a essas restrições. Apenas em janeiro de 2026, os cortes somaram 2,86 TWh, um aumento de 45% em relação ao mês anterior.

Embora as mudanças climáticas possam ampliar o potencial de geração solar em parte do território brasileiro, a efetiva conversão desse potencial em energia depende não apenas de condições meteorológicas, mas também da capacidade de expansão e modernização da infraestrutura de transmissão elétrica do país. (pv-magazine-brasil)

Acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos eletrificados

Programa Move Brasil facilita acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos eletrificados.

Programa do governo federal operado pelo BNDES, prevê financiamento de veículos novos de até R$ 150 mil com condições facilitadas de crédito e pode impulsionar a expansão da infraestrutura de recarga, abrindo novas oportunidades de negócios para integradores do setor solar.
Governo federal lançou em 19/05/26 o programa Move Brasil – Táxi e Aplicativos, iniciativa que prevê até R$ 30 bilhões em crédito para renovação da frota de taxistas e motoristas de aplicativos, incluindo veículos elétricos, híbridos e modelos movidos a etanol entre os beneficiados.
Operado pelo BNDES, o programa permitirá o financiamento de veículos novos de até R$ 150 mil com condições facilitadas de crédito. Segundo o governo, motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e taxistas regularizados poderão acessar as linhas de financiamento a partir de junho.

A medida é vista pelo setor de eletromobilidade como um estímulo adicional à eletrificação do transporte urbano no Brasil, especialmente em segmentos que percorrem longas distâncias diariamente e buscam reduzir custos operacionais com combustível e manutenção.

Para a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a inclusão de carros eletrificados no programa representa um reconhecimento da importância da eletromobilidade para a modernização da frota brasileira.

“O Move Brasil demonstra sensibilidade social, ao apoiar a aquisição de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativos, e reconhecimento da centralidade das novas tecnologias de transporte, ao incluir os carros elétricos e eletrificados entre os beneficiários do programa”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Bastos.

Segundo Bastos, a iniciativa também reconhece que a melhoria das condições de trabalho desses profissionais tem sido impulsionada pela adoção crescente de veículos eletrificados.

Para o setor solar, a iniciativa também pode impulsionar a expansão da infraestrutura de recarga elétrica no país. Com o crescimento esperado da frota eletrificada, a tendência é de aumento na demanda por eletropostos em residências, condomínios, centros comerciais, estacionamentos e hubs de abastecimento para frotas urbanas.

Estações de recarga da Aldo Solar, em sua sede em Maringá (PR), oferece carregamento gratuito de veículos elétricos com energia fotovoltaica.

Nesse contexto, sistemas de recarga abastecidos por energia solar ganham atratividade econômica ao permitir redução de custos operacionais e maior previsibilidade tarifária. Empresas do setor fotovoltaico já vêm ampliando a oferta de soluções integradas que combinam geração distribuída, armazenamento de energia e carregamento veicular, movimento que pode ganhar tração adicional com programas de incentivo à renovação da frota.

A expectativa do mercado é que o avanço da eletromobilidade também abra novas frentes de atuação para integradores solares, sobretudo em projetos comerciais voltados à infraestrutura de recarga para condomínios, estacionamentos, empresas e operadores de frota.

A ABVE avaliou ainda que o programa pode beneficiar toda a cadeia da eletromobilidade no Brasil, incluindo empresas de infraestrutura de recarga e fabricantes de baterias.

Para a entidade, o programa “impacta positivamente as empresas que estão na liderança da renovação tecnológica da indústria, oferecendo as condições para uma mobilidade mais eficiente, segura e sustentável para a maioria da população”. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Motoristas de aplicativo aumentam até 70% na margem de lucro com carros elétricos

Levantamento nacional da plataforma GigU foi realizado com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros e mostra que a margem média dos condutores de veículos elétricos chega a 57%, enquanto nos automóveis a combustão o índice fica em 36,8%.
Entre motoristas de aplicativo, a troca dos veículos a combustão por modelos elétricos aumenta a rentabilidade da atividade, revela levantamento divulgado em abril/2026 pela plataforma GigU, especializada em análise de desempenho de motoristas de aplicativo.  Segundo o estudo, profissionais que utilizam carros elétricos conseguem obter até 70% mais lucro em comparação aos veículos movidos a gasolina ou etanol. A troca também influencia a relação desses profissionais com o mercado de energia.

O estudo foi realizado com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros e mostra que a margem média dos condutores de veículos elétricos chega a 57%, enquanto nos automóveis a combustão o índice fica em 36,8%.

