sábado, 10 de dezembro de 2011

Biogás: um condomínio de energia

Ao chegar a algumas propriedades do Condomínio de Agroenergia do Rio Ajuricaba, no oeste do Paraná, um visitante distraído pode estranhar as salvas de palmas para as vacas que estão dentro do curral. Esta, contudo, é uma atividade corriqueira por ali, depois que um dos criadores observou que o bater das mãos imitava o som dos dejetos do animal caindo no chão. Como os bovinos tendem a imitar o grupo, eles são estimulados a evacuar quando ouvem este barulho.
Mas, por que estimular os animais a estercar todos ao mesmo tempo e, o mais importante, dentro do curral? Esta é uma maneira de aumentar a produção de um rico produto da sua fazenda. O dejeto dos animais é a matéria-prima do biodigestor instalado ao lado do curral de cada propriedade.
Ao limpá-lo com jatos de água (acumuladas da chuva em uma caixa d´água), o produtor direciona os dejetos para uma rede de dutos que leva ao biodigestor. Este, por sua vez, produzirá biogás e, depois, biofertilizante, que terá como destino as plantações de milho da sua propriedade.
No final de agosto, o Instituto Ideal foi conferir de perto o Condomínio de Agroenergia do Rio Ajuricaba, um projeto inédito da Itaipu Binacional na área de aproveitamento energético de biogás, desenvolvido em parceria com a prefeitura de Marechal Cândido Rondon, a empresa de assistência técnica e extensão rural do Paraná (Emater-Paraná), a Copel (Companhia Paranaense de Energia) e a Embrapa.
O principal diferencial do projeto é trabalhar com uma escala reduzida de produção de resíduos orgânicos, o que não tornaria viável a geração de energia individualizada. Para garantir este aproveitamento energético, a solução encontrada foi instalar uma rede de 25,5 quilômetros de gasodutos que transportam o biogás até uma microcentral termoelétrica, com capacidade para gerar cerca de 445 mil kWh por ano de energia elétrica.
Ao todo, o conjunto de propriedades gera 16 mil toneladas de dejetos por ano, que tratados sanitariamente nos biodigestores podem gerar 266 mil metros cúbicos de biogás anualmente.
Benefícios econômicos e ambientais - Parte do biogás já pode ser aproveitado na propriedade, para o aquecimento de água no sistema de limpeza do curral ou no uso doméstico. O biogás que chega a microcentral, além de gerar eletricidade, poderá também ser usado para a secagem dos grãos colhidos pelos agricultores.
O secador instalado próximo é capaz de secar 500 sacas de grãos em 12 horas e permite uma economia de 30% em relação ao processo tradicional, além de manter as propriedades orgânicas e alimentares através da geração de calor com ar indireto.
A estimativa da Superintendência de Energias Renováveis da Itaipu é que os produtores possam obter 270 mil reais anuais com o novo produto, visto as diversas aplicações do biogás e o uso do biofertilizante. Para gerenciar o sistema, os agricultores criaram uma cooperativa, a Cooperbiogás.
Muito mais do que benefícios econômicos, o projeto garante ganhos ambientais e sociais, já que o sistema elimina o mau cheiro e moscas e preserva os cursos de água da região.
“A economia do biogás é de grande impacto local, pois acontece a partir da descentralização da geração de energia e que deve ser medida em quilowatt hora, mas também em sanidade ambiental e desenvolvimento microeconômico local”, afirma o superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Cícero Bley. (ambienteenergia)

