sábado, 16 de setembro de 2017

Abundância de fontes renováveis e não nos combustíveis fósseis

O futuro do Brasil está na abundância de fontes renováveis e não nos combustíveis fósseis.
Com abundância de fontes renováveis no país, governo brasileiro insiste em investir em energias do passado, ofertando blocos para exploração de petróleo e gás, que financiam a crise climática, fomentam a corrupção e enfraquecem as economias mundo afora
Fato já constatado até por especialistas do setor, a era do “ouro negro” está definitivamente ficando no passado. O mundo tem experimentado um processo de renovação energética sem precedentes, onde as energias renováveis estão desempenhando um papel crucial e essencial, já que as reservas fósseis estão se esgotando. Ambientalmente sustentáveis, socialmente justas e economicamente viáveis, fontes como solar, eólica e de biomassa têm se tornado cada vez mais baratas e populares. Com o planeta em alerta vermelho por conta de eventos cada vez mais severos causados pelas mudanças climáticas, projetos ligados a combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás se tornaram investimentos de alto risco.
Por serem os principais emissores dos gases que causam o efeito estufa, os combustíveis fósseis estão diretamente relacionados ao financiamento da crise climática global. A fim de evitar essa associação e cumprir com o compromisso assumido em Paris em 2015, países no mundo todo têm investido seriamente na transição de suas matrizes energéticas. Ainda assim, governos como o do Brasil, cuja abundância em recursos naturais encontra poucos paralelos, contraditoriamente insistem em priorizar fontes fósseis em detrimento das renováveis. No próximo dia 27, a Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) vai contra os apelos globais por um novo modelo de desenvolvimento econômico-energético e intensifica a agenda de leilões de blocos para exploração de petróleo e gás no país.
“A cada dia, as pessoas estão cada vez mais ligando os pontos entre empresas que investem em fósseis e o caos climático e as injustiças socioambientais . Mas não é só isso. Essa indústria também está associada a casos de corrupção junto aos governos nacionais em vários países”, alerta Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina e coordenadora nacional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.
“No Brasil, a Operação Lava Jato revelou os esquemas de propina mostrando que essas empresas fazem de tudo para controlar o mercado no qual pretendem investir, agindo sem transparência e com truculência. Chega de fertilizar o subsolo brasileiro com corrupção”, enfatiza Nicole.
Corrupção e caos climático
Desde 2013 a Coalizão Não Fracking Brasil esteve presente diversos em leilões e mandou um claro recado para os investidores: Desenvolvimento só com renováveis.
A 14ª Rodada de Licitações irá ofertar 287 blocos em 11 bacias sedimentares marítimas e terrestres. Das 36 empresas que foram aprovadas para participar do certame, mais 60% são estrangeiras e pelo menos cinco delas estão envolvidas em casos de corrupção. Empresas como a Shell e ExxonMobil, por exemplo, compartilham casos de esquemas ilícitos envolvendo o governo nigeriano. A esta última ainda se soma o histórico agravante de ter omitido conhecimento sobre as mudanças climáticas há mais de meio século.
Já a empresa Petronas, da Malásia, teve um de seus executivos preso por suspeita de superfaturar uma operação de exploração de petróleo. A Rosneft, empresa de petróleo comandada pelo governo russo, está sob investigação em um caso que levou o ministro do desenvolvimento econômico a ser preso. Outras empresas, como a indiana Cairn Energy, são acusadas de espionagem por obter informações privilegiadas do governo sobre negociações com empresas estrangeiras interessadas em investir na Índia.
Casos recentes, como os esquemas de propina da Petrobras e da Queiroz Galvão, no Brasil, demonstram como a corrupção da indústria fóssil está em várias parte do mundo. São empresas dispostas a tudo para conseguir controlar o mercado, em aliança com governos corruptos que agem sem qualquer transparência, consulta e diálogo para com as suas populações, e menos ainda com as comunidades diretamente impactadas por esses empreendimentos.
Para o engenheiro Juliano Bueno de Araújo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org e fundador da COESUS, “a ANP age de forma irresponsável, sorrateira e criminosa ao não explicitar no edital da 14ª Rodada a autorização para gás não convencional, colocando em risco a vida, a segurança alimentar e hídrica de milhões de brasileiros. Dessa forma eles estão enganando o povo brasileiro, e isso nós não vamos aceitar.”
Energias responsáveis
Além da falta de transparência, a indústria fóssil também usa e abusa da falsa e ilusória promessa de progresso e desenvolvimento, com geração de renda e empregos, para limpar a sua imagem junto à sociedade. Mas o Rio de Janeiro, sede do leilão e o maior produtor de petróleo e gás do país, é uma prova viva do contrário. Vivenciando uma das mais graves crises econômicas de sua História recente, o estado que mais depende do dinheiro sujo dos fósseis amarga as piores taxas de crescimento econômico do Brasil.
“O Rio de Janeiro é o exemplo cabal de falência de uma indústria que está com os dias contatos em todo o mundo, aliada à corrupção e reprodutora de um modelo ultrapassado de geração de energia. Isso sem falar que a cidade está vulnerável aos impactos das mudanças climáticas, como aumento do nível do mar, deslizamentos, doenças epidêmicas, entre outras ocorrências que atingem toda a população“, atesta Juliano.
Em oposição a essa realidade, um novo horizonte se amplia com o crescimento exponencial das energias limpas. Hoje, o setor de renováveis emprega mais de oito milhões de pessoas, sendo a China a campeã, com 3,5 milhões de empregos, e o Brasil vem em segundo lugar, com quase um milhão de trabalhadores no ramo.
Com grande potencial, o Brasil deve estimular e atrair investimentos para a produção de equipamentos para a geração de energia renováveis – solar, eólica e de biomassa. “Já há estudos que comprovam que a indústria de baixo carbono gera 18 vezes mais empregos que a fóssil e, depois de instalada, proporciona a geração de energia 40% mais barata”, completa o engenheiro.
“Neste momento, o mundo passa por um difícil teste de eventos climáticos catastróficos. As pessoas precisam saber que o presente e o futuro do planeta dependem de uma única decisão: deixar os fósseis no chão de uma vez e olhar para o céu priorizando a energia livre, responsável, com justiça ambiental e climática”, finaliza Juliano. (ecodebate)

