Eletrificação liderará próxima fase da transição energética,
afirma Irena.
O aumento das tensões geopolíticas, a demanda crescente de energia
e a volatilidade cada vez maior do mercado de combustíveis fósseis estão remodelando
o cenário energético global. Por isso, segundo a Agência Internacional de
Energia Renovável (Irena), o mundo está entrando em uma nova fase da transição
energética, centrada na eletrificação, nas energias renováveis e na aceleração
da substituição de petróleo, gás fóssil e carvão.
A análise integra o relatório “Transição para longe dos
combustíveis fósseis: um roteiro baseado em energias renováveis, eletrificação
e aprimoramento da rede elétrica”, divulgado em colaboração com a presidência
brasileira da COP30. O documento reforça que, além das preocupações atuais com
a segurança energética, os sistemas energéticos vigentes permanecem
estruturalmente despreparados para atingir a meta climática de 1,5°C acima dos
níveis pré-industriais, estabelecida no Acordo de Paris, em 2015.
Embora as metas globais de triplicar a capacidade de energia
renovável e dobrar as melhorias na eficiência energética até 2030 continuem
sendo essenciais, elas não são suficientes por si só para alcançar a transição
energética global, destaca o relatório. Com o rápido aumento da demanda nos
setores de transporte, indústria, construção civil e digitalização, a transição
deve agora se concentrar na eletrificação desses setores de uso final, ao mesmo
tempo em que se abandona o uso de combustíveis fósseis.

Os países devem investir simultaneamente em redes elétricas,
armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir sistemas de eletricidade
confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente demanda,
avalia a Irena. No entanto, a infraestrutura tornou-se um gargalo crítico:
cerca de 2.500 gigawatts de energia eólica e solar estão aguardando conexão às
redes.
As atualizações previstas para 2035 e 2050 não serão alcançadas
sem que processos de licenciamento sejam agilizados e sem o aumento
significativo dos investimentos. A Irena estima que as necessidades de
investimento em redes elétricas sejam de US$ 1,2 trilhão por ano, em média –
mais que o dobro dos US$ 0,5 trilhão investidos em 2025.
A Irena e os governos da Turquia e da Austrália, futuros
anfitriões da COP31, apelaram para um esforço global maior para que veículos,
indústrias e edifícios funcionem com eletricidade em vez de combustíveis
fósseis, antes das negociações climáticas da conferência do clima deste ano, em
novembro, destaca o Climate Home. Para o presidente-designado da COP31, Murat
Kurum, os governos deveriam descarbonizar a geração elétrica, mas também
expandir a eletrificação para todas as esferas da vida.

Hoje em dia, energia solar e eólica são alternativas mais barata
para geração de energia em países
“O mundo precisa se adaptar a uma nova realidade energética. Além
das metas de triplicar as energias renováveis e dobrar a eficiência energética
(até 2030), existe o desafio maior de transformar sistemas energéticos inteiros
e reduzir o uso de combustíveis fósseis em toda a oferta e demanda. A
eletrificação e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis são inseparáveis
e devem avançar juntas”, reforçou o diretor-geral da Irena, Francisco La
Camera. (biodieselbr)
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