quinta-feira, 30 de julho de 2026

Consumo de eletricidade no país pode crescer 130% até 2050

Consumo de eletricidade no Brasil pode crescer 130% até o ano de 2050.
O consumo de eletricidade no Brasil deve saltar dos atuais 764 TWh para cerca de 1.754 TWh até 2050, um aumento de quase 130%, segundo projeções da Envol Energy Consulting. Esse salto será impulsionado principalmente pela expansão dos data centers, pela eletrificação dos transportes e pela substituição de combustíveis fósseis na indústria.

O cenário para as próximas décadas se desenha através dos seguintes pilares:

• O Crescimento Digital: O boom da inteligência artificial e da computação em nuvem requer grandes infraestruturas de processamento de dados.

• Matriz Renovável: O Brasil tem vantagem estratégica para atrair investimentos em infraestrutura digital devido à sua matriz predominantemente limpa e renovável.

• Eletrificação: O aumento da eficiência energética da indústria e a expansão da frota de carros elétricos forçarão a modernização da rede de distribuição e da matriz energética nacional.

Este aumento sem precedentes transformará o mercado energético nas próximas duas décadas e meia, criando desafios de infraestrutura, armazenamento e políticas públicas.

Segundo estudo da consultoria Envol, eletrificação e expansão de data centers devem impulsionar esse crescimento. Os centros de dados têm potencial para alcançar cerca de 23 GW de demanda até 2034.

O consumo de energia elétrica no Brasil deverá mais que dobrar nas próximas décadas, impulsionado pela eletrificação de diversos setores da economia e pela expansão acelerada dos data centers. A projeção é da Envol Energy Consulting, que estima crescimento de aproximadamente 130% na demanda nacional até 2050, passando dos atuais 764 TWh para cerca de 1.754 TWh.

Segundo o estudo, o país reúne condições favoráveis para capturar uma parcela relevante da nova demanda global por infraestrutura digital, especialmente em razão de sua matriz elétrica predominantemente renovável. “A expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais vem elevando a necessidade de grandes centros de processamento de dados, considerados uma das principais fontes de crescimento do consumo de eletricidade em todo o mundo”, explica Mayra Guimarães, gerente consultora da Envol.

Data centers e eletrificação devem elevar consumo de energia no Brasil em 130% até 2050.

Estudo aponta salto na demanda nacional para 1.754 TWh e consolida infraestrutura digital como nova fronteira estratégica do setor elétrico brasileiro.

No Brasil, esse movimento já começa a aparecer nos pedidos de conexão à rede elétrica. Com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Envol avalia que os projetos de data centers em operação, contratados ou em desenvolvimento possuem potencial para alcançar cerca de 23 GW até 2034, consolidando estes empreendimentos como uma nova fronteira estratégica de consumo de energia no país.

Além da digitalização da economia, o estudo aponta que o aumento da renda da população, a maior utilização de equipamentos elétricos, a eletrificação industrial e o crescimento do consumo per capita de energia devem sustentar a expansão da demanda brasileira ao longo das próximas décadas. O processo acompanha uma tendência global conhecida como “Era da Eletricidade”, marcada pela substituição gradual de combustíveis fósseis por eletricidade em setores como transporte, indústria e edificações.

A consultoria alerta, porém, que o desafio não será apenas gerar mais energia. “O avanço da eletrificação e da infraestrutura digital vai transformar o planejamento energético em um dos temas centrais para a competitividade da economia brasileira nas próximas décadas”, destaca Mayra. A expansão da demanda exigirá investimentos significativos em redes de transmissão e distribuição, sistemas de armazenamento e mecanismos de flexibilidade capazes de garantir a segurança e a confiabilidade do fornecimento elétrico.

Consumo elétrico no Brasil mais que duplicará até 2050 puxado por eletrificação e data centers. (pv-magazine-brasil)

Com R$ 34 mi, semiárido ganha 1º centro de pesquisa em energias renováveis

 Paraíba terá centro de pesquisas em energias renováveis com investimento de R$ 34 milhões.

Movimento Econômico Com R$ 34 mi, semiárido ganha 1º centro de pesquisa em energias renováveis O Semiárido brasileiro tem agora sua primeira estrutura dedicada à pesquisa em energias renováveis. O CTERSA foi inaugurado em Campina Grande (PB) com R$ 34 milhões do FNDCT, via Finep/MCTI.

Estrutura será instalada na Paraíba com recursos da Finep e do Governo do Estado para desenvolver pesquisas em energia solar, eólica, hidrogênio verde, armazenamento de energia e combustíveis sustentáveis, aproximando universidades e setor produtivo.

Paraíba receberá o primeiro Centro de Pesquisas em Energias Renováveis voltado ao semiárido brasileiro, empreendimento que contará com investimento de R$ 34 milhões e pretende fortalecer o desenvolvimento de tecnologias voltadas à transição energética na região Nordeste. O projeto reúne recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Governo da Paraíba e busca integrar pesquisa científica, inovação e demandas da indústria.

O novo centro será implantado no estado como um ambiente de pesquisa aplicada, reunindo laboratórios especializados para o desenvolvimento de soluções em energia solar fotovoltaica, energia eólica, armazenamento de energia em baterias (BESS), hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis e digitalização do setor elétrico. A proposta é acelerar a transferência de tecnologia para empresas e formar mão de obra qualificada para um mercado que cresce rapidamente no Nordeste.

Segundo as informações divulgadas, a estrutura também deverá atuar como elo entre universidades, institutos de pesquisa e empresas, permitindo o desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). A expectativa é ampliar a capacidade da região de atrair investimentos em tecnologias voltadas às energias renováveis e à descarbonização da economia.

Vocação do semiárido

A criação do centro ocorre em um momento de expansão dos investimentos em energias renováveis no Nordeste, região que concentra alguns dos maiores parques solares e eólicos do país e reúne condições favoráveis para o desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à transição energética.

