A demanda por sistemas de energia off-grid (isolados) e soluções
de armazenamento tem crescido até 30% no Brasil, impulsionada pelo avanço das
fontes renováveis, restrições na rede elétrica e a necessidade de lidar com a
intermitência da geração. Esse crescimento está diretamente ligado ao
surgimento de novos perfis de consumidores que buscam autonomia, sustentabilidade
e segurança energética.
Novos Perfis de Consumo e Impacto:
Busca por Autonomia: Consumidores (residenciais, comerciais e
industriais) procuram sistemas que operem fora da rede convencional (off-grid)
para reduzir custos e garantir energia contínua, mesmo com as falhas da rede.
Armazenamento em Baterias: A expansão do uso de baterias para
armazenar energia renovável (como solar) é um fator decisivo no crescimento do
setor, acompanhando a evolução da matriz renovável brasileira.
Consciência Ambiental e Custo: Os novos consumidores demonstram
maior preocupação com o meio ambiente e buscam soluções de energia renovável de
qualidade, que ofereçam economia, sustentabilidade e autonomia.
Cenário de Mercado:
Setor Elétrico: O mercado brasileiro vive uma transformação onde
sistemas de energia limpa e flexível tornam-se essenciais, refletindo uma
tendência global de digitalização e descentralização.
Usinas Solares: O aumento no número de usinas solares operando
pelo país, tanto em pequena quanto em larga escala, reflete a demanda por
energia renovável, sustentável e acessível.
A combinação de tecnologia avançada com a crescente necessidade de
autonomia tem tornado as baterias um ativo estratégico no setor elétrico
nacional.
De acordo com entrevista concedida à pv magazine Brasil pela
NeoSolar para o Especial off-grid, o avanço do setor se intensificou
recentemente, após um histórico de crescimento mais estável.
“O off-grid cresce historicamente de forma mais gradual, mas a
partir de 2025 esse avanço se acelerou, com expansão estimada entre 20% e 30%”,
afirma o sócio fundador da NeoSolar, Raphael Pintão.
Mais do que crescimento em volume, o setor passa por uma mudança
no perfil da demanda. Tradicionalmente associado a regiões remotas, o off-grid
passa a atrair também consumidores conectados à rede elétrica, interessados em
maior controle e segurança energética. “Mais do que mudar, o off-grid passou a
incorporar novos perfis e aplicações”, explica.
Entre os novos perfis estão consumidores que buscam soluções de backup para apagões, redução da dependência da rede e estratégias de gerenciamento de consumo. Esse movimento também impulsiona a adoção de sistemas híbridos, que combinam geração solar, baterias e conexão à rede.
Híbridos avançam como solução dominante
Apesar do crescimento do off-grid, a substituição direta do modelo
on-grid ainda é limitada. O que se observa, segundo a NeoSolar, é um avanço
consistente de soluções híbridas, especialmente em aplicações urbanas e
comerciais.
“Os clientes buscam principalmente backup para apagões, redução da
injeção na rede e estratégias de load shifting, especialmente em sistemas
maiores”, afirma o executivo.
Nesse contexto, o uso de baterias se torna praticamente indispensável. O armazenamento é o elemento central tanto nos sistemas isolados quanto nos híbridos, permitindo maior autonomia e flexibilidade no consumo de energia.
Viabilidade vai além do payback
Diferentemente dos sistemas conectados à rede, onde o retorno
financeiro é o principal driver, no off-grid a lógica econômica está
diretamente ligada ao acesso e à continuidade do fornecimento de energia.
“No off-grid, o retorno não vem da economia de energia, mas do
acesso à energia”, destaca Pintão. Segundo o executivo, em aplicações como
irrigação, telecomunicações e segurança, o sistema pode se pagar rapidamente ao
viabilizar atividades produtivas ou evitar perdas operacionais. Em alguns
casos, o retorno ocorre em poucos meses.
Já nos sistemas híbridos, há combinação entre retorno financeiro e
confiabilidade energética. Dependendo do custo associado a interrupções no
fornecimento, o investimento pode se pagar em um a dois anos.
Mercado diverso e sem padrão único
O mercado de off-grid no Brasil ainda é bastante heterogêneo, com
grande variação no porte e na aplicação dos sistemas. Em residências conectadas
à rede, os sistemas costumam variar entre 5 kW e 10 kW, enquanto aplicações
específicas, como telecomunicações e monitoramento, operam com capacidades
muito menores.
Essa diversidade reflete a multiplicidade de usos e reforça o caráter ainda descentralizado do segmento.
Crescimento com limites — e oportunidades
Apesar da expansão, a migração direta de projetos on-grid para
off-grid segue sendo pontual. “Off-grid e on-grid atendem a propostas
diferentes, com estruturas de custo distintas”, afirma Pintão.
Ainda assim, a demanda por soluções com baterias cresce de forma
consistente em todo o país, impulsionada principalmente pela busca por
confiabilidade energética.
A evolução tecnológica das baterias
de lítio tem sido um dos principais vetores desse avanço, permitindo maior
eficiência, controle e escalabilidade dos sistemas. (pv-magazine-brasil)





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