quarta-feira, 10 de junho de 2026

Prefeitura de Pinhais/PR, amplia parque solar com economia anual de R$ 950.000

Prefeitura de Pinhais, no Paraná, amplia parque solar e projeta economia anual de R$ 950 mil.
A Prefeitura de Pinhais, no Paraná, consolidou sua infraestrutura sustentável com a ampliação de seu parque solar, projetando uma economia anual de aproximadamente R$ 950 mil aos cofres públicos. O sistema, que passou por expansão em 2026, utiliza energia limpa para abastecer 21 unidades públicas municipais.

Destaques do Projeto Solar em Pinhais (Dados de Maio/2026): m2.

• Geração e Economia: A geração estimada é de 1.267.200 kWh por ano, resultando em uma economia anual de R$ 950.400,00.

• Investimento: O projeto foi viabilizado com recursos próprios da prefeitura, totalizando um investimento de cerca de R$ 2,4 milhões à R$ 3 milhões.

• Funcionamento: O sistema opera na modalidade de autoconsumo remoto (on-grid) com a Copel, permitindo que o excedente gerado, especialmente em férias escolares, compense o consumo de outras unidades, como postos de saúde e secretarias.

• Locais Beneficiados: A estrutura inclui um carport solar (estacionamento coberto) no Cenforpe 2, além de painéis no Horto Municipal, sede da prefeitura e Centro de Convivência do Idoso (CCI).

Evolução da Sustentabilidade:

A cidade tem expandido sua capacidade de forma gradual. Em dezembro de 2025, o parque possuía 1.498 módulos, com uma economia estimada de R$ 845 mil, valor que foi superado pela nova expansão de 2026.

Sistema com 1.936 módulos fotovoltaicos abastece 21 unidades públicas por meio de compensação de créditos energéticos; investimento total no projeto foi de cerca de R$ 3 milhões.
A Prefeitura de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, ampliou seu parque fotovoltaico municipal e estima uma economia anual de aproximadamente R$ 950,4 mil com a geração própria de energia solar. O sistema passou a contar com 1.936 módulos fotovoltaicos integrados à rede elétrica, distribuídos em uma área de cerca de 5,4 mil m².

Segundo a administração municipal, a geração anual prevista é de 1.267.200 kWh, energia suficiente para abastecer parte significativa das unidades públicas atendidas pelo programa de compensação energética da prefeitura. O investimento total no projeto alcançou cerca de R$ 3 milhões, somando recursos próprios do município, aportes da Itaipu Binacional e verbas do Fundo Municipal de Meio Ambiente (FMMA).

Prefeitura de Pinhais inaugura nova sede com estrutura moderna, sustentável e acessível

O modelo adotado utiliza o sistema on-grid, no qual a energia excedente produzida é injetada na rede da Copel e convertida em créditos energéticos. Esses créditos são utilizados para compensar o consumo de 21 unidades municipais, incluindo prédios administrativos, escolas, centros municipais de educação infantil (Cmeis) e unidades de saúde.

Entre as estruturas instaladas está um carport solar no Cenforpe 2 — estacionamento coberto com painéis solares inaugurado neste ano — além de sistemas já implantados em locais como o Horto Municipal, a sede da prefeitura e o Centro de Convivência do Idoso (CCI).

De acordo com a prefeitura, o sistema também permite otimizar o consumo energético entre diferentes prédios públicos. Em períodos de baixa demanda, como férias escolares, a energia excedente pode ser redirecionada automaticamente para unidades com funcionamento contínuo, como secretarias municipais e serviços de saúde.

São José dos Pinhais (PR) inaugura escultura solar que abastece o Terminal de Ônibus Afonso Penha.

O município vem expandindo gradualmente sua infraestrutura solar. Em dezembro/2025, o parque fotovoltaico municipal contabilizava 1.498 módulos e uma economia anual estimada em R$ 845 mil. Com a nova expansão, houve crescimento tanto da capacidade instalada quanto da projeção de redução de custos com eletricidade. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Usinas fotovoltaicas reduzem a velocidade do vento e aumentam a umidade do solo

Uma equipe de pesquisa sediada na China realizou uma revisão sistemática e meta-análise de 147 estudos sobre como os sistemas fotovoltaicos solares alteram os processos da superfície terrestre, abrangendo 609 instalações em todo o mundo e 11 variáveis ​​climáticas principais.
Uma equipe de pesquisa da China realizou uma revisão sistemática e meta-análise das mudanças nos processos da superfície terrestre associadas a sistemas fotovoltaicos solares.