Além da elevada disponibilidade de recursos solar e eólico, estados nordestinos vêm ampliando iniciativas relacionadas ao hidrogênio verde, armazenamento de energia e produção de combustíveis de baixo carbono, criando demanda por infraestrutura de pesquisa capaz de apoiar o desenvolvimento tecnológico e a formação de especialistas.

Pesquisa aplicada para a indústria

De acordo com o projeto, o centro deverá atuar em pesquisa aplicada, desenvolvimento de protótipos, ensaios laboratoriais e validação tecnológica, oferecendo suporte tanto para empresas já estabelecidas quanto para startups e novos empreendimentos do setor energético.

Entre os objetivos estão o desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da eficiência dos sistemas de geração renovável, integração entre diferentes fontes de energia, armazenamento eletroquímico, produção de hidrogênio verde e novas aplicações para combustíveis sustentáveis. A estrutura também deverá contribuir para projetos de inovação financiados por programas de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico.

A iniciativa reforça o movimento de descentralização da infraestrutura brasileira de pesquisa em energia, aproximando laboratórios especializados das regiões que concentram a maior expansão da geração renovável e fortalecendo a capacidade de inovação do semiárido brasileiro. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Capacidade instalada de energia solar atingiu 664 GW em 2025

Capacidade instalada de energia solar em todo mundo atinge 664 GW em 2025.
O ano de 2025 foi histórico para a energia solar. O mundo atingiu a marca recorde de 664 GW de nova capacidade instalada, o que elevou a frota global de energia solar para ultrapassar 3 TW no início de 2026. Essa expansão reafirma o protagonismo do setor na matriz energética global.

Os dados do Global Solar Market Outlook 2026-2030 da SolarPower Europe trazem os principais destaques do mercado global:

• Liderança Absoluta: A região Ásia-Pacífico foi responsável por 73% das adições (487 GW), com a China liderando e detendo 57% da capacidade global instalada.

• Destaques Regionais: A Índia adicionou 45,7 GW e ultrapassou os Estados Unidos como o segundo maior mercado solar do ano. A Europa instalou 81,6 GW, mantendo a Alemanha como um dos principais mercados.

• Demanda Global: Essa capacidade instalada permite que a energia solar supra atualmente quase 10% de toda a demanda de eletricidade do planeta.

No cenário nacional, o Brasil também acompanhou esse ritmo de forte crescimento. O país se consolidou no topo do ranking internacional de energia renovável, expandindo a geração distribuída em residências, comércios e propriedades rurais.

A capacidade instalada de energia solar no mundo ultrapassou 3 TW no início de 2026. A fonte supre atualmente 9% da demanda global de eletricidade, três vezes mais do que há cinco anos. Apesar desse impulso, o mercado parece estar a caminho da sua primeira contração em mais de 20 anos.
Segundo o relatório Global Solar Market Outlook 2026-2030 da SolarPower Europe, o mercado global de energia solar adicionou um recorde de 664 GW em 2025.

O número representa um aumento de 69 GW em comparação com 2024 e de 212 GW em comparação com 2023, mas indica que o crescimento anual do mercado está desacelerando, de 85% em 2023 e 32% em 2024 para 12% no ano passado.

A região Ásia-Pacífico foi responsável por 487 GW, ou 73%, da energia solar instalada no ano passado, com a China sozinha instalando 382 GW, o que representa uma participação de mercado recorde de 57%. A Índia adicionou 45,7 GW, ultrapassando os Estados Unidos como o segundo maior mercado de energia solar.

A Europa instalou 81,6 GW de energia solar no ano passado, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, liderada pela Alemanha como o quarto maior mercado global. As Américas adicionaram 43,2 GW, uma queda de 13% em relação ao ano anterior, enquanto o Oriente Médio e a África adicionaram 23,7 GW, um aumento de 51% nas instalações previstas para 2024.

Os dez maiores mercados do ano passado – China, Índia, EUA, Alemanha, Brasil, Espanha, Arábia Saudita, França, Itália e Japão – foram responsáveis por 82% das novas instalações de energia solar em 2025.

O crescimento continuou neste ano, com a SolarPower Europe relatando que a capacidade global total ultrapassou a marca de 3 TW no início deste ano, menos de 2 anos após atingir 2 TW e quatro anos após ultrapassar 1 TW. A energia solar agora supre 9% da demanda global de eletricidade, três vezes mais do que há cinco anos.

Apesar desse impulso, o relatório prevê uma queda nas instalações solares globais anuais este ano. Estima-se que sejam instalados 612 GW em um cenário médio, o que representaria uma redução anual de 8% e marcaria a primeira contração em mais de 20 anos.

A SolarPower Europe explica que essa desaceleração é impulsionada principalmente pela China, que está a caminho de registrar uma redução de 24% nas instalações após mudanças nas políticas. “O declínio supera o crescimento contínuo em todas as outras regiões, destacando a influência da China nas instalações globais”, afirma o relatório, antes de acrescentar que o declínio global não deve ser confundido com uma desaceleração estrutural.

Prevê-se que as instalações na região Ásia-Pacífico, excluindo a China, aumentem 18% este ano, enquanto a implantação de energia solar na Europa deverá crescer cerca de 3%. A implantação de energia solar nas Américas deverá expandir-se em 11% este ano, acrescenta o relatório, enquanto as instalações deverão aumentar 48% no Médio Oriente e em África.

O cenário intermediário do relatório prevê que a capacidade solar global mais que dobrará, atingindo 6,6 TW até o final da década, uma revisão para baixo em relação à previsão do ano passado de 7,1 TW. O relatório cita congestionamento da rede, armazenamento insuficiente, flexibilidade limitada do sistema, atrasos na obtenção de licenças, barreiras de financiamento e resiliência da cadeia de suprimentos como os principais desafios que dificultam um maior crescimento.

“Embora persistam incertezas a curto prazo, a perspectiva de longo prazo para a energia solar permanece sólida, com a tecnologia continuando a se expandir em um ritmo sem precedentes e consolidando seu papel central nos esforços globais de descarbonização, bem como seu novo papel como tecnologia-chave para países que buscam maior segurança energética”, acrescenta o relatório.

