sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Solar responde por 73% da expansão da matriz elétrica brasileira em 2026

Solar responde por 73% da expansão da matriz elétrica brasileira em 2026, aponta Aneel.
A energia solar fotovoltaica respondeu por cerca de 73% de toda a expansão da matriz elétrica brasileira entre janeiro e agosto de 2026, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Detalhes da Expansão

• Capacidade Adicionada: O Brasil ampliou sua capacidade de geração centralizada em 4.852,78 MW no acumulado dos 8 primeiros meses de 2026.

• Participação Solar: Desse total, 3.520,93 MW vieram exclusivamente de 75 novas centrais solares fotovoltaicas (de um total de 91 usinas liberadas no período).

• Estados Destaque: O ranking de expansão no ano é liderado por Mato Grosso do Sul (894,20 MW), seguido pelo Pará (649,37 MW) e pelo Rio Grande do Norte (639,57 MW).

• Potência Total: Com esses acréscimos, a potência fiscalizada do país alcançou 220,66 GW, sendo que as fontes renováveis já representam 84,67% de toda a capacidade instalada nacional.

A energia solar fotovoltaica foi responsável por cerca de 73% de toda a expansão da matriz elétrica brasileira entre janeiro e agosto de 2026, com a adição de 3,52 GW de nova capacidade. No período, o país registrou um acréscimo total de 4,85 GW fiscalizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), elevando a potência instalada nacional para 220,66 GW.

A fonte fotovoltaica adicionou 3,52 GW entre janeiro e agosto, enquanto 15 novas usinas solares acrescentaram 891 MW apenas no último mês. A agência aponta 220,6 GW de potência instalada no país.

Brasil ultrapassa 20 GW em grandes usinas solares e acelera transição energética com investimentos bilionários, geração de empregos verdes e expansão estratégica no Nordeste e Sudeste.

A energia solar fotovoltaica segue como principal vetor de expansão da matriz elétrica brasileira em 2026. Entre janeiro e agosto, 75 usinas solares entraram em operação comercial, acrescentando 3.520,93 MW de potência, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O volume representa 72,6% dos 4.852,78 MW adicionados à matriz elétrica brasileira no período.

Somente em agosto, foram adicionados 1.968,37 MW de capacidade, dos quais 891 MW vieram de 15 centrais solares fotovoltaicas. Assim, a fonte respondeu por aproximadamente 45,3% da expansão registrada no mês. No mesmo período, entraram em operação três termelétricas, com 100,87 MW, e duas usinas eólicas, com 76,50 MW.

O desempenho reforça a liderança da energia solar entre as fontes que vêm ampliando a capacidade de geração do país. No acumulado até agosto, as termelétricas adicionaram 1.087,05 MW, as eólicas 184,50 MW, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) 52,70 MW e as centrais geradoras hidrelétricas (CGHs) 7,60 MW.

Solar domina novos empreendimentos

Painéis solares e turbinas eólicas captam energia limpa em uma paisagem rural durante o pôr do sol.

Além de responder pela maior parcela da potência adicionada, a solar também representa a maioria dos novos empreendimentos que entraram em operação. Das 91 usinas liberadas comercialmente entre janeiro e agosto, 75 são fotovoltaicas, equivalentes a mais de 80% dos novos empreendimentos.

A expansão ocorreu em 15 estados. Mato Grosso do Sul liderou o ranking no acumulado do ano, com 894,20 MW, seguido por Pará, com 649,37 MW, e Rio Grande do Norte, com 639,57 MW.

O Mato Grosso do Sul também foi o principal destaque em agosto, com 891 MW, praticamente todo o volume de expansão registrado no estado no mês. O Pará ficou em segundo lugar, com 629,37 MW.

O avanço das novas usinas ocorre em uma matriz que já alcançou 220,6 GW de potência instalada, de acordo com o infográfico de expansão da Aneel, atualizado em 10/09/2026.

Considerando as usinas em operação, a hidrelétrica continua sendo a maior fonte individual, com 46,64% da capacidade, seguida pelas termelétricas, com 22,80%. A solar fotovoltaica já representa 15,83% da capacidade, enquanto a eólica responde por 10,67%.

Na soma das fontes renováveis, a participação chega a 84,67% da potência instalada, segundo os dados do Sistema de Informações de Geração da Aneel (SIGA). A agência registrava 220.662,7 MW de potência fiscalizada em 08/09/26.

