O relatório “Global
Electricity Review 2025” da Ember analisou dados de 215 países, cobrindo 93% da
demanda global de eletricidade.
Consequentemente, os dados
mostram que a geração de energia renovável atingiu 33,8% de toda a eletricidade
mundial em 2025 — um recorde histórico.
A energia solar liderou:
cresceu 30% em um único ano e adicionou 600 TWh de geração — a maior expansão
já registrada por qualquer tecnologia de energia em um único ano.
Renováveis em 2025: 33,8% da
eletricidade global (recorde)
Solar + eólica: forneceram
109% do crescimento da demanda
Solar sozinha: +600 TWh em
2025 (maior expansão de qualquer fonte na história)
Carvão: caiu abaixo de 33% —
menor participação em 100 anos
Capacidade instalada
renovável global: 49% do total (quase metade)
Adição de baterias: 110 GW —
superou recorde histórico de novas usinas a gás
Para ter uma ideia da escala,
a energia renovável instalada globalmente atingiu 49% de toda a capacidade
elétrica — praticamente metade. Em um mundo de 5.149 GW renováveis, a era
fóssil começa a parecer a exceção, não a regra.
China e Índia derrubaram
emissões fósseis ao mesmo tempo — pela primeira vez
O dado mais surpreendente do
relatório é que China e Índia — os 2 países mais populosos e historicamente
maiores emissores de CO2 do setor elétrico — reduziram sua geração
fóssil simultaneamente pela primeira vez na história.
A China derrubou 0,9% de sua
geração fóssil. A Índia cortou 3,3%.
Em comparação, esses dois
países juntos representam mais de ⅓
de toda a demanda elétrica global. Por isso, quando ambos recuam ao mesmo
tempo, o impacto no balanço global é imediato.
Na Califórnia, baterias
gigantes já fornecem 42,8% da eletricidade quando o sol se põe — outro sinal de
que a transição está acelerando nas maiores economias.
110 GW de baterias: a peça
que faltava para a energia renovável funcionar de noite
Um dos argumentos mais usados
contra a energia renovável sempre foi a intermitência: o sol não brilha de
noite, o vento nem sempre sopra.
Em 2025, o mundo adicionou
110 GW de baterias — mais do que qualquer ano de novas usinas a gás natural na
história.
Além disso, o custo das
baterias caiu 45%, tornando o armazenamento economicamente viável pela primeira
vez em escala massiva.
Consequentemente,
países como China e Austrália já operam redes onde a solar gera durante o dia e
as baterias distribuem à noite — eliminando a dependência do gás como “backup”.
Na América Latina, a energia
renovável cresceu 2,5 vezes mais que a demanda
A América Latina e o Caribe
tiveram desempenho ainda mais expressivo que a média global.
Na região, solar e eólica
adicionaram 39 TWh de geração em 2025, 2,5 vezes mais do que o crescimento da
demanda elétrica de 16 TWh.
Ou seja, a energia renovável
na região não só cobriu toda a demanda nova como substituiu parte da geração
fóssil existente.
Para o Brasil, que já tem uma
das matrizes mais limpas do mundo graças à hidroeletricidade, a adição de solar
e eólica diversifica ainda mais o mix — reduzindo a vulnerabilidade a secas que
afetam represas.
O que isso significa para
quem paga conta de luz
Para o consumidor final, o
avanço da energia renovável tem consequências diretas no bolso. Por exemplo,
quanto mais solar e eólica entram no sistema, menor a necessidade de acionar
termelétricas a gás e carvão — que são mais caras.
No Brasil, esse efeito já é
visível: quando os reservatórios estão cheios e a geração eólica e solar está
alta, a bandeira tarifária fica verde — sem custo adicional na conta.
Em comparação, países
europeus que ainda dependem fortemente de gás natural viram suas contas de
energia dispararem durante a crise de 2022. Dessa forma, a energia renovável
não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança econômica.
De acordo com a Eco/Sapo, o
crescimento recorde da energia solar foi determinante para conter a demanda por
eletricidade fóssil em 2025.
Além disso, a tendência se
conecta diretamente ao que acontece nos Estados Unidos, onde 99% de toda nova
capacidade elétrica em 2026 será renovável.
As ressalvas que a própria
Ember faz questão de destacar
Apesar do marco histórico, o
relatório alerta para limitações importantes.
Em primeiro lugar,
eletricidade representa apenas uma fração do consumo total de energia global.
Transportes (navios, aviões, caminhões) e indústria pesada ainda dependem
massivamente de fósseis.
Além disso, a capacidade
instalada de energia renovável (49%) é muito maior que a geração efetiva
(33,8%) — porque solar e eólica não produzem 24 horas por dia.
Por outro lado, a
concentração geográfica preocupa: China, EUA e União Europeia juntos respondem
por 79,5% de todas as adições renováveis. Países em desenvolvimento ficam para
trás.
Mesmo assim, o diretor-geral
da IRENA, Francesco La Camera, resumiu: “Ao final de 2025, as renováveis
representavam 49% da capacidade elétrica global instalada e 85,6% de todas as
adições anuais”.
De
acordo com a Ember, a solar deve ultrapassar nuclear, hidro e eólica já em
2026, gás em 2031 e carvão em 2033 — tornando-se a maior fonte de eletricidade
do planeta.
A pergunta que fica: se as
renováveis já fornecem mais que todo o crescimento da demanda, quanto tempo até
os fósseis serem apenas uma memória do século passado? (clickpetroleoegas)