domingo, 20 de janeiro de 2013

Projeto reproduzirá a energia do Sol na Terra

Projeto que quer reproduzir a energia do Sol na Terra começa a sair do papel
Inauguração de sede do Reator Experimental Termonuclear Internacional marca início da busca pela fusão nuclear em larga escala.
O maior projeto científico da humanidade começou a sair do papel na quinta-feira passada. Numa cerimônia em Cadarache, no sul da França, foi inaugurado o edifício-sede do Iter - abreviação em inglês de Reator Experimental Termonuclear Internacional, iniciativa multinacional destinada a desenvolver a tecnologia da fusão nuclear em grande escala para a geração de energia.
O projeto pretende nada menos que reproduzir o Sol na Terra: num reator chamado tokamak, dois átomos de hidrogênio serão submetidos a temperaturas elevadíssimas, até se fundirem num átomo de hélio e liberar energia, como ocorre no Sol. A aventura deverá consumir até 2020, quando o reator estará operacional, US$ 15 bilhões (R$ 32 bilhões).
O planeta Terra está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros do Sol. Há cerca de 4,6 bilhões de anos, recebe sua luz e calor, fonte de energia da origem e manutenção da vida. E deverá ser assim por outros 5 bilhões de anos, restante do tempo de vida do Sol.
Numa forma bastante simplificada, o Sol e as demais estrelas funcionam assim: sob a enorme pressão e temperatura do seu núcleo, dois átomos de hidrogênio se fundem e dão origem a um átomo de hélio. Essa reação libera enorme quantidade de energia. Apesar da considerável distância do Sol, é possível senti-la na Terra, sob a forma de luz e calor.
Não é de hoje que o homem observa o Sol com o desejo de reproduzir no planeta o seu processo de geração de energia. Primeiro, por ser muito eficiente. Basta uma pequena quantidade de matéria, ou átomos de hidrogênio, para a produção de muita energia. E, depois, por essa reação de fusão utilizar o elemento mais abundante no universo, o hidrogênio.
Não é tudo: a fusão dos átomos de hidrogênio requer cuidados, mas não cria impacto ambiental. Sua energia é limpa.
Efeitos
Os desafios científicos, de engenharia e financeiros para recriar o Sol na Terra são imensos. Não dá para reproduzir na superfície do planeta os efeitos da gravidade no interior das estrelas, razão da elevada pressão e temperatura no seu núcleo, essenciais para os átomos de hidrogênio atingirem o estado de plasma, condição em que se fundem.
Fazem parte do Iter a União Europeia, com 45,5% de participação, e seis outras nações, cada uma com 9,1% - Estados Unidos, Japão, China, Rússia, Índia e Coreia do Sul-, representando 34 países.
Atenção: fusão nuclear é diferente de fissão nuclear. Na fissão, núcleos de átomos de elementos radioativos, como urânio, são bombardeados para se romperem. E esse processo também gera elevada quantidade de energia, mas os riscos de contaminação da fissão, quase inexistentes na fusão, representam um grande problema. Há no mundo 440 usinas nucleares com reator a fissão.
O comissário de energia da União Europeia, Günther Oettinger, e a ministra francesa da Educação, Geneviève Fioraso, assistiram à inauguração do edifício-sede do Iter, em Cadarache.
Tecnologia
O professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo Ricardo Galvão acompanha de perto o projeto. "A fusão nuclear é uma tecnologia promissora como fonte de energia e sem os problemas da fissão nuclear. Ainda há algumas dificuldades científicas e técnicas para serem resolvidas, mas os experimentos na Inglaterra e nos Estados Unidos demonstraram sua viabilidade", diz.
"A demanda mundial de energia hoje é 15 terawatts (1 terawatt equivale a 1 trilhão de watts), enquanto em 2050 será de 30 terawatts, considerando-se que a população do planeta será de 10 bilhões de habitantes. Se a fusão nuclear não funcionar, a situação ficará difícil", explica Galvão.
"O principal objetivo do Iter é apenas desenvolver a tecnologia da fusão. Cada país envolvido depois realizará seus próprios projetos de fusão nuclear e construir seus reatores (tokamak) com base no conhecimento adquirido em conjunto no Iter", explica Robert Arnoux, do departamento de comunicações do projeto.
A diferença entre o tokamak e o reator da fissão nuclear é a forma como se obtém calor. Como já mencionado, a fusão funde os átomos de hidrogênio e a fissão rompe o núcleo dos átomos de urânio, por exemplo. Uma vez gerado o calor, a sequência do processo para a obtenção da energia elétrica é a mesma: o calor do tokamak e do reator a fissão esquenta água até o estado de vapor para movimentar uma turbina coligada a um gerador elétrico.
Os técnicos do Iter acreditam que o tokamak apresentará rendimento energético semelhante aos reatores da fissão nuclear. Os da última geração têm potencial para produzir 1,3 mil megawatts (MW). Para se ter uma referência, a Hidrelétrica de Itaipu tem uma capacidade instalada para gerar 14 mil MW.
Mas há desconfiança da comunidade científica no projeto Iter. Nem todos os desafios científicos e de engenharia foram resolvidos e há ainda problemas decorrentes das profundas diferenças culturais e dos interesses políticos existentes entre as nações envolvidas.
Essas incertezas, somadas à impossibilidade de as nações envolvidas investirem os valores elevados necessários, causaram atrasos importantes no Iter. Mas é verdade também que nunca o projeto andou como agora, o que mostra a confiança dos interessados no sucesso do programa da fusão nuclear. (OESP)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Erro ‘oculto’ reduz nível de reservatórios

