quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Perspectivas para os veículos eletrificados até 2040

As perspectivas para os veículos eletrificados até 2040 indicam um crescimento exponencial, com projeções que preveem que eles dominem o mercado e a frota de veículos global e brasileira.

Previsões e Tendências

Domínio do Mercado: Estudos da PwC/Strategy& e da Anfavea sugerem que os veículos eletrificados (incluindo híbridos e totalmente elétricos) podem representar até 90% das vendas no Brasil até 2040. Globalmente, a BloombergNEF projeta que 73% das vendas totais serão de elétricos em 2040.

Crescimento da Frota: No Brasil, as estimativas para o número de veículos eletrificados em circulação variam entre 11 milhões (McKinsey & Company) e 35 milhões (PwC/Strategy&) até 2040.

Adoção em Frotas Comerciais: Estima-se que 85% da frota de veículos de aplicativos no Brasil será elétrica até 2040, indicando uma forte tendência de eletrificação em serviços de mobilidade.

Evolução Tecnológica e Custos: Espera-se evolução tecnológica contínua e, crucialmente, a redução dos custos de aquisição, que ainda são um desafio significativo, para impulsionar a adoção em massa.

Demanda Energética: Os carros elétricos devem representar cerca de 14% da demanda energética do Brasil em 2040, o que exigirá adaptações na infraestrutura de fornecimento de energia.

Desafios e Oportunidades

O principal desafio para concretizar essas projeções é o desenvolvimento da infraestrutura de recarga. Investimentos em toda a cadeia produtiva e a adesão dos consumidores são fatores-chave para o sucesso da transição para a mobilidade elétrica.

Em resumo, o cenário até 2040 aponta para uma transformação radical do setor automotivo, com os veículos eletrificados deixando de ser um nicho e se tornando a norma.

Frota de veículos eletrificados no Brasil será 44 vezes maior até 2040, sendo 72% híbrida

Mesmo com eletrificação, etanol é apontado como o protagonista da descarbonização no país, não só para veículos de passeio como também para aeronaves e navios.

Carro elétrico sendo carregado em ponto recarga em Brasília

Até 2040, a frota circulante de veículos no Brasil será 44 vezes mais eletrificada, com os modelos híbridos representando 72%. É o que diz um levantamento publicado pelo Instituto MBCBrasil, realizado pela LCA Consultores, chamado de “Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040”. A eletrificação deverá alcançar 17,4 milhões de veículos, o que representará mais de 27,6% do total.

Etanol

Baseado no estudo, apesar da eletrificação, o etanol é apontado como o protagonista e sua demanda será ampliada em até 2,4 vezes até 2040. O combustível deverá ser impulsionado tanto pelo mercado interno como pelo externo.

Essa expansão será relevante também na produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e no transporte marítimo, segmentos que podem alcançar em 15 anos um volume equivalente a 80% da demanda total de etanol do Ciclo Otto (veículos leves e outros usos) registrada em 2025. A projeção é de que o etanol substitua o metanol na navegação e que seja utilizado como matéria prima para SAF.

A demanda doméstica do etanol deve passar de 33,6 bilhões de litros em 2025 para 72,5 bilhões de litros em 2040, com 52,2% destinado ao Ciclo Otto, 17,9% SAF e 2,4% marítimo.

Fiscalização de postos revendedores de combustíveis em Brasília

A oferta do combustível será escalada com o aumento da produtividade da cana-de-açúcar e pela expansão do etanol de mil. Para suportar esse crescimento, a expectativa é que haja avanços genéticos e biotecnológicos capazes de dobrar a produtividade da cana-de-açúcar de 74 toneladas para 148 toneladas até 2040. O etanol de milho deve saltar de 7,6 bilhões de litros em 2024 para cerca de até 25 bilhões no mesmo período de tempo.

Biometano

O biometano será outro personagem para a descarbonização nacional. Produzido a partir de resíduos agroindustriais, o combustível tem potencial para substituir até 70% do consumo de diesel no transporte pesado até 2040. O aproveitamento do potencial estimado de produção pode chegar a 120 milhões m3/dia.

Planta de produção de biometano com o uso de mistura de esgoto, restos orgânicos de restaurantes e poda de grama

Atualmente, apesar de os caminhões a combustão interna ainda representarem 85% da frota, o estudo aponta o crescimento expressivo de alternativas como o biometano e os veículos elétricos a bateria, que juntos devem somar 15% da frota até 2040. A descarbonização desse segmento ocorrerá por meio de múltiplas soluções.

Para a frota majoritária movida a diesel, por sua vez, a política de biocombustíveis deve adotar a B20 no cenário base e B25 no cenário alternativo, ou seja, 20% e 25% de biodiesel no diesel, respectivamente.

Veículos movidos a biometano

Investimentos na mobilidade elétrica

Atualmente com 16.880 eletropostos, sendo 13.025 de carga lenta (77,2%) e 3.855 de carga rápida (22,8%), o levantamento aponta que o avanço da mobilidade elétrica no Brasil vai exigir investimentos de R$ 25 bilhões até 2040 para esse tipo de infraestrutura. A estimativa é que o país dependa de 825.170 eletropostos, ou 807 mil a mais.

Para o Instituto MBCBrasil, o sucesso da mobilidade de baixo carbono no país depende da inovação tecnológica, assim como de políticas públicas coordenadas. “O Brasil tem condições únicas para liderar uma transição energética eficiente e inclusiva, capaz de unir crescimento econômico e sustentabilidade. O avanço das novas tecnologias e o fortalecimento dos biocombustíveis mostram que é possível reduzir emissões e, ao mesmo tempo, ampliar oportunidades de desenvolvimento”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente da organização. (quatrorodas.abril)

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