A principal diferença está justamente no custo operacional. Com a substituição dos combustíveis fósseis pela eletricidade, o gasto por quilômetro rodado cai significativamente, reduzindo o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis sobre a renda dos trabalhadores.

O efeito prático, segundo especialistas do setor energético, é uma mudança estrutural na lógica financeira da atividade. Se antes o abastecimento era o principal fator de pressão sobre os ganhos, agora a energia elétrica passa a ocupar papel central no orçamento dos motoristas.

Carros elétricos para motoristas de aplicativo 70% menos custos

Para o diretor da Coesa Energia, Luís Fernando Roquette, o avanço dos carros elétricos cria uma nova dinâmica de consumo energético e aproxima os motoristas de soluções alternativas de fornecimento de energia.

“O carro elétrico muda completamente a lógica de custo do motorista. A energia passa a ser o principal insumo da atividade, e hoje já existem alternativas que permitem reduzir esse gasto sem investimento inicial, o que impacta diretamente a renda de quem depende do veículo para trabalhar”, afirma.

Segundo Roquette, o crescimento da mobilidade elétrica também começa a impulsionar o interesse por modelos como geração distribuída, energia solar compartilhada e energia por assinatura, especialmente entre profissionais que utilizam o veículo como ferramenta diária de trabalho.

A mudança ocorre em meio à consolidação do carro elétrico como alternativa financeiramente competitiva no país. Nos grandes centros urbanos, motoristas de aplicativo relatam redução relevante nos gastos mensais com abastecimento e manutenção, dois dos principais custos da atividade.

Além da economia com combustível, os veículos elétricos também apresentam menor necessidade de manutenção mecânica, devido à redução do número de componentes móveis e à ausência de itens como óleo lubrificante, velas e sistemas tradicionais de combustão.

O movimento tende a ampliar a conexão entre os setores de mobilidade e energia nos próximos anos. Com o crescimento da frota elétrica, a discussão sobre infraestrutura de recarga e custo da eletricidade deve ganhar protagonismo semelhante ao que os combustíveis tiveram nas últimas décadas.

Para Roquette, a transformação já começou e deve impactar diretamente a forma como consumidores enxergam o mercado energético.

Motoristas da Uber descobriram forma de lucrar até 70% a mais

“A energia deixa de ser apenas uma despesa doméstica e passa a fazer parte da estratégia de renda de milhares de trabalhadores. Isso muda a percepção do consumidor e acelera a busca por soluções mais eficientes e econômicas”, diz. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 16 de junho de 2026

Brasil adiciona 4,4 GW de capacidade solar no 1º trimestre

Brasil adiciona 4,4 GW de capacidade solar no primeiro trimestre/2026.
O Brasil registrou um forte avanço na energia solar no 1º trimestre de 2026, adicionando cerca de 4,4 GW de nova capacidade, impulsionado pela conexão de grandes usinas centralizadas, totalizando mais de 67 GW de capacidade instalada no país. Este crescimento consolidou a fonte como segunda maior na matriz elétrica nacional, com destaque para a Bahia, Minas Gerais e Ceará.

Destaque de Março: Em março/2026, 25 novas usinas solares centralizadas entraram em operação, somando 1.109 MW adicionais.

Expansão Contínua: O país superou as projeções internacionais de crescimento, impulsionado pela geração centralizada e distribuída.

Desafios: Apesar do recorde, o rápido aumento gera a necessidade de maior capacidade de armazenamento e melhoria na rede de transmissão para evitar desperdício de energia (curtailment).

Com esse ritmo, a energia solar supera 17% de participação na matriz elétrica, acumulando R$ 195 bilhões em investimentos desde 2012.

Capacidade adicionada ganhou impulso de 25 usinas centralizadas que somam 1.109 MW e foram conectadas em março. Se mantiver até o final do ano o ritmo observado nos primeiros 3 meses, o país poderia adicionar mais de 13 GW em 2026.

Complexo Solar Barro Alto, da Newave e Gerdau, conectado em março de 2026.

O Brasil adicionou 4,4 GW de capacidade solar entre janeiro e março/26, puxada pela conexão de 25 usinas centralizadas em março, que somam 1.109 MW. Apesar do novo impulso, de acordo com o acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as novas conexões centralizadas devem desacelerar até o final do ano.

