quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Novo boletim do Inmet indica El Niño “muito forte” e eventos extremos no Brasil

O novo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o El Niño se intensificará no segundo semestre de 2026, atingindo intensidade "muito forte" entre a primavera e o início do verão. Com 100% de probabilidade de permanência até 2027, o fenômeno elevará o risco de eventos climáticos extremos em várias regiões do país.

Impactos por Região

• Região Sul: Alto risco de grandes inundações e cheias, pois a região já inicia o ciclo com solos e índices de umidade elevados.

• Região Nordeste: Preocupação com o avanço e agravamento da seca moderada e severa, que afeta a segurança hídrica e a umidade do solo.

• Região Norte: Redução das chuvas na Amazônia, temperaturas acima da média, risco elevado de incêndios florestais e queda nos níveis dos rios.

• Centro-Oeste: Calor intenso, baixa umidade e maior propensão a ondas de calor e queimadas devido ao prolongamento do período seco.

O fenômeno El Niño deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026 e alcançar intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão, aumentando a probabilidade de ocorrência de eventos extremos no Brasil, sobretudo nas regiões Sul e Norte.

A análise está no Boletim nº2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes – o que altera a circulação atmosférica em escala global, impactando o regime de ventos, chuvas e temperaturas.

Segundo o boletim, a probabilidade de o El Niño se manter ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100%. A possibilidade de alcançar a categoria “muito forte”, quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico supera 2°C, é elevada.

Historicamente, no Brasil, a região Sul é a que mais sente os efeitos do El Niño. A previsão indica maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

As chuvas registradas no Rio Grande do Sul durante julho, que provocaram enchentes em diferentes municípios, já representam os primeiros impactos do fenômeno.

Segundo o boletim, “a situação exige atenção especial” porque a região não apresenta déficit hídrico. Isso significa que o solo já tem bastante água, favorecendo a rapidez no transbordamento dos rios diante de episódios de chuvas intensas.

Na região Norte do país, especialmente na Amazônia, o cenário é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e atraso do início da estação chuvosa.

O boletim destaca que esse padrão favorece a persistência da estiagem, reduz a disponibilidade hídrica, aumenta o ressecamento da vegetação e amplia significativamente o risco de incêndios florestais.

Outro efeito esperado é a redução gradual dos níveis dos rios. Embora boa parte das bacias ainda apresente condições próximas da normalidade, os indicadores mostram avanço da estiagem em diferentes sub-bacias da Amazônia.

Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, caso não haja reposição significativa das chuvas nas próximas semanas, a resposta hidrológica tende a se intensificar, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas dependentes dos rios. (biodieselbr)

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