quarta-feira, 18 de maio de 2016

Meta da HP é usar 40% de energia renovável até 2020

HP reforça seu compromisso com a sustentabilidade ao se comprometer em alcançar o uso de eletricidade 100% renovável em suas operações globais. Como parte desse objetivo, a HP está ingressando no RE100, uma iniciativa global de empresas líderes do setor comprometidas com eletricidade 100% renovável. Comandada pelo The Climate Group em parceria com o CDP, a RE100 trabalha com companhias como a HP para ajudar outras empresas a migrarem para fontes de energia renovável e acelerar a transformação do mercado global de energia em uma economia de baixa emissão de carbono.
A HP planeja atingir a marca de 40% de eletricidade renovável até 2020 nas suas operações globais. Esta nova meta reforça a dedicação da HP em integrar atividades sustentáveis em suas principais estratégias comerciais.
"Ingressar na RE100 representa uma marco importante para nossa empresa, continuamos a avançar rumo a uma empresa que seja abastecida inteiramente por eletricidade renovável", afirma Nate Hurst, Head de sustentabilidade e impacto social na HP. "À medida que continuamos a reinventar uma empresa e uma sociedade mais sustentáveis, fontes de energia econômicas e com baixa emissão de carbono tornam-se essenciais para o futuro e o crescimento dos negócios da HP. Esse compromisso é guiado pela nossa convicção em um mundo onde a tecnologia e a sustentabilidade possam se unir para se tornarem uma força poderosa para a inovação, ajudando a reinventar como as empresas, as comunidades e as pessoas podem alcançar o sucesso."
"Trabalhamos em parceria com a HP, e a dedicação da empresa em impulsionar a sustentabilidade em seus negócios é clara", afirma Amy Davidsen, diretor executivo do The Climate Group na América do Norte. "Recebemos com entusiasmo a liderança da HP após as negociações sobre mudança climática na COP21 e seu compromisso em levar adiante a revolução pela energia limpa — beneficiando o meio ambiente e a economia."
A HP está utilizando uma estratégia composta por 3 fases para alcançar seus objetivos:
1. Redução agressiva no consumo de energia com a otimização da eficiência em operações/instalações e a implementação de novos projetos de eficiência;
2. Aumento do uso de energia renovável em suas instalações;
3. Aquisição ou geração de energia renovável fora de suas instalações para compensar as emissões na produção de energia com carvão mineral (lignito), incluindo o uso de créditos de energia renovável (CERs) e contratos de aquisição de energia (CAEs). (telequest)

Fontes renováveis poderão ter papel maior até 2040

A participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira pode ser de pelo menos 60% até 2040, conforme prevê o Projeto de Lei do Senado (PLS) 712/2015, do senador Cristovam Buarque (PPS/DF). A proposta foi acolhida em 10/05/16 na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e segue para a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), onde será votada em decisão terminativa.
Atualmente, cerca de 40% da oferta interna de energia brasileira são provenientes de fontes renováveis, principalmente hidráulica e biomassa.
Esse percentual, diz Cristovam, já coloca o Brasil como protagonista na adoção de soluções para redução de gases de efeito estufa. Ele destacou ainda decisão do país de apresentar ao Secretariado da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima o compromisso de alcançar uma participação de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030.
O parlamentar, no entanto, afirma que a soma das emissões das nações que assinaram o Acordo de Paris, durante encontro da ONU realizado na França no final de 2015, chegará a 55 gigatoneladas de gases de efeito estufa, em quinze anos, o que é incompatível com a expectativa de limitar a dois graus Celsius o aumento da temperatura global.
Meta mais ousada
Por considerar a necessidade de um esforço extra de todos os países, ele propõe modificar a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187/2009) para estabelecer uma meta mais ousada, de forma a ampliar a substituição de energia oriunda do petróleo por fontes renováveis, com baixa emissão de gases que provocam o aquecimento do planeta.
Para o autor, o país tem condição de chegar a 60% de fontes renováveis até 2040, tendo em vista a experiência brasileira na geração hidráulica e na produção de biocombustíveis, além dos avanços no aproveitamento de energia eólica e fotovoltaica.
O relator, senador Blairo Maggi (PR-MT), apresentou substitutivo para adequar o texto a definições internacionais e para determinar que o aumento da participação das fontes renováveis ocorra “até 2040”, e não “em 2040”, como está no texto original, de forma a que o avanço aconteça de forma gradual. Em função da ausência de Blairo Maggi na reunião de10/05/16, o substitutivo foi apresentado pelo relator ad hoc, Flexa Ribeiro (PSDB-PA). (biodieselbr)

