domingo, 8 de março de 2026

Eletricidade solar durante a noite

Como a energia solar funciona à noite: alternativas para garantir fornecimento contínuo

Painéis solares não geram energia à noite, pois dependem da luz solar direta. No entanto, é possível usar energia solar de noite através de sistemas on-grid (compensação de créditos na rede elétrica) ou sistemas off-grid/híbridos com baterias, armazenando o excedente gerado durante o dia para uso noturno.

Principais Formas de Usar Energia Solar à Noite:

Sistema On-Grid (Rede Elétrica): É o método mais comum no Brasil. Durante o dia, o excedente de energia gerado pelos painéis é injetado na rede da concessionária, gerando créditos. À noite, o consumidor utiliza a energia da rede, compensando com os créditos acumulados.

Sistemas com Baterias (Off-grid/Híbridos): O excesso de energia gerado durante o dia é armazenado em baterias físicas (como as de lítio-íon) para ser consumido quando o sol se põe, garantindo autonomia mesmo sem rede elétrica.

Compensação de Energia: Em muitas regiões, a energia solar de assinatura permite que a energia gerada em um local remoto seja creditada na sua conta, garantindo o uso de energia renovável a qualquer hora.

Novas Tecnologias:

Pesquisas estão em andamento para desenvolver diodos termo radiativos que convertem a radiação infravermelha (calor emitido pela Terra) em eletricidade à noite, embora a tecnologia atual produza pouquíssima energia comparada aos painéis fotovoltaicos comuns.

Resumo de funcionamento:

Dia: Produção > Consumo = Excedente enviado à rede ou bateria.

Noite: Produção = 0 = Consumo da rede ou bateria.

Embora não haja "produção" direta à noite, o uso de energia limpa é viabilizado por esses sistemas, tornando a energia solar uma solução 24 horas.

Em sistemas fotovoltaicos, o período noturno representa, em média, 16 horas por dia, o que exige armazenamento significativo ou fontes alternativas de geração para atender à demanda. A energia hidrelétrica reversível (bombeamento) e as baterias são soluções centrais, sendo o bombeamento hidrelétrico especialmente indicado para armazenamento de longa duração e baixo custo em períodos nublados ou com pouco vento. Estratégias complementares incluem a geração eólica, o deslocamento de carga e a geração despachável, enquanto altas participações de solar e eólica podem contribuir para a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico.
O período noturno, do ponto de vista dos sistemas solares fotovoltaicos (PV), é efetivamente de 16 horas em média, sendo mais longo no inverno e mais curto no verão. Como podemos cobrir a demanda de eletricidade durante a noite em um sistema de energia renovável?

De longe, as tecnologias de armazenamento mais importantes são o armazenamento hidrelétrico por bombeamento e as baterias, tanto em termos de capacidade (GW) quanto de energia (GWh).

Além disso, o vento é ótimo porque muitas vezes sopra à noite. Em alguns lugares, eólica e solar são correlacionadas de forma contra-acentuada. Transferir cargas da noite para a diurna também é útil. Geração hidroelétrica, geotérmica, bioenergia e nuclear despachável ajudam, embora sejam pequenas ou inexistentes na maioria dos países.

O crescimento e ascensão das instalações solares nos telhados, fazendas solares e eólicas força grandes mudanças na operação das redes elétricas. Normalmente, a geração de carvão e gás é pressionada por preços baixos ou negativos durante o dia e aprende a operar de forma flexível. A redução do sol e do vento é frequente.

As figuras 1 e 2 mostram a geração da meia-noite à meia-noite com média de 28 dias em fevereiro (final do verão) no Mercado Nacional de Eletricidade (NEM) da Austrália e no estado da Austrália do Sul.

No NEM, a geração média de carvão variou de 16 GW durante o pico noturno até 10 GW por volta do meio-dia. A maior parte do carvão será aposentada à medida que o NEM caminha para 82% de renováveis em 2030.

Na Austrália do Sul (Figura 2), o carvão já foi aposentado. Solar e eólica estão encaminhando para atingir 100% da demanda em média em 2027. O equilíbrio é fornecido por gás, baterias, comércio de eletricidade com estados do leste e superconstrução de energia solar e eólica, juntamente com a frequente redução de energia.