A revisão começou com 4.909 publicações relacionadas a sistemas fotovoltaicos e processos da superfície terrestre. Após a remoção de revisões, relatórios, artigos em outros idiomas que não o inglês e estudos que não apresentavam comparações diretas entre condições climáticas com e sem sistemas fotovoltaicos, os pesquisadores analisaram 90 artigos completos. Outros 30 estudos foram identificados a partir das listas de referências, juntamente com 27 estudos recém-publicados e amplamente citados. O conjunto de dados final compreendeu 147 estudos.

Esses estudos abrangeram 609 sistemas fotovoltaicos operacionais em todo o mundo e utilizaram três metodologias principais: observações de campo, sensoriamento remoto e simulações numéricas.

Para a meta-análise, a equipe avaliou 11 variáveis ​​climáticas: temperatura do ar diária, diurna e noturna; velocidade do vento; umidade relativa; albedo; temperatura da superfície terrestre diária, diurna e noturna; temperatura do solo; e teor de água no solo.

“Observou-se um claro viés geográfico, com 93,6% dos sistemas fotovoltaicos localizados no Hemisfério Norte”, observaram os pesquisadores. “A China (316 sistemas), os Estados Unidos (104) e a Índia (44) representam as maiores parcelas”.

Em termos de cobertura do solo, a maioria dos sistemas fotovoltaicos estudados estava localizada em pastagens (208 sistemas), seguida por terrenos baldios (173) e terras agrícolas (159). Regiões áridas dominaram a amostra, com 27,3% e 31,7% dos sistemas localizados nas zonas climáticas BS (estepe semiárida) e BW (deserto árido), respectivamente.

Para as variáveis ​​relacionadas à temperatura, os autores utilizaram a diferença média (DM) para quantificar as mudanças absolutas entre os locais com e sem painéis fotovoltaicos. Para a velocidade do vento, umidade relativa, albedo e teor de água no solo, aplicaram a razão das médias (RM) para avaliar as mudanças percentuais.

De forma geral, os sistemas fotovoltaicos foram associados a pequenos aumentos não significativos na temperatura do ar diária (+0,03°C), na temperatura do ar durante o dia (+0,34°C), na temperatura do ar durante a noite (+0,18°C) e na umidade relativa (+1,77%).

Em contrapartida, observaram-se diversos efeitos significativos, incluindo uma redução na velocidade do vento (−29,96%) e no albedo (−17,49%), bem como diminuições na temperatura diária da superfície terrestre (−0,44°C), na temperatura diurna da superfície terrestre (−0,90°C) e na temperatura do solo (−2,42°C), juntamente com um aumento substancial no teor de água do solo (+38,60%). A temperatura noturna da superfície terrestre apresentou um ligeiro declínio não significativo (−0,08°C).

Com base nas descobertas, a equipe propôs uma estrutura integrada para avaliar as mudanças nos processos da superfície terrestre induzidas pela energia fotovoltaica. “Sua estrutura principal consiste em 5 módulos: superfície subjacente, método de pesquisa, variável climática, processo da superfície terrestre e escala de pesquisa”, explicaram.

Mega parques solares estão "hackeando" o clima e ressuscitando desertos

A instalação de milhões de painéis alterou o balanço radiativo da superfície. Os painéis criam sombras constantes que reduzem a temperatura do solo e a evaporação da água. Dados de campo revelam números surpreendentes:

- Redução de 41,2% na velocidade média do vento, funcionando como uma barreira física contra a erosão.

- Aumento de 32% na umidade do solo a 20 cm de profundidade.

- O milagre do orvalho: À noite, os painéis resfriam rapidamente, fazendo com que a umidade do ar condense no vidro. Pela manhã, esse orvalho escorre e irriga o solo diretamente na base das estruturas. (pv-magazine-brasil)

Com destaque para eletricidade e veículos elétricos

 Com destaque para eletricidade e veículos elétricos, Brasil é principal destino de investimentos chineses.

