domingo, 8 de junho de 2014

Esclarecimentos sobre depósitos de rejeitos

A Eletronuclear tem total controle da gestão dos rejeitos e combustível no âmbito da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). Ciente da possibilidade de eventuais atrasos na implantação do Repositório de Baixo e Médio Nível (RBMN), sob a responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e da Unidade de Armazenamento Complementar de Combustível Irradiado (UFC), sob responsabilidade da Eletronuclear, a empresa vem desenvolvendo ações visando assegurar a continuidade de operação de suas unidades de geração, mesmo em cenários nos quais tais atrasos possam vir a ocorrer.
Os processos de tratamento de rejeitos de baixo e médio nível hoje em funcionamento e as instalações do Centro de Gerenciamento de Rejeitos (CGR), asseguram o atendimento à exigência de guarda segura dos embalados pelo menos até o ano 2020. Modificações nos sistemas de tratamento de rejeitos, já iniciadas, e a possibilidade de se otimizar a configuração de armazenamento dos embalados nos depósitos, possibilitarão, se necessário, estender a autonomia dos depósitos do CGR até, pelo menos, 2025.
Quanto à gestão de combustível usado, a Eletronuclear está implantando na área da CNAAA a UFC, com previsão de inicio de operação em 2018. A implantação desta unidade de armazenamento está em pleno desenvolvimento, com projeto conceitual totalmente concluído. Os processos de licenciamento ambiental (Ibama) e nuclear (Cnen), bem como, o projeto básico e o processo de contratação da construção, montagem e comissionamento estão em andamento. Para fazer frente a eventuais atrasos, a Eletronuclear vem tomando providências no sentido de otimizar tanto o uso do combustível e como a ocupação das unidades de armazenamento existentes. Essas providências poderão postergar a necessidade da UFC até pelo menos 2020. (noodls)

E o tal do “lixo atômico”?