Expansão energia renovável no Brasil

Expansão da energia limpa no Brasil perde força.
A indústria de energia renovável do Brasil deverá sofrer um revés neste ano. Isso porque a economia em crise faz o crédito desaparecer, limita a demanda por energia e ameaça as novas linhas de transmissão necessárias para conectar projetos à rede.
Após anos de crescimento, que transformaram o Brasil no 10° maior mercado eólico do mundo, o setor está revisando para baixo o montante da nova capacidade esperada para 2016, juntamente com o número de novos projetos eólicos que deverão receber contratos em leilões do governo.
A presidente Dilma Rousseff enfrenta uma série de problemas, entre os quais o vírus Zika, a taxa de inflação, que subiu para 10,8%,  e a desvalorização de 35% do real nos últimos 12 meses. A expansão do setor de energia limpa tem sido uma das poucas agendas positivas do governo, que estabeleceu metas de crescimento ambiciosas para ampliar a capacidade de geração sem aumentar a poluição por combustíveis fósseis. É possível que seja mais difícil atingir essas metas agora, segundo Marcelo Girão, chefe da área de energia do setor de financiamento de projetos do Itaú BBA.
“Há nuvens no caminho da energia renovável agora”, disse Girão em entrevista. “O setor está no topo da lista de prioridades do governo brasileiro e tem progresso a mostrar, mas a receita que temos para as renováveis pode ser menos efetiva em um ambiente mais cinzento”.
Os novos contratos de energia limpa nos leilões provavelmente não chegarão a 2 gigawatts neste ano, segundo Helena Chung, analista da Bloomberg New Energy Finance em São Paulo. Essa quantidade mostraria uma estabilização do crescimento nos últimos dois anos e representaria menos da metade dos 4,6 gigawatts em novos contratos eólicos de 2013.
A New Energy Finance revisou sua projeção para a entrada em operação de novos parques eólicos em fevereiro. Cerca de 3 gigawatts em capacidade de projetos já em desenvolvimento serão conectados à rede neste ano, 1 gigawatt a menos que a estimativa anterior.
A energia eólica teve uma forte expansão no Brasil, atingindo 9 gigawatts de capacidade instalada no ano passado, a maior da América Latina e a 10ª  no mundo. Em 2013, a capacidade total era de um terço disso, segundo a Abeeólica, a associação do setor no país.
O governo está ajudando a impulsionar esse crescimento e estabeleceu uma meta no ano passado de obter 23% da energia do Brasil por meio de fontes renováveis até 2030 como parte do esforço de combate à mudança climática. As energias solar, eólica e da biomassa responderam por 9% da geração total do Brasil em 2014.
O Brasil também se comprometeu, em junho, a reduzir as emissões de carbono em 37% até 2025 na comparação com 2005.
“Estou preocupada”, disse Chung, da BNEF. “O governo brasileiro se negou a dar mais incentivos à energia renovável, assim como vem negando a outros setores. Isso tem muito a ver com a crise econômica e a desaceleração do setor de energia pode enviar um sinal ruim ao mercado”.
Classificações junk
O financiamento também será um desafio depois de a Moody’s Investors Service reduzir a classificação de crédito do Brasil em dois níveis na semana passada, tirando do país sua última nota com grau de investimento. A Standard Poor’s e a Fitch Ratings já haviam cortado seus ratings para níveis junk depois que a queda dos preços das commodities de exportação e um escândalo de corrupção histórico levaram a economia brasileira à contração mais aguda em mais de um século.
“O dinheiro está mais caro e a régua de crédito, mais alta”, disse Girão, do Itaú. “Os mercados de capitais estão restritivos. Nossos desembolsos vinham numa crescente, mas agora vão começar a descer a ladeira”.
A Empresa de Pesquisa Energética do governo brasileiro, conhecida como EPE, planeja três leilões de energia neste ano. Foram realizados sete em 2015, quando o Brasil enfrentou uma seca recorde que esvaziou os reservatórios mais importantes do país e reduziu a geração hidrelétrica.
“O problema agora é a queda da demanda de energia devido à contração da economia”, disse Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, por telefone, do Rio de Janeiro. “As distribuidoras que compram energia em muitos leilões já têm a capacidade que precisam. Nos próximos leilões certamente veremos uma baixa demanda por energia”.
“É difícil quantificar o tamanho da desaceleração econômica do Brasil e isso gera um ambiente de incertezas”, disse Lucas Araripe, diretor de novos negócios da desenvolvedora Casa dos Ventos Energias Renováveis, em entrevista por telefone. “Há um ajuste no curto prazo sobre o qual realmente ninguém sabe ainda”.
Outro desafio é a expansão das linhas de transmissão, necessária para conectar projetos de energia limpa à rede. Cerca de 220 projetos de linhas de energia estavam com cronograma atrasado até dezembro, cerca de 60% da capacidade total em desenvolvimento, segundo um documento da reguladora do setor de energia do Brasil, a Aneel. As dificuldades para obtenção de licenças ambientais provocaram a maioria dos atrasos, segundo o documento.
“Não há forma de aumentar a geração de energia sem linhas de transmissão”, disse Girão.
O governo poderá conter parte do declínio neste ano por meio de um leilão de reserva, segundo Tolmasquim. Nesse tipo de leilão o governo compra capacidade para garantir a estabilidade do sistema energético. A EPE está planejando um, mas não há data estabelecida.
“O setor de energia renovável no Brasil não é imune à crise, mas é resiliente”, disse Tolmasquim. “Este é um dos setores menos prejudicados pela crise”. (bloomberg)

