domingo, 8 de janeiro de 2012

Uso da energia nuclear está perto do fim

‘Consenso’ francês pelo uso da energia nuclear dá sinais de que está perto do fim
Durante décadas o uso da energia nuclear foi inquestionável na França, onde 58 usinas geram 80% da eletricidade consumida. Agora a situação começa a mudar, e alguns políticos já estão abandonando o consenso atômico.
“Segurança – a questão principal”, dizia uma manchete do diário Direct Matin no início de dezembro. No dia anterior à edição, ativistas do Greenpeace, vestidos como funcionários, infiltraram-se na usina de Nogent-sur-Seine e estenderam uma faixa com os dizeres “energia nuclear é perigosa”. Foi uma maneira de expor as falhas no controle de acesso – assim como os ativistas, terroristas poderiam ter entrado no local.
Diretores da empresa Electricité de France (EDF) asseguram que os ativistas foram imediatamente reconhecidos pelos seguranças. “Vimos na hora que eles não estavam armados e que se tratava de um protesto pacífico”, afirmou Dominique Minière, diretor do parque atômico da EDF. Algumas horas mais tarde, porém, o ministro francês do Interior, Claude Guéant, convocou uma reunião para a mesma semana para debater a segurança nas usinas nucleares do país.
A catástrofe de Fukushima, no Japão, ocorrida em março do ano passado, deixou os lobistas da energia atômica na França preocupados. O temor ficou ainda maior depois que o governo da Alemanha decidiu acabar com o uso da energia nuclear no país. Os responsáveis em Paris reagiram rapidamente, esforçando-se para mostrar que o risco oferecido pelas usinas nucleares francesas é mínimo.
O próprio presidente Nicolas Sarkozy anunciou novas checagens de segurança nas centrais e até mesmo o fechamento daquelas que não passarem nos testes. Transparência é a palavra da hora quando se fala de energia atômica na França.
Mas as tentativas de eliminar as preocupações parecem não estar convencendo a população. Numa pesquisa de opinião realizada pouco depois do acidente em Fukushima, 70% dos franceses mostravam-se favoráveis ao fim do uso da energia atômica no país. Algumas semanas mais tarde o índice subiu para 77%.
No meio do ano o governo de Estrasburgo gerou manchetes ao convocar uma espetacular votação para opinar sobre o fechamento da planta de energia nuclear mais antiga do país, que fica na localidade vizinha de Fessenheim. A iniciativa pioneria acabou sendo seguida por outras cidades.
Consenso político
Desde o início do programa atômico francês, no início dos anos 70, a política do tout nucléaire era tida como inquestionável, defendida por todos os partidos políticos, ainda que, durante décadas, os parlamentares praticamente não tiveram voz nessa questão.
Hoje as 58 usinas nucleares francesas produzem até 80% da energia consumida pelo país. E Sarkozy mantém uma tradição: a do elogio à tecnologia nacional de ponta, graças à qual a França é um dos líderes mundiais em exportação de tecnologia nuclear.
Mas no final de novembro o consenso político em torno da energia nuclear ruiu. Para as eleições presidenciais de 2012, socialistas e verdes concordaram que, caso saiam vitoriosos, reduzirão a produção de energia nuclear. Além disso, os verdes também querem parar a construção do reator de terceira geração EPR (Reator Europeu Pressurizado, na sigla em inglês). Essa ideia os socialistas não apoiam, devido ao intenso lobby da empresa estatal Areva.
“Energia atômica, arma de campanha de Sarkozy”, estampou o renomado jornal Le Monde em novembro passado. O presidente, apesar de ainda não ser oficialmente candidato à reeleição, usa todas as oportunidades para se posicionar a favor da energia atômica. Ele diz ficar triste ao ouvir que a “própria ideia do progresso” está sendo questionada. E aponta para as “centenas de milhares” de postos de trabalho que estariam ameaçadas.
“Quando o interesse nacional está em jogo, é preciso ir contra o consenso geral”, diz o presidente. Para o especialista em energia nuclear Mycle Schneider, que é contra o uso da tecnologia, esta será, sem dúvida, uma campanha dominada pela questão nuclear.
Discussão aberta
Sarkozy é favorável ao uso de energia nuclear
De uma forma ou de outra, certo é que o fim do uso da energia nuclear já não é mais tabu na França. Na imprensa irrompeu uma discussão, envolvendo especialistas de diversos setores, sobre o que seria mais caro: fechar as usinas ou seguir no caminho atual, lembrando que elevar das usinas mais antigas sairia caro.
