sábado, 6 de janeiro de 2024

Governo lança programa de mobilidade verde

Governo federal lança programa de mobilidade “verde” e inovação.

Mover vai substituir Rota 2030 e estimula a produção de novas tecnologias na área.

Objetivo é ampliar as exigências de sustentabilidade da frota automotiva e estimular a produção de novas tecnologias nas áreas de mobilidade e logística, expandindo o antigo Rota 2030.

Setor automotivo tem buscado alternativas em suas linhas de produção que poupem recursos naturais.

Mobilidade urbana sustentável: o conceito que tem ganhado destaque nos últimos anos.

A pandemia impulsionou muitas mudanças no setor de mobilidade, principalmente no âmbito sustentável

Frota de veículos elétricos (Itaipu Binacional)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 30/12/23 a Medida Provisória (MP) que cria o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), idealizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ampliando as exigências de sustentabilidade para a frota automotiva e estimulando a produção de novas tecnologias nas áreas de mobilidade e logística, expandindo o antigo Rota 2030. Com um orçamento superior a R$ 19 bilhões em créditos financeiros estipulado para o período de 2024.

Idealizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o novo programa vai promover a expansão de investimentos em eficiência energética, incluir limites mínimos de reciclagem na fabricação dos veículos e cobrar menos imposto de quem polui menos, criando o IPI Verde.

O incentivo fiscal para que as empresas invistam em descarbonização e se enquadrem nos requisitos obrigatórios do programa será de R $ 3,5 bilhões em 2024, R $ 3,8 bilhões em 2025, R $ 3,9 bilhões em 2026, R $ 4 bilhões em 2027 e R $ 4,1 bilhões em 2028, valores que deverão ser convertidos em créditos financeiros. O programa alcançará, no final, mais de 19 bilhões em créditos concedidos.

Para fruição do incentivo fiscal, as empresas produtoras no País de veículos e autopeças devem se habilitar junto ao MDIC e atender os requisitos previstos, incluindo tributação pelo regime de lucro real, possuir centro de custo de pesquisa e desenvolvimento e estar em situação regular quanto aos tributos federais.

Governo Federal lança programa de Mobilidade Verde e Inovação para incentivar setor automotivo. (martinelli)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

De paladino do 1,5ºC a patrono do petróleo

De paladino do 1,5ºC a patrono do petróleo: o Brasil nas negociações finais da COP 28.
Após duas semanas de evento, a edição deste ano da conferência do clima da ONU, a COP28, entra hoje em seu processo de negociações finais, e o mundo inteiro acompanha atentamente, enquanto líderes globais se encontram por trás de portas fechadas para debates que irão definir o futuro do planeta.

Diferentemente de edições anteriores, este ano não houve como evitar o maior vilão da crise climática: os combustíveis fósseis. Desde que os Emirados Árabes Unidos foram escolhidos para sediar o evento, o tema tem ganhado destaque. A nomeação de Sultan Al Jaber, CEO da maior petroleira do país, a Abu Dhabi National Oil Company, e os escândalos que se sucederam – da negação da ciência climática à presença recorde de mais de 2.400 lobistas do petróleo e à carta da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) incitando seus membros a rejeitarem metas de combustíveis fósseis – não ajudaram as partes a se esquivar do assunto.

Em meio a tudo isso, a imagem do Brasil que veio se desenhando ao longo das duas semanas do evento não foi aquela de paladino do 1,5ºC (meta que o Acordo de Paris estabeleceu como limite aceitável para o aquecimento do planeta), ou de liderança climática, como se esperava desde a visita do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva à COP 27, em Sharm El-Sheik (Egito), em 2022.

“Infelizmente, os esforços do Brasil na redução do desmatamento na Amazônia foram sobrepostos nessa COP pelos esforços que o país tem feito para se tornar o quarto maior exportador de petróleo do mundo”, diz Nicole Oliveira, diretora executiva do Instituto Internacional Arayara.

O país bem que tentou sair bem na fita. Além de ter trazido a maior delegação da história brasileira nas COPs, esta foi a primeira vez que uma mulher indígena, a ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara, esteve à frente das negociações do Brasil. Também em um momento simbólico, o presidente Lula passou à Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, o direito de discursar em evento sobre a proteção das florestas, no dia 02 de dezembro.

