sábado, 2 de maio de 2026

Eletrificados atingem 35 mil unidades em março/26 e refletem avanço regulatório

Vendas de eletrificados atingem 35 mil unidades em março e refletem avanço regulatório.

Com 35,3 mil emplacamentos e participação de 14%, mercado brasileiro de veículos eletrificados acelera impulsionado por novas regras do Corpo de Bombeiros de São Paulo para recarga em edifícios residenciais.
As vendas de veículos leves eletrificados no Brasil atingiram um novo recorde em março de 2026, com 35.356 unidades emplacadas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O resultado representa um crescimento de 42% em relação a fevereiro e de 146% na comparação anual, consolidando o avanço da eletromobilidade no país.

De acordo com a entidade, o desempenho já reflete um ambiente mais favorável ao setor, impulsionado por medidas recentes adotadas no estado de São Paulo, que ampliaram a segurança jurídica e operacional para a recarga de veículos elétricos em edifícios residenciais.

“Esses números exuberantes de março já refletem o ambiente de confiança renovada do mercado de eletrificados”, afirmou o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. Segundo ele, iniciativas como a Lei 18.403 — que garante o direito à instalação de pontos de recarga em garagens — e a atualização das normas do Corpo de Bombeiros de São Paulo foram determinantes para o avanço.

Mesmo com o crescimento do mercado automotivo como um todo, os eletrificados mantiveram participação elevada, respondendo por 14% das vendas de veículos leves em março. No acumulado do primeiro trimestre, foram 83.947 unidades comercializadas — mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

A participação mensal tem se mantido estável em patamares elevados desde o fim do ano passado, indicando uma consolidação da eletromobilidade no mix de vendas.

Os modelos plug-in (BEV e PHEV) concentraram 75% das vendas de eletrificados em março, com 26.440 unidades. Os veículos 100% elétricos (BEV) lideraram com 14.073 emplacamentos — alta de 62% frente a fevereiro e de 193% na comparação anual.

Vendas tem um enorme crescimento acumulado.

Já os híbridos plug-in (PHEV) somaram 12.367 unidades, com crescimento de 47,4% no mês e de 78% em relação a março/2025.

O desempenho reforça a rápida adoção de tecnologias com recarga externa no país, impulsionadas por maior oferta de modelos e avanços na infraestrutura.

Os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex), embora com menor participação relativa, seguem em expansão. Em março, esses modelos totalizaram 8.916 unidades, equivalentes a 25% do mercado de eletrificados.

Os HEV Flex registraram 4.924 vendas, enquanto os HEV convencionais somaram 3.992 unidades. Ambos apresentaram crescimento expressivo na comparação anual, evidenciando a diversificação tecnológica do setor.

Embora não sejam classificados como eletrificados pela ABVE, os micros híbridos (MHEV) também apresentaram crescimento relevante, com 4.600 unidades vendidas em março — alta de 44% sobre fevereiro e de 30% em relação ao mesmo mês de 2025.

A região Sudeste manteve a liderança nas vendas, com 46% do total nacional, seguida por Sul e Nordeste. Entre os estados, São Paulo concentrou 29,3% dos emplacamentos, com mais de 10 mil unidades.

No recorte por cidades, São Paulo liderou com 3.747 veículos vendidos, seguida por Brasília e Belo Horizonte.

Na avaliação da ABVE, as medidas adotadas em São Paulo devem servir de referência para outros estados, contribuindo para a expansão da infraestrutura de recarga e para a redução de barreiras à adoção de veículos elétricos.
“As duas medidas mudaram o mercado, trazendo otimismo, estabilidade e segurança tanto para consumidores quanto para gestores condominiais”, finaliza Bastos. (pv-magazine-brasil)

Células solares superam limite fundamental e chegam a 130% de eficiência

É possível gerar 2 elétrons para cada fóton, mas o desafio tem sido identificar materiais adequados para fazer isso.

Limite fundamental

Ficou bem demonstrado recentemente que recordes de eficiência das células solares não são o melhor indicador de que você poderá comprar painéis solares mais eficientes no futuro próximo - o caminho do laboratório para o mercado é complicado.

Mas agora o assunto é diferente: Cientistas descobriram como romper uma barreira conhecida como o "teto físico" da capacidade que uma célula solar tem para capturar a luz do Sol. Ou seja, não é só aumento de eficiência, é aumento do limite da eficiência, que teoricamente pode até dobrar.

O Sol fornece uma quantidade imensa de energia à Terra a cada instante, mas as células solares captam apenas uma pequena parte dela, uma "janela" do espectro solar.

Percy Samanamud e colegas das universidades Johannes Gutenberg (Alemanha) e Kyushu (Japão) acabam de descobrir um meio de superar essa limitação. Com sua nova tática, a equipe alcançou eficiências de conversão de energia em torno de 130%, ou seja, eles superaram o que seria o limite tradicional (100%), abrindo caminho para tecnologias solares mais avançadas.

E o mecanismo envolvido é genérico, o que significa que ele tem aplicações potenciais além da energia solar, incluindo os LEDs e outros dispositivos emissores de luz, tecnologias fotônicas e até tecnologias quânticas emergentes.

Esquema da fissão de singletos.

Um fóton gera dois elétrons

As células solares produzem eletricidade quando os fótons da luz solar atingem um semicondutor e transferem energia para os elétrons nesse semicondutor, colocando-os em movimento e criando uma corrente elétrica.

Mas nem todos os fótons fazem esse trabalho. Por exemplo, fótons de baixa energia, como os de uma faixa do infravermelho, não possuem energia suficiente para ativar os elétrons, enquanto os fótons de alta energia, como a luz azul, perdem sua energia extra na forma de calor. Por isso, as células solares conseguem utilizar apenas cerca de ⅓ da luz solar incidente, uma limitação física conhecida como limite de Shockley-Queisser.

A novidade agora é que a equipe descobriu um material - um complexo metálico à base de molibdênio - que consegue capturar a energia extra gerada por um processo chamado fissão de singletos, frequentemente descrita como a "tecnologia dos sonhos" na energia solar.

Tecnologia sustentável

O singleto é uma molécula do semicondutor cujo elétron recebeu energia do fóton solar, e essa molécula excitada então compartilha sua energia com uma molécula vizinha que está em estado fundamental. Assim, em vez de perder o excesso de energia como calor, o estado singleto se "divide" em dois estados excitados de menor energia, chamados tripletos. Por decorrência, enquanto o padrão é 1 fóton = 1 elétron, a fissão de singletos permite que 1 fóton gere 2 elétrons (veja células solares capazes de produzir 2 elétrons para cada fóton).

Embora certos materiais, como o tetraceno, possam suportar esse processo, capturar essas cargas de forma eficiente tem-se mostrado difícil.

Os pesquisadores capturaram elétrons extras gerados por um único fóton, alcançando um rendimento quântico de 130%, elevando os limites de eficiência das células solares.

Tecnologia líquida

Para vencer o desafio, a equipe recorreu a complexos metálicos que podem ser projetados com precisão. Eles identificaram um emissor de tripletos feito à base de molibdênio. Nesse material, um elétron altera seu spin durante a absorção ou a emissão de luz infravermelha próxima, permitindo que ele capture a energia do estado tripleto gerada pela fissão do singleto.

Quando combinado com materiais à base de tetraceno em solução, o composto coletou energia solar e gerou eletricidade com uma eficiência quântica de cerca de 130%. Isso significa que aproximadamente 1,3 complexo metálico à base de molibdênio foi ativado para cada fóton absorvido, excedendo o limite e demonstrando a produção de mais portadores de energia (elétrons) do que fótons incidentes.

Esta demonstração representa uma nova estratégia para aumentar a geração fotovoltaica, embora ainda esteja na fase de prova de conceito. A equipe agora pretende integrar os 2 materiais em compostos de estado sólido, para melhorar a transferência de energia e se aproximar de aplicações práticas em células solares. (inovacaotecnologica)