sexta-feira, 14 de novembro de 2014

‘Energia para a Vida’

Leilão de energia solar e a campanha ‘Energia para a Vida.
Grande expectativa foi criada com o que se convencionou chamar de ”leilão da energia solar”, pois seria o primeiro certame a nível nacional em que a fonte solar seria vendida sem competir com outras fontes. Depois de alguns adiamentos, no último dia 31 de outubro foi realizado o “6º Leilão para Contratação de Energia de Reserva”.
É importante mencionar que o Estado de Pernambuco, em dezembro de 2013, já havia realizado um leilão específico para a fonte solar. Na oportunidade, o preço teto estabelecido foi de R$ 250,00/MWh. O leilão foi exitoso, possibilitando a contratação de 122 MW a um preço médio de R$ 228,63/MWh, com ofertas entre R$ 193,00/MWh (da empresa Sun Premiere) e R$ 246,00/MWh (da empresa Kroma).
No leilão nacional, a Empresa de Pesquisa Energética – EPE cadastrou 1.034 empreendimentos, uma oferta total de 26.297 MW de capacidade instalada, para serem entregues a partir de outubro de 2017. Com contratos que preveem o suprimento por 20 anos.
Os projetos de energia eólica predominaram mais uma vez, com 626 empreendimentos (15.300 MW), seguidos pelos 400 projetos de energia solar fotovoltaica, e 8 projetos de térmicas a biomassa utilizando resíduo solido urbano – lixo e biogás (151 MW). O número de projetos fotovoltaicos totalizou 10.800 MW, ou seja, comparável a toda atual potência instalada do sistema CHESF.
No leilão, cada fonte vendeu energia em separado, sendo os preços máximos estipulados para serem praticados pelos vendedores: R$ 262,00/MWh para a energia solar, R$ 144,00/MWh para a eólica e R$ 169,00/MWh para as termelétricas a biomassa.
Foram selecionados 62 projetos, sendo 31 eólicos e 31 solares (nenhum a biomassa). Foi contratada uma capacidade instalada de 889,7 MW em energia solar, a um preço médio de R$ 215,12/MWh, com um deságio de 17,9%, bem maior que os 5% projetado pelos analistas. O Estado da Bahia teve o maior numero de projetos vencedores: 14 no total. Pernambuco, que se destacou realizando o 1º leilão específico para energia solar, apesar dos 43 projetos apresentados, decepcionou, pois não teve nenhum selecionado.
O leilão mostrou a vitalidade do setor fotovoltaico pelo numero de projetos apresentados e, destaque-se, pelos preços ofertados. A geração de energia solar mostrou-se competitiva frente a outras fontes energéticas a curtíssimo prazo. Os preços oferecidos pelos empreendedores foram muito abaixo daqueles apregoados pelos gestores do planejamento energético, que tentam assim justificar o baixo aproveitamento desta fonte energética na matriz elétrica brasileira.
O próprio Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), com horizonte em 2023, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que a energia solar alcance potência instalada de 3.500 MW ao fim desse horizonte decenal, quando deverá atingir participação de cerca de 2% da capacidade instalada total. Agora, deveria ser refeito diante dos números apresentados no leilão que acabou de ocorrer. A EPE cita a Agência Internacional de Energia ao estimar que somente em 2020 a energia solar será competitiva frente às demais fontes. Esse argumento é falso – como indicam os valores obtidos no leilão.
Lamentavelmente falta ambição e sobra discurso àqueles que hoje estão à frente da gestão energética brasileira. Os números arrolados no Plano de Expansão Decenal de Energia – que prevê os rumos energéticos do país para a próxima década, ou seja, entre 2014 e 2023 –, publicados pela EPE e pelo Ministério de Minas e Energia, mostram uma previsão de investimentos de R$ 1,263 trilhões até 2023. Destes, mais de ¾ dos recursos irão para os combustíveis fósseis e apenas 9,2% para as fontes renováveis – como PCH, eólica, solar e biomassa. É fácil concluir então que as fontes renováveis no país estão sendo ignoradas, em particular, a energia solar.
Falamos até aqui de geração elétrica solar centralizada em grandes usinas. Ao nos debruçarmos sobre a geração descentralizada desta fonte energética, verificamos o total fiasco da Norma Resolutiva 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no que concerne ao apoio e incentivo à instalação de micro e mini geradores no país. O ano de 2013 (inicio da vigência da norma) mostrou um numero irrisório de instalações solares em residências e pequenos comércios. Dados da própria ANEEL mostram que até abril de 2014 menos de 300 sistemas fotovoltaicos haviam sido instalados no país. Ao compararmos com os 1,5 milhões de residências na Alemanha, vemos que este é um numero insignificante diante do potencial solar existente em nosso país.
O sucesso desta fonte de energia, em outros países, se deve basicamente a implementação de políticas publicas. No Brasil, o poder público tem ignorado esta fonte energética, que hoje está presente na matriz elétrica com menos de 0,1% do total (vale repetir: menos de 0,1% do total de energia gerada no país vem da fonte solar).
Diante dessa constatação e da atual política de oferta de energia que privilegia mega-hidrelétricas, termelétricas a combustíveis fósseis e usinas nucleares – foi lançada, em agosto de 2014, por mais de 80 organizações e entidades da sociedade civil, a Campanha “Energia para a Vida”, cujo objetivo é promover uma nova política para o setor elétrico no Brasil, baseada em princípios de uso de fontes renováveis (em particular, a energia solar descentralizada), eficiência energética, justiça social, participação democrática e sustentabilidade ambiental. (ecodebate)

