sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Descomissionamento deverá responder por 23% da expansão solar na década de 2040

Descomissionamento deverá responder por 23% da expansão solar na década de 2040, diz Wood Mackenzie.
O descomissionamento e a repotenciação de projetos solares antigos responderão por 23% da nova capacidade solar instalada na década de 2040, de acordo com um relatório da Wood Mackenzie.

O Cenário da "Era da Renovação"

• Substituição de ativos: Instalações fotovoltaicas que chegarem ao fim da vida útil exigirão troca ou atualização.

• Demanda global: O crescimento da demanda por eletricidade vai desacelerar, mas as trocas impulsionarão novas obras.

• Alerta estratégico: Governos e fornecedores precisam se planejar desde já para essa nova cadeia de suprimentos.

Segundo relatório, a necessidade de substituir equipamentos antigos levará as vendas de equipamentos a crescer mais de 60% em 2050 em relação aos níveis atuais.

A renovação de projetos solares e eólicos descomissionados deverá elevar as instalações anuais e melhorar a economia e a competitividade dos projetos, segundo uma análise da Wood Mackenzie.

O relatório mais recente da consultoria prevê que mais de 2,5 TW de projetos solares e eólicos em todo o mundo chegarão ao fim de sua vida útil nos anos 2040.

Os proprietários das usinas terão então de escolher entre modernizar os equipamentos existentes ou descomissionar as plantas, removendo a infraestrutura que chegou ao fim de sua vida útil. O descomissionamento pode abrir caminho para a instalação simultânea de novos equipamentos, em um processo geralmente chamado de repotenciação (repowering), que pode incorporar mais de 20 anos de avanços tecnológicos desde a construção original.

A análise da Wood Mackenzie aponta que o descomissionamento de parques eólicos já está ocorrendo, uma vez que a expansão da energia eólica começou mais cedo e avançou rapidamente em comparação com a solar. Até 2040, porém, a energia solar terá um parque envelhecido maior, definido como equipamentos com mais de 20 anos de operação.

A decisão do proprietário de descomissionar equipamentos solares ou eólicos e instalar novos equipamentos envolve comparar o valor presente líquido do investimento necessário para prolongar a vida útil do projeto existente com o custo de repotenciar completamente o ativo, segundo o relatório.

Embora existam diferentes formas de repotenciar projetos solares e eólicos, a Wood Mackenzie afirma que a mais comum é o descomissionamento completo do projeto original e a instalação de novos módulos ou aerogeradores no mesmo local, mantendo parte da infraestrutura associada.

O descomissionamento deverá responder por 23% da expansão solar e 44% da expansão eólica na década de 2040, segundo os dados do relatório.

A Wood Mackenzie prevê que a repotenciação terá impacto desproporcional nos países que adotaram as energias renováveis mais cedo. Nos mercados consolidados da Europa, o descomissionamento deverá responder por mais de 70% das instalações na década de 2040, enquanto novos mercados na Ásia poderão registrar participação de apenas 1%.

A repotenciação também garantirá que os mercados solar e eólico continuem crescendo para os fornecedores de equipamentos, afirma o relatório.

A Wood Mackenzie observa que a capacidade global de energia solar e eólica deverá diminuir neste ano e que essa tendência continuaria sem a repotenciação, em razão de fatores como a retração do apoio das políticas públicas, problemas de integração à rede e os elevados níveis de descarbonização nos mercados mais maduros.

Embora as adições líquidas anuais de energia solar e eólica devam diminuir gradualmente até 2050, a Wood Mackenzie prevê que as vendas efetivas de equipamentos em 2050 serão mais de 60% superiores às de 2026, devido à necessidade de substituir equipamentos antigos.

O relatório aponta para um novo capítulo da transição energética, chamado pela consultoria de “renovação energética”, que deverá impulsionar investimentos em fontes renováveis por décadas.

“Na década de 2040, projetamos uma desaceleração do crescimento da demanda global por eletricidade, mas um aumento das instalações solares e eólicas devido ao descomissionamento”, afirma o relatório. “Na prática, esperamos que a era da renovação resulte em mais instalações do que nunca”.

O relatório ressalta que essa mudança deve influenciar as decisões de política energética tomadas atualmente.
“Se isso não acontecer, os governos não atingirão suas metas, os fornecedores não estarão preparados para a demanda futura e os proprietários superestimarão os preços futuros da eletricidade, podendo perder oportunidades atuais”, conclui o relatório. (pv-magazine-brasil)

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