segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Brasil gerará energia limpa na Antártica

Brasil vai gerar energia elétrica limpa na Antártica
Um acordo de cooperação tecnológico-científica assinado pela Marinha do Brasil, Petrobras e a Vale Soluções em Energia (VSE) prevê a produção de energia elétrica limpa a partir de motogeradores a etanol na Antártica.
A iniciativa faz do Brasil um país pioneiro na geração de energia limpa no continente gelado. Para realizar os testes foi enviado um navio de apoio oceanográfico da Marinha, batizado de Ary Rongel, que partiu em 09/11/11, com previsão de chegada em novembro. O navio vai desembarcar no continente 350 mil litros de etanol e um gerador que usa etanol para produzir energia.
A primeira experiência com o motogerador a etanol será realizada na Estação Antártica Comandante Ferraz, ocupada pela Marinha do Brasil desde 1984.
O motogerador a etanol foi desenvolvido com tecnologia totalmente nacional. A ideia é que motores pesados possam gerar energia limpa, usando etanol sem qualquer aditivo. Esse sistema ainda vai passar por um rigoroso período de avaliação, que visa assegurar que todos os requisitos de segurança estejam adequados às condições climáticas da Antártica.
A Petrobras vai fornecer os 350 mil litros de etanol que serão usados nos testes. Esse período de avaliações validará a eficiência energética de etanol em condições de baixas temperaturas.
O principal objetivo da operação é substituir o diesel mineral, atualmente usado para gerar energia elétrica na base do Brasil na Antártica, por energia limpa, a fim de emitir menos gases poluentes na atmosfera. Para isso, o motogerador vai ter a capacidade de produzir 250 kW, o suficiente para abastecer a estação do Brasil na Antártica. A previsão é de que a experiência na Antártica dure um ano e investimento de 2,5 milhões.
Presença brasileira – A iniciativa celebra os 30 anos da presença brasileira na Antártica. A expectativa dos envolvidos no projeto é celebrar a data com eletricidade vinda do etanol. (fernandopimentel)

Rio Grande do Sul transformará arroz em Etanol

Rio Grande do Sul pode ter usina de transformação de arroz em Etanol
O Rio Grande do Sul pode ter, nos próximos anos, a primeira usina brasileira de grande porte para a transformação de arroz energético para etanol. A informação é do professor da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Hukai. Ele esteve em Porto Alegre (RS), onde palestrou sobre o tema Alimentos, Energia e Meio Ambiente.
Segundo o professor, o projeto ainda está em fase de estudos de viabilidade, pedido pela Agência de Desenvolvimento de São Borja, e deve contar com o apoio do Badesul para a busca de recursos. Hukai lembra que os japoneses já utilizam o arroz para a destilação do álcool na produção de bebidas, como o saquê. Ele defende que o produtor deva ser incentivado a usar variedades específicas para a energia.
– Vamos à direção do arroz energético. Arroz energético não tem nada a ver com o arroz comestível. Eu não estou querendo saber se o arroz é bonitinho. O que eu quero saber é qual a produtividade econômica dele – salienta.
Durante a palestra, Hukai analisou o uso do arroz para a produção de etanol e dos chamados co-produtos, procurando desmistificar o impasse entre produção de alimentos ou produção de biocombustível. A ideia foi discutir formas de como ampliar a utilização dos excedentes de arroz, encontrando alternativas de aproveitamento econômico para as sobras do produtos, que responde por cerca de 2,5% do PIB do Estado. (noticiasagricolas)

