terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Planejando a Crise de Energia Elétrica

A situação crítica de abastecimento de energia elétrica não é conseqüência apenas da falta de chuvas. Durante as últimas décadas o crescimento populacional, as necessidades de irrigação da agricultura e maiores usos industriais da água, aumentaram o consumo de água. Como este é também o principal combustível de nosso sistema elétrico e não houve um aumento proporcional da capacidade de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas, a vazão de nossos rios tem que atender a uma demanda cada vez maior de usos não energéticos. Esses fatos são mais evidentes em regiões mais densamente povoadas, como o sudeste.
A seca dos meses recentes apenas acentuou uma conhecida fragilidade do nosso sistema de abastecimento. Demonstra também uma ausência de política energética e visão de longo prazo. O problema tem origem há mais tempo. Há muitos anos os indicadores já apontavam para uma crise como a que enfrentamos hoje. Durante a década de 80 o consumo de eletricidade cresceu uma vez e meia mais depressa que nosso produto interno bruto (PIB). Na década seguinte o crescimento do consumo disparou na frente do PIB: foi quase duas vezes e meia mais rápido. Nosso consumo de eletricidade vem também aumentando mais rapidamente que nossa capacidade de geração nessas últimas décadas. A cada ano que passa estamos precisando de mais eletricidade para gerar R$ 1,00 em nossa economia.
Poderia ser diferente no Brasil. Os países industrializados conseguiram promover seu crescimento econômico sem aumentar seu consumo de eletricidade. A China, que tem também graves problemas de abastecimento, planejou seu crescimento industrial em setores menos intensivos em energia e de maior valor agregado. Aqui mesmo no Brasil, nos idos de 70, a escassez de eletricidade na região de Manaus (AM) ajudou a definir um perfil industrial para a Zona Franca orientada para setores eletro-eletrônicos, menos intensivos em eletricidade e de maior valor agregado.
No ano passado, que foi um ano recorde de crescimento do PIB (4,2%), a eletricidade cresceu ainda mais, 4,6%. Essa relação pode ser revertida, ou pelo menos estabilizada, mas leva tempo e determinação na orientação de uma política pública orientada para eficiência energética.
Nos últimos anos, por diversas vezes, atingimos níveis críticos de confiabilidade de fornecimento de energia elétrica. Tradicionalmente mantemos uma margem de reserva de 10% de excesso de capacidade instalada em relação à demanda esperada. No entanto, nosso sistema tem funcionado durante algumas horas do ano com pouca folga, algo em torno de 2-3%, para atender eventuais aumentos instantâneos de consumo. Nesses períodos os riscos de apagões ou blackouts são grandes. Essa estreita e perigosa margem de reserva sempre foi de conhecimento dos responsáveis pela operação do sistema e são indicadores indiscutíveis de que algo não vai bem.
E para completar o quadro, temos ainda importantes aspectos relacionados com as mudanças institucionais do setor elétrico. A partir de meados da década passada iniciamos reformas que introduziram a privatização e novas regras para criar competição no mercado de eletricidade. A argumentação era de que esta seria uma maneira de atrair investimentos em uma área onde o setor público não conseguia mais captar recursos.
Parte da estratégia das reformas foi a instalação do Conselho Nacional de Política Energética, com a função de assessorar o presidente da República em matéria relacionada com os destinos da infra-estrutura energética do País. Criado no papel em 1997, somente em 2000 reuniu-se pela primeira vez e nada de significativo tem produzido desde então. De 97 para cá, criaram-se agências de regulação que funcionam sem uma orientação de longo prazo.
Criaram-se regras para investimentos compulsórios em programas de eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento, mas sem metas e com modestíssimos instrumentos de avaliação. E principalmente, ainda muita indefinição. A verdade é que nossas reformas ainda estão no meio do caminho. O capital privado, que não é santo nem bobo, só vai realizar os esperados investimentos para aumentar a oferta de eletricidade quando perceber regras claras e estáveis.
