Matriz energética e o impacto ambiental
O entendimento vem com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. Aprendizagem, conhecimento e sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança em agregar novos valores aos já existentes.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Frota elétrica da cidade de São Paulo cresce e soma 1,7 mil ônibus
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Infraestrutura de recarga para VEs supera 25.000 pts crescendo 21% em 3m
Os detalhes estruturais desse avanço no país incluem:
• Carga Rápida (Corrente Contínua - DC): Saltou 32,8%, passando de
6.479 para 8.606 unidades. Este modelo representa agora 33,8% de toda a rede
nacional.
• Carga Lenta/Semirrápida (Corrente Alternada - AC): Cresceu
15,5%, alcançando 16.836 pontos (66,2% do total).
• Cobertura: A malha de recarga já está presente em 1.788
municípios, com destaque para a região Norte, que liderou a expansão em recarga
rápida (alta de 51%).
Essa expansão acompanha a marca de 505.806 veículos eletrificados
plug-in em circulação no país, resultando em uma proporção média de 19,9 carros
por eletroposto. O aumento da infraestrutura nacional acompanha também o avanço
de regulamentações, como a recente Lei 18.403/2026 em São Paulo, que
impulsionou o segmento de carregadores ao garantir novas regras para
edificações.
A capilaridade da infraestrutura é uma das soluções mais críticas
para mitigar a chamada "ansiedade de autonomia" dos motoristas.
Expansão foi impulsionada pelos carregadores rápidos, que avançaram 33% em três meses. Rede alcança 1.788 municípios, enquanto a região Norte lidera o crescimento da recarga rápida, com alta de 51%.
General Motors
A infraestrutura pública e semipúblicas de recarga para veículos
elétricos no Brasil alcançou 25.429 pontos em maio de 2026, um crescimento de
20,7% em relação a fevereiro deste ano, quando o país registrava 21.060
eletropostos. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira do Veículo
Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma de mobilidade elétrica Tupi.
O avanço da rede ocorre em paralelo à expansão da frota nacional
de veículos elétricos plug-in, que já soma 505.806 unidades entre modelos
totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). A relação atual é de
aproximadamente 19,9 veículos por ponto de recarga.
Do total da frota eletrificada, 266.752 veículos (52,7%) são
híbridos plug-in, enquanto 239.054 unidades (47,3%) correspondem a veículos
100% elétricos, que dependem integralmente da infraestrutura de carregamento.
Carregadores rápidos ampliam participação na rede
A expansão continua sendo liderada pela recarga rápida em corrente
contínua (DC). O número desses equipamentos passou de 6.479 para 8.601 unidades
em apenas três meses, crescimento de 32,8%.
Com isso, os carregadores rápidos passaram a representar 33,8% da infraestrutura nacional, ante 30,8% registrados no levantamento anterior.
Já os carregadores em corrente alternada (AC), utilizados principalmente em recargas de longa permanência, também apresentaram aceleração relevante. O número de pontos aumentou de 14.582 para 16.828, avanço de 15,4% no período.
Segundo a ABVE e a Tupi, o desempenho dos equipamentos AC marca
uma mudança de tendência. No levantamento anterior, esse segmento havia
crescido apenas 17,6% ao longo de doze meses.
A retomada coincide com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, em
São Paulo, que assegura o direito à instalação de carregadores em vagas
privativas de condomínios, reduzindo uma das principais barreiras à recarga
residencial.
Para
Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE,
dois movimentos explicam os resultados do trimestre.
“Os carregadores lentos, que vinham em baixa, reagiram. A
regulamentação de São Paulo garantindo o direito à instalação de carregadores
em condomínios tem papel direto nesse movimento. Ao mesmo tempo, o crescimento
dos carregadores rápidos começa a ser impulsionado por uma nova geração de
equipamentos ultrarrápidos, com potências que chegam a 480 kW e múltiplas
posições de recarga”, afirmou.
Segundo o executivo, o mercado brasileiro entrou em uma nova etapa
de desenvolvimento.
“O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala. Estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país”.
Norte lidera crescimento da infraestrutura rápida
A expansão da infraestrutura ocorreu em todas as regiões
brasileiras, mas com ritmos distintos.
A região Norte registrou o maior crescimento proporcional do país,
com aumento de 30,7% no número total de pontos de recarga e avanço de 51% nos
carregadores rápidos DC. O resultado indica uma expansão fortemente associada a
corredores rodoviários e logísticos, onde a recarga de alta potência é
considerada estratégica.
O Centro-Oeste apresentou crescimento de 23,7% na rede total e de
36,3% nos carregadores rápidos. Já o Sul avançou 23,4% no total de eletropostos
e 35,8% em infraestrutura DC.
No Nordeste, a rede cresceu 20,5%, enquanto os carregadores
rápidos aumentaram 33,7%. O Sudeste, que concentra a maior base instalada do
país, registrou crescimento de 18,1% no total de pontos e de 25,7% nos
equipamentos de recarga rápida.
Os dados mostram que a infraestrutura nacional está migrando
gradualmente para um perfil mais voltado à recarga de alta potência,
acompanhando a evolução tecnológica dos veículos e a necessidade de viagens de
longa distância.
Cobertura chega a 1.788 municípios
Além da expansão em volume de carregadores, a cobertura
territorial também avançou.
Em maio, 1.788 municípios brasileiros já contavam com
infraestrutura pública ou semipúblicas de recarga, frente aos 1.649 registrados
em fevereiro, crescimento de 8,4%.
O Nordeste liderou a expansão territorial, com aumento de 9,7% no
número de cidades atendidas, seguido pelo Centro-Oeste, com alta de 9,2%.
O crescimento simultâneo da frota e da infraestrutura reforça o
amadurecimento do mercado brasileiro de mobilidade elétrica. Além da ampliação
dos investimentos privados em redes de carregamento, a combinação entre novas
tecnologias de recarga ultrarrápida e avanços regulatórios tende a acelerar a
capilarização da infraestrutura nos próximos anos.
Com mais de 25 mil pontos instalados e presença em quase 1.800
municípios, o país amplia as condições para sustentar o avanço das vendas de
veículos eletrificados e reduzir uma das principais barreiras à adoção da
tecnologia: a disponibilidade de recarga. (pv-magazine-brasil)
sábado, 18 de julho de 2026
Axia inaugura usina heliotérmica, armazenamento e solar flutuante no Nordeste
AAxia Energia colocou em
operação um conjunto de projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias
para a transição energética no Nordeste brasileiro. Instalado entre os
municípios de Petrolina (PE), Casa Nova e Sobradinho (BA), o polo de inovação
reúne uma usina heliotérmica, sistemas de armazenamento por baterias (BESS),
uma planta híbrida com geração eólica e solar e um projeto de geração solar
flutuante integrado a um data center.
O principal empreendimento do
complexo é a usina heliotérmica de concentração solar em torre central (HCPV),
localizada no Centro de Referência de Energia Renovável de Petrolina (CRESP). A
planta combina espelhos heliostatos, módulos fotovoltaicos de alta eficiência e
armazenamento térmico para produzir simultaneamente eletricidade e calor a
partir da radiação solar. O sistema possui capacidade de geração elétrica de 1
MW e captura adicional de 2,2 MW de energia térmica, permitindo pesquisas sobre
armazenamento de longa duração e aplicações industriais.
Segundo a empresa, o projeto funcionará como uma plataforma para testar soluções que integrem geração renovável, armazenamento de energia e infraestrutura digital, incluindo aplicações voltadas à operação de data centers e sistemas de refrigeração industrial. A iniciativa recebeu mais de R$ 74 milhões em investimentos até 2026, dos quais R$ 67,9 milhões são provenientes do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
AXIA investe mais de R$ 200 milhões em polo de inovação energética no Nordeste
Em Casa Nova, no norte da
Bahia, a companhia também colocou em operação a Planta Híbrida Inteligente de
Casa Nova, uma infraestrutura de pesquisa que integra geração eólica, geração
solar fotovoltaica, armazenamento em baterias de lítio e um data center. O
empreendimento reúne uma planta solar de 1 MW, um aerogerador de 1,5 MW, um
sistema BESS de 1 MW de potência e 1,4 MWh de capacidade de armazenamento e um
data center de 1 MW. O investimento previsto para o projeto é de R$ 85 milhões
até 2026, também no âmbito do programa de P&D da Aneel.
De acordo com o diretor de
Tecnologia e Inovação da Axia, Juliano Dantas, a unidade permitirá estudos
sobre integração de fontes renováveis, armazenamento de energia, qualidade do
fornecimento elétrico e novos modelos operacionais para o setor. Segundo ele, o
conjunto faz da planta uma das maiores estruturas de pesquisa em energia
renovável a céu aberto do mundo.