Segundo um relatório publicado em dezembro, de cuja elaboração participaram também lobistas da energia nuclear, a participação da energia nuclear no total da produção energética poderia ser reduzida dos atuais 80% para 50% até 2050, caindo para apenas 30% em 2100.
Enquanto isso o Areva gera manchetes negativas: no meio de dezembro o consórcio de energia nuclear lançou um drástico plano de contenção de gastos, depois de ter apresentado perdas que chegaram a 1,5 bilhão de euros em 2011. E não será fácil encontrar novos investidores: sua avaliação de crédito encontra-se num patamar baixo. E se a França perder sua nota AAA, a estatal Areva terá ainda mais dificuldades para sobreviver.
Debate nacional
O tema energia atômica não será polêmico apenas durante as próximas eleições presidenciais francesas. Em caso de vitória, o socialista François Hollande já anunciou que dará início a um amplo debate sobre o assunto. Há anos já está prevista uma série de discussões públicas sobre os resíduos. Até 2013 a questão do depósito definitivo dos resíduos do lixo nuclear precisa ser esclarecida. Os destinos até agora apresentados esbarraram na resistência popular.
Os integrantes do grupo Stop Nogent estão felizes com o novo cenário. Há 25 anos que eles fazem mobilizações contra central nuclear mais próxima de Paris, localizada a menos de cem quilômetros da capital, a mesma na qual os ativistas do Greenpeace penduraram a sua faixa. “Hoje finalmente a opinião pública está reconhecendo o nosso trabalho”, declarou um ativista. (EcoDebate)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Falta de medidas adequadas agravou Fukushima

Fukushima: Falta de medidas adequadas agravou os efeitos dos acidentes nucleares no Japão
Depois de nove meses dos acidentes radioativos relacionados à Usina de Fukushima Daiichi, no Japão, peritos japoneses e estrangeiros concluíram que medidas de precaução adequadas poderiam ter evitado vários episódios registrados em 11 de março deste ano. Na ocasião, um terremoto seguido por tsunami causou danos nos reatores da usina provocando explosões e vazamentos.
A conclusão foi divulgada em 26/12/11 durante um painel de peritos no Japão. Durante os debates, especialistas disseram que os acidentes demonstraram a necessidade de ampliar as medidas de prevenção referentes às ações de emergência relativas à usina. Segundo eles, houve falhas no que se refere às influências de terremotos e tsunamis na estrutura física da usina.
”Não se pode negar que faltou às pessoas envolvidas nas ações relativas ao desastre nuclear, como os responsáveis pela gestão e operação de usinas nucleares, uma avaliação mais ampla para a prevenção de catástrofes nucleares”, informou o relatório divulgado hoje.
Os vazamentos e as explosões registrados em Fukushima ainda geram consequências no Japão e no mundo. Nove cidades japonesas que cercam a usina foram esvaziadas e as pessoas passaram a viver de forma improvisada. Os alimentos produzidos na região foram proibidos para consumo.
Crianças e adolescentes são monitorados permanentemente para verificação do nível de radiação. Paralelamente, o governo do Japão passou a reexaminar o uso e o funcionamento das usinas de energia elétrica no país. (EcoDebate)

Desativar Fukushima em quatro décadas

Japão revela plano para desativar Fukushima em quatro décadas
O Governo japonês e a operadora da usina de Fukushima, a Tepco, revelaram o plano para desativar a central em um prazo entre 30 e 40 anos, após decretar há cinco dias a “parada fria” de seus reatores.
Segundo a agenda, o primeiro passo será eliminar o combustível nuclear usado das piscinas dos reatores de 1 a 4 nos dois próximos anos, e retirar o combustível fundido no interior das unidades 1, 2 e 3 na próxima década, informou a agência “Kyodo”.
De acordo com o relatório, as piscinas de combustível usado dos reatores de 1 a 4 contêm 3.108 “elementos combustíveis”, como são conhecidas as estruturas que contêm as barras de combustível atômico. Já as unidades 1, 2 e 3 contam com 1.496 “elementos combustíveis” em seu interior, muitos dos quais podem estar fundidos ou danificados.
Em reunião realizada hoje entre o Governo e a Tepco, o ministro da Indústria japonês, Yukio Edano, pediu que a operadora “aumente” o nível trabalho para reduzir a preocupação dos cerca de 80 mil evacuados na zona devido à crise nuclear.
Além disso, segundo o diário econômico “Nikkei”, o Governo estuda repassar cerca de 1 trilhão de ienes (US$ 12,7 bilhões) dos cofres públicos para ajudar a companhia a pagar as compensações para os afetados pela tragédia.
