Uma estimativa do
recém-batizado Laboratório Nacional das Montanhas Rochosas (antigo Laboratório
Nacional de Energia Renovável) indica que, até o final da década, painéis
solares desativados poderão cobrir o equivalente a aproximadamente 3.000 campos
de futebol americano. A reciclagem de energia solar pode ser uma solução, mas
se a infraestrutura do país estará preparada para um influxo tão rápido é outra
questão.
“Os EUA têm aproximadamente 400 milhões de módulos solares instalados atualmente, e esse número crescerá para vários bilhões até meados do século”, disse André Pujadas, CEO da empresa de reciclagem de energia solar OnePlanet, à pv magazine USA. Ele explicou que, com um ponto de inflexão crucial se aproximando nos próximos anos, o país precisa de mais capacidade de reciclagem o mais rápido possível. “Os prazos de desenvolvimento de instalações variam de 3 a 5 anos, do planejamento ao comissionamento… [pois] construir infraestrutura de reciclagem em escala industrial é complexo, exige muito capital e requer conhecimento especializado que poucas organizações possuem”.
Este robô pode dobrar a velocidade de construção de usinas de energia solar
É por isso que ele está
pressionando a OnePlanet para que coloque em operação sua principal unidade de
reciclagem, a River City, em Green Cove Springs, Flórida, até o início de 2027.
Isso ocorre apenas dois anos depois de a empresa ter recebido quase US$ 15
milhões do crédito tributário 48C em janeiro passado. Embora a empresa tenha
observado que a usina terá uma capacidade inicial de processamento de cerca de
dois milhões de painéis por ano, a River City poderá processar até seis milhões
anualmente.
Um elemento fundamental da
estratégia de expansão? A automação.
Pujadas destacou que os
processos de desmontagem de painéis e triagem de materiais atualmente em uso
são lentos e exigem muita mão de obra, podendo criar riscos de segurança
desnecessários. Somado aos custos de mão de obra integral, que variam de US$ 15
a US$ 25 por hora, depender exclusivamente de mão de obra humana torna-se
insustentável em larga escala.
Em vez disso, a River City adotará uma abordagem diferente e utilizará robótica guiada por visão, que usa sensores, câmeras e software de processamento de imagem para dar “olhos” a um robô. Os sistemas cuidarão da separação, transporte e processamento; parâmetros otimizados por IA adaptarão processos específicos em tempo real, dependendo das características de um painel.
Robô movido a energia solar com IA criado pela Solinftec pode auxiliar em uma variedade de plantações.
Empresa brasileira cria robô
movido a energia solar com inteligência artificial para auxiliar na agricultura
em larga escala
“A mão de obra se concentrará
na operação, manutenção e controle de qualidade do sistema, e não na triagem
manual”, disse Pujadas, observando que isso reduz significativamente o custo de
mão de obra por painel em comparação com a maioria das operações atuais e
melhora drasticamente a produtividade. Ele observou que a indústria siderúrgica
provou que a fabricação baseada em sucata pode igualar ou superar a produção de
matéria-prima virgem economicamente, o que é o objetivo da OnePlanet. A
tecnologia de processo aprimorada também deve ajudar a empresa a recuperar
maiores quantidades de materiais valiosos (como silício, cobre, prata e
alumínio) com maior pureza.
“Estamos essencialmente
criando uma mina nacional a partir de ativos solares desativados”, explicou
ele, o que reduz a dependência de mercados internacionais voláteis e cadeias de
suprimentos politicamente instáveis. Essa é uma estratégia fundamental para
construir a independência energética nacional, destacou.
A China produz aproximadamente 80% do polissilício mundial, um ingrediente fundamental na fabricação de painéis fotovoltaicos. Os EUA possuem painéis em fim de vida útil que contêm quantidades substanciais de polissilício, portanto, na visão de Pujadas, a oportunidade é clara: aproveitar esse valor intrínseco em vez de descartá-lo em aterros sanitários.
Sem mão de obra, robôs instalam painéis solares
“A reciclagem cria resiliência
na cadeia de suprimentos e estabilidade de preços de maneiras que a dependência
pura das importações jamais conseguiria”, acrescentou. “[Ela é] complementar
hoje, cada vez mais substancial amanhã e potencialmente transformadora nas
próximas décadas, à medida que a capacidade instalada aumenta”.
(magazine-brasil)






