Solar também lidera capacidade que ainda não iniciaram construção

No início do século XXI, com o avanço da globalização e das tecnologias digitais, as perspectivas de energia renovável tomaram um novo fôlego.

O infográfico da Aneel mostra ainda a dimensão da expansão solar que permanece no pipeline.

Entre os empreendimentos cuja construção ainda não foi iniciada, a fonte fotovoltaica representa 81,19% da potência, muito à frente das demais tecnologias. Já entre os empreendimentos em construção, a solar responde por 22,01% da capacidade, atrás das termelétricas, que representam 41,72%.

Os números indicam que, além da forte expansão já materializada em 2026, existe um volume expressivo de projetos fotovoltaicos ainda em diferentes estágios de implantação.

A Aneel acompanha essa expansão por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (RALIE), que reúne informações sobre os empreendimentos em implantação, cronogramas, situação das obras e previsões de entrada em operação. A base é atualizada periodicamente pela agência.

Expansão aumenta desafios de integração

O crescimento acelerado da capacidade solar também amplia os desafios para a operação do sistema elétrico. A entrada de grandes volumes de geração fotovoltaica, concentrada principalmente durante o período diurno, exige maior capacidade de flexibilidade, transmissão e armazenamento para acomodar a produção e manter o equilíbrio entre oferta e demanda.

Esse cenário ganha relevância diante do avanço dos sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e das discussões regulatórias sobre flexibilidade e integração de fontes renováveis variáveis.

Para 2026, entretanto, os dados da Aneel mostram que a expansão da matriz continua fortemente concentrada na fonte solar: de cada 10 MW adicionados ao sistema entre janeiro e agosto, cerca de 7,3 MW vieram de usinas fotovoltaicas. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Irradiância solar no Brasil no inverno de 2026

Irradiância solar enfrenta cenários opostos no Brasil durante o inverno de 2026.
O segredo para uma casa fresca no verão e quentinha no inverno!

Você sabia que a posição da sua casa em relação ao sol pode mudar drasticamente o conforto térmico e a conta de luz?

Entendendo o gráfico (Hemisfério Sul):

Melhor (Face Norte): Recebe a maior parte da insolação durante o inverno (quando o sol está mais baixo), mantendo a casa aquecida e livre de mofo. No verão, como o sol passa mais a pino (alto), é fácil proteger essa fachada com beirais curtos.

Pior (Face Sul): Recebe pouquíssima incidência direta de sol durante o ano todo. Em regiões frias ou úmidas, isso pode significar quartos gelados e problemas com umidade.

Antes de construir, sempre verifique a Bússola! O projeto deve se adaptar ao terreno, e não o contrário.

Estes dados são os mesmos utilizados para a melhor colocação das placas solares a fim de produzir energia solar fotovoltaica.

Acumulado anual de irradiação solar em plano horizontal. A escala de cores indica o potencial solar das regiões: tons vermelhos representam áreas com maior incidência solar, enquanto os tons azulados indicam menor potencial.

Durante o inverno de 2026, a irradiância solar no Brasil apresentou um comportamento dividido entre as regiões Centro-Norte e o Sul do país.

Cenários por Região

• Centro-Norte: Em junho, locais como Centro-Oeste, São Paulo, sul de Minas e Triângulo Mineiro tiveram radiação abaixo da média devido a correntes de jato e umidade do Atlântico. Em agosto, a situação melhorou com a redução de nuvens impulsionada pelo enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical. O extremo Norte (como Roraima e Amazonas) registrou índices superiores à média em julho.

• Região Sul: O padrão inverteu-se no fim do inverno. O Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina registraram irradiância abaixo da média devido ao aumento de frentes frias e ciclones extratropicais.

Fatores de Influência

• Circulação Atmosférica: A nebulosidade e a umidade pesaram mais que a chuva isolada na quantidade de luz recebida pelos painéis.

• Papel do El Niño: O fenômeno influenciou o deslocamento de sistemas que trouxeram mais nuvens ao Sul e tempo mais aberto no Centro-Norte durante agosto.

