sexta-feira, 14 de março de 2014

As crianças enclausuradas em Fukushima

Por conta dos acidentes nucleares oriundos de terremotos e tsunami em 2011, as crianças de Fukushima, no Japão, sofrem com sérias restrições e, em sua maior parte, não sabem o que significa brincar fora de casa. Por conta da radiação nuclear e os perigos dela à vida e ao desenvolvimento dessas crianças, existem regras que limitam muito a presença delas nas ruas.
Um raio de 30 quilômetros do local do acidente foi considerado totalmente sem acesso e, por isso, 160 mil pessoas tiveram que deixar suas casas para trás. Pelas regras estabelecidas, crianças de até dois anos não podem ficar mais do que 15 minutos por dia em ambiente aberto. As que têm entre 3 e 5 anos devem ficar em contato com o exterior por no máximo meia hora.
Especialistas da região afirmam que as restrições por conta do acidente nuclear já têm afetado física e mentalmente as crianças de Fukushima. "Se compararmos com antes do acidente, os testes físicos e mentais tiveram resultado pior, mostra uma queda na capacidade das crianças", afirma Toshiaki Yabe, funcionário do governo.
Veja fotos que mostram a rotina dessas crianças enclausuradas:
 
 
 (yahoo)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Três anos depois do acidente nuclear