Planejamento energético exige visão, exige transparência, estratégia e, obviamente, competência técnica. Somente agora surgem projetos interessantes de co-geração. O enorme potencial de biomassa para geração de eletricidade e as oportunidades de seu desenvolvimento tecnológico, campo onde já fomos líderes, permanecem dormentes há décadas. Ainda não ousamos inovações regulatórias, procurando incentivar as concessionárias para promoverem conservação e não serem estimuladas a vender cada vez mais eletricidade para seus consumidores. São necessárias novas formulações de tarifas para consumidores de modo a melhorar a operação do sistema a curto, médio e longo prazo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

A crise energética e as políticas públicas

Paralelamente ao agravamento dos problemas ambientais, o mundo vive nova crise energética. O petróleo, o carvão e o xisto atingiram a maior cotação de toda a história da humanidade. Considerando a exploração intensiva das reservas não-renováveis de combustíveis fósseis - recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar - e os prejuízos ambientais trazidos pelo uso desses recursos energéticos, pressupõem-se um cenário preocupante para esse século. Quando a opção parecia ser a bioenergia, surgem os riscos provenientes de a crise alimentar que se anuncia, a qual poderá ser agravada pela introdução de culturas voltadas à produção de biocombustíveis em áreas anteriormente destinadas à produção de alimentos básicos.
Nesse contexto, assume crucial importância a busca de fontes de energia alternativa, em especial renovável e não-poluente, como a solar e a eólica. A energia solar recebida pela terra a cada ano é dez vezes superior à contida em toda a reserva de combustíveis fósseis. Entretanto, o interesse pela utilização da radiação solar como fonte de energia alternativa cresceu apenas nas últimas décadas, por razões políticas e econômicas, principalmente após a crise do petróleo de 1973. Hoje, esse interesse está adquirindo maior dimensão, abrangendo não só o aproveitamento dessa radiação como fonte de energia limpa e renovável, mas também o conhecimento e os efeitos das mudanças climáticas.
Diversos países, inclusive o Brasil, já buscam nas energias alternativas, como a solar, a biomassa, a eólica e a hidroenergia, opções para o problema energético, cuja demanda mundial dependem quase totalmente (cerca de 80%) dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural), ou seja, recursos esgotáveis. Sabe-se que as energias renováveis são provenientes de ciclos naturais de conversão da radiação solar, que é a fonte primária de quase toda energia disponível na terra. Por isso, são praticamente inesgotáveis e não alteram o balanço térmico do planeta.
Dessa forma, o aproveitamento das energias solar é um projeto viável, tanto em termos técnicos quanto econômicos. O elevado custo, principal obstáculo para sua utilização em escala comercial, já está sendo vencido. Especialistas nessa tecnologia prevêem uma queda de até seis vezes no preço do quilowatt (kW) obtido a partir de energia solar até o ano 2015. Contudo, embora seja inesgotável e não ofereça riscos ambientais, essa energia ainda é aproveitada de modo muito incipiente no país para secagem de alimentos, na indústria do sal e no aquecimento de água. Com relação à energia eólica, sabe-se que pode garantir 10% das necessidades mundiais de eletricidade até 2020, pode criar 1,7 milhão de novos empregos e reduzir a emissão global de dióxido de carbono na atmosfera em mais de 10 bilhões de toneladas.
Do total de energia elétrica gerada no Brasil, 95% são de origem hidráulica, mas o potencial desse tipo de fonte, de acordo com a Eletrobrás, poderá se esgotar no ano 2015, se mantido um ritmo regular de crescimento econômico. Inicialmente, a construção de hidrelétricas e a reserva de água para diversos fins foi o principal propósito. Entretanto, nos últimos vinte anos, os usos múltiplos desses sistemas se diversificaram, ampliando a importância econômica e social desses ecossistemas artificiais e, ao mesmo tempo, produzindo e introduzindo novas complexidades no seu funcionamento e impactos ambientais negativos.
Esta grande cadeia de reservatórios tem, portanto, enorme significado econômico, ecológico, hidrológico e social - em muitas regiões do País esses ecossistemas foram utilizados como base para o desenvolvimento regional, como na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Em alguns projetos houve planejamento inicial e uma preocupação com a inserção regional; em outros casos, este planejamento foi pouco desenvolvido. Contudo, todas estas alterações podem gerar externalidades e resultar em uma série de efeitos diretos ou indiretos. Reservatórios seqüenciais como os construídos no rio São Francisco, e em diversos de seus afluentes, produzem efeitos e impactos acumulativos, transformando inteiramente as condições biogeofísicas, econômicas e sociais de toda a bacia.
Por suas características tropicais, o Brasil tem, em quase todo o território e durante o ano inteiro, grande potencial de oferta de energia solar - no entanto, muito pouco é feito para aproveitá-la. Por intermédio da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e transformam em energia química. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energias usando este processo são chamadas de biomassa. Os combustíveis mais comuns da biomassa são os resíduos agrícolas, madeira e culturas como a cana-de-açúcar.
