quinta-feira, 20 de março de 2014

Centrais nucleares nunca serão 100% seguras

Centrais nucleares nunca podem ser 100% seguras, diz diretor geral da AIEA
Usina de Fukushima, após o desastre nuclear – Em 11/03/11 o mundo soube da tragédia de Fukushima: um fortíssimo terremoto e um tsunami de grandes proporções, a que se seguiu a explosão de uma usina nuclear com todas as consequências de um acidente nuclear: a difusão de radioatividade, que permanecerá ativa durante anos, ameaçando muitas gerações.
O diretor geral da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, afirmou nesta segunda-feira em Tóquio que a organização continuará aperfeiçoando suas normas depois do acidente de Fukushima, mas advertiu que uma central nuclear jamais será 100% segura.
Em uma entrevista coletiva antes de uma reunião com o primeiro-ministro nipônico Shinzo Abe, Yukiya Amano recordou que as regras devem evoluir.
“Para a segurança, o importante é que o processo seja evolutivo. Nós devemos melhorar a segurança continuamente, sem cair na auto satisfação”, insistiu.
“No entanto, uma catástrofe natural pode acontecer em qualquer parte do mundo. A segurança em 100% não existe”, advertiu.
Amano destacou que o que a agência nuclear da ONU poda fazer “é prevenir na medida do possível os acidentes potenciais para diminuir as consequências”.
No Japão, além dos seis reatores lacrados da central de Fukushima Daiichi – devastada pelo tsunami de 11 de março de 2011 -, os outros 48 reatores do país estão parados à espera de uma certificação de segurança. (ecodebate)

terça-feira, 18 de março de 2014

Primeiro ônibus elétrico mundial em SP

Primeiro ônibus elétrico do mundo transporta 135 mil pessoas em 10 dias em SP
O primeiro ônibus elétrico do mundo movido 100% a bateria completa neste sábado dias dez em circulação ligando Diadema, região metropolitana de São Paulo, ao Morumbi onde já levou mais de 135 mil pessoas que começam a conviver com esta aposta para reduzir as emissões de gases e ruídos.
Silencioso e mais leve, o ônibus opera com passageiros desde 05/03 14 dentro da frota urbana convencional que inclui veículos movidos a diesel, etanol, biodiesel, hidrogênio e, em alguns lugares, os tradicionais trólebus elétricos. O novo ônibus percorre, diariamente, 170 quilômetros nas várias viagens que realiza nessa rota.
Em uma parceria Brasil-Japão, o chassi, carroceria e motor do ônibus são fabricados aqui, já as baterias e o sistema de recarga de energia vêm da multinacional Mitsubishi.
A combinação foi definida pelo governo do estado de São Paulo como um projeto de transporte público ecologicamente correto e que em seus primeiros dias de operações já começa a seduzir os passageiros que se surpreendem pelo pouco barulho do veículo e sua trepidação menos brusca comparada aos outros ônibus.
O veículo funciona a partir um painel de controle que monitora o tempo de recarga, os níveis máximos e mínimos de consumo e outras informações necessárias antes de ligar.
A professora Evanir Souza, que todos os dias faz essa rota, comparou o barulho feito pelo veículo ao feito por um elevador, ou seja, muito pouco, e o definiu como um ônibus ecológico.
Os 11 quilômetros de cada trajeto, com 124 passageiros, são realizados em 40 minutos entre o terminal de ônibus de Diadema e a estação Morumbi do sistema de trens metropolitanos.
Apesar de ter estrutura e design idênticos aos demais veículos da frota, por ser "zero emissor de poluentes" o ônibus é uma alternativa para enfrentar a "nova realidade ambiental", conforme afirmou à Agência Efe o presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) de São Paulo, Joaquim Lopes.
"Para a cidade de São Paulo, a inserção urbana deste tipo de tecnologia eliminará toda essa parafernália de cabos aéreos (do trólebus) e teremos uma paisagem mais limpa e bonita, sem poluição e com menor barulho", destacou Lopes.
O projeto brasileiro-japonês é precursor no mundo para um sistema de transporte de grande escala, no qual os ônibus são movidos por 14 baterias de íons de lítio recarregadas a noite durante cerca de três e quatro horas contínuas e de dia, por dez minutos, a cada 50 quilômetros.
As baterias são similares às utilizadas em telefones celulares e outros aparelhos eletrônicos, mas com uma maior capacidade de recarga e duração. Agora o desafio do governo será continuar com os programas para descongestionar o serviço em todo o sistema, um dos desafios enfrentados há anos pela cidade.
"Para o planeta o ônibus é super saudável e pode operar em seu desempenho quase como os movidos a diesel graças a sua tecnologia de recarga e utilização de energia", disse à Agência Efe Ivan Carlos, gerente de Planejamento de Transporte, Desenvolvimento Tecnológico e Meio Ambiente (DPT).
Ele espera que depois dos seis meses de testes, que atualmente são realizados com passageiros no protótipo do veículo, os resultados técnicos e econômicos permitam avaliar a possibilidade de planejar uma produção em grande escala para o mercado. (yahoo)

