A sazonalidade é um fator
determinante na geração solar no Hemisfério Norte, onde a produção é regida
pela grande variação climática da irradiância. Durante a primavera e o verão, a
menor distância zenital do sol e o aumento do foto período garantem o pico de
disponibilidade energética. Em contrapartida, no outono e inverno, a geração é
reduzida por fatores como o ângulo de incidência solar mais baixo, a
persistência de nebulosidade, dias mais curtos e até o acúmulo de neve sobre os
painéis. Adicionalmente, fenômenos regionais também podem atuar como
atenuadores críticos, como as plumas de poeira do Saara que, ao cruzarem a
Europa Central, elevam a concentração de aerossóis e reduzem drasticamente a
transparência atmosférica.
O Brasil apresenta um nível
de irradiação bem superior quando comparado a Europa, outro fator relevante é o
custo da energia fotovoltaica, ela vem diminuindo gradativamente ano após ano e
a tendência é que esses custos diminuam mais ainda.
No ano passado, a geração
solar atingiu recorde de 369 TWh, com expansão superior a 20% pelo quarto ano
consecutivo, representando 13% da matriz elétrica da UE, superando carvão e
hidrelétrica. Mais da metade da eletricidade produzida no segundo trimestre
veio de fontes renováveis, com a solar liderando momentos-chave, como junho,
quando forneceu 22% da eletricidade. O aumento da capacidade foi uniforme: em
14 das 27 nações da UE, eólica e solar já superam os combustíveis fósseis.
Países como Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Países Baixos já veem a solar
responder por mais de 20% da eletricidade consumida.
O avanço acelerado da geração
solar trouxe impactos econômicos diretos. Preços negativos passaram a ocorrer
em momentos de pico, principalmente ao meio-dia, quando a radiação solar está
no ápice e a demanda não acompanha a oferta. Nesses casos, o custo atacadista
cai abaixo de zero, e os geradores chegam a pagar para que a energia seja
consumida.
A Espanha se destacou, com
mais de 500 horas de preços zerados ou negativos, devido ao salto da capacidade
instalada impulsionada por mais de €1,2 bilhão em subsídios, agilidade nos
licenciamentos e expansão de projetos de grande escala. A Alemanha também
registrou forte impacto da geração solar. Em outubro, a energia solar no país
recebeu cerca de €71,55/MWh, valor abaixo dos €84,40/MWh do mercado.
Mais do que excesso de oferta, o desafio reflete a necessidade de investir em armazenamento por bateria para absorver o excedente e garantir maior flexibilidade da rede elétrica. Nesse cenário, a meteorologia deixa de ser apenas uma ciência de observação do tempo e se torna um instrumento estratégico: antecipar frentes frias, plumas de poeira ou padrões de nuvens permite planejar picos de geração, ajustar contratos de energia e evitar desperdício, garantindo que o sistema seja mais eficiente e econômico.
O marco de 2025 evidencia que a transição energética europeia atingiu maturidade, onde eficiência, segurança e valor econômico estão diretamente ligados às condições climáticas. Em uma matriz elétrica dominada por fontes variáveis, previsões meteorológicas precisas são agora fundamentais para decisões de operação, planejamento e investimento, consolidando a meteorologia como pilar estratégico da gestão e energética. (pv-magazine-brasil)



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