Mas isso não foi o suficiente para desviar as atenções do anúncio feito pelo Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, logo no primeiro dia da COP 28, de que o país estaria negociando sua entrada na OPEP+, um grupo expandido que agrega os 13 membros da OPEP e mais dez países. O anúncio levou o Brasil a receber o antiprêmio de “Fóssil do Dia”, reconhecimento dado pela Climate Action Network International a países que não estão fazendo o suficiente para combater a crise climática.

“O Brasil tem concentrado seus esforços principalmente no combate ao desmatamento na Amazônia e já vinha fazendo a lição de casa a médio prazo no setor de energias renováveis, então estava em uma posição bastante confortável”, diz Ricardo Baitelo, coordenador de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). “O país não costumava precisar enfrentar pressões em relação a sua descarbonização, mas isso começou a mudar na COP26, em Glasgow”, explica.

De fato, tudo indica que o Brasil não estava preparado para lidar com tantas críticas. Ainda em novembro, durante encontro com a imprensa sobre a COP28, a Secretária de Mudança do Clima, Ana Toni, disse não acreditar que o país seria cobrado em relação à expansão da produção do petróleo. Quando o tiro saiu pela culatra, o presidente tentou contornar a situação. Em encontro com a sociedade civil no dia seguinte ao anúncio da entrada na OPEP+, Lula disse que “entramos nesse clube para ajudar a convencer os maiores produtores do petróleo de que eles precisam usar seus lucros para fazer uma transição justa para energia renovável”. Mas esse discurso não colou.

Para Oliveira, o leilão de 603 blocos de petróleo marcado para o dia 13 de dezembro, um dia depois do final oficial da COP28, deixa claro que essa justificativa é uma falácia. “No total, mais de 2% de todo o território nacional está sendo leiloado, e mais de 90% dos blocos descumprem de alguma forma as diretrizes da própria Agência Nacional do Petróleo (ANP)”, diz Oliveira.

Dentre os descumprimentos está a sobreposição dos blocos a diversas unidades de conservação. Segundo estudo conduzido pelo Instituto Arayara, dos 22 blocos na bacia sedimentar do Amazonas 13% estão sobrepostos e dos 78 blocos na bacia sedimentar de Sergipe-Alagoas 24% estão sobrepostos. Além disso, foram identificadas 23 terras indígenas que estão localizadas na Área de Influência Direta de 15 blocos, e 5 territórios quilombolas que estão sendo sobrepostos em seus limites por 12 blocos exploratórios.

Mesmo que net-zero seja atingido em 2050, liberar novos campos de petróleo agora só piora o clima, diz novo chefe do IPCC.

"Quanto mais adiarmos a ação, maiores serão as emissões cumulativas de CO2 e maior o aquecimento", alerta Jim Skea em crítica velada ao Reino Unido, que liberou novas explorações de petróleo.

“As pessoas nesses territórios não apenas não foram consultadas, como não estavam nem sabendo da existência dessa situação. Fomos nós, em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), que levamos essas informações às comunidades”, conta Nicole Oliveira, do Arayara. “Isso é mais que uma questão de ferir diretrizes ambientais: são ilegalidades”.

Além disso, segundo estimativas do Instituto Arayara, as emissões totais potenciais dos blocos a ser leiloados são superiores a uma gigatonelada de carbono. O volume coloca as emissões potenciais apenas desse ciclo no mesmo nível das emissões anuais do Brasil previstas para 2030, segunda a última atualização da nossa Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês).

“A rigor, esse leilão não impactaria o cumprimento da NDC do Brasil por uma questão de contabilidade, já que esse petróleo seria explorado para exportação e as emissões oriundas da sua queima não seriam incluídas no cálculo final das emissões brasileiras”, explica David Tsai, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. “Mas nós sabemos que o dano ambiental global é o mesmo, independentemente de onde essa emissão for contabilizada”, acrescenta.