Na maioria dos sistemas de eletricidade renovável, é necessária uma grande quantidade de armazenamento para rodar durante a noite, e em dias e semanas úmidos e sem vento.

As baterias estão ganhando importância rapidamente devido à implantação de muitas grandes baterias utilitárias (tipicamente de 2 a 4 horas) e a um grande programa de suporte de baterias domésticas. Bateria e capacidade energética suficientes para cobrir a maioria dos horários de pico da noite e da manhã estarão disponíveis em breve, o que moderará muito os preços. O foco no equilíbrio então muda para noites caras, e clima úmido e sem vento.

De forma geral, é necessário um armazenamento de 16 horas em média para cobrir a noite entre dois dias ensolarados. A cobertura para um dia nublado exige 40 horas de armazenamento, enquanto uma semana nublada exige 160 horas de armazenamento. O armazenamento dessa duração está muito além do alcance das baterias atuais, mas está bem dentro do alcance do armazenamento por bombeamento.

A Figura 3 mostra estimativas recentes de custo de capital feitas pela GenCost para armazenamento em função da duração.  Essas estimativas são amplamente utilizadas na Austrália. Comparando baterias utilitárias no ano de 2055 com hidrelétricas por bombeamento, o ponto de interseção tem cerca de 30 horas de duração.

No entanto, a vida útil técnica da energia hidrelétrica bombeada é de 150 anos em comparação com as baterias de 20 anos, o que desloca o ponto de cruzamento para uma duração muito menor, dependendo principalmente da taxa de desconto assumida. O armazenamento hidrelétrico por bombeamento deve permanecer altamente competitivo para armazenamento durante a noite e por mais tempo.

Também é exibida a energia hidrelétrica Snowy 2.0 bombeada, que armazena 350 GWh de energia (13 kWh por australiano) com duração de 160 horas, e será concluída em 2028 a um custo de cerca de $10 bilhões ($29/kWh). Snowy 2.0 pode gerar a 2,2 GW por 10 horas na maioria das noites e pode ser recarregado quando está ensolarado e ventando. Em um ano, isso rende 8000 GWh. Importante destacar que o Snowy 2.0 pode gerar em ritmo acelerado por 160 horas durante uma semana ocasional de chuva e sem vento de alto custo. Ao longo de seus 150 anos de existência, o custo de capital do Snowy 2.0 é inferior a um centavo por australiano por dia.

A maioria dos países e regiões possui muitos locais que igualam a qualidade do Snowy 2.0 e podem oferecer armazenamento de baixo custo e longa vida útil.
Autores: Prof. Ricardo Rüther (UFSC), Prof. Andrew Blakers /ANU

Andrew.blakers@anu.edu.au ; rruther@gmail.com

ISES, International Solar Energy Society, é uma ONG credenciada pela ONU, fundada em 1954, que trabalha em prol de um mundo com 100% de energia renovável para todos, utilizada de forma eficiente e responsável. (pv-magazine-brasil)

Edenred Mobilidade estreia solução de recarga e gestão para veículos elétricos

Empresa de serviços de gestão de frotas anunciou funcionalidade que conecta, atualmente, mais de 800 carregadores públicos e semipúblicos espalhados por todo o país. Um estudo recente da marca com 300 clientes mostrou que quatro em cada 10 já iniciaram a eletrificação de suas frotas, incentivados por metas de descarbonização e visando a redução de custos operacionais e eficiência.
A Edenred, representada no Brasil pelas marcas Ticket Log, Repom, PagBem e Taggy, lançou uma nova funcionalidade de recarga e gestão de veículos elétricos. Em fase piloto com clientes, a solução concentra em um único ambiente a localização e processo de carregamento em eletropostos públicos e semipúblicos, eliminando a necessidade de múltiplos aplicativos para as empresas que possuem frotas elétricas ou híbridas em sua operação.