Certificação de energia renovável cresce acima das expectativas

Até agosto desse ano, RECs Brazil cresceram 18%. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade.
O mercado nacional de certificação de energia renovável cresceu significativamente desde o seu lançamento, em 2014. Em 2017, de janeiro até o agosto, o número transacionado de Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs Brazil, superou as expectativas, atingindo um total 126.905, crescimento de 18% sobre todo o ano anterior. Quando começou, há três anos, foram negociados 350 REcs. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis.
Há no país 19 parques de energia renovável capazes de gerar RECs, de acordo com o Instituto Totum, responsável pelo gerencialmente do Programa de Certificação de Energia Renovável brasileiro juntamente com a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, a Associação Brasileira de Energia Eólica e os apoiadores Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia. Desses 19 parques, 15 já possuem o registro na plataforma internacional IREC, reconhecida mundialmente. São eles: 8 empreendimentos eólicos da Atlantic, 3 eólicos da Voltalia, dois hídricos da AES Tietê, uma eólica da Statkraft e uma eólica da Embrasca.
O ritmo de crescimento e a demanda por compra de energia renovável tem surpreendido o Instituto Totum. A aquisição de RECs sinaliza ao mercado que as empresas preferem consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético.
O diretor do Instituto Totum, Fernando Lopes, destaca que até fevereiro de 2018, todos os empreendimentos com chancela REC Brazil migrarão para o padrão global I-REC. O I-REC é uma plataforma internacionalmente aceita para registro, emissão e transferência de Certificados de Energia Renovável, permitindo aos consumidores rastrear seu consumo de energia renovável certificada. Atualmente, a I-REC está disponível na América Latina, Ásia e África, lembrando que Europa e Estados Unidos já possuem sistema regulado para Garantias de Origem da Energia e RECs.
A expectativa do Totum é que até o final de 2017 o mercado tenha movimentado cerca de 1.000.000 RECs, alavancado principalmente pela aquisição por empresas participantes da plataforma de relato de emissões de gases de efeito estufa, chamada protocolo GHG. Empresas que provem a aquisição de RECs compatíveis com seu consumo de energia poderão reportar emissões zero para essa categoria. Outras iniciativas que demandarão mais RECs serão a Certificação Leed e a Certificação Zero Energy Building, que permitem o uso de RECs para provar consumo de energia renovável em edificações sustentáveis. (energia)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

7 Bilhões de reais para trocar lâmpadas

A prefeitura corre para fechar ainda em setembro uma parceria público-privada para trocar a iluminação pública da cidade.
Em jogo está um contrato de 7 bilhões de reais para substituir cerca de 500 000 luminárias de sódio por lâmpadas de LED, que gastam menos energia. O processo se arrasta desde 2013.
Processo este que chegou a ser interrompido pelo Tribunal de Contas, que questionou as garantias oferecidas pela prefeitura à empresa vencedora. A principal delas era a criação de uma conta separada da conta da prefeitura para receber o dinheiro pago pela população para custear a iluminação pública. Essa garantia não existe mais. Sem ela, multinacionais como GE e Philips desistiram de participar. EXAME apurou que a vencedora mais provável é a FM Rodrigues, empresa que já presta serviços de manutenção da iluminação pública à prefeitura. (brcomercializadora)

Lei proibirá veículos movidos a gasolina/diesel até 2040

Projeto de lei quer proibir veículos movidos a gasolina ou diesel até 2040.

