terça-feira, 4 de outubro de 2022

Aneel aprova associação de eólicas e fotovoltaicas da Neoenergia

Pedido de empresa envolve 17 usinas dos complexos Chafariz e Luzia.

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou a associação das usinas do Complexo Eólico Chafariz e do Complexo Fotovoltaico Luzia, da Neoenergia. A medida vai otimizar a contratação do acesso das eólicas Canoas 2 a 4, Chafariz 1 a 7, Lagoas 3 e 4, Ventos de Arapuá 1 a 3 e das geradoras fotovoltaicas Luzia 2 e 3 ao Sistema Interligado Nacional.

A Aneel definiu uma faixa de potência de 471.240 kW a 590.976 kW para os empreendimentos. O Operador Nacional do Sistema deverá formalizar o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão referente à associação, mediante solicitação da empresa.

As áreas técnicas da agência terão que fazer alterações na Resolução Normativa 954 e nos Procedimentos de Rede, para que a definição da faixa de potência de usinas associadas possa ser informada pelos empreendedores diretamente ao ONS. Após os ajustes, o operador terá seis meses para adequar seu Sistema de Acesso, de forma a permitir que os dados sejam inseridos pelo gerador.

Regulamentação

A associação de projetos eólicos e solares da Neoenergia é resultado da aprovação em novembro passado das regras para usinas híbridas e associadas. A Resolução 954 trata de outorga, contratação do uso dos sistemas de transmissão, tarifação dos empreendimentos e descontos nas tarifas de uso (Tust).

Usinas híbridas ou associadas são sistemas resultantes da combinação de duas ou mais fontes de produção de energia, que compartilham fisicamente e contratualmente a infraestrutura da rede elétrica. A central geradora híbrida tem uma única outorga, com medição única ou distinta por tecnologia, enquanto a associada é composta por instalações com outorgas e sistemas de medição diferentes. (canalenergia)

Eficiência energética em hospitais receberá até R$ 128 mi

Projetos de eficiência energética em hospitais devem receber até R$ 128 mi.
Propostas apresentadas por distribuidoras vão beneficiar mais de 140 estabelecimentos públicos e filantrópicos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou as 14 propostas apresentadas por distribuidoras na chamada de projeto prioritário de Eficiência Energética para hospitais públicos e filantrópicos. O projeto tem investimento previsto de R$123 milhões, mas o valor deve alcançar quase R$ 128 milhões com as contrapartidas previstas.

Os projetos de eficientização foram submetidos à Aneel pelas empresas Copel Distribuição, CPFL Paulista, CPFL Piratininga, RGE Sul Distribuição, Celesc Distribuição, Energisa Acre, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Paraíba, Energisa Tocantins, Energisa Mato Grosso e Eletrocar.

Eles têm como objetivo reduzir a conta de energia em estabelecimentos de saúde, com ações que podem envolver troca de equipamentos, adequações prediais e instalação de sistemas de geração fotovoltaica.

Serão beneficiados diretamente 117 hospitais, mas o número final deve superar 140 estabelecimentos, considerando que um dos projetos será feito de forma cooperada. Do grupo de beneficiários 97 devem receber painéis solares.

É esperada economia de energia de 37.780,96 MWh/ano, sendo que para cada R$ 1,00 investido é calculado um retorno para a sociedade de R$ 1,27. O Grupo CPFL e a Copel se destacam na destinação de recursos para o projeto. O grupo de distribuição alocou em torno de R$ 51 milhões somente na CPFL Paulista, enquanto a estatal paranaense vai destinar R$ 36 milhões.

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse que ficou particularmente frustrado com a ausência no projeto de distribuidoras que atuam em áreas de concessão com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Apenas a Energisa apresentou propostas para as distribuidoras do grupo no Acre e em Tocantins, no Norte, e na Paraíba, no Nordeste.

Em meados de 2019, a Aneel já discutia o uso de recursos do programa regulado de eficiência energética, que tinha em caixa R$1,8 bilhão. Uma parte desses recursos foi usada, no entanto, para reduzir os impactos da pandemia do coronavírus para o consumidor em 2020.

Outra parcela ainda em conta foi usada em hospitais públicos, aproveitando projetos já existentes de distribuidoras para a troca de equipamentos menos eficientes. “Quando a gente faz uma retrospectiva, R$ 305 milhões, em valores históricos, já foram utilizados”, destacou o diretor, lembrando que a regulamentação do uso de recursos de eficiência energética pode alcançar 4 mil estabelecimentos de saúde no Brasil.

Consulta pública: projetos de eficiência energética em hospitais.

