quarta-feira, 20 de junho de 2018

BNDES muda regra e pessoas físicas investirão em sistemas de aquecimento solar

BNDES muda regra e pessoas físicas podem investir em sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração.
Fundo Clima permite financiar 80% dos itens apoiáveis ao custo final de 4,03% ao ano para pessoas físicas e jurídicas com renda até R$ 90 milhões
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou mudanças no Programa Fundo Clima. A partir de agora, no subprograma Máquinas e Equipamentos Eficientes, pessoas físicas terão acesso a financiamentos para a instalação de sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração (placas fotovoltaicas, aerogeradores, geradores a biogás e equipamentos necessários).
Trata-se de mais uma ação do BNDES para incentivar o cidadão brasileiro a investir em sustentabilidade e economia de energia. Os recursos poderão ser contratados em operações indiretas somente por meio de bancos públicos.

Economia – A implantação de sistemas de geração de energia solar permitirá aos consumidores reduzirem gastos com a conta de luz, já que passarão a comprar menos energia da concessionária e poderão, dependendo de sua região, fazer até uma conta corrente de energia vendendo o excedente para a distribuidora. Além disso, a geração distribuída traz um benefício para o sistema elétrico, já que conta com vários pontos de geração espalhados por residências e comércio, reduzindo o risco de interrupção do fornecimento de energia.
Condições – Os limites do Fundo Clima alcançam 80% dos itens financiáveis, podendo chegar a R$ 30 milhões a cada 12 meses por beneficiário. Tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas (empresas, prefeituras, governos estaduais e produtores rurais), o custo financeiro do Fundo Clima é reduzido: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 0,9% ao ano. Para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 1,4% ao ano.
A remuneração dos agentes financeiros é limitada até 3% ao ano. Uma vez aplicada a remuneração máxima definida pelos bancos públicos, as taxas finais passam a ser as seguintes: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo final é de 4,03% ao ano; para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo final é de 4,55% ao ano. O programa permite carência de 3 a 24 meses, com prazo máximo de 144 meses. A vigência para adesão vai até 28 de dezembro de 2018.
Fundo – O Fundo Clima é destinado a projetos de Mobilidade Urbana, Cidades Sustentáveis, Resíduos Sólidos, Energias Renováveis, Máquinas e Equipamentos Eficientes e outras iniciativas inovadoras. O objetivo é financiar produções e aquisições com altos índices de eficiência energética ou que contribuam para redução de emissão de gases de efeito estufa.
Itens financiáveis – Podem ser financiados os seguintes itens, desde que novos e nacionais, cadastrados e habilitados para o subprograma no Credenciamento de Fornecedores Informatizados – CFI do BNDES: máquinas e equipamentos cadastrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) ou com o selo Procel (considerando os itens para os quais o PBE fornece a certificação de eficiência energética, serão aceitos apenas os de classificação A ou B); sistemas geradores fotovoltaicos, aerogeradores até 100kw, motores movidos a biogás, inversores ou conversores de frequência e coletores/aquecedores solares; ônibus e caminhões elétricos, híbridos e outros modelos com tração elétrica; e ônibus movidos a etanol. (ecodebate)