Em condições favoráveis a biomassa pode contribuir de maneira significante para com a produção de energia elétrica. O pesquisador Hall, por intermédio de seus trabalhos, estima que com a recuperação de um terço dos resíduos disponíveis seria possível o atendimento de 10% do consumo elétrico mundial e que com um programa de plantio de 100 milhões de hectares de culturas especialmente para esta atividade seria possível atender 30% do consumo.
A produção de energia elétrica a partir da biomassa, atualmente, é muito defendida como uma alternativa importante para países em desenvolvimento e também outros países. No entanto, e há que se considerarem as questões relativas ao aquecimento global, a maioria dos produtos agrícolas usados nos Estados Unidos e na Europa para a produção de biocombustíveis na verdade agrava o aquecimento global, devido aos métodos industriais empregados na fabricação do produto. As conclusões são especialmente negativas para a colza, planta usada na Europa para a produção de biodiesel, e que segundo o estudo pode produzir até 70 por cento mais gases do efeito estufa do que o diesel convencional.
Já o etanol brasileiro foi considerado menos poluente do que o petróleo - gera apenas entre 50 e 90 por cento dos gases do efeito estufa que seriam emitidos pela gasolina. O etanol de milho, produzido nos EUA, pode gerar até 50 por cento mais gases responsáveis pelo aquecimento global do que a gasolina. O novo estudo sugere que os biocombustíveis podem na verdade provocar mais liberação do que economia de gases do efeito estufa, devido ao fertilizante usado na produção agrícola, cuja fabricação depende do óxido nitroso - substância que tem cerca de 30 vezes mais capacidade de provocar o efeito estufa do que o dióxido de carbono (CO2).
Enfrentar os desafios
As expectativas energéticas para o próximo século apontam na direção das fontes renováveis, como as energias do Sol e dos ventos. O uso futuro dos combustíveis fósseis é insustentável: a) pelos danos ambientais; b) por questões econômicas; e c) pelo estoque limitado desses recursos. Vivem-se atualmente o drama dos pólos industriais, com sua necessidade crescente de energia, e dos grandes centros urbanos, envoltos pela degradante poluição atmosférica, que reduz a já baixa qualidade de vida.
Constata-se que algumas alterações de grande escala observadas na atmosfera já não são apenas especulações ou previsões científicas, mas fatos reais, como a diminuição da camada de ozônio na estratosfera e o efeito estufa. A contrapartida é uma maior parcela de responsabilidade quanto à preservação e à conservação do meio ambiente. Isso significa acompanhar os sinais de vida no planeta, o que inclui o monitoramento da radiação solar e a procura de formas alternativas de energia, capazes de melhor harmonizar o homem com seu meio ambiente.
A International Solar Energy Society (ISES), sediada em Freiburg (Alemanha), promove há alguns anos o programa The comeback of solar energy ('O retorno da energia solar'). A iniciativa se baseia em um cenário que considera os progressos tecnológicos obtidos na última década e também as expectativas positivas de desenvolvimento do setor. No momento em que as sociedades desenvolvidas pressionam crescentemente seus governos a despoluir o meio ambiente, essa busca pela energia solar está sendo bem recebida, resultando em vertiginoso aumento de investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área, principalmente na Alemanha, Japão e Austrália.
No Brasil, um marco importante e oportuno para uma discussão séria sobre o tema, em nível de política nacional, foi a criação do Comitê Permanente das Energias Solar, Eólica e Biomassa, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Tal debate poderá levar à formulação de uma política oficial de longo prazo para o setor. Outras iniciativas mostram que o país está caminhando na direção certa para enfrentar os desafios desse novo século.
No que diz respeito à radiação solar, sem dúvida resta muito a ser feito no país, desde o desenvolvimento de equipamentos com matéria-prima e soluções tecnológicas nacionais até o estudo de novas aplicações para a eletricidade e o calor gerados a partir da luz do Sol.. Qualquer estudo de viabilização de fontes de energia alternativas e 'ecologicamente corretas' serão bem-vindas e esse pode ser o ponto de partida para o futuro.
Um programa realista de substituição de combustíveis fósseis por energia solar poderia, de imediato, reduzir em 800 a 900 milhões de toneladas anuais a emissão de dióxido de carbono (CO2) – principal gás de efeito estufa - para a atmosfera. Essa quantidade representa de 15% a 17% do total de CO2 emitido atualmente.