Usinas térmicas a gás podem ficar desligadas

Com reservatórios das hidrelétricas alcançando níveis recordes, o País pode fechar 2011 sem precisar acionar usinas térmicas a gás natural, segundo perspectivas do Operador Nacional do Sistema (ONS). Será a primeira vez que as térmicas ficam sem uso em um ano, desde a implementação do novo modelo do setor elétrico, em 2007.
"Além da hidrologia favorável, o fato de termos acionado as térmicas em doses homeopáticas nos últimos anos contribuiu para poupar água e chegarmos ao cenário atual", avaliou o diretor-geral do ONS Hermes Chipp.
A principal vantagem de deixar as termelétricas desligadas é para o bolso do consumidor. No ano passado, uma conta de R$ 670 milhões foi dividida entre os consumidores. Em 2007 e 2008 esse valor tinha alcançado o pico de R$ 2,3 bilhões e R$ 1,5 bilhão, respectivamente.
Chipp avalia que, mesmo que as unidades tenham de ser acionadas, a conta a ser dividida com o consumidor ficará "bem abaixo de R$ 250 milhões". Ele acredita que a probabilidade de as térmicas não serem ligadas teve uma redução com a decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) na semana passada de aumentar o volume mínimo dos reservatórios de 42% para 46% no Sudeste, e de 25% para 32% no Nordeste.
A elevação foi provocada por atraso da entrada de operação de 11 termelétricas - a maior parte composta por projetos do Grupo Bertin - que tinham entrada em operação prevista para 2011 e 2012 num total de 1,6 mil MW. "Elevando o nível aumenta a possibilidade de acionarmos as térmicas, mas ainda assim, há chances de fecharmos o ano sem acionar nenhuma unidade", comentou.
Segundo ele, os níveis dos reservatórios são os melhores dos últimos dez anos no País. Na região Sudeste, os reservatórios estão com 90,7% de sua capacidade ante 66% no ano passado. No Nordeste, está em 79,6% ante 64%. Na região Norte alcançam 89% ante 76% em 2010; na região Sul, 95,4% ante 88%. De acordo com Chipp além da hidrologia favorável, a entrada de novas fontes de geração tem elevado a segurança do sistema. "Só em eólica temos 500 MW entrando. Isso eleva também as sobras."
Custo
A vantagem de deixar as termelétricas desligadas é o bolso do consumidor. No ano passado, a conta foi de R$ 670 milhões (OESP)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O carvão ainda é importante fonte de energia

Grande emissor de CO2 o carvão permanece importante fonte de energia no mundo em desenvolvimento
Termelétrica a carvão
Torres de concreto de destacam em meio à vegetação africana, enquanto a maior usina elétrica do continente, movida a carvão, toma forma em um projeto multibilionário que mostra a dificuldade que as nações em desenvolvimento têm de prescindir do carvão, um dos combustíveis fósseis que mais emitem carbono.
A África do Sul, assim como a China e a Índia, tem grandes reservas domésticas de carvão que fornecem uma fonte barata de energia para uma demanda sempre crescente. Mas este recurso também levou estes países a ocuparem os níveis mais altos de emissões de dióxido de carbono, o principal gás causador de efeito estufa.
Os três estão entre os cinco maiores produtores de carvão, que gera 90% da eletricidade da África do Sul, 70% da China e 55% da Índia.
No conjunto, investem dezenas de bilhões de dólares em novas usinas movidas a carvão, enquanto avançam com planos de desenvolver energia nuclear e de fontes renováveis. “Ultimamente o carvão virou palavrão. Ninguém gosta dele, mas o país precisa de eletricidade”, afirmou Cornelis van der Waal, analista sul-africano de energia da consultoria Frost and Sullivan.
“Todo mundo adoraria usar energia limpa, mas o carvão é barato e neste momento é o que o país pode pagar”, acrescentou.
A África do Sul planeja dobrar seu suprimento de energia nos próximos 20 anos, mas apesar das propostas ambiciosas de fontes renováveis e nucleares, o carvão ainda responderá por até 65% da matriz energética do país.
Situada nos arredores da cidade de Lephalale (norte), a usina de Medupi, estimada em 125 bilhões de rands (US$ 14,8 bilhões de dólares) será a quarta maior do mundo quando estiver operacional, dentro de dois anos. Além dela, está em construção a igualmente grande central de Kusile, também movida a carvão. Medupi é considerada a primeira usina de carvão “supercrítica” (com tecnologia mais eficiente), que usa temperaturas mais elevadas capazes de gerar mais energia com menos carvão, emitindo menos cinzas e dióxido de carbono. A usina também terá filtros para reter mais emissões.
A China mantém o desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento, que aprisionaria o dióxido de carbono no subsolo, enquanto África do Sul e Índia afirmam que esta é uma perspectiva distante ambos.
Um projeto está em construção na Mongólia interior pela estatal China Shenhua Group, que planeja bombear dióxido de carbono liquefeito no subsolo do deserto, onde poderá ficar armazenado por 1.000 anos.
A China não revelou o custo ou extensão de sua expansão elétrica, mas planeja reduzir a participação do carvão a 63% de sua matriz energética até 2015.
A Índia, por outro lado, espera que o carvão aumente sua participação a 65% até 2030. O país construiu 55 usinas movidas a carvão desde 2007 e planeja construir outras 100 na próxima década, afirmou o ministro responsável pelo carvão.
Ambientalistas reclamam que os países não fazem o suficiente para desenvolver fontes renováveis de energia e criticam particularmente a África do Sul, em um momento em que o país se prepara para sediar, a partir da semana que vem, a próxima rodada de negociações climáticas, em Durban.
“A energia renovável supera o carvão em todos os contextos e construir colossais usinas alimentadas a carvão é um absurdo em face dos efeitos catastróficos das mudanças climáticas”, afirmou Melita Steele, ativista do Greenpeace África. (EcoDebate)