É comum a expressão "lixo atômico" ser usada para se referir aos resíduos radioativos produzidos pelas usinas nucleares, hospitais e indústrias. Na verdade, resíduo radioativo é qualquer material resultante de atividades humanas que emitem radiação em quantidades superiores aos limites estabelecidos por normas do governo de cada país e para o qual a reutilização é imprópria ou não prevista.
Os resíduos radioativos são organizados em três classes, segundo o nível de radioatividade que apresentam: de baixa, média e alta atividades. São classificados também em função da meia-vida dos elementos radioativos presentes nos mesmos, como rejeitos de longa e de baixa duração.
Os resíduos de baixa atividade (“Low Level Waste – LLW”) compreendem, principalmente, materiais ligeiramente contaminados como papéis, plásticos, vestimentas e ferramentas. Também são classificados dessa forma a maior parte dos gases e dos líquidos ativados ou contaminados produzidos durante a operação de uma Usina Nuclear. Já os resíduos de média atividade (“Intermediate Level Waste – ILW”) compreendem filtros, resinas e outros materiais que sofreram contaminação.
Atualmente, existem tecnologias seguras para o gerenciamento de resíduos de média e baixa atividades, desde sua coleta até o armazenamento nos depósitos iniciais. No caso do Brasil, os resíduos sólidos de baixa e média atividades são acondicionados em embalagens metálicas, testadas e qualificadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e transferidos para os depósitos iniciais, construídos na própria Central Nuclear de Angra dos Reis (foto à esquerda). Esses depósitos são permanentemente controlados e fiscalizados por técnicos de proteção radiológica e especialistas em segurança da Eletronuclear.
Os resíduos de alta atividade (“High Level Waste – HLW”) têm atividade de vida longa e, como geram quantidades consideráveis de calor (calor de decaimento), necessitam de resfriamento por no mínimo 10 anos. Durante esse período, esses resíduos são mantidos em instalações de armazenamento inicial (piscinas de resfriamento de combustível usado como a de Angra 1 na foto à direita) junto às centrais nucleares que os produziram, obedecendo normas internacionais de segurança. O Brasil é signatário da Convenção Internacional para Gerenciamento Seguro de Rejeitos Radioativos e Combustível Usado, sendo periodicamente auditado pela Agência Internacional de Energia Atômica com base em relatório que bianualmente é encaminhado a essa organização.
Além dos resíduos produzidos pelas usinas nucleares, há aqueles produzidos pela área da saúde e a industrial. A CNEN mantém, armazenadas em seus institutos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belo Horizonte, em Goiânia e em Recife, fontes radioativas em desuso, recebidas de clínicas médicas, hospitais, indústrias e centros de pesquisa. O transporte, o tratamento e o armazenamento desses materiais também são realizados seguindo padrões internacionais de segurança recomendados pela Agência Internacional de Energia Atômica.
Como a quantidade de resíduos radioativos produzidos no Brasil é pouca quando comparada à de países que têm uma participação maior da energia nuclear em suas matrizes energéticas (França, Japão e os Estados Unidos, por exemplo), os resíduos que estão estocados nos Depósitos Iniciais da Central Nuclear em Angra e nos da CNEN deverão permanecer onde estão até que seja construído um depósito de longo prazo ou definitivo, cuja responsabilidade de implantação é da CNEN.
Segundo a própria Eletronuclear, o esgotamento da capacidade de armazenamento do Centro de Gerenciamento de Rejeitos da Central Nuclear dar-se-á em 2020, quando, segundo planejamento da CNEN e da Eletronuclear, o depósito definitivo de resíduos radioativos já estará implantado. Para os elementos combustíveis usados, a capacidade das piscinas existentes é até 2021. Entretanto, está em andamento a construção de um depósito inicial de combustível irradiado na Central Nuclear para armazenar os combustíveis irradiados que hoje estão nas piscinas anexas aos reatores.
O Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB), criado em julho de 2008 por decreto do Presidente da República, estabeleceu como meta que o Depósito Final de Rejeitos Radioativos de Baixa e Média Atividades (Repositório Nacional) entre em operação em 2018 e que o Depósito Intermediário de Longa Duração para combustível usado, em 2026.
As bases conceituais para a implantação do Repositório Nacional de Rejeitos Radioativos de Média e Baixa Atividades já estão elaboradas e estudos sobre as condições geológicas favoráveis à localização desse repositório estão sendo realizados pela CNEN. O início das obras está previsto para 2014. Cabe destacar que o destino final dos resíduos de baixa e média atividades há muito tempo não constitui um desafio tecnológico apreciável, estando tecnicamente resolvido nos diversos países que possuem parques de geração nucleoelétrica bem maiores que o brasileiro e utilizam a energia nuclear na medicina, na agricultura e na indústria.
É importante esclarecer que os combustíveis usados ainda guardam cerca de 40% de sua capacidade de gerar energia. Por essa razão, alguns países, como França, Japão, Rússia, Índia e China têm como política a reciclagem dos combustíveis irradiados através de reprocessamento e utilização de combustível de óxido misto Urânio-Plutônio (MOX) em reatores do tipo LWR - que usam água leve como refrigerante.
O reprocessamento dos elementos combustíveis visa à separação do material físsil e fértil, principalmente Plutônio e Urânio, dos produtos de fissão, para eventual uso posterior como combustível. O objetivo principal do reprocessamento é reduzir o volume de rejeitos. Sua política é, também, uma ação ecológica que visa a preservar os recursos naturais (jazidas de urânio).
Essencialmente, 95% do combustível usado nada mais é do que urânio, material físsil e, portanto, combustível passível de reciclagem. Dos restantes 5%, cerca de 3% são elementos radioativos que decaem rapidamente e, após um ou dois anos, representam ameaça insignificante. De fato, apenas 2% do material que sai do reator, após transformar massa em energia por cerca de três anos, constituem resíduos radioativo de alta atividade e longo prazo de decaimento. Por conseguinte, soluções definitivas (repositórios eternos) ainda não existem porque até então não são imediatamente necessárias.
No caso brasileiro, a reciclagem de elementos combustíveis usados ainda não é viável nem técnica nem economicamente. Por isso, o Depósito Intermediário de Longa Duração para elementos combustíveis usados será projetado, construído e operado de forma a garantir tecnicamente o armazenamento seguro, isto é, isolado do público e do meio ambiente, do combustível usado pelas usinas nucleares nacionais existentes e a serem implantadas, por período não inferior a 500 anos (!). A seleção do local está prevista para 2016 e o início da construção para 2021.
Essa concepção, que permite a armazenagem com opção de recuperação posterior do combustível, permite esperar responsavelmente a melhor solução técnica e econômica para o destino final dos resíduos de alta atividade, ou a decisão de reciclagem do combustível usado para a geração de energia elétrica, solução que já é praticada por diversos países. Os brasileiros terão assim a tranquilidade de, nos próximos séculos, não sofrerem qualquer efeito negativo decorrente desses resíduos, guardando para as futuras gerações a possibilidade de utilizar esse material como uma fonte de energia adicional. (conhecerparadebater)

Onde é guardado o lixo nuclear das usinas brasileiras?