Rio ganha 2º maior sistema de painéis solares do Estado

Rio ganha segundo maior sistema de painéis solares do Estado.
Rio ganha sua segunda maior usina de painéis solares.
O Rio de Janeiro acaba de ganhar sua segunda maior usina de painéis solares em geração de energia do estado. Com sede no Porto Maravilha, a L’Oréal Brasil anunciou que instalou o novo sistema em seu Centro de Pesquisa & Inovação, na Ilha do Fundão. A usina tem capacidade para 390 kWp, ficando atrás apenas do sistema do AquaRio, localizado no Porto.
O painel solar é um grande projeto de inovação sustentável para o Rio de Janeiro. Escolhemos a energia solar porque é abundante no Brasil e é a que gera menor impacto ao meio ambiente. A produção não gera emissão de carbono e nem resíduos em sua operação”, destacou Gerald Vincent, diretor de Propriedades e EHS da L’Oréal Brasil.
Com 2.400 m2 de extensão, os painéis solares têm um impacto equivalente a 26 mil árvores plantadas e evitará a emissão de mais de mil toneladas de CO2 na atmosfera no período de 25 anos, tempo de vida útil das placas. O novo sistema gerará 40 mil kWh por mês, o que representa o consumo mensal de aproximadamente 270 casas, e será responsável por 20% de toda a energia utilizada no campus, inaugurado em 2017.
O projeto teve uma viabilidade de execução rápida, já que foram necessários apenas 26 dias de trabalho para instalação das 1200 placas solares. O funcionamento, segundo Gerald Vincent, também é simples: “O sol irradia os painéis, as placas absorvem a irradiação solar e geram uma corrente. Por último, essa corrente é transformada em energia elétrica de corrente alternada que abastece diretamente o sistema de ar condicionado do prédio”.
Até então, a distribuição de energia no Centro de Pesquisa era feita 100% pela companhia energética municipal. O planejamento é que até o fim de 2018, os 80% restantes de consumo sejam derivados de energia renovável por meio de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH). Nas demais unidades, a previsão também é que 100% da eletricidade seja renovável até o fim deste ano.
Em 2017, a companhia alcançou 100% de eletricidade verde – energia produzida a partir de recursos renováveis – nas fábricas e centros de distribuições e espera-se evitar, nestas unidades, a emissão indireta de pelo menos 2 mil toneladas de CO2 em 2018.
Outros projetos sustentáveis
Além do novo sistema de painéis solares, o Centro de Pesquisa & Inovação já se destaca por outras iniciativas sustentáveis. Em 2017, a unidade recebeu o prêmio internacional Green Solution Awards, durante a Conferência Mundial do Clima (COP 23), pelo projeto Jardim Filtrante – um sistema que trata águas pluviais e os efluentes industriais e sanitários de forma natural e reutiliza os líquidos para irrigação e reuso nos banheiros.
O prédio também foi projetado de acordo com os requisitos da certificação internacional LEED Gold, tem iluminação majoritariamente LED e a fachada de vidro permite maior utilização de luz natural. Por último, toda a produção nos laboratórios tem zero envio de resíduos para Aterro Sanitário. “Com todas as iniciativas, a L’Oréal Brasil reforça o seu compromisso com o Rio de Janeiro por meio de infraestrutura e projetos sociais que impactam a cidade”, finaliza Jean-Philippe Wavelet.
São Paulo deverá ganhar sistema até meados de 2019
A empresa informou que esta é sua primeira unidade no país a usar o sistema solar como fonte de energia. A meta é instalar um sistema de painéis solares de dimensões maiores na fábrica de São Paulo, até meados de 2019. Ainda de acordo com a empresa, o investimento em geração própria de energia faz parte do compromisso de sustentabilidade do Grupo, Sharing Beauty With All, que busca transformar a cadeia de valor em busca de um impacto positivo. O programa tem dois focos principais: Mudanças Climáticas e Protagonismo Social.
O programa de sustentabilidade estabeleceu metas ambiciosas para reduzir a pegada ambiental e está transformando os modelos de geração de energia ao redor do mundo. No Brasil, a L’Oréal já reduziu em 71% as emissões de CO2 em seu processo produtivo, através de iniciativas como o uso de etanol nas caldeiras das fábricas e 100% de eletricidade verde. “A meta é tornar a L´Oréal Brasil uma operação carbono neutro até 2020. O uso da energia eólica solar vem para acelerar esse objetivo”, afirma. (diariodoporto)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Acende Brasil alerta para imprevisibilidade setor elétrico brasileiro

Sem MP 814, grau de imprevisibilidade do setor elétrico aumenta, diz instituto.
A perda de validade da Medida Provisória 814 aumentou o grau de imprevisibilidade do setor elétrico, uma área que precisa de investimentos de longo prazo e capital intensivo, alertou o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales.
Para ele, foi mais um episódio que agrava o grau de preocupação com a evolução do setor.
“A MP 814 raramente teria um reconhecimento unânime, mas endereçava questões essenciais para tirar o setor da situação de risco que se encontra”, afirmou Sales no 15º Enase, citando a privatização das distribuidoras entre as medidas que seriam tomadas se a MP fosse aprovada.
O Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase) é o principal evento do segmento no Brasil.
“Agora ficou imprevisível, a venda das distribuidoras já é um impacto concreto da decisão de não votar a MP, não sabemos o que vai acontecer”, afirmou Sales.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciou que não iria colocar a MP 814 em votação, o que fez as ações da Eletrobras caírem no pregão desta quarta-feira na B3. (istoe)

FAPESP e Shell lançam Centro de Inovação em Novas Energias

A FAPESP, a Shell Brasil, as universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), lançou em 23/05/18, em um evento na sede da Fundação, o Centro de Inovação em Novas Energias (CINE).
O centro receberá investimento de R$ 110 milhões em cinco anos, no âmbito do Programa FAPESP Centros de Pesquisa em Engenharia, para desenvolver novos dispositivos de armazenamento de energia com emissão zero (ou próximo de zero) de gases de efeito estufa e que utilizem como combustível de fontes renováveis, além de novas rotas tecnológicas para converter metano em produtos químicos, entre outros objetivos.