O estudo também destaca o papel da energia solar em meio às tensões geopolíticas e à segunda crise dos combustíveis fósseis em menos de quatro anos. Em 2025, a eletricidade gerada por energia solar foi equivalente a quase cinco anos de fluxo de gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz.

A energia solar representou cerca de 80% dos acréscimos de capacidade renovável no ano passado, superando a soma dos acréscimos de geração de energia a partir de combustíveis fósseis e energia nuclear. “Essas conquistas notáveis refletem o ritmo extraordinário com que a energia solar se tornou a espinha dorsal da transição energética global”, afirma o relatório.

Walburga Hemetsberger, CEO da SolarPower Europe, comentou que a desaceleração do crescimento observada em 2025 e a queda esperada em 2026 são sinais importantes que destacam uma nova realidade.

“A expansão da energia solar não se resume mais apenas a implantar mais capacidade, mas sim a quão bem ela pode ser integrada ao sistema”, disse Hemetsberger.

“Precisamos investir urgentemente em redes elétricas, armazenamento de baterias e outras soluções de flexibilidade não fósseis para continuarmos integrando grandes volumes de energias renováveis às nossas redes”, acrescentou Hemetsberger. “Se os formuladores de políticas enfrentarem esses desafios, a energia solar continuará liderando a transição energética e permanecerá a ferramenta mais poderosa para garantir segurança energética, competitividade e descarbonização”.

Com mais de 400 km de painéis solares e 30 gigawatts de capacidade, a China concluiu um megaprojeto no deserto de Tengger, localizado na Mongólia Interior, que pode abastecer 13 milhões de residências, o equivalente a toda a população de países como Portugal e Bélgica juntos.

O complexo combina energia solar, eólica e armazenamento inteligente, garantindo fornecimento contínuo mesmo em períodos sem vento ou luz solar. A energia será transmitida por linhas de alta tensão até as regiões industriais do leste chinês, reforçando a infraestrutura verde do país, e evitando a emissão de 60 milhões de toneladas de CO2 por ano. (pv-magazine-brasil)

domingo, 26 de julho de 2026

Veículo percorre 140 km com 1 kg de hidrogênio produzido pelo IPT

Em uma demonstração inédita realizada em junho de 2026, um Toyota Mirai movido a célula de combustível percorreu 140 km gastando apenas 1 kg de hidrogênio produzido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). O teste feito entre a cidade de São Paulo e São José dos Campos validou a viabilidade e a eficiência da produção nacional do combustível limpo.

Detalhes do Teste Tecnológico

• Modelo utilizado: Toyota Mirai com célula a combustível.

• Distância total: 140 quilômetros rodados em condições reais.

• Abastecimento inicial: O tanque recebeu 5 kg de hidrogênio.

• Consumo verificado: Restaram 4 kg ao final da viagem.

• Origem do gás: Produzido localmente nos laboratórios do IPT.

Funcionamento da Tecnologia

• Eletricidade a bordo: Reação química entre hidrogênio e oxigênio.

• Subproduto zero: Emissão exclusiva de vapor de água pelo escapamento.

• Bateria menor: Dispensa o uso de grandes bancos de íon-lítio.

• Abastecimento rápido: Processo similar ao de combustíveis fósseis tradicionais.

Financiamento e Próximos Desafios

O projeto recebeu um aporte de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo voltado à transição energética. Com o sucesso da demonstração na Pulsar Expo IPT 2026, os pesquisadores agora focam em metas específicas para o mercado:

• Ganhar escala: Ampliar o volume de produção do combustível.

• Cortar custos: Tornar a tecnologia financeiramente competitiva no Brasil.

• Logística: Desenvolver métodos de armazenamento e distribuição eficientes.

• Infraestrutura: Viabilizar postos de recarga nas principais rodovias.

O projeto de hidrogênio do IPT recebeu investimentos da ordem de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias para energia limpa, mobilidade sustentável e descarbonização da indústria.
Um veículo modelo Toyota Mirai, que opera com tecnologia de célula a combustível, convertendo hidrogênio em eletricidade para movimentação, percorreu 140 quilômetros utilizando 1 quilograma de hidrogênio produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Nesse sistema, uma bateria de menor porte é utilizada apenas para gerenciamento e recuperação de energia, reduzindo significativamente a dependência de grandes bancos de baterias e os desafios associados à destinação desses materiais ao final da vida útil.

“O hidrogênio vem sendo apontado mundialmente como uma das principais alternativas para a descarbonização do transporte. Levar essa tecnologia para condições reais de uso é fundamental para ampliar a confiança do mercado e acelerar sua adoção”, afirma Anderson Correia, diretor-presidente do IPT.

O percurso ocorreu durante a Pulsar Expo IPT 2026, realizada de 22 a 24/06/26 no Parque de Inovação Tecnológica (PIT), em São José dos Campos.

O veículo foi abastecido com cerca de cinco quilogramas de hidrogênio produzido no IPT. Ao final da viagem entre São Paulo e São José dos Campos, apenas um quilograma foi efetivamente consumido.

O projeto de hidrogênio do IPT recebeu investimentos da ordem de R$ 20 milhões do Governo do Estado de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias para energia limpa, mobilidade sustentável e descarbonização da indústria.

Além dos avanços já alcançados, os pesquisadores trabalham na otimização dos processos de produção e no desenvolvimento de soluções capazes de reduzir custos e ampliar a competitividade da tecnologia.

“O desafio agora é ampliar a escala de produção, reduzir custos e criar as condições para que essa alternativa ganhe espaço na matriz energética e na mobilidade brasileira. O IPT atua para reduzir riscos tecnológicos, validar soluções e apoiar a chegada dessas inovações ao mercado com segurança e competitividade”, afirma João Cordeiro, diretor da Unidade de Negócios de Energia do IPT.
O Instituto atua em toda a cadeia tecnológica do hidrogênio, incluindo pesquisa, produção, armazenamento, distribuição e aplicações em mobilidade e indústria. Com investimentos em infraestrutura, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico, o IPT vem contribuindo para consolidar essa fonte energética como uma alternativa estratégica para a construção de uma economia de baixo carbono no Brasil. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sampa amplia frota de ônibus elétricos para 1.759 com entrega de mais 500 veículos

São Paulo amplia frota de ônibus elétricos para 1.759 com entrega de mais 500 veículos.