Outro projeto do polo está localizado no reservatório da hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia. A planta-piloto de geração solar flutuante possui potência instalada de 0,8 MWp e geração média estimada em 1,3 GWh por ano. O sistema incorpora sensores IoT para monitoramento contínuo do desempenho operacional e está conectado à rede de distribuição em média tensão, permitindo avaliar a integração de tecnologias emergentes em condições reais de operação.
Axia Energia testa soluções contra cortes de renováveis
Para a companhia, os empreendimentos
servirão como base para o desenvolvimento e a validação de tecnologias voltadas
ao aumento da flexibilidade do sistema elétrico, à ampliação do armazenamento
de energia e à integração entre geração renovável e infraestrutura digital,
temas considerados estratégicos para a evolução da matriz energética brasileira.
(pv-magazine-brasil)
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Sol supera carvão como fonte de energia nos EUA
EUA consome mais energia
renovável do que carvão pela primeira vez.
Esse marco no setor foi
impulsionado pelo rápido avanço dos investimentos em energias renováveis e
pelos menores custos da tecnologia. Embora os combustíveis fósseis ainda
dominem, o declínio histórico do carvão mostra uma mudança estrutural
importante na economia americana.
O crescimento acelerado da demanda energética, puxado pela expansão da inteligência artificial e de data centers, tem exigido fontes de implantação rápida e menor custo, cenário em que a energia solar tem se destacado.
Apesar de Donald Trump incentivar o uso do carvão para geração de energia, no mês de maio passado, pela primeira vez, a energia solar superou a produzida a partir do carvão nos Estados Unidos: 12,8% contra 12,2%.
“Há anos a energia solar vem
crescendo na matriz elétrica dos EUA”, afirmou Nicolas Fulghum, analista da
Ember, uma organização com sede no Reino Unido que estuda a transição
energética; no mês passado, a energia solar tornou-se a terceira maior fonte de
eletricidade do país, atrás apenas do gás natural e da energia nuclear. A
geração a partir do carvão atingiu seu menor nível histórico em abril e
recuperou-se modestamente em maio.
Após duas décadas de consumo
praticamente estável, a demanda por energia elétrica nos EUA tem crescido para
alimentar a inteligência artificial, expandir a manufatura doméstica e
eletrificar transporte e aquecimento.
Esses números parecem
demonstrar que a energia solar “veio para ficar”, mesmo em um cenário de menor
apoio do governo Trump às renováveis.
Globalmente, a geração
elétrica renovável cresce rapidamente. Segundo a Agência Internacional de
Energia, até 2030 as renováveis representarão quase 45% da eletricidade mundial;
no Brasil esse número está ao redor de 22%, superado pela energia hidrelétrica.
A Casa Branca defendeu as
políticas energéticas de Trump como medidas para fortalecer a segurança
nacional. “O presidente reverteu políticas devastadoras da esquerda, salvou a
indústria do carvão, evitou o sucateamento de estruturas de produção de mais de
17 gigawatts de energia e salvou vidas em períodos de alta demanda”, disse a
porta-voz Taylor Rogers.
Espera-se que no governo americano o bom senso volte a prevalecer e a produção de energia limpa volte a ser prioritária. (ecodebate)
terça-feira, 14 de julho de 2026
“Pobreza de resfriamento” revela sobre justiça climática
O
debate sobre essa realidade traz à tona facetas importantes:
Desigualdade
Habitacional e Térmica: As populações periféricas e moradores de favelas sofrem
desproporcionalmente. Pesquisas, como a realizada em comunidades do Rio de
Janeiro (Chapéu Mangueira e Babilônia), indicam que o calor interno dessas
residências pode ser muito maior do que as medições oficiais da cidade.
Materiais de construção precários e a falta de ventilação agravam as ondas de
calor.
Impactos
Desiguais: Pessoas em situação de pobreza frequentemente enfrentam múltiplos
riscos ambientais simultâneos. Enquanto quem possui recursos consegue adaptar
seus ambientes, quem vive em vulnerabilidade sofre diretamente com riscos à
saúde, exaustão e perdas materiais.
Um
Desdobramento da Justiça Ambiental: O conceito discute como as populações que
historicamente menos contribuíram para a emissão de gases de efeito estufa são
as que mais pagam o preço pela elevação global das temperaturas.
É possível aprofundar a discussão lendo artigos e análises detalhadas sobre o tema publicadas em plataformas como o EcoDebate ou o Instituto Humanitas Unisinos - IHU.
Quando o calor não é apenas uma questão de temperatura, mas de desigualdade.
Mais
de 2 bilhões de pessoas vivem sem condições mínimas de se proteger do calor
extremo. Estudo publicado na Nature Sustainability revela que a crise climática
é, antes de tudo, uma crise de justiça social e que o Brasil também está no
centro dessa equação.
Hoje,
quando o termômetro sobe, nossa primeira reação costuma ser ligar o ventilador
ou o ar-condicionado. É quase um reflexo. Mas você já parou para pensar que,
para um terço da população mundial, o resfriamento não é uma escolha, mas é um
luxo inacessível?
Essa
pergunta não é retórica. Ela está no centro de um estudo recente publicado na
Nature Sustainability, intitulado “A multidimensional assessment of systemic
cooling poverty in the global south”, que revelou uma realidade chocante, em
que mais de 2 bilhões de pessoas vivem no que os pesquisadores chamam de
“pobreza de resfriamento sistêmica”, uma condição que vai muito além de não ter
um aparelho de ar-condicionado em casa.
Mais
do que calor, é uma crise de dignidade
A
primeira vez que me deparei com o termo “pobreza de resfriamento” achei que era
apenas um jeito acadêmico de dizer que muita gente não tem ar-condicionado. Mas
não é isso, nem de perto.
Segundo
Giacomo Falchetta, principal autor do estudo, o risco do calor extremo se
multiplica quando as pessoas carecem de uma combinação cruel de ausências:
moradia adequada, acesso a serviços de saúde e até informação básica sobre como
se proteger.
O
problema, portanto, não é um aparelho. É um sistema inteiro que falhou.
É sobre viver em uma casa que vira forno. É sobre trabalhar sob o sol sem ter direito a uma pausa. É sobre não ter água potável para se hidratar quando o corpo grita por socorro. É sobre dignidade que deveria ser universal, mas que o aquecimento global está tornando cada vez mais rara para quem já tem menos.
O que é, de fato, a “pobreza de resfriamento sistêmica”
O
estudo mede a pobreza de resfriamento a partir de cinco dimensões simultâneas:
exposição climática, infraestrutura e ativos, desigualdades sociais e térmicas,
saúde, e condições de trabalho e educação. Esse olhar multidimensional é o que
o diferencia de tudo o que veio antes.
A
conclusão é que quase 600 milhões de pessoas estão em risco imediato de danos
relacionados ao calor e que os padrões de privação variam enormemente dentro de
um mesmo país, às vezes de bairro para bairro. Mas quando se ampliam os
critérios para incluir vulnerabilidades estruturais, esse número salta para
mais de 2 bilhões.
Isso
é mais do que a população inteira da América Latina e da África combinadas. São
pessoas reais, com nomes, histórias, famílias e um calor que não para de
aumentar.
Onde
o termômetro vira sentença de morte
As
regiões mais vulneráveis são o Sul da Ásia e a África Subsaariana. Em países
como Índia, Paquistão e Bangladesh, a combinação letal de calor e umidade
atinge o que os climatologistas chamam de “temperatura de bulbo úmido”, um ponto
em que o corpo humano simplesmente não consegue mais se resfriar pelo suor,
independentemente de qualquer esforço. Isso não é desconforto. É risco de
morte.
Na
Etiópia e na República Democrática do Congo, o cenário é outro, mas igualmente
devastador: a ausência quase total de infraestrutura de proteção, como parques,
áreas verdes, unidades de saúde preparadas para tratar doenças causadas pelo
calor, transforma qualquer onda de calor em um evento catastrófico. O perigo
não vem só do sol. Vem da interação cruel entre temperatura e pobreza.
A
armadilha invisível da moradia precária
Imagine
acordar dentro de uma casa cujo telhado é feito de zinco ou amianto. No verão,
esse material não apenas não protege do calor como ele amplifica. O interior
pode ser até 5 graus mais quente do que a temperatura do lado de fora. Para
milhões de trabalhadores nessas regiões, isso não é uma metáfora. É a realidade
diária
Essa armadilha é invisível nos debates sobre clima porque não aparece nos dados de renda nem nos índices de desenvolvimento humano convencionais. Uma família pode não ser classificada como “extremamente pobre” e ainda assim viver em uma moradia que, nos meses de calor, coloca a vida em risco todos os dias.
Porque mais ar-condicionado não resolve o problema
Aqui
vem uma virada que parece contra intuitiva, mas que os especialistas são
categóricos em defender: não podemos sair dessa crise simplesmente instalando
mais aparelhos de ar-condicionado.
Os
motivos são vários. Primeiro, o consumo de energia necessário para refrigerar
bilhões de lares sobrecarregaria as redes elétricas de países que já operam no
limite. Segundo e mais grave, o uso massivo de ar-condicionado alimenta um
ciclo vicioso: mais refrigeração, mais emissões, mais aquecimento global, mais
necessidade de refrigeração.
O
relatório Global Cooling Watch 2025, lançado pelo Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente na COP30, em Belém, estima que a demanda global por
resfriamento pode triplicar até 2050 caso nenhuma mudança estrutural seja feita
e que isso quase dobraria as emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao
setor de refrigeração.
É
uma bomba climática alimentada pela própria tentativa de sobreviver ao clima.
Soluções
que custam pouco e mudam muito
A
boa notícia é que as alternativas mais eficazes são, em muitos casos,
surpreendentemente acessíveis. Os pesquisadores e especialistas apontam para um
conjunto de políticas de baixo custo e alto impacto:
Design
inteligente para moradias vulneráveis: pintar telhados com tinta branca
reflexiva pode reduzir a temperatura interna em até 5 graus. É uma solução que
cabe no orçamento de prefeituras e que pode ser implementada em mutirões
comunitários.
Natureza
como infraestrutura urbana: expandir a cobertura de árvores, criar parques e
preservar corpos d’água em áreas urbanas densas cria o que os urbanistas chamam
de “ilhas de frescor”. Não são soluções estéticas — são questão de saúde
pública.
Direitos
trabalhistas como proteção climática: estabelecer por lei pausas obrigatórias,
acesso a água gratuita e áreas de sombra para trabalhadores que atuam ao ar
livre é uma das medidas mais diretas para salvar vidas durante ondas de calor.
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O limite do corpo humano
Chandni
Singh, pesquisadora do Instituto Indiano para Assentamentos Humanos, articulou
com precisão algo que os números às vezes não conseguem: existe um limite para
o quanto o ser humano consegue se adaptar ao calor extremo.
Roupas
mais leves, mudança de horário de trabalho, ventiladores — tudo isso tem um
teto fisiológico. Quando a temperatura e a umidade combinadas ultrapassam
certos limiares, não há comportamento individual que compense. A única saída é
estrutural: infraestrutura, política pública, investimento coletivo.
A “pobreza de resfriamento”
nos lembra, de forma irrefutável, que a luta contra as mudanças climáticas é,
no fundo, uma luta por justiça social. O clima não aquece de forma igualitária.
Ele aquece os que já têm menos proteção, já vivem nas margens, já carregam o
peso de um sistema que historicamente ignorou suas necessidades.
O
Brasil também está nessa história
Não
podemos ler esses dados como se fossem uma realidade distante, confinada ao Sul
da Ásia ou à África. O Brasil está profundamente inserido nessa equação.
Um levantamento recente realizado em parceria com a presidência brasileira da COP30 e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostrou que 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar planos de ação contra o calor extremo, mesmo que 93% dos gestores municipais classifiquem o tema como relevante.
Conhecer o problema e agir são coisas muito diferentes.
Com
a possibilidade de formação de um Super El Niño na segunda metade de 2026, o
Brasil enfrenta uma janela crítica. As previsões estimam um aumento da
temperatura média de +2,8°C a +4,3°C, o que seria desastroso.
As
comunidades mais vulneráveis estão na linha de frente de um calor que não
discrimina, mas que mata de forma muito seletiva.
Olhar
para esses números, 2 bilhões de pessoas, é entender que o resfriamento não deveria
ser um privilégio de quem pode pagar a conta de luz no fim do mês. Deveria ser
um direito básico de sobrevivência em um planeta que não para de esquentar.
E
se essa leitura te gerou algum desconforto, ótimo. A ideia era essa.
Desconforto é o começo de toda mudança.
Precisamos
exigir infraestruturas mais humanas, políticas mais corajosas e um futuro onde
a dignidade térmica não dependa do CEP de ninguém. (ecodebate)





















