sábado, 4 de maio de 2013

Um sistema interligado hidroeólico para o Brasil

Discute-se neste artigo a possibilidade que se abre ao Brasil, de – graças a seus imensos potenciais hídrico e eólico – produzir, de forma renovável e sustentável, toda a energia elétrica que consome atualmente e consumirá a partir de 2050, quando, segundo o IBGE, a população estará estabilizada em 215 milhões de habitantes.
Introdução
O Brasil dispõe de potenciais hídrico e eólico que lhe abrem a possibilidade de produzir, de forma renovável e sustentável, toda a energia elétrica que consome no presente e consumirá a partir de 2050, quando, segundo o IBGE, a população estará estabilizada em 215 milhões de habitantes.
A interligação dos parques eólicos com a rede hidrelétrica, visando estruturar um sistema hidroeólico, contribuirá para suavizar a intermitência dos ventos, pois isso permite que se firme a energia eólica, mediante a economia da água dos reservatórios hidrelétricos, para ser usada na geração de eletricidade durante as estações secas, nas quais normalmente os ventos são mais fortes e fartos (Carvalho; Sauer, 2012).
A interligação dos parques eólicos entre si também contribui para amenizar o problema da intermitência dos ventos, por meio do chamado “efeito portfólio”, pelo qual, à semelhança de uma carteira de ações na bolsa de valores, a produção conjunta de todos os parques varia menos do que as produções individuais de cada um, isoladamente.
Graças ao seu imenso potencial hidrelétrico – e à possibilidade, ainda existente, de se implantarem grandes reservatórios de acumulação -, o Brasil tem uma extraordinária vantagem comparativa em relação aos Estados Unidos e à maioria dos países europeus e asiáticos, que são obrigados a apelar para as usinas termelétricas convencionais ou para as centrais nucleares.
Há, ainda, o potencial de espécies vegetais direta ou indiretamente aproveitáveis como fonte de energia, como a cana de açúcar, por exemplo.
Pequenas e médias usinas termelétricas a bagaço de cana poderiam, em conjunto, adicionar ao sistema interligado uma capacidade da ordem de 15 GW, numa estimativa conservadora (Única, 2008).
O potencial hidrelétrico
Ao lado de requisitos técnicos, econômicos e ambientais, o aproveitamento do potencial hidrelétrico deve respeitar o direito dos habitantes das regiões a serem alagadas, cabendo ao governo a responsabilidade de acomodar as populações ribeirinhas, mediante a execução de programas de reassentamento planejados em cooperação com as lideranças locais.
Essa é uma conditio sine qua non para a construção de reservatórios de acumulação na Amazônia, sem os quais a curva de armazenamento de energia será cruzada pela curva de aversão ao risco de escassez – e o sistema elétrico brasileiro entrará em colapso.
Determinados segmentos da sociedade, no entanto, têm a percepção de que a geração hidrelétrica é invariavelmente deletéria, por causar a “artificialização das bacias hidrográficas” e a degradação da qualidade de vida das populações locais.
Devido a essa percepção equivocada, o Brasil corre o risco de ser obrigado a imitar países que, não dispondo de vantagens como as brasileiras, têm que apelar para as ambientalmente deletérias usinas termelétricas convencionais e/ou para as centrais nucleares, expondo suas populações ao risco de acidentes catastróficos, como os que por muito pouco não aconteceram há 33 anos em Three Mile Island, nos Estados Unidos, e há 29 anos em Saint-Laurent-des-Eaux, na França – e de fato aconteceram há 26 anos em Chernobyl, na Ucrânia, e há dois anos em Fukushima, no Japão.
Na verdade, os reservatórios hidrelétricos podem ser aproveitados para múltiplas finalidades, tais como regularização de vazões, transporte fluvial, irrigação de grandes áreas visando à produção agrícola, pesca interior, turismo ecológico etc. Todos esses usos requerem a proteção das nascentes e a preservação das matas ciliares, sendo, portanto, ambientalmente benéficos – ao contrário do que supõem os adversários emocionais dos reservatórios hidrelétricos.