Simulações mostraram que os resultados divergem dos números reais e chegou-se à conclusão que os reservatórios deveriam estar 11 % acima do nível atual.
A forma acelerada como os reservatórios das hidrelétricas caíram em 2010 e 2011 levantou suspeitas sobre erros - ocultos - no sistema elétrico nacional. Simulações feitas pela PSR Consultoria, que também assessora o governo federal, mostraram que os resultados divergem dos números reais. Com base numa série de informações, que também são usadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), chegou-se à conclusão que os reservatórios deveriam estar 11% acima do nível atual.
"Tem algum fator que não está aparecendo. A operação na vida real é maior do que a calculada", explica o presidente da consultoria Mario Veiga. Ele diz não ter dúvida de que o modelo, usado em mais de 60 países, está correto. O que a empresa está tentando entender neste momento é o porquê da defasagem dos números. "Estamos investigando as causas e nas próximas semanas deveremos ter um diagnóstico, que será entregue ao governo federal."
A diferença pode ser explicada por uma série de fatores. Uma delas é a desatualização dos parâmetros de algumas usinas, que teriam uma eficiência menor que a prevista pelo operador. O consultor, que participou do grupo responsável por identificar as causas do racionamento de 2001, lembra que a energia firme (a produção média das usinas) das hidrelétricas estava superestimada em 5%. "As outras causas, como questões climáticas, atraso de obras e a falta da linha de transmissão de Itaipu, não explicavam sozinhas o racionamento."
Comparação
Desta vez, a situação não é muito diferente. A seca que atingiu várias regiões do País não está entre as piores da história e o País não cresceu tudo que estava previsto. "Ficaria mais tranquilo se tivesse ocorrido uma mega seca, o que caracterizaria um problema conjuntural. Mas estamos vendo que é um problema estrutural."
Ele conta que outro fator que pode justificar as diferenças são as perdas no sistema de transmissão. (OESP)

Nível de reservatórios de hidrelétricas sobe

Nível de reservatórios de hidrelétricas sobe na semana, menos no NE
Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras na maioria das regiões registraram aumento do nível em relação à quarta-feira passada diante do aumento das chuvas no período, mas ainda estão em níveis baixos e no Nordeste houve queda do armazenamento.
O Sudeste/Centro-Oeste teve aumento de 28,31 para 31,49% na semana, com uma recomposição de 6,62 pontos percentuais no reservatório de Furnas, um dos principais na bacia do Rio Grande, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A recuperação também ocorreu nos reservatórios do Norte, com o armazenamento passando de 39,99 para 42,98 %, e no Sul, de 45,33 para 49,05 %.
Na semana, a região Nordeste teve uma queda de 29,91 para 29,59 % de armazenamento dos reservatórios.
A geração hidráulica no Nordeste foi maior que o programado já que a geração térmica ficou inferior ao previsto, segundo o Informativo Preliminar Diário de Operação do ONS. Nessa região a geração eólica também foi inferior ao esperado, entre outros fatores, também por conta das condições desfavoráveis de vento.
A carga de energia elétrica na quarta-feira --que considera o consumo e as perdas relacionadas ao sistema-- somou 62.050 megawatt (MW) médios, ante uma carga que estava programada em 62.700 MW médios. A geração termelétrica somou 11.784 MW médios. (OESP)

