quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Países europeus são os que mais utilizam energia nuclear

Levando-se em consideração a produção total de energia elétrica no mundo, a participação da energia nuclear saltou de 0,1% para 17% em 30 anos, fazendo-a aproximar-se da porcentagem produzida pelas hidrelétricas. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no final de 1998 havia 434 usinas nucleares em 32 países e 36 unidades sendo construídas em 15 países.
Em termos relativos, a região que mais utiliza a nucleoeletricidade é a Europa Ocidental. Trinta por cento da energia elétrica é gerada por centrais nucleares, sendo esta a principal fonte de energia. A América do Norte fica com 17% e Extremo Oriente e Europa Oriental com 15%. Três países respondem por 60% do total mundial de capacidade instalada em usinas nucleares e em geração de nucleoeletricidade (Japão, França e EUA). Entre estes, destacam-se a França, com 80% de sua energia gerada por 56 reatores nucleares, e o Japão, com 30%.
Após alguns acidentes como o de Chernobyl (1986), diversos países diminuíram os investimentos em seus programas de produção de energia nuclear, em especial a Itália que desativou permanentemente os reatores e cancelou os projetos. Paralelamente, a indústria nuclear mundial passou a investir em segurança como forma de superar a decadência com a qual se deparou este setor na década de 80. Um dos pontos principais foi a automação para reduzir as possibilidades de falha humana.
Ainda assim, em setembro do ano passado o acidente na usina de Tokaimura (Ciência Hoje, n° 156) demonstrou que o risco de acidentes é um fantasma que continua rondando esta alternativa de geração de energia.
Recentemente a Alemanha decidiu que não serão instalados novos reatores e que os reatores em funcionamento serão desativados após completada a sua vida útil (32 anos neste caso). A Turquia também abandonou o projeto de construir sua primeira usina nuclear. No sentido oposto, o Brasil logo após a inauguração de Angra 2 já discute o projeto de Angra 3.
Apesar da "crise" na indústria nuclear, os países com maior necessidade desse tipo de energia, como o Japão ou a França, que não têm outras alternativas, continuarão investindo neste setor.
Os países da Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) são os que concentram a maior capacidade instalada de usinas nucleares no mundo e são eles que continuarão liderando o crescimento da energia nuclear a nível mundial.
A decisão de construir usinas depende em grande parte dos custos de produção da energia nuclear... (comciencia)

Os 10 países no mundo mais dependentes de energia nuclear

1. França
A França é o país mais dependente dessa fonte de energia radioativa, que representa 77,7% da matriz energética. Os dados são da ONG World Nuclear Power. Anualmente, os franceses produzem 423 bilhões de kWh, perdendo só para os Estados Unidos.
Não à toa, a energia nuclear é um dos principais pontos de debate do programa dos candidatos à eleição presidencial. No país, existem 58 reatores em operação, além de um em construção, outro na fase de planejamento, e um terceiro cuja proposta ainda está sendo estudada.
2. Bélgica
Mais da metade de toda a energia consumida na Bélgica (54%) vem de usinas nucleares. Seus sete reatores operantes são antigos e às vezes apresentam problemas, como fissuras que em agosto obrigou o fechamento de uma das centrais.
Em 1999, o país anunciou a descontinuação de seu programa nuclear durante 40 anos, mas acabou retomando-o em 2000. A Bélgica produz 14.8 bilhões de kWh de fontes nucleares, o triplo da geração brasileira.
3. Eslováquia
Na Eslováquia, a energia nuclear supre 54% das necessidades do país. Quatro reatores são responsáveis pela produção anual de 14,3 bilhões de kWh. Outras quatro centrais estão sendo construídas, duas estão em fase de implementação e mais uma encontra-se em estudo pelos governantes do país.
4. Ucrânia
Palco de um dos piores acidentes nucleares da história, na usina de Chernobil, a Ucrânia é o quarto país que mais consome energia nuclear no mundo. Por ano, seus 15 reatores em atividade produzem 84,9 bilhões de kWh de energia nuclear, montante que supre 47,2% das necessidades energéticas do país. Atualmente, existem duas novas usinas em fase de implementação e propostas sob análise para criação de mais 11 reatores.
5. Hungria
Quatro centrais nucleares são responsáveis pelo suprimento de 43,2% da energia consumida na Hungria. Há propostas de implementação de mais dois reatores no país, que produz anualmente 14,7 bilhões de kWh, equivalente à produção brasileira.
6. Eslovênia
Localizada a 120 quilômetros da capital, fica a única usina nuclear da Eslovênia. A central atômica de Krsko produz anualmente 5,9 bilhões de KW, que abastecem 741,7% das casas, prédios, indústrias e outras unidades consumidoras do país. Há uma proposta para implementar mais uma central, mas a ideia ainda aguarda aprovação.
7. Suíça
Atualmente, 40,8% da eletricidade consumida na Suíça vem da energia nuclear gerada por cinco reatores. O país, que produz anualmente 25,7 bilhões de kWh, estuda no entanto abandonar a energia atômica até 2034. Para compensar a saída de cena das atuais centrais nucleares e garantir a segurança energética do país, o governo helvético promete investir pesado na geração alternativa a partir de fontes renováveis, como hidráulica, solar e eólica.
8. Suécia
Quase 40% da energia consumida na Suécia vem de usinas nucleares. Somadas, as dez centrais do país produzem anualmente 58,1 bilhão de kWh. Aos olhos do governo local, o uso da energia nuclear (que não gera emissões de gases efeito estufa) é uma de diminuir a participação sueca no processo de aquecimento global.
9. Coreia do Sul
Nono país mais dependente de energia nuclear, a Coreia do Sul conta com 23 usinas para produzir 147 bilhões de kWh necessários para abastecer 34,6% da demanda. Segundo a Ong World Nuclear, quatro reatores estão em construção atualmente no país, e outros cinco estão em fase de planejamento.
10. Armênia
Cerca de 33% de toda a energia consumida na Armênia vem de fontes atômicas. Ou melhor, de um único lugar, o complexo nuclear de Metsamor, considerado um dos mais perigosos do mundo. Em 1988, a usina chegou a ser fechada depois de um terremoto atingir o país. Mas, sete anos depois, ela foi reaberta sem nenhuma melhoria ter isso feita no sistema de segurança. Há estudos em andamento para a instalação de mais um reator. (exame)