Um notável exemplo de uso múltiplo de bacia hidrográfica é o da usina hidrelétrica de Três Marias, originalmente projetada apenas como reservatório de regularização, para irrigar 100 mil hectares do Projeto Jaíba, em Minas Gerais. Esse reservatório (que cobre uma área maior do que o dobro da Baía da Guanabara) é responsável pelo desenvolvimento da outrora paupérrima região nordeste de Minas. A geração hidrelétrica foi apenas uma decorrência de sua construção.
Outro exemplo é o da hidrelétrica de Sobradinho, que permitiu o desenvolvimento do maior polo de fruticultura irrigada do Brasil (Veiga Pereira et al., 2012).
Ainda outros exemplos são algumas hidrelétricas da Light e da Cesp, cujos reservatórios regularizam a vazão da bacia do Rio Paraíba do Sul e permitem a captação de água para a região metropolitana do Rio de Janeiro e algumas cidades do trecho paulista daquela bacia.
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o potencial hidrelétrico brasileiro passível de ser técnica e economicamente aproveitado nas atuais condições de tecnologia é de 250 GW, dos quais 83 GW já estão em aproveitamento (EPE, 2012).
Dos 167 GW que ainda poderiam ser aproveitados, cerca de 108 GW situam-se na Amazônia e 59 GW nas demais regiões do país.
Admitamos que, por motivos sociais e ambientais, 20% do potencial amazônico permaneçam intocados. Admitamos também que, devido a impactos de mudanças climáticas, caia em cerca de 15% a energia natural afluente, assegurada pelo fluxo dos rios da região (Schäffer, 2011).
Nesse caso, restariam 73 MW a serem instalados na Amazônia. Suponhamos, ainda, que 10% do potencial das demais regiões fiquem intocados e desconsideremos as previsões de que as mudanças climáticas causarão aumentos de vazão nos rios das regiões Centro-Sul e Sul. Sobraria, portanto, um potencial da ordem de 53 GW, fora da Região Amazônica.
Assim, em adição aos 83 GW já em aproveitamento, ainda poderiam ser construídas hidrelétricas totalizando uma capacidade da ordem de 126 GW, de modo que o parque hidrelétrico brasileiro, como um todo, poderá ter uma capacidade total de 209 GW.
A fim de assegurar que a energia armazenada seja suficiente para suprir o sistema durante as estações secas, o volume global dos reservatórios brasileiros deverá duplicar, tornando indispensável a implantação dos grandes reservatórios já inventariados e ambientalmente passiveis de serem aproveitados, em particular na Amazônia. Nesse caso, a área alagada seria inferior a 0,6% da área daquela região (incluindo a área normalmente já ocupada pelos rios, nas estações chuvosas). Parece claro que tal impacto pode ser assimilado em pouco tempo pelo ecossistema regional.
Assinale-se que alterações causadas por desmatamentos comprometeriam a vazão dos rios, inviabilizando as próprias hidrelétricas (Carvalho, 2012). Assim, ao atribuir concessões para a exploração dessas usinas, o governo deve adotar a política de obrigar contratualmente (sob pena de multas e cassação das concessões) os concessionários a manterem guardas florestais, com a atribuição de fiscalizar e proteger as nascentes, matas ciliares e outros ecossistemas sensíveis, situados na região de influência dos reservatórios.
O potencial eólico
Em 2001, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras/Cepel) realizou um inventário do potencial eólico brasileiro, estimando-o em 143 GW para turbinas encontradas no mercado, instaladas em torres de 50 metros.
Estudos mais recentes mostram que, com o desenvolvimento de turbinas mais eficientes e torres mais altas, o potencial pode superar 280 GW.
As perspectivas de se inventariar um potencial ainda maior são muito auspiciosas, com os ganhos de escala e aprendizado, resultantes do desenvolvimento tecnológico e da nacionalização da cadeia produtiva eólica (Ricosti; Sauer, 2012).