Carvão Mineral

O carvão mineral é um combustível fóssil natural extraído do subsolo por processos de mineração. É um mineral de cor preta ou marrom prontamente combustível. É composto primeiramente por átomos de carbono e magnésio sob a forma de betumes. Dos diversos combustíveis produzidos e conservados pela natureza sob a forma fossilizada, acredita-se ser o carvão mineral o mais abundante.
O carvão mineral tem uma extração perigosa.
Existem doze entrepostos instalados no Brasil com capacidade de armazenar 8 milhões de toneladas de carvão mineral, sendo que o de Tubarão, Santa Catarina, é para seis milhões de toneladas, ocupando uma área de 120 hectares.
É a segunda fonte de energia mais utilizada do mundo, depois do petróleo, sendo responsável por 23,3% da energia consumida no mundo em 2003 e, no Brasil, por 6,6%.
O carvão mineral é um combustível fóssil muito antigo, formado há cerca de 400 milhões de anos. Passou a ter grande importância para a economia mundial a partir da Primeira Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra (século 19), quando a máquina a vapor passou a ser utilizada na produção manufatureira.
O Brasil possui 0,1% do carvão conhecido no mundo, mas ele é considerado de baixa qualidade. É utilizado, principalmente, em usinas termoelétricas. As principais reservas estão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em Santa Catarina algumas cidades se destacam como Criciúma, Lauro Müller, Siderópolis e Urussanga como produtoras e/ou vias de escoamento desta produção.
O carvão mineral é muito poluidor, pois apresenta substâncias chamadas de sulfetos que podem reagir quimicamente com o ar ou água (por causa da presença de oxigênio), e forma substâncias como o ácido sulfúrico e sulfato ferroso que vão para o subsolo e para o lençol freático, contaminando solos, rios e lagos. A queima do carvão também libera substâncias que provocam poluição atmosférica, como fuligem, chuvas ácidas, e ainda contribuem para o efeito estufa. (energiaxmeioambiente)

