segunda-feira, 4 de maio de 2026

Energia solar dispara globalmente sob liderança da China

Impulsionado por preços baixos, ritmo de expansão supera qualquer outra fonte energética e excede expectativas. Crescimento ocorre também no Brasil e até nos EUA, apesar do favorecimento de Trump por fontes fósseis.
A energia solar vem se expandindo mais rápido do que o esperado no início do século, num ritmo superior a qualquer outra fonte energética. A sua adoção é um elemento central dos planos de transição energética global, a fim de proteger o planeta das mudanças climáticas.

Antes, esta era considerada uma alternativa cara, usada somente em regiões remotas, viagens espaciais ou calculadoras de bolso. Mas hoje módulos solares fáceis de instalar e operar permitem gerar eletricidade barata ao redor do mundo.

A capacidade global de energia solar disparou na última década, passando de 228 gigawatts (GW) em 2015 para 2,9 mil GW em 2025 — o correspondente a 10% da matriz energética global, ultrapassando a energia nuclear (9%).

Se mantiver o ritmo atual, a capacidade global poderá atingir 9 mil GW até 2030, o suficiente para atender a mais de 20% da demanda energética global. Potências globais, entretanto, se mantêm dependentes dos combustíveis fósseis.

China lidera o caminho

A China tem, de longe, a maior capacidade solar do mundo. O país instalou 315 GW de novos painéis em 2025, de acordo com a autoridade energética chinesa, elevando a capacidade total para cerca de 1,3 mil GW.

A China produz a maioria dos painéis solares do mundo atualmente

Mais de 80% de todos os painéis solares atualmente são produzidos na China. Dados da organização LowCarbonPower mostram que 11% da eletricidade do país agora vem da energia solar.

Ao longo da última década, a participação da energia a carvão – altamente poluente – caiu de 70% para 56%. Isso se deve, em grande parte, à forte expansão das energias renováveis no país, especialmente solar e eólica.

União Europeia amplia rede solar

A União Europeia (UE), com 406 GW de capacidade de geração, ocupa o segundo lugar mundial na expansão da energia solar.

No bloco, a energia solar cobre cerca de 13% da demanda elétrica, enquanto o carvão atende a 9% — uma queda significativa em relação a 2015, quando ainda gerava um quarto da eletricidade da EU.

Na liderança europeia estão Grécia, Chipre, Espanha e Hungria, cada uma gerando mais de 20% de sua eletricidade a partir da energia solar.

A Alemanha, com menos horas de sol, atinge 18%. Com 119 GW, o país é o líder europeu em capacidade solar instalada, seguida pela Espanha, com 56 GW.

Energia solar vem liderando crescimento da rede elétrica dos EUA

USA em 3º lugar

Mesmo com as fontes renováveis dificultadas durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos ocupam o 3º lugar mundial na expansão da energia solar.

Com 267 GW, os EUA conseguem suprir cerca de 8% de sua demanda elétrica total. Em 2015, esse valor era de 1%. Nos últimos dez anos, a participação do carvão caiu pela metade — de 34% em 2015 para 17% em 2025.

O presidente americano, entretanto, quer ressuscitar o carvão e proteger a indústria ligada aos combustíveis fósseis.

Além disso, os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo e gás – em grande parte para exportação. Em 2023, estas duas fontes correspondiam, juntas, a quase três quartos da energia final consumida pelos americanos (excluindo o consumo do próprio setor energético e perdas de transformação), segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Crescimento na Índia, no Paquistão e no Brasil

A Índia, em quarto lugar com 136 GW, agora gera cerca de 8% de sua eletricidade para uma população de 1,45 bilhão de pessoas. O Japão aparece em 5º, com capacidade solar de 103 GW, cobrindo 11% de sua demanda elétrica.

O Brasil também está ampliando sua capacidade solar e agora consegue gerar cerca de 10% de seu fornecimento nacional de eletricidade. O país soma 22 GW de potência solar fiscalizada (ou seja, efetivamente instalada e em operação comercial verificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica). Junto com hidrelétrica, eólica e biomassa, 88% da energia do Brasil vêm de fontes renováveis.

Em 2015, Paquistão e África do Sul produziam cada um menos de 1% de sua eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos. Dez anos depois, o índice subiu para 20% e 10%, respectivamente.
Preços vantajosos

Energia solar dispara globalmente sob liderança da China

Em apenas uma hora, a luz do sol que atinge a Terra fornece mais energia do que a humanidade precisaria durante um ano inteiro. Instalando painéis solares em menos de 1% da superfície do mundo, seria possível cobrir toda a demanda global de energia.

Outra vantagem é o progressivo barateamento. Módulos mais eficientes e a produção em massa reduziram os preços em cerca de 90%, o que significa que a energia solar é a forma mais barata de eletricidade em muitas partes do mundo.

Em regiões muito ensolaradas, grandes parques solares podem produzir eletricidade pelo equivalente a R$ 0,05/quilowatt-hora.

A eletricidade de painéis solares instalados em telhados costuma ser significativamente mais barata do que a eletricidade da rede convencional e, em muitos países europeus, agora custa menos da metade do preço médio de eletricidade.

Como a liderança da China na produção de energia solar está moldando o mercado global e influenciando países como o Brasil.

Mais proeminência a caminho

Em 2024, usinas com capacidade de 632 GW foram adicionadas à rede elétrica global. Do total, 72% eram energia solar, seguida pela eólica com 18%, gás com 4%, carvão com 3%, hidrelétrica com 2% e nuclear com 1%.

Diversas previsões subestimaram o crescimento da indústria solar. Em sua análise global anual de energia de 2020, a Agência Internacional de Energia estimou que a expansão solar mundial atingiria cerca de 120 GW em 2024. Mas 597 GW foram instalados naquele ano.

Especialistas agora acreditam que a energia solar eventualmente se tornará a fonte de energia mais importante do mundo. No entanto, ainda não se sabe quão rápida poderá ser a mudança.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia Lappeenranta-Lahti, na Finlândia, calcularam como poderia ser um suprimento de energia global economicamente eficiente. Com base em seu modelo, 76% da energia mundial viriam da energia solar. A energia eólica representaria outros 20%, com o restante vindo de hidrelétrica, biomassa e energia geotérmica. (cartacapital)

sábado, 2 de maio de 2026

Eletrificados atingem 35 mil unidades em março/26 e refletem avanço regulatório

Vendas de eletrificados atingem 35 mil unidades em março e refletem avanço regulatório.

Com 35,3 mil emplacamentos e participação de 14%, mercado brasileiro de veículos eletrificados acelera impulsionado por novas regras do Corpo de Bombeiros de São Paulo para recarga em edifícios residenciais.
As vendas de veículos leves eletrificados no Brasil atingiram um novo recorde em março de 2026, com 35.356 unidades emplacadas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O resultado representa um crescimento de 42% em relação a fevereiro e de 146% na comparação anual, consolidando o avanço da eletromobilidade no país.

De acordo com a entidade, o desempenho já reflete um ambiente mais favorável ao setor, impulsionado por medidas recentes adotadas no estado de São Paulo, que ampliaram a segurança jurídica e operacional para a recarga de veículos elétricos em edifícios residenciais.

“Esses números exuberantes de março já refletem o ambiente de confiança renovada do mercado de eletrificados”, afirmou o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. Segundo ele, iniciativas como a Lei 18.403 — que garante o direito à instalação de pontos de recarga em garagens — e a atualização das normas do Corpo de Bombeiros de São Paulo foram determinantes para o avanço.

Mesmo com o crescimento do mercado automotivo como um todo, os eletrificados mantiveram participação elevada, respondendo por 14% das vendas de veículos leves em março. No acumulado do primeiro trimestre, foram 83.947 unidades comercializadas — mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

A participação mensal tem se mantido estável em patamares elevados desde o fim do ano passado, indicando uma consolidação da eletromobilidade no mix de vendas.

Os modelos plug-in (BEV e PHEV) concentraram 75% das vendas de eletrificados em março, com 26.440 unidades. Os veículos 100% elétricos (BEV) lideraram com 14.073 emplacamentos — alta de 62% frente a fevereiro e de 193% na comparação anual.

Vendas tem um enorme crescimento acumulado.

Já os híbridos plug-in (PHEV) somaram 12.367 unidades, com crescimento de 47,4% no mês e de 78% em relação a março/2025.

O desempenho reforça a rápida adoção de tecnologias com recarga externa no país, impulsionadas por maior oferta de modelos e avanços na infraestrutura.

Os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex), embora com menor participação relativa, seguem em expansão. Em março, esses modelos totalizaram 8.916 unidades, equivalentes a 25% do mercado de eletrificados.

Os HEV Flex registraram 4.924 vendas, enquanto os HEV convencionais somaram 3.992 unidades. Ambos apresentaram crescimento expressivo na comparação anual, evidenciando a diversificação tecnológica do setor.

Embora não sejam classificados como eletrificados pela ABVE, os micros híbridos (MHEV) também apresentaram crescimento relevante, com 4.600 unidades vendidas em março — alta de 44% sobre fevereiro e de 30% em relação ao mesmo mês de 2025.

A região Sudeste manteve a liderança nas vendas, com 46% do total nacional, seguida por Sul e Nordeste. Entre os estados, São Paulo concentrou 29,3% dos emplacamentos, com mais de 10 mil unidades.

No recorte por cidades, São Paulo liderou com 3.747 veículos vendidos, seguida por Brasília e Belo Horizonte.

Na avaliação da ABVE, as medidas adotadas em São Paulo devem servir de referência para outros estados, contribuindo para a expansão da infraestrutura de recarga e para a redução de barreiras à adoção de veículos elétricos.
“As duas medidas mudaram o mercado, trazendo otimismo, estabilidade e segurança tanto para consumidores quanto para gestores condominiais”, finaliza Bastos. (pv-magazine-brasil)

Células solares superam limite fundamental e chegam a 130% de eficiência

É possível gerar 2 elétrons para cada fóton, mas o desafio tem sido identificar materiais adequados para fazer isso.

Limite fundamental

Ficou bem demonstrado recentemente que recordes de eficiência das células solares não são o melhor indicador de que você poderá comprar painéis solares mais eficientes no futuro próximo - o caminho do laboratório para o mercado é complicado.

Mas agora o assunto é diferente: Cientistas descobriram como romper uma barreira conhecida como o "teto físico" da capacidade que uma célula solar tem para capturar a luz do Sol. Ou seja, não é só aumento de eficiência, é aumento do limite da eficiência, que teoricamente pode até dobrar.

O Sol fornece uma quantidade imensa de energia à Terra a cada instante, mas as células solares captam apenas uma pequena parte dela, uma "janela" do espectro solar.

Percy Samanamud e colegas das universidades Johannes Gutenberg (Alemanha) e Kyushu (Japão) acabam de descobrir um meio de superar essa limitação. Com sua nova tática, a equipe alcançou eficiências de conversão de energia em torno de 130%, ou seja, eles superaram o que seria o limite tradicional (100%), abrindo caminho para tecnologias solares mais avançadas.

E o mecanismo envolvido é genérico, o que significa que ele tem aplicações potenciais além da energia solar, incluindo os LEDs e outros dispositivos emissores de luz, tecnologias fotônicas e até tecnologias quânticas emergentes.

Esquema da fissão de singletos.

Um fóton gera dois elétrons

As células solares produzem eletricidade quando os fótons da luz solar atingem um semicondutor e transferem energia para os elétrons nesse semicondutor, colocando-os em movimento e criando uma corrente elétrica.

Mas nem todos os fótons fazem esse trabalho. Por exemplo, fótons de baixa energia, como os de uma faixa do infravermelho, não possuem energia suficiente para ativar os elétrons, enquanto os fótons de alta energia, como a luz azul, perdem sua energia extra na forma de calor. Por isso, as células solares conseguem utilizar apenas cerca de ⅓ da luz solar incidente, uma limitação física conhecida como limite de Shockley-Queisser.

A novidade agora é que a equipe descobriu um material - um complexo metálico à base de molibdênio - que consegue capturar a energia extra gerada por um processo chamado fissão de singletos, frequentemente descrita como a "tecnologia dos sonhos" na energia solar.

Tecnologia sustentável

O singleto é uma molécula do semicondutor cujo elétron recebeu energia do fóton solar, e essa molécula excitada então compartilha sua energia com uma molécula vizinha que está em estado fundamental. Assim, em vez de perder o excesso de energia como calor, o estado singleto se "divide" em dois estados excitados de menor energia, chamados tripletos. Por decorrência, enquanto o padrão é 1 fóton = 1 elétron, a fissão de singletos permite que 1 fóton gere 2 elétrons (veja células solares capazes de produzir 2 elétrons para cada fóton).

Embora certos materiais, como o tetraceno, possam suportar esse processo, capturar essas cargas de forma eficiente tem-se mostrado difícil.

Os pesquisadores capturaram elétrons extras gerados por um único fóton, alcançando um rendimento quântico de 130%, elevando os limites de eficiência das células solares.

Tecnologia líquida

Para vencer o desafio, a equipe recorreu a complexos metálicos que podem ser projetados com precisão. Eles identificaram um emissor de tripletos feito à base de molibdênio. Nesse material, um elétron altera seu spin durante a absorção ou a emissão de luz infravermelha próxima, permitindo que ele capture a energia do estado tripleto gerada pela fissão do singleto.

Quando combinado com materiais à base de tetraceno em solução, o composto coletou energia solar e gerou eletricidade com uma eficiência quântica de cerca de 130%. Isso significa que aproximadamente 1,3 complexo metálico à base de molibdênio foi ativado para cada fóton absorvido, excedendo o limite e demonstrando a produção de mais portadores de energia (elétrons) do que fótons incidentes.

Esta demonstração representa uma nova estratégia para aumentar a geração fotovoltaica, embora ainda esteja na fase de prova de conceito. A equipe agora pretende integrar os 2 materiais em compostos de estado sólido, para melhorar a transferência de energia e se aproximar de aplicações práticas em células solares. (inovacaotecnologica)

terça-feira, 28 de abril de 2026

Rede elétrica ameaça 120 GW de energias renováveis planejadas na Europa

Gargalos na rede elétrica ameaçam 120 GW de energias renováveis ​​planejadas na Europa.

Uma análise recente da Ember revela grandes gargalos nas redes de transmissão e distribuição em toda a Europa, o que ameaça a viabilidade de projetos de energia solar em grande escala e também de projetos residenciais de menor escala nos países mais afetados.
Segundo um novo relatório da empresa de análise energética Ember, existe uma defasagem de cerca de 120 GW entre a expansão planejada das energias renováveis e a capacidade disponível na rede elétrica na maioria dos Estados-Membros da UE.

O relatório “Fios cruzados: a capacidade da rede pode comprometer a segurança energética da UE“ afirma que mais da metade dos países da UE enfrenta gargalos na transmissão, onde estão conectados grandes projetos de energia solar e eólica.

As maiores restrições encontram-se na Áustria, Bulgária, Letónia, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia e Eslováquia, onde a capacidade da rede elétrica disponível suporta menos de 10% das energias renováveis planejadas para o final da década.

O relatório da Ember também alerta que o problema em toda a UE é provavelmente ainda maior do que o relatado, uma vez que alguns dos mercados de energias renováveis mais maduros do bloco, como a Alemanha e a Itália, não publicam dados sobre a capacidade da rede.

“Este não é um risco de longo prazo que pode esperar por soluções de longo prazo. A comparação entre a capacidade de rede disponível com as expectativas de implantação de energias renováveis, mesmo a curto prazo, para 2028, mostra que a escassez de capacidade de rede provavelmente se tornará muito evidente em breve”, afirma o relatório. “Isso inclui países além da Holanda, que já está sentindo os impactos. Nove dos 17 países que forneceram relatórios devem enfrentar uma escassez de capacidade de rede até 2028”.

Impactos além de grandes projetos

O problema não afeta apenas os grandes projetos de energia solar em escala de serviços públicos. O relatório da Ember acrescenta que a capacidade limitada da rede de distribuição europeia corre o risco de atrasar a implementação da energia solar em telhados.

Dados de 13 países que publicam informações sobre a capacidade das redes de distribuição revelaram que seis deles não têm margem suficiente para o crescimento previsto da energia solar em pequena escala, colocando em risco pelo menos 16 GW de energia solar planejada para telhados.

A Ember afirma que isso pode afetar até 1,5 milhão de residências, com o risco mais acentuado na Eslovênia e na Dinamarca, onde a capacidade insuficiente da rede elétrica pode afetar 32% e 19% de todas as residências, respectivamente.
Capacidade limitada das linhas de transmissão representa risco direto ao avanço das energias renováveis no Brasil.

Filas de espera para acesso

Os gargalos nas redes elétricas em toda a Europa são agravados por enormes filas de espera para conexão em alguns países, o que significa que novos solicitantes provavelmente enfrentarão longos atrasos. Em 10 países da UE – Finlândia, Itália, Alemanha, França, Holanda, Espanha, Áustria, Polônia, Bélgica e Lituânia – já existem quase 700 GW de energias renováveis na fila para conexão à rede, de acordo com o relatório da Ember.

O relatório explica que o problema subjacente é o ritmo, com o desenvolvimento das redes elétricas não acompanhando a velocidade da transição energética e as redes despreparadas para novos investimentos industriais.

Elisabeth Cremona, analista sênior de energia da Ember e autora do relatório, disse à pv magazine que duas ações paralelas são necessárias.

“ Em primeiro lugar, é fundamental implementar soluções de rápida implantação que possam liberar capacidade na rede existente, permitindo que novos geradores e consumidores se conectem mesmo antes da construção de novas linhas de transmissão”, disse Cremona. “Com a Europa enfrentando seu segundo choque nos preços dos combustíveis fósseis em 4 anos, é crucial garantir que as famílias que buscam se proteger da volatilidade dos preços instalando painéis solares em seus telhados não enfrentem a barreira da capacidade limitada da rede”.

“Em segundo lugar, devemos intensificar o investimento na rede elétrica – tanto expandindo a rede física quanto modernizando os equipamentos existentes – para realmente resolver esse problema”.

Gargalos colocam em risco geração de energia renovável no Brasil

Aumento da instalação de painéis solares em residências tem provocado excesso de oferta de energia durante o dia

Possíveis soluções

As recomendações destacadas no relatório incluem soluções alternativas à rede elétrica, como tecnologias de aprimoramento da rede e acordos de conexão não firmes, que a Agência Internacional de Energia estimou anteriormente que poderiam desbloquear até 185 GW de capacidade em toda a Europa. A análise da Ember acrescenta que os reguladores nacionais em 15 Estados-Membros da UE já haviam introduzido estruturas que permitissem a implementação de acordos não firmes até novembro do ano passado.

Cremona também declarou à pv magazine que a responsabilidade de solucionar os problemas apontados no relatório recai inteiramente sobre os atores nacionais, e não sobre a UE.

“ Os investimentos na rede elétrica são uma questão de âmbito nacional; portanto, as ações para solucionar as limitações de capacidade resultantes de investimentos historicamente insuficientes devem partir dos operadores e do regulador da rede nacional, com o apoio dos legisladores locais”, explicou Cremona. “Esta é uma boa notícia, pois significa que as medidas corretivas podem ser implementadas agora, sem esperar por legislação de Bruxelas”. (pv-magazine-brasil)

domingo, 26 de abril de 2026

Demanda por sistemas cresce até 30% com novos perfis de consumidores

Especial off-grid: Demanda por sistemas cresce até 30% com novos perfis de consumidores.
Especial off-grid: Restrição de rede e avanço do armazenamento impulsionam sistemas que crescem até 30% no país.

A demanda por sistemas de energia off-grid (isolados) e soluções de armazenamento tem crescido até 30% no Brasil, impulsionada pelo avanço das fontes renováveis, restrições na rede elétrica e a necessidade de lidar com a intermitência da geração. Esse crescimento está diretamente ligado ao surgimento de novos perfis de consumidores que buscam autonomia, sustentabilidade e segurança energética.

Novos Perfis de Consumo e Impacto:

Busca por Autonomia: Consumidores (residenciais, comerciais e industriais) procuram sistemas que operem fora da rede convencional (off-grid) para reduzir custos e garantir energia contínua, mesmo com as falhas da rede.

Armazenamento em Baterias: A expansão do uso de baterias para armazenar energia renovável (como solar) é um fator decisivo no crescimento do setor, acompanhando a evolução da matriz renovável brasileira.

Consciência Ambiental e Custo: Os novos consumidores demonstram maior preocupação com o meio ambiente e buscam soluções de energia renovável de qualidade, que ofereçam economia, sustentabilidade e autonomia.

Cenário de Mercado:

Setor Elétrico: O mercado brasileiro vive uma transformação onde sistemas de energia limpa e flexível tornam-se essenciais, refletindo uma tendência global de digitalização e descentralização.

Usinas Solares: O aumento no número de usinas solares operando pelo país, tanto em pequena quanto em larga escala, reflete a demanda por energia renovável, sustentável e acessível.

A combinação de tecnologia avançada com a crescente necessidade de autonomia tem tornado as baterias um ativo estratégico no setor elétrico nacional.

Com avanço recente impulsionado por baterias e busca por confiabilidade, NeoSolar vê off-grid e híbridos ganhando espaço em aplicações residenciais, comerciais e remotas, ainda sem substituição direta ao modelo on-grid.
O mercado brasileiro de sistemas fotovoltaicos off-grid vive um novo ciclo de crescimento, impulsionado pela evolução das tecnologias de armazenamento e pela crescente demanda por autonomia energética. Ainda que mantenha características de nicho, o segmento começa a ampliar seu alcance, incorporando novos perfis de consumidores e aplicações.

De acordo com entrevista concedida à pv magazine Brasil pela NeoSolar para o Especial off-grid, o avanço do setor se intensificou recentemente, após um histórico de crescimento mais estável.

“O off-grid cresce historicamente de forma mais gradual, mas a partir de 2025 esse avanço se acelerou, com expansão estimada entre 20% e 30%”, afirma o sócio fundador da NeoSolar, Raphael Pintão.

Mais do que crescimento em volume, o setor passa por uma mudança no perfil da demanda. Tradicionalmente associado a regiões remotas, o off-grid passa a atrair também consumidores conectados à rede elétrica, interessados em maior controle e segurança energética. “Mais do que mudar, o off-grid passou a incorporar novos perfis e aplicações”, explica.

Entre os novos perfis estão consumidores que buscam soluções de backup para apagões, redução da dependência da rede e estratégias de gerenciamento de consumo. Esse movimento também impulsiona a adoção de sistemas híbridos, que combinam geração solar, baterias e conexão à rede.

Híbridos avançam como solução dominante

Apesar do crescimento do off-grid, a substituição direta do modelo on-grid ainda é limitada. O que se observa, segundo a NeoSolar, é um avanço consistente de soluções híbridas, especialmente em aplicações urbanas e comerciais.

“Os clientes buscam principalmente backup para apagões, redução da injeção na rede e estratégias de load shifting, especialmente em sistemas maiores”, afirma o executivo.

Nesse contexto, o uso de baterias se torna praticamente indispensável. O armazenamento é o elemento central tanto nos sistemas isolados quanto nos híbridos, permitindo maior autonomia e flexibilidade no consumo de energia.

Viabilidade vai além do payback

Diferentemente dos sistemas conectados à rede, onde o retorno financeiro é o principal driver, no off-grid a lógica econômica está diretamente ligada ao acesso e à continuidade do fornecimento de energia.

“No off-grid, o retorno não vem da economia de energia, mas do acesso à energia”, destaca Pintão. Segundo o executivo, em aplicações como irrigação, telecomunicações e segurança, o sistema pode se pagar rapidamente ao viabilizar atividades produtivas ou evitar perdas operacionais. Em alguns casos, o retorno ocorre em poucos meses.

Já nos sistemas híbridos, há combinação entre retorno financeiro e confiabilidade energética. Dependendo do custo associado a interrupções no fornecimento, o investimento pode se pagar em um a dois anos.

Mercado diverso e sem padrão único

O mercado de off-grid no Brasil ainda é bastante heterogêneo, com grande variação no porte e na aplicação dos sistemas. Em residências conectadas à rede, os sistemas costumam variar entre 5 kW e 10 kW, enquanto aplicações específicas, como telecomunicações e monitoramento, operam com capacidades muito menores.

Essa diversidade reflete a multiplicidade de usos e reforça o caráter ainda descentralizado do segmento.

Crescimento com limites — e oportunidades

Apesar da expansão, a migração direta de projetos on-grid para off-grid segue sendo pontual. “Off-grid e on-grid atendem a propostas diferentes, com estruturas de custo distintas”, afirma Pintão.

Ainda assim, a demanda por soluções com baterias cresce de forma consistente em todo o país, impulsionada principalmente pela busca por confiabilidade energética.

A evolução tecnológica das baterias de lítio tem sido um dos principais vetores desse avanço, permitindo maior eficiência, controle e escalabilidade dos sistemas. (pv-magazine-brasil)