Acresce que as mudanças climáticas deverão causar um impacto bastante positivo sobre o potencial eólico (Schäffer, 2011).
Naturalmente, a implantação de parques eólicos deve ser planejada por forma a evitar que interfiram nas rotas de migração da fauna alada, ou provoquem impactos acústicos acima de limites toleráveis, em regiões habitadas.
Um sistema hidroeólico
Um sistema interligando as hidrelétricas com as eólicas e as termelétricas a biomassa, com as capacidades e fatores de capacidade indicados na Tabela 1, poderá gerar cerca de 1.103 GWh por ano. 
As usinas térmicas a gás natural já existentes seriam acionadas (com suprimento flexível de combustível) apenas em períodos hidroeólicos críticos, otimizando a operação do sistema e servindo como seguro para reduzir riscos de racionamento (Carvalho; Sauer, 2012).
Para isso, será necessário realizar grandes investimentos na modernização dos sistemas de transmissão e distribuição, inclusive mediante o emprego de tecnologias * Para isso, será necessário realizar grandes investimentos na modernização dos interligado, o f.c. deve superar a média ponderada dos sistemas isolados avançadas, como as redes inteligentes (smart grids), para que o despacho dos parques eólicos seja continuamente associado ao despacho das hidrelétricas, elevando consideravelmente o fator de capacidade do sistema interligado (Carvalho, 2012).
Igualmente necessário é que o planejamento do setor energético seja mais abrangente, siga diretrizes estratégicas bem definidas para o longo prazo e seja normativo, diferentemente dos planos feitos nos dias de hoje, que são influenciados pela conjuntura política, por pressões corporativas e até por interesses mercantis de curto prazo.
E será indispensável que a Empresa de Pesquisa Energética e o Operador Nacional do Sistema sejam formalmente vinculados, a fim de compatibilizar os planejamentos de curto e médio prazos, com a operação do sistema; evitando os desentendimentos que têm colocado em risco o suprimento de energia, embora a afluência mínima dos rios brasileiros, em seu conjunto, não tenha passado por mínimos inferiores a 15% abaixo da afluência média, nos últimos dez anos.
Considerações finais e conclusão
Neste artigo não foi considerado o potencial fotovoltaico, o qual – com o desenvolvimento tecnológico nos campos dos semicondutores e das redes inteligentes – poderá desempenhar um papel muito importante no sistema elétrico brasileiro.
Tampouco foi considerado o potencial energético dos mares (energia das ondas, das marés, das correntes marinhas etc.). Considerando que o Brasil tem mais de oito mil quilômetros de costa atlântica, presume-se que este potencial seja significativo.
No artigo também não foi tomado em conta o aproveitamento de resíduos urbanos em minicentrais termelétricas que, em conjunto, podem ter um potencial muito grande, dada a magnitude do problema colocado pelo descarte desses resíduos, num pais de população urbana superior a 160 milhões de habitantes.
Quanto aos custos da energia elétrica, esses compõem-se de uma parte fixa, correspondente à amortização do capital investido – e de uma parte administrável, composta pelas despesas necessárias ao funcionamento da usina geradora.
A parte fixa abrange as despesas incorridas na implantação da usina (projetos, equipamentos, construção, montagem e testes), e a parte administrável compreende as despesas de operação e manutenção, seguros, salários, encargos trabalhistas etc. Modicidade tarifária implica racionalização dessas despesas, sendo, portanto, incompatível com pressões corporativas e interesses mercantis de curto prazo.
No caso das usinas nucleares, há também os custos do combustível, do descomissionamento ao fim da vida útil e da administração dos rejeitos radiativos.
Os custos efetivamente praticados devem ser estabelecidos por meio de negociações entre o poder concedente e o investidor, nas quais entram critérios subjetivos tais como “atratividade” para o investidor e “razoabilidade” para os consumidores; daí o imperativo ético de que o processo seja absolutamente transparente.
