quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bioenergia renovável

Mercados globais de energia mudaram drasticamente em 2016.
A transição global para as energias renováveis está se acelerando e o ritmo da mudança está mais rápido que o previsto. Quem ficar para trás enfrentará riscos financeiros cada vez maiores.  Estas são as três principais conclusões do mais novo estudo do Instituto de Economia e Análise Financeira de Energia (IEEFA), que analisa os principais eventos nos mercados globais de energia ao longo de 2016 e revela o ritmo assustador da mudança global em andamento.
“Ao longo de 2016, assim como no ano anterior, indicativos de uma grande mudança nos mercados de energia estavam em toda parte, mas quando examinados globalmente, a escala e o ritmo da mudança são simplesmente surpreendentes, embora não inteiramente inesperados”, explica Tim Buckley, Diretor de Estudos de Finanças do IEEFA. “A velocidade e a natureza global desta mudança é muito diferente de tudo o que temos visto no mercado de energia nos tempos modernos, desde áreas tão diversas como baterias e tecnologias de veículos elétricos até a regularidade na queda das tarifas de energia solar e o financiamento para programas de energias renováveis em países em desenvolvimento. Este é um momento emocionante e indica que grandes progressos estão sendo feitos para a transição da nossa economia global.”
Segundo Tim, “Todos os indicadores são de que o espaço futuro para o carvão na geração de energia é limitado e de que o custo de geração de carvão para eletricidade continua a aumentar. Sem subsídios constantes de financiamento e incluindo todas as suas externalidades, a energia a carvão continuará a ser significativamente mais cara do que tecnologias de energia renovável comparáveis. Um mercado financeiro limitado ao carbono significa que os investimentos em andamento embutem consideráveis riscos de ativos e possíveis desvantagens para as economias nacionais dependentes dos retornos da mineração de carvão”, detalha.
O relatório descreve que sistemas de precificação de carbono desempenharão um papel crítico na aceleração das finanças e realização das metas delineadas no Acordo de Paris.  “É em 2017 que deve ocorrer o maior aumento já visto na proporção de emissões globais cobertas por esquemas de preço de carbono dentro de um ano”, prevê Tim.
2016: Year in Review – Three Trends Highlighting the Accelerating Global Energy Market Transformation também mostra que a abordagem tradicional do mercado energético do Ocidente tem em grande parte passado ao largo da África – o continente que contém a maior parte das nações menos desenvolvidas do mundo. “A energia renovável suplanta todas as outras fontes de energia como solução para aqueles sem acesso à energia à medida que a tecnologia e a relação custo X benefício melhoram e favorecem um crescente interesse em microgrids e sistemas solares domésticos, seguindo o exemplo de Bangladesh”, explica Tim.  “Em 2016 houve um aumento significativo nas adições da capacidade solar da escala de utilities e a Agência Internacional de Energia Renovável prevê que África poderia ter 70GW da geração solar em 2030”, completa.
A transição global para as energias renováveis está se acelerando:
• Em 2016, mais países tiveram períodos nos quais 100% do consumo de eletricidade foram atendidos pelas energias renováveis.
• A África está preparada para se tornar o primeiro continente onde a energia renovável é o principal motor do desenvolvimento.
O ritmo da mudança é muito mais rápido do que o previsto:
• O consumo de petróleo poderá atingir o pico em 2030, com o crescimento exponencial continuado dos veículos elétricos, eficiência energética e energia renovável, e a China está desafiando a liderança do setor automotivo dos EUA e da UE.
• Ser um líder em energias limpas agora pode ser aplicado como um modelo de negócios sustentável que proporciona retornos superiores aos acionistas. Tesla, BYD, Nextera Energia, Softbank, ENEL, China Longyuan e Brookfield Renewable Partners todos demonstram isso.
• O rápido crescimento do mercado de títulos verdes é uma indicação de que o capital privado está saindo dos combustíveis fósseis para a energia renovável.
Aqueles que estão ficando para trás estão enfrentando crescentes riscos financeiros:
• Ao contribuir para reduzir as taxas de utilização, as energias renováveis continuarão a comprometer a viabilidade da produção a carvão.
• Em 2016, verificou-se uma redução do pipeline de eletricidade a carvão quase igual à capacidade de produção de carvão total da UE.
• Um crescimento da demanda abaixo do esperado, em conjunto com o aumento da oferta de GNL, deverá levar a uma multiplicação de ativos mais valorizados nos balanços do que no mercado. (canalbioenergia)