domingo, 16 de março de 2014

Cenário mostra abastecimento comprometido em 2015

Cenário mais provável mostra abastecimento comprometido em 2015
Previsão é da Thymos Energia; Esforços conjuntos poderiam resultar em redução de demanda de 5%.
Levando-se em conta uma ligeira melhora nas vazões na comparação com março - que deve fechar em cerca de 70% da média de longo termo (MLT) nos próximos meses -, a tendência é chegar ao final do ano com uma Energia Natural Afluente (ENA) de 34%, o que compromete o abastecimento para 2015. A previsão é da Thymos Energia, que traçou nove cenários, nos quais esse é considerado o mais provável.
Neste panorama, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) deve oscilar ao longo do ano muito acima da média histórica. Em abril, o valor já deve fechar abaixo dos R$822,93/MWh de fevereiro e março, valor teto estipulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em R$732/MWh, chegando ao final do ano em R$482/MWh.
Apenas a título de ilustração, já que se trata de um cenário tão pouco provável como a total reversão e recuperação das vazões, a manutenção das condições atuais representaria uma ENA ao final de 2014 de apenas 2%.
Para João Carlos Mello, da Thymos Energia, o comprometimento do abastecimento para o próximo ano será uma realidade se não houver nenhum instrumento que incentive uma desaceleração da demanda. "Esforços conjuntos poderiam causar uma redução voluntária de consumo de 5%", afirmou o consultor, durante o evento Agenda Setorial 2014 - Regulação e Mercado, realizado em 13/03/14 no Rio de Janeiro.
Por esforços conjuntos, Mello aponta práticas operativas do Operador Nacional do Sistema (ONS) e programas de bonificação à população aos moldes do que está sendo feito pela concessionária de água e saneamento Sabesp, de São Paulo, que está enfrentando o problema dos níveis críticos em seus reservatórios.
Presente ao evento, o ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Edvaldo Santana afirmou que as distribuidoras são livres para fazer esse tipo de apelo em suas respectivas áreas de concessão. Um aviso desse tipo partir do governo, porém, é considerado pouco provável pelos agentes do setor elétrico, por soar extremamente impopular em um ano eleitoral. (jornaldaenergia)

Abastecimento energético em 2015 será comprometido

Abastecimento de energia em 2015 pode ser comprometido, avalia Thymos Energia
Cenários traçados pela consultoria mostram que a tendência é que o PLD do SE/CO chegue a R$ 482/MWh em dezembro/14.
O abastecimento de energia para 2015 pode estar comprometido, segundo avaliação da Thymos Consultoria. A empresa traçou alguns cenários para esse ano e o mais provável mostra que a tendência é chegar ao final do ano com uma Energia Natural Afluente de 34%.
"A ENA até o final do período chuvoso no Sudeste é fundamental para segurança e preços", afirmou o presidente da Thymos Energia, João Mello, durante o Fórum Agenda Regulatória: Regulação e Mercado, que aconteceu nesta quinta-feira, 13 de março no Rio de Janeiro.
A consultoria ainda traçou cenários de tendências para o PLD do Sudeste/Centro-Oeste neste ano. No cenário mais provável, o preço cairia dos atuais R$ 822,83/MWh para R$ 732/MWh em abril, chegaria a R$ 540/MWh em setembro e fecharia o ano em R$ 482/MWh em dezembro. "Isso levando em consideração a situação que temos hoje", declarou.
O que poderia melhorar a situação do abastecimento em 2015, de acordo com Mello, seria uma redução da demanda, que poderia ser estimulada pelas distribuidoras, premiando, por exemplo, consumidores que conseguissem reduzir seu consumo. (canalenergia)