Desde o início da crise na central de Fukushima, em 11 de março, a companhia elétrica reportou perdas de mais de US$ 7,5 bilhões entre abril e setembro.
Durante este ano fiscal, que se encerrará em março de 2012, a Tepco terá de desembolsar cerca de 1 trilhão de ienes (US$ 12,7 bilhões) em indenizações, e a quantia pode aumentar a 4,5 trilhões de ienes (US$ 57 bilhões) nos próximos dois anos.
Em 16 de dezembro, o Governo do Japão confirmou que os três reatores nucleares da central de Fukushima danificados pelo tsunami de março tinham alcançado a “parada fria”, o que significa que são mantidos de forma estável abaixo de 100 graus centígrados. (EcoDebate)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Energia Solar

A Energia solar é a designação dada a qualquer tipo de captação de energia luminosa (e, em certo sentido, da energia térmica) proveniente do sol, e posterior transformação dessa energia captada em alguma forma utilizável pelo homem, seja diretamente para aquecimento de água ou ainda como energia elétrica ou mecânica.
No seu movimento de translação ao redor do Sol, a Terra recebe 1 410 W/m² de energia, medição feita numa superfície normal (em ângulo reto) com o Sol. Disso, aproximadamente 19% é absorvido pela atmosfera e 35% é refletido pelas nuvens. Ao passar pela atmosfera terrestre, a maior parte da energia solar está na forma de luz visível e luz ultravioleta.
Quase 30% da energia solar atingindo o limite exterior da atmosfera é consumida no ciclo da água, que produzem chuva e do potencial energético dos fluxos de rios e montanhas. A energia gerada pela água que se deslocam através das modernas turbinas é chamada de energia hidroelétrica. Através do processo de fotossíntese, a energia solar, contribui para o crescimento da vida vegetal (biomassa), que, juntamente com a madeira e os combustíveis fósseis a partir do ponto de vista geológico derivado de antigas plantas, pode ser utilizado como combustível. Outros combustíveis como o álcool e o metano também pode ser sacado a partir de biomassa.
Quais países mais produzem:
Em 2004 a capacidade instalada mundial de energia solar era de 2,6 GW, cerca de 18% da capacidade instalada de Itaipu. Os principais países produtores, curiosamente, estão situados em latitudes médias e altas. O maior produtor mundial era o Japão (com 1,13 GW instalados), seguido da Alemanha (com 794 MWp) e Estados Unidos (365 MW).
Entrou em funcionamento em 27 de Março de 2007 a Central Solar Fotovoltaica de Serpa (CSFS), a maior unidade do gênero do Mundo. Fica situada na freguesia de Brinches, Alentejo, Portugal, numa das áreas de maior exposição solar da Europa. Tem capacidade instalada de 11 MW, suficiente para abastecer cerca de oito mil habitações.
Entretanto está projetada e já em fase de construção outra central com cerca de seis vezes a capacidade de produção desta, também no Alentejo, em Amareleja, concelho de Moura.
Muito mais ambicioso é o projeto australiano de uma central de 154 MW, capaz de satisfazer o consumo de 45 000 casas. Esta se situará em Victoria e prevê-se que entre em funcionamento em 2013, com o primeiro estágio pronto em 2010. A redução de emissão de gases de estufa conseguida por esta fonte de energia limpa será de 400 000 toneladas por ano.
Seu custo:
Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que o custo da energia elétrica gerada por painéis solares fotovoltaicos caíram 30% entre 1998 e 2007. Realizado pelo Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL), do Departamento de Energia (DOE), o levantamento indica que as principais razões para a redução do custo estão relacionados a serviços como mão-de-obra, inversores, marketing, custos administrativos, entre outros.
Os pesquisadores estudaram 37 mil sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica entre 1998 e 2007 em 12 estados norte-americanos. Durante este período o custo de instalação caiu de US$ 10,50 por watt em 1998 para US$ 7,60/W em 2007, o que representa uma queda anual média de 3,5% a dólares de 2007.
Vantagens:
• A energia solar não polui durante seu uso. A poluição decorrente da fabricação dos equipamentos necessários para a construção dos painéis solares é totalmente controlável utilizando as formas de controles existentes atualmente.
• As centrais necessitam de manutenção mínima.
• Os painéis solares são a cada dia mais potentes ao mesmo tempo em que seu custo vem decaindo. Isso torna cada vez mais a energia solar uma solução economicamente viável.
• A energia solar é excelente em lugares remotos ou de difícil acesso, pois sua instalação em pequena escala não obriga a enormes investimentos em linhas de transmissão.