Os modelos de produção e consumo - a dura realidade
Será que os biocombustíveis poderão ser a solução? Atualmente a maior parte da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis. A vida moderna tem sido movida a custo de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar. O uso desses combustíveis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do Planeta provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e poluição atmosférica e de todo o meio ambiente. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como solução definitiva, já mostrou que só podem piorar a situação.
Na verdade, é a razão capitalista que estimulou a industrialização e a urbanização, tendo por base o consumismo e acumulação do capital, que está levando o nosso planeta - e os seres vivos que o habitam - a uma situação catastrófica do ponto de vista ambiental e das condições de sobrevivência de todos os seres vivos, inclusive da vida humana. A principal questão se refere aos atuais sistemas de produção, que estimulam o consumo e geram degradação. Se há preocupação em mudar a questão ambiental tem que se pensar em mudar o sistema de produção.
Nos dias atuais a produção do etanol e do biodiesel brasileiros vêm sendo questionadas mundialmente. Isto se deve principalmente ao modelo do agronegócio empresarial, que se utiliza de grandes extensões de terra para a monocultura, onde a única preocupação reside na proposta de transformar o Brasil em grande exportador de combustíveis com o apoio e ganância de grandes grupos econômicos e fundos de investimentos, inclusive do próprio governo. Este modelo causa impactos negativos em diversas comunidades tradicionais, que têm seus territórios ameaçados pela expansão do capital. O que se verifica hoje é a compra de terras e usinas por estrangeiros, formando um estoque de terras que rende uma valorização acelerada, na linha da especulação típica das zonas urbanas. Os problemas sociais e ecológicos associados à cultura da cana-de-açúcar se agravam a cada dia.
A solução seria utilizar áreas de pastagens degradadas para o plantio dessa cultura. Todavia, a expansão da cana-de-açúcar no país para produção de etanol pode avançar sim sobre áreas onde atualmente se cultivam gêneros alimentícios, além de colocar em risco a integridade de importantes biomas, tais como a Amazônia, o Pantanal e a Caatinga. Até agora, não foi feito nenhum estudo aprofundado sobre as conseqüências e impactos da expansão das lavouras de cana e de plantas oleaginosas. Portanto, esse modelo de expansão da produção de biocombustíveis coloca em risco a soberania alimentar e pode agravar profundamente o problema da fome no Brasil e no mundo, com efeitos cruéis para a população mais pobre. As conseqüências são imprevisíveis.
Sem abandonar estas fontes de riqueza para o país, o modelo agrícola a ser adotado deve estar baseado na agroecologia e na diversificação da produção. Ele deve ser orientado pelo modelo de Desenvolvimento Sustentável, que fortaleça a agricultura familiar e o desenvolvimento regional, e não pela lógica capitalista de querer transformar o Brasil em um grande exportador de combustíveis.
Não existe solução para os problemas urbanos do Brasil, sem melhorar a qualidade de vida no campo. Será que os biocombustíveis proporcionarão essa condição? Caso sim, a produção de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, faz sentido.
É fácil imaginar os motivos do apetite internacional pelo etanol e biodiesel brasileiro. Resta saber se nos âmbitos público e privado se saberão usar esse potencial de forma estratégica e criativa. Caso contrário, uma vez mais, irá prevalecer à lógica do imediatismo, que gera lucros exorbitantes para poucos no início para depois deixar a conta para a sociedade.
Discutir, portanto, uma mudança na matriz energética que realmente busque preservar a vida e o bem-estar dos indivíduos no planeta tem que levar em conta uma profunda transformação nos padrões atuais de produção/consumo, no estilo de vida, no conceito de “desenvolvimento” vigente e na própria organização de nossa sociedade. Nesse momento, é evidente que as políticas públicas necessitam de serem revistas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Usar alimento para fazer combustível aumentará a fome no mundo?

Essa bandeira foi defendida por Fidel Castro em uma série de artigos publicados no mês de maio deste ano, e que encontraram respaldo em Caracas. Contudo, estudos europeus já sustentam a idéia de que a fome não é uma questão de produção de alimentos, mas de distribuição.