Barcos movidos a energia solar competem em Búzios

Barcos movidos a energia solar competem em Búzios
Além da regate, que será disputada por universitários de oito estados do país, evento vai ter palestras e debates sobre a importância do uso de fontes limpas.
Como uma corrida de barcos em Búzios pode auxiliar no desenvolvimento de uma matriz energética mais limpa para o Brasil? A resposta está no Desafio Solar Brasil, que reunirá 350 universitários de oito estados para uma regata entre embarcações movidas a energia solar, na Orla Bardot, entre os próximos dias 12 e 16.
O objetivo do evento — promovido pela UFRJ, em parceria com a concessionária Ampla e apoio da Prefeitura de Búzios — não é apenas premiar vencedores. Além do esporte, o Solar Brasil tem como eixos a inovação e a educação. “Durante a competição, há palestras e debates que ajudam na conscientização sobre a necessidade do uso de fontes renováveis”, diz Weules Correia, porta-voz do Solar Brasil.
Equipe da UFRJ vai participar do Desafio Solar Brasil. Embarcação está sendo montada pelos estudantes no Polo Náutico do campus Fundão.
E não são só universitários e professores que participam do evento. Na edição deste ano, cada equipe contará com dois alunos da rede municipal de Búzios atuando como estagiários. “Dividir nossa experiência com as crianças será uma maneira excelente de difundir conhecimentos pela população”, garante o estudante de engenharia mecânica da UFRJ e piloto da equipe Solar Brasil, Alessandro Sá.
Para Alexandre Alho, coordenador do Polo Náutico da UFRJ, no campus do Fundão, onde a Solar Brasil construiu seu barco nos últimos três meses e meio, a transmissão do saber não pode se restringir aos jovens de Búzios. “Estudantes de universidades públicas são formadores de opinião e têm obrigação de disseminar informações”, diz.
A inovação fica por conta das 23 equipes participantes. “Um dos times, por exemplo, criou um barco com mais de seis metros que é controlado através de um tablet, em terra”, conta Weules. Mais do que construir uma embarcação fora do convencional, os projetos desenvolvidos são um pontapé inicial para ações práticas no campo da energia limpa. “Ideias como a dos pequenos barcos solares que têm atuado no transporte de passageiros na Lagoa da Barra podem sair de competições como essa”, diz Alho.
Búzios já foi cenário de cinco edições anteriores da regata, que é versão brasileira de evento na Holanda.
Atuar na produção de tecnologia para a geração de energia renovável, aliás, já é uma realidade para parte dos integrantes da Solar Brasil. “Três dos nossos estudantes voltaram de competição na Holanda com intenção de montar empresa no campo da energia solar e já estão trabalhando. Ótimo para o país avançar no tema”, completa. 
A regata, que está na 6ª edição, é a versão brasileira do Frisian Solar Challenge, na Holanda, o principal evento europeu para barcos solares.
Competição quer mostrar vantagens da energia renovável
De 2008 a 2012, a geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, como a solar e a eólica, aumentou cinco vezes no Brasil, passando de mil para 5 mil gigawatts/hora. Porém, a energia limpa ainda é incipiente, respondendo por menos de 1% na matriz energética nacional.
O Desafio Solar Brasil tem como objetivo mudar esse cenário. “A competição torna acessível e desmistifica alguns pontos da produção de energia renovável. Além disso, ela mostra às pessoas que este mundo está bem perto da casa delas”, diz Weules Correia, porta-voz do desafio.
Já para Alexandre Alho, professor da Escola Politécnica da UFRJ, o Brasil está bem posicionado para aumentar a fatia das fontes renováveis na matriz energética. “As perspectivas são ótimas, pois as nossas condições climáticas são ideais para uso de energia solar e eólica”, analisa o coordenador do Polo Náutico da universidade. O que ainda trava os avanços do país no tema seria a falta de planejamento e apoio. “Muitas vezes, boas ideias acabam interrompidas por limitações orçamentárias. É preciso reverter essa situação”, conclui Alexandre. (odia)