O projeto para hospitais públicos e beneficentes terá 2 etapas, com diagnósticos energéticos em larga escala e ações de eficiência em diversos consumidores beneficiados. (canalenergia)

domingo, 2 de outubro de 2022

NHS lança inversor híbrido produzido 100% no Brasil

QUAD utiliza energia solar para suprir as necessidades do local e o que sobra é armazenado.

A NHS lança inversor híbrido desenvolvido e fabricado no Brasil. O QUAD, assim como é chamado, é on e off grid, ou seja, ele injeta energia na rede elétrica e ainda conta com um backup de baterias para o armazenamento de energia solar.

De acordo com a NHS, o QUAD utiliza a energia solar para suprir as necessidades do local e o que sobra é armazenado. O excedente volta para a rede de distribuição gerando créditos que são revertidos em descontos na fatura de energia. “Na prática, a tecnologia une as funcionalidades do on grid e do off grid, o que o torna uma solução capaz de utilizar a energia solar com autonomia e segurança”, disse o diretor comercial e de marketing da NHS, Fabio Moro.

Ele explica, ainda, que muitas pessoas desconhecem o fato de que a energia solar fotovoltaica depende da energia elétrica para funcionar. “Com o QUAD, se houver queda de energia durante a noite, por exemplo, o sistema utilizará do armazenamento. Assim que amanhecer e voltar a incidência do sol, o sistema passa a utilizar a energia solar e armazenar o excedente”, ressaltou.

De acordo com o diretor, o QUAD representa uma solução para os problemas enfrentados pelos segmentos que acabam sendo mais prejudicados em quedas de energia, como o agronegócio e o hoteleiro. “Um tempo sem energia gera prejuízos enormes para os produtores de leite e de animais. E imagine uma pousada em que os hóspedes não conseguem tomar um banho quente. Por isso, os projetos são flexíveis e adaptados de acordo com a necessidade de cada cliente, que varia conforme o porte e o segmento”.

Ele ainda destaca que outra vantagem do QUAD é que por ele ser 100% produzido no Brasil, o suporte é nacional com assistência técnica especializada direto com o fabricante. Assim, o pós-venda é rápido e o cliente tem a garantia de uma das maiores e mais tradicionais empresas do segmento. (canalenergia)

Braskem vê inserção do H2 verde para 2050

Fabricante vê uso do combustível no futuro para produção de químicos verdes e na eletrificação e descarbonização da indústria, mas prioriza nessa década a gestão energética e outras formas de reduzir em 15% suas emissões.

A petroquímica Braskem está avaliando as formas mais viáveis para o desenvolvimento de uma cadeia de hidrogênio destinadas a produção de químicos verdes e também sob a ótica energética da descarbonização e eletrificação da indústria, mirando a inserção do novo combustível para as próximas duas décadas.

“Estamos estudando e vendo alguns avanços para inclusão de unidades de pequena escala em Camaçari (BA), mas olhando com muito cuidado a viabilidade técnica e econômica, como por exemplo, nas questões logísticas”, afirmou em 30/08/22, o diretor de Energia e descarbonização industrial da Braskem, Gustavo Ceccucchi, durante o Fórum de Inovação da Siemens.

O executivo comentou que o H2 verde pode ajudar a eletrificar um forno elétrico, ainda que dificilmente a tecnologia chegue até 2030, como o mercado mais otimista comenta, apontando que o setor petroquímico deva trabalhar com esses equipamentos elétricos em 2050 com o novo vetor sendo uma solução.

“É um potencial importante a ser desenvolvido, mas tem que ser visto concatenado com outras soluções, e quando olhamos nossa curva de abatimento de carbono tem coisas que vem antes”, relatou o especialista, falando sobre a priorização dos investimentos para um dos industriais mais eletro intensivos do país, com consumo de 700 MW médios, sendo esse volume 10% de sua demanda energética, visto ser uma fabricante que utiliza majoritariamente processos térmicos.

Gestão energética

Para Ceccucchi, a eletrificação em geral tem se mostrado viável, apesar de não estar colocada de forma tão consolidada na indústria e necessitar também de sistemas de armazenamento que garantam a robustez e confiabilidade dos sistemas. O primeiro desafio é a competência das pessoas para transformar essa indústria, não só pelo engajamento, mas pelo desenvolvimento tecnológico.

“Vamos ter que arriscar mais e sair, ser mais ousados, pois as tecnologias ainda não estão consolidadas”, complementa.

A Braskem possui pelo menos dez projetos na área de energia sendo desenvolvidos com parceiros diferentes, seja no segmento eólico, com a Casa dos Ventos e EDF, solar, biomassa, num projeto em que está plantando quase 5 mil hectares de eucalipto, além de eficiência energética e uma unidade de cogeração junto a Siemens.

“Estamos estudando o biometano e a energia vinda da biomassa para descarbonizar a matriz elétrica da empresa, além das usinas eólicas e solares”, acrescenta Ceccucchi, ressaltando e comparando o consumo da companhia a países como Luxemburgo e Uruguai, o que induz a necessidade de uma gestão energética diferenciada para garantir otimização, eficiência e a descarbonização.

Braskem e Veolia investiram nesse ano R$ 400 milhões em unidade de geração de vapor a biomassa.

Ele contou no evento que esse processo foi iniciado há alguns anos, quando a empresa passou a fazer o controle muito mais intenso dos processos em que utilizava eletricidade, com o preço horário definindo de maneira automática a operação da fabricante em suas unidades, conseguindo definir da melhor forma a opção pelo acionamento de uma máquina elétrica ou uma turbina em função do custo energético de determinado momento.

“Projetamos resina e fazemos algo similar para energia, otimizando todo processo dinâmico energético dos próximos meses, vendo qual combustível irá utilizar e as flexibilidades possíveis”, lembra o dirigente, destacando ainda a necessidade de renovação dos ativos da década de 70 e 80, quando o setor elétrico era muito diferente.

Para o executivo, mais do que o crescimento da capacidade de negócios, o desafio é como a companhia irá se transformar em uma indústria que tem a capacidade de fazer a substituição de suas máquinas e equipamentos cada vez mais conectadas com o advento da energia limpa e as questões ESG.


“Fizemos um programa de descarbonização robusto nesse último ano e é incrível como esse tema reúne as pessoas, com mais de 200 colaboradores da empresa”, ressaltou. Por fim, Gustavo Ceccucchi destacou duas metas da companhia: neutralidade em carbono até 2050 e antes disso, mais diretamente reduzir em 15% as emissões do escopo 1 e 2 até 2030. (canalenergia)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

10% da energia no mundo vêm de usinas nucleares

10% da energia no mundo vêm de usinas nucleares; você sabe seus impactos?
Vista da usina nuclear de Chernobyl na cidade fantasma de Pripyat, na Ucrânia.

Na batalha contra a emissão de gases causadores do efeito estufa, a União Europeia tem apostado neste ano em uma medida polêmica entre os ambientalistas: considerar a energia nuclear como energia verde. A decisão apresenta uma forte motivação econômica, já que países investidores em sistemas sustentáveis podem obter empréstimos mais abrangentes para financiar a geração de energia. Ao mesmo tempo, devido às sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, a energia nuclear também passou a ser objeto de discussão entre governantes que buscam a substituição para o gás e o petróleo russos.

Hoje, segundo dados da Associação Nuclear Mundial (WNA, na sigla em inglês), existem usinas nucleares em operação em pelo menos 30 países, com mais de 400 reatores em funcionamento, o que inclui o Brasil, com as usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro. Essas estruturas são responsáveis por 10,4% da energia elétrica produzida no mundo todo.

Embora estejam diretamente relacionadas a acidentes que provocaram devastação nas regiões de Chernobyl, na Ucrânia, e Fukushima, no Japão, as usinas nucleares podem ser consideradas seguras? Quais os impactos da geração de energia nuclear? Ecoa ouviu especialistas na área para explicar essas e outras questões sobre o assunto.

Como funciona a geração de energia nuclear?

O professor Celso Duarte, do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a energia nuclear é a energia existente dentro do núcleo dos átomos, a menor parcela de um elemento. Ocorre que os seres humanos não fazem uso diretamente desse tipo de energia. Para isso, é necessário um meio indireto. Reatores nucleares recebem pastilhas de urânio ou plutônio, que passam por um processo de fissão, ou seja, uma quebra.

Esse processo libera a chamada energia nuclear. "Quando se consegue liberar essa energia do núcleo do átomo, uma grande quantidade de calor é produzida. Esse calor é aproveitado, então, em um sistema para aquecer água, que se transforma depois em vapor. É o vapor que impulsiona turbinas do gerador de energia elétrica", diz.

Áágua que tem contato com o reator, por sua vez, permanece em um circuito fechado, a fim de ser reutilizada. Duarte observa que esse processo de aquecimento que, ao final, resulta em energia elétrica é parecido com o sistema das usinas termoelétricas que usam carvão. No entanto, no caso das usinas nucleares, não existe geração de dióxido de carbono, por não existir queima de combustíveis fósseis.

A energia produzida é limpa?

Do ponto de vista da emissão de gases poluentes, sim. No entanto, as usinas nucleares apresentam outros pontos envolvendo o meio ambiente que merecem atenção. Um deles é a extração do urânio, atividade de mineração que pode impactar o solo e a água, elenca o professor da UFPR. No caso do urânio tem-se, ainda, uma matéria-prima que não é renovável.