Dentro da própria usina ou em depósitos na vizinhança, dependendo do nível de radioatividade. Todo rejeito radioativo é classificado de acordo com a atividade e a duração de seus isótopos radioativos. Depois de um tempo de uso - geralmente um ano - o combustível "vence" e precisa ser trocado. Esse rejeito de alta atividade (RAA) é o mais perigoso, mas pode ser reciclado. Já os outros tipos de lixo são os rejeitos de média e baixa intensidade, que são produzidos pelo contato direto ou indireto de equipamentos, ferramentas e roupas de proteção com o combustível da usina. Atualmente, eles são guardados em depósitos temporários na própria usina ou no Centro de Gerenciamento de Rejeitos, em Angra dos Reis (RJ). Mas uma das exigências feitas para a construção de Angra 3 foi exatamente a criação de um depósito geológico, para o armazenamento do lixo radioativo até cem anos. Esse depósito guardará não só o lixo das usinas, mas também rejeitos nucleares de hospitais e indústrias do país.
COLETA SELETIVA
O destino dos rejeitos varia de acordo com a intensidade e a duração da radioatividade
1) No reator das usinas nucleares, existem cilindros cheios de pastilhas de urânio enriquecido, que funcionam como combustível para gerar energia. A cada ano, um terço desse combustível "vence" e precisa ser trocado. Esse material é o rejeito de alta atividade (RAA), que tem alto potencial de contaminação.
2) O RAA não presta como combustível, mas ainda emitirá radiação e calor por séculos. Por isso, é guardado dentro da própria usina, em uma piscina especial, feita para resfriá-lo e conter a radiação perigosa. Quando as usinas de Angra forem desativadas, esse material irá para um depósito geológico.
3) Equipamentos da usina que têm contato direto com o RAA são contaminados e se tornam rejeitos de média atividade (RMA). Cerca de mil vezes menos radioativo que o RAA, esse lixo é solidificado em concreto dentro de barris metálicos.
4) O que tem contato indireto com o RAA, como as roupas de proteção dos funcionários, ganha um nível de contaminação baixo, cerca de mil vezes menor que o RMA. Esse resíduo de baixa atividade (RBA) pode ser lavado para reuso, mas depois de algumas lavagens também vai para os barris.
5) Selados, os barris são guardados na usina e depois levados para um dos quatro depósitos intermediários de Itaorna, a 2 quilômetros dali. Eles são vedados com concreto e resinas isolantes para garantir nível zero de radiação mesmo no pátio externo do depósito.
6) Por fim, os rejeitos radioativos seguem para depósitos geológicos de longa duração, que podem armazenar também o lixo vitrificado produzido no reprocessamento de combustível (ver quadro Reciclagem radioativa). Hoje, o Brasil pesquisa o melhor local para a construção de um depósito geológico, que deverá receber o rejeito das usinas de Angra a partir de 2012.
RECICLAGEM RADIOATIVA
Veja como o combustível nuclear pode ser reprocessado para reaproveitar o rejeito inicial dos reatores.
TUDO SE APROVEITA
O urânio usado no reator pode ser reciclado com algumas tecnologias. A mais usada é a que o mistura com ácido nítrico, numa reação que fornece três produtos: urânio mesmo, plutônio e um material altamente radioativo.
SEGUNDA MÃO
Apenas 1% do produto da reação é o isótopo de urânio pronto para ser reaproveitado. Outros 95% ainda precisam ser enriquecidos para ser reutilizados. O urânio reciclado é mais caro que o natural, mas é mais ecológico e reduz o volume de lixo produzido.
LIXO SEM REMÉDIO
Cerca de 3% do produto da reciclagem é um rejeito inútil e altamente radioativo. Esse lixo é solidificado em uma mistura com vidro especial e colocado em cilindros de aço para armazenagem em depósitos geológicos especiais.
PLUTÔNIO FLEX
O plutônio obtido na reciclagem pode ser misturado com urânio para formar o MOX, um outro tipo de combustível nuclear que pode ser usado nas mesmas usinas movidas a urânio. Mas esse material é bastante perigoso, porque, se cair em mãos erradas, o plutônio pode ser extraído para a fabricação de bombas nucleares.
DE VOLTA PRA CASA
Só há três unidades capazes de reciclar combustível radioativo no mundo, que, após a reciclagem, devolvem ao país de origem a parte boa e o lixo. Por motivo de segurança, o transporte é feito em navios parecidos com petroleiros, com forte esquema de segurança. (abril)