Sobre os impactos da energia nuclear

As centrais nucleares podem ser comparadas com as centrais termelétricas, onde o combustível é um material radioativo que, em sua fissão, gera a energia necessária para seu funcionamento. O reator aquece a água que desta forma se transforma em vapor, que gira as pás de uma turbina, cujo rotor gira com o eixo de um gerador, produzindo energia elétrica.
No Brasil, existem 3 usinas nucleares [duas em operação e uma em construção] em Angra dos Reis. Os impactos ambientais decorrentes do aquecimento de água são comuns com os impactos gerados pelas termelétricas. A usina Angra II devolve a água do mar 60°C mais quente do que a temperatura ambiente.
A fissão do urânio, usada para produzir o calor que movimenta as pás do dínamo, deixa subprodutos perigosos para o manejo, pois são radioativos como o plutônio, um elemento químico extremamente perigoso para a saúde humana, que tem que ser manipulado com extremo cuidado e conhecimento.
Em Angra dos Reis, nas instalações da Eletronuclear, os principais rejeitos são os materiais combustíveis que são introduzido no reator. São pastilhas de dióxido de urânio usadas na reação de fissão. Este rejeito é o mais perigoso.
Depois de usadas, as pastilhas combustíveis são mantidas em um reservatório dentro do prédio do reator, em latões especiais de chumbo. A água do reservatório é de um tipo especial, conhecida como água pesada e tem como características absorver a radioatividade que escape do chumbo. A água pesada é um tipo de água em que alguns átomos de hidrogênio possuem, em seu núcleo, um próton e um nêutron. É indicada para proteger materiais radioativos.
O segundo tipo de material radioativo são os uniformes, luvas e capacetes usados pelos funcionários da usina dentro do prédio do reator. Estes materiais possuem baixa radioatividade, e são mantidos dentro de uma sala especial. São reutilizados depois de alguns anos, por terem perdido a radioatividade.
A humanidade passou por uma fase onde os movimentos ambientalistas tiveram um papel fundamental na supressão de boa parte da geração nuclear. Os acidentes como Three Mila Island na Pensilvânia e Chernobyl na União Soviética também contribuíram para a disseminação de uma repulsa pela geração nuclear. Em 1979 em Three Mile Island na Pensilvânia nos Estados Unidos, um reator atômico avariado da usina de Three Mile Island descarregou no ar gás radiativo e provocou a retirada de 300 mil pessoas de suas casas.
Em 1986, em Chernobyl na Rússia houve uma explosão de um dos quatro reatores de uma usina nuclear, lançando na atmosfera uma nuvem radioativa. A incidência de câncer aumentou bruscamente em Bielorússia, Ucrânia e Rússia. Entre 1990 e 2000, houve um aumento de 40% em todos os cânceres na Bielorrússia com um aumento de 52%. Na Ucrânia, houve um aumento de 12% e a morbidade aumentou quase três vezes.
A incidência de câncer cresceu 2,7 vezes. Cerca de 7 mil cânceres de tireoide a mais foram identificados até 2004. Estima-se que entre 14 mil e 32 mil cânceres adicionais de tireoide aconteçam em 70 anos. Para a Ucrânia, cerca de 24 mil cânceres de tireoide são esperados, muitos fatais. Esse aumento dramático de câncer de tireoide não era esperado. Após o acidente, aguardava-se apenas um pequeno aumento. Esses casos de câncer são extremamente agressivos. Com um pequeno período de latência e uma proliferação para além da tireoide em quase 50% dos pacientes, forçam cirurgiões a conduzirem repetidas operações para remover metástases residuais.
Atualmente, em função das dificuldades de obtenção de energia e em razão dos altos preços do barril de petróleo a geração de energia a partir das usinas atômicas tem sido reavaliada. É necessário muito mais segurança, mas há uma certa concepção de que a humanidade não pode prescindir desta fonte energética que não produz gases de efeito estufa. Mas com muitíssima maior preocupação com a segurança. (ecodebate)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Carvão mineral, o combustível fóssil poluente e caro