O Brasil consolidou-se como o principal destino mundial dos investimentos chineses em 2025, atraindo US\ (6,1 bilhões (aprox. R\) 30 bilhões), um aumento de 45% sobre 2024. Os aportes concentraram-se em energia (elétrica e renovável) e no setor automotivo, com destaque para a produção local de veículos elétricos e híbridos por empresas como BYD e GWM.

Destaques do Investimento Chinês em 2025

• Ranking Mundial: O Brasil recebeu 10,9% de todo o capital chinês investido no exterior, superando Estados Unidos (6,8%) e Guiana (5,7%).

• Energia e Transição Energética: O setor elétrico continua sendo o principal foco, com forte presença em geração, transmissão e energia renovável.

• Veículos Elétricos: Empresas como BYD e GWM lideram a transformação de antigas fábricas em polos de mobilidade elétrica.

• Mineração e Tecnologia: Setores como mineração triplicaram os investimentos, além de crescimento em tecnologia da informação e logística.

Principais Impulsionadores

• Estratégia Local: A China busca diversificar sua presença e consolidar parcerias estratégicas na América Latina.

• Descarbonização: O foco em energia limpa e carros elétricos reflete a agenda global de descarbonização.

• Mercado Consumidor: O tamanho do mercado brasileiro atrai a produção local, visando também a exportação para a região.

Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil alternou sua posição entre o primeiro e o quinto lugar nos últimos cinco anos, retomando o topo em 2025.

O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$ 6,1 bilhões, dos quais 29% foram destinados ao setor de eletricidade. No segmento automotivo, a BYD e a GWM iniciaram a operação de suas fábricas de veículos elétricos no Brasil, enquanto a Geely anunciou uma nova parceria com a Renault em eletromobilidade.
O Complexo Solar Panati, da SPIC, está localizado em Jaguaratema (CE), com 292 MWP.

O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$ 6,1 bilhões em projetos distribuídos por 20 estados brasileiros. O valor corresponde a 10,9% dos investimentos da China em outros países, com Estados Unidos (6,8) e Guiana (5,7%) parecendo em seguida.

O setor de eletricidade, que inclui geração, transmissão e distribuição de energia, foi o que mais atraiu investimentos chineses no Brasil em 2025, representando 29,5% do total, com US$ 1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024. Em ritmo semelhante, o número de projetos chegou a 27, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.

Os números são apresentados no estudo “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade Elétrica e Renováveis”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Durante evento de lançamento do documento, a CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, destacou a atratividade do Brasil para investimentos em energia renovável, não apenas pela disponibilidade de recursos naturais, mas também pela estrutura regulatória, pelos contratos de longo prazo e pela presença de instrumentos de financiamento. Segundo ela, o país reúne condições importantes para atrair empresas chinesas do setor, especialmente em um contexto global de aumento da demanda por energia limpa.

“O Brasil tem uma matriz elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo quer estar em 2050”, afirmou Waltrick. A CEO da SPIC Brasil também chamou atenção para desafios regulatórios e operacionais, como a necessidade de expansão da transmissão, maior digitalização do sistema elétrico, avanço em armazenamento, hidrogênio verde e integração de diferentes fontes de energia.

A principal investidora chinesa em eletricidade no Brasil em 2025 foi a CPFL, controlada pela State Grid desde 2017. Houve ainda a expansão de projetos realizados diretamente pela State Grid Brazil Holding e por outras empresas com presença consolidada no país, como China Three Gorges, SPIC e China Energy, por meio de sua subsidiária brasileira, CEEC. Todos os projetos no setor envolveram iniciativas em energias limpas, com foco em usinas fotovoltaicas, eólicas e hidrelétricas, incluindo também a expansão de projetos de transmissão de eletricidade.
Mobilidade elétrica

O carro elétrico se tornou sinônimo de carro chinês no Brasil. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a BYD respondeu, em 2025, por 72% das vendas locais de carros eletrificados, categoria que abrange híbridos

e elétricos puros. Além disso, das 10 marcas que mais venderam carros eletrificados, 6 foram chinesas, desbancando montadoras dos Estados Unidos, da França e da Alemanha.

“A inauguração das fábricas da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”, comentou o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello.