Gerenciamento de resíduos radioativos

A indústria nuclear é uma das poucas atividades com interferência humana que tem capacidade para controlar totalmente os rejeitos que produz. Devido às características do material radioativo, a Eletrobras Eletronuclear armazena e controla em tempo integral os rejeitos das usinas de Angra.
Os rejeitos são classificados pelo seu teor de radioatividade. Nas usinas de Angra, os rejeitos classificados como de baixa radioatividade são materiais utilizados na operação das usinas, como luvas, sapatilhas, roupas especiais, equipamentos e até fitas crepes. Depois de coletados e separados, estes materiais sofrem um processo de descontaminação para reduzir seus níveis de radioatividade. Alguns materiais são triturados e prensados, para ocuparem menos espaço e acondicionados em recipientes que bloqueiam a passagem dessa radiação.
Os resíduos de média radioatividade, compostos de filtros, efluentes líquidos solidificados e resinas são acondicionados em uma matriz sólida de cimento e mantidos dentro de recipientes de aço apropriados.
Com o passar do tempo, esse material perde a radioatividade, mas até lá tem de ser encapsulado e armazenado em depósitos isolados e monitorados.
O combustível usado
Os rejeitos de alta radioatividade são os elementos combustíveis (foto menor) usados na geração de energia termonuclear. Como podem ser reaproveitados no futuro, depois de reprocessados, não chegam a ser propriamente rejeitos. Mas, enquanto isso não ocorre, os elementos combustíveis já utilizados na geração de energia ficam armazenados em piscinas especiais (foto maior) dentro dos prédios de segurança das usinas.
Monitoramento Permanente
Os rejeitos radioativos ficam em depósitos, dentro da área da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Itaorna, até que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) escolha um local para armazená-los definitivamente (assim como outros materiais radioativos usados pela indústria ou pela Medicina).
Além de todo o cuidado na manipulação e armazenamento de rejeitos radioativos, a Eletrobras Eletronuclear tem um programa de monitoramento permanente dos níveis de radiação do ar, da terra e da água em torno da CNAAA, que é acompanhado por universidades, institutos de pesquisa, IBAMA, CNEN e a Agência Internacional de Energia Atômica. Esse programa constatou que o funcionamento das usinas nucleares de Angra não alterou os níveis de radioatividade do meio ambiente. (eletronuclear)