Considerando toda a frota elétrica atualmente em operação, a cidade calcula uma redução de aproximadamente 130 mil toneladas de CO2 por ano e uma economia de cerca de 57 milhões de litros de diesel anualmente.
Novos ônibus elétricos da prefeitura de São Paulo ocupam 7 km da Marginal Tietê.

A Prefeitura de São Paulo incorporou 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo, elevando para 1.759 veículos a frota de emissão zero da cidade. Segundo a administração municipal, trata-se da maior frota de ônibus elétricos do país.

Os novos veículos foram apresentados em um evento realizado na Marginal Tietê, onde ocuparam cerca de 7,2 quilômetros de extensão. O lote inclui 22 ônibus do tipo mídi, 215 modelos básicos, 159 veículos padronizado de 13,2 metros e 104 articulados de 21 e 23 metros.

De acordo com a prefeitura, os 500 ônibus representam, sozinhos, um volume superior ao total de ônibus elétricos em circulação no Brasil fora da capital paulista em 2025, estimado em cerca de 460 veículos pelo portal E-Bus Radar.

Com a nova entrega, a frota elétrica da cidade passa a ser composta por 1.570 ônibus movidos a bateria e 189 trólebus.

Redução de emissões e consumo de diesel

Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, os 500 novos veículos deixarão de consumir aproximadamente 20 milhões de litros de diesel por ano e evitarão a emissão anual de mais de 45 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂).

A prefeitura também estima uma redução anual de 110,6 toneladas de óxidos de nitrogênio (NOx) e de cerca de 0,9 tonelada de material particulado, poluentes associados a problemas respiratórios e cardiovasculares.

Considerando toda a frota elétrica atualmente em operação, a cidade calcula uma redução de aproximadamente 130 mil toneladas de CO₂ por ano e uma economia de cerca de 57 milhões de litros de diesel anualmente.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a expansão da frota faz parte da estratégia municipal de descarbonização do transporte público e de melhoria da qualidade do ar na cidade.

Política de eletrificação

A ampliação da frota integra a política municipal de transição energética para o transporte coletivo. Pela regulação estabelecida pela prefeitura, as concessionárias não podem substituir veículos que atingem o fim da vida útil por novos ônibus movidos a diesel, o que tem impulsionado a adoção gradual de tecnologias de baixa ou zero emissão.

Para viabilizar essa transição, a prefeitura estruturou um programa de investimentos de aproximadamente R$ 6,5 bilhões, com participação de recursos nacionais e internacionais. O lote entregue neste mês recebeu financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Para a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do banco, Luciana Aparecida da Costa, a expansão da frota demonstra a possibilidade de combinar redução de emissões, inovação tecnológica e modernização dos serviços públicos em larga escala. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Frota elétrica da cidade de São Paulo cresce e soma 1,7 mil ônibus

A frota elétrica de São Paulo chega a 1,7 mil ônibus em operação desde 21/06/26, data em que a prefeitura recebeu mais 500 veículos eletrificados de fabricantes como Elektra e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Com isso, a capital paulista consolida a liderança nacional em eletrificação do transporte público e coloca o Brasil atrás apenas de Chile e Colômbia no ranking latino-americano, segundo estudo do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT).

Atualmente, a meta da prefeitura é alcançar 2,2 mil ônibus eletrificados até 2028, número revisado em relação ao objetivo original de 2,6 mil veículos traçado em 2024. Até 2025, a frota circulante no país somava 1,7 mil veículos, e São Paulo respondia por mais de 80% desse total, segundo Jefferson Hishiyama da Silva, pesquisador do ICCT e autor do levantamento.

Financiamento bilionário

Para custear a renovação da frota, a prefeitura recorreu a múltiplas fontes de crédito. No ano passado, a administração municipal fechou uma linha de US$ 100 milhões com o Banco da China, além de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e mais R$ 2,5 bilhões do BNDES. As entregas foi em 21/06/26 fazem parte justamente da linha do BNDES.

Ainda assim, segundo Silva, o avanço de São Paulo se apoia em uma combinação de financiamento garantido e incentivos fiscais, fator que distingue a capital de outras cidades brasileiras que também começam a investir em eletrificação, como Belém, Brasília e Goiânia.

Infraestrutura elétrica foi obstáculo

Por outro lado, a renovação da frota enfrentou um entrave recorrente nos primeiros anos do programa: a falta de capacidade elétrica nas garagens dos operadores. Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus, explica que as instalações não tinham infraestrutura para receber os carregadores necessários.

1ª publicação Depois de uma reformulação no programa, os concessionários do transporte público passaram a precisar comprovar tecnicamente a capacidade de operar uma frota eletrificada antes de receber novos veículos. Segundo Carrer, esse ajuste melhorou o entendimento entre prefeitura, operadores e a Enel, distribuidora responsável pela cidade.

Em nota, a Enel informou que atende toda a demanda planejada pelos operadores. Entre 2024 e maio deste ano, a distribuidora entregou 92,72 MW de energia a 35 garagens, volume suficiente para abastecer ao menos 2 mil ônibus. A companhia destacou ainda que a utilização máxima das garagens não superou 50% nos últimos 12 meses, chegando a apenas 39% em maio.

Projeção do ICCT

Conforme o estudo do ICCT, a participação de ônibus elétricos na frota brasileira pode seguir três trajetórias até 2050. No cenário conservador, a fatia parte de 5% a 10% em 2030 e se estabiliza entre 25% e 41% em 2050. Já no cenário moderado, a eletrificação atinge 21% das vendas em 2030, sobe para 62% em 2040 e chega a 92% em 2050. No cenário mais ambicioso, a adoção é imediata, com 55% das vendas elétricas já em 2030 e o teto de 92% a partir de 2040.