Pernambuco e a maior usina suja do mundo

Governo traz para Pernambuco a maior usina suja do mundo
Já esta se tornando lugar comum, com toda pompa e marketing político, os anúncios bombásticos feito pelo governador de Pernambuco a respeito da chegada de novas empresas que vem para aqui se instalar, quase sempre em alguma cidade no entorno do complexo industrial e portuário de Suape.
A imprensa saúda o progresso chegando, o dinamismo da economia pernambucana. Três palavras chaves são abusadamente utilizadas e propagandeadas aos quatro ventos, justificando e anestesiando a população em geral e os setores da elite local, que de dia cantam loas a necessidade de proteger a natureza, o meio ambiental, mas na calada da noite, estimulam, promovem e saqueiam as matas, os rios e o ar que respiramos. Progresso, criação de postos de trabalho e geração de renda, bendita seja esta tríade que consegue calar toda uma população, e consentir que a geração futura pague um alto preço pela irresponsabilidade de alguns, mas com o consentimento de muitos.
Pernambuco é um exemplo de que estamos acelerando em marcha a ré, na contra mão de oferecer melhor qualidade de vida ao seu povo, e perdendo a oportunidade de mudar o paradigma atual, baseado no chamado “crescimento predatório”, que utiliza argumentos do século passado de que o “novo ciclo de desenvolvimento (?)” é a “redenção econômica do Estado (?)” e assim exige o “sacrifício ambiental”. Palavras entre aspas ditas pelos gestores públicos que tentam confundir, como um discurso pela busca de sustentabilidade entre empresas e governo, mas que aumenta o consumo e a produção de energia suja.
Não bastasse a devastação dos últimos resquícios de mata atlântica, de manguezais, das florestas naturais, da poluição dos rios, agora o Estado atrai e apoia a instalação de termoelétricas a óleo combustível, o combustível mais sujo para produzir eletricidade dentre os derivados de petróleo, perdendo somente para o carvão mineral no ranking de maior emissor de gases que provocam o efeito estufa, ou seja, o aquecimento global, correspondente ao aumento da temperatura média da Terra causador das temidas mudanças climáticas.
A termelétrica anunciada com a maior usina do mundo que pretende se instalar no Cabo de Santo Agostinho terá uma potência instalada de 1.452 MW, ou seja, a metade da hidroelétrica de Xingó, produzirá anualmente, caso funcione ininterruptamente, em torno de 8 milhões de toneladas de CO2. Além de outros gases altamente prejudiciais a saúde humana. Este cálculo estimado é possível, levando em conta que para cada 0,96 m3 de óleo consumido na termelétrica, 3,34 toneladas de CO2 são produzidos, segundo a Agência Internacional de Energia. Já para a termelétrica Suape II, que já tem mais de 70% das obras construídas, infelizmente também no município do Cabo, a emissão anual desta instalação será de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO2. Portanto no município vizinho a Recife, no Cabo, estas duas usinas em funcionamento emitirão em torno de 10 milhões de toneladas de CO2, pouco menos de 1 milhão de toneladas todo mês, e pouco mais de 30.000 toneladas por dia. Será que é este o “desenvolvimento” desejado pelos habitantes do Cabo e de Pernambuco?
Este tipo de instalação industrial que para produzir eletricidade queima óleo, semelhante ao utilizado para movimentar navios, esta tendo enormes dificuldades em conseguir se instalar no sul/sudeste do país, devido às dificuldades impostas para obterem as licenças ambientais, necessárias para tal empreendimento. Acabam vindo para nossa região, pois aqui é conhecida a frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle, fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, tais como a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, ligada a recém criada Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Fica mais uma vez demonstrado que em Pernambuco o crescimento econômico não combina com preservação ambiental. O atual governo do estado dá sinais claros de sua total falta de compromisso com as questões ambientais e com as gerações futuras, que sem dúvida é o maior desafio atual de nossa civilização.
Enquanto aqui se perpetua um modelo de crescimento econômico predatório, insustentável, alicerçado no uso de combustíveis fósseis, inimigo numero 1 e responsável maior pela emissão dos gases causadores do efeito estufa, o mundo discute como acelerar o uso de fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa, energia dos oceanos) para atender a sua demanda energética.com menor agressão ambiental. (EcoDebate)