O país adicionou 2.295 MW de geração solar centralizada até março, quase metade do total de 4.704 MW previstos para serem adicionados em 2026. Apesar de, nos últimos anos, a expansão da geração solar ter se baseado em contratos no mercado livre de energia, quase um quarto da capacidade adicionada esperada para este ano virá de projetos contratados em leilões para atender o mercado regulado, ou 1.087 MW.

Na geração distribuída, foram registrados 2.177 MW da fonte solar entre janeiro e março, em 245,112 mil novos sistemas — uma média de 8,8 kW por micro ou miniusina solar. Os novos sistemas geram créditos para 315,624 mil unidades consumidoras.

Se o país mantiver o ritmo de conexão observado nos três primeiros meses de 2026 até o final do ano, poderá adicionar 8,7 GW na geração distribuída. Somados aos 4,7 GW previstos na geração centralizada, totalizarão 13,4 GW.

Esse resultado seria um pouco maior do que o projetado pela Absolar no início de 2026, que esperava um crescimento em torno de 10 GW para este ano, mas ainda está longe dos crescimentos expressivos nas adições anuais observadas no Brasil há 2 anos.

Além de ter atingido um patamar alto de expansão anual, acima dos 10 GW desde 2022, o setor enfrenta restrições e gargalos de conexão à rede, tanto na geração distribuída quanto na centralizada, além de mudanças de regras setoriais. Nesse cenário, a oferta de soluções para além da instalação de sistemas fotovoltaicos, incluindo a oferta de eficiência energética, substituição de equipamentos, sistemas de armazenamento (BESS) e migração para o mercado livre de energia — é apontada como um caminho para manter os negócios no setor.

Brasil terá 68 GW nos próximos cinco anos, estima Solar Power Europe.

Brasil deve adicionar 44 GW de potência de energia solar até 2027.

Solar Power Europe aponta que o país terá taxa de crescimento anual de 23%, apesar das perspectivas de apoio político serem incertas.

 (pv-magazine-brasil)

domingo, 14 de junho de 2026

Sistema híbrido de energia das marés e fotovoltaica

Sistema híbrido de energia das marés e fotovoltaica para implantação de renováveis ​​em canais.

Pesquisadores no Brasil desenvolveram e simularam um conceito de parque flutuante híbrido de energia maremotriz e fotovoltaica para canais estuarinos, analisando os efeitos de esteira, o espaçamento das turbinas e as compensações energéticas híbridas. Os resultados mostram que a integração de energia fotovoltaica com turbinas hidrocinéticas melhora a produção energética geral, compensando as perdas relacionadas à esteira e otimizando as configurações modulares do parque.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um conceito híbrido de geração de energia das marés e fotovoltaica para implantação modular de energia renovável em canais estuarinos.

Em seu estudo de simulação, a equipe investigou a recuperação longitudinal da esteira, seu efeito na eficiência do conjunto de turbinas eólicas e as relações de compromisso entre o espaçamento entre as turbinas, a capacidade instalada e a produção de energia. A esteira se refere ao fluxo turbulento de água a jusante de uma turbina após a extração de energia, o que pode reduzir o desempenho das turbinas subsequentes.

“Embora o presente trabalho seja ilustrado por meio de um estudo de caso no Canal do Boqueirão, a metodologia proposta não é específica para esse local e pode ser estendida a outros canais estuarinos com características semelhantes, como restrições geométricas, grandes amplitudes de maré, correntes fortes e disponibilidade favorável de recursos solares”, afirmou a equipe. “Portanto, a estrutura fornece uma base útil para a avaliação de pré-viabilidade de parques energéticos hidro cinéticos e híbridos modulares em ambientes estuarinos”.

Segundo os pesquisadores, o regime de marés no Canal do Boqueirão é semi diurno, com um período de aproximadamente 12,4 horas. A região apresenta amplitudes de maré superiores a 6 m e velocidades de corrente frequentemente acima de 2,5 m/s, resultando em uma densidade de potência máxima de 7,63 kW/m² e uma densidade energética anual de 17,96 MWh/m². Cerca de 82,5% das velocidades de corrente anuais estão dentro da faixa de operação da turbina, de 0,5 a 2,0 m/s.. Para o componente fotovoltaico, a área recebe forte irradiação solar de cerca de 5 a 5,5 kWh/m² por dia, ou aproximadamente 1.900 kWh/m² anualmente.

O componente de geração de corrente de maré foi baseado na turbina hidrocinética Yarama, uma turbina de eixo horizontal com seis pás e difusor integrado, projetada para condições de baixa velocidade em estuários e rios. Ela possui uma potência hidráulica nominal de 5 kW, uma potência elétrica efetiva de 4 kW, uma velocidade de partida de 0,5 m/s e uma velocidade de parada de 2,4 m/s. A turbina apresenta um diâmetro de garganta de 1,21 m, um diâmetro externo de 1,64 m e um comprimento de difusor de 1 m.