Enquanto a frota de ônibus avança, o segmento de caminhões segue em ritmo mais lento. Em 2025, foram vendidas 366 unidades elétricas leves e médias, equivalente a 1,7% do mercado, com Volkswagen, JAC e Foton entre os líderes. No segmento pesado, apenas 53 caminhões elétricos foram comercializados no mesmo ano, fatia de 0,06% do total, com a XCMG na liderança.

Thiago Pastorelli Rodrigues, coautor do estudo, atribui a diferença ao custo de aquisição, ainda duas vezes superior ao de um veículo a combustão, somado à falta de carregadores rápidos nas rodovias. (biodieselbr)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Infraestrutura de recarga para VEs supera 25.000 pts crescendo 21% em 3m

Infraestrutura de recarga para VEs supera 25 mil pontos e cresce 21% em três meses.
O Brasil atingiu a marca de 25.455 eletropostos públicos e semipúblicos em maio de 2026, consolidando um crescimento de 20,9% frente aos 21.060 registrados em fevereiro. A expansão nacional, divulgada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi, é puxada pela infraestrutura de carga rápida e reflete a forte demanda por mobilidade elétrica.

Os detalhes estruturais desse avanço no país incluem:

• Carga Rápida (Corrente Contínua - DC): Saltou 32,8%, passando de 6.479 para 8.606 unidades. Este modelo representa agora 33,8% de toda a rede nacional.

• Carga Lenta/Semirrápida (Corrente Alternada - AC): Cresceu 15,5%, alcançando 16.836 pontos (66,2% do total).

• Cobertura: A malha de recarga já está presente em 1.788 municípios, com destaque para a região Norte, que liderou a expansão em recarga rápida (alta de 51%).

Essa expansão acompanha a marca de 505.806 veículos eletrificados plug-in em circulação no país, resultando em uma proporção média de 19,9 carros por eletroposto. O aumento da infraestrutura nacional acompanha também o avanço de regulamentações, como a recente Lei 18.403/2026 em São Paulo, que impulsionou o segmento de carregadores ao garantir novas regras para edificações.

A capilaridade da infraestrutura é uma das soluções mais críticas para mitigar a chamada "ansiedade de autonomia" dos motoristas.

Expansão foi impulsionada pelos carregadores rápidos, que avançaram 33% em três meses. Rede alcança 1.788 municípios, enquanto a região Norte lidera o crescimento da recarga rápida, com alta de 51%.

General Motors

A infraestrutura pública e semipúblicas de recarga para veículos elétricos no Brasil alcançou 25.429 pontos em maio de 2026, um crescimento de 20,7% em relação a fevereiro deste ano, quando o país registrava 21.060 eletropostos. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma de mobilidade elétrica Tupi.

O avanço da rede ocorre em paralelo à expansão da frota nacional de veículos elétricos plug-in, que já soma 505.806 unidades entre modelos totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). A relação atual é de aproximadamente 19,9 veículos por ponto de recarga.

Do total da frota eletrificada, 266.752 veículos (52,7%) são híbridos plug-in, enquanto 239.054 unidades (47,3%) correspondem a veículos 100% elétricos, que dependem integralmente da infraestrutura de carregamento.

Carregadores rápidos ampliam participação na rede

A expansão continua sendo liderada pela recarga rápida em corrente contínua (DC). O número desses equipamentos passou de 6.479 para 8.601 unidades em apenas três meses, crescimento de 32,8%.

Com isso, os carregadores rápidos passaram a representar 33,8% da infraestrutura nacional, ante 30,8% registrados no levantamento anterior.

Já os carregadores em corrente alternada (AC), utilizados principalmente em recargas de longa permanência, também apresentaram aceleração relevante. O número de pontos aumentou de 14.582 para 16.828, avanço de 15,4% no período.

Segundo a ABVE e a Tupi, o desempenho dos equipamentos AC marca uma mudança de tendência. No levantamento anterior, esse segmento havia crescido apenas 17,6% ao longo de doze meses.

A retomada coincide com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, em São Paulo, que assegura o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios, reduzindo uma das principais barreiras à recarga residencial.

Para Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, dois movimentos explicam os resultados do trimestre.

“Os carregadores lentos, que vinham em baixa, reagiram. A regulamentação de São Paulo garantindo o direito à instalação de carregadores em condomínios tem papel direto nesse movimento. Ao mesmo tempo, o crescimento dos carregadores rápidos começa a ser impulsionado por uma nova geração de equipamentos ultrarrápidos, com potências que chegam a 480 kW e múltiplas posições de recarga”, afirmou.

Segundo o executivo, o mercado brasileiro entrou em uma nova etapa de desenvolvimento.

“O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala. Estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país”.

Norte lidera crescimento da infraestrutura rápida

A expansão da infraestrutura ocorreu em todas as regiões brasileiras, mas com ritmos distintos.

A região Norte registrou o maior crescimento proporcional do país, com aumento de 30,7% no número total de pontos de recarga e avanço de 51% nos carregadores rápidos DC. O resultado indica uma expansão fortemente associada a corredores rodoviários e logísticos, onde a recarga de alta potência é considerada estratégica.

O Centro-Oeste apresentou crescimento de 23,7% na rede total e de 36,3% nos carregadores rápidos. Já o Sul avançou 23,4% no total de eletropostos e 35,8% em infraestrutura DC.

No Nordeste, a rede cresceu 20,5%, enquanto os carregadores rápidos aumentaram 33,7%. O Sudeste, que concentra a maior base instalada do país, registrou crescimento de 18,1% no total de pontos e de 25,7% nos equipamentos de recarga rápida.

Os dados mostram que a infraestrutura nacional está migrando gradualmente para um perfil mais voltado à recarga de alta potência, acompanhando a evolução tecnológica dos veículos e a necessidade de viagens de longa distância.

