terça-feira, 2 de junho de 2026

Energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que todo o crescimento da demanda global

Pela primeira vez na história, as energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que todo o crescimento da demanda global e a geração fóssil caiu ao menor nível em 100 anos.
Em 2025, a energia solar e eólica superou o crescimento da demanda global, marcando um ponto de virada histórico onde renováveis cobriram 109% do aumento do consumo, forçando a queda da geração fóssil ao menor nível em um século. Este marco, impulsionado por China e Índia, indica o início da descarbonização global.

Principais Destaques (2025-2026):

Virada Histórica: Pela primeira vez, o aumento da produção solar e eólica foi superior ao crescimento total da demanda por eletricidade no mundo.

Declínio Fóssil: A geração a partir de fontes fósseis (carvão, gás e petróleo) recuou, com as fontes renováveis representando 33,8% da geração mundial.

Motor da Mudança: A energia solar liderou o crescimento, sendo responsável por 75% da expansão da geração renovável em 2025.

China e Índia: A China reduziu sua geração fóssil pela primeira vez desde 2015, enquanto a Índia viu uma queda de 3,1% no carvão, impulsionadas pela rápida expansão renovável.

Brasil em Destaque: Em 2024, solar e eólica geraram 24% da eletricidade brasileira, com as emissões do setor elétrico em queda desde 2014, atingindo uma redução de 45% na dependência de fósseis.

Apesar do rápido avanço, a integração de fontes renováveis variáveis ainda enfrenta desafios relacionados às condições climáticas.

Em 2025 a energia renovável forneceu 109% do crescimento da demanda global de eletricidade segundo relatório Ember.

Pela primeira vez na história, as energias solares e eólicas forneceram mais eletricidade do que todo o crescimento da demanda global em 2025 — e a geração fóssil caiu pela primeira vez em um século.

Em 2025, algo aconteceu pela primeira vez na história da energia renovável: a eletricidade gerada por fontes solares e eólicas superou 100% de todo o crescimento da demanda global.

Além disso, segundo relatório da Ember publicado em 21/04/26, as renováveis forneceram 109% do aumento da demanda — sobrando energia limpa suficiente para que a geração fóssil global recuasse pela primeira vez neste século.

Na prática, a energia renovável não apenas acompanhou o crescimento do consumo mundial. Dessa forma, ela ultrapassou e começou a empurrar carvão, gás e petróleo para trás.

Os números que marcam o ponto de virada da energia renovável

O relatório “Global Electricity Review 2025” da Ember analisou dados de 215 países, cobrindo 93% da demanda global de eletricidade.

Consequentemente, os dados mostram que a geração de energia renovável atingiu 33,8% de toda a eletricidade mundial em 2025 — um recorde histórico.

A energia solar liderou: cresceu 30% em um único ano e adicionou 600 TWh de geração — a maior expansão já registrada por qualquer tecnologia de energia em um único ano.

Renováveis em 2025: 33,8% da eletricidade global (recorde)

Solar + eólica: forneceram 109% do crescimento da demanda

Solar sozinha: +600 TWh em 2025 (maior expansão de qualquer fonte na história)

Carvão: caiu abaixo de 33% — menor participação em 100 anos

Capacidade instalada renovável global: 49% do total (quase metade)

Adição de baterias: 110 GW — superou recorde histórico de novas usinas a gás

Para ter uma ideia da escala, a energia renovável instalada globalmente atingiu 49% de toda a capacidade elétrica — praticamente metade. Em um mundo de 5.149 GW renováveis, a era fóssil começa a parecer a exceção, não a regra.

China e Índia derrubaram emissões fósseis ao mesmo tempo — pela primeira vez

O dado mais surpreendente do relatório é que China e Índia — os 2 países mais populosos e historicamente maiores emissores de CO2 do setor elétrico — reduziram sua geração fóssil simultaneamente pela primeira vez na história.

A China derrubou 0,9% de sua geração fóssil. A Índia cortou 3,3%.

Em comparação, esses dois países juntos representam mais de de toda a demanda elétrica global. Por isso, quando ambos recuam ao mesmo tempo, o impacto no balanço global é imediato.