Carvão mineral, o combustível fóssil mais poluente e mais caro de todos
Estamos perdendo as batalhas e se continuar neste ritmo perderemos a guerra contra o poderoso setor carbonífero do sul de Santa Catarina, pois minas de carvão continuam sendo abertas para a extração do minério e continuam poluindo todos os recursos naturais por onde passam, principalmente a água. Depois de explorado e beneficiado vai para a queima no Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda 857MW, em Capivari de Baixo/SC, o maior da América Latina, promovendo as emissões de gases que causam chuva ácida e o efeito estufa, sem nenhum controle confiável, pois são os próprios funcionários da multinacional Tractebel/Suez que fazem o monitoramento das emissões.
O lobby das mineradoras tem apoio da classe política seja governante ou não, pois as campanhas eleitorais são financiadas com altas somas que são respeitosamente pagas com favores que beneficiam o setor carbonífero em todos os aspectos, inclusive junto aos órgãos responsáveis pela fiscalização e licenciamento ambiental, ou seja, sempre ganham todas!!! Ao longo destes últimos 34 anos muito pouco resolveram nossas denúncias de crimes ambientais, pois as três bacias hidrográficas do sul de Santa Catarina (Araranguá, Urussanga, Tubarão) estão totalmente comprometidas com o baixo pH das águas ácidas que não permitem nenhum tipo de vida nos cursos d’água. Um dos maiores crimes ambientais do país.
Além dos políticos e governantes, a mídia barriga verde também é cúmplice, pois tem conhecimento dos impactos ambientais causados, mas nada faz senão divulgar apenas aquilo que é de interesse do setor carbonífero do sul de SC. A propaganda é tão intensa e sutil que grande parte da população se omite perante o conflito e outra parte passa a acreditar que a verdade é o que eles divulgam e não os fatos que comprovamos existir, ou seja, aqui parece estar funcionando o efeito da propaganda criada pelo nazista Goebbels, quando a ”mentira” passa a ser mais acreditada que a verdade!
Quando tínhamos entendido que o projeto da USITESC 440MW para Treviso/SC havia sido engavetado, nos enganamos, pois é bem possível que o governo federal (leia-se MME) faça uma equação política para a térmica USITESC 440MW participar do leilão da ANEEL, mesmo comprovadamente sendo a energia mais poluente e mais cara do mundo!
A FATMA ainda não informou qual a data da próxima audiência pública para a Mina Maracajá, mas ficou prometida que a próxima seria realizada aqui em Araranguá mesmo sob o protesto do prefeito de Maracajá. A Mina Maracajá irá adentrar o subsolo araranguaense podendo comprometer os lençóis freáticos e aquíferos, fazendo secar poços e açudes e, por conseguinte, córregos e riachos da superfície territorial de Araranguá. (ecodebate)

domingo, 16 de novembro de 2014

Horário de ponta no Verão 2015 preocupa o setor

Reservatórios mais baixos do que em 2014 reduzem a capacidade de atender picos de demanda se país tiver novamente altas temperaturas no ano que vem.
O cenário para 2015 preocupa o setor. O início do ano que vem representará um desafio ao país porque os reservatórios estarão mais baixos do que neste ano e se forem observadas as altas temperaturas vistas no verão de 2014 a tendência é de dificuldades no atendimento da demanda de ponta. Apesar de o governo ter indicado que o risco de qualquer déficit estar dentro do planejamento do CNPE, de 5% para o Sudeste/ Centro-Oeste, o sistema pode não ser suficiente caso seja verificado novos recordes de demanda instantânea.
No ano passado, entre o final de janeiro e a primeira semana de fevereiro, a demanda imediata ficou em cerca de 85 mil MW. E especialistas do setor alertam que mesmo com a economia andando de lado, há um crescimento vegetativo do consumo, originado justamente pela classe residencial e comercial e que podem levar a uma expectativa de aumento da demanda em 6%, na comparação com o ano passado.
De acordo com o consultor Ricardo Savoia, da Thymos Energia, a preocupação é com o atendimento da ponta. A avaliação do CMSE dessa semana de que são necessárias ações conjunturais fica prejudicada porque em sua análise não há muito o que fazer no momento além de estimular a redução do consumo. A forma de se fazer isso é que precisa ser discutida, seja por meio de cortes de carga na madrugada como se levantou a hipótese, ou conceder desconto na tarifa como fez São Paulo pelo uso mais racional da água. “Um eventual racionamento de energia fica mesmo para depois do período úmido. Precisamos ver como terminarão os reservatórios ao final do período úmido”, lembrou ele.
Essa é a mesma posição da PSR. Para o especialista Bernardo Bezerra, o governo já chegou à última fronteira de medida a se tomar para manter o nível dos reservatórios que é a redução das vazões. Segundo ele, agora devemos esperar para ver como será o período úmido para indicar o que poderá ocorrer no ano que vem. Ele diz que no momento seria necessária a redução do consumo que poderia ser alcançada por meio de campanhas de estímulo ao uso consciente.
Segundo Bezerra, a preocupação com o horário de ponta é real, pois está diretamente ligada ao nível dos reservatórios. Ele explicou que quanto menor o nível dos reservatórios menor é a capacidade de geração e atendimento no horário de ponta. “Começaremos 2015 com um nível menor que 2014 e com isso a capacidade de atendimento da ponta cai”, afirmou ele.
Para Eric Rego, da Excelência Energética, uma das formas de redução de consumo até já começou a ser tomada que é o reajuste tarifário da energia. Aumentos na casa de dois dígitos elevam a preocupação da indústria com a conta, mas o problema, apontou ele, é com o segmento residencial, menos sensível a aumentos de tarifa. Para essa classe de consumo a solução no momento seria a de se estabelecer campanhas de racionalização. “Se isso não for suficiente, aí sim passaríamos para a obrigatoriedade de se reduzir o consumo, mas isso, depois do período úmido”, indicou o especialista para quem a decisão de um racionamento poderia ser tomada apenas em março.
Apesar de o risco de qualquer déficit apontado pelo CMSE estar em 5% para a região Sudeste e Centro-Oeste, Rego afirma que as projeções da Excelência são bem mais elevadas. Segundo o último cálculo da empresa, com dados de setembro, esse patamar de risco estava em 25%. Ele explicou que a consultoria considera os atrasos de obras, “um fator que o governo não considera em sua análise”, acrescentou.
Para o presidente da comercializadora CMU, Walter Froes, o sistema já indica que existe a necessidade de corte de carga, mas esse corte ainda poderia ser feito por meio de campanhas de racionalização do uso da energia. “Ainda há espaço para se reduzir a demanda por estímulo às pessoas. Os aparelhos que ficam ligados na tomada em stand by, por exemplo, levariam a uma redução do consumo residencial na ordem de 15% com o simples ato de serem retirados da tomada quando não são utilizados”, apontou.
De acordo com o presidente da Enecel, Raimundo Batista, o atual cenário do setor já indica que o momento de uma campanha de racionalização passou. Em sua avaliação, seria necessário que o governo tomasse medidas impositivas para que o consumo fosse reduzido em todo o país. “A chance é muito grande de o problema ser maior do que o governo indica, a situação está terrível”, avaliou ele.
Segundo ele, o ONS vem fazendo o que pode dentro da ordem que deve ter recebido, inclusive, não admite, com a redução de frequência do sistema para economizar 5% do consumo. Segundo o especialista, é o que dá para se fazer tecnicamente. (canalenergia)