Brasil e a energia elétrica na Antártida

Brasil vai gerar energia elétrica com etanol na Antártida
Estação de pesquisas substituirá diesel mineral por etanol hidratado. Projeto tem apoio da Petrobras e da Vale Soluções em Energia
O Brasil será o primeiro país a ter energia elétrica gerada tendo como matéria-prima o etanol no continente antártico. A partir de novembro, a Estação Antártica Comandante Ferraz vai substituir o diesel mineral por etanol hidratado na produção de eletricidade.
A iniciativa conta com investimentos de R$ 2,5 milhões vindos de parceria entre a Petrobras Biocombustível, Vale Soluções em Energia (VSE) e pela Marinha do Brasil.
De acordo com o diretor de etanol da Petrobras Biocombustível, Ricardo Castello Branco, a iniciativa abre a expectativa de criação de um novo campo de uso para o etanol brasileiro na produção de energia elétrica, além de possuir um forte efeito simbólico. "Queremos desenvolver na geração de energia elétrica limpa o mesmo conhecimento e competência que temos na área de etanol combustível", disse Castello Branco.
O executivo explica que, a partir de novembro, será realizado um teste na estação Antártica que deve durar um ano, para que a utilização de etanol sob condições climáticas extremas seja analisada. O teste deve consumir 350 mil litros de etanol hidratado, que serão disponibilizados pela Petrobras, assim como o transporte até a estação. "Desenvolvemos tanques especiais para levar o etanol até lá, construídos sobre trenós para que ele deslize sobre o gelo", explica.
Brasil mantém base de pesquisa na Antártida, como parte do Programa Antártico Brasileiro.
Novo Mercado
Segundo o executivo, a utilização de etanol para geração de eletricidade pode ser um mercado importante no médio prazo. "Veja a necessidade de energia do Japão, por exemplo. Grandes geradores que funcionem a partir de etanol poderiam suprir parte dessa demanda", disse.
Parceira do empreendimento, a Vale Soluções em Energia (VSE), de São José dos Campos (SP) produziu o gerador, com capacidade de 250 quilowatts. Segundo o presidente da VSE, James Pessoa, esse volume de energia é suficiente para abastecer e iluminar toda a estação de pesquisa na Antártica. A VSE é uma parceria entre a Vale (que detém 53% da empresa) e o BNDESPar (dono dos outros 47%), que investe em pesquisa, desenvolvimento e produção de sistemas de geração sustentável.
Pessoa explica que a VSE desenvolveu o gerador que opera com etanol hidratado para geração de energia. "Ao contrário do motor que desenvolvemos para ônibus coletivos que estão sendo testados em São Paulo, o gerador da Antártica não precisa de um aditivo extra e funciona apenas com o etanol hidratado puro", disse.
A VSE também construiu geradores para a Amazonas Energia, da Eletrobras, para produzir energia elétrica na Amazônia de forma mais limpa e reduzir a utilização de diesel na região.
Em 2012, a presença brasileira na Antártica completará 30 anos, e a expectativa é de que toda a eletricidade gerada durante a cerimônia que será realizada venha do etanol. Uma das prioridades do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) é a qualidade ambiental das operações do Brasil na Antártica.
Por meio desse programa, gerenciado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), o Brasil realiza estudos sobre os impactos do aumento da concentração de gases de efeito estufa no planeta, além de pesquisas científicas sobre os fenômenos que ocorrem no continente. (globo)

Etanol

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, o maior exportador mundial, e é considerado o líder internacional em matéria de biocombustíveis e a primeira economia em ter atingido um uso sustentável dos biocombustíveis. Juntamente, o Brasil e os Estados Unidos lideram a produção do etanol, e foram responsáveis em 2008 por quase 90% da produção mundial do etanol combustível. A indústria brasileira de etanol tem 30 anos de história e o país usa como insumo agrícola a cana de açúcar, além disso, por regulamentação do Governo Federal, toda a gasolina comercializada no país é misturada com 25% de etanol, e desde Julho de 2009 circulam no país mais de 8 milhões de veículos, automóveis e veículos comerciais leves, que podem rodar com 100% de etanol ou qualquer outra combinação de etanol e gasolina, e são chamados popularmente de carros "flex".
A queda no uso desse biocombustível, ao longo da década de 1990, deu-se a problemas técnicos nos motores a álcool, incapazes de um bom desempenho nos períodos frios.
Durante a década, com altas inesperadas no preço do petróleo, o álcool seria misturado à gasolina, numa taxa em torno de vinte por cento, como forma de amenizar o preço da gasolina ao consumidor.
O álcool pode ser obtido de diversas formas de biomassa, sendo a cana-de-açúcar a realidade econômica atual. Investimentos portentosos estão sendo efetuados para viabilizar a produção de álcool a partir de celulose, sendo estimado que, em 2020, cerca de 30 bilhões de litros de álcool poderiam ser obtidos desta fonte, apenas nos EUA. O benefício ambiental associado ao uso de álcool é enorme, pois cerca de 2,3 t de CO2 deixam de ser emitidas para cada tonelada de álcool combustível utilizado, sem considerar outras emissões, como o SO2.
A cana-de-açúcar é a segunda maior fonte de energia renovável do Brasil com 12,6% de participação na matriz energética atual, considerando-se o álcool combustível e a cogeração de eletricidade, a partir do bagaço. Dos 6 milhões de hectares, cerca de 85% da cana-de-açúcar produzida no Brasil está na Região Centro-Sul e os 15% restantes na região Norte-Nordeste.
Na safra 2004, das cerca de 380 milhões de toneladas moídas, aproximadamente 48% foram destinadas à produção de álcool. O bagaço remanescente da moagem é queimado nas caldeiras das usinas, tornando-as auto-suficientes em energia e, em muitos casos, superavitárias em energia elétrica que pode ser comercializada. No total foram produzidos 15,2 bilhões de litros de álcool e uma geração de energia elétrica superior a 4 GWh durante a safra, o que representa aproximadamente 3% da nossa geração anual.
Apesar de todo o potencial para a cogeração, a partir do aumento da eficiência energética das usinas, a produção de energia elétrica é apenas uma das alternativas para o uso do bagaço. Também estão em curso pesquisas para transformá-lo em álcool (hidrólise lignocelulósica), em biodiesel, ou mesmo, para o seu melhor aproveitamento pela indústria moveleira e para a fabricação de ração animal.
A indústria automobilística brasileira desenvolveu veículos que funcionan com flexibilidade no tipo de combustível, que são conhecidos na língua inglesa como "full flexible-fuel vehicles" (FFFVs), o simplesmente "flex" no Brasil, pela sua capacidade do motor funcionar com qualquer proporção na mistura de gasolina e álcool. Disponíveis no mercado desde 2003, os veículos flex resultaram um sucesso comercial, e já em Agosto de 2008, a frota de automóveis e veículos comercias leves tipo "flex" tinha atingido a marca de 6,2 milhões de veículos, representando um 23% da frota automotriz do Brasil. O sucesso dos veículos "flex", conjuntamente com a obrigatoriedade ao nível nacional de usar de 20 a 25% do álcool misturado com gasolina convencional, permitiu ao etanol combustível superar o consumo de gasolina em Abril de 2008, O consumo do álcool representou quase 18% da matriz de combustíveis veiculares em 2006 (a matriz inclui os veículos que utilizam óleo diesel). No Brasil, o refino do etanol é controlado pela Cosan/Shell, São Martinho, Bunge e Braskem. (energiaxmeioambiente)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Biogás: acordo para difusão