Barcos movidos a energia solar competem em desafio

Barcos movidos a energia solar competem no Desafio Solar Brasil
De 12 a 16/11/14 o Desafio Solar Brasil, projeto da UFRJ, em parceria com a concessionária Ampla e apoio da Prefeitura de Búzios, irá trazer a geração de energia limpa para o esporte. O evento reunirá 350 universitários de oito estados para uma regata entre embarcações movidas a energia solar, na Orla Bardot, no Rio de Janeiro.
Além do esporte, o Solar Brasil tem como eixos inovação e a educação realizando palestras e debates que ajudam na conscientização sobre a necessidade do uso de fontes renováveis, além de tornar acessível e desmistificar alguns pontos da produção de energia renovável.
A edição deste ano do evento traz novidades onde cada equipe contará com dois alunos da rede municipal de Búzios atuando como estagiários. Atuar na produção de tecnologia para a geração de energia renovável, aliás, já é uma realidade para parte dos integrantes da Solar Brasil onde três dos estudantes participantes voltaram de uma competição na Holanda com intenção de montar empresa no campo da energia solar.
A regata, que está na 6ª edição, é a versão brasileira do Frisian Solar Challenge, na Holanda, o principal evento europeu para barcos solares. (ambienteenergia)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Indústrias apostam na energia verde

A partir de 2015, uma caldeira de biomassa entrará em funcionamento na unidade de Mogi das Cruzes (SP) da empresa Kimberly-Clark, fabricante de artigos de higiene pessoal, como lenços de papel e fraldas descartáveis.
A novidade vem para reforçar o uso de fontes renováveis no mercado de produção industrial. No caso da Kimberly Clark, o equipamento funcionará à base de uma mistura de matéria orgânica composta, entre outras coisas, de fibras de celulose que sobrarão do processo de fabricação do papel higiênico Neve. A implantação da caldeira de biomassa não só não só reduziu as emissões de gases causadores do efeito estufa da fábrica como foi uma boa solução para resíduos da produção.
Além da diminuição de gases do efeito estufa, a implantação do novo equipamento também proporcionou a Kimberly-Clark atingisse dois anos antes do previsto a meta corporativa de 5% de redução de CO2.
A implantação de caldeiras de biomassa vai além da sustentabilidade, estima-se que a economia gerada com uma caldeira a biomassa chegue a 20%. No caso da Kimberly-Clark, a troca representou uma economia de R$ 2 milhões por ano na operação da fábrica.
Outros casos de sucesso na implantação de energia verde em fábricas são o da fabricante de papel e celulose Klabin, a fabricante de cosméticos Natura e a de bebidas Ambev, entre outras, vêm usando a biomassa em suas caldeiras, em vez de fontes fósseis, como o diesel, o óleo pesado, chamado de BPF, e o gás natural.
Apesar de algumas empresas como a Ambev, administrarem as próprias caldeira, muitas indústrias têm optado por entregar a gestão desses equipamentos a empresas médias especializadas no assunto. Isso porque a matéria orgânica não é tão uniforme quanto o diesel ou o gás natural, e queimá-la exige cuidados. (ambienteenergia)

Mundo quadruplicará energias renováveis até 2050 e conterá mudanças climáticas?