Calcula-se que, no Brasil, o custo da energia hidrelétrica fique em cerca de R$ 80/MWh e o da nuclear em R$ 200/MWh (Carvalho; Sauer, 2009).
Entre ambos vem a energia eólica, que foi negociada por aproximadamente R$ 100/MWh, em recentes leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia.
À guisa de conclusão, podemos afirmar que um sistema hidroeólico estruturado nas condições brasileiras seria inteiramente sustentável e teria capacidade para cobrir indefinidamente a demanda brasileira por energia elétrica.
De fato, como foi mostrado no item anterior, graças aos seus imensos potenciais hídrico e eólico, o Brasil poderá estruturar um sistema hidroeólico capaz de gerar, de forma renovável e sustentável, cerca de 1.103 GWh por ano.
Assim, a partir de 2050, quando, segundo o IBGE, população estará estabilizada em 215 milhões de habitantes, o sistema hidroeólico teria capacidade para oferecer ao país, em caráter permanente, algo em torno de 5.100 kWh por habitante por ano.
Isso significa que, apenas com o aproveitamento de fontes de energia limpas e sustentáveis, o Brasil poderá, em matéria de energia elétrica, equiparar-se a países europeus altamente desenvolvidos.
Por fim, é importante ter em mente que, a partir de um patamar razoável, o bem-estar de uma sociedade não depende, necessariamente, do crescimento à outrance da produção física, nem de um grande consumo de energia.
Países como a Suíça e a Alemanha, por exemplo, não crescem desmesuradamente e, em termos per capita, consomem três vezes menos energia do que os Estados Unidos, no entanto os suíços e alemães desfrutam de uma qualidade de vida superior à dos norte-americanos.
Em outras palavras, o desenvolvimento deve ser buscado através do aprimoramento da educação e da saúde pública, do aperfeiçoamento dos processos de produção e da qualidade dos produtos, da racionalização da infraestrutura de telecomunicações e dos sistemas de transportes e assim por diante – e, naturalmente, do uso racional da energia para essas finalidades (Carvalho, 2011).
Se não for assim, carece de sentido o crescimento a qualquer custo, tão ansiosamente almejado por determinadas correntes de economistas. (EcoDebate)

Vantagens do uso de energia eólica

Especialistas apontam vantagens do uso de energia eólica
O Brasil ainda precisa superar uma “visão turva” sobre a energia eólica, que coloca em desconfiança a geração que provém dos ventos, sob o argumento de que esse recurso seria “sazonal e intermitente”. A crítica foi feita pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Élbia Melo, na audiência realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) em 17/04/13.
Como observou a expositora, toda fonte que vem da natureza é, por definição, sazonal e intermitente. Observou que o mesmo fator está presente na produção de energia hidráulica, especialmente as usinas construídas a “fio d’água”, sem reservatórios. No caso da energia eólica, explicou ainda que é perfeitamente possível conter riscos por meio do aumento da quantidade de geradores montados.
- Temos que acabar com esse mito da confiabilidade, algo que ainda não está claro inclusive para os nossos técnicos e para os formuladores de políticas públicas – afirmou.
Participou ainda do debate, que foi dirigido pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), o engenheiro Adão Linhares Muniz, diretor da RM Soluções em Infraestrutura. Assim como Élbia Melo, ele defendeu a diversificação da matriz energética do país, destacando que o importante é harmonizar as diversas fontes disponíveis, para garantir ao país um sistema forte e coordenado.
Para os expositores, existe ampla complementaridade entre a geração hidráulica e eólica, inclusive por conta de aspectos climáticos. Explicaram que a ocorrência de ventos sempre é mais intensa nos períodos de estiagem, exatamente quando a escassez de água pode afetar a produção hidroelétrica.
Entre outros benefícios da energia eólica, eles destacaram ainda os ganhos de renda nas localidades onde são implantados os parques. De acordo com Élbia Melo, para cada megawatt instalado são gerados 15 empregos. Ela informou que os 12 mil postos de trabalho atuais, em todo o país, podem subir para 280 mil até 2020. Do ponto de vista ambiental, lembrou também que a energia eólica não é emissora de gases de efeito estufa.