Tsai explica que, para o Brasil, é complicado assumir uma posição de simplesmente abrir mão da exploração de petróleo, porque ela é frequentemente acompanhada por uma narrativa de geração de recursos, seja para promover a transição energética, seja para endereçar outras questões, como saúde e educação. “Sem que haja um compromisso global, é difícil que o país assuma sozinho esse compromisso doméstico. Por isso é necessário que a conferência do clima avance, de fato, para um compromisso global de eliminação dos combustíveis fósseis”, diz.

Mas, para Baitelo, do IEMA, embora o Ministério de Energia e a Petrobras vejam no petróleo a representação do crescimento da economia (PIB), a realidade é que, historicamente, existem no mundo muito mais exemplos de estados viciados nos recursos do petróleo do que daqueles que realmente conseguiram transformá-los em melhorias sociais. Além disso, ele destaca como é incerto o momento em que o petróleo vai alcançar seu pico e terá um subsequente declínio – e quais serão os impactos para a nossa economia.

“O Brasil está sendo muito otimista ao construir as suas infraestruturas de petróleo, que vão muito além do que vai ser necessário. O que a Petrobras está fazendo é uma aposta ao investir tudo agora. Mas o quanto disso realmente vai dar retorno é uma incógnita”, diz Baitelo.

Desde a Revolução Industrial, tem ocorrido um aumento significativo na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos como furacões, inundações e nevascas A principal razão para isso é o uso dos combustíveis fósseis.

Extrapolando a meta do 1,5°C: governos planejam produzir cerca de 110% mais combustíveis fósseis em 2030 do que seria compatível com Acordo de Paris.

Produção planejada de petróleo, gás e carvão é o dobro do aceitável pela meta do Acordo de Paris.

Com isso, Baitelo acredita que seja pouco provável que o país apoie a eliminação gradual dos combustíveis fósseis no texto final da COP 28. “A posição do Brasil foi exposta durante o evento, com a declaração de Silveira e com a indicação para o ‘Fóssil do Dia’, o que parece ter tido um efeito positivo no sentido de fazer pressão para um posicionamento mais coerente. Ao mesmo tempo, o que isso vai significar na prática nas negociações ainda está em aberto. O texto final da COP ainda está sendo discutido, e eu não acho que o Brasil assine algo que fale sobre eliminação, mas sim algo que seja mais intermediário, como a redução gradual dos combustíveis fósseis”, explica. (biodieselbr)

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

O negacionismo nuclear e suas falácias

Negar fatos e evidências científicas, mesmo que elas estejam muito bem explicadas, documentadas é a essência da prática que serve para explicar qualquer tipo de negacionismo, incluindo o do uso de usinas nucleares

O negacionismo governamental está presente em vários atos e atitudes de seus membros. O termo negacionismo é o ato de negar fatos, acontecimentos, e evidências científicas.

Tal estratégia tem sido utilizada para a formação de uma governamentalidade (definição dada pelo filósofo francês Michel Foucault, como sendo o conjunto de táticas e estratégias usadas para exercer o poder e conduzir as condutas dos governados), e assim criar as próprias verdades. O que acaba dificultando e confundindo a percepção do público em geral, do risco de determinados eventos de grandes impactos e repercussão, como por exemplo, o que tem acontecido com a pandemia do Coronavírus.

A criação de uma realidade paralela caracteriza-se por negar a própria pandemia, propagandear o uso de remédios ineficazes e questionar a eficácia da vacina. O que contribuiu nestes dois últimos anos para ceifar uma quantidade elevada de vidas humanas. Segundo cientistas, se cuidados básicos tivessem sido implementados pelo Ministério da Saúde para enfrentar a pandemia, um grande número de óbitos seria evitado.

Outro tipo de negacionismo praticado tem sido o negacionismo nuclear. Com uma campanha publicitária lançada recentemente pela Eletrobras Eletronuclear, o desgoverno federal escolheu exaltar mentiras, distorcer fatos, manipular e esconder dados sobre as usinas nucleares, cujas instalações no país se tornaram uma prioridade.

O que tem sido constatado após o último acidente nuclear, ocorrido em Fukushima (antes o de Chernobyl), é que financiadores de “think tanks” (instituições que se dedicam a produzir conhecimento, e cuja principal função é influenciar a tomada de decisão das esferas pública e privada, como de formuladores de políticas) e lobistas defensores da tecnologia nuclear é que as campanhas pró usinas nucleares, estão muito ativas e atuantes, se valendo de desinformação. A falta de transparência é a arma utilizada pelos interesses dos negócios nucleares.
Negar fatos e evidências científicas, mesmo que elas estejam muito bem explicadas, documentadas é a essência da prática que serve para explicar qualquer tipo de negacionismo, incluindo o do uso de usinas nucleares, que nada mais são do que instalações industriais, que empregam materiais radioativos para produzir calor, e a partir deste calor gerar energia elétrica, como em uma termoelétrica. O que muda nas termoelétricas é o combustível utilizado.

No caso do uso da energia nuclear, também conhecida como energia atômica, algumas mentiras sobre esta fonte energética são defendidas, disseminadas, replicadas, compartilhadas, e assim, passam a construir verdades que acabam exercendo pressão, com o objetivo de minimizar e dificultar a percepção da população sobre os reais riscos e perigos que esta tecnologia representa, além de caras e sujas, e de ser totalmente desnecessária para o país.

A política energética atual tem-se caracterizado pela falta de apoio efetivo às fontes renováveis de energia. Ao contrário, o ministro de Minas e Energia proclama como prioritário, a nucleoeletricidade. Insiste em priorizar e promover fontes de energia questionadas, e mesmo abandonadas pelo resto do mundo, caso do apoio ao carvão mineral para termelétricas, e da própria energia nuclear.

No mundo em que vivemos cada ação praticada, implica em riscos. Assim, precisamos decidir sobre quais são aceitáveis, já que eliminá-los é impossível. Não existe risco zero.

A ocorrência de um acidente severo em usinas nucleares é catastrófica aos seres vivos, ou seja, o vazamento de material radioativo confinado no interior do reator para o meio ambiente. É bom que se saiba, que inexiste qualquer outro tipo de acidente que se assemelha a radioatividade lançada ao meio ambiente, e suas consequências e impactos, presentes e futuros.

No caso de usinas nucleares, onde reações nucleares com material físsil produz grande quantidade de calor concentrada em um espaço pequeno, no núcleo do reator, maiores são as consequências de qualquer anomalia acontecer, e se tornar uma catástrofe. Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si, e maiores são as chances de acidentes, mesmo com todos os cuidados preventivos. Neste caso, existe a possibilidade concreta de se cumprir a Lei de Murphy, segundo a qual “se uma coisa pode dar errado, ela dará, e na pior hora possível”.

Eis algumas mentiras que são propagadas, e que são motivadas pelas consequências políticas e econômicas que representam, e que merecem os esclarecimentos devidos:

A energia nuclear é inesgotável, ilimitada

As usinas nucleares existentes no país, e as novas propostas, utilizam como combustível o urânio 235 (isótopo do urânio encontrado na natureza). Este tipo de urânio, que se presta a fissão nuclear, é encontrado na natureza na proporção, em média, de 0,7%. Todavia é necessária uma concentração superior a 3% para ser usado como combustível, assim é necessário enriquecê-lo, aumentando o teor do elemento físsil. Pode-se afirmar que haverá urânio 235, suficiente para mais 30-50 anos, a custos razoáveis, para atender as usinas nucleares existentes.

A energia nuclear é barata

É muito mais cara do que nos fazem crer, sem contar com os custos de armazenagem do lixo radioativo, e o desmantelamento/ descomissionamento no fim da vida útil da usina (custa aproximadamente o mesmo valor que a de sua construção). Logo, o custo do kWh produzido é próximo, e mesmo superior ao das termelétricas a combustíveis fósseis. E sem dúvida, acontecerá o repasse de tais custos para o consumidor final.

A taxa de mortalidade de um desastre nuclear é baixa

O contato de seres vivos, em particular de humanos com a radiação liberada por uma usina nuclear, tem efeitos biológicos dramáticos, e vai depender de uma série de fatores. Entre os quais: o tipo de radiação, o tipo de tecido vivo atingido, o tempo de exposição e a intensidade da fonte radioativa. Conforme a dose recebida os danos às células podem levar um tempo. Podem ser, desde queimaduras até aumento da probabilidade de câncer em diferentes partes do organismo humano. Portanto, em casos de acidentes severos já ocorridos, o número de mortes logo após o contato com material radioativo não foi grande; mas as mortes posteriores foram expressivas, segundo organismos não governamentais. Nestes casos a dificuldade de contabilizar a verdadeira taxa de mortalidade é dificultada pela mobilidade das pessoas. Pessoas que moravam próximas ao local destas tragédias, e que foram contaminadas, se mudam, e a evolução da saúde individual, fica praticamente impossível de se acompanhar.

O nuclear é seguro

Embora o risco de acidente nuclear seja pequeno, é preciso considerá-lo, haja vista que já aconteceu em diferentes momentos da história, e possui consequências devastadoras. Um acidente nuclear torna a área em que ocorreu inabitável. Rios, lagos, lençóis freáticos e solos são contaminados. Esse tipo de acidente ainda ocasiona alterações genéticas em seres vivos.

O uso da energia nuclear está em pleno crescimento no mundo

Esta é uma falácia recorrente dos que creditam a esta tecnologia um crescimento mundial. Vários países têm criado dificuldades para a expansão de usinas, e mesmo abandonando a nucleoeletricidade. Como exemplos temos a Alemanha, Áustria, Bélgica, Itália, Portugal, …. E em outros países o movimento anti usinas nucleares tem crescido entre a população, como é o caso da França e Japão.

A energia nuclear é necessária, é inevitável

No caso do Brasil, as 2 usinas existentes participam da matriz elétrica com menos de 2% da potência total instalada. E mesmo que as projeções governamentais apontem para mais 10.000 MW até 2050, assim mesmo, a contribuição da nucleoeletricidade será inferior aos 4%. A energia nuclear não é necessária no Brasil que detém uma biodiversidade extraordinária e fontes renováveis em abundância.

A energia nuclear é limpa

Por princípio não existe energia limpa, e sim as sujas e as menos sujas. No caso da energia nuclear ela é classificada de suja, pois é responsável por emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo do combustível nuclear (da mineração a produção das pastilhas combustíveis), e produz o chamado lixo radioativo. O lixo é composto por tudo o que teve contato com a radioatividade. Logo, entra nessa categoria: resíduos do preparo das substâncias químicas radioativas, a mineração, o encanamento através do qual passam, as vestimentas dos funcionários, as ferramentas utilizadas, entre outros. Parte deste lixo, por ser extremamente radioativo, precisando ser isolado do meio ambiente por centenas, e mesmo milhares de anos. Não existe uma solução definitiva de como armazená-lo. Um problema não solucionado que será herdado pelas gerações futuras.

O nuclear resolve nosso problema energético, evitando os apagões e o desabastecimento

Contribui atualmente com 2% da potência total instalada no país, podendo chegar a 4% em 2050, caso novas usinas sejam instaladas. O peso das potências total instaladas, atual e futura, na matriz elétrica é muito inferior ao potencial das alternativas renováveis (por ex.: Sol e vento) disponíveis. Logo, a afirmativa de que a solução para eventuais desabastecimentos de energia pode ser compensada pela energia nuclear é uma mentira das grandes.

O que está ocorrendo no país, caso prossiga a atual política energética nefasta, no sentido econômico, social e ambiental, é um verdadeiro desastre que deve ser evitado.

Para saber mais sugiro a leitura dos livros “Por um Brasil livre das usinas nucleares”- Chico Whitaker, “Bomba atômica para quê? – Tania Malheiros. E os artigos de opinião “Energia nuclear é suja, cara e perigosa”- Chico Whitaker, “O Brasil não precisa de mais usinas nucleares” – Ildo Sauer e Joaquim Francisco de Carvalho, “Porque o Brasil não precisa de usinas nucleares” – Heitor Scalambrini Costa e Zoraide Vilasboas; e o estudo sobre a “Insegurança na usina nuclear de Angra 3”- Célio Bermann e Francisco Corrêa. (ecodebate)