San Diego usará diesel renovável

Prefeitura de San Diego/USA vai passar a usar diesel renovável.
Segunda maior cidade da Califórnia – e 8ª maior dos Estados Unidos –, San Diego vai passar a usar diesel renovável em sua frota municipal.
Este será o maior projeto do gênero nos EUA com 1.125 veículos – o equivalente a 25% dos veículos da prefeitura.
A decisão foi anunciada pela prefeitura da cidade californiana em 27/10/16 da semana passada. (biodieselbr)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Geração de energia através de resíduos energéticos

Transformação de resíduos energéticos para gerar energia 2016.
Resíduos Sólidos
O Brasil produz 195 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos (lixo) por dia. Deste total, uma média de 27 mil toneladas são recolhidas diariamente das residências do Estado de São Paulo. Embora o excesso de lixo seja um problema, seu manejo, se devidamente administrado, pode se transformar em solução. O gerenciamento integrado de resíduos sólidos urbanos pode conservar e gerar energia.
O Estado de São Paulo possui atualmente potência instalada de 70 MW a partir de biogás de aterros sanitários. Caso fosse totalmente aproveitado, estima-se que o potencial de geração de energia de todo o lixo seria suficiente para abastecer em 30% a demanda de energia elétrica atual do Brasil. (energia)

Turbinas reaproveitam resíduos energéticos para gerar eletricidade


Turbinas reaproveitam resíduos energéticos para gerar eletricidade de forma limpa

Turbinas reutilizam energias desperdiçadas – Empresa incubada na UFRGS desenvolve turbinas que reaproveitam resíduos energéticos em grandes instalações para gerar eletricidade de forma limpa.

Turbina Redutora de Pressão já está em pleno funcionamento nas instalações da PepsiCo.
Dentre as tantas formas já testadas e desenvolvidas para promover a eficiência energética e a produção limpa de energia, o reaproveitamento de forças desperdiçadas é uma das menos comentadas. Porém, como comprova a startup Prosumir, incubada na UFRGS, esse método pode ser uma das alternativas mais simples e rentáveis. Basicamente reutilizando uma parcela de energia térmica que seria dissipada nas tubulações de grandes instalações, as mini turbinas nas quais decidiu investir Julio Vieira, idealizador da empresa, convertem esses “resíduos” em energia elétrica.
Segundo ele, mais de R$ 10 bilhões são perdidos anualmente no Brasil com o não aproveitamento dessas fontes energéticas. São tantos os pequenos focos de desperdício sendo ignorados rotineiramente que a exploração correta de uma grande porcentagem deles poderia economizar gastos de energia consideráveis. Conta que, num futuro ideal, se todos esses pontos fossem aproveitados, apenas a eletricidade produzida por eles poderia sustentar todo o consumo do Rio Grande do Sul. Mas as empresas preferem se concentrar em explorar fontes maiores, diz, que rendam mais de uma só vez, do que em pequenas partes que, juntas, podem gerar o mesmo rendimento, se não um maior.
Formado em Tecnologia Mecânica pela Fatec (Sorocaba, São Paulo) e em Engenharia Mecânica pela UFRGS, o empreendedor teve contato com a tecnologia de turbinas ainda na sua primeira graduação e decidiu se especializar na área. Desde o início dos trabalhos da empresa, em 2014, conquistou alguns prêmios e parcerias importantes para a sua Prosumir, que ainda deve ficar em incubação até o começo de 2018. Hoje a empresa conta com cinco funcionários e, desde o ano passado, com um sócio, André Thomazoni. Com seus primeiros incentivos, desenvolveu dois protótipos iniciais. A ideia é simples, explica: estruturas complexas como hospitais, shoppings ou fábricas normalmente possuem uma caldeira, e o vapor produzido se desloca nas tubulações em alta pressão, até que, ao chegar em determinados pontos, uma válvula comum a reduz. Nessa redução, é desperdiçado calor; o que a Turbina Redutora de Pressão (TRP) – produto da Prosumir – faz, portanto, é um trabalho idêntico ao das válvulas comuns, só que redirecionando a energia térmica, que seria dissipada, para dentro da turbina no aparelho; lá a energia térmica é convertida em energia cinética, então em energia mecânica e, por fim, em energia elétrica.