O inverno de 2026 mostrou que chuva não é o único fator que influencia a geração fotovoltaica. A presença de nuvens, a umidade e a circulação atmosférica também interferem diretamente na quantidade de radiação que chega aos painéis, escreve o meteorologista da Tempo OK, Paulo Lombardi, em nova coluna publicada pela pv magazine Brasil.
O inverno meteorológico de 2026 terminou com fortes contrastes nas condições de geração solar pelo país. Enquanto o extremo Norte e o leste do Nordeste registraram irradiância acima do padrão para a estação, áreas do Centro-Oeste, da Amazônia e do Matopiba enfrentaram nebulosidade mais frequente que o normal, reduzindo a incidência de radiação solar e, consequentemente, o potencial de geração dos sistemas fotovoltaicos.

O comportamento chamou atenção justamente porque o inverno meteorológico, período que é compreendido entre os meses de junho, julho e agosto, tradicionalmente, é uma das estações mais favoráveis à geração solar em grande parte do Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste. Entre junho e agosto, o período seco costuma favorecer a presença de dias ensolarados e menor persistência de nuvens nessas regiões, compensando parcialmente o fato de os dias serem mais curtos.

A condição é sazonal e se dá por conta do auge da estação seca na América do Sul. Durante o período seco, a circulação atmosférica em baixos níveis tende a dificultar que a convergência de umidade e a nebulosidade mais persistente se posicionem no Centro-Norte do Brasil. Junto a isso, a circulação em altitude, dominada majoritariamente pelos jatos subtropical e polar, tende a ficar mais intensa no Sul do país, que é onde se concentra a maior frequência de sistemas como frentes frias e ciclones.

Em 2026, porém, a atmosfera apresentou uma configuração diferente. Uma corrente de jato mais intensa e deslocada para o norte, combinada com águas mais aquecidas no Atlântico Sul Tropical, favoreceu o aumento da umidade e da nebulosidade sobre parte do Centro-Norte do país. Mesmo sem provocar necessariamente mais chuva, essa condição reduziu a incidência de radiação solar em algumas regiões e afetou o potencial de geração fotovoltaica.

Figura 1: irradiância solar durante o mês de junho/2026.

Em junho, a irradiância ficou abaixo da média na metade sul da Região Norte, no Centro-Oeste, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Triângulo Mineiro (Figura 1). A corrente de jato mais deslocada para o norte e o maior aporte de umidade do Atlântico Tropical favoreceram a formação de nebulosidade e reduziram a incidência de radiação solar.

No extremo Norte, o cenário foi oposto, com irradiância acima da média, especialmente próximo às fronteiras com Venezuela, Colômbia e norte do Peru. O enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical, influenciado pelo El Niño, reduziu a formação de nuvens e favoreceu a radiação solar. Grande parte do Nordeste também teve condições favoráveis, enquanto o Sul permaneceu próximo da média.

Em julho, o contraste se intensificou. A faixa de menor irradiância avançou pela porção sul da Amazônia, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e áreas da Bahia e do Maranhão, sob influência da maior umidade e da corrente de jato deslocada para o norte.

Figura 2: irradiância solar durante o mês de julho/2026.

No extremo Norte, a irradiância aumentou ainda mais. Em grande parte de Roraima e no norte do Amazonas, ficou mais de 1,20 kWh/m2 por dia acima da média (Figura 2). O leste do Nordeste também manteve o padrão favorável, associado ao enfraquecimento dos ventos alísios e à menor frequência de sistemas que levam umidade do Atlântico para a região.

No Sul, por outro lado, os sinais começaram a mudar. O Rio Grande do Sul passou a registrar menor irradiância, acompanhando o aumento da frequência de sistemas frontais que avançaram sobre a região.

Figura 3: irradiância solar durante o mês de agosto/2026.

No último mês do inverno meteorológico, o cenário começou a mudar. Em agosto, as áreas do Centro-Norte que haviam registrado menor irradiância nos meses anteriores apresentaram recuperação, com os níveis de radiação solar mais próximos da média e apenas alguns pontos isolados de valores abaixo do normal (Figura 3).

Enquanto o Centro-Norte ganhava força, o Sul passou a concentrar as condições menos favoráveis à geração solar. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram as áreas mais extensas de irradiância abaixo da média, com o padrão também avançando sobre o Uruguai e o nordeste da Argentina.

A mudança acompanhou o aumento da frequência e da intensidade de frentes frias e ciclones extratropicais, típicos do fim do inverno e que podem ter sua atuação reforçada pelo El Niño. A maior presença desses sistemas aumentou a nebulosidade sobre a região e reduziu a disponibilidade de radiação solar.

O inverno de 2026 mostrou que chuva não é o único fator que influencia a geração fotovoltaica. A presença de nuvens, a umidade e a circulação atmosférica também interferem diretamente na quantidade de radiação que chega aos painéis.