Na Califórnia, baterias gigantes já fornecem 42,8% da eletricidade quando o sol se põe — outro sinal de que a transição está acelerando nas maiores economias.

110 GW de baterias: a peça que faltava para a energia renovável funcionar de noite

Um dos argumentos mais usados contra a energia renovável sempre foi a intermitência: o sol não brilha de noite, o vento nem sempre sopra.

Em 2025, o mundo adicionou 110 GW de baterias — mais do que qualquer ano de novas usinas a gás natural na história.

Além disso, o custo das baterias caiu 45%, tornando o armazenamento economicamente viável pela primeira vez em escala massiva.

Consequentemente, países como China e Austrália já operam redes onde a solar gera durante o dia e as baterias distribuem à noite — eliminando a dependência do gás como “backup”.
Na América Latina, a energia renovável cresceu 2,5 vezes mais que a demanda

A América Latina e o Caribe tiveram desempenho ainda mais expressivo que a média global.

Na região, solar e eólica adicionaram 39 TWh de geração em 2025, 2,5 vezes mais do que o crescimento da demanda elétrica de 16 TWh.

Ou seja, a energia renovável na região não só cobriu toda a demanda nova como substituiu parte da geração fóssil existente.

Para o Brasil, que já tem uma das matrizes mais limpas do mundo graças à hidroeletricidade, a adição de solar e eólica diversifica ainda mais o mix — reduzindo a vulnerabilidade a secas que afetam represas.

O que isso significa para quem paga conta de luz

Para o consumidor final, o avanço da energia renovável tem consequências diretas no bolso. Por exemplo, quanto mais solar e eólica entram no sistema, menor a necessidade de acionar termelétricas a gás e carvão — que são mais caras.

No Brasil, esse efeito já é visível: quando os reservatórios estão cheios e a geração eólica e solar está alta, a bandeira tarifária fica verde — sem custo adicional na conta.

Em comparação, países europeus que ainda dependem fortemente de gás natural viram suas contas de energia dispararem durante a crise de 2022. Dessa forma, a energia renovável não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança econômica.

De acordo com a Eco/Sapo, o crescimento recorde da energia solar foi determinante para conter a demanda por eletricidade fóssil em 2025.

Além disso, a tendência se conecta diretamente ao que acontece nos Estados Unidos, onde 99% de toda nova capacidade elétrica em 2026 será renovável.

As ressalvas que a própria Ember faz questão de destacar

Apesar do marco histórico, o relatório alerta para limitações importantes.

Em primeiro lugar, eletricidade representa apenas uma fração do consumo total de energia global. Transportes (navios, aviões, caminhões) e indústria pesada ainda dependem massivamente de fósseis.

Além disso, a capacidade instalada de energia renovável (49%) é muito maior que a geração efetiva (33,8%) — porque solar e eólica não produzem 24 horas por dia.

Por outro lado, a concentração geográfica preocupa: China, EUA e União Europeia juntos respondem por 79,5% de todas as adições renováveis. Países em desenvolvimento ficam para trás.

Mesmo assim, o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, resumiu: “Ao final de 2025, as renováveis representavam 49% da capacidade elétrica global instalada e 85,6% de todas as adições anuais”.

De acordo com a Ember, a solar deve ultrapassar nuclear, hidro e eólica já em 2026, gás em 2031 e carvão em 2033 — tornando-se a maior fonte de eletricidade do planeta.
A pergunta que fica: se as renováveis já fornecem mais que todo o crescimento da demanda, quanto tempo até os fósseis serem apenas uma memória do século passado? (clickpetroleoegas)

Variabilidade marca desempenho da geração solar no 1º trimestre de 2026

Variabilidade regional marca o desempenho da geração solar no primeiro trimestre de 2026.

Comportamento da irradiância no período reforça a importância da diversificação geográfica dos ativos e da integração com soluço.
Complexo Solar Boa Sorte, da Atlas

O antropólogo Darcy Ribeiro definia o Brasil como uma “Nova Roma”, uma civilização marcada pela diversidade e pela combinação de diferentes matrizes culturais. Essa heterogeneidade também pode ser observada sob outra perspectiva menos explorada, mas igualmente relevante para o setor elétrico. A forma como a irradiação solar se distribui ao longo do território segue essa mesma lógica de contrastes.