Mundo deverá quadruplicar energias renováveis até 2050 para conter mudanças climáticas
No capítulo final de uma pesquisa iniciada 13 meses atrás, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) desfilou uma saraivada de números que refletem o caótico aquecimento global. Segundo o estudo, divulgado ontem em Copenhague, a temperatura média na superfície da Terra aumentou 0,85°C entre 1880 e 2012. A concentração de gases-estufa na atmosfera é a maior dos últimos 800 mil anos. As ondas de calor vão se tornar cada vez mais intensas e comuns, especialmente no Hemisfério Norte.
Se o mundo quiser evitar que as mudanças climáticas se tornem irreversíveis, o uso de combustíveis fósseis — o principal motor da economia mundial — deve ser zerado em 2100. Para isso, os países precisam quadruplicar o uso de energias renováveis até 2050. Ignorar este ultimato provocará danos "graves, generalizados e irreversíveis".
Atualmente, os governos gastam cerca de US$ 600 bilhões por ano no subsídio ao consumo de carvão. Ao mesmo tempo, menos de US$ 400 bilhões são investidos por ano no mundo em políticas de redução de emissões ou em outra forma de enfrentar as mudanças climáticas. Segundo o "New York Times", esta quantia é menor do que a receita de apenas uma petrolífera americana.
De acordo com o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, os projetos de mitigação contra as mudanças climáticas custariam cerca de 0,06% do PIB mundial por ano até o fim do século. Estima-se que, no mesmo período, a economia internacional crescerá 300%.
— O custo da inércia será horrivelmente maior — assegura Rachauri. — Temos pouco tempo pela frente antes que passe a janela de oportunidade para o aumento de temperatura permanecer abaixo de 2°C. Manter o atual modelo de crescimento não é uma opção para nós.
Golpe na economia
Co-presidente de um dos três grupos de trabalho do IPCC, Youba Sokona ressalta que há, no mínimo, 66% de chances de a temperatura global aumentar mais de 2°C até 2100, caso a queima de combustíveis fósseis continue no ritmo atual.
— A transição para uma economia com baixo teor de carbono é tecnicamente viável — destaca. — Mas faltam políticas e instituições apropriadas. Quanto mais esperarmos para agir, maior será o custo para mitigação e adaptação.
A liberação de gases-estufa segue em escalada nas últimas décadas. Cerca de metade das emissões de CO2 da era industrial ocorreu nos últimos 40 anos. Com isso, o cenário mais provável é que a temperatura média global ultrapasse os 4 graus Celsius até 2100. Atingir esta marca significa "dificultar a redução da pobreza (...) e corroer a segurança alimentar", diz o estudo.
Entre 1901 e 2010, o nível do mar aumentou 0,19 centímetros — um valor maior do que nos 2 mil anos anteriores. Se os termômetros continuarem crescendo, em 2050 o gelo do Oceano Ártico terá praticamente desaparecido nos meses de setembro. Até o fim do século, o nível do mar pode aumentar 82 centímetros. Há previsões de grandes enchentes e desaparecimento de países insulares e cidades costeiras.
A mudança do regime de chuvas, a absorção de gases-estufa pelo oceano e o derretimento de geleiras vão afetar a disponibilidade de alimentos para as espécies marinhas. Sua migração também prejudicará a indústria pesqueira.
O calor também afetará o rendimento de safras de trigo, arroz, milho e soja. Estes recursos são a base da economia de países em desenvolvimento. Suas populações, as mais atingidas por eventos extremos, devem migrar para outras regiões. A chegada dos refugiados climáticos aumentará a desigualdade social e a possibilidade de conflitos violentos.
Esta descrição foi atenuada na redação final do relatório. O documento original, editado durante a semana, afirmava que a migração em massa de populações provocaria conflitos violentos "na forma de guerra civil".
Segundo o Banco Mundial, a comunidade internacional precisará investir entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão por ano para ajustar sua infraestrutura ao perigo representado pelas mudanças climáticas.
