quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Mundo supera 3 TW de capacidade solar

O mundo alcançou a marca histórica de 3 terawatts (TW) de capacidade instalada total de energia solar, consolidando a fonte fotovoltaica como um dos pilares centrais da transição energética global. O marco reflete uma aceleração sem precedentes no ritmo de adoção da tecnologia nos últimos anos.

A Velocidade da Expansão

O crescimento da energia solar superou todas as projeções históricas, reduzindo drasticamente o tempo necessário para atingir novos patamares:

• Primeiro Terawatt: A humanidade levou cerca de uma década para sair dos 100 GW (em 2012) e alcançar o primeiro 1 TW.

• Segundo Terawatt: Adicionado em menos de 3 anos após o primeiro marco.

• Terceiro Terawatt: Atingido em menos de 2 anos após o segundo benchmark.

Liderança e Mudança geográfica

• Protagonismo da China: Enquanto os países desenvolvidos impulsionaram o primeiro terawatts, a China tornou-se o principal motor do segundo e do terceiro terawatts, combinando forte instalação interna com produção de equipamentos em larga escala.

• Mercados Emergentes: Países como Paquistão, Nigéria e Filipinas começaram a registar um forte crescimento em sistemas de telhado. Em 2025, o número de nações com pelo menos 1 GW instalado subiu para 74 (contra 42 em 2020).

• Projeção Futura: Relatórios da Bloomberg NEF (BNEF) apontam que o mundo deve ultrapassar os 9 TW de capacidade solar até 2036, com os países em desenvolvimento detendo mais de um quarto desse total.

O Novo Desafio: Armazenamento e Rede

Com o volume massivo de geração solar atingido, o foco do setor global está mudando da fabricação e instalação de painéis para os desafios de infraestrutura:

• Integração: Dificuldades de absorção pelas redes elétricas tradicionais nos períodos de pico de produção diurna.

• Armazenamento: Crescente necessidade de baterias de íons de lítio para guardar o excedente de energia e utilizá-lo durante a noite.

Capacidade fotovoltaica global levou 10 anos para atingir 1 TW, menos de 3 anos para adicionar o segundo terawatts e menos de 2 para chegar a 3 TW; Bloomberg NEF prevê mais de 9 TW até 2036.

O mundo ultrapassou 3 TW de capacidade solar instalada em 2026, em mais um marco da rápida expansão da energia fotovoltaica. Segundo a Bloomberg, o planeta levou cerca de dez anos para passar da marca de 100 GW, alcançada em 2012, para 1 TW. O segundo terawatts foi adicionado em menos de 3 anos e, menos de 2 anos depois, o mundo atingiu 3 TW. A data exata do terceiro marco, contudo, varia conforme a metodologia e a base de dados utilizada pelos analistas.

A velocidade da expansão deve continuar nos próximos anos. A Bloomberg NEF (BNEF) projeta que a capacidade solar mundial ultrapassará 9 TW até 2036, fazendo com que o marco recém-alcançado pareça relativamente pequeno diante do crescimento esperado para a próxima década.

China mantém o protagonismo

A geografia da expansão solar também mudou ao longo desse processo. De acordo com a Bloomberg, o 1º terawatts foi construído principalmente por países desenvolvidos, que utilizaram políticas de incentivo para acelerar a adoção da tecnologia.

A partir do segundo e do terceiro terawatts, porém, a China passou a ser o principal motor da expansão global. O país combinou forte crescimento da capacidade instalada com a produção em larga escala de equipamentos, contribuindo para a redução dos custos da tecnologia e para sua disseminação em outros mercados.

Ao mesmo tempo, a expansão começa a se espalhar para países que até poucos anos atrás tinham participação pequena no mercado solar. Paquistão, Nigéria e Filipinas registraram forte crescimento, principalmente em sistemas instalados em telhados. Mercados menores, como Cuba e Líbano, também apresentaram rápida expansão.

Esse movimento ampliou o número de países com mercados solares relevantes. Segundo a BNEF, 74 países tinham pelo menos 1 GW de capacidade solar instalada em 2025, contra 42 em 2020.

Expansão ainda concentrada

Apesar da maior disseminação da tecnologia, a expansão continua concentrada. A participação dos países mais pobres nas novas instalações solares ficou praticamente estagnada desde 2020, enquanto a China se consolidou como o principal vetor do crescimento.

A BNEF espera, porém, uma mudança desse quadro nos próximos anos. A projeção é que a participação dos países em desenvolvimento nas novas instalações volte a crescer a partir de 2026. Até 2036, mais de um quarto da capacidade solar instalada deverá estar em países em desenvolvimento, enquanto a participação dos países ricos deverá cair para cerca de 20%.

Rede e armazenamento entram no centro da discussão

O avanço da capacidade instalada também começa a criar novos desafios para os sistemas elétricos. Na China, a expansão da geração solar ocorreu mais rapidamente do que a implantação da infraestrutura necessária para transmitir e armazenar essa eletricidade.

Como consequência, o país enfrenta aumento do curtailment, com parte da geração solar sendo reduzida durante períodos de elevada produção. A expectativa é de desaceleração das novas instalações chinesas à medida que o país passe a priorizar a capacidade de consumir e integrar as renováveis, e não apenas a expansão da geração.

Nesse cenário, o armazenamento passa a desempenhar papel cada vez mais importante. As baterias de íons de lítio podem absorver o excedente de geração durante as horas de maior produção solar e disponibilizar a energia posteriormente, principalmente no período noturno.

Para a BloombergNEF, a capacidade de armazenar energia será determinante para a próxima fase da expansão fotovoltaica. Sem armazenamento suficiente, a capacidade adicional de solar terá dificuldade para ser plenamente aproveitada.

O marco de 3 TW mostra que a solar já deixou de ser uma tecnologia de nicho e passou a ocupar uma posição central na expansão da capacidade elétrica mundial. O desafio da próxima etapa, entretanto, será diferente.

Com a rápida expansão da geração fotovoltaica, transmissão, armazenamento e flexibilidade da demanda passam a ser tão importantes quanto a própria instalação de novos módulos. A capacidade de utilizar a energia produzida no momento e no local adequados será determinante para transformar o crescimento da capacidade instalada em geração efetivamente aproveitada. (pv-magazine-brasil)

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