No primeiro trimestre de 2026, o desempenho da geração solar foi, em termos gerais, favorável no Brasil. Ainda assim, uma análise mais detalhada mostra que esse resultado esteve longe de ser homogêneo e reforça um ponto central para o setor. A variabilidade regional segue sendo um dos principais fatores de risco e também de oportunidade para a energia solar no país.

No consolidado do período, regiões como Centro-Oeste e Norte, além de parte do Sul e do interior do Sudeste, registraram predominância de condições acima da média de irradiância. Em contrapartida, o leste do Sudeste, especialmente Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de segmentos do Nordeste, apresentou episódios recorrentes de redução de irradiância. Esses movimentos estiveram associados à maior presença de nebulosidade, frentes frias e transporte de umidade oceânica.

Em janeiro, a dinâmica atmosférica não apresentou favorecimento para persistência de sistemas meteorológicos de grande escala na maior parte do Brasil, favorecendo irradiância predominantemente acima da média.

Houve a presença de quatro frentes frias sobre o território brasileiro e dois episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que favoreceram a formação de nebulosidade especialmente entre Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e centro-leste da Bahia, áreas onde as anomalias de irradiância solar foram mais negativas no fechamento mensal.

Fora desse eixo, o cenário foi marcado por precipitações mais esparsas e irregulares, o que favoreceu o desempenho da geração solar no Sul, Centro-Oeste e grande parte do Nordeste. No norte da região Nordeste, a posição mais ao norte da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) também exerceu papel positivo ao reduzir a persistência de nebulosidade típica do período.
Em fevereiro, o padrão atmosférico passou a ser mais influenciado pelo transporte de umidade do oceano e pela atuação de sistemas transientes ao longo da costa leste do Brasil, como frentes frias e baixas pressões, sobretudo na segunda metade do mês. Esse comportamento ampliou a presença de nebulosidade em áreas mais extensas do Sudeste e do Nordeste, resultando em irradiância entre média e abaixo da média em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Embora sem a formação de eventos generalizados de chuva acima da média, essas condições foram suficientes para manter maior intermitência da radiação solar em diversos momentos. Em contrapartida, Sul, parte do Centro-Oeste e amplas áreas do Norte registraram desempenho mais favorável.

Março manteve essa tendência, mas com distribuição mais equilibrada ao longo do país. Enquanto áreas do centro-norte de Minas Gerais, Espírito Santo, sul da Bahia e parte do sertão nordestino continuaram registrando irradiância entre média e abaixo da média, uma ampla faixa do território, incluindo Centro-Oeste, Norte e grande parte do Sul e Sudeste, apresentou condições acima da média. Esse cenário esteve associado a um padrão atmosférico menos favorável à formação persistente de nebulosidade. Em sentido oposto, o Rio Grande do Sul registrou redução de irradiância, influenciado pela maior frequência de sistemas transientes, como frentes frias e ciclones.

A variabilidade regional da irradiância impacta não apenas a geração efetiva dos ativos solares, mas também a previsibilidade de produção, a gestão de portfólio e a exposição ao mercado de curto prazo. Em um ambiente cada vez mais orientado por eficiência e gestão de risco, essas diferenças deixam de ser um detalhe técnico e passam a influenciar decisões estratégicas.

Nesse contexto, o uso de dados meteorológicos ganha protagonismo. Modelos que utilizam Inteligência artificial (IA), baseados em séries históricas, dados em tempo real, além de dados observáveis tornam-se fundamentais para reduzir incertezas, otimizar a operação dos ativos e embasar decisões comerciais mais eficientes.

O trimestre também reforça a importância da diversificação geográfica dos ativos e da integração com soluções complementares, como o armazenamento de energia, como forma de mitigar intermitências e aumentar a confiabilidade da entrega.
Em um setor cada vez mais sofisticado, a capacidade de interpretar as dinâmicas regionais, com apoio de dados meteorológicos e visão integrada de operação, será determinante para capturar valor e sustentar crescimento no mercado brasileiro de energia solar. (pv-magazine-brasil)