• Em países tropicais, como o Brasil, a utilização da energia solar é viável em praticamente todo o território, e, em locais longe dos centros de produção energética, sua utilização ajuda a diminuir a demanda energética nestes e consequentemente a perda de energia que ocorreria na transmissão.
Desvantagens:
• Um painel solar consome uma quantidade enorme de energia para ser fabricado. A energia para a fabricação de um • Os preços são muito elevados em relação aos outros meios de energia.
• Existe variação nas quantidades produzidas de acordo com a situação atmosférica (chuvas, neve), além de que durante a noite não existe produção alguma, o que obriga a que existam meios de armazenamento da energia produzida durante o dia em locais onde os painéis solares não estejam ligados à rede de transmissão de energia.
• Locais em latitudes médias e altas (Ex: Finlândia, Islândia, Nova Zelândia e Sul da Argentina e Chile) sofrem quedas bruscas de produção durante os meses de inverno devido à menor disponibilidade diária de energia solar. Locais com frequente cobertura de nuvens (Curitiba, Londres), tendem a ter variações diárias de produção de acordo com o grau de nebulosidade.
A energia solar é abundante e permanente, renovável a cada dia, não polui e nem prejudica o ecossistema. A energia solar é a solução ideal para áreas afastadas e ainda não eletrificadas, especialmente num país como o Brasil onde se encontram bons índices de insolação em qualquer parte do território. (energiia)

Índia substitui carvão por energia solar

Numa curiosa mistura de tecnologia de ponta com técnicas antigas, empresa indiana explora fonte de energia mais limpa e mais barata.
A energia solar é uma fonte energética limpa. Mas, nesta árida parte do noroeste da Índia, esse tipo de energia pode sofrer com a sujeira. Os subsídios ajudaram instalações como a Azure Solar Plant a prosperar nesta região do país. A cada cinco dias, aproximadamente, trabalhadores empunhando esfregões de cabos longos limpam cada um dos 36 mil painéis solares numa instalação de 25 hectares operada pela Azure Power - um estranho casamento entre tecnologia de ponta e técnica antiga.
O local é um dos maiores exemplos do ambicioso plano indiano que prevê o uso da energia solar na modernização da extremamente precária rede elétrica do país, reduzindo sua dependência em relação às usinas abastecidas com carvão.
A Azure Power foi contratada para fornecer eletricidade gerada com base na energia solar a uma operadora da rede elétrica do governo estadual. O diretor executivo da Azure, Inderpreet Wadhwa, previu que em questão de poucos anos a energia solar terá um preço capaz de viabilizar a concorrência com a eletricidade gerada de fontes convencionais na Índia.
"A eficiência da energia solar vai continuar aumentando e, com a crescente demanda por energia solar, o custo seguirá caindo", disse Wadhwa.
Dois anos atrás, os governantes indianos decidiram que até 2020 seria preciso aumentar o uso que o país fazia da energia solar - partindo de um virtual zero até chegar a 20 mil megawatts, eletricidade suficiente para atender às necessidades de até 15 milhões de lares americanos modernos durante o dia, quando os painéis são mais produtivos. Muitos analistas disseram que a meta não poderia ser cumprida. Mas, agora, os mais céticos se veem obrigados a engolir as palavras.
Por causa dos agressivos subsídios do governo e de uma grande queda no preço global dos painéis solares, dúzias de empresas como a Azure estão cobrindo as planícies do noroeste da Índia - incluindo este vilarejo de aproximadamente 2 mil habitantes - com reluzentes painéis solares. Até o momento, a Índia utiliza apenas algo perto dos 140 megawatts, incluindo 10 megawatts usados pela instalação da Azure, capaz de proporcionar energia suficiente para atender a uma cidade de 50 mil habitantes, segundo a empresa. Mas analistas dizem que a meta nacional de 20 mil megawatts pode ser atingida e que a Índia pode até chegar a estes números antes de 2020.
"Os preços caíram e, subitamente, metas que pareciam impossíveis se tornaram possíveis", disse Tobias Engelmeier, diretor administrativo da Bridge to India, empresa de pesquisas e consultoria com sede em Nova Délhi. Fabricantes chinesas como Suntech Power e Yingli Green Energy ajudaram a impulsionar a queda no custo dos painéis solares. As empresas aumentaram a produção de painéis e obtiveram este ano um corte de 30% a 40% no custo, chegando a menos de US$ 1 por watt.