Antes de incorporar a energia fotovoltaica ao sistema, os pesquisadores estimaram o rastro das turbinas usando simulações numéricas. Com base nisso, descobriram que um espaçamento lateral de 3D (onde D representa o diâmetro da turbina) resultou em perda de desempenho praticamente nula. Em contrapartida, o espaçamento longitudinal teve um efeito significativo: quando as turbinas foram posicionadas a 40D de distância uma da outra na direção do fluxo, o coeficiente de potência da turbina a jusante caiu de 0,88 para 0,64 devido às perdas por rastro. O aumento do espaçamento para 50D e 60D melhorou o coeficiente de potência a jusante para 0,76 e 0,80, respectivamente, demonstrando que um espaçamento maior permite melhor recuperação do rastro e maior rendimento energético.

No entanto, o espaçamento das turbinas reduz o número de unidades que podem ser instaladas na área disponível, criando um dilema entre a produção de energia e a capacidade instalada. Portanto, os cientistas decidiram instalar painéis solares no topo de cada turbina, em uma plataforma flutuante do tipo catamarã. Cada unidade híbrida tem 4,5 m de comprimento e 2,0 m de largura, com pontões de 0,45 m de diâmetro e um suporte vertical de 1,5 m que conecta a estrutura flutuante à turbina submersa. O sistema fotovoltaico consiste em quatro painéis montados acima da plataforma, com uma capacidade combinada de 2,48 kW e uma eficiência de 23%.
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Os pesquisadores simularam o sistema híbrido como uma fazenda flutuante instalada em uma área piloto de 0,5 km × 3 km no Canal do Boqueirão. Cada fazenda continha entre uma e 17 colunas, com cada coluna composta por 138 unidades híbridas de energia das marés e fotovoltaicas dispostas lado a lado ao longo do canal. Para cada configuração da fazenda, a equipe também testou espaçamentos longitudinais de 40D, 50D e 60D entre as colunas.

A série de simulações mostrou que uma fazenda com espaçamento longitudinal de 40D e 3 colunas geraria 5,186 GWh de energia por ano, com um custo nivelado de energia (LCOE) de US$ 0,36/kWh. Expandir o layout para quatro colunas aumentaria a geração anual para 6,401 GWh, com um LCOE de US$ 0,37/kWh, enquanto uma configuração com cinco colunas atingiria 7,468 GWh/ano com um LCOE de US$ 0,38/kWh.

Para a configuração 50D, seis colunas gerariam 10,043 GWh/ano a um LCOE de US$ 0,33/kWh, oito colunas gerariam 12,466 GWh/ano a US$ 0,33/kWh e o layout com 11 colunas geraria 15,605 GWh/ano a US$ 0,35/kWh. Para a configuração 60D, nove colunas gerariam 15,002 GWh/ano a US$ 0,30/kWh, 12 colunas gerariam 18,680 GWh/ano a US$ 0,31/kWh e o layout máximo com 17 colunas geraria 23,956 GWh/ano a US$ 0,32/kWh.

Os resultados também indicaram que, embora os efeitos de esteira levem a uma redução na produção de energia das turbinas hidrocinéticas a jusante, a integração da geração fotovoltaica ajuda a compensar parcialmente essas perdas. Consequentemente, a configuração híbrida melhora a produtividade geral do local, aumentando o rendimento energético total e fazendo um uso mais eficaz dos recursos ambientais disponíveis.

“De modo geral, o estudo confirma que os sistemas híbridos hidro cinéticos - fotovoltaicos representam uma solução tecnicamente viável e economicamente promissora para a implantação modular de energia renovável em canais estuarinos”, concluíram os acadêmicos. “A metodologia proposta fornece uma estrutura robusta de apoio à decisão para a avaliação de projetos em estágio inicial, permitindo comparações realistas entre configurações de painéis, estratégias de espaçamento e níveis de hibridização”.

O sistema foi apresentado em “Design and techno-economic assessment of a hybrid diffuser-augmented hydrokinetic–PV array in an estuarine channel”, publicado na revista Energy Conversion and Management. Cientistas da Universidade Federal do Maranhão, da Universidade Federal de Itajubá, do Instituto Federal do Maranhão e da Universidade Estadual de Campinas contribuíram para a pesquisa. (pv-magazine-brasil)