sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Estudantes levam carros solares à vitória no American Solar Challenge

Equipes de estudantes da Appalachian State University e da KU Leuven (Innoptus Solar Team) conquistaram o primeiro lugar no American Solar Challenge (ASC) de 2026. A prova exigiu que os protótipos cruzassem os Estados Unidos de Minneapolis até Amarillo, enfrentando condições climáticas extremas ao longo de milhares de quilômetros.

Detalhes da Competição

• Rota de aproximadamente 1.500 milhas entre Minneapolis (Minnesota) e Amarillo (Texas).

• Duração de oito dias de percurso em estradas abertas.

• Participação de dezenas de equipes universitárias focadas em eficiência energética.

• Vitória histórica da equipe europeia Innoptus Solar Team (KU Leuven) em sua respectiva categoria.

Após meses de trabalho no desenvolvimento de seus veículos solares, as equipes vencedoras do Electrek American Solar Challenge 2026 foram homenageadas em uma cerimônia especial de premiação realizada em Amarillo, no Texas. A Tesla é patrocinadora de longa data da competição, aberta a estudantes de engenharia de todo o mundo.

Appalachian State University’s winning solar car crosses the finish line.

Aequipe da Appalachian State University e a equipe da KU Leuven conquistaram o 1º lugar no American Solar Challenge (ASC) deste ano, encerrado em 05/08/2026 com uma corrida de longa distância até a linha de chegada em Amarillo, Texas.

Realizado anualmente, o ASC destaca as competências de engenharia, projeto e desenvolvimento de produtos de diferentes equipes de estudantes de diversas partes do mundo.

Os participantes passam cerca de dois anos construindo seus carros movidos a energia solar antes de colocá-los à prova em uma corrida de aproximadamente 1.500 a 2.000 milhas, ou entre 2.400 e 3.200 quilômetros, através dos Estados Unidos.

A equipe belga da KU Leuven venceu na categoria Single-Occupant Vehicle (SOV), para veículos de um ocupante, enquanto a Appalachian State University conquistou o título na categoria Multi-Occupant Vehicle (MOV), para veículos com mais de um ocupante. Ao todo, sete equipes completaram a rota-base de 1.547 milhas, cerca de 2.490 quilômetros, nesta edição.

Os organizadores relataram uma chegada bastante disputada na categoria SOV, na qual a KU Leuven superou a TU Delft com 2.671,2 milhas oficiais e tempo de 62 horas, 7 minutos e 2 segundos, com velocidade média de 43,4 milhas por hora, ou aproximadamente 70 km/h. A École de technologie supérieure (ÉTS), de Montreal, ficou em terceiro lugar.

Na categoria MOV, as equipes norte-americanas dominaram a competição. A Appalachian State marcou 92,7 pontos, com 1.829,6 milhas percorridas, seguida pela Polytechnique Montréal, com 88,8 pontos e 1.983,6 milhas, e pela Georgia Tech, com 87,2 pontos e 1.622,4 milhas.

As equipes percorreram trechos da famosa Route 66, passando pelos estados de Oklahoma e Texas. Antes da corrida final, elas tiveram de se classificar em uma prova realizada em circuito fechado, chamada Electrek Formula Sun Grand Prix.

Durante a corrida final, os participantes levaram seus carros solares ao limite, enfrentando os concorrentes e, ao mesmo tempo, as restrições impostas pela capacidade das baterias e pelas condições meteorológicas para completar o percurso.

O ASC é organizado anualmente pela Innovators Educational Foundation (IEF), uma organização sem fins lucrativos administrada por entusiastas de veículos solares e voluntários. A entidade funciona como uma rede de apoio para engenheiros em início de carreira nas áreas de energia limpa e aeroespacial.

“Enfrentando montanhas, nuvens e calor extremo em 8 estados ao longo de 8 dias, as equipes passaram de 39 participantes na largada, em Minneapolis, para 18, e chegaram a 14 carros solares na linha de chegada em Amarillo — um ano recorde”, disse Gail Lueck, diretora do evento e diretora de operações da IEF.

Além da Electrek, outros patrocinadores do ASC incluem Blue Origin, Tesla, SpaceX, SunCat Solar e SolCast. A Siemens também participou como parceira principal e concedeu US$ 10 mil à equipe de melhor desempenho em um desafio de engenharia realizado no circuito. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Novo boletim do Inmet indica El Niño “muito forte” e eventos extremos no Brasil

O novo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o El Niño se intensificará no segundo semestre de 2026, atingindo intensidade "muito forte" entre a primavera e o início do verão. Com 100% de probabilidade de permanência até 2027, o fenômeno elevará o risco de eventos climáticos extremos em várias regiões do país.

Impactos por Região

• Região Sul: Alto risco de grandes inundações e cheias, pois a região já inicia o ciclo com solos e índices de umidade elevados.