Lago de Furnas está com 12,7% da capacidade

Reservatórios de água estão sujeitos a colapso caso não comece a chover forte nos próximos dias
O mineiro Gener Custódio da Silva, de 66 anos, montou uma barraca na terra rachada que brotou onde só se via água, às margens do Lago de Furnas, em seu sítio no município de Alfenas (MG). Desde que levou os tanques de criação de peixes 500 metros represa adentro, por causa da pior seca dos últimos dez anos, ele passa as noites em vigília.
"De outubro até hoje baixou muito o nível da água e mudamos os 50 tanques, que antes ficavam em frente ao sítio, para cá. Para evitar prejuízos, passo as noites aqui." O drama do pescador ilustra a situação crítica dos reservatórios de água - força motriz do sistema energético brasileiro -, sujeitos a um colapso caso não comece a chover mais forte nos próximos dias.
O Sudeste, principalmente Minas Gerais, é estratégico para o abastecimento de energia do País por seu potencial hídrico. Furnas é um bom exemplo. Com capacidade para armazenar 23 bilhões de metros cúbicos, a represa é um imenso espelho d'água, de 1,4 mil quilômetros quadrados, que entrecorta 34 municípios mineiros.
Seu papel é fundamental para manter o País longe do apagão. Suas águas colocam em funcionamento 13 usinas hidrelétricas ao longo dos Rios Grande e Paraná, nos Estados de Minas e São Paulo. Juntas, produzem um terço da energia gerada no Brasil.
Das dez maiores usinas hidrelétricas em operação no Brasil, seis estão nesses Estados. Juntas, têm capacidade de produzir 11,7 mil MW. Somadas à produção da Região Centro-Oeste, estamos falando em 70% de toda energia produzida no País.
Furnas. Para muitos, o problema da falta de água é recente, mas para o pescador Gener e outros 500 piscicultores que vivem às margens da represa de Furnas, a redução do estoque de água dos reservatórios é realidade desde outubro de 2012.
O reservatório do Lago de Furnas atingiu este ano seu pior estágio de seca, desde o apagão de 2001. No início da semana passada, seu nível estava 14,5 metros abaixo da capacidade máxima da represa, que é de 768 metros acima do nível do mar. O cenário local é de desolação na maioria das cidades, com os lagos secos, tomados pelo mato e pelo gado que invadiu a terra lamacenta. Os restaurantes, pousadas e pesqueiros, que nesta época do ano estavam lotados, estão vazios, alguns fechados.
"O nível do lago está a 3,5 metros do mínimo para que se mantenha em funcionamento a hidrelétrica", explica o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Lago de Furnas, Fausto Costa. "É o pior cenário dos últimos dez anos, que coloca em risco o sistema energético e também traz um estrago incalculável para a região."
Começou a chover na quinta-feira no Lago de Furnas, mas ainda muito pouco para reverter o quadro de esvaziamento. O reservatório operava na sexta-feira com 12,74% da capacidade.
Torneira
O reservatório de Furnas serve como um regulador do volume de água para as 12 usinas que ficam abaixo dela no Rio Grande (8) e no Rio Paraná (4). Quando o nível dos rios está baixo, o Operador Nacional do Sistema (ONS) determina a abertura das comportas para manter em funcionamento o complexo de hidrelétricas.
Foi o que ocorreu em outubro de 2012, quando as comportas laterais da represa - no município de São José da Barra (MG) - ficaram abertas por quase 30 dias, segundo o presidente do Comitê da Bacia do Lago de Furnas, obrigando pescadores como Gener a correr com seus tanques de peixes lagoa adentro.
"Foi quando os municípios que ficam entrecortados pela água do Lago de Furnas começaram a sentir os prejuízos da queda do volume nos rios", conta Costa. O especialista, que também é secretário executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), calcula que levará pelo menos três anos para o nível da água voltar ao normal na região.
O ONS considera que, mesmo com o nível baixo das barragens, as hidrelétricas da bacia continuam a gerar energia e as represas devem começar a encher a partir de agora, com o período de chuvas. Mas para quem vive diretamente das águas de Furnas, a certeza é uma só: vai levar um bom tempo para a economia local se recuperar.
Prejuízo
Em Campo Belo, um único criador de peixes perdeu sete toneladas de tilápia em uma semana. Na avaliação de técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), faltou oxigênio na água e a temperatura subiu a níveis insuportáveis para os peixes.
"Antes tudo isso aqui era água. Disseram que foi a abertura das comportas que esvaziou a represa, mas ficar desse jeito, só quando secou tudo mesmo, em 2001", lembra o pescador Bevanir José de Oliveira, de 71 anos, que no meio do lago seco, busca um fio de água para pescar. "É mais distração mesmo, porque do jeito que está, só dá mandi pequeno, que não serve para nada", conta.
Seu Gener, que começou a criação de peixes em 2006, incentivado pelo governo federal, hoje vive como pode e sem ajudas do Estado. Mas ele é otimista, espera retomar a criação de cerca de 50 mil tilápias por ano em condições normais ainda em 2013, alheio ao risco de apagão que o problema representa. "Ajuda, só de Deus. Mas com essa chuva acho que em breve vou poder voltar meus tanques para perto de casa."
Para que isso ocorra, até maio deve chover o suficiente para recuperar o nível dos reservatórios da Região Sudeste e evitar novas liberações extras de água na represa. Como Furnas, a maioria das represas está com problemas. Das 139 usinas monitoradas pelo ONS, 30% estão com reservatório abaixo da metade e cerca de 20% não fazem estoque para a seca. (OESP)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Te cuida, 2013!!!