Julio conta que decidiu investir no ramo quando enxergou um vácuo no mercado das turbinas e de outros aparelhos para reaproveitamento energético. Uma vez que os fabricantes usam o mesmo maquinário para produzir tanto aparatos de grandes proporções quanto os de menor escala, sempre acabam preferindo montar os maiores e, com isso, gerar grandes quantidades de eletricidade em focos notórios de desperdício, como chaminés de fábricas e usinas, por exemplo. Assim, os pequenos focos ficam inexplorados. Hoje a Prosumir tem uma TRP em pleno funcionamento nas instalações da PepsiCo em Porto Alegre (fabricante da Pepsi, Elma Chips, Gatorade, entre outros produtos), com potência de 5 kW. Ele explica que essa turbina, que é o terceiro e definitivo protótipo da empresa, gera até 3.500 kW por mês, o que é suficiente para abastecer, em média, o consumo energético de 14 casas durante esse mesmo período.
Ressalta, entretanto, que o principal problema em toda a área é o pouco investimento. Outros meios que já têm uma melhor recepção e muito tempo de desenvolvimento ainda encontram desafios para conseguir se manter e continuar a aperfeiçoar suas técnicas; dos campos eólicos, passando pela energia solar, até a captação dos movimentos oceânicos. Muitas vezes, a falta de verba estende por anos, e até décadas, o processo entre o desenho de um protótipo até a sua fase de testes. Mas Julio está confiante de que as suas TRPs, já com funcionamento e rendimento comprovados, possam ter um caminho diferente a partir de agora.
A Prosumir já tem um acordo com a Gerdau para a instalação de 600 kW em equipamentos, além disso, ressalta que as turbinas precisam de pouca manutenção, e que esta pode ser feita de modo simples. A maior parte dos custos se refere à compra e à instalação – os preços dos aparelhos variam entre R$ 52 mil, os menores, até mais de R$ 1 milhão, os de grande porte, e produzem apenas energia de forma limpa, sem gastarem nada que não sejam resíduos ou gerarem outros do próprio processo. Essas características, conta Julio, devem garantir a eficiência e a produtividade das TRPs, que são apenas um exemplo do reaproveitamento energético, que ainda pode ser aplicado de outras diversas formas pelo mundo, diminuindo a poluição e os gastos com meios menos rentáveis de produção de energia. O empreendedor, visando aperfeiçoar o seu produto e desenvolver novos protótipos além do seu carro-chefe, agora estuda para o seu doutorado – em Engenharia Mecânica da UFRGS – as Turbinas de Tesla, patenteadas pelo inventor Nikola Tesla no começo do século passado para explorar energia geotérmica, e que funcionam sem pás e por meio da aderência de gases na sua superfície. (ecodebate)

sábado, 12 de novembro de 2016

Redução na emissão de gás estufa desafia política do biodiesel


Redução de emissões de gases do efeito estufa desafia políticas do biodiesel


Redução de emissões de gases do efeito estufa desafia políticas para o biodiesel, aponta Abiove.


Começou na cidade marroquina de Marrakesh, a 22ª conferência climática, a COP-22. O Brasil comparece à reunião com propostas para dar maior visibilidade aos biocombustíveis na redução dos gases do efeito estufa (GEE), na área de transportes. Nesse sentido, o biodiesel tem papel relevante para o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), que estipula metas ousadas para a redução de emissões de GEE.