Outro ponto de destaque sobre os impactos das usinas nucleares é a geração de resíduos. "Chega uma hora em que essas pastilhas já geraram todo o calor que podiam, mas continuam radioativas", observa Duarte, acrescentando que os subprodutos do urânio, por exemplo, precisam ficar acondicionados em tambores especiais para evitar a contaminação do meio ambiente por material radioativo.

Esse tempo de armazenamento, salienta o professor Luís Mauro Moura, da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), pode chegar a milhões de anos, dependendo do material radioativo. O urânio, por exemplo, precisa ser trocado a cada três anos nos reatores. "É um material cumulativo, de alto risco pelo tempo que precisa ser estocado. É como se deixássemos uma herança de milhões de anos", pontua.

Moura assinala que, no caso do plutônio, países como a França costumam reciclar esse tipo de material. Contudo, esse é um processo que pode ser dificultado pelo volume de resíduos gerados.

Quais os riscos gerados pelos resíduos nucleares?

Um desses riscos é o de vazamento, analisa o professor da Escola Politécnica da PUC-PR. Ele explica que os resíduos vão para tanques metálicos que, dependendo da tecnologia empregada, são postos em grandes piscinas que são concretadas posteriormente. Com o passar do tempo, entretanto, podem ocorrer rachaduras por causa do aquecimento provocado pelo resíduo nuclear.

Os vazamentos de material radioativo podem afetar tanto o solo quanto lençóis freáticos nas imediações. "Houve uma época em que a Alemanha enviava resíduos para serem estocados na África. Mas, mesmo com isso sendo estocado em cavernas, havia o risco de terremotos e a proteção ao urânio ser quebrada, provocando o vazamento do material no solo", comenta Moura.

Ele recorda que, na década de 1980, o Brasil registrou um acidente radioativo em Goiânia (GO), envolvendo Césio-137, e até hoje isso gera preocupação entre especialistas.

Estádio Olímpico de Goiânia em 1987 nos trabalhos de contenção da tragédia do Césio 137.

Um equipamento de radioterapia abandonado onde funcionava uma antiga clínica foi encontrado por catadores de papel, que procuravam chumbo para vender para um ferro-velho. Uma única capsula com o componente radioativo foi aberta e fragmentos do material, na forma de um pó azul brilhante, foram espalhados por diversos locais da cidade. Mais de 100 mil pessoas tiveram de ser monitoradas, sendo que quatro faleceram. Outras dezenas tiveram complicações, em maior ou menor intensidade, em decorrência do contato com a radiação.

Passados mais de 30 anos, grupos ainda medem a propagação da radiação na região para ter certeza de que não há riscos de contaminação do aquífero guarani, reserva subterrânea de água doce que abrange o estado de Goiás e outras regiões do país. "E tudo isso aconteceu com uma quantidade muito pequena de material", observa o professor, ao citar também o caso de Chernobyl como mais uma situação que precisa de constante monitoramento após o acidente nuclear.

Qual o impacto da radiação em seres humanos?

Em caso de acidente com resíduos radioativos ou usinas nucleares, Moura destaca a possibilidade de queimadura por radiação e mutações. Ambas podem levar à morte. "Em grandes concentrações, a radiação mata as células. Em doses menores, pode gerar mutações ou alterações genéticas, como o câncer", salienta.

0ª publicação Ele acrescenta que pessoas que trabalham em áreas envolvendo esse tipo de material também devem seguir uma jornada diferenciada devido à possível exposição à radiação. "Na França, o plutônio que será reciclado segue de trem para uma usina na região da Bretanha. A estrada de ferro, uma área fechada, por onde passam esses trens já tem uma radiação residual. Então, quem trabalha na linha férrea já tem um tempo menor de trabalho por causa disso", exemplifica.

Usinas nucleares são seguras?

Sim, desde que o controle, incluindo o de rejeitos nucleares, seja eficaz, apontam os professores da PUC-PR e da UFPR. Duarte ressalta que é preciso que haja pressão junto ao setor para que existam critérios rigorosos na manutenção dessas usinas. "Países mais desenvolvidos acabam tendo um contexto cultural mais aprimorado e uma consciência social maior, então o nível de exigência acaba sendo maior", acredita ele.

Moura, por outro lado, lembra que ter uma usina segura custa caro. E, dependendo do interesse econômico envolvido, os níveis de segurança podem ser baixados, a fim de baratear o custo da energia produzida. É neste ponto que os riscos aumentam. "Com isso, uma hora acontece um acidente", lamenta. (uol)