Se o Projeto de Lei do Senado 304/2017 for aprovado, não será mais permitido vender no Brasil nenhum veículo novo movido a gasolina ou diesel a partir de 2030 e, a partir de 2040, ficará proibida a circulação de qualquer automóvel desse tipo.

De autoria do senador Ciro Nogueira (PP/PI), o PLS 304/2017 aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Ele também será examinado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), à qual caberá a decisão terminativa (ou seja, a decisão da comissão será definitiva no Senado).

Proibição

O projeto veda, a partir de 2030, a comercialização, e, a partir de 2040, a circulação de veículos novos que utilizem motor a combustão – a não ser que utilizem, de forma exclusiva, biocombustíveis como etanol e biodiesel. Ficará permitida também a venda de veículos movidos a eletricidade.

São abertas, no entanto, algumas exceções. Pelo projeto, automóveis de coleção, veículos oficiais e diplomáticos, ou carros de visitantes estrangeiros poderão continuar circulando no país.

Exemplo de fora

Outros países estão tomando decisões semelhantes. O Reino Unido e a França querem proibir a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2040; a Índia, a partir de 2030 e a Noruega, já em 2025. Há, inclusive, montadoras que já anunciaram planos para fabricar exclusivamente veículos elétricos a partir de 2019.


O autor do projeto aponta as iniciativas desses países e lembra que veículos em geral, no mundo todo, são responsáveis por um sexto das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, gás proveniente da queima de combustíveis fósseis e importante agente causador do efeito estufa, que leva ao aquecimento global. Banir esse tipo de veículo, afirma o senador, será muito vantajoso para o Brasil, que já faz uso intenso de biocombustíveis. (biodieselbr)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Merkel oferece dinheiro para cidades não proibir carros a diesel

Para evitar proibição de carros diesel, Merkel oferece dinheiro a cidades

A chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu oferecer € 1 bilhão para auxiliar as cidades alemãs a combater a poluição do ar causada por carros a diesel, após o escândalo da indústria automotiva ameaçar os políticos, no auge da campanha eleitoral.


Merkel disse que vai dobrar a ajuda financeira às cidades, dos € 500 milhões anunciados antes, a fim de evitar a ameaça de uma proibição total aos veículos a diesel.

A ameaça à saúde pública das emissões de óxido de nitrogênio (NOx) vieram à tona após a maior fabricante de veículos da Alemanha, a Volkswagen, ter admitido em setembro de 2015 que equipou milhões de carros no mundo todo com softwares ilegais para manipular os resultados de testes de emissões de poluentes.

O escândalo se expandiu, com outras fabricantes alemãs sob escrutínio após acusações de conluio.

Com a aproximação das eleições, em 24 de setembro, Merkel e outros políticos têm que andar numa corda bamba, equilibrando a segurança da saúde pública e os milhões de empregos do setor automobilístico, vital para a economia do país.

O escândalo de manipulação das emissões também reduziu drasticamente o valor de venda dos carros a diesel.

As vendas de veículos novos na Alemanha subiram 3,5% em agosto, em comparação com o mesmo mês de 2016, segundo dados do governo federal divulgados. Os registros de carros a diesel, entretanto, caíram quase 14% no mês passado.

A proibição deste tipo de veículos aceleraria muito a tendência – uma questão eleitoral fundamental para milhões de motoristas.

Após um encontro com 30 prefeitos de cidades que ameaçam banir os carros a diesel, Merkel disse que iria desembolsar mais dinheiro para ajudar a desenvolver uma infraestrutura de transporte mais limpa.
“Metade do valor fica por conta dos fabricantes automobilísticos, a outra metade pelo governo federal”, disse Merkel.

A prioridade imediata é “prevenir proibições”, destacou Merkel, ciente de que precisa proteger o setor industrial crucial. Gigantes globais como Volkswagen, Audi, Mereces e BMW rendem bilhões de euros em exportações e empregam entre 800 mil e 900 mil pessoas na Alemanha.

Apesar de Merkel já ter falado várias vezes sobre sua ideia de uma economia de baixo carbono em longo prazo, baseada em tecnologias verdes ambientalmente corretas, ela deixou claro na semana passada que, quando o assunto é diesel, “estamos em 2017”. (biodieselbr)