Postes de iluminação solar
com inteligência artificial podem resolver a demanda de energia dos data
centers.
A ideia é aproveitar a
iluminação pública para criar uma grande rede de usinas virtuais de energia
(VPP, na sigla em inglês) capaz de absorver a demanda imposta às redes
elétricas mundiais por grandes centros de dados.
Rede VPP
A implementação já está em
andamento na Nigéria, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e Fitzpatrick disse
à pv magazine que a ConFlow pretende ter meio milhão de unidades de postes de
iluminação em produção até o próximo ano. Mas o poste de iluminação não é exatamente
o produto.
“Estamos construindo uma
plataforma de IA para energia, comunicações e dados. O iLamp é apenas o nó pelo
qual integramos tudo isso”, explicou Fitzpatrick.
“Muita gente diz que não
podemos competir com um data center de grande escala colocando GPUs em postes
de luz. Isso é verdade. Mas nós não precisamos resfriar as nossas, então já
somos mais eficientes, o poder computacional é maior e custa menos para nós e
para o meio ambiente”.
Modelo de negócio
As autoridades locais e os
governos pagam pelo poder computacional por hora e pela energia fornecida pelas
lâmpadas. Atualmente, a ConFlow cobra 49 centavos por hora de computação, o que
Fitzpatrick afirmou ser “realmente barato para computação de inferência em IA”.
Cada iLamp gera cerca de US$ 4.500 por ano.
“Também cobramos um pouco
pela energia porque queremos criar serviços públicos ‘verdes’ em todos os
lugares”, acrescentou o CEO. “Se houver 50.000 iLamps em um estado, criamos um
serviço público verde e vendemos a energia para o governo a um preço de
quilowatt-hora verde, mas a uma taxa muito baixa. O serviço público verde é
muito mais benéfico para o usuário final do que para nós… oferece a eles
inúmeros benefícios, como créditos de carbono”.
A ConFlow está em negociações com autoridades locais para implantar as lâmpadas no Reino Unido, bem como no Cazaquistão, Sri Lanka, Índia, Quênia, Nigéria e Estados Unidos. O licenciamento já está disponível na maioria dos países. O maior problema é a burocracia envolvida, e Fitzpatrick afirmou que a empresa tem priorizado a implantação inicial em países com menos restrições burocráticas, como a Nigéria.
Serviços de inteligência
O tipo de dados de
inteligência baseados em inferência que as lâmpadas fornecem depende das necessidades
do usuário. O governo escolhe os serviços desejados, que variam desde dados
meteorológicos, conexões com veículos autônomos, dados de tráfego, segurança
predial, desempenho esportivo e até detecção de disparos, tudo fornecido por
meio de uma câmera com inteligência artificial instalada dentro da lâmpada, na
altura dos olhos.
“Desde monitoramento de
velocidade até prevenção de tiroteios e esportes, estamos desenvolvendo 80
aplicações desse tipo, porque podemos ensinar a câmera literalmente qualquer
coisa. Estamos trabalhando com um departamento de teatro local para nos ajudar
a ensinar a câmera”, disse Fitzpatrick.
Botões de pânico também podem ser instalados nas iLamps para alertar os serviços de emergência. Fitzpatrick não está muito preocupado com a possibilidade de roubo de chips de computador ou painéis solares das lâmpadas. Como ele disse, o painel solar é integrado à lâmpada e qualquer pessoa que tentasse roubá-lo precisaria de uma esmerilhadeira e desativar a câmera. Se a GPU for removida da lâmpada, ela é automaticamente danificada e, portanto, torna-se inútil. “Ninguém consegue roubar 50.000 lâmpadas”, afirmou Fitzpatrick.
Ele também defendeu o aspecto de vigilância do serviço, alegando que a ConFlow oferece um serviço que os governos desejam comprar. (pv-magazine-brasil)




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