A Shell aportará um total de até R$ 34,7 milhões no novo centro, enquanto a FAPESP reservou um investimento de R$ 23,14 milhões. Outra parcela, de R$ 53 milhões, virá da Unicamp, USP e IPEN como contrapartida econômica, na forma de salários de pesquisadores e de pessoal de apoio, infraestrutura e instalações.
Com participação de pesquisadores da USP, Unicamp e IPEN, centro desenvolverá dispositivos de armazenamento de energia com emissão próxima de zero de gases de efeito estufa e que utilizam como combustível de fontes renováveis.

“Estou muito contente em participar desse evento de lançamento do Centro de Inovação em Novas Energias porque ele abre novas fronteiras e combina as necessidades da FAPESP e da Shell em apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico com o virtuosismo de cientistas, que querem expandir as fronteiras do conhecimento”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP.
“Fiquei muito satisfeito ao olhar as áreas de pesquisa que serão apoiadas no âmbito desse novo Centro nas quais tenho interesse pessoal”, afirmou Goldemberg, que é reconhecido como um dos maiores especialistas mundiais em energia.

O CINE terá quatro divisões de pesquisa, com sedes na Unicamp (Armazenamento Avançado de Energia e Portadores Densos de Energia), na USP (Ciência de Materiais e Químicas Computacionais) e no IPEN (Rota Sustentável para a Conversão de Metano com Tecnologias Químicas Avançadas), e que desenvolverão, ao todo, 20 projetos.
A missão do centro será produzir conhecimento na fronteira da pesquisa e, paralelamente, transferir tecnologia para o setor empresarial. As pesquisas poderão gerar resultados que serão usados pela Shell para gerar startups ou firmar parcerias com outras empresas.

“Uma das coisas que diferencia esse novo centro é que os pesquisadores ligados a ele não pretendem fazer avanços incrementais, mas realizar pesquisas avançadas que possam ter impacto no mundo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.
“Tem sido um prazer trabalhar na criação do CINE com a Shell, uma companhia que tem cientistas e entende a importância de se fazer boa ciência”, disse.
A FAPESP apoia Centros de Pesquisa em Engenharia em parceria com as empresas GSK, com sedes na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e no Instituto Butantan; outro com a Shell, instalado na Escola Politécnica da USP; com a Peugeot Citroën, na Unicamp; e mais um com a Natura, na USP.
Estão em vias de serem constituídos outros centros em parceria com: Embrapa, em mudanças climáticas; Statoil, em gerenciamento de reservatórios e produção de petróleo e gás; Usina São Martinho, em medidas sustentáveis para o controle de doenças que afetam a cana-de-açúcar; Koppert, em tema controle biológico de pragas.
Transição energética
O Centro de Inovação em Novas Energias foi composto a partir de uma chamada de propostas lançada pela FAPESP em parceria com a Shell em abril de 2017.
A seleção, concluída no início de 2018, aprovou as propostas dos pesquisadores Rubens Maciel Filho, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, Ana Flávia Nogueira, do Instituto de Química da Unicamp, Fábio Coral Fonseca, do Ipen, e Juarez Lopes Ferreira da Silva, do Instituto de Química de São Carlos, da USP.
O acordo de cooperação entre a FAPESP e a Shell foi assinado em 2013. A parceria resultou, em 2015, na criação do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI, na sigla em inglês), sediado na Escola Politécnica da USP.
“Para mim, especificamente, este evento de lançamento do Centro de Inovação em Novas Energias faz parte de uma fantástica jornada, iniciada exatamente em maio do ano passado [quando a FAPESP e a Shell lançaram uma chamada para criação do novo Centro]”, disse André Araújo, presidente da Shell Brasil.
“Como organização, temos falado muito nos últimos anos sobre transição energética e vemos que este momento está chegando e deve se tornar realidade em breve”, disse.
Joep Huijsmans, líder da divisão de pesquisa e tecnologia de novas energias da Shell, falou sobre a demanda global de energia.
De acordo com projeções apresentadas por Joep Huijsmans, líder da divisão de pesquisa e tecnologia de novas energias da Shell, estima-se que, em 2050, a população mundial será composta por, aproximadamente, 10 bilhões de pessoas, das quais 50% deverão morar em cidades.
A demanda global de energia provavelmente será quase 60% maior em 2060 do que hoje, com 2 bilhões de veículos em circulação no mundo, contra a frota atual de 800 milhões.
“A produção de energia renovável poderá triplicar até 2050, mas ainda precisaremos de grandes quantidades de petróleo e gás para fornecer toda a gama de produtos energéticos de que o mundo precisa”, estimou Huijsmans.
Maciel Filho, coordenador de transferência tecnológica do Centro, também destacou que, em 2050, estima-se que a demanda por energia elétrica passe dos atuais 18% para 50%. “O futuro sustentável demandará mais energia renovável, afim de diminuir as emissões de gases de efeito estufa”, avaliou.
Também participou da abertura do evento Jane Zheng, gerente-geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Shell no Brasil.
Jane Zheng, José Goldemberg, André Araújo e Carlos Henrique de Brito Cruz no anúncio do Centro de Inovação em Novas Energias. (neomondo)

