Como funciona
• Órbita alta: As usinas
ficam a 36 mil quilômetros da Terra, em órbita geoestacionária.
• Luz constante: Fora da
atmosfera, não há nuvens ou ciclos de dia e noite, o que torna a luz dez vezes
mais intensa.
• Transmissão: A energia
captada vira ondas de rádio ou micro-ondas e é enviada para antenas na
superfície terrestre.
A corrida atual
• Projetos da China: O país
planeja construir uma matriz solar de 1 quilômetro de largura no espaço para
gerar energia em grande escala.
• Iniciativas nos EUA:
Institutos como a Caltech desenvolvem projetos próprios para testar a viabilidade
da transmissão por micro-ondas.
• Economia espacial: O
mercado espacial movimenta bilhões e especialistas afirmam que a nova corrida
espacial será definida pela capacidade de gerar energia.
Desafios
• Montagem complexa: É
impossível lançar uma estrutura pronta; robôs precisariam montar os módulos no
espaço.
• Custos e perdas: O
transporte de carga pesada e a eficiência na conversão e transmissão da energia
ainda enfrentam barreiras técnicas.
Este vídeo explica os planos
da NASA e os métodos robóticos para erguer usinas solares gigantescas no
espaço:
O volume de recursos
destinados ao setor parece representar uma nova oportunidade para a indústria
solar avançar em direção a um mercado de alto valor, embora sua escala e
importância finais ainda estejam começando a ser compreendidas.
Enquanto grande parte da
atenção da mídia e das discussões tem se concentrado em ofertas públicas
iniciais (IPOs) e em ambições de grande escala, uma dinâmica interessante está
surgindo entre os fornecedores de tecnologias solares que buscam alimentar a
crescente frota de satélites e outras operações espaciais.
Impulsionados pelo forte interesse dos investidores, desenvolvedores de satélites, empresas espaciais e fabricantes especializados de equipamentos solares estão desenvolvendo novas tecnologias e capacidades que podem permitir que atividades econômicas em órbita ganhem escala e prosperem.
Expansão dos eventos
Esse aumento da atividade
ficou evidente em três eventos realizados nos Estados Unidos em 2026 dos quais
a Eternal Sun participou: o Space Power Workshop, realizado em abril em
Torrance, Los Angeles; a Space Photovoltaics Research and Technology Conference
(SPRAT), em Cleveland; e a Small Satellite Conference, em Salt Lake City, ambas
realizadas no último mês.
Os 3 eventos acontecem há
décadas, o que demonstra tanto a importância histórica dos sistemas de energia
para as operações espaciais quanto a profundidade do conhecimento acumulado
nessa área.
Quando participei do Space
Power Workshop, ficou evidente a familiaridade entre representantes do setor de
tecnologia espacial e das empresas solares com longa trajetória no fornecimento
de equipamentos para esse mercado. E isso não chega a ser surpreendente, já que
o evento comemorou sua 40ª edição neste ano.
Ao lado dos profissionais
experientes e das empresas já estabelecidas, porém, havia também um grupo de
novos participantes interessados em levar abordagens inovadoras para as
operações espaciais e os sistemas de energia.
Muitas das organizações
espaciais representadas no Workshop são conhecidas, como a National Aeronautics
and Space Administration (NASA), a European Space Agency (ESA) e a organização
sem fins lucrativos Aerospace Corporation, que atua desde 1960.
Em relação às necessidades de energia em órbita, essas organizações frequentemente mantêm relações de longa data com fornecedores especializados de sistemas solares para aplicações espaciais. Muitos deles baseiam suas tecnologias fotovoltaicas em semicondutores III-V, incluindo células solares de arseneto de gálio (GaAs).
Abordagens tradicionais
Como usinas solares no espaço
podem transmitir energia para a Terra.
Já foram projetados satélites
para coletar energia solar no espaço.
Não é necessário ter um
doutorado em energia fotovoltaica para compreender as vantagens dos
semicondutores III-V. Com eficiências de conversão superiores a 30% e alta
resistência aos prótons e elétrons de alta energia predominantes em órbitas
elevadas, eles há muito tempo são uma escolha natural para aplicações
espaciais.
No entanto, a capacidade de
produção de dispositivos solares III-V continua bastante limitada. Durante o
Space Power Workshop, foi mencionado que a capacidade anual de produção
permanece abaixo de 5 MW, enquanto os prazos de entrega podem ser longos,
representando uma restrição significativa à expansão das aplicações.
Ainda há poucos dados
confiáveis sobre a cadeia de suprimentos de sistemas solares para aplicações
espaciais. Como me disse um analista experiente do setor solar, “a energia
solar espacial é muito interessante, mas atualmente está na fronteira de nossa
pesquisa”.
Apesar dessa visibilidade limitada, está claro que a atividade em toda a cadeia de suprimentos de sistemas solares espaciais está se acelerando.
Nova geração de fotovoltaicos espaciais
Vale a pena observar alguns
dos desenvolvimentos recentes no mercado de energia solar espacial. Em 20 de
maio, a York Space Systems, com sede em Denver, anunciou a aquisição da
desenvolvedora de sistemas solares espaciais Solestial por US$ 67 milhões, em
dinheiro e ações.
Em vez de utilizar
semicondutores III-V, a Solestial produz células e módulos de silício
cristalino (c-Si) para aplicações espaciais. A empresa utiliza substratos de
c-Si ultrafinos, de 60 micrômetros, para produzir células e módulos de
heterojunção por meio de processos de fabricação em baixa temperatura.
A aquisição ocorreu após a
oferta pública inicial da York Space Systems, que levantou US$ 4,75 bilhões na
Bolsa de Valores de Nova York em janeiro.
