Principais Destaques
(2025-2026):
Virada Histórica: Pela
primeira vez, o aumento da produção solar e eólica foi superior ao crescimento
total da demanda por eletricidade no mundo.
Declínio Fóssil: A geração a
partir de fontes fósseis (carvão, gás e petróleo) recuou, com as fontes
renováveis representando 33,8% da geração mundial.
Motor da Mudança: A energia
solar liderou o crescimento, sendo responsável por 75% da expansão da geração
renovável em 2025.
China e Índia: A China
reduziu sua geração fóssil pela primeira vez desde 2015, enquanto a Índia viu
uma queda de 3,1% no carvão, impulsionadas pela rápida expansão renovável.
Brasil em Destaque: Em 2024,
solar e eólica geraram 24% da eletricidade brasileira, com as emissões do setor
elétrico em queda desde 2014, atingindo uma redução de 45% na dependência de
fósseis.
Apesar do rápido avanço, a integração de fontes renováveis variáveis ainda enfrenta desafios relacionados às condições climáticas.
Em 2025 a energia renovável forneceu 109% do crescimento da demanda global de eletricidade segundo relatório Ember.
Pela primeira vez na
história, as energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que
todo o crescimento da demanda global em 2025 — e a geração fóssil caiu pela
primeira vez em um século.
Em 2025, algo aconteceu pela
primeira vez na história da energia renovável: a eletricidade gerada por fontes
solares e eólicas superou 100% de todo o crescimento da demanda global.
Além disso, segundo relatório
da Ember publicado em 21/04/26, as renováveis forneceram 109% do aumento da
demanda — sobrando energia limpa suficiente para que a geração fóssil global
recuasse pela primeira vez neste século.
Na prática, a energia renovável não apenas acompanhou o crescimento do consumo mundial. Dessa forma, ela ultrapassou e começou a empurrar carvão, gás e petróleo para trás.
Os números que marcam o ponto de virada da energia renovável
O relatório “Global
Electricity Review 2025” da Ember analisou dados de 215 países, cobrindo 93% da
demanda global de eletricidade.
Consequentemente, os dados
mostram que a geração de energia renovável atingiu 33,8% de toda a eletricidade
mundial em 2025 — um recorde histórico.
A energia solar liderou:
cresceu 30% em um único ano e adicionou 600 TWh de geração — a maior expansão
já registrada por qualquer tecnologia de energia em um único ano.
Renováveis em 2025: 33,8% da
eletricidade global (recorde)
Solar + eólica: forneceram
109% do crescimento da demanda
Solar sozinha: +600 TWh em
2025 (maior expansão de qualquer fonte na história)
Carvão: caiu abaixo de 33% —
menor participação em 100 anos
Capacidade instalada
renovável global: 49% do total (quase metade)
Adição de baterias: 110 GW —
superou recorde histórico de novas usinas a gás
Para ter uma ideia da escala,
a energia renovável instalada globalmente atingiu 49% de toda a capacidade
elétrica — praticamente metade. Em um mundo de 5.149 GW renováveis, a era
fóssil começa a parecer a exceção, não a regra.
China e Índia derrubaram
emissões fósseis ao mesmo tempo — pela primeira vez
O dado mais surpreendente do
relatório é que China e Índia — os 2 países mais populosos e historicamente
maiores emissores de CO2 do setor elétrico — reduziram sua geração
fóssil simultaneamente pela primeira vez na história.
A China derrubou 0,9% de sua
geração fóssil. A Índia cortou 3,3%.
Em comparação, esses dois
países juntos representam mais de ⅓
de toda a demanda elétrica global. Por isso, quando ambos recuam ao mesmo
tempo, o impacto no balanço global é imediato.
Na Califórnia, baterias
gigantes já fornecem 42,8% da eletricidade quando o sol se põe — outro sinal de
que a transição está acelerando nas maiores economias.
110 GW de baterias: a peça
que faltava para a energia renovável funcionar de noite
Um dos argumentos mais usados
contra a energia renovável sempre foi a intermitência: o sol não brilha de
noite, o vento nem sempre sopra.
Em 2025, o mundo adicionou
110 GW de baterias — mais do que qualquer ano de novas usinas a gás natural na
história.
Além disso, o custo das
baterias caiu 45%, tornando o armazenamento economicamente viável pela primeira
vez em escala massiva.
A América Latina e o Caribe
tiveram desempenho ainda mais expressivo que a média global.
Na região, solar e eólica
adicionaram 39 TWh de geração em 2025, 2,5 vezes mais do que o crescimento da
demanda elétrica de 16 TWh.
Ou seja, a energia renovável
na região não só cobriu toda a demanda nova como substituiu parte da geração
fóssil existente.
Para o Brasil, que já tem uma
das matrizes mais limpas do mundo graças à hidroeletricidade, a adição de solar
e eólica diversifica ainda mais o mix — reduzindo a vulnerabilidade a secas que
afetam represas.
O que isso significa para
quem paga conta de luz
Para o consumidor final, o
avanço da energia renovável tem consequências diretas no bolso. Por exemplo,
quanto mais solar e eólica entram no sistema, menor a necessidade de acionar
termelétricas a gás e carvão — que são mais caras.
No Brasil, esse efeito já é
visível: quando os reservatórios estão cheios e a geração eólica e solar está
alta, a bandeira tarifária fica verde — sem custo adicional na conta.
Em comparação, países
europeus que ainda dependem fortemente de gás natural viram suas contas de
energia dispararem durante a crise de 2022. Dessa forma, a energia renovável
não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança econômica.
De acordo com a Eco/Sapo, o
crescimento recorde da energia solar foi determinante para conter a demanda por
eletricidade fóssil em 2025.
Além disso, a tendência se
conecta diretamente ao que acontece nos Estados Unidos, onde 99% de toda nova
capacidade elétrica em 2026 será renovável.
As ressalvas que a própria
Ember faz questão de destacar
Apesar do marco histórico, o
relatório alerta para limitações importantes.
Em primeiro lugar,
eletricidade representa apenas uma fração do consumo total de energia global.
Transportes (navios, aviões, caminhões) e indústria pesada ainda dependem
massivamente de fósseis.
Além disso, a capacidade
instalada de energia renovável (49%) é muito maior que a geração efetiva
(33,8%) — porque solar e eólica não produzem 24 horas por dia.
Por outro lado, a
concentração geográfica preocupa: China, EUA e União Europeia juntos respondem
por 79,5% de todas as adições renováveis. Países em desenvolvimento ficam para
trás.
Mesmo assim, o diretor-geral
da IRENA, Francesco La Camera, resumiu: “Ao final de 2025, as renováveis
representavam 49% da capacidade elétrica global instalada e 85,6% de todas as
adições anuais”.





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