sábado, 16 de junho de 2018

Renováveis ganham força no setor elétrico global

178 GW renováveis foram implantados em 2017.
As fontes renováveis de energia contribuíram com 70% do crescimento líquido de capacidade de geração de eletricidade em todo o mundo em 2017. O maior aumento de capacidade de produção renovável de energia da história moderna, segundo o Renewables 2018 Global Status Report, da REN21. No entanto, os setores de condicionamento ambiental (calefação e refrigeração de ambientes) e de transportes, que em conjunto representam quatro quintos da demanda final de energia global, continuam a apresentar importante atraso em relação ao setor elétrico.
O aumento de capacidade solar de geração de eletricidade foi de 29% em relação a 2016, totalizando 98 GW. A capacidade solar cresceu mais do que a movida a carvão, a gás natural e a nuclear juntas. A energia eólica também contribuiu para o aumento das fontes renováveis com 52 GW.
O investimento em geração renovável de eletricidade, em 2017, foi mais do que o dobro do investimento somado em geração via combustíveis fósseis e energia nuclear, apesar dos contínuos e elevados subsídios dados à eletricidade gerada por combustíveis fosseis. Mais de dois terços do investimento em produção de energia foi feito em renováveis, graças ao aumento de competitividade – e a expectativa é que a fração renovável no setor elétrico continue a aumentar.
Embora a China e os EUA tenham sido responsáveis por aproximadamente 75% do investimento global em renováveis em 2017, quando se compara os investimentos das nações em relação ao seu PIB, percebe-se que as Ilhas Marshall, Ruanda, Ilhas Salomão, Guiné-Bissau e outros países em desenvolvimento investiram tanto ou mais em renováveis do que os países desenvolvidos e as economias emergentes.
Tanto a demanda de energia quanto as emissões de CO2 relacionadas aumentaram substancialmente pela primeira vez em quatro anos. As emissões de CO2 relacionadas com a energia aumentaram 1,4%. Em nível global, a demanda de energia aumentou cerca de 2,1% em 2017, devido ao crescimento econômico de grandes economias emergentes e ao aumento da população. O aumento das fontes renováveis de energia não está conseguindo acompanhar o aumento da procura de energia e o contínuo investimento em produção fóssil e nuclear.
No setor energético, a transição para as renováveis está acontecendo, mas a um ritmo mais lento do que seria possível ou desejável. Os compromissos assumidos em 2015 junto ao Acordo de Paris para a limitação do aquecimento global “bem abaixo” dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais tornam mais clara a natureza deste desafio. E, se o mundo quiser atingir as metas previstas no Acordo de Paris, o aquecimento, a refrigeração e os transportes terão que percorrer caminho semelhante ao do setor elétrico – e mais rapidamente.
O aumento do uso de fontes renováveis no aquecimento e no arrefecimento tem sido pequeno. A energia renovável moderna (solar e eólica) forneceu aproximadamente 10% do total global de produção de calor em 2015. Somente 48 países têm metas nacionais para a energia renovável no aquecimento e no arrefecimento, enquanto 146 países têm metas para energias renováveis no setor elétrico.
Pequenas mudanças estão a caminho. Na Índia, por exemplo, as instalações de coletores solares térmicos aumentaram aproximadamente 25% em 2017 em relação a 2016. A China tem por objetivo que 2% da carga de arrefecimento dos seus edifícios seja proveniente de energia solar térmica em 2020.
Nos transportes, o aumento da eletrificação está oferecendo oportunidades para o aumento das fontes renováveis, apesar da predominância dos combustíveis fósseis: mais de 30 milhões de veículos elétricos de duas e três rodas têm sido colocados nas estradas por todo o mundo a cada ano e 1,2 milhões de automóveis elétricos de passageiros foram vendidos em 2017, um crescimento de 58% em relação a 2016. A eletricidade fornece 1,3% das necessidades energéticas para os transportes, das quais cerca de um quarto são solares e eólicas e 2,9% biocombustíveis. De uma forma geral, 92% da demanda de energia nos transportes, continua a ser satisfeita por petróleo, e apenas 42 países têm metas nacionais para o uso de renováveis nos transportes.
Uma mudança nestes setores ainda depende da criação de metas nacionais, de políticas públicas de incentivo à inovação e ao desenvolvimento de novas tecnologias renováveis que estão em falta nestes setores. “Comparar ‘eletricidade’ com ‘energia’ está levando à complacência”, diz Rana Adib, Secretária Executiva da REN21. “Podemos estar no caminho para um futuro com 100% de renováveis no setor elétrico, mas no que diz respeito ao aquecimento, ao arrefecimento e aos transportes, estamos à deriva como se tivéssemos todo o tempo do mundo, e não temos”.
Arthouros Zervos, Presidente da REN21, acrescenta que “para que a transição energética aconteça é necessária liderança política dos governos, acabando, por exemplo, com os subsídios para os combustíveis fósseis e para a geração nuclear, investindo nas infraestruturas necessárias e estabelecendo metas e políticas ambiciosas para o aquecimento, o arrefecimento e os transportes. Sem esta liderança, será difícil o mundo atingir os compromissos climáticos ou de desenvolvimento sustentável”.