Capacidade instalada
No momento, a capacidade instalada em energia eólica é de apenas 2,69 mil megawatts, o equivalente a 2% da matriz energética. A projeção é de que, até 2017, serão 8,8 mil megawatts, chegando a 5% da matriz. Os convidados disseram que esse rápido crescimento deve-se a projetos de novos parques eólicos iniciados em 2009, quando se comprovou a produtividade dessa modalidade de energia e o governo federal realizou leilão para contratar oferta.
Para Adão Muniz, a trajetória de crescimento do setor pode ser ainda mais forte, mas ainda há contenção por parte do governo. Ele enxerga uma preocupação, a ser ver como uma espécie de “freio”, em relação aos limites de contratação de garantia de compra. Disse que há uma visão diferente em outros países, como na Espanha e na Dinamarca, onde a geração de energia eólica está sendo preponderante.
- Não pode ter freio. Ao contrário, tem que ter um motor empurrando, pois se trata de energia com enorme potencial – cobrou.
Élbia Melo concordou que o momento é de avançar para a consolidação do setor no país. Além de investimentos na expansão de novos parques produtivos, ele considera indispensável desenvolver toda a cadeia produtiva, com pesquisa e desenvolvimento de equipamentos nacionais adequados às características dos ventos do país. Outra questão é a resolver diz respeito à capacitação de mão de obra, de técnicos a engenheiros.
Paradoxo ambiental
Adão Muniz apontou ainda a necessidade de solução para a questão dos licenciamentos ambientais. Disse ser “paradoxal” haver dificuldades de licenciamento para a produção de energia limpa. Também cobrou “sincronia” entre a implantação dos parques e das linhas de transmissão, problema que no momento impede o aproveitamento da energia produzida em parque situado na Bahia. Ao senador Sérgio Souza (PMDB-PR), ele disse discordar da solução estudada pelo governo para que os parques fiquem restritos a regiões onde já existam linhas.
- A localização deve estar onde tenha vento, de preferência o melhor vento. Nós é que temos de buscar a energia onde esteja a fonte, assim como fazemos com a energia elétrica – opinou.
O senador Lobão Filho (PMDB-MA) elogiou a “coragem” do Ministério das Minas e Energia em promover o leilão de 2009 para contratar energia eólica, quando os preços ainda estavam elevados, acima de R$ 250 por megawatt. Disse que a iniciativa favoreceu investimentos e ganhos de produtividade. Agora, em seu estado, já seria possível contratar energia eólica por R$ 90 por megawatts. Depois, cobrou a mesma atitude em relação à contratação de garantia para oferta de energia solar.
- Há certa resistência à energia solar, que continua caríssima, mas no meu entendimento iria haver o mesmo sucesso – destacou.
O senador Walter Pinheiro (PT-BA) mostrou satisfação com a evolução do setor, mesmo num período de menor crescimento econômico. Em relação às questões de licenciamento ambiental, salientou a necessidade de soluções mais rápidas para que os projetos sejam desembaraçados e executados.
- Não quero linha passando em cima de caverna. Mas se há caverna, tem que se encontrar a solução, na velocidade do vento ou mesmo da luz, que é muito melhor – disse.
Com participação de telespectadores, que enviaram perguntas à CI, a audiência é parte do programa de debates “Investimento e gestão: desatando o nó logístico do país”, proposto pelo presidente da comissão. Nesta quarta, houve mais um painel dedicado ao exame de energias alternativas, dentro do ciclo temático “Energia e Desenvolvimento”. (EcoDebate)

Energia eólica em condições de geração flutuante

Usando a energia eólica em condições de geração flutuante
Incorporar a energia eólica em redes de energia existentes é um desafio, porque a velocidade do vento é flutuante e as turbinas, em razão de mudanças de direção e velocidade do vento, podem gerar energia de forma inconsistente.