Aperta-se o cerco aos resíduos nucleares

E agora? A União foi condenada pela Justiça Federal (Estado, 14/05/14) a definir o orçamento para implantação imediata do depósito final de rejeitos radioativos das usinas de Angra dos Reis (RJ), onde, desde1982, eles estão sendo colocados em piscinas dentro das próprias geradoras. E intimou porque esses rejeitos “representam sérios riscos para a população”. Alega a Eletronuclear que “tem controle total da gestão dos rejeitos”, com “guarda segura até 2020″. Mas outras informações (O Globo, 15/5) dizem que a usina Angra 2 começará a ser desligada em 2017, por causa da “saturação” dos depósitos provisórios; Angra 1 poderá ter o mesmo destino em 2018. As usinas não poderiam operar – diz uma condicionante – sem resolver a questão dos resíduos. E já há alguns anos se informava que havia 3 mil toneladas de rejeitos depositadas em dois galpões. Como se fará com o projeto de Angra 3?
Estranho que possa parecer, há poucos dias (7/5) a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei n° 4.709/04, que proibiria a construção se mais usinas nucleares até ser instalado um depósito definitivo para resíduos perigosos. O parecer do deputado Fernando Ferro (PT-PE) foi de que nem a França tem depósito definitivo para esses rejeitos. Então… E a proposta de construir usinas nucleares no Nordeste prevê uma delas em Itacuruba (PE), com deposição dos rejeitos nucleares no Raso da Catarina, santuário ecológico do Semiárido. O hidrogeólogo José P. Tomaz de Albuquerque diz que, erguida nessa bacia sedimentar, a usina verterá águas contaminadas para os Rios Vaza Barris e São Francisco (Rema, 14/5).
De onde virão recursos para atender à exigência da Justiça? Uma unidade de armazenamento de rejeitos na área das usinas de Angra deverá, segundo estudos, custar R$ 577 milhões – mas não se sabe em quanto tempo poderá ser implantada. Um depósito final de rejeitos significará mais R$ 261 milhões, em área que a Companhia Nacional de Energia Nuclear (CNEN) está estudando. Haverá tempo? E que se fará, se o Plano Nacional de Energia prevê continuar contando com os 3.500 MW gerados em Angra 1 e 2 e mais 4 mil MW de outras usinas nucleares (Luiz Gonzaga Bertelli, Correio Braziliense, 2/5)? Para complicar ainda mais, um laboratório francês (Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre Radioatividade) certificou (assmpg, 13/5) haver identificado “altas taxas de radiação gama” no ar e contaminação no solo por metais radiativos em área de mineração de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil no distrito de Maniaçu, em Caetité (BA). Os materiais extraídos ali abastecem as usinas de Angra.
Precisamos olhar com cuidado. Os russos ainda estão implantando, quase 30 anos depois, um depósito para receber em 2017 materiais radiativos da acidentada usina de Chernobyl (The New York Times, 27/4). Custará US$ 1,5 bilhão e poderá funcionar durante um século. O Japão, porém, voltou atrás em sua decisão de renunciar à energia nuclear após o desastre com a usina de Fukushima – alegadamente por causa dos altos custos de importação de combustíveis fósseis. E desistiu também do compromisso de reduzir em 25% suas emissões de poluentes (tomando por base 1990). Já gastou na área da usina US$ 36 bilhões e a radiação ali continua três vezes mais alta que a de antes do acidente.
Resíduos de toda espécie – não apenas nucleares – tornam-se um problema cada vez maior e mais difícil, inclusive no Brasil. Agora mesmo a Prefeitura de São Paulo está anunciando que espera (Folha de S.Paulo, 10/5) reduzir para 20% do volume de hoje os resíduos que são encaminhados para aterro. Atualmente são 98,2% do total. E quase metade das 20 mil toneladas diárias coletadas é de resíduos sólidos. Também deveria pensar em compostar os 51% de resíduos orgânicos que coleta e transformá-los em adubos para certos fins, o que permitiria economizar muito aterro. Mas nada se ouve sobre isso.
São Paulo não é exceção. Nos termos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, este ano já não deveríamos ter mais lixões. Mas pelo menos 2 mil deles ainda funcionam, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (O Globo, 6/5). Até em capitais como o Distrito Federal (área de 1,7 milhão de metros quadrados, onde atuam 2 mil catadores), Belém e Porto Velho. No Estado do Rio de Janeiro, 22 lixões, com 6,5% do lixo total dali. E os lixões recebem, no mínimo, 40% do lixo total do País.
Situação particularmente difícil é a de resíduos da construção civil, o chamado “entulho”, que equivale a, no mínimo, 50%, talvez 70%, dos resíduos sólidos urbanos. Na média nacional, seria meia tonelada anual por habitante (Página 22, 29/3/2012). Em Salvador chegam a 60% do total; em Goiânia, a 55%; no Distrito Federal, a 50%. É área que se complica a cada dia, inclusive por causa da obsolescência de padrões e materiais de construção. Em muitos lugares, estes últimos já não resistem aos chamados eventos extremos na área do clima. Construções vêm abaixo, apresentam rachaduras, até mesmo em áreas “nobres”, como aconteceu recentemente na Rua Barão da Torre, em Ipanema, no Rio.
Há quem pense que o caminho está na incineração do lixo, embora especialistas mostrem que é um desperdício, um processo muito caro (com temperaturas acima de 900 graus Celsius, para evitar a emissão de dioxinas e furanos, cancerígenos) e com dependência eterna de lixo. A questão das dioxinas e dos furanos, por exemplo, já está em questão em Délhi, na Índia, onde um comitê do Centro de Poluição acusou níveis dos dois elementos 30 vezes acima dos limites permitidos por lei na incineração de 1950 toneladas diárias.
Não faltam motivos para atribulações, vindas até de áreas surpreendentes. No Canadá, por exemplo, estudos de especialistas (Tyler Hamilton, 13/5) dizem que sob o solo da América do Norte estão 800 mil quilômetros de oleodutos desativados, que resíduos podem ser condutos para contaminantes. Outros especialistas dizem que tudo pode ser reaproveitado. Quem se habilita? (ecodebate)