No caso brasileiro, dos 62 milhões de hectares cultivados, 6 milhões são destinados para o plantio de cana-de-açúcar, dos quais 3 milhões de hectares produzem açúcar e os outros 3 milhões produzem etanol. Há 220 milhões de hectares que são pastagens; destes, 10% (22 milhões) apresentam as condições necessárias para a expansão dos canaviais, sem que seja preciso conquistar qualquer outro bioma. Os EUA, que extraem o etanol a partir do milho, destinaram 12% de sua safra de 2005 para a produção do combustível. Em fevereiro deste ano verificou-se uma redução nos estoques de milho, mas o aumento da área destinada ao plantio desse produto tem servido para equilibrar os preços.
A adição gradual do etanol na gasolina apresenta-se como o caminho viável e já disponível para a melhoria do meio ambiente.
A iniciativa privada internacional já tem investido pesado na ampliação desta matriz energética, mirando no grande potencial de crescimento deste mercado.
Para o Brasil, o desafio está em minimizar os discursos inflamados e fora de proporção, e aproveitar as vantagens atuais para consolidar sua condição de liderança tecnológica e alcançar, talvez, um papel de maior destaque na cena internacional.
ESTRATÉGIAS INTERNACIONAIS
Ações Internacionais e Indicadores de Mercado
Brasil e Índia buscam aumentar o seu comércio bilateral dos atuais US$ 2,4 bilhões para US$ 10 bilhões até 2010.
Em visita à Índia no início de junho, Lula e o Primeiro Ministro indiano Manmohan Singh sinalizaram que buscam a formação de uma aliança estratégica que aumente tanto o comércio quanto o papel político dos países na cena internacional.
Foram assinados 7 acordos abrangendo cooperação em defesa, energia nuclear, aeroespacial, agricultura, farmacêuticos, biocombustíveis e petróleo. Existe relutância do governo indiano em abrir o seu mercado agrícola aos produtos brasileiros.
O principal acordo anunciado durante a visita à Índia foi a parceria entre a estatal Oil and Natural Gas Corp. (ONGC) e a Petrobras. O investimento inicial será de US$ 2 bilhões para projetos de exploração de petróleo em águas profundas na costa indiana e brasileira. Esta parceria marca a entrada da Petrobras no mercado indiano.
A indiana Paramount Airways fechou um acordo de US$ 2 bilhões para a compra de 40 aeronaves modelo E-170 da Embraer, que serão entregues a partir de 2008.
Brasil busca reeditar a parceria comercial com o Iraque, interrompida na década de 1990 a partir do embargo da ONU. O país chegou a movimentar anualmente US$ 4 bilhões, sendo o quinto maior fornecedor dos iraquianos, e quer se juntar aos Estados Unidos, Itália, Espanha, Canadá e China, que encabeçam o processo de reconstrução do país. Para isso, a APEX tem apoiado a participação de empresas brasileiras em feiras e rodadas de negócios voltadas para aquele mercado, cujo resultado é um aumento de 206% no comércio entre 2005 e 2006 (US$ 153 milhões).
Vietnã aprovou um plano para produção de etanol no país em parceria com o Brasil. Essa parceria integra uma aproximação entre o MERCOSUL e o Asean (bloco regional formado por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã). Além dos biocombustíveis, a cooperação se dará nas áreas de ciências biomédicas, tecnologia e esportes.
Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC) e Petrobras finalizaram as negociações para fornecimento de etanol brasileiro para o mercado da Nigéria. O primeiro carregamento de 20 milhões de litros ocorrerá até o final de junho. O governo nigeriano informou que adicionará 10% de etanol na gasolina comercializada no país.
A empresa JBS S.A., que controla a Friboi, fez oferta de compra de US$ 225 milhões pela Swift & Co. dos EUA. A JBS assumirá um passivo de US$ 1,2 bilhão da Swift, que é a maior processadora de carne (bovina e suína) dos EUA. A venda ainda será aprovada pelas autoridades locais até julho.
Com o objetivo de dobrar a produção de aço até 2010 (de 500.000 ton para 1.000.000 ton) em sua usina de aços longos na Colômbia, a Gerdau planeja investir US$ 70 milhões nos próximos 3 anos.
Lufthansa AG, segunda maior companhia aérea da Europa, e TAM estudam cooperação em vôos domésticos e internacionais.
A estatal de petróleo argelina Sonatrach assinou acordo com a Petrobras para fornecimento de gás natural liquefeito ao Brasil a partir de 2008. Esse acordo faz parte da estratégia da empresa para reduzir sua dependência do gás boliviano. A Argélia, segundo maior parceiro comercial do Brasil na África, é membro da OPEP e líder na produção de gás neste grupo de países.