Em estudo recente das três principais entidades do setor – Abiove, Aprobio e Ubrabio –, intitulado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, entregue ao Ministério de Minas e Energia, o biodiesel contribuirá com 3,31% nos 18% colocados como meta de representatividade de biocombustíveis sustentáveis na Matriz Energética Brasileira, em 2030, horizonte da pretendida NDC.

Para tanto, o Brasil terá de elevar gradualmente a mistura compulsória de biodiesel. O estudo propõe o seguinte cronograma de aumento: B7 em 2016, B10 em 2019, B15 em 2025 e B20 em 2030. Parte significativa dessa evolução já está prevista na Lei 13.263/2016.
Com a doção do B20 em 2030, o Brasil evitará a emissão de aproximadamente 34 milhões de t de CO2 equivalente por ano, o que corresponde a 250 milhões de árvores plantadas anualmente. Além disso, é importante destacar que o biodiesel evitará o adoecimento de milhões de brasileiros por problemas associados à poluição, principalmente nas grandes cidades. Com isso, deixará de sobrecarregar com internações o sistema de saúde, proporcionando menores gastos aos hospitais públicos.
A demanda total de energia, no Brasil, em 2030, está estimada em 424 milhões de toneladas equivalentes de petróleo. De acordo com o estudo, o biodiesel poderá aumentar a sua participação na Matriz Energética Brasileira para, pelo menos, 3,31%. A produção de biodiesel deverá alcançar 18 bilhões de litros em 2030. Considerando que o consumo de diesel B (mistura do diesel A com biodiesel no teor estabelecido pela legislação vigente) chegue a 90 bilhões de litros naquele ano, tal volume será equivalente à mistura B20.
O volume de 18 bilhões de litros de biodiesel, em 2030, poderá ser produzido com as matérias-primas nacionais em uma proporção estimada de óleo de soja (77%), sebo bovino (8%), óleo de palma (8%) e outras (7%). Para tanto, serão demandadas 12,2 milhões de t de óleo de soja para o biodiesel, 1,3 milhão de t de sebo bovino e 1,3 milhão de t de óleo de palma.
Complexo soja – O estudo projeta a produção de soja, em 2030, em 165 milhões de t, em uma área de 44,6 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3,7 t por hectare. Considerando a meta de 65% de processamento interno da safra 2030, o Brasil produzirá 84,7 milhões de t de farelo e 19,9 milhões de t de óleo de soja.
O biodiesel absorverá cerca de 62% do óleo de soja naquele ano. O crescimento da demanda de biodiesel está atrelado à ampliação do parque fabril. A capacidade instalada, atualmente, de 7,3 bilhões de l/ano, deverá ser ampliada para comportar a demanda dos 18 bilhões de l em 2030. No período de 2019 a 2030, serão necessárias 48 novas unidades de processamento de soja e 59 usinas de biodiesel com capacidade média de produção de 4 mil t/dia e 700 m³/dia, respectivamente.
Investimentos - Uma das conclusões do estudo é que para a concretização desse cenário serão necessários investimentos de R$ 21,7 bilhões, não sendo considerados investimentos em novas unidades de processamento das outras oleaginosas. Para que isso ocorra é necessária a solução de graves problemas tributários e logísticos que prejudicam a agregação de valor no Brasil.
Adoção de medidas – O cenário para 2030 exigirá, principalmente, 11 ações do setor público, entre elas:
- adequar a política tributária nacional ao sistema tributário vigente nos principais países competidores do Brasil, isto é, estabelecer isonomia tributária nas exportações do complexo soja, o que requer mudanças sobretudo no ICMS, PIS-Pasep, Cofins e Funrural;
- conquistar maior participação no mercado internacional a partir da redução na escalada tarifária nos países importadores e a celebração de acordos para aumento da venda de produtos da soja, especialmente com a China, onde podem ser negociadas cotas mínimas. (noticiasagricolas).