As diferenças observadas entre as regiões ao longo da estação reforçam a importância de acompanhar essas variáveis para prever a geração e planejar a operação dos sistemas solares. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Energia solar amplia interesse no Brasil para além das residências

O interesse por energia solar no Brasil avança fortemente no agronegócio e no setor corporativo, com as fazendas e empresas figurando entre os principais tipos de imóveis buscados na internet para a instalação de sistemas fotovoltaicos.

Principais Motivos da Expansão

• Agronegócio no campo: As fazendas aparecem no topo das buscas para aplicações como irrigação, bombeamento de água, refrigeração e processamento de safras.

• Buscas aceleradas: Pesquisas recentes apontam que o tema registra um novo interesse de busca no Google a cada 6 segundos no país, impulsionado por empresas e comércios na segunda posição geral.

• Redução de custos: A alta nas tarifas de eletricidade estimula consumidores rurais e comerciais a buscarem autonomia e economia na conta de luz.

Buscas por sistemas fotovoltaicos para empresas e fazendas ganham relevância, enquanto mais de 4,9 milhões de pesquisas relacionadas à fonte foram registradas no Google em 12 meses.

Economia, sustentabilidade e busca por maior autonomia energética estão entre os fatores que impulsionam a procura por sistemas de geração solar no Brasil. Esse movimento também aparece no comportamento dos consumidores nos mecanismos de busca, com o interesse pela tecnologia se expandindo para diferentes tipos de imóveis e atividades econômicas.

Um levantamento realizado pela Descarbonize Soluções, energytech especializada em energia solar e transição energética, identificou mais de 4,9 milhões de buscas relacionadas aos termos “energia solar” e “energia solar para” no Google entre julho/2025 e junho/2026.

Os dados mostram que, embora as aplicações residenciais ainda concentrem a maior parte do interesse, as pesquisas por soluções destinadas a empresas, fazendas, apartamentos e condomínios também aparecem entre os principais resultados. O movimento sugere uma diversificação dos públicos que consideram a geração fotovoltaica como alternativa para reduzir custos e ampliar a autonomia no consumo de eletricidade.

A expansão do interesse ocorre em paralelo ao crescimento da fonte no país. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a solar soma 68,8 GW de capacidade instalada no Brasil e responde por cerca de 25% da matriz elétrica, ocupando a segunda posição entre as fontes de geração.

Residências ainda lideram as buscas

A pesquisa por “energia solar para residência” aparece na primeira posição entre os tipos de imóveis analisados pela Descarbonize. O resultado acompanha a expansão da geração distribuída entre consumidores residenciais.

Segundo dados de 2025 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil já ultrapassou a marca de 3 milhões de sistemas residenciais de geração solar.

O interesse, entretanto, não se restringe às casas. As buscas por energia solar para apartamentos e energia solar para condomínios também aparecem no levantamento, indicando que a procura pela tecnologia alcança diferentes modelos de habitação.

A diversificação é relevante porque a instalação de sistemas fotovoltaicos em empreendimentos residenciais coletivos envolve modelos diferentes daqueles adotados em casas, incluindo geração compartilhada, autoconsumo remoto e projetos destinados ao atendimento das áreas comuns.

Empresas ganham espaço no interesse

Depois das aplicações residenciais, as empresas aparecem na segunda posição entre os tipos de imóveis mais associados às buscas por energia solar.

No segmento corporativo, a geração própria pode ser utilizada como estratégia para reduzir despesas com eletricidade e aumentar a previsibilidade dos custos, além de contribuir para metas de sustentabilidade e descarbonização.

O interesse também acompanha a expansão da geração própria entre consumidores empresariais. Segundo levantamento da TTS Energia, elaborado com base em dados oficiais da Aneel, mais de 217 mil empresas passaram a contar com geração própria entre janeiro e outubro.

A distribuição regional das pesquisas também chama atenção. No Norte, Rondônia e Tocantins aparecem entre os estados com maior volume proporcional de buscas por energia solar para empresas. Os dois estados também estão entre os três primeiros da região em geração distribuída solar, segundo dados de 2026 da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O Nordeste aparece representado por Piauí, Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Norte. Embora apresentem elevado interesse proporcional nas pesquisas, esses estados ainda não estão entre os líderes nacionais em capacidade instalada de geração distribuída solar.

A diferença entre interesse digital e capacidade instalada pode indicar mercados em diferentes estágios de desenvolvimento, nos quais a procura por informações e soluções fotovoltaicas cresce antes de uma expansão equivalente da infraestrutura instalada.

No Centro-Oeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aparecem entre os destaques. Mato Grosso, por sua vez, lidera a geração distribuída solar na região.

No Sudeste, o Espírito Santo figura entre os estados com maior interesse proporcional nas pesquisas. Já o Paraná, no Sul, ocupa a terceira posição nacional em capacidade instalada de geração distribuída solar, reforçando a importância da tecnologia no estado.

Agronegócio amplia procura por geração própria

O interesse também avança para o meio rural. As fazendas aparecem entre os cinco tipos de imóveis mais associados às buscas por energia solar, indicando a crescente presença da tecnologia no agronegócio.

No campo, a geração própria pode atender cargas como sistemas de irrigação, bombeamento de água, refrigeração, armazenamento, processamento e outras operações que dependem de eletricidade.

Segundo os dados apresentados pela Descarbonize, a classe rural responde por aproximadamente 14% da potência solar instalada no Brasil. Nos últimos 4 anos, a capacidade fotovoltaica associada ao agronegócio teria crescido mais de 7 vezes.

O número de unidades consumidoras rurais atendidas por geração solar também aumentou significativamente, passando de 54 mil em 2020 para 471 mil ao final de 2024.

O avanço indica que a geração distribuída deixou de estar concentrada nos centros urbanos e passou a ganhar relevância em atividades produtivas nas quais a disponibilidade e o custo da eletricidade têm impacto direto sobre a operação.

“A energia solar vem ganhando espaço em diferentes setores e realidades, e o crescimento das buscas por instalações fotovoltaicas mostra que cada vez mais brasileiros enxergam a geração solar como uma alternativa para conquistar mais autonomia, eficiência e previsibilidade nos custos de energia”, afirma a gerente de Marketing da Descarbonize Soluções, Milena Andrade.

De acordo com a executiva, a mudança no comportamento das buscas acompanha uma transformação na maneira como consumidores e empresas avaliam o próprio consumo de energia.

Metodologia

O levantamento foi realizado a partir da identificação de buscas no Google relacionadas aos termos “energia solar” e “energia solar para”, considerando o período de julho/2025 a junho/2026.

Para identificar os estados brasileiros com maior interesse por energia solar para empresas, foram considerados os volumes de pesquisa relacionados ao termo. Os resultados foram posteriormente ponderados pelo número de habitantes de cada estado, de modo a estabelecer rankings proporcionais e reduzir o efeito das diferenças populacionais entre as unidades da federação. (pv-magazine-brasil)

sábado, 10 de outubro de 2026

Adoção de veículos elétricos e híbridos já afeta demanda por combustíveis no país

Adoção de veículos elétricos e híbridos já afeta demanda por combustíveis no país

A adoção acelerada de veículos elétricos e híbridos no Brasil já reduziu o consumo de gasolina e etanol em cerca de 700 milhões de litros, o equivalente a 1% da demanda doméstica.

Impactos no Mercado de Combustíveis

• Redução inicial: O volume deixado de consumir representa uma mudança estrutural no mercado de energia.

• Projeções de longo prazo: Um estudo do Bradesco BBI aponta que os veículos eletrificados podem alcançar 31% da frota nacional em 2035, cortando o consumo de combustíveis em cerca de 20%.

• Alternativas para o etanol: Especialistas indicam que o excesso de etanol poderá ser redirecionado para outros mercados, como a produção de combustível sustentável de aviação (SAF).

Panorama da Frota

• Participação nas vendas: Os eletrificados já representam uma fatia expressiva das vendas de veículos novos no país, superando marcas históricas em emplacamentos mensais.

• Adaptação do setor: Grandes distribuidoras e postos começam a avaliar os reflexos dessa transição gradual na infraestrutura e na velocidade de crescimento da demanda por derivados de petróleo.
O avanço acelerado nas vendas de veículos elétricos no Brasil começa a afetar a demanda por gasolina e etanol, tendência que deve se acentuar nas próximas duas décadas, segundo estimativas de especialistas. Estudo do Citi indica que, no ano passado, 700 milhões de litros de combustíveis - álcool e gasolina, mais especificamente - deixaram de ser consumidos no país devido à utilização de veículos eletrificados (elétricos e híbridos). O montante equivale a 1% da demanda doméstica em 2025.