Hortolândia lança programa de eficiência energética

Iniciativa inclui instalação de energia solar em prédios públicos e eletricação da frota municipal.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou do lançamento do Programa de Eficiência Energética do município de Hortolândia, em São Paulo. O programa prevê a instalação de 21 usinas fotovoltaicas em prédios públicos, como unidades de saúde, escolas, ginásios, capazes de suprir 80% do consumo dos 19o estabelecimentos da administração municipal, com economia de R$ 4 milhões.
Usina fotovoltaica

A iniciativa lançada em 11/12/23, também inclui a troca de veículos a combustão da frota da prefeitura e de parte da frota do transporte público por veículos elétricos. A substituição dos 20 veículos da prefeitura será feita até maio de 2024. Com a troca, serão instalados 19 eletropostos no município para fazer o abastecimento dos novos veículos.

Hortolândia começa implantação de usinas fotovoltaicas.

A meta final é tornar Hortolândia uma referência nacional no uso de energia limpa.

Silveira destacou o protagonismo do programa e disse que a iniciativa vai servir de referência para o Governo Federal e para outras cidades do país. As ações de eficiência energética vão se estender à iluminação pública, que receberá novas luminárias de LED em vários pontos da cidade, além das já instaladas. A prefeitura espera, com isso, reduzir em 10% a taxa de iluminação pública em 2024, com uma economia de R$ 12 milhões por ano para o município. (canalenergia)

Vantagens de eólicas e solares direcionam investimentos em renováveis

Petrobras: vantagens de eólicas e solares direcionam investimentos em renováveis.
Com foco no Brasil, presidente da estatal afastou a chance de negócio com eólica offshore na Escócia.

Os investimentos da Petrobras em energias renováveis devem direcionar foco em tecnologias maduras como eólicas onshore e solares.

Os investimentos da Petrobras em energias renováveis devem direcionar foco em tecnologias maduras como eólicas onshore e solares. A petroleira anunciou investimentos do Plano Estratégico de US$ 5,2 bilhões – cerca de R$ 25 bilhões – até 2028. Em coletiva de imprensa realizada em 24/11/23, o diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade, Maurício Tolmasquim, revelou que essa escolha se dá pela rentabilidade e preço competitivo que elas conferem e pela conexão que possuem com o hidrogênio.

O diretor da estatal esclareceu que os investimentos em aquisições podem contemplar projetos greenfield ou que já estejam em operação. De acordo com Tolmasquim, o foco da empresa é o Brasil, pela qualidade dos recursos naturais de vento e sol, que não existe em outros países.

Tolmasquim revelou ainda que também estão previstos recursos para a pesquisa na área de eólica offshore. Essa pesquisa envolve a preparação do projeto, como análise de ventos e áreas submarinas para que no momento que o marco legal for aprovado e for um marcado um leilão, a estatal esteja pronta.

O executivo continuou a demonstrar empolgação com os prognósticos para o hidrogênio verde no Brasil. Estudos apontam que o energético do Brasil terá o menor custo do mundo, uma vez que como a energia é 80% do custo, o nacional terá o menor valor, por ter renováveis competitivas. Sinergia de negócios do H2V entre outras áreas da estatal também não estão descartadas, assim como negócios locais com grandes consumidores, como Arcelor, Vale e Gerdau. “Isso é fundamental para o H2V ser competitivo”, avisa.

O diretor William França revelou durante a coletiva que a Refinaria Regap, em Betim (MG), está com projetos de autoprodução de energia solar, em que a primeira fase tem 11 MW e na segunda fica com 80 MW. O consumo da planta é de 5o MW med, parte produz em cogeração e a outra ela compra no mercado.

O presidente da estatal, Jean Paul Prates, que também participou da coletiva, afastou a possibilidade da compra de um projeto eólico offshore na Escócia. Segundo ele, não houve encaminhamento desse projeto ao conselho. Segundo ele, a empresa tem recebido várias ofertas e houve uma análise de compra parcial do empreendimento, que foi refutada logo de cara. “Não é possível que a gente consiga chegar para as pessoas e diga que a primeira coisa que a gente fez em energia renovável foi comprar um pedaço de um projeto na Escócia, quando dizemos que o melhor lugar para isso [eólica offshore] é o Brasil”, comenta. (canalenergia)