Cobertura chega a 1.788 municípios

Além da expansão em volume de carregadores, a cobertura territorial também avançou.

Em maio, 1.788 municípios brasileiros já contavam com infraestrutura pública ou semipúblicas de recarga, frente aos 1.649 registrados em fevereiro, crescimento de 8,4%.

O Nordeste liderou a expansão territorial, com aumento de 9,7% no número de cidades atendidas, seguido pelo Centro-Oeste, com alta de 9,2%.

Segundo as entidades, o avanço demonstra que a eletromobilidade está deixando de se concentrar nas capitais e nos grandes centros urbanos para alcançar cidades médias, destinos turísticos e corredores de transporte.
Infraestrutura acompanha amadurecimento do mercado

O crescimento simultâneo da frota e da infraestrutura reforça o amadurecimento do mercado brasileiro de mobilidade elétrica. Além da ampliação dos investimentos privados em redes de carregamento, a combinação entre novas tecnologias de recarga ultrarrápida e avanços regulatórios tende a acelerar a capilarização da infraestrutura nos próximos anos.

Com mais de 25 mil pontos instalados e presença em quase 1.800 municípios, o país amplia as condições para sustentar o avanço das vendas de veículos eletrificados e reduzir uma das principais barreiras à adoção da tecnologia: a disponibilidade de recarga. (pv-magazine-brasil)

sábado, 18 de julho de 2026

Axia inaugura usina heliotérmica, armazenamento e solar flutuante no Nordeste

Projetos localizados em Pernambuco e Bahia reúnem geração solar de concentração, baterias, energia híbrida e infraestrutura digital em um polo de inovação com mais de R$ 159 milhões em investimentos previstos até 2026.
Usina heliotérmica da AXIA Energia em Petrolina (PE).

AAxia Energia colocou em operação um conjunto de projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias para a transição energética no Nordeste brasileiro. Instalado entre os municípios de Petrolina (PE), Casa Nova e Sobradinho (BA), o polo de inovação reúne uma usina heliotérmica, sistemas de armazenamento por baterias (BESS), uma planta híbrida com geração eólica e solar e um projeto de geração solar flutuante integrado a um data center.

O principal empreendimento do complexo é a usina heliotérmica de concentração solar em torre central (HCPV), localizada no Centro de Referência de Energia Renovável de Petrolina (CRESP). A planta combina espelhos heliostatos, módulos fotovoltaicos de alta eficiência e armazenamento térmico para produzir simultaneamente eletricidade e calor a partir da radiação solar. O sistema possui capacidade de geração elétrica de 1 MW e captura adicional de 2,2 MW de energia térmica, permitindo pesquisas sobre armazenamento de longa duração e aplicações industriais.

Segundo a empresa, o projeto funcionará como uma plataforma para testar soluções que integrem geração renovável, armazenamento de energia e infraestrutura digital, incluindo aplicações voltadas à operação de data centers e sistemas de refrigeração industrial. A iniciativa recebeu mais de R$ 74 milhões em investimentos até 2026, dos quais R$ 67,9 milhões são provenientes do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

AXIA investe mais de R$ 200 milhões em polo de inovação energética no Nordeste

Em Casa Nova, no norte da Bahia, a companhia também colocou em operação a Planta Híbrida Inteligente de Casa Nova, uma infraestrutura de pesquisa que integra geração eólica, geração solar fotovoltaica, armazenamento em baterias de lítio e um data center. O empreendimento reúne uma planta solar de 1 MW, um aerogerador de 1,5 MW, um sistema BESS de 1 MW de potência e 1,4 MWh de capacidade de armazenamento e um data center de 1 MW. O investimento previsto para o projeto é de R$ 85 milhões até 2026, também no âmbito do programa de P&D da Aneel.

De acordo com o diretor de Tecnologia e Inovação da Axia, Juliano Dantas, a unidade permitirá estudos sobre integração de fontes renováveis, armazenamento de energia, qualidade do fornecimento elétrico e novos modelos operacionais para o setor. Segundo ele, o conjunto faz da planta uma das maiores estruturas de pesquisa em energia renovável a céu aberto do mundo.

Outro projeto do polo está localizado no reservatório da hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia. A planta-piloto de geração solar flutuante possui potência instalada de 0,8 MWp e geração média estimada em 1,3 GWh por ano. O sistema incorpora sensores IoT para monitoramento contínuo do desempenho operacional e está conectado à rede de distribuição em média tensão, permitindo avaliar a integração de tecnologias emergentes em condições reais de operação.

Axia Energia testa soluções contra cortes de renováveis

Para a companhia, os empreendimentos servirão como base para o desenvolvimento e a validação de tecnologias voltadas ao aumento da flexibilidade do sistema elétrico, à ampliação do armazenamento de energia e à integração entre geração renovável e infraestrutura digital, temas considerados estratégicos para a evolução da matriz energética brasileira. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sol supera carvão como fonte de energia nos EUA

EUA consome mais energia renovável do que carvão pela primeira vez.

Fontes limpas de eletricidade bateram recorde de geração pelo quarto ano seguido. Energia eólica foi a mais consumida, ultrapassando a hidrelétrica.
Pela primeira vez na história, a energia solar superou o carvão na matriz de eletricidade dos Estados Unidos. Em maio, a fonte solar representou 12,8% de toda a eletricidade gerada no país, ultrapassando o carvão, que ficou com 12,2%.

Esse marco no setor foi impulsionado pelo rápido avanço dos investimentos em energias renováveis e pelos menores custos da tecnologia. Embora os combustíveis fósseis ainda dominem, o declínio histórico do carvão mostra uma mudança estrutural importante na economia americana.

O crescimento acelerado da demanda energética, puxado pela expansão da inteligência artificial e de data centers, tem exigido fontes de implantação rápida e menor custo, cenário em que a energia solar tem se destacado.

Apesar de Donald Trump incentivar o uso do carvão para geração de energia, no mês de maio passado, pela primeira vez, a energia solar superou a produzida a partir do carvão nos Estados Unidos: 12,8% contra 12,2%.