As alternativas da energia

Quais são as fontes renováveis de energia e quando elas poderão substituir o petróleo e outros combustíveis fósseis.
A procura por formas limpas e renováveis de gerar energia nunca recebeu tanta atenção – e investimento – como agora. Essas iniciativas cresceram mais de 15% entre 2007 e 2008 em todo mundo, movimentando US$ 120 bilhões, e este crescimento superou pela primeira vez foi maior que a expansão do uso combustíveis fósseis na Europa e nos Estados Unidos. Embora algumas técnicas já estejam em estágio avançado, como a do etanol, boa parte dos projetos são apostas em tecnologias experimentais e ainda sem viabilidade econômica.
Nesse campo, porém, o Brasil larga na frente. O país tem 87% de sua energia proveniente de fontes renováveis, enquanto no resto do mundo a média é de 18%. O país domina como nenhum outro a geração de álcool combustível, além de ter grande experiência com usinas hidrelétricas, de onde vêm mais de dois terços da eletricidade nacional. Embora tenha condições climáticas para avançar em outras tecnologias, como as energias eólica e solar, os resultados ainda são modestos e, com a descoberta das gigantescas reservas de petróleo do pré-sal, especialistas temem que elas fiquem em segundo plano.
No resto do mundo, a queda do preço do petróleo também preocupa os ambientalistas, que advertem para a redução nos investimentos nas energias renováveis. Ainda assim, os maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, têm puxado a expansão dos combustíveis renováveis. O país asiático duplicou, pelo quinto ano consecutivo, sua capacidade de gerar energia eólica. Os americanos apostaram em novas tecnologias de etanol e em outras menos tradicionais, como a Bloom Box – uma espécie de pilha que usa o ar para gerar energia continuamente – que abriu uma nova perspectiva no setor. (ig)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Energia renovável e os combustíveis fósseis