Três anos depois do acidente nuclear, a luta contra a radiação de Fukushima
Após sofrerem contaminação radioativa, moradores de Namie, cidade nos arredores da usina nuclear, foram evacuados e agora controlam, eles mesmos, o seu estado de saúde. Há dois casos de câncer entre crianças.
Minako Fujiwara lembra com tristeza de seu cachorro, que morreu em junho do ano passado. “Ele perdeu os pelos do pescoço, e a pele escureceu”, conta a japonesa de 56 anos. Tais sintomas também foram registrados em animais de Chernobyl. O cão de Minako morreu provavelmente por excesso de radiação. Quando a cidade de Namie, a nove quilômetros da usina nuclear de Fukushima, foi evacuada, a família teve que deixar o animal para trás.
Fora pressão alta, Minako não teve até agora qualquer problema de saúde. Mas o médico Shunji Sekine, de Namie, teme consequências radiológicas também para seres humanos. Em seu consultório, agora em Nihonmatsu, nas redondezas de um assentamento de contêineres que abriga 230 famílias retiradas de Namie, ele examina quase diariamente as tiroides dos habitantes da cidade abandonada. Segundo ele, principalmente crianças e adolescentes estão ameaçados pela captação de iodo radioativo.
“Até agora faltam estudos maiores, mas eu vejo uma conexão entre o acidente nuclear e o câncer”, diz o médico, que até a sua aposentadoria no Hospital Universitário de Fukushima trabalhava como especialista em câncer de tiroide e de mama. 
Cerca marca zona de isolamento em Namie
Segundo dados oficiais do início de fevereiro, em cerca de 250 mil crianças e adolescentes examinados foram encontrados 33 casos de câncer, ou seja, 13 ocorrências a cada 100 mil habitantes. A cifra é quase quatro vezes maior que a média mundial para todas as faixas etárias.
Mesmo assim, a administração de Fukushima não pretende publicar detalhes relevantes sobre os casos de câncer. Todas as perguntas de Sekine, como, por exemplo, sobre o antigo endereço das crianças com câncer e sobre o seu grau de contaminação permaneceram sem respostas sob alegação de respeito à privacidade de dados. Em vez disso, o assessor de saúde da administração municipal e principal especialista em tiroide do Japão, Shunichi Yamashita, tenta acalmar os ânimos: “Ainda não chegou a hora de se fazer qualquer afirmação. Para tal, ainda temos de esperar novos exames.”
Autoridades se calam
Mas a cidade de Namie não quer esperar pela ajuda do governo – não é a primeira vez que uma cidade é, de certa forma, esquecida. Quatro dias após a explosão do reator, em 15 de março de 2011, veio a ordem para evacuar Tsushima, no noroeste. Os moradores foram então enviados para dentro de uma nuvem radioativa invisível e sofreram mais radiação do que se tivessem ficado em casa. As autoridades em Tóquio sabiam muito bem disso devido às previsões de computador. No entanto, elas se calaram, porque temiam pânico.
Devido a essa experiência traumática, Namie coleta o máximo possível de dados sobre os efeitos radioativos, como diz o chefe do departamento de saúde local, Norio Konno. “Queremos manter o controle sobre a saúde de nossos moradores”, afirmou.
Se alguém quiser pedir uma indenização da Tepco, então precisa de provas judiciais. Por esse motivo, Namie adquiriu, por conta própria, um scanner corporal, que se encontra agora no assentamento de evacuados em Nihonmatsu. Todos os moradores com menos de 40 anos podem ser examinados, uma vez por ano, para constatar a presença de Césio 134 e 137. O Estado só oferece essa possibilidade apenas a cada dois anos.
Até agora, metade dos moradores de Namie aceitou esse exame extra. No entanto, alguns se recusaram a participar de forma consciente. Kazue Yamagi conta sobre sua filha de 21 anos, que se recusa a examinar a tiroide. “Ela se mudou de Fukushima e evita todas as notícias na TV”, disse a mãe da jovem, com tristeza na voz. “Ela também não quer se casar. Ela diz que, como vítima da radiação, não tem mais futuro.”
O médico Shunji Sekane examina a tiroide de uma criança
Estigma
Os Hibakusha, como são chamadas as vítimas da radiação de Hiroshima e Nagasaki, são estigmatizados até hoje no Japão. Por esse motivo, também para os que foram retirados de Fukushima deve haver uma lei de apoio como houve para as vítimas das bombas atômicas, exige o chefe do departamento de saúde local. “As pessoas de Namie também se sentem como Hibakusha. Os seus genes contaminados serão herdados ainda por gerações”, afirma Konno.
Konno distribuiu passaportes de radiação a todos os moradores, da mesma forma que os usados em Hiroshima e Nagasaki. No passaporte, uma coluna, por exemplo, lembra o portador sobre a prevenção do câncer e o exame de leucemia.
Entre os 3.200 jovens moradores de Namie, houve até agora dois casos de câncer de tiroide. A cifra surpreendeu Shinjii Tokonami, especialista em radiação da Universidade Hirosaki, que assessora a cidade de Namie: “É maior do que o esperado. Possivelmente, o motivo disso está na grande precisão dos aparelhos. É preciso esperar cinco anos e depois mais cinco anos”, disse o especialista. “Então podemos dizer alguma coisa.”
Mas ele já tem uma tese própria: na verdade, deveria haver até mais casos de câncer de tiroide do que aqueles já constatados. Mas os moradores da costa comem grande quantidade de algas que contêm iodo, disse Tokonami. Por isso, nas tiroides de muitos jovens, sobrou pouco lugar para o iodo contaminado que o reator nuclear espalhou sobre Fukushima. (ecodebate)

Carta Aberta ao Primeiro-ministro do Japão

Três anos da tragédia nuclear de Fukushima – Carta Aberta ao Primeiro-ministro do Japão
Usina de Fukushima, após o desastre nuclear – Em 11 de março de 2011, o mundo soube da tragédia de Fukushima: um fortíssimo terremoto e um tsunami de grandes proporções, a que se seguiu a explosão de uma usina nuclear com todas as consequências de um acidente nuclear: a difusão de radioatividade, que permanecerá ativa durante anos, ameaçando muitas gerações.
11 de março de 2014, três anos da tragédia de Fukushima. Maior tragédia nuclear ocorrida até então.
No ano passado em várias capitais brasileiras foram entregues cartas nos consulados e na Embaixada Japonesa lembrando este fatídico dia.
Aqui no Recife um grupo de pessoas foi impedida de chegar até o consulado japonês e entregar uma carta ao cônsul, endereçada ao primeiro ministro japonês.
Dai esse ano, resolvemos localmente divulgar uma carta aberta dirigida ao primeiro ministro japonês. A mesma está sendo entregue em vários consulados e na embaixada em Brasília, manifestando nossa solidariedade às vitimas da tecnologia atômica, em todo o mundo, e nosso apoio às exigências dos japoneses que anseiam pela imediata indenização de todos os trabalhadores e das populações afetadas pela tragédia de Fukushima; pela evacuação imediata das crianças e comunidades da região; pela revogação da lei que ameaça a liberdade e o direito à informação; pelo fechamento das usinas nucleares e pela não exportação desta tecnologia para outras partes do Planeta!
Grato pela divulgação,
Heitor Scalambrini Costa - Articulação Antinuclear Brasileira
Carta aberta ao primeiro ministro do Japão
Excelentíssimo Sr. Shinzo Abe,
MD Primeiro Ministro do Japão
Em 13 de setembro de 2013, completava 26 anos o acidente com o Césio-137, maior tragédia atômica ocorrida em área urbana que vitimou milhares de pessoas em Goiânia, capital de Goiás (Brasil).
Nessa mesma data, 114 organizações japonesas, 107 organizações brasileiras, 32 Prêmios Nobel Alternativo e outras entidades dirigiram à autoridades diplomáticas e governamentais, japonesas e brasileiras, uma Declaração (abaixo reproduzida) contra um acordo nuclear Brasil/Japão, em defesa de um tratado de cooperação para o uso de energias renováveis entre os dois países.
O silêncio das autoridades referidas acima, frente a essa iniciativa, não abalou nossa convicção de que o diálogo é o melhor caminho para a consolidação da paz no mundo!
Por isto mesmo, no terceiro ano do colapso de Fukushima, voltamos a nos dirigir a V. Exa, manifestando preocupação com os prejuízos que o Japão vem causando à humanidade, pelas dificuldades de controlar a radioatividade liberada pelas avariadas usinas Daiichi que, por 3 anos, contamina trabalhadores, populações e o meio ambiente. Material radioativo segue fluindo das usinas para águas subterrâneas, desembocando no Oceano Pacífico.
Desde que a imprensa noticiou, em outubro passado, que V. Exa, reconhecendo a gravidade da situação, pediu ajuda tecnológica qualificada ao mundo todo para solucionar os impactos do acidente de Fukushima, aumenta por toda parte o temor pelo futuro do planeta, pois sabemos, todos, que usinas nucleares são mortais e a radiação atômica não respeita fronteiras. Apesar do apoio dos EUA e dos bilhões de dólares já gastos na “descontaminação”, o fracasso para evitar o vazamento de radioatividade em Fukushima evidencia a incompetência da tecnologia nuclear japonesa. Mas o governo continua exportando esta perigosa tecnologia para países, como Índia, Turquia e Vietnã, ampliando o raio de ameaça para outros povos.
Mais preocupante ainda é que o governo está apoiando leis de sigilo que criminalizam autores de noticias sobre supostos “segredos” nucleares. Toda a mídia do Japão e até o New York Times se opõem a esta repressiva legislação, que poderá transformar em crime informação sobre vazamentos radioativos e perigos em usinas nucleares japonesas.
Nesta oportunidade, estamos nos dirigindo a V. Exa. para, mais uma vez, manifestar nossa solidariedade às vitimas da tecnologia atômica, em todo o mundo, e nosso apoio às exigências dos japoneses que anseiam pela imediata indenização de todos os trabalhadores e das populações afetadas pela tragédia de Fukushima; pela evacuação imediata das crianças e comunidades da região; pela revogação da lei que ameaça a liberdade e o direito à informação; pelo fechamento das usinas nucleares e pela não exportação desta tecnologia para outras partes do Planeta!
Receba, Sr. Ministro, a expressão de nossa mais alta estima. (ecodebate)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Cresce o risco de acidentes nucleares na Europa

Cresce o risco de acidentes nucleares na Europa, alerta o Greenpeace
Em média, usinas nucleares na Europa estão em operação há 29 anos. Um estudo do Greenpeace alerta para os riscos do envelhecimento das centrais, que também operam com normas de segurança menos rigorosas.
O risco de um acidente nuclear na Europa é crescente. Atualmente, 151 usinas atômicas estão em funcionamento na União Europeia, Suíça e Ucrânia. Desse total, 66 reatores operam há mais de 30 anos, e 25 têm mais de 35 anos. “Se observarmos que a maioria dos reatores tem uma vida útil de somente 30 anos, esses já passaram do tempo”, alerta Tobias Riedel, especialista em energia nuclear do Greenpeace.
O alerta foi dado depois da publicação de um estudo do Greenpeace. Segundo as 146 páginas do relatório, os motivos que elevam o risco de acidente são diversos: no futuro, em muitos países, as usinas nucleares deverão operar por mais tempo que o planejado, além de produzirem uma carga maior de energia.
O aumento na produção sobrecarrega a usina e, com o seu envelhecimento, crescem as potenciais ameaças para a segurança. Segundo os especialistas, centrais antigas são críticas devido ao envelhecimento dos componentes, dos sistemas e do edifício, além da estrutura técnica e conceitual. Outro fator são os requisitos de segurança ultrapassados, já que os padrões atuais são mais rigorosos.
As centrais nucleares antigas estão menos equipadas contra enchentes, terremotos ou queda de aviões, aponta Simone Mohr, especialista em energia nuclear do Instituto Ecológico de Darmstadt e uma das autoras do estudo. “Todos os aspectos citados levam a uma redução progressiva do nível de segurança dos antigos reatores na Europa.”
Ativistas do Greenpeace invadem usina nuclear em Beznau na Suíça, a mais antiga do mundo em atividade.
Vai faltar gente especializada
Para Mycle Schneider, editor do anual “Relatório Mundial da Situação da Indústria Nuclear”, outro fator de risco seria uma lacuna de competência. A francesa EDF, maior produtora de energia nuclear do mundo, vai “precisar substituir dentro de cinco anos cerca de metade de seus funcionários operacionais”. Ou seja, uma importante competência técnica será perdida. Para Schneider, essa mudança seria especialmente problemática em situações de crise.
Apesar da crescente ameaça, empresas, governos e agências nucleares não estariam reagindo à crise, opina o Greenpeace. A organização aponta também a responsabilidade limitada das empresas de energia nuclear em caso de acidentes.
Os especialistas pedem que usinas nucleares e distribuidoras de energia assumam totalmente essa responsabilidade, e que o Estado e a população não arquem mais com os riscos. Desta maneira, a vantagem competitiva artificial das centrais atômicas seria reduzida. Além disso, empresas que diminuíssem os riscos receberiam incentivos econômicos.
“Uma cobrança maior de responsabilidade beneficiaria não somente as vítimas de um acidente, mas teria um importante efeito preventivo”, afirma o relatório.
Cobrar das empresas
Os autores sugerem a criação de um sistema de responsabilidade coletiva das empresas nucleares para diminuir as lacunas na segurança. “A unificação da responsabilidade ilimitada na Europa inteira motivaria as empresas a se controlarem mutuamente.”
Diante dos riscos, o Greenpeace exige urgentemente medidas que incluam a mudança rápida da matriz energética para fontes renováveis e o desligamento imediato de reatores nucleares cuja vida útil estipulada já expirou. Além disso, o relatório pede “a total transparência e a participação da esfera pública em processos decisivos”.
A Federação para Meio Ambiente e Proteção da Natureza da Alemanha (Bund) também publicou um estudo abordando aspectos semelhantes. Segundo um cálculo da Universidade Técnica de Viena e da Fundação de Direitos Ambientais Energéticos de Würzburg, a Europa poderia até 2030 encerrar toda sua produção de energia nuclear e, ao mesmo tempo, combinar esse desligamento a objetivos climáticos ambiciosos. (ecodebate)

sábado, 8 de março de 2014

O 8 de março é das mulheres brasileiras

O 8 de março e o empoderamento das mulheres brasileiras
O Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, tem servido para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, constituindo-se em uma oportunidade para avaliar as estratégias para o empoderamento feminino e para a redução das desigualdades de gênero.
As mulheres brasileiras conquistaram diversas vitórias parciais no século XX: obtiveram o direito de voto, em 1932, mas não conseguiram ultrapassar o teto de 10% de deputadas na Câmara Federal; conquistaram níveis crescentes de educação e conseguiram ultrapassar os homens em todos os níveis de ensino, mas ainda estão pouco representadas nas ciências exatas e na liderança dos grupos de pesquisa; aumentaram as taxas de participação no mercado de trabalho, mas ainda sofrem com a segregação ocupacional, a discriminação salarial e a dupla jornada de trabalho (no emprego e em casa); conquistaram diversas vitórias na legislação nacional, mas, na prática, ainda não vítimas de discriminações e preconceitos.
As mulheres eram 48,5% da população brasileira em 1900, chegaram a 50% em 1940 e atingiram 51% da população total em 2010. Em termos de esperança de vida elas vivem, em média, 7 anos a mais do que os homens. As mulheres vivem mais e são maioria da população e do eleitorado nacional.
Por tudo isto, cresce a presença feminina em todos os aspectos da vida brasileira. As conquistas femininas aconteceram de forma gradual e progressiva, de maneira quase silenciosa. Porém, ainda existe um teto de vidro impedindo que as mulheres atinjam os níveis elevados de empoderamento nos espaços de decisão, públicos e privados.
A equidade de gênero é, essencialmente, uma questão de direito humano. Mas não deixa de ser também uma questão de desenvolvimento econômico. Como disse Charles Fourier – há mais de 200 anos – não existe emancipação social sem a emancipação da mulher. A contribuição feminina para a economia é cada vez mais reconhecida, mesmo nos meios empresariais, como afirmou Klaus Schwab, fundador e Chefe-executivo do World Economic Fórum, de Davos, na Suíça, que fez a seguinte afirmação no prefácio do relatório Global Gender Gap Index (GGGI), de 2009, (p. V):
Agora é mais importante do que nunca que os países e as empresas prestem a atenção a um dos fundamentais pilares do crescimento econômico de que dispõem: as habilidades e os talentos dos recursos humanos do sexo feminino”.
A quarta Conferência Mundial das Mulheres, ocorrida em Beijing, em 1995, foi um passo decisivo para o processo mundial de empoderamento da mulher em todas as esferas sociais, incluindo a participação nos processos de decisão no topo da hierarquia das instituições. 
Está provado que em condições de igualdade de oportunidades, quando prevalecem critérios meritocráticos, as mulheres tendem a se sobressair. Foi assim quando se instituiu o vestibular e as mulheres entraram em massa nas universidades. Continua sendo assim nas provas do ENEN (Exame Nacional do Ensino Médio) onde o sexo feminino mostra melhor desempenho educacional. Também tem sido assim nos concursos públicos que possibilitaram que as mulheres conseguissem a maioria dos postos do funcionalismo público, nas três esferas de poder.
Todavia, a divisão sexual do trabalho coloca uma carga sobre os ombros femininos. Por conta das tarefas reprodutivas da vida social (cuidado da casa, das crianças, dos idosos, incapacitados, etc.) as mulheres não progridem verticalmente nas carreiras e, em geral, ficam fora das instâncias mais elevadas do poder. Para mudar esta realidade, a tática de curto prazo passa pela elaboração de “políticas de conciliação família-trabalho” e politicas afirmativas para romper com as barreiras que impedem o acesso feminino ao topo das estruturas de poder.
Em termos estratégicos, é necessário construir um caminho rumo a paridade na participação nos espaços de decisão politica do Executivo e Legislativo, nos tribunais superiores do Judiciário e nas esferas mais elevadas de influência das empresas privadas. Cresce a parcela da opinião pública que acredita em uma maior presença pública feminina. Pesquisa Ibope, que faz parte de um levantamento global de opinião pública realizado em 65 países pela rede WIN, mostrou que 41% dos brasileiros acreditam que o mundo seria um lugar melhor se as mulheres fossem maioria no mundo político.
A ideia básica do feminismo pode ser resumida em uma frase: “As mulheres devem sertão livres quantoos homens e deve haver igualdade de oportunidade entre os sexos na família e na sociedade”. Portanto, faz parte da contemporalidade a luta pelos direitos iguais, contra a discriminação e a segregação entre os sexos e pela paridade e isonomia nos espaços de poder. Até agora as vitórias foram parciais. Uma sociedade sem desigualdades sociais de gênero é a meta final, a ser atingida no século XXI. (ecodebate)