Com 589 veículos emplacados entre janeiro e junho, mercado alcança
70% de todo o volume registrado em 2025. Produção nacional responde por 80% das
unidades e São Paulo concentra a maior parte das entregas.
O mercado brasileiro de ônibus elétricos manteve o ritmo de
expansão no primeiro semestre de 2026, com 589 veículos emplacados entre
janeiro e junho, alta de 92,5% em relação às 306 unidades registradas no mesmo
período de 2025. Na comparação com o primeiro semestre de 2024, quando foram
emplacados 127 ônibus, o crescimento chega a 363,8%, de acordo com dados
divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O volume acumulado no semestre já representa cerca de 70% de todos
os ônibus elétricos emplacados ao longo de 2025, quando o mercado encerrou o
ano com 844 unidades. O desempenho foi impulsionado principalmente pela entrega de 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal
de transporte coletivo da cidade de São Paulo, realizada em 21 de junho.
Com a incorporação desse lote, a capital paulista passou a contar
com uma frota de 1.759 ônibus eletrificados, entre veículos movidos a bateria e
trólebus, consolidando sua posição como principal polo da eletrificação do
transporte público no Brasil.
O resultado reforça uma mudança de escala do setor, que deixa de
depender de projetos-piloto para avançar em programas estruturados de renovação
das frotas urbanas. Segundo a avaliação do mercado, os próximos desafios
incluem ampliar as linhas de financiamento, aumentar a previsibilidade das
compras públicas e expandir a eletrificação para cidades de médio porte e
municípios do interior.

Junho concentrou grande parte dos emplacamentos
Somente em junho foram emplacados 278 ônibus elétricos no país,
crescimento de 717,6% frente às 34 unidades registradas no mesmo mês de 2025.
Em relação a junho de 2024, quando apenas nove veículos foram licenciados, a
expansão se aproxima de 3.000%.
Apesar da forte alta, o comportamento mensal do segmento costuma
apresentar grandes oscilações, uma vez que as entregas dependem dos cronogramas
de produção das fabricantes, dos processos licitatórios e da execução dos
contratos de renovação das frotas municipais. Por isso, o desempenho acumulado
do semestre é considerado um indicador mais representativo da evolução do
mercado.
São Paulo concentra quase 80% do mercado
A região Sudeste respondeu por 468 dos 589 ônibus elétricos
emplacados no primeiro semestre, equivalente a 79,5% do mercado nacional. O
estado de São Paulo concentrou praticamente todo esse volume, com 464 veículos,
impulsionado pelas aquisições da capital e por iniciativas em outros municípios
paulistas.
Entre os municípios, São Paulo liderou com ampla vantagem,
registrando 429 emplacamentos (72,8% do total nacional). Brasília aparece na
segunda posição, com 90 unidades (15,3%), seguida por São Bernardo do Campo,
com 19 veículos.
A concentração dos emplacamentos evidencia que a eletrificação do
transporte coletivo ainda ocorre de forma desigual no país. A expansão do
mercado dependerá da adoção desses veículos por um número maior de municípios e
da criação de condições técnicas e econômicas para viabilizar a renovação das
frotas fora dos grandes centros urbanos.

Produção nacional responde por 80% dos ônibus
O mercado brasileiro contou, no primeiro semestre, com nove
fabricantes oferecendo 19 modelos de ônibus elétricos. Destas empresas, 5
possuem produção em território nacional e quatro atuam com veículos importados.
Das 589 unidades emplacadas no período, 476 foram fabricadas no
Brasil, correspondendo a 80% do total. Os 113 veículos restantes foram
importados.
O desempenho demonstra o fortalecimento da indústria instalada no
país, com destaque para fabricantes como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e
Marcopolo.
No ranking de emplacamentos por fabricante, a Eletra liderou o
mercado com 224 unidades, o equivalente a 38% de participação. A Mercedes-Benz
ficou em segundo lugar, com 113 veículos (19,2%), seguida pela BYD, com 109
unidades (18,5%). (pv-magazine-brasil)
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