A nova solução funciona a partir de uma rede interoperável que se conecta a mais de 800 carregadores públicos e semipúblicos espalhados por todo o país. Essa interoperabilidade acontece por meio da integração com o ecossistema da Voltbras, uma plataforma CPMS que gerencia diversos CPOs. Por meio dessa conexão, a Edenred acessa toda a rede desses operadores e oferece uma jornada de recarga unificada diretamente pelo seu app.

Do ponto de vista do motorista, toda a nova experiência estará concentrada no aplicativo Minha Mobilidade, que já é usado para o abastecimento. Com o app, ele pode consultar e desbloquear pontos de recarga, iniciar e finalizar sessões de carregamento, bem como acompanhar dados importantes de todo o processo de recarga.

Eletrificação e mobilidade urbana: como preparar sua empresa para o futuro das cidades

A integração entre eletrificação e mobilidade urbana visa transformar as cidades através de uma matriz energética limpa. Para as empresas, essa mudança impacta diretamente a logística, exigindo a adoção de veículos elétricos para circular em Zonas de Baixa Emissão (ZBEs), reduzir a poluição sonora em entregas noturnas e garantir uma Last Mile sustentável.

A gestão dos dados das recargas elétricas será integrada ao SouLog+, plataforma de controle do gestor de frotas que também abrange veículos convencionais. O sistema registra a energia fornecida para o veículo, o tempo de recarga e de ociosidade, custos da transação (incluindo as taxas do eletroposto), localização da recarga e custo por quilômetro rodado. A integração permite uma convergência, no mesmo ambiente, entre combustão e elétricos, mantendo transparência e as camadas de controle para os gestores.

Um estudo recente da marca com 300 clientes mostrou que quatro em cada 10 já iniciaram a eletrificação de suas frotas, incentivados por metas de descarbonização e visando a redução de custos operacionais e eficiência. O Brasil já ultrapassa a marca de 400 mil veículos eletrificados (elétricos ou híbridos plug-in) até dezembro de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

A evolução da nova funcionalidade se dará pela ampliação da rede de recarga integrada, com novos parceiros e pontos de recarga no decorrer dos próximos meses. Além disso, a jornada pós-recarga também deve ser aprofundada, com a Edenred desenvolvendo novas ferramentas que facilitarão a compreensão do consumo energético, dos melhores horários para carregamento, das possibilidades de redução de custos e da autonomia dos veículos elétricos e híbridos por parte dos gestores.

“O próximo passo será oferecer ao cliente relatórios de sustentabilidade capazes de traduzir em números todo o impacto da eletrificação na operação. Esses recursos trarão mais precisão e permitirão um uso dos elétricos baseado em dados”, diz o diretor de Estratégia e Mobilidade Elétrica da Edenred Brasil, Bruno Barbosa. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Energias renováveis são mais baratas e seguras que a nuclear

As energias renováveis, especialmente solar e eólica, são atualmente mais baratas e consideradas mais seguras que a energia nuclear, devido aos menores custos de capital, rápido avanço tecnológico, ausência de risco de desastres radioativos e eliminação de resíduos perigosos. Embora a nuclear tenha baixa emissão de carbono, projetos sofrem com altos custos, longos atrasos e riscos de acidentes, tornando as renováveis mais competitivas e sustentáveis.

Principais Comparativos (Renováveis vs. Nuclear):

Custo (Mais Baratas): A energia solar e eólica são as fontes mais econômicas do mundo, com custos em queda constante, enquanto a nuclear é cara, frequentemente acima do orçamento e com altos gastos de manutenção. Estudos indicam que a eletricidade nuclear pode ser de 4 a 6 vezes mais cara que a gerada pelo sol e ventos.

Segurança e Ambiente: Renováveis não geram resíduos radioativos de longo prazo nem riscos de desastres, como Chernobyl ou Fukushima. Além disso, a infraestrutura renovável pode ser instalada de forma descentralizada, ao contrário de grandes usinas nucleares.

Confiabilidade: Embora a nuclear forneça energia de base constante, a intermitência das renováveis é cada vez mais resolvida com tecnologias de armazenamento, tornando a energia nuclear desnecessária em muitos cenários.

No entanto, defensores da energia nuclear argumentam que ela é uma fonte limpa e segura, que produz energia sem depender das condições climáticas. Contudo, o alto custo inicial e os longos prazos de construção pesam contra sua expansão frente às renováveis.

A intermitência das fontes renováveis não justifica a energia nuclear

A intermitência de fontes renováveis pode ser resolvida com tecnologias disponíveis, tornando usinas nucleares desnecessárias para matriz elétrica brasileira

Educar é formar para a liberdade, não para a obediência - Noam Chomsky (linguista, filósofo, sociólogo, ativista político norte-americano)

Os defensores da energia nuclear para a produção de energia elétrica sempre tiveram um discurso moldado às circunstâncias, e às suas conveniências. Antes do acidente nuclear de Fukushima, em um dos países mais desenvolvidos nas ciências e tecnologia, os argumentos utilizados eram de uma soberba e arrogância sobre a infalibilidade da tecnologia nuclear. Chegavam a afirmar que era impossível ocorrer um acidente nestas usinas (risco zero!!!), tal o desenvolvimento tecnológico alcançado. Bastou o fatídico 11 de março de 2011 para desmoronar a pregação messiânica pró deus-tecnologia nuclear.

Com a crise climática e o crescimento das fontes renováveis de energia na matriz elétrica mundial, o discurso voltou-se ao alto custo da energia solar e eólica, e o papel de “salvação” do nuclear na mitigação do aquecimento global, como uma fonte de energia de baixa emissão de carbono. Afirmam descaradamente que não existe emissão de gases de efeito estufa no ciclo do combustível nuclear, portanto é uma fonte “limpa”, e assim a nucleoeletricidade seria uma componente crucial no enfrentamento das mudanças climáticas.

Nem a eletricidade nuclear é “limpa”, se caso fosse não geraria “lixo”, nem mais barata que a gerada pelo Sol e ventos, ao contrário, chegando a ser 4 a 6 vezes mais cara. Mais uma vez o poderoso lobby nuclear perdeu o discurso. Mas a insistência é permanente, pois os negócios neste setor envolvem bilhões, com cada usina de 1.000 MW, custando em torno de US$ 5 bilhões. Ao mesmo tempo é reconhecido que obras de grande complexidade como usinas nucleares, raramente respeitam cronograma e previsões orçamentárias, e que o custo final costuma ser, em média, 3 vezes maior do que previsto inicialmente.
Atualmente o discurso da hora do setor nuclear é apontar a “fragilidade” da geração de fontes renováveis (solar, eólica), pela sua irregularidade devido à ausência de Sol e ventos, o que não garantiria a estabilidade do sistema elétrico. A intermitência energética justificaria a necessidade da fonte nuclear?

Quem defende usinas nucleares afirma que o principal papel desta tecnologia é a estabilidade que aporta para o sistema elétrico, tratando de uma fonte firme, não intermitente. Pelo fato de uma usina nuclear poder operar quase o tempo todo, constituiria uma fonte de “carga de base” (baseload) necessária para a estabilidade da rede elétrica, pois complementaria a geração solar e eólica, que variam conforme as condições climáticas.

Todavia para lidar com a intermitência de fontes renováveis, várias alternativas existem sem que haja a necessidade da nucleoeletricidade que é cara, perigosa e suja. Dentre as tecnologias existentes inclui sistemas híbridos, combinando diferentes fontes e armazenamento para compensar a falta de energia, à noite ou em dias sem vento; o armazenamento do excesso de energia gerada com baterias, hidrogênio e armazenamento térmico; fontes despacháveis podendo ser ativadas sob demanda, com térmicas a biomassa, hidrelétricas; redes inteligentes no gerenciamento da oferta e demanda de energia de forma mais eficiente, melhoria na infraestrutura das redes de transmissão para que a energia gerada em um local possa ser transportada para onde é necessária, aumentando a flexibilidade do sistema; e soluções com inteligência artificial para previsão de geração e demanda, otimização do despacho de energia e gestão de mercados, garantindo um fornecimento contínuo e estável.

Do ponto de vista tecnológico não faltam alternativas para atender às características intrínsecas das fontes renováveis, como a intermitência.  O que falta são escolhas corajosas, que levem em conta a participação social e a transparência, contra as ações de lobbies poderosos que defendem interesses de grupos econômicos contrários aos da população, e que influenciam nas decisões de políticas públicas do setor energético.
O que tem favorecido o discurso da intermitência, e assim da necessidade da geração nuclear, é que mesmo tendo disponibilidade de energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), uma entidade privada, tem limitado, e até cortado parte da energia produzida por fontes renováveis, principalmente porque a expansão da rede de transmissão e a demanda não acompanharam o ritmo de instalação de novos parques de geração, que crescem a taxas mais aceleradas, incentivados pelo grande potencial destas fontes, do baixo custo da energia gerada, e das condições favoráveis de financiamento e benefícios fiscais. Ou seja, temos energia, mas não temos linhas de transmissão para seu aproveitamento pelo sistema elétrico nacional.

A redução ou corte intencional de energia, denominado de “curtailment” tem acontecido com frequência no Nordeste, maior produtor de energia elétrica a partir do Sol e dos ventos, por razões elétricas, como a capacidade limitada de transmissão, ou razões energéticas, com excesso de oferta em relação à demanda. Por exemplo, em junho de 2025 no Nordeste, os cortes na geração de projetos de grande porte – solar e eólico – não injetados na rede, determinados pela ONS, atingiram o valor de 27,3% do total produzido, sendo 19,6% por razões energéticas. No ano de 2025 estimativas apontam que o “curtailment” atingiu cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada no país.

Este desperdício ocorre pela falta de planejamento estratégico. É privilegiado a oferta descolada da demanda, além de atrasos na conexão de projetos à rede. A desnecessária demora em adotar o armazenamento por baterias, a integração de fato de múltiplas fontes renováveis (solar, eólica, biomassa, etc.) reduzindo a dependência de uma única fonte e aumentando a resiliência, e o uso de outras possibilidades tecnológicas, seriam as condições para evitar o desperdício. Também a definição de diretrizes claras nos marcos legais, sem a presença e interferência perniciosa dos lobbies, que ao defender interesses corporativos, acabam prejudicando interesses da população.

Nada indica que usinas nucleares sejam necessárias ao país. Os exemplos da China que detém cerca de 34% da capacidade global de energia renovável, da União Europeia que atualmente produz mais eletricidade com renováveis que com outras formas de energia, e do Brasil com mais de 80% da matriz elétrica com a participação do Sol, dos ventos e da água, constituindo a espinha dorsal da matriz elétrica; mostram claramente que as fontes renováveis em um contexto de colapso ambiental, podem garantir a segurança e sustentabilidade energética, desde que a diversificação e complementaridade andem juntas.
Para um contingente cada vez maior da sociedade brasileira a energia nuclear é vista como uma alternativa de alto risco, cara e perigosa, em um país com extraordinário potencial de fontes renováveis.

“Em memória do prof. Célio Bermann: gratidão e lembranças” (ecodebate)

O custo nivelado da energia solar deverá cair 30% até 2035

O custo nivelado da energia solar deverá cair 30% até 2035, segundo a BloombergNEF.

Uma análise da BloombergNEF aponta que o custo nivelado de energia (LCOE) de uma usina solar típica de eixo fixo aumentou 6% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 39/MWh em 2025, mas espera-se que a inovação e a concorrência reduzam os custos em 30% até 2035.
De acordo com uma análise da BloombergNEF, o custo nivelado da energia (LCOE) da energia solar deverá cair 30% até 2035.

O relatório do analista sobre o Custo Nivelado da Eletricidade para 2026 afirma que, embora os custos de referência da energia solar tenham aumentado em 2025, devido a uma combinação de restrições na cadeia de suprimentos, menor disponibilidade de recursos e reformas de mercado na China, a inovação e a concorrência levarão à queda dos custos na próxima década.

O custo nivelado de energia (LCOE) global de referência para uma usina solar típica de eixo fixo aumentou 6% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 39/MWh em 2025, de acordo com dados da Bloomberg. No início da década, a energia solar de eixo fixo tinha um LCOE global de referência de pouco mais de US$ 60/MWh. Seus custos atuais se comparam a um LCOE de US$ 40/MWh para energia eólica onshore e US$ 100/MWh para energia eólica offshore.

A análise mais recente da Bloomberg acrescenta que, embora a maioria das tecnologias de energia limpa tenha ficado mais cara no ano passado, o custo dos projetos de armazenamento de baterias caiu para novos mínimos históricos.

Custo nivelado da eletricidade da energia eólica e solar, incluindo custos de integração.

O custo nivelado de energia (LCOE) global de referência para um projeto de baterias com duração de quatro horas caiu 27% em relação ao ano anterior, para US$ 78/MWh, um mínimo histórico desde que a BNEF começou a monitorar os custos em 2009. No início da década, o LCOE global de referência para esses projetos era superior a US$ 180/MWh e, em 2024, ainda estava acima de US$ 100/MWh.

A queda no LCOE (custo nivelado de energia) dos projetos de baterias no ano passado foi atribuída à redução dos preços dos pacotes de baterias, ao aumento da concorrência entre os fabricantes e à melhoria dos projetos dos sistemas. A BNEF prevê que o LCOE do armazenamento de baterias cairá mais 25% na próxima década.

A Bloomberg também descobriu que os desenvolvedores adicionaram 87 GW de energia solar e armazenamento combinados no ano passado, fornecendo energia a um LCOE médio de US$ 57/MWh.

“Com a queda contínua dos custos, esperamos que o armazenamento em baterias fortaleça as receitas dos projetos de energia solar, apoie uma implantação mais ampla de energias renováveis e acelere a transição para um equilíbrio do sistema baseado em armazenamento em detrimento da capacidade de geração de pico baseada em combustíveis fósseis”, comentou Amar Vasdev, autor principal do relatório.

Uma equipe internacional de pesquisa descobriu que estratégias baseadas em Capex podem ajudar a reduzir o LCOE da energia solar em 20%.

Essa rápida expansão projetada da energia solar se dará por quedas contínuas nos custos. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 4 de março de 2026

São Paulo sanciona lei que garante recarga de veículos elétricos em condomínios

Nova lei em SP garante segurança e direito de recarregar seu carro elétrico em condomínios! Com a Lei nº 18.403/2026, moradores de edifícios residenciais ou comerciais podem instalar estações individuais de recarga nas suas vagas de garagem, desde que respeitem todas as normas técnicas e de segurança exigidas.

Lei 18.403 assegura ao condômino o direito à instalação de estação individual em vaga privativa, arcando com os custos, e impede proibição sem justificativa técnica. Texto foi aprovado pela ALESP em dezembro e publicado no Diário Oficial em 19/02/2026.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou a Lei 18.403, de 18/02/2026, que estabelece o direito de condôminos instalarem estações individuais de recarga para veículos elétricos em vagas privativas de edifícios residenciais e comerciais no estado. A norma foi publicada no Diário Oficial em 19/02/2026, após aprovação do PL 425/2025 pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) em 16/12/2025.

De acordo com o texto, o condômino poderá instalar, arcando com os custos, a infraestrutura de recarga, desde que respeitadas as normas técnicas e de segurança vigentes. A convenção condominial poderá disciplinar procedimentos de comunicação, padrões técnicos e responsabilidades por eventuais danos ou consumo de energia, mas não poderá vetar a instalação sem justificativa técnica ou de segurança devidamente fundamentada.

A proposta foi apresentada pelos deputados Marcelo Aguiar (Podemos) e Antonio Donato (PT) e contou com parecer favorável do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Para a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a sanção representa um avanço regulatório para a eletromobilidade no estado.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Bastos, a nova legislação amplia a segurança jurídica para condôminos, síndicos, administradoras, engenheiros, setor da construção civil e indústria automotiva, além de contribuir para a harmonização entre a expansão da mobilidade elétrica e as exigências de proteção contra incêndios.

São Paulo garante direito à recarga de veículos elétricos em condomínios e cria marco para eletromobilidade.

Na avaliação da associação, a Lei 18.403 posiciona São Paulo entre as jurisdições com marcos regulatórios mais claros para infraestrutura de recarga em edificações, reforçando o protagonismo do estado na agenda de descarbonização e sustentabilidade urbana. (pv-magazine-brasil)