Entre 27 de maio e 5 de junho, um grupo de empresas brasileiras de diversos setores participou de missão comercial ao norte da África. As reuniões ocorreram no Marrocos, Tunísia e Egito, e tiveram como objetivo aumentar o intercâmbio comercial e identificar oportunidades de negócios em tecnologia e infra-estrutura.
Declarações feitas pelo Presidente Hugo Chávez sobre o Congresso Nacional brasileiro levaram a Embrapa a cancelar a missão à Venezuela que acertaria os detalhes da cooperação técnica em áreas agrícolas e pecuárias. Em 2006, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões para a Venezuela, sendo o terceiro maior parceiro comercial daquele país, atrás de Estados Unidos e Colômbia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Matrizes Energéticas: Petróleo e Biocombustível

A “aliança do etanol” assinada por Brasil e EUA durante a visita do Presidente Bush ao país no início de março de 2007 precedeu ou deu visibilidade a uma série de debates sobre as fontes alternativas de energia, com ênfase especial aos biocombustíveis.
Nos EUA, o debate tende a revelar contornos geopolíticos muito fortes, pois sempre que os preços do petróleo sobem a questão da independência energética reaparece com força. No Brasil, o assunto ganha um tempero a mais, seja pela possibilidade econômica, real ou não, de se tornar a “Arábia Saudita das energias renováveis”, quanto pela perspectiva geopolítica de uma atuação mais relevante no cenário internacional. Por outro lado, não faltam críticas a esse caminho de utilizar alimentos como fonte de energia, colocando em risco ou agravando o problema da segurança alimentar mundial, ou mesmo pelo aumento dos preços dos alimentos com a redução da disponibilidade para o consumo.
Demanda crescente por petróleo
Quando se fala em independência energética nos EUA, geralmente a idéia é não necessitar mais importar petróleo, mas a história recente mostra que o país caminha para a direção oposta. Em 1973, no primeiro choque do petróleo, os EUA importavam 35% de tudo o que consumiam. Em 2004, essa demanda subiu para 55% do seu consumo anual de 7,45 bilhões de barris (25,5% do consumo mundial). Sem as importações de petróleo e descobertas de outros poços, as reservas norte-americanas seriam consumidas em um prazo de 4 a 5 anos. E para o futuro, a projeção de crescimento do consumo é de 37% para os próximos 20 anos, quando 67% de toda a sua demanda deverão ser supridas por importações.
Não depender do fornecimento dos países do Oriente Médio é uma idéia muito atraente à opinião pública norte-americana, sobretudo pela possibilidade de secar as fontes de recursos dos grupos terroristas. É igualmente interessante não ser o principal cliente de “petro- países” como a Venezuela de Chávez ou a Nigéria. Apesar de a independência energética ser fundamentada em fatos e objetivos importantes para a sociedade norte-americana, em termos práticos é uma perspectiva inviável nas próximas décadas para uma economia altamente industrializada.
Outras matrizes energéticas
Cerca de 70% de toda energia de base não carbônica dos EUA, é energia nuclear que causa preocupação quanto à segurança, tratamento dos seus resíduos e quanto à proliferação de armas. A capacidade atual de produção, aliada à necessidade de diversificar as fontes de energia, a não emissão de gases do efeito estufa (CO2, CH4 e N2O) e a falta de fontes alternativas viáveis no curto prazo deram novo impulso à indústria nuclear. China e Brasil têm planos de construir 9 novos reatores. Ao menos 16 países geram aproximadamente 25% de sua eletricidade a partir da energia nuclear; no Brasil, esse número está em 3%. Outras 24 instalações estão sendo construídas em 9 países e os EUA têm planos de aumentar sua capacidade de produção em 9% até 2025.
A demanda crescente por energia elétrica tem demonstrado que a substituição de matrizes poluentes, como o carvão, precisa ser considerada, mas dificilmente será abandonada no curto prazo. Nos EUA, onde o consumo em 2003 foi de 3,481 bilhões de kWh e tem projetado para 2025 o consumo de 5,200 bilhões de kWh, 50% de toda eletricidade vem do carvão, e sua reserva é estimada para 250 anos de consumo. A energia solar é responsável por apenas 2% da geração de eletricidade nos EUA, sobretudo pelo elevado custo.