“Há anos a energia solar vem crescendo na matriz elétrica dos EUA”, afirmou Nicolas Fulghum, analista da Ember, uma organização com sede no Reino Unido que estuda a transição energética; no mês passado, a energia solar tornou-se a terceira maior fonte de eletricidade do país, atrás apenas do gás natural e da energia nuclear. A geração a partir do carvão atingiu seu menor nível histórico em abril e recuperou-se modestamente em maio.

Após duas décadas de consumo praticamente estável, a demanda por energia elétrica nos EUA tem crescido para alimentar a inteligência artificial, expandir a manufatura doméstica e eletrificar transporte e aquecimento.

Esses números parecem demonstrar que a energia solar “veio para ficar”, mesmo em um cenário de menor apoio do governo Trump às renováveis.

Globalmente, a geração elétrica renovável cresce rapidamente. Segundo a Agência Internacional de Energia, até 2030 as renováveis representarão quase 45% da eletricidade mundial; no Brasil esse número está ao redor de 22%, superado pela energia hidrelétrica.

Há alguns dias, Trump anunciou um plano de quase US$ 700 milhões para apoiar usinas que queimam carvão, tendo dito que “o carvão é um grande negócio. Martin Pochtaruk, CEO da fabricante canadense de painéis solares Heliene, rebateu: “Trump pode dizer que o carvão está voltando, mas investidores aplicam onde há retorno. E na geração de energia, isso significa solar, hoje o combustível que mais cresce”.
A energia solar faz história e consegue superar o carvão nos Estados Unidos.

A Casa Branca defendeu as políticas energéticas de Trump como medidas para fortalecer a segurança nacional. “O presidente reverteu políticas devastadoras da esquerda, salvou a indústria do carvão, evitou o sucateamento de estruturas de produção de mais de 17 gigawatts de energia e salvou vidas em períodos de alta demanda”, disse a porta-voz Taylor Rogers.

Espera-se que no governo americano o bom senso volte a prevalecer e a produção de energia limpa volte a ser prioritária. (ecodebate)

terça-feira, 14 de julho de 2026

“Pobreza de resfriamento” revela sobre justiça climática

O que a “pobreza de resfriamento” revela sobre justiça climática.
A pobreza de resfriamento expõe a crise climática como uma profunda crise de justiça social e racial. Ela revela que a falta de acesso a recursos básicos (como energia, água e infraestrutura adequada) condena mais de 2 bilhões de pessoas a viverem sem condições mínimas de se protegerem do calor extremo.

O debate sobre essa realidade traz à tona facetas importantes:

Desigualdade Habitacional e Térmica: As populações periféricas e moradores de favelas sofrem desproporcionalmente. Pesquisas, como a realizada em comunidades do Rio de Janeiro (Chapéu Mangueira e Babilônia), indicam que o calor interno dessas residências pode ser muito maior do que as medições oficiais da cidade. Materiais de construção precários e a falta de ventilação agravam as ondas de calor.

Impactos Desiguais: Pessoas em situação de pobreza frequentemente enfrentam múltiplos riscos ambientais simultâneos. Enquanto quem possui recursos consegue adaptar seus ambientes, quem vive em vulnerabilidade sofre diretamente com riscos à saúde, exaustão e perdas materiais.

Um Desdobramento da Justiça Ambiental: O conceito discute como as populações que historicamente menos contribuíram para a emissão de gases de efeito estufa são as que mais pagam o preço pela elevação global das temperaturas.

É possível aprofundar a discussão lendo artigos e análises detalhadas sobre o tema publicadas em plataformas como o EcoDebate ou o Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Quando o calor não é apenas uma questão de temperatura, mas de desigualdade.

Mais de 2 bilhões de pessoas vivem sem condições mínimas de se proteger do calor extremo. Estudo publicado na Nature Sustainability revela que a crise climática é, antes de tudo, uma crise de justiça social e que o Brasil também está no centro dessa equação.

Hoje, quando o termômetro sobe, nossa primeira reação costuma ser ligar o ventilador ou o ar-condicionado. É quase um reflexo. Mas você já parou para pensar que, para um terço da população mundial, o resfriamento não é uma escolha, mas é um luxo inacessível?

Essa pergunta não é retórica. Ela está no centro de um estudo recente publicado na Nature Sustainability, intitulado “A multidimensional assessment of systemic cooling poverty in the global south”, que revelou uma realidade chocante, em que mais de 2 bilhões de pessoas vivem no que os pesquisadores chamam de “pobreza de resfriamento sistêmica”, uma condição que vai muito além de não ter um aparelho de ar-condicionado em casa.

Mais do que calor, é uma crise de dignidade

A primeira vez que me deparei com o termo “pobreza de resfriamento” achei que era apenas um jeito acadêmico de dizer que muita gente não tem ar-condicionado. Mas não é isso, nem de perto.

Segundo Giacomo Falchetta, principal autor do estudo, o risco do calor extremo se multiplica quando as pessoas carecem de uma combinação cruel de ausências: moradia adequada, acesso a serviços de saúde e até informação básica sobre como se proteger.

O problema, portanto, não é um aparelho. É um sistema inteiro que falhou.

É sobre viver em uma casa que vira forno. É sobre trabalhar sob o sol sem ter direito a uma pausa. É sobre não ter água potável para se hidratar quando o corpo grita por socorro. É sobre dignidade que deveria ser universal, mas que o aquecimento global está tornando cada vez mais rara para quem já tem menos.

O que é, de fato, a “pobreza de resfriamento sistêmica”

O estudo mede a pobreza de resfriamento a partir de cinco dimensões simultâneas: exposição climática, infraestrutura e ativos, desigualdades sociais e térmicas, saúde, e condições de trabalho e educação. Esse olhar multidimensional é o que o diferencia de tudo o que veio antes.

A conclusão é que quase 600 milhões de pessoas estão em risco imediato de danos relacionados ao calor e que os padrões de privação variam enormemente dentro de um mesmo país, às vezes de bairro para bairro. Mas quando se ampliam os critérios para incluir vulnerabilidades estruturais, esse número salta para mais de 2 bilhões.