A mudança é estrutural e de longo prazo, sustenta o Citi. Com base numa projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1,8% para o biênio 2025-2026, o banco prevê que o consumo de combustíveis do chamado ciclo Otto - categoria que abrange etanol e gasolina - deve aumentar a uma taxa próxima de 120% do PIB. Já a partir de 2027, a tendência deve se inverter, com a demanda encolhendo enquanto o PIB se expande.

Numa linha similar, cenários traçados pela organização não governamental ICCT Brasil também apontam para uma redução gradual no consumo de combustíveis até 2050, mesmo num contexto de eletrificação moderada da frota. “Em todos os estudos que fizemos, a gente cai nesse lugar [de diminuição da demanda por combustíveis]. Porque, quanto mais tiver penetração de elétrico, o consumo vai ser reduzido”, afirma Marcel Martin, diretor-geral do ICCT Brasil.

Ainda modesta em termos agregados, essa erosão na demanda por etanol e gasolina tende a se acelerar no Brasil, afirma o Citi. No cenário mais provável traçado pelo banco, o volume de etanol e gasolina “deslocado” - aquele que deixou de ser consumido em função do uso de carros elétricos e híbridos - alcança 5 bilhões de litros em 2030, o equivalente a 8% da demanda real. Já em 2040, esse percentual sobe para 14% (9 bilhões de litros).

“Já tem um impacto no consumo de combustível vindo desses carros eletrificados”, afirma Gabriel Barra, analista do Citi, autor do estudo em conjunto com Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello. “Quando olhamos para os cenários mais à frente, um ponto importante é a penetração hoje no Brasil: ela é alta [em termos] de vendas de carros eletrificados”, acrescenta.

Em julho, os emplacamentos de veículos elétricos e híbridos somaram pouco mais de 56 mil unidades, quase três vezes mais do que o total vendido no mesmo mês de 2025, conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Com isso, a participação dos eletrificados no total de vendas do mercado alcançou 21,1% em julho.
Apesar da fatia crescente nas vendas, ao fim de 2025, a penetração dos eletrificados na frota circulante de veículos leves era de apenas 1,3%, segundo a consultoria americana Integrate Data Facts (IDF).

O boom de vendas tem relação direta com a queda nos preços de automóveis elétricos no país. Se em 2012, ano de lançamento do primeiro carro eletrificado importado no Brasil, esse tipo de veículo custava cerca de 8,5 vezes mais do que um movido a combustão, a diferença atualmente é de aproximadamente 1,3 vez, calcula o Citi.

“Aqui [no Brasil], o que importa é preço, né? Assim, o carro da mesma categoria, um pouquinho mais barato, vende. Então, isso é tudo que o chinês gosta”, resume o professor e pesquisador Edmar de Almeida, do Instituto de Energia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Entre os 15 modelos de carros eletrificados mais vendidos em julho no Brasil, 14 são de montadoras chinesas, conforme dados compilados pela ABVE. Juntos, esses 14 modelos responderam por quase 62,5% das vendas dessa categoria no período.

Apesar de a alíquota do Imposto de Importação para veículos eletrificados montados fora do Brasil ter subido para 35% em julho, o Citi não enxerga as tarifas como obstáculo capaz de frear significativamente a entrada dos carros chineses no país. Isso porque foram estabelecidas cotas para veículos desmontados e semidesmontados. E, além disso, montadoras chinesas começam a produzir no Brasil.

Outra variável que pressiona a demanda por combustíveis é a adoção dos veículos leves elétricos e híbridos nas frotas comerciais, como taxis e carros utilizados em aplicativos de mobilidade. São motoristas que, no modelo adotado pelo Citi, rodam em média 48 mil quilômetros por ano, seis vezes mais que os condutores tradicionais (8 mil km/ano).
“Quando você vê essa penetração pequena, mas numa fatia do consumidor que roda muito com esse carro, esse impacto é muito relevante. Você tem um fator multiplicador, por mais que o percentual da frota seja pequeno, ele acaba sendo amplificado por esse consumo muito maior do que o resto da frota”, sustenta Gabriel Barra.

Um 3º ponto levantado pelos analistas do Citi é a estagnação da eficiência da frota a combustão. O modelo mais eficiente entre os dez mais vendidos no país fazia cerca de 16 quilômetros por litro (km/l) por volta de 2016. Atualmente, esse indicador está em aproximadamente 15 km/l.

Levando em consideração a média ponderada dos 10 modelos líderes de mercado, a eficiência dos carros a combustão melhorou cerca de 16% no período de 7 anos até 2016 e aproximadamente apenas 2% nos 9 anos seguintes.

Estudo do ICCT sobre descarbonização do transporte rodoviário projeta redução expressiva no consumo de energia - principalmente gasolina, etanol e diesel - em cenários de eletrificação “moderada” (-14,5%) e “ambiciosa” (- 41,5%) para o período 2025 a 2050, apesar do crescimento de 27% da frota.

Moderada, na visão da ONG, seria uma conjuntura em que as vendas de veículos elétricos à bateria estivessem alinhadas com as de outros países da América Latina, o que reduziria os níveis de emissão de gases do efeito estufa em 28%, na comparação entre 2025 e 2050. A versão ambiciosa, por sua vez, se baseia na premissa de uma transição acelerada para veículos com zero emissões, com foco nos elétricos a bateria.

Essa transição, porém, está longe de representar um risco para a indústria de combustíveis tanto no curto como no médio prazo. “O uso de combustível, seja ele etanol, seja fóssil, ele ainda vai perdurar. Existe uma transição que não é da noite para o dia”, frisa Martin, do ICCT Brasil. Pelos cálculos do Citi, a participação dos eletrificados chegaria em 2030 a 11% da frota circulante brasileira num cenário em que estes veículos respondam por 37% das vendas.

No caso do etanol, Edmar de Almeida, da PUC-Rio, enxerga a possibilidade de deslocamento do produto para outros mercados que não o automotivo. “Não acredito que seja um problema a longo prazo porque o etanol tem outros mercados, principalmente o de SAF [sigla em inglês para combustível sustentável de aviação]”, explica o acadêmico. “Se tiver etanol sobrando, você pode converter isso em combustível de aviação”.

Procurados para comentar os efeitos da eletrificação da frota de veículos leves no consumo de gasolina e álcool no país, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) e a Ipiranga preferiram não se manifestar sobre o tema.

Já a Vibra informou por e-mail que “acompanha a evolução da mobilidade no Brasil e entende que a eletrificação terá papel crescente nos próximos anos”. Mas frisou que a dinâmica brasileira é distinta da observada em outros mercados e deverá ser marcada pela convivência entre diferentes tecnologias e soluções energéticas.

“Na visão da companhia, a demanda por combustíveis líquidos continuará relevante nos próximos anos, refletindo as características da frota, da infraestrutura e da matriz energética do país”, esclareceu a distribuidora, acrescentando que investe em iniciativas ligadas à eletromobilidade, como a rede privada de eletropostos EZVolt. (biodieselbr)

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

China dispara na eletrificação de caminhões

China dispara na eletrificação de caminhões e amplia distância para Europa e Estados Unidos.
A China lidera a eletrificação de caminhões pesados com mais de 230 mil veículos de emissão zero vendidos em 2024, distanciando-se consideravelmente de Europa e Estados Unidos.

Cenário Global dos Pesados

• China: Mais de 230 mil unidades em 2024; elétricos já representam cerca de 30% das vendas.

• Europa: Adoção em patamar de um dígito, com transição mais lenta e foco também em híbridos.

• Estados Unidos: Ritmo inferior ao chinês na conversão da frota de pesados rodoviários.

Fatores de Impulsionamento

• Custo do Diesel: A alta nos combustíveis acelera a troca por frotas elétricas.

• Autonomia e ESC: Integração de tecnologia autônoma e inteligência artificial reduzindo custos operacionais.

• Escala Doméstica: Mercado interno consolidado permitindo forte expansão exportadora para a Ásia e o Ocidente.

A eletrificação dos veículos pesados de mercadorias tornou-se uma das principais frentes para a descarbonização do transporte rodoviário. No entanto, embora caminhões elétricos comecem a ganhar espaço nos principais mercados globais, o ritmo dessa transformação varia significativamente entre as regiões.

A análise do ICCT, Conselho Internacional de Transporte Limpo, que acompanha a evolução dos veículos comerciais de emissão zero, deixa clara essa diferença. Em 2024, a China consolidou uma vantagem expressiva sobre Europa e Estados Unidos, tanto em volume de vendas quanto na velocidade de crescimento do mercado.

O mercado chinês registrou mais de 230 mil veículos médios e pesados de emissão zero em 2024, o maior volume já registrado pelo país. Vale lembrar que o ICCT está fechando os volumes de 2025.

Seja como for, caminhões e cavalos mecânicos responderam por aproximadamente 80% desse total. Assim, prova que a eletrificação chinesa deixou de se concentrar apenas no transporte urbano de passageiros e avançou de maneira significativa sobre o transporte de cargas.

China lidera

O avanço chinês ganhou força principalmente no último trimestre de 2024. Segundo o ICCT, um pacote de estímulo econômico anunciado pelo governo em setembro impulsionou as vendas e levou o mercado de veículos médios e pesados de emissão zero a um novo recorde.

Nos caminhões acima de 12 toneladas o diesel ainda predominava em 2024, mas sua participação caiu para 57%, ante 70% no ano anterior. Ao mesmo tempo, os caminhões movidos a gás natural alcançaram aproximadamente 29%. Enquanto os veículos elétricos a bateria chegou a 13%.

Mais importante, porém, foi a evolução ao longo do ano. Em dezembro, os caminhões elétricos pesados já representavam quase 21% das vendas, mais que o dobro do nível observado no início de 2024. Nos caminhões médios, os elétricos também chegaram a aproximadamente 14% do mercado no ano e superaram 20% em dezembro.

Nos ônibus, a vantagem chinesa é ainda maior. As tecnologias de emissão zero — incluindo baterias, híbridos e células de combustível — representaram praticamente todo o mercado de ônibus urbanos em 2024.

Europa avança em outro ritmo

Fora da China, a Europa aparece como o segundo grande polo de eletrificação dos veículos pesados. Embora em uma escala muito menor.

De acordo com o ICCT, a União Europeia registrou pouco mais de 14 mil veículos pesados de emissão zero em 2024, contra cerca de 11 mil em 2023. O crescimento, portanto, chegou a aproximadamente 27% em apenas um ano.

A diferença fica ainda mais evidente quando se observa a participação de mercado. Nos caminhões pesados, acima de 12 toneladas, os veículos de emissão zero representaram 1,2% das vendas europeias em 2024, ante 0,9% em 2023.

Nos caminhões leves e médios, abaixo de 12 toneladas, a participação foi bem maior, chegando a 10%, contra 6% em 2023. Já os ônibus atingiram 17% das vendas, avanço marginal em relação aos 16% registrados no ano anterior.

Além disso, o 4º trimestre mostrou que a eletrificação pode acelerar. Os ônibus urbanos de emissão zero ultrapassaram 50% das vendas no 4º trimestre de 2024, marcando a primeira vez em que os modelos de emissão zero superaram os veículos convencionais nesse segmento na Europa.

A Alemanha aparece como um dos principais motores desse movimento. As vendas de caminhões pesados de emissão zero no país passaram de aproximadamente 750 unidades em 2023 para 1,2 mil em 2024. Nos caminhões leves e médios, o volume saltou de 1,6 mil para 2,7 mil unidades no mesmo período.

Assim, embora a Europa ainda esteja muito distante da escala chinesa, o mercado europeu demonstra uma trajetória de crescimento mais consistente. Sobretudo, apoiada por metas regulatórias de redução de emissões, oferta crescente de modelos elétricos e expansão da infraestrutura de recarga.

Estados Unidos engatinham

Mas nos Estados Unidos a eletrificação dos veículos médios e pesados avança em ritmo consideravelmente mais lento.

O ICCT contabilizou aproximadamente 2 mil 810 caminhões e ônibus médios e pesados de emissão zero registrados em 2024. O número representa crescimento em relação às 1,6 mil unidades de 2023, mas ainda corresponde a apenas 0,6% de todo o mercado estadunidense de veículos médios e pesados.

A diferença aparece claramente na divisão por segmentos. Em 2024, os veículos de emissão zero representaram 0,2% dos caminhões médios e 0,4% dos caminhões pesados vendidos nos Estados Unidos. Entretanto, nos ônibus, a participação chegou a 7%, indicando novamente que a eletrificação avança mais rapidamente no transporte urbano do que no transporte de cargas de longa distância.

Apesar da baixa participação, o mercado estadunidense também apresentou evolução. O volume total de registros de veículos médios e pesados de emissão zero cresceu de aproximadamente 0,3% do mercado em 2023 para 0,6% em 2024. Portanto, a base ainda é pequena, mas a tendência permanece de expansão. (biodieselbr)