Os biocombustíveis têm sido amplamente debatidos nos últimos meses. As análises, previsões e premissas apresentadas, tanto na defesa quanto no ataque a essa matriz energética, são tão diversificadas e, muitas vezes conflitantes, que ainda é difícil de chegar a um consenso das reais possibilidades. O que fica muito claro é o forte lobby realizado por investidores, conservacionistas e governos que enxergam uma excelente possibilidade de auferir lucros econômicos e políticos acerca deste debate. Por isso, não raro as informações são distorcidas, adulteradas e colocadas fora de contexto. Mas, em pelo menos 2 pontos existe um “consenso”: 1) o petróleo vai acabar e 2) é necessário reduzir a emissão de CO2.
“As reservas de petróleo terminarão em 20 ou 30 anos”
Há 70 anos, previu-se que o petróleo acabaria no ano 2000. A previsão atual dos financistas e empreendedores visionários, tipo George Soros (que tem investido pesadamente na produção do etanol no Brasil), é que dure mais 20 ou 30 anos, mas há quem admita mais 50 anos. Já os intelectuais, sobretudo norte-americanos, dizem que esse prazo não é real, pois há muito ainda a ser explorado em águas profundas. Se for verdade, a Petrobras, líder mundial em exploração em águas profundas, virá a exercer um papel central no processo e, talvez, aumentar o restrito grupo das Five Bullies (Exxon-Mobil, Chevron-Texaco, British Pet roleum-Amoco-Arco, Royal Dutch Shell e Conoco- Phillips).
“Os biocombustíveis podem substituir o petróleo”
Pouco provável no médio prazo. Apesar de ser facilmente adaptável aos meios de transporte e armazenagem utilizados atualmente pelas distribuidoras e postos de combustíveis (o que não ocorre com o hidrogênio ou energia elétrica), a matemática não fecha. O consumo atual de petróleo é de 80 milhões de barris/dia ou 4.642,8 bilhões de litros/ano. A “aliança do etanol” foi assinada entre EUA e Brasil, respectivamente o primeiro e segundo maiores produtores de bioetanol do mundo, totalizando 80% de toda a produção mundial, que é de 43,4 bilhões de L/ano.
Desses, os EUA são responsáveis por 18,0 bilhões e o Brasil por 16,7 bilhões de L/ano. O total de bioetanol produzido no ano não seria capaz de suprir um mês do consumo norte americano.
Além disso, o etanol não possui calor latente para ser utilizado nos climas mais frios do hemisfério Norte.
“O bioetanol é uma saída viável para a redução das emissões de CO2”
O modelo norte-americano de extração do etanol a partir do milho pode ser muito nocivo ao meio ambiente. Ao depender de uma agricultura intensa e utilizar pesticidas e fertilizantes, que liberam muito NO2 (óxido nitroso) na atmosfera, pode poluir mais que outros combustíveis, inclusive emitirem mais CO2 que o petróleo. Já o etanol produzido pelo modelo brasileiro, a partir da cana-de-açúcar, é menos nocivo ao meio-ambiente e o CO2 emitido é capturado pela maior área plantada.
O protocolo de Kyoto estabeleceu metas para que os países industrializados reduzam, no período de 2008-2012, em 5,2% (em relação aos níveis de 1990) a emissão de gases que agravam o efeito estufa. Independentemente das idas e vindas nas negociações que têm postergado a assinatura do protocolo, já existe um sinal claro das nações industrializadas em buscar essa redução a partir da adição de etanol na gasolina. Os EUA, principal obstáculo das negociações, concordaram em adicionar 20% de etanol na gasolina nos próximos 10 anos; União Européia adicionará 10% até 2020. Além desses, China, Japão, Itália, Noruega, Venezuela e México já importam o produto do Brasil.
O resultado desta estratégia será benéfico ao meio-ambiente na medida em que 0,71 Kg de CO2 deixam de ser jogados na atmosfera a cada litro de etanol utilizado em substituição à gasolina.
“O Brasil será a ‘Arábia Saudita’ das energias renováveis”
É um exagero. Para o Brasil, a intenção dos países industrializados em adicionar etanol à gasolina é uma oportunidade de negócios muito importante. Atualmente o país é líder mundial na exportação de etanol, contabilizando 3,406 bilhões de litros em 2006. Dos 62 milhões de hectares atualmente cultivados no Brasil, houve um salto de 1,4 milhões em 1993 para 3,0 milhões em 2003 (+ 53%) de área destinada à cana-de-açúcar, e há mais 22 milhões de hectares propícios a receber este cultivo, sem necessidade de desmatamento. Estima-se que o aperfeiçoamento tecnológico permitirá a estes mesmos 3 milhões de hectares produzir 100% a mais nos próximos 10 anos.