Olhando para além da energia
solar, fica claro que os recursos estão fluindo para todo o setor espacial
emergente. A organização sem fins lucrativos Space Foundation informa que
apenas em abril de 2026 foram direcionados US$ 28,7 bilhões em investimentos
privados para empresas espaciais.
Segundo a organização, além dos investidores tradicionais de capital de risco, empresas como Airbus, Lockheed Martin e Google estão destinando recursos ao setor, assim como fundos soberanos, fundos de pensão e family offices. As constelações de satélites estão entre os segmentos particularmente atraentes para os investidores.
Evolução tecnológica
A crescente demanda por
satélites em órbita terrestre baixa (LEO), incluindo aplicações como a
Starlink, parece estar levando a uma reavaliação dos semicondutores utilizados
em sistemas solares espaciais.
A LEO geralmente se estende
de aproximadamente 160 km a 2.000 km acima da superfície terrestre. Como essas
órbitas apresentam menor exposição à radiação que provoca degradação do que as
órbitas mais elevadas, além de uma vida útil geralmente mais curta dos
satélites, células mais convencionais de silício cristalino podem ser mais
adequadas para essa próxima fase da industrialização espacial.
A queda dos custos de
lançamento também está tornando mais viáveis os sistemas solares espaciais de
c-Si de menor custo.
Um relatório da PwC sobre a
indústria espacial, publicado em abril de 2025, observa que, embora “lançar
materiais pesados em órbita continue sendo um obstáculo logístico”, o aumento
da frequência dos lançamentos e inovações como foguetes reutilizáveis podem
reduzir a importância da relação entre potência e peso nos sistemas solares
espaciais.
Segundo o relatório, os
custos de lançamento para a LEO caíram acentuadamente nos últimos 15 anos,
chegando a aproximadamente US$ 2.000/kg ou menos.
Em reconhecimento à
importância da inovação contínua em laboratórios e na fabricação de sistemas
solares espaciais, o Departamento de Energia dos Estados Unidos lançou uma
oportunidade de financiamento de US$ 12 milhões.
Não são apenas satélites que estão sendo lançados. As informações sobre o Space Photovoltaic Research and Development Program foram divulgadas em 31/08/2026 e indicam que o programa pretende acelerar a inovação tecnológica e ampliar a capacidade doméstica de fabricação de sistemas solares para aplicações espaciais. O processo de concessão é administrado pela TechWerx e ficou aberto até 08/10/26.
Oportunidade para as perovskitas
Assim como ocorre na Terra, a
tecnologia fotovoltaica baseada em perovskitas apresenta grande potencial como
uma solução de nova geração para aplicações espaciais.
Na SPRAT, realizada no início
deste mês no Glenn Research Center, da NASA, desenvolvedores de perovskitas
tiveram participação de destaque na programação.
Equipes da desenvolvedora de
perovskitas Swift Solar e pesquisadores da University of Rochester, em Nova
York, e da University of North Texas fizeram apresentações no evento. A equipe
da Eternal Sun também conversou com representantes das empresas de perovskitas
Oxford PV e Beyond Silicon durante os intervalos.
As discussões mostraram que,
embora as aplicações espaciais talvez não tenham sido uma prioridade para a
pesquisa e a comercialização de células de perovskita no passado, hoje elas são
vistas como uma oportunidade de negócios relevante pelos desenvolvedores.
Para as empresas espaciais, eficiências superiores a 30% a custos muito inferiores aos dos semicondutores III-V representam uma perspectiva particularmente atraente.
Para concretizar esse potencial, porém, as células de perovskita precisam demonstrar durabilidade e confiabilidade no longo prazo. As empresas espaciais não podem arcar com degradação inesperada ou falhas dos dispositivos depois de assumir os altos custos de lançamento dos equipamentos para a órbita.
O desafio é semelhante ao
enfrentado pela implantação das perovskitas em aplicações terrestres, mas com
consequências muito maiores.
Diante da necessidade de
testar e caracterizar com precisão células e módulos de perovskita e c-Si
destinados a aplicações espaciais, incluindo dispositivos tandem, é positivo
observar uma forte demanda por simuladores solares avançados nesse nicho em
expansão.
Em dezembro de 2025, a
Eternal Sun informou que estava fornecendo equipamentos com placas de diodos
emissores de luz (LED) pré-calibradas para testes em condições de massa de ar
zero (AM0), permitindo a caracterização precisa de tecnologias solares
projetadas para uso no espaço.
A Space Foundation estima que
a economia espacial global tenha alcançado US$ 686 bilhões em 2025, com
crescimento anual de 12%.
O relatório classifica a
energia solar espacial como uma “tecnologia fundamental” para a expansão
contínua das operações em órbita. À medida que a economia espacial cresce e
novas tecnologias fotovoltaicas surgem, testes rigorosos, caracterização e
validação dos produtos serão fundamentais para garantir que a energia solar
consiga atender às necessidades dessa indústria no futuro.
E acredito que posso falar em nome de toda a equipe da Eternal Sun ao dizer que temos orgulho de contribuir para o desenvolvimento dessa nova área da economia.
Pepijn Veling é diretor de vendas da Eternal Sun | WAVELABS desde 2019. É responsável pelas vendas na Europa, Índia, Oriente Médio e América Latina, além de atuar como engenheiro de vendas, gerenciando contas na América Latina e na Europa. Anteriormente, trabalhou como desenvolvedor de novos negócios na Kimberly-Clark e na Innovice, onde teve entre seus principais clientes a Apple Benelux e o Rabobank Utrecht.
Veling é bacharel em Gestão
da Inovação e mestre em Ciência e Gestão da Inovação pela Utrecht University,
além de possuir qualificações adicionais em negócios sustentáveis. (pv-magazine-brasil)









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