— O impacto das mudanças climáticas será muito diferente em cada país. Por isso é tão difícil estimá-lo — admite a economista Stéphane Hallegatte, coautora do relatório do IPCC. — Eles precisam de dinheiro para desenvolver a tecnologia ecológica, defesa costeira, planos de mitigação e adaptação e gestão de risco de desastres.
Pachauri lembra que as nações mais vulneráveis contribuem pouco para as emissões de gases-estufa. Por isso, atacar o problema torna-se responsabilidade de todos os governos:
— Enfrentar o aquecimento global não será possível se cada agente pensar apenas em seu plano. Precisamos de cooperação entre os países para alcançar nossos objetivos.
Falta de acordo global
O relatório do IPCC, que está em sua quinta edição, deve servir como base para as discussões da Conferência do Clima de Lima, em dezembro deste ano. As esperanças, porém, estão concentradas na edição do ano que vem do encontro, em Paris. Espera-se que este fórum resulte em um acordo global contra as mudanças climáticas. Havia a mesma expectativa em Copenhague, em 2009, quando o debate foi pautado pelo quarto documento do IPCC.
— Tivemos uma conversa extensa há cinco anos, mas, olhando para trás, talvez os líderes mundiais não estivessem tão preparados para discutir o clima — admite o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon. — Eles precisam agir. O tempo não está ao nosso lado.
Não é tão simples assim. O combate às mudanças climáticas é marcado por desentendimentos. Países em desenvolvimento se recusam a aceitar metas para reduzir emissões de CO2 — exigência imposta pelas nações desenvolvidas.
Em setembro, Ban ki-Moon organizou uma Cúpula do Clima na ONU, em uma tentativa de antecipar as discussões previstas para os fóruns ambientais. No encontro foi apresentada a Declaração de Nova York, um documento que propunha a redução pela metade do corte de florestas até 2020 e zerá-lo na década seguinte. Com esta medida, entre 4,5 bilhões e 8,8 bilhões de toneladas de CO2 deixariam de ser liberadas para a atmosfera — o equivalente à remoção de um bilhão de carros das ruas até 2030. Brasil, Índia e China, que estão entre os maiores desmatadores do mundo, recusaram-se a assinar o acordo.
A China, maior poluidora do planeta, comprometeu-se apenas a divulgar quando atingirá o pico de suas emissões — o que deve ocorrer antes de 2030. Os EUA limitam-se a cobrar projetos da potência asiática. A União Europeia e o Brasil estabeleceram metas voluntárias — ou seja, sem valor legal. A Índia, que será a nação mais populosa do mundo daqui a menos de 20 anos, luta para ser definida como país em desenvolvimento, um sinal de que não pretende assumir objetivos.
Discussões madrugada adentro
Pachauri, porém, acredita que o novo relatório pode virar o jogo. De acordo com ele, o documento apresentado ontem é "o mais forte e robusto" já produzido pelo IPCC. Para especialistas, o maior objetivo foi cumprido: enfatizar como a ação humana interfere na temperatura do planeta, tese muito contestada poucos anos atrás.
Vice-presidente do IPCC, Suzana Kahn avalia que o relatório final foi mais "claro e objetivo" do que os documentos escritos nos últimos meses pelos grupos de trabalho. Suzana, porém, acredita que os números do IPCC não mudarão facilmente o posicionamento dos governos nas negociações internacionais.
— Os países permanecem com suas posições históricas já consolidadas — afirma Suzana, uma das responsáveis por resumir o relatório original, que tinha 175 páginas, no divulgado ontem, com 40 páginas. — Para fazer isso, foi uma dificuldade. Imagine, então, na negociação propriamente dita. Tanto que, em vez de encerrarmos as discussões dia 07 às 18h, elas só foram fechadas dia 08/11 às 16h, e precisamos debater todas as madrugadas. Ou seja, tudo foi marcado por pouca disposição de cooperação.
Os climatologistas ressaltam que, mesmo se todas as medidas de mitigação e adaptação forem tomadas, os estragos provocados pelo homem no clima serão visíveis no próximo século, já que as alterações feitas em biomas, geleiras e o acúmulo de carbono nos oceanos não serão remediadas imediatamente. O meio ambiente tem seu próprio tempo. E, para assegurá-lo, o ser humano corre contra o relógio. (udop)