Mas os desenvolvedores de fazendas solares na Índia demonstraram preferência pelos painéis mais avançados oferecidos por fornecedores dos EUA, de Taiwan e da Europa, que usam células solares de filme fino. A principal fornecedora americana que atende a Índia é a First Solar, com sede no Arizona.
A Índia não conta com uma grande indústria manufatureira de painéis solares, mas busca desenvolvê-la - e a China se mostra interessada na crescente demanda da Índia. A chinesa Suntech Power vendeu os painéis usados na instalação da Azure, que abriu em junho.
Executivos da indústria atribuem o momento de prosperidade na indústria solar indiana às políticas do governo - um elogio incomum, pois as empresas costumam ridicularizar a burocracia indiana, descrevendo-a como kafkiana.
Ao longo da última década, a Índia abriu o setor de geração de energia - antes dominado pelo Estado - aos participantes particulares, ao mesmo tempo conservando nas mãos do governo a distribuição e o poder de definir os preços. Os países europeus dedicam pesados subsídios à energia solar ao concordar em comprá-la em pacotes que compreendem décadas. Mas, na Índia, os subsídios são menores e as operadoras de energia solar são obrigadas a participar de uma concorrência mais acirrada, o que ajuda a reduzir os custos.
Neste mês, o governo realizou o segundo leilão para determinar o preço pelo qual a empresa estatal de fornecimento elétrico - NTPC Vidyut Vyapar Nigam - compraria eletricidade gerada pela energia solar para a rede nacional. A oferta média vencedora foi de 8,77 rupias (US$ 0,16) por quilowatt/hora. É quase o dobro do preço da energia gerada do carvão, mas o valor foi aproximadamente 27% mais baixo que as ofertas que ganharam o leilão de um ano atrás. A Alemanha, maior consumidor de energia solar, paga 0,18 (US$ 0,23) por quilowatt/hora.
A Índia continua muito atrás dos países europeus no uso da energia solar. A Alemanha, por exemplo, tinha capacidade para gerar 17 mil megawatts no fim de 2010. Mas a Índia, que recebe mais de 300 dias de luz solar direta por ano, é um local mais adequado para gerar esta energia. E o fato de a Índia ter ficado para trás está agora beneficiando o país, conforme os preços dos painéis caem e os indianos podem gastar muito menos na construção de fazendas solares do que os países que foram pioneiros nesta tecnologia.
Além disso, nos leilões de energia solar, a NTPC não está criando contratos abertos. O mais recente leilão, por exemplo, envolveu um total de apenas 350 megawatts, limitando os custos do governo. A ideia subjacente é a de que o preço da energia solar vai continuar a cair, se aproximando do custo da eletricidade gerada por meios convencionais.
A maioria das usinas elétricas indianas é abastecida por carvão, gerando eletricidade ao custo de aproximadamente 4 rupias (US$ 0,07) por quilowatt/hora - menos da metade do custo atual da energia solar. No leilão deste mês, as mais recentes ofertas vencedoras foram comparáveis ao preço que os usuários industriais e comerciais da Índia pagam pela eletricidade -- de 8 a 10 rupias. E o custo da energia solar é competitivo em relação às usinas de eletricidade e aos geradores de reserva que consomem combustíveis derivados do petróleo, cuja eletricidade custa 10 rupias por quilowatt/hora.
"Ao menos durante o dia, os painéis fotovoltaicos vão concorrer principalmente com a eletricidade gerada a partir do petróleo" na Índia, disse Cédric Philibert, analista sênior da Agência Internacional de Energia, de Paris. "Esta comparação está se tornando cada vez mais favorável." Além do governo federal, vários dos estados da Índia - como Gujarat, onde fica Khadoda - também estão comprando eletricidade a preços subsidiados de empresas solares como a Azure Power.
Analistas não esperam que o avanço da Índia no setor da energia solar ocorra sem problemas. Eles dizem que alguns empreendedores provavelmente fizeram ofertas agressivas demais nos leilões federais, e podem enfrentar dificuldades para construir suas instalações - seja por causa da demora ou do custo -, pondo em risco sua sobrevivência.
Consequentemente, ou talvez em decorrência do caráter especulativo das ofertas feitas, alguns empreendedores tentam revender os acordos com o governo a terceiros, dizem analistas, embora tal prática seja contrária às regras do leilão.
Wadhwa, da Azure Power, disse que a eliminação de parte da concorrência na indústria solar indiana seria quase inevitável. "Inicialmente, muitos novos participantes vêm para o setor", disse ele, "e então o mercado se consolida com um número menor de concorrentes que demonstram um compromisso de longo prazo" com a indústria. (OESP)