INVESTIMENTOS DO BRASIL
O investimento total do Brasil em energia foi de US$ 6 bilhões, um aumento de 8% em relação a 2016, mas ficou muito abaixo do pico de US$ 11,5 bilhões de 2008, quando o boom global de biocombustíveis ainda estava em pleno andamento.  A maior parte do investimento do Brasil em 2017 foi em energia eólica, US$ 3,6 bilhões (queda de 18% em relação a 2016) e em energia solar, que subiu 204%, para US $ 1 bilhão.
Após uma pausa de dois anos, e após o cancelamento de licenças de construção de 0,3 GW de leilões anteriores (a pedido dos desenvolvedores), o Brasil retomou os leilões no final de 2017. Na ausência de leilões, contratos privados com preços competitivos ajudaram o crescimento das instalações. O Brasil continuou a figurar entre os 10 maiores do mundo, com cerca de 2 GW comissionados em 2017, e uma capacidade total instalada de 12,8 GW ao final de 2017. A energia eólica foi responsável por 7,4% da geração de eletricidade do Brasil em 2017 (e por 5,9% em 2016).
Em energia fotovoltaica, o Brasil se tornou o segundo país da América do Sul (depois do Chile) a chegar a 1 GW de capacidade instalada, quase toda ela adicionada em 2017 (0,9 GW) sob o total de 1,1 GW. Com isso, o Brasil subiu para a décima posição global em termos de capacidade agregada em 2017, embora o país tenha representado apenas 1% das adições globais.
O Brasil continua sendo o maior produtor de energia hidrelétrica na América do Sul e ficou em segundo lugar em novas instalações em todo o mundo em 2017. Aproximadamente 3,4 GW foram adicionados e o total geral em fins de 2017 foi de 100,3 GW.
Em 2017, a produção global de biocombustíveis cresceu cerca de 2% em relação a 2016, atingindo 143 bilhões de litros. Os EUA e o Brasil continuaram sendo, de longe, os maiores produtores de biocombustíveis. Na produção de etanol, representam juntos, 84% da produção global de 2017. A produção de etanol no Brasil ficou estável em 2017 em 28,5 bilhões de litros, apesar dos altos preços mundiais do açúcar favorece a produção de açúcar. O combustível foi usado principalmente no Brasil, mas uma parte foi exportada, por exemplo, para os EUA. (canalenergia)