Dando continuidade aos seus investimentos no país, a BYD, que adquiriu em 2023 o antigo complexo industrial da Ford na Bahia, e a GWM, que comprou em 2021 a planta de automóveis da Mercedes no estado de São Paulo, inauguraram suas operações produtivas no Brasil em 2025, dando início à fabricação de seus primeiros veículos eletrificados em território nacional.

No mesmo ano, a Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil. O acordo prevê a produção e venda de veículos de baixa ou zero emissão das marcas Renault e Geely no Brasil, incluindo a fabricação de modelos da Geely na fábrica da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná. Com a parceria, as empresas criaram a Renault Geely do Brasil e anunciaram investimentos de R$ 3,8 bilhões (cerca de US$ 680 milhões) para o período 2025-2027.

Segundo o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, as vendas de veículos eletrificados representam parcela crescente do mercado nacional, enquanto a China segue como referência tecnológica global no setor. Para Bastos, a chegada de montadoras chinesas ao Brasil marca uma nova etapa, mas também exige adaptação à realidade local.

“O modelo chinês deu muito certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil, é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade brasileira”, afirmou. Bastos também ressaltou que o Brasil tem uma cadeia automotiva relevante, historicamente vinculada à indústria tradicional, e que o desafio agora é promover a migração e a incorporação de novas tecnologias ligadas à eletrificação.

Para o chief representative officer do Bradesco em Hong Kong, Danilo Goulart, o crescimento dos investimentos chineses no Brasil combina fatores conjunturais e estruturais. Ele mencionou o cenário internacional mais fragmentado, as restrições enfrentadas por empresas chinesas em alguns mercados e o interesse crescente por setores estratégicos, como mineração e cadeias produtivas ligadas à transição energética. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Brasil tem uma relevância de longo prazo para a China e que a relação bilateral vem amadurecendo com a diversificação dos investimentos.

Minerais críticos e transição energética

Ligados à transição energética, os investimentos chineses em mineração no Brasil também são destaque do estudo. Os investimentos chineses em mineração mais que triplicaram em 2025, atingindo US$ 1,76 bilhão, o que representou 29% do total investido pela China no Brasil. Este foi o maior valor desde 2011 e a maior participação histórica do setor.

Esse movimento reflete o interesse estratégico da China por minerais críticos como cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras, uma vez que o país lidera o desenvolvimento e a fabricação de produtos ligados à transição energética. Além disso, carros elétricos demandam seis vezes mais minerais críticos do que veículos a gasolina, e usinas fotovoltaicas e parques eólicos offshore requerem, respectivamente, seis e 13 vezes mais desses minerais do que uma usina termelétrica a gás natural com capacidade equivalente.

Nesses cenários, o Brasil se destaca com 26,5% das reservas globais de grafite, é o 2º maior detentor de terras raras no mundo (23%), o 3º maior detentor de reservas de níquel (12,2%) e a 4ª maior reserva global de bauxita e alumina (9%). (pv-magazine-brasil)

sábado, 6 de junho de 2026

Energia solar em canais reduz a evaporação da água em 70% e o crescimento de algas em 85%

Fio B chega a 60% em 2026 e acelera transição para sistemas híbridos na geração distribuída

A instalação de painéis solares sobre canais de irrigação (como no projeto Nexus na Califórnia) reduz a evaporação da água em até 70% e diminui o crescimento de algas em cerca de 85%. Essa solução híbrida gera energia renovável enquanto preserva recursos hídricos e aumenta a eficiência dos painéis devido ao resfriamento pela água, evitando o uso de terras cultiváveis.

Principais Benefícios do Solar em Canais:

Economia de Água: A sombra dos painéis reduz a evaporação, essencial para áreas de seca.

Melhoria da Água: A inibição de algas impede o entupimento de bombas e equipamentos de irrigação.

Alta Eficiência: A proximidade com a água resfria os painéis, aumentando a produção de energia em até 11%.

Uso Inteligente do Solo: Aproveita infraestruturas existentes em vez de ocupar áreas agrícolas.

Estudos indicam que cobrir a extensa rede de canais da Califórnia poderia economizar 63 bilhões de galões de água anualmente, beneficiando a gestão hídrica e a produção energética simultaneamente.

Se você achou essa tecnologia interessante, posso te ajudar com:

Mais dados sobre projetos solares flutuantes similares.

Informações sobre a viabilidade dessa tecnologia no Brasil.

Comparação entre painéis solares terrestres vs. flutuantes.

O projeto piloto Nexus, de 1,6 MW, na Califórnia demonstrou que painéis solares instalados sobre canais de irrigação podem reduzir significativamente a evaporação da água e o crescimento de algas em 85%, além de apresentarem maior eficiência operacional.

Em setembro de 2025, o projeto piloto Nexus, na Califórnia, Estados Unidos, foi concluído. A instalação solar de 1,6 MW está localizada em canais operados pelo Distrito de Irrigação de Turlock (TID) e foi desenvolvida por meio de uma parceria público-privada entre o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia, o TID, a Solar AquaGrid e a Universidade da Califórnia (UC), Merced. O projeto teve como objetivo gerar dados empíricos em condições reais de operação.

Lançado em 2022, o projeto piloto avaliou a viabilidade técnica e operacional da implantação de sistemas fotovoltaicos em canais de irrigação ativos. O conceito permite o uso duplo da infraestrutura existente: geração de energia limpa, redução da evaporação da água e minimização do uso da terra – uma abordagem particularmente relevante em regiões agrícolas como o Vale Central da Califórnia.

O projeto monitora indicadores-chave de desempenho, incluindo geração de eletricidade, perdas por evaporação, qualidade da água, crescimento da vegetação aquática e necessidades de manutenção dos canais. Após uma temporada de irrigação, os resultados iniciais indicam benefícios mensuráveis ​​para o setor hídrico. Trechos de canais cobertos com módulos fotovoltaicos apresentaram redução na evaporação e menor proliferação de plantas aquáticas invasoras, o que pode se traduzir em custos operacionais reduzidos.

Estados Unidos aposta em painéis solares sobre canais para conter a evaporação, produzir energia para mais de 1.600 residências e enfrentar a pressão crescente sobre o sistema hídrico.

Com US$ 20 milhões e dois trechos de canal já testados, Califórnia avança com painéis solares sobre a água para conter perdas por evaporação, produzir energia limpa e reduzir a pressão sobre um sistema cada vez mais afetado pelo calor.

Especificamente, medições contínuas ao longo de toda uma temporada de irrigação registraram reduções de evaporação de 50 a 70% sob os painéis solares e uma diminuição de 85% no crescimento de algas, um resultado que pode gerar ganhos de eficiência operacional na gestão de canais. Essas descobertas são consistentes com pesquisas anteriores da UC Merced, que destacaram o potencial de sistemas solares instalados em canais para melhorar a eficiência do uso da água em infraestrutura de canais abertos.

Do ponto de vista técnico, o projeto também serve como campo de testes para diversas configurações de design. Estas incluem estruturas de grande vão sobre canais largos, sistemas menores em canais mais estreitos, instalações verticais ao longo das margens dos canais e protótipos retráteis em fase inicial. Como relatado anteriormente pela pv magazine, um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) também foi instalado no local mais estreito, utilizando baterias de fluxo de ferro de 75 kW fornecidas pelo fabricante americano ESS.

Esta gama de configurações tem como objetivo avaliar a adaptabilidade do sistema sob diferentes condições hidráulicas e estruturais.

Os desenvolvedores do projeto observam que o potencial de escalabilidade é significativo, dada a extensa rede de canais da Califórnia. Um estudo da Universidade da Califórnia estima que a cobertura de aproximadamente 4.000 km de canais poderia economizar 63 bilhões de galões de água anualmente, o equivalente à irrigação de 20.234 hectares de terras agrícolas ou ao atendimento da demanda residencial de água de mais de 2 milhões de pessoas. Além da economia de água, a melhoria da qualidade da água por meio da redução do crescimento da vegetação também é de interesse da TID. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

China reforça responsabilização por emissões de carbono

China reforça responsabilização por emissões de carbono, impulsionando as energias renováveis.
A China formalizou em abril de 2026 um rigoroso sistema de responsabilização provincial para emissões de carbono, visando metas de neutralidade até 2060. Com emissões estáveis ou em queda desde 2024, o país impulsiona recordes em energia solar e eólica, planejando reduzir emissões de GEE entre 7% e 10% até 2035.