Change Bira, no Humor Político
Esperança é a chave para começar o Ano Novo e para a própria felicidade, sem ela não vamos a lugar algum. No caso de 2013, ela tem de ser contextualizada, para não parecermos ingênuos, porque todos os prognósticos são no mínimo cautelosos: recessão europeia, China “pisando no freio” no seu crescimento, o Brasil sendo desafiado a continuar se mantendo fora da crise e da recessão.
Esperança não parece ter a ver com as frias realidades da economia, ou do “mercado”, como queiram. Mas tem. Questão interessante é o lado psicológico da economia, hoje admitido abertamente pelos especialistas, pois o próprio temor de gastar já induziria à recessão a ser evitada. Para manter o mercado interno aquecido não basta fazer o ‘tema de casa’ econômico, é necessário ainda dar atenção à “psicologia de massas” da opinião pública e suas expectativas, para evitar as ondas de pessimismo. Nesse sentido foi eficaz a empatia com o povo do então presidente, em 2008 e 2009, usando expressões como a de que a crise aqui seria só uma “marolinha”, o que os intelectuais ironizaram na época.
Não sei quais os seus dilemas pessoais, então vamos falar dos nossos problemas conjuntos, que acabam influindo na sua vida pessoal também. Aliás, fala sério, você não achou mesmo que o mundo ia acabar em 2012, mesmo gostando de fatos “espetaculares” para sacudir o marasmo. Pois a entrada de 2013 traz as mesmas expectativas dos anos anteriores, não há mágicas nem tragédias anunciadas à vista, mas pode ser um ano muito duro, ou um ano que proporcione mudanças promissoras. Algumas das melhores análises do que nos espera em 2013 seguem sendo as de bons intérpretes dos fatos dos últimos anos, sobre a situação global e a local.
Ninguém vai bater à sua porta com “manuais para explicar o mundo”, mas quem tenta entender isso nos traz algumas pistas. Bibiana Medialdea Garcia e colegas espanhóis nos brindaram em fins de 2011 com “Quiénes son lós mercados y cómo nos gobiernam”, explicando aos leigos como funciona hoje o mercado financeiro – o que realmente comanda hoje a economia global. Na versão brasileira, um cientista político acessível aos leigos é André Singer. Em seu livro sobre o lulismo, ele descreve “a fissura entre o capital financeiro e o capital industrial” no seio da crise, na qual vê o governo em uma coalizão produtivista em confronto com uma “coalização rentista”, quer dizer, capital produtivo versus especulativo.
O paradoxo do fim de 2012 é interessante, porque o crescimento do PIB foi mínimo, mas o da renda familiar foi melhor. Para o economista Marcelo Neri, do Ipea, “o Brasil não vai tão bem como o povo”, enquanto em outras nações costuma ocorrer o contrário. Nos falta infraestrutura, competitividade, falta educação e um desenvolvimento sustentável que coíba a devastação das riquezas naturais. A esperança está viva, já esteve pior – quando o país ia bem e o povo ia mal – e ela diz “Te cuida, 2013!”. (EcoDebate)