sábado, 4 de julho de 2026

Postes de iluminação solar com inteligência artificial resolverá a demanda dos data centers

Postes de iluminação solar com inteligência artificial podem resolver a demanda de energia dos data centers.

Inserir chips de computador da Nvidia em postes de iluminação pública movidos a energia solar para criar uma usina de energia virtual é uma solução simples para os problemas de demanda energética gerados por data centers, segundo Edward Fitzpatrick. Sua empresa, a ConFlow Power Group, está fazendo exatamente isso com seus postes de iluminação iLamp, conforme ele declarou à pv magazine.
As luminárias iLamps, da empresa ConFlow, com sede no Reino Unido, são equipadas com um painel solar circular de 600 W, duas baterias de íon-lítio e um chip de processamento de computador da Nvidia. Tudo é monitorado remotamente por meio de um aplicativo, e todo o hardware do sistema está alojado dentro do poste de iluminação.

A ideia é aproveitar a iluminação pública para criar uma grande rede de usinas virtuais de energia (VPP, na sigla em inglês) capaz de absorver a demanda imposta às redes elétricas mundiais por grandes centros de dados.

Rede VPP

A implementação já está em andamento na Nigéria, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e Fitzpatrick disse à pv magazine que a ConFlow pretende ter meio milhão de unidades de postes de iluminação em produção até o próximo ano. Mas o poste de iluminação não é exatamente o produto.

“Estamos construindo uma plataforma de IA para energia, comunicações e dados. O iLamp é apenas o nó pelo qual integramos tudo isso”, explicou Fitzpatrick.

“Muita gente diz que não podemos competir com um data center de grande escala colocando GPUs em postes de luz. Isso é verdade. Mas nós não precisamos resfriar as nossas, então já somos mais eficientes, o poder computacional é maior e custa menos para nós e para o meio ambiente”.

Ele acrescentou que a rede VPP de postes de luz fornece uma espécie de intermediário entre os grandes centros de dados que executam tarefas de aprendizado de máquina mais complexas. “O iLamp aproxima o centro de dados do seu telefone para tarefas de menor demanda, como fazer uma pergunta ao ChatGPT”, disse Fitzpatrick. Isso é conhecido como inferência, e a latência é menor do que a necessária para tarefas baseadas em aprendizado.
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Modelo de negócio

As autoridades locais e os governos pagam pelo poder computacional por hora e pela energia fornecida pelas lâmpadas. Atualmente, a ConFlow cobra 49 centavos por hora de computação, o que Fitzpatrick afirmou ser “realmente barato para computação de inferência em IA”. Cada iLamp gera cerca de US$ 4.500 por ano.

“Também cobramos um pouco pela energia porque queremos criar serviços públicos ‘verdes’ em todos os lugares”, acrescentou o CEO. “Se houver 50.000 iLamps em um estado, criamos um serviço público verde e vendemos a energia para o governo a um preço de quilowatt-hora verde, mas a uma taxa muito baixa. O serviço público verde é muito mais benéfico para o usuário final do que para nós… oferece a eles inúmeros benefícios, como créditos de carbono”.

A ConFlow está em negociações com autoridades locais para implantar as lâmpadas no Reino Unido, bem como no Cazaquistão, Sri Lanka, Índia, Quênia, Nigéria e Estados Unidos. O licenciamento já está disponível na maioria dos países. O maior problema é a burocracia envolvida, e Fitzpatrick afirmou que a empresa tem priorizado a implantação inicial em países com menos restrições burocráticas, como a Nigéria.

Serviços de inteligência

O tipo de dados de inteligência baseados em inferência que as lâmpadas fornecem depende das necessidades do usuário. O governo escolhe os serviços desejados, que variam desde dados meteorológicos, conexões com veículos autônomos, dados de tráfego, segurança predial, desempenho esportivo e até detecção de disparos, tudo fornecido por meio de uma câmera com inteligência artificial instalada dentro da lâmpada, na altura dos olhos.

“Desde monitoramento de velocidade até prevenção de tiroteios e esportes, estamos desenvolvendo 80 aplicações desse tipo, porque podemos ensinar a câmera literalmente qualquer coisa. Estamos trabalhando com um departamento de teatro local para nos ajudar a ensinar a câmera”, disse Fitzpatrick.

Botões de pânico também podem ser instalados nas iLamps para alertar os serviços de emergência. Fitzpatrick não está muito preocupado com a possibilidade de roubo de chips de computador ou painéis solares das lâmpadas. Como ele disse, o painel solar é integrado à lâmpada e qualquer pessoa que tentasse roubá-lo precisaria de uma esmerilhadeira e desativar a câmera. Se a GPU for removida da lâmpada, ela é automaticamente danificada e, portanto, torna-se inútil. “Ninguém consegue roubar 50.000 lâmpadas”, afirmou Fitzpatrick.

Ele também defendeu o aspecto de vigilância do serviço, alegando que a ConFlow oferece um serviço que os governos desejam comprar. (pv-magazine-brasil)

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