Em termos de demanda, só nos EUA projeta-se que o consumo irá triplicar nos próximos anos, algo que o país não terá condições de suprir internamente. A “aliança do etanol” é um movimento claro dos EUA em direção à América Latina, entendido como o fornecedor natural para o mercado norte-americano.
Esse cenário tem atraído ao Brasil investidores internacionais como o mega-especulador George Soros, Bill Gates (Microsoft), Steve Case (AOL), Richard Branson (Virgin), Larry Page e Sergei Brin (Google). O investidor Vinod Khosla e o ex-presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, formaram a Brazilian Renewable Energy Co. (Brenco), cuja produção será voltada exclusivamente para os mercados internacionais. O Carlyle Group e Riverstone Holdings já anunciaram planos de investir mais US$ 240 milhões no Brasil. Além desses, algumas figuras conhecidas localmente: Armínio Fraga (ex-discípulo de Soros), Luiz Cezar Fernandes (criador do Pactual), Jonas Barcelos (dono da Brasif e da Meta Asset Management).
Os investimentos totais já somam US$ 17 bilhões em novos projetos.
Apesar das projeções de crescimento, ainda assim será gigantesca a distância entre a produção de petróleo e etanol para justificar tanto entusiasmo em relação a ser uma “Arábia Saudita” das energias renováveis. Com 325 destilarias e mais 80 em construção, o Brasil espera produzir 20,21 bilhões de litros em 2007, um crescimento de 21% em comparação a 2006. Na mesma linha, com 110 destilarias e mais 48 em construção, os EUA esperam chegar aos 28 bilhões de litros em 2012 (+ 55,5% em relação a 2006).
No continente americano, estima-se que o potencial de produção chegue a 200 bilhões de litros ao ano.
O etanol pode ajudar a redesenhar o mapa geopolítico da região
A idéia de criar mecanismos de cooperação em tecnologia do etanol entre Brasil e EUA é apenas um ponto da “aliança do etanol”. Outro objetivo essencial é a promoção deste combustível, na América Latina e Caribe, como alternativo e aditivo ao petróleo, além de utilizar um combustível renovável como fator de integração das Américas. Com programas já em andamento na Colômbia, Equador, República Dominicana, El Salvador, Guatemala e Honduras, o governo norte-americano entende que, com a ajuda do Brasil, o programa servirá para recuperar sua influência na região, isolando o venezuelano Hugo Chávez e seu “discípulo” boliviano Evo Morales.
Para impulsionar esta ação, foi criada em dezembro de 2006 a Comissão Interamericana do Etanol, fruto do acordo bilateral Brasil-EUA. Liderada por Jeb Bush (ex-governador da Flórida e irmão do presidente Bush), Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura do Brasil) e Luis Alberto Moreno (presidente do BID), sua atuação será através do incentivo à integração técnico-científica, avaliação de investimentos, incentivo a projetos, promoção de painéis e “pressão” sobre os governos locais para criarem legislação que incentive o uso do etanol.
A idéia de criar uma “OPEP do etanol”, tendo o Brasil como um dos seus líderes, é uma forma de minar a influência e o poder de Chávez na região, além de exercer certa pressão sobre Cuba, pós-Fidel, para que esta dê uma guinada em direção a uma economia de mercado.
O crescimento da energia renovável abre um espaço muito interessante para o Brasil, único país do mundo que domina este ciclo da energia, pela afirmação de Felipe Gonzáles, ex- primeiro Ministro da Espanha. Outro ponto a favor do Brasil é a perspectiva de haver mais petróleo em águas profundas. Desta forma, o Brasil passaria a ser elemento chave nessas duas vertentes energéticas, e não apenas nas commodities, sobretudo na exportação de tecnologia, usinas montadas e carros flex fuel, agregando valor ao conhecimento adquirido com as duas matrizes energéticas.
A escolha norte-americana por Jeb Bush como um dos líderes do projeto também faz parte de uma estratégia com vistas à disputa presidencial de 2012 nos Estados Unidos. Com um case de sucesso, moderno e ambientalmente correto, seria possível reverter o prejuízo contabilizado pela família Bