domingo, 26 de abril de 2026

Demanda por sistemas cresce até 30% com novos perfis de consumidores

Especial off-grid: Demanda por sistemas cresce até 30% com novos perfis de consumidores.
Especial off-grid: Restrição de rede e avanço do armazenamento impulsionam sistemas que crescem até 30% no país.

A demanda por sistemas de energia off-grid (isolados) e soluções de armazenamento tem crescido até 30% no Brasil, impulsionada pelo avanço das fontes renováveis, restrições na rede elétrica e a necessidade de lidar com a intermitência da geração. Esse crescimento está diretamente ligado ao surgimento de novos perfis de consumidores que buscam autonomia, sustentabilidade e segurança energética.

Novos Perfis de Consumo e Impacto:

Busca por Autonomia: Consumidores (residenciais, comerciais e industriais) procuram sistemas que operem fora da rede convencional (off-grid) para reduzir custos e garantir energia contínua, mesmo com as falhas da rede.

Armazenamento em Baterias: A expansão do uso de baterias para armazenar energia renovável (como solar) é um fator decisivo no crescimento do setor, acompanhando a evolução da matriz renovável brasileira.

Consciência Ambiental e Custo: Os novos consumidores demonstram maior preocupação com o meio ambiente e buscam soluções de energia renovável de qualidade, que ofereçam economia, sustentabilidade e autonomia.

Cenário de Mercado:

Setor Elétrico: O mercado brasileiro vive uma transformação onde sistemas de energia limpa e flexível tornam-se essenciais, refletindo uma tendência global de digitalização e descentralização.

Usinas Solares: O aumento no número de usinas solares operando pelo país, tanto em pequena quanto em larga escala, reflete a demanda por energia renovável, sustentável e acessível.

A combinação de tecnologia avançada com a crescente necessidade de autonomia tem tornado as baterias um ativo estratégico no setor elétrico nacional.

Com avanço recente impulsionado por baterias e busca por confiabilidade, NeoSolar vê off-grid e híbridos ganhando espaço em aplicações residenciais, comerciais e remotas, ainda sem substituição direta ao modelo on-grid.
O mercado brasileiro de sistemas fotovoltaicos off-grid vive um novo ciclo de crescimento, impulsionado pela evolução das tecnologias de armazenamento e pela crescente demanda por autonomia energética. Ainda que mantenha características de nicho, o segmento começa a ampliar seu alcance, incorporando novos perfis de consumidores e aplicações.

De acordo com entrevista concedida à pv magazine Brasil pela NeoSolar para o Especial off-grid, o avanço do setor se intensificou recentemente, após um histórico de crescimento mais estável.

“O off-grid cresce historicamente de forma mais gradual, mas a partir de 2025 esse avanço se acelerou, com expansão estimada entre 20% e 30%”, afirma o sócio fundador da NeoSolar, Raphael Pintão.

Mais do que crescimento em volume, o setor passa por uma mudança no perfil da demanda. Tradicionalmente associado a regiões remotas, o off-grid passa a atrair também consumidores conectados à rede elétrica, interessados em maior controle e segurança energética. “Mais do que mudar, o off-grid passou a incorporar novos perfis e aplicações”, explica.

Entre os novos perfis estão consumidores que buscam soluções de backup para apagões, redução da dependência da rede e estratégias de gerenciamento de consumo. Esse movimento também impulsiona a adoção de sistemas híbridos, que combinam geração solar, baterias e conexão à rede.

Híbridos avançam como solução dominante

Apesar do crescimento do off-grid, a substituição direta do modelo on-grid ainda é limitada. O que se observa, segundo a NeoSolar, é um avanço consistente de soluções híbridas, especialmente em aplicações urbanas e comerciais.

“Os clientes buscam principalmente backup para apagões, redução da injeção na rede e estratégias de load shifting, especialmente em sistemas maiores”, afirma o executivo.

Nesse contexto, o uso de baterias se torna praticamente indispensável. O armazenamento é o elemento central tanto nos sistemas isolados quanto nos híbridos, permitindo maior autonomia e flexibilidade no consumo de energia.

Viabilidade vai além do payback

Diferentemente dos sistemas conectados à rede, onde o retorno financeiro é o principal driver, no off-grid a lógica econômica está diretamente ligada ao acesso e à continuidade do fornecimento de energia.

“No off-grid, o retorno não vem da economia de energia, mas do acesso à energia”, destaca Pintão. Segundo o executivo, em aplicações como irrigação, telecomunicações e segurança, o sistema pode se pagar rapidamente ao viabilizar atividades produtivas ou evitar perdas operacionais. Em alguns casos, o retorno ocorre em poucos meses.

Já nos sistemas híbridos, há combinação entre retorno financeiro e confiabilidade energética. Dependendo do custo associado a interrupções no fornecimento, o investimento pode se pagar em um a dois anos.

Mercado diverso e sem padrão único

O mercado de off-grid no Brasil ainda é bastante heterogêneo, com grande variação no porte e na aplicação dos sistemas. Em residências conectadas à rede, os sistemas costumam variar entre 5 kW e 10 kW, enquanto aplicações específicas, como telecomunicações e monitoramento, operam com capacidades muito menores.

Essa diversidade reflete a multiplicidade de usos e reforça o caráter ainda descentralizado do segmento.

Crescimento com limites — e oportunidades

Apesar da expansão, a migração direta de projetos on-grid para off-grid segue sendo pontual. “Off-grid e on-grid atendem a propostas diferentes, com estruturas de custo distintas”, afirma Pintão.

Ainda assim, a demanda por soluções com baterias cresce de forma consistente em todo o país, impulsionada principalmente pela busca por confiabilidade energética.

A evolução tecnológica das baterias de lítio tem sido um dos principais vetores desse avanço, permitindo maior eficiência, controle e escalabilidade dos sistemas. (pv-magazine-brasil)

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