Desobediência civil para libertar-se dos combustíveis fósseis.
“Por mim ficaria contente se todos os prados do mundo ficassem em estado selvagem como consequência das iniciativas dos homens para se redimirem” - Henry Thoreau
“Liberte-se dos Combustíveis Fósseis”. De 4 a 15 de maio de 2016, uma onda global de desobediência civil terá como alvo os projetos mais perigosos relacionados aos combustíveis fósseis, para manter o carvão, petróleo e gás no subsolo e acelerar a transição rápida para 100% de energia renovável.
Como tive a oportunidade de mostrar na semana passada, o acordo de Paris assinado no Dia da Terra (22 de abril) estabelece como meta, no melhor cenário, conter o aquecimento global em 1,5º C em relação à temperatura do período pré-industrial, ou seja, antes do início do uso generalizado dos combustíveis fósseis. O gráfico apresentado no artigo mostra que existe uma alta correlação entre o aumento das emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global, sendo que a concentração de CO2 na atmosfera já atingiu 400 partes por milhão (o seguro é no máximo 350 ppm).
No mesmo artigo mostrei que os três primeiros meses de 2016 foram os mais quentes da série histórica das medições iniciadas em 1880. O recorde foi batido por larga margem, pois, em relação à média da temperatura do século XX, o ano mais frio foi 1908 com anomalia de -0,44º C, o ano mais quente foi 1998 com anomalia de 0,63º C, enquanto 2015 chegou a 0,90º C. A rapidez do aquecimento surpreendeu em 2016, pois o mês de março apresentou anomalia de 1,22º C em relação à média do século XX. Considerando a média de 1880-1910 (início da série) o aumento ultrapassou o 1,5º C. Ou seja, atingimos em 2016 aquilo que o Acordo de Paris prevê para 2100.
Portanto, não há tempo a perder. É preciso reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Diversas medidas são necessárias. Mas, com certeza, uma das mais urgentes é superar a dependência dos combustíveis fósseis e fazer a mudança da matriz energética mundial para o uso de fontes renováveis e para deixar o carvão, petróleo e gás no subsolo, ao invés de queimá-los e emitir CO2, acelerando o aquecimento global e a acidificação dos oceanos.
Diante do poder das grandes multinacionais do petróleo e dos governos que incentivam o uso dos combustíveis fósseis, a alternativa é a construção de um movimento de baixo para cima de desobediência civil e de boicote pacífico aos interesses da indústria fóssil.
A ideia da “Desobediência Civil” surgiu a partir de um texto lançado por Henry David Thoreau (1817-1862) que, se opondo à Guerra dos Estados Unidos contra o México, à escravidão nos Estados Unidos e ao genocídio dos índios americanos, publicou o seu influente libelo (em 1849) onde propõe uma resistência pacífica a certas leis de um Estado que era belicista, escravista, perseguia os povos indígenas e não respeitava a natureza. A ideia da desobediência civil atravessou as fronteiras geográficas e temporais e se transformou numa grande referência da luta contra a opressão, a exploração, a injustiça, a discriminação e pela defesa do meio ambiente.
A proposta de desobediência civil de Thoreau começou a se espalhar pelo mundo quando Leon Tolstói (1828-1910) passou a utilizar a ideia no combate ao totalitarismo czarista na Rússia. Em seguida, Gandhi utilizou os mesmos princípios na luta contra a discriminação racial na África do Sul e na luta pacífica pela independência da Índia. O movimento sufragista e a “guerra do sexo” foram uma forma de desobediência civil em defesa do voto feminino. Também foi com base no texto da desobediência civil que Martin Luther King organizou a luta não violenta contra a discriminação racial e pelos direitos civis nos Estados Unidos, cem anos após a publicação do texto original. Thoreau foi inspiração para o movimento hippie e o lema “Paz e Amor” dos jovens que contestavam os valores tradicionais da sociedade de consumo, protestavam contra a guerra do Vietnã e a hegemonia do complexo econômico-militar.
Outra obra influente de Thoreau foi o famoso livro “Walden” (de 1854), onde defendeu um estilo de vida simples, a contemplação, a autossuficiência e a defesa dos direitos da natureza e da vida selvagem (Wilderness). As obras de Thoreau tornaram uma das influências mais marcantes do movimento ambientalista. Por exemplo, Thoreau foi um dos inspiradores da criação do Parque Nacional de Yosemite e do Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos e tantos outros ao redor do mundo.
Na década de 1970, Thoreau inspirou o movimento de Ecologia Profunda, termo proposto pelo filósofo norueguês Arne Naess (1973) que sugeriu uma mudança do paradigma antropocêntrico dominante (chamada de “ecologia rasa”) para uma concepção ecocêntrica ou biocêntrica. Thoreau também influenciou a luta ética e estética contra o especismo, pelo abolicionismo animal e pela extensão dos direitos morais às espécies não-humanas, conforme defendem os filósofos Paul Singer e Tom Regan.
Agora em 2016, Henry Thoreau serve de inspiração para o movimento “Liberte-se dos Combustíveis Fósseis”. No site da campanha está descrito da seguinte forma um dos objetivos: “Ação direta pacífica: a destruição do nosso planeta e o envenenamento das comunidades representam um ataque violento. Não reagiremos da mesma maneira. Não seremos violentos, não destruiremos nenhuma propriedade. Interferiremos nos negócios. Não faremos mal a nenhum dos envolvidos, mesmo que nossas ações sofram reações violentas. Estamos comprometidos com uma resposta pacífica para a crise global que enfrentamos”.
Os últimos governos brasileiros cometeram um erro estratégico de dar prioridade para a exploração das jazidas abissais do pré-sal e para a construção de hidrelétricas na Amazônia. Esse é um caminho equivocado que agrava o aquecimento global e represa o livre fluxo dos rios, das águas e dos peixes. O rumo ambientalmente correto é garantir a integridade dos ecossistemas e manter o petróleo, carvão e gás no subsolo, acelerando a transição efetiva da matriz energética para uma nova composição 100% renovável. (ecodebate)