Representantes da Assessoria de Energias Renováveis da Itaipu, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e da Diretoria de Transferência Tecnológica da Embrapa fecharam no início deste mês de outubro, em Foz do Iguaçu, uma parceria para tornar a região da Bacia do Paraná 3 referência nacional em tecnologias e metodologias para redução de gases do efeito estufa.
As ações darão sustentação ao Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do governo federal, que prevê a redução de até 39% dos gases responsáveis pelo aquecimento global até 2020, ou cerca de 1 bilhão de toneladas equivalentes de gás carbônico.
Além disso, a Embrapa disseminará o uso energético do biogás no Brasil, difundindo as experiências e tecnologias desenvolvidas pela Assessoria de Energias Renováveis por meio de 46 centros de pesquisa espalhados pelo território nacional. As unidades de demonstração de geração distribuída com biogás devem se constituir em Unidades Tecnológicas de Referência (UTRS) da Embrapa.
O objetivo da parceria é estabelecer, a médio prazo, um convênio de abrangência nacional. Pesquisadores de distintas áreas da Embrapa devem vir ao PTI para compor os grupos de trabalho e participar das oficinas de elaboração de projetos. Até a próxima semana, um comitê gestor deverá ser nomeado com representantes das duas grandes estatais, que se unem para promover o desenvolvimento rural.
“Vamos identificar capacidades comuns para ações estruturais em áreas como água, solo, clima, energia e sistemas produtivos”, destacou o diretor de Transferência Tecnológica a Embrapa, Waldyr Stumpf Júnior. O esforço de inovação e pesquisa será realizado principalmente na área de um milhão de hectares que configura a Bacia do Paraná 3. A primeira leva de projetos será focada na conservação de solos, visando a qualidade do plantio direto e a fixação de nitrogênio. Além disso, serão potencializadas a geração de energia a partir da biomassa florestal e a utilização de sedimentos e efluentes orgânicos para produção de biogás.
Outros temas de interesse estão relacionados à energia com microalgas, produção de proteína nas águas e à obtenção do hidrogênio no meio rural a partir da reforma do metano. Ações relacionadas à gestão das águas, à administração territorial por georeferenciamento e à comunicação popular para informar as comunidades também serão desenvolvidas.
Aplicações - A falta de madeira na região oeste do Paraná e em várias regiões do Brasil para secagem de grãos é um problema que afeta o desenvolvimento do agronegócio e de comunidades rurais. O problema do “apagão florestal” poderia ter uma solução justamente no uso do biogás para substituir a lenha, ou em plantar florestas especificamente com o objetivo de gerar energia. “Com esta parceria, a Embrapa passa a ter uma importantíssima conexão com o setor elétrico, o que é vital para o desenvolvimento rural do País. Muitas oportunidades poderão ser criadas a partir deste convênio”, assinalou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley Júnior.
Após a visita ao Condomínio de Agroenergia para a Agricultura Familiar do Ajuricaba, localizado em Marechal Cândido Rondon, Waldyr Stumpf Júnior salientou a importância do projeto e a replicabilidade das tecnologias ali aplicadas, como o biodigestor de pequena vazão, o gasoduto rural, o motor para a geração de energia elétrica e o secador de grãos a biogás. “Vamos levar este modelo e experiência para outras regiões do Brasil, possibilitando ao produtor rural mais uma renda em sua atividade. O biogás poderá ser considerado um produto do setor rural”, destacou.

A Embrapa conta hoje com 2.400 pesquisadores, distribuídos em 47 unidades que atuam como centros de serviços e seus 1.200 projetos se desdobram em milhares de ações de pesquisa. As ações de maiores impactos são expostas em 25 vitrines tecnológicas localizadas em distintos pontos do território brasileiro. Uma nova vitrine poderá serdesenvolvida na Bacia do Paraná 3. (ambienteenergia)