Pontos-chave da nova postura chinesa:

Responsabilização Formal: As "Medidas Abrangentes de Avaliação e Análise para o Limite de Emissões de Carbono" oficializam a avaliação dos governos locais em relação às metas de carbono.

Aceleração Renovável: A China instalou mais painéis solares e turbinas eólicas que o resto do mundo combinado, com renováveis representando quase 40% da geração total no 1º semestre/25.

Metas de Longo Prazo: O país projeta mais de 30% da energia vinda de fontes não fósseis e projeta a expansão de energia solar/eólica em mais de 6 vezes até 2030.

Estabilização das Emissões: A alta geração de energia limpa possibilitou uma queda de 1% nas emissões de CO2 no primeiro semestre de 2025, prolongando uma tendência de estabilidade iniciada em 2024.

Liderança na Transição: Apesar de ser o maior emissor mundial, a China investe pesado em tecnologia verde, dominando o mercado de baterias e carros elétricos.

Apesar do progresso, a China ainda enfrenta desafios, pois sua matriz energética continua dependente do carvão, exigindo reduções contínuas de intensidade de carbono para cumprir as metas do Acordo de Paris.

Pequim introduziu um sistema nacional de avaliação de carbono mais rigoroso que responsabiliza formalmente os governos provinciais pelas metas de redução de emissões e transição energética.

A China divulgou uma nova regulação nacional para avaliar o progresso em direção às suas metas de redução das emissões de carbono e neutralidade de carbono, formalizando o que antes era uma diretriz política em um sistema estruturado de responsabilização para os governos provinciais.

As chamadas “Medidas Abrangentes de Avaliação e Análise para o Limite de Emissões de Carbono e a Neutralidade de Carbono” foram aprovadas em reunião do Comitê Permanente do Politburo em 26/02/2026, emitidas conjuntamente pelo Gabinete Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e pelo Gabinete Geral do Conselho de Estado em 12/04/2026 e publicadas na íntegra em 23/04/2026.

As medidas entram em vigor a partir de 2026.

No cerne da estrutura está um sistema de indicadores “5+9”. Os cinco indicadores vinculantes são: emissões totais de carbono, redução da intensidade de carbono, consumo total de carvão, consumo total de petróleo e a participação de energias não fósseis no consumo total de energia. Estes são complementados por 9 indicadores de apoio que abrangem conservação de energia, indústria, construção urbana e rural, transporte, instituições públicas e comércio de carbono. De acordo com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), a estrutura visa apoiar a transição da China de uma abordagem de controle do consumo de energia para um sistema de controle das emissões de carbono.

A metodologia de avaliação é mais rigorosa do que os sistemas anteriores. Em vez de um modelo baseado em pontos, adota uma abordagem de aprovação/reprovação com 3 classificações finais: excelente, qualificado e não qualificado. Uma província será classificada como não qualificada se qualquer indicador obrigatório não atingir a meta ou se 3 ou mais indicadores de apoio não forem atingidos.

O processo inclui auto avaliação local, revisão departamental, verificação in loco, avaliação abrangente e aprovação final pelo Comitê Central do Partido e pelo Conselho de Estado, seguida de feedback às autoridades provinciais.

Os resultados da avaliação serão utilizados como referência na avaliação de desempenho, nomeação e supervisão das equipes de liderança provinciais e dos funcionários relevantes. As províncias classificadas como não qualificadas deverão apresentar relatórios de retificação no prazo de 30 dias úteis. Caso os problemas não sejam corrigidos dentro do prazo, os principais funcionários poderão ser submetidos a entrevistas formais. Casos que envolvam negligência grave no cumprimento do dever, falsificação de dados, ocultação ou adulteração serão classificados diretamente como não qualificados e poderão acarretar medidas disciplinares ou legais.

Para o setor energético, a política reforça a priorização a longo prazo do desenvolvimento de energias não fósseis, ao mesmo tempo que aumenta a pressão sobre as trajetórias de crescimento dependentes de carvão e petróleo. Espera-se também que ela fortaleça os sinais políticos para energias renováveis, armazenamento de energia, comercialização de energia verde e desenvolvimento do mercado de carbono, incorporando de forma mais sólida a implantação de tecnologias de baixo carbono nos requisitos de governança provincial. (pv-magazine-brasil)