Isso é mais do que a população inteira da América Latina e da África combinadas. São pessoas reais, com nomes, histórias, famílias e um calor que não para de aumentar.

Onde o termômetro vira sentença de morte

As regiões mais vulneráveis são o Sul da Ásia e a África Subsaariana. Em países como Índia, Paquistão e Bangladesh, a combinação letal de calor e umidade atinge o que os climatologistas chamam de “temperatura de bulbo úmido”, um ponto em que o corpo humano simplesmente não consegue mais se resfriar pelo suor, independentemente de qualquer esforço. Isso não é desconforto. É risco de morte.

Na Etiópia e na República Democrática do Congo, o cenário é outro, mas igualmente devastador: a ausência quase total de infraestrutura de proteção, como parques, áreas verdes, unidades de saúde preparadas para tratar doenças causadas pelo calor, transforma qualquer onda de calor em um evento catastrófico. O perigo não vem só do sol. Vem da interação cruel entre temperatura e pobreza.

A armadilha invisível da moradia precária

Imagine acordar dentro de uma casa cujo telhado é feito de zinco ou amianto. No verão, esse material não apenas não protege do calor como ele amplifica. O interior pode ser até 5 graus mais quente do que a temperatura do lado de fora. Para milhões de trabalhadores nessas regiões, isso não é uma metáfora. É a realidade diária

Essa armadilha é invisível nos debates sobre clima porque não aparece nos dados de renda nem nos índices de desenvolvimento humano convencionais. Uma família pode não ser classificada como “extremamente pobre” e ainda assim viver em uma moradia que, nos meses de calor, coloca a vida em risco todos os dias.

Porque mais ar-condicionado não resolve o problema

Aqui vem uma virada que parece contra intuitiva, mas que os especialistas são categóricos em defender: não podemos sair dessa crise simplesmente instalando mais aparelhos de ar-condicionado.

Os motivos são vários. Primeiro, o consumo de energia necessário para refrigerar bilhões de lares sobrecarregaria as redes elétricas de países que já operam no limite. Segundo e mais grave, o uso massivo de ar-condicionado alimenta um ciclo vicioso: mais refrigeração, mais emissões, mais aquecimento global, mais necessidade de refrigeração.

O relatório Global Cooling Watch 2025, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente na COP30, em Belém, estima que a demanda global por resfriamento pode triplicar até 2050 caso nenhuma mudança estrutural seja feita e que isso quase dobraria as emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao setor de refrigeração.

É uma bomba climática alimentada pela própria tentativa de sobreviver ao clima.

Soluções que custam pouco e mudam muito

A boa notícia é que as alternativas mais eficazes são, em muitos casos, surpreendentemente acessíveis. Os pesquisadores e especialistas apontam para um conjunto de políticas de baixo custo e alto impacto:

Design inteligente para moradias vulneráveis: pintar telhados com tinta branca reflexiva pode reduzir a temperatura interna em até 5 graus. É uma solução que cabe no orçamento de prefeituras e que pode ser implementada em mutirões comunitários.

Natureza como infraestrutura urbana: expandir a cobertura de árvores, criar parques e preservar corpos d’água em áreas urbanas densas cria o que os urbanistas chamam de “ilhas de frescor”. Não são soluções estéticas — são questão de saúde pública.

Direitos trabalhistas como proteção climática: estabelecer por lei pausas obrigatórias, acesso a água gratuita e áreas de sombra para trabalhadores que atuam ao ar livre é uma das medidas mais diretas para salvar vidas durante ondas de calor.

Centros de resfriamento comunitários: espaços públicos climatizados, como bibliotecas, centros culturais e postos de saúde, funcionam como âncoras de sobrevivência em bairros vulneráveis durante picos de calor extremo.

O limite do corpo humano

Chandni Singh, pesquisadora do Instituto Indiano para Assentamentos Humanos, articulou com precisão algo que os números às vezes não conseguem: existe um limite para o quanto o ser humano consegue se adaptar ao calor extremo.

Roupas mais leves, mudança de horário de trabalho, ventiladores — tudo isso tem um teto fisiológico. Quando a temperatura e a umidade combinadas ultrapassam certos limiares, não há comportamento individual que compense. A única saída é estrutural: infraestrutura, política pública, investimento coletivo.

A “pobreza de resfriamento” nos lembra, de forma irrefutável, que a luta contra as mudanças climáticas é, no fundo, uma luta por justiça social. O clima não aquece de forma igualitária. Ele aquece os que já têm menos proteção, já vivem nas margens, já carregam o peso de um sistema que historicamente ignorou suas necessidades.

O Brasil também está nessa história

Não podemos ler esses dados como se fossem uma realidade distante, confinada ao Sul da Ásia ou à África. O Brasil está profundamente inserido nessa equação.

Um levantamento recente realizado em parceria com a presidência brasileira da COP30 e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostrou que 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar planos de ação contra o calor extremo, mesmo que 93% dos gestores municipais classifiquem o tema como relevante.

Conhecer o problema e agir são coisas muito diferentes.

Com a possibilidade de formação de um Super El Niño na segunda metade de 2026, o Brasil enfrenta uma janela crítica. As previsões estimam um aumento da temperatura média de +2,8°C a +4,3°C, o que seria desastroso.

As comunidades mais vulneráveis estão na linha de frente de um calor que não discrimina, mas que mata de forma muito seletiva.

Olhar para esses números, 2 bilhões de pessoas, é entender que o resfriamento não deveria ser um privilégio de quem pode pagar a conta de luz no fim do mês. Deveria ser um direito básico de sobrevivência em um planeta que não para de esquentar.

E se essa leitura te gerou algum desconforto, ótimo. A ideia era essa. Desconforto é o começo de toda mudança.

Precisamos exigir infraestruturas mais humanas, políticas mais corajosas e um futuro onde a dignidade térmica não dependa do CEP de ninguém. (ecodebate)