Temperaturas extremas e a produção energética mundial

Temperaturas extremas pressionam produção energética no mundo
Brasil sente os efeitos das altas temperaturas e de chuvas insuficientes
A tendência já verificada por cientistas de que extremos climáticos se tornem mais comuns, fazendo com que sejam registradas com frequência temperaturas muito mais altas ou muito mais baixas do que a média, tem pressionado a produção de energia no mundo.
Um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, ligado à ONU) havia indicado, no semestre passado, que as mudanças nos padrões climáticos devem levar não apenas a temperaturas mais altas, como também a mais seca e enchentes. Estudos sugerem também que alterações em ventos de grande altitude, provocados pelas mudanças climáticas, favoreçam ondas de frio extremo.
Em países como Brasil, Argentina, Austrália, Estados Unidos e Canadá, operadoras de energia têm identificado mudanças nos padrões de consumo, com novos picos, em grandes partes causadas pela necessidade de resfriar ou aquecer ambientes.
Ainda que não haja dados globais de consumo relacionados à temporada de forte calor e frio, a Agência Internacional de Energia aponta a forte correlação entre as temperaturas externas e o uso energético – e explica que o consumo extra muitas vezes tem anulado “os efeitos de medidas tomadas para melhorar a eficiência energética”.
No caso brasileiro, o verão extremamente quente e seco provocou recordes históricos de demanda de energia em dias de janeiro e fevereiro, segundo dados da ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico).
Em 12/03/14 a operadora informou que o consumo de energia em fevereiro subiu 7,8% em relação ao mesmo mês de 2013.
Foram batidos consecutivos recordes de uso de energia, culminando com o pico histórico de demanda de 85.708 megawatts às 15h41 de 5 de fevereiro. “A causa se deve à continuidade das altas temperaturas e ao índice de desconforto térmico na hora de maior insolação”, constata boletim da operadora.
Além disso, o calor e a mudança nos padrões de consumo alterou os horários de pico brasileiros – tradicionalmente eram por volta de 18h às 20h, mas passaram a ocorrer entre 14h30 às 15h30, puxados em boa parte pelo uso de ar-condicionado em residências, escritórios e espaços comerciais.
“Um dos principais fatores é que aumentou muito a posse de aparelhos de ar-condicionado, (puxada pelo) aumento de renda e a nova classe média. Além disso, quando faz mais calor, é preciso mais energia para conseguir resfriar o ambiente”, diz à BBC Brasil Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas de Energia.
“Antigamente, o horário de ponta tinha o chuveiro elétrico como vilão. Agora, o ar tem ficado ligado durante boa parte do dia.”
Estiagem
O problema maior atual, no entanto, não é o aumento consumo de energia no Brasil, opina Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da UFRJ.
“O problema é a seca, num período (de verão) em que deveríamos ter tido chuvas”, diz Castro à BBC Brasil, em referência à falta de chuvas no Sudeste brasileiro entre janeiro e fevereiro. “Como nossa matriz energética é 90% de hidrelétricas (ou seja, dependente da água da chuva), estamos perdendo reservatórios com as altas temperaturas e a falta de chuvas.”
Ele cita medições indicando que, nos primeiros 15 dias de fevereiro, choveu apenas um terço da média esperada para essa época do ano. No mês, as chuvas no Sudeste/Centro-Oeste tiveram o segundo pior volume do histórico de dados, desde que passaram a ser registrados.
Castro e Tolmasquim explicam que uma mudança importante é que o país não tem mais construído hidrelétricas com reservatórios de água (por motivos ambientais e porque o potencial dessas represas se esgotou). Na ausência de uma reserva, a chuva é ainda mais essencial para manter elevados os índices das hidrelétricas. E, na ausência de chuvas, o país tem tido que recorrer com mais frequência às usinas térmicas, que são mais poluentes.
Problema global
Os inconvenientes pelas altas temperaturas se repetiram na Austrália no início do ano, onde a alta demanda por energia elétrica provocou apagões pontuais em algumas regiões; e na Argentina, onde o jornal La Nación informou, em 1º de fevereiro, que o calor também provocou dias de recorde de consumo energético.
Já na América do Norte, o problema recente foi o frio extremo do início do ano, causado pelo fenômeno do vórtice polar (massas de ar do ártico na forma de ciclones) e por persistentes ondas frias.
“As temperaturas ao leste das Montanhas Rochosas estão significativamente mais frias neste inverno em comparação com o ano passado e a média anterior de dez anos, colocando pressão crescente sobre o consumo e sobre o preço de combustível para aquecer ambientes”, diz relatório de fevereiro da Administração de Informações Energéticas dos EUA.
Efeito semelhante foi sentido no leste do Canadá.
Relatório de fevereiro da Organização Meteorológica Internacional, ligada à ONU, lista “uma série de condições climáticas extremas nas primeiras semanas de 2014, dando continuidade a um padrão visto em dezembro de 2013”. (ecodebate)