Juntamente com a demanda variável dos clientes de energia, muitos gerentes de parques eólicos acabam perdendo potencial de geração de energia e a capacidade de controlar a vida útil das turbinas, através do controle de ativos – incluindo turbinas totalmente paradas – visando evitar possíveis danos à rede de energia em razão das oscilações durante a produção.
Em um artigo publicado no Journal of Renewable and Sustainable Energy, do American Institute of Physics, pesquisadores propõem uma nova estratégia para otimizar a eficiência de geração de energia e melhor controle operacional dos parques eólicos.
A nova estratégia é baseada em previsões contínuas de como os ventos flutuantes afetarão a capacidade de geração máxima de cada turbina. Ela também incorpora fatores que faltam nas estratégias de controle de fazendas de vento, incluindo a geração de energia diferente entre as turbinas, as flutuações reais da capacidade de geração de energia, erros de previsão, interrupções de comunicação, prevenção de controle ativo, e controle ativo da capacidade das turbinas.
Para demonstrar a viabilidade da nova estratégia, os pesquisadores compararam as suas previsões com os dados brutos de uma única turbina de vento. A equipe, então, foi refinando seus cálculos, simulando a operação e controle com os dados de um parque eólico de 33 turbinas.
Os resultados sugerem que o gerenciamento dos parques eólicos pode realmente melhorar em sua eficiência de geração de energia com a nova estratégia.
No entanto, os pesquisadores alertam que antes de implementar a estratégia, cada gerente de parques eólicos deve ajustar os parâmetros subjacentes – como a frequência de ajuste de velocidade de cada turbina – com base nas condições locais. (EcoDebate)

Energia eólica, mercado de trabalho em alta

O recente anúncio por parte do governo de mais investimentos no setor de energia, ressaltando a atual capacidade de geração e transmissão no Brasil, soou de maneira positiva também no mercado de energia eólica. “Este segmento, que detém a tecnologia necessária para gerar energia renovável por meio da força dos ventos, viveu ótima fase em 2012 e continua apresentando boas perspectivas, inclusive em termos de contratações no mercado executivo”, afirma Leandro Bakaukas, consultor associado da Search Consultoria em Recursos Humanos.
Segundo a Eletrobrás, este ano será colocado em operação 535,1 MW (megawatts) de geração eólica, o que representa um incremento de 30% na capacidade instalada desse tipo de energia renovável no País. Diante deste contexto, o mercado de trabalho no setor também deve ter expansão em 2013.
“Para atender a demanda crescente, a busca por executivos para a área industrial, em departamentos como de qualidade, manufatura e infraestrutura, aumentou. Houve ainda muitos processos de seleção para áreas de suporte, como finanças e supply chain”, diz Bakaukas.
A Search prevê que a procura por executivos no setor em 2013 deve continuar no mesmo ritmo ou até mais acelerado que em 2012. Algumas boas notícias reforçam as expectativas positivas. O BNDES acaba de liberar um financiamento de R$ 300 milhões para a construção de 15 parques eólicos na Bahia, que terão capacidade para gerar 386 MW (megawatts) e demandarão investimentos totais de R$ 1,4 bilhões.
Entram em operação em 2013 os complexos eólicos do Livramento (78 MW, RS); Miassaba 3 (68,5 MW, RN); Rei dos Ventos 1 e 3 (118,6 MW, RN); Casa Nova (180 MW, BA); Pedra Branca (30 MW, BA); São Pedro do Lago (30 MW, BA) e Sete Gameleiras (30 MW, BA).
Não é só o Nordeste que apresenta um cenário promissor, segundo o consultor da Search. Recentemente, a Secretaria de Energia de São Paulo lançou um mapa que mostra o potencial de geração de energia eólica no Estado. As cidades de Bauru, Campinas e Sorocaba, por exemplo, têm capacidade de atender 5 milhões de residências durante 12 meses, usando apenas a força do vento. “Isso deve contribuir para o aquecimento das movimentações no mercado executivo do setor, pois os investimentos devem gerar uma necessidade ainda maior de contratações de profissionais qualificados em todos os níveis e áreas”, analisa.
Na opinião do consultor, como o segmento ainda está em formação e carece de processos mais sofisticados, há profissionais que já saem na frente na conquista de uma vaga: “Quem apresentar experiência com alto nível de excelência operacional, souber trabalhar em projetos e atue seguindo as melhores práticas estarão em vantagem”.
Search-No mercado desde 2007, a Search Consultoria em Recursos Humanos atua em diversos segmentos (industrial, financeiro, de tecnologia, bens de consumo, construção civil, farmacêutico, entre outros) e concentra sua expertise em Recrutamento de Executivos, Assessment (levantamento das habilidades dos executivos face ao conjunto de competências do cliente, identificação dos “gaps” em cada executivo avaliado e definição de um Plano de Desenvolvimento Individual), Mapeamento de Mercado e Coaching para executivos de empresas clientes.
Entre os diferenciais da empresa estão a equipe de consultores altamente qualificada e reconhecida no mercado, com atuação nas maiores companhias e consultorias do País, e a ética no relacionamento com clientes, candidatos, fornecedores e colaboradores. Para atender seus clientes com excelência também fora do País, a Search mantém aliança estratégica com empresas nos Estados Unidos, Argentina, Europa e Ásia. (ambienteenergia)

Energia eólica mundial cresceu 18,6% em 2012

A capacidade instalada de energia eólica no mundo cresceu 18,6% em 2012
Parque de energia eólica aumenta 18,6% no mundo, em 2012 - Levantamento foi divulgado esta semana pelo Conselho Global de Energia Eólica
A capacidade instalada de energia eólica no mundo cresceu 18,6% em 2012, em relação ao ano anterior, totalizando 282,48 mil megawatts (MW). De acordo com levantamento divulgado segunda-feira pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), os Estados Unidos se destacaram entre os maiores produtores eólicos, com crescimento de 27,8% da capacidade instalada, somando 46,9 mil MW no fim do ano passado.
A China continua liderando a lista dos maiores geradores eólicos do mundo, com capacidade instalada de 75,5 mil MW. O montante representou um aumento de 21,1% em relação à potência instalada no fim de 2011.
Apesar da orientação do governo chinês de buscar alternativas mais limpas para produção de energia, o gigante asiático, no entanto, apresentou redução no ritmo de crescimento da energia eólica. Em 2011, haviam sido instalados 17,631 mil MW de energia eólica, ante 13,2 mil MW novos registrados no ano passado.
Outro emergente, a Índia também diminui o ritmo de crescimento da energia eólica. Enquanto em 2011 foram acrescentados 3,019 MW novos, no ano passado foram adicionados 2,336 MW. Agora a Índia totaliza 18,4 mil MW instalados de energia eólica, na quinta posição do ranking mundial, atrás de China Estados Unidos, Alemanha e Espanha.
“Enquanto a China fez uma pausa para respirar, o mercado americano, assim como os europeus tiveram resultados excepcionalmente fortes. A Ásia segue liderando os mercados mundiais, mas a América do Norte está muito próxima, ocupando o segundo lugar, e a Europa vem logo atrás”, afirmou o secretário-geral do GWEC, Steve Sawyer em nota.
Com crescimento de 75,2% da capacidade instalada, na comparação com 2011, o Brasil fechou o ano com 2,5 mil MW instalados de energia eólica. O país segue como líder da América
Latina e Caribe, à frente da Argentina, que possui 167 MW instalados, com crescimento de 47,7% em comparação com 2011.
Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, a capacidade instalada brasileira representa a efetiva inserção da indústria eólica no país.
“Somente em 2012, instalamos 38 novos parques eólicos, totalizando 108 empreendimentos e acrescentamos 1 GW no sistema. Também foram investidos no setor cerca de R$ 7 bilhões e a previsão é chegar a R$ 50 bilhões até 2020″, afirma a executiva, em nota. (EcoDebate)