• Região Nordeste: Preocupação com o avanço e agravamento da seca moderada e severa, que afeta a segurança hídrica e a umidade do solo.

• Região Norte: Redução das chuvas na Amazônia, temperaturas acima da média, risco elevado de incêndios florestais e queda nos níveis dos rios.

• Centro-Oeste: Calor intenso, baixa umidade e maior propensão a ondas de calor e queimadas devido ao prolongamento do período seco.

O fenômeno El Niño deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026 e alcançar intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão, aumentando a probabilidade de ocorrência de eventos extremos no Brasil, sobretudo nas regiões Sul e Norte.

A análise está no Boletim nº2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes – o que altera a circulação atmosférica em escala global, impactando o regime de ventos, chuvas e temperaturas.

Segundo o boletim, a probabilidade de o El Niño se manter ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100%. A possibilidade de alcançar a categoria “muito forte”, quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico supera 2°C, é elevada.

Historicamente, no Brasil, a região Sul é a que mais sente os efeitos do El Niño. A previsão indica maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

As chuvas registradas no Rio Grande do Sul durante julho, que provocaram enchentes em diferentes municípios, já representam os primeiros impactos do fenômeno.

Segundo o boletim, “a situação exige atenção especial” porque a região não apresenta déficit hídrico. Isso significa que o solo já tem bastante água, favorecendo a rapidez no transbordamento dos rios diante de episódios de chuvas intensas.

Na região Norte do país, especialmente na Amazônia, o cenário é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e atraso do início da estação chuvosa.

O boletim destaca que esse padrão favorece a persistência da estiagem, reduz a disponibilidade hídrica, aumenta o ressecamento da vegetação e amplia significativamente o risco de incêndios florestais.

Outro efeito esperado é a redução gradual dos níveis dos rios. Embora boa parte das bacias ainda apresente condições próximas da normalidade, os indicadores mostram avanço da estiagem em diferentes sub-bacias da Amazônia.

Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, caso não haja reposição significativa das chuvas nas próximas semanas, a resposta hidrológica tende a se intensificar, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas dependentes dos rios. (biodieselbr)

domingo, 30 de agosto de 2026

O carro elétrico vai pressionar a demanda por combustíveis?

Andando por cidades como São Paulo e Brasília, é impossível não notar como os carros elétricos estão ganhando espaço nas ruas. Lideradas pela BYD e a GWM, as vendas dos elétricos acabam de atingir 50 mil unidades por mês no país, levando os analistas do Citi a se debruçar sobre uma questão cada vez mais premente: como isso afetará o mercado de combustíveis e as empresas do setor?

A conclusão é que o impacto “já é real e crescente” apesar de ainda modesto. No longo prazo, porém, o tema deveria acender “uma luz amarela” para empresas como Vibra e Ultrapar, além de grupos de etanol como São Martinho, Jalles e Adecoagro.

“Em 2025, estimamos que os veículos elétricos (EVs) substituíram cerca de 0,7 bilhão de litros (em uso de etanol e gasolina), só 1% da demanda doméstica”, escreve a equipe liderada por Gabriel Barra. “Mas a dinâmica sugere que isso deve acelerar, e o mercado pode estar subestimando o quão rápido um ponto de inflexão está se aproximando”.

O Citi projeta que o deslocamento de demanda poderia atingir 5 bilhões de litros em 2030, ou 8% do consumo de gasolina e etanol em seu cenário-base, saltando para 9 bilhões de litros em 2040, ou 14% do total.

Isso poderia fazer a demanda por esses combustíveis ter seu pico em 2026, iniciando uma ligeira retração que levaria os volumes em 2040 para 8% abaixo do nível atual. Em um cenário mais agressivo, de penetração mais forte dos EVs, o uso de gasolina e etanol poderia cair em 2040 para 27% abaixo do pico.

A aceleração do movimento, principalmente após 2030, chama a atenção mais do que os números em si, disseram os analistas do Citi, sugerindo que o impacto sobre o setor de combustíveis será gradual, mas “se tornará estrutural ao longo do tempo”.

As projeções levam em conta uma penetração dos carros elétricos no país chegando a 47% das novas vendas em 2035, em linha com a média global. Um cenário de adoção mais rápida, usando a China como referência, poderia levar essa participação a 68% no período.

A demanda brasileira por gasolina e etanol só seguiria crescendo em um cenário mais conservador, em que a adoção dos elétricos estagnaria em 10% das novas vendas a partir de 2030.

O efeito sobre o uso dos combustíveis é gradual porque as vendas de novos EVs demoram para se refletir na frota total, um fenômeno visto em todos os países, até na China. Lá, 55% dos carros que saem das lojas são EVs, porém a penetração na frota é de 13% – um nível que o Brasil deve alcançar só em 2040.

Além disso, o mix de vendas no Brasil é principalmente de híbridos plug-in, o que significa que o deslocamento da demanda de combustíveis é menor que em outros países em que a adoção dos 100% elétricos é maior.

O Citi ainda incluiu em suas contas o recente aumento da tarifa de importação de elétricos para 35%, embora avaliando que a estratégia de players como a BYD, que investiu em uma fábrica local, pode compensar a maior parte do impacto da taxação.

A tendência, assim, é que o crescimento dos elétricos mude a relação entre o consumo de gasolina e etanol e o PIB no país, com a demanda pelos combustíveis passando a cair mesmo com a economia crescendo.

Isso inclusive já começa a ser visível em algumas cidades – em Brasília, por exemplo, a segunda capital com maior participação de elétricos nas vendas, a demanda por etanol e gasolina recuou em 2025. Em São Paulo, a líder em EVs, e no Rio de Janeiro ela tem ficado estável e abaixo dos picos já registrados.

“No longo prazo, uma mudança estrutural está a caminho”, escreveram os analistas. “O cenário não é bom para a demanda”. (biodieselbr)

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Solar atende 20% da demanda da União Europeia por 3 meses consecutivos

A energia solar supriu mais de 20% da demanda elétrica da União Europeia por três meses consecutivos, entre maio e julho de 2026.

Essa marca histórica foi registrada pela primeira vez pelo Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE através da plataforma Energy-Charts.
Dados compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE) mostram que a energia fotovoltaica supriu mais de 20% da demanda de eletricidade da União Europeia em maio (20,3%), junho (21,1%) e julho (21,5%) de 2026, alcançando essa marca por 3 meses consecutivos pela primeira vez na história do bloco.

Destaques por País

• Alemanha: Ultrapassou 30% de atendimento solar na demanda por 3 meses seguidos (30,3% em maio, 30,4% em junho e 31,6% em julho).

• Letônia: Bateu o recorde do bloco ao suprir 49% da demanda do país com energia solar em junho.

• Espanha e Grécia: Mantiveram marcas acima de 35% de atendimento solar ao longo do trimestre de maio a julho.

• França e Itália: Permaneceram com índices abaixo da média geral da União Europeia no período.

Dados compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE) mostram que a energia fotovoltaica respondeu por mais de 20% da demanda de eletricidade da União Europeia em maio, junho e julho pela primeira vez. A Letônia estabeleceu um novo recorde no bloco, com a geração solar atendendo 49% da demanda de eletricidade do país em junho.

A participação da energia solar na demanda de eletricidade dos 27 Estados-membros da União Europeia ultrapassou 20% pela primeira vez durante 3 meses consecutivos, de acordo com dados da plataforma Energy-Charts compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE).

A Energy-Charts calculou uma participação de 20,3% em maio, 21,1% em junho e 21,5% em julho. Como o mês de julho ainda não foi concluído integralmente, os números podem sofrer pequenos ajustes, mas os analistas afirmam que isso não deve alterar o recorde.

No mesmo período do ano passado, a participação da energia solar na demanda de eletricidade da UE variou entre 17,3% e 18,8%.

Recordes na Alemanha, Suíça e Áustria

Os dados por país revelam uma série de novos recordes. Na Alemanha, a participação da energia solar na demanda de eletricidade superou 30% pela primeira vez e permaneceu acima desse patamar durante 3 meses consecutivos. Pesquisadores do Fraunhofer registraram uma participação de 30,3% em maio, 30,4% em junho e um índice preliminar de 31,6% em julho. O resultado de julho representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, quando as condições climáticas limitaram a energia fotovoltaica a uma participação de 22,6% na demanda de eletricidade.

Na Suíça, o patamar de 25% foi superado e mantido pela primeira vez ao longo de 3 meses consecutivos. A Energy-Charts registrou uma participação da energia solar de 25,8% em maio, 25,3% em junho e 26,5% em julho. Nos mesmos meses do ano passado, a fonte respondeu por entre 19,1% e 21,8% da demanda de eletricidade.

A Áustria também estabeleceu novos recordes, alcançando uma participação histórica da energia fotovoltaica de 23,3% na demanda de eletricidade em maio. Em junho, o índice foi de 22,5% e, em julho, a Energy-Charts registrou 21,9%. Os 3 resultados superaram o recorde anterior, de 20,3%, registrado em junho de 2025, quando o país ultrapassou pela primeira vez a marca de 20%.

Países bálticos lideram participação da energia solar

A Letônia registrou a maior participação da energia solar já observada na União Europeia, com a geração fotovoltaica atendendo 49% da demanda de eletricidade em junho. Os países vizinhos, Lituânia e Estônia, também apresentaram resultados expressivos, alcançando 44,7% e 35,8%, respectivamente, no mesmo mês.

O crescimento da Letônia é particularmente notável. A participação da energia solar no país já havia alcançado 34,9% em abril e subiu para 40% em maio. Para julho, a Energy-Charts estima um índice de 38,9%. Como comparação, no mesmo período do ano passado, os valores variaram entre 13,7% e 18,9%.

Participações elevadas na Espanha, Grécia e Bulgária

Na Espanha, a participação da energia fotovoltaica na demanda de eletricidade permaneceu acima de 35% durante todo o período de 3 meses pela primeira vez. O maior índice foi registrado em junho, quando a fonte respondeu por 36,9% da demanda de eletricidade. O resultado ficou mais de 5 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior.

Níveis semelhantes foram registrados na Grécia, onde a participação da energia solar também permaneceu acima de 35% entre maio e julho, representando um aumento superior a 7 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Na Bulgária, por sua vez, a participação da energia solar, assim como na Alemanha, também superou 30% entre maio e julho.

França e Itália permanecem abaixo da média da UE

A França também registrou avanço, mantendo um crescimento de cerca de 2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, os índices permanecem abaixo da média da União Europeia. A energia solar atingiu sua maior participação histórica na demanda de eletricidade em julho, com 14,6%. Em junho, o índice foi de 13,6%, enquanto maio registrou 12,6%, igualando o recorde anterior, estabelecido em julho de 2025.

Assim como a França, a Itália também permaneceu abaixo da média da União Europeia. De acordo com a Energy-Charts, o país registrou sua maior participação histórica da energia solar na demanda de eletricidade em maio, com 19,5%. Em julho, porém, o índice caiu para 16,7%, enquanto em junho foi de 18,5%. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Vendas de carros elétricos crescem mesmo com mercado automotivo global em queda

As vendas globais de carros elétricos cresceram 35% no segundo trimestre de 2026, impulsionadas pela crise energética no Oriente Médio, enquanto o mercado automotivo geral recuou cerca de 5%. Países como Brasil, Índia, Coreia do Sul e Vietnã dobraram seus emplacamentos no período.

Cenário Global e Demanda

• Mais de 9 milhões de veículos eletrificados foram comercializados no 1º semestre/2026.

• O avanço compensou a queda inicial do ano, com alta anual de 4% no 2º trimestre/2026.

• A volatilidade nos preços do petróleo forçou a transição em mais de 50 mercados com recordes de vendas.

Destaque no Brasil

• O mercado nacional registrou alta expressiva, com vendas de eletrificados disparando acima de 100% no semestre.

• A expansão da oferta e a concorrência de novas marcas impulsionaram os números locais a patamares recordes.

A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que os carros elétricos alcancem 29% do total de vendas de automóveis no mundo em 2026 e destaca o Brasil como um dos mercados que dobraram as vendas no segundo trimestre.

O Brasil está entre os mercados que praticamente dobraram as vendas de carros elétricos desde o início da atual crise energética, na comparação entre março e junho/2026 com o mesmo período de 2025. O dado consta do relatório “Electric Car Markets in a Time of Uncertainty”, divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEa), que também aponta Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã nessa mesma condição.

No cenário mundial, as vendas de elétricos cresceram 4% na comparação anual no 2º trimestre de 2026 e ficaram 35% acima do primeiro trimestre, compensando quase toda a queda do início do ano. Já o mercado automotivo global como um todo recuou cerca de 5% no primeiro semestre, puxado pela retração em China e Estados Unidos. Com isso, os elétricos alcançaram 24% das vendas globais de automóveis no período, e a AIE projeta que essa fatia chegue a 29% ao longo de 2026.

China perde no mercado interno, mas dispara nas exportações

As vendas totais de automóveis na China caíram mais de 20% no 1º semestre de 2026, uma retração de cerca de 2,5 milhões de unidades. Para compensar, as exportações chinesas de carros cresceram 65% no período, e as de elétricos avançaram mais de 120%, elevando a participação dos elétricos nas exportações do país de 35% para mais de 45%.

A AIE observa ainda um descompasso entre exportações e vendas registradas no exterior: mais de 1 milhão de elétricos exportados pela China nos últimos 18 meses ainda não constam como vendidos em outros países, o que sugere acúmulo de estoques em alguns mercados de destino.

Montadoras tradicionalmente focadas em motores a combustão respondem por 98% das vendas desse tipo de veículo, mas apenas 55% das vendas globais de elétricos — reflexo do avanço das fabricantes chinesas, especialmente em mercados emergentes. Segundo a AIE, essa liderança se apoia em cadeias de suprimento integradas, forte capacidade em baterias e custos de produção cerca de 35% menores que os das economias avançadas, o que deve pressionar governos e indústria a reforçar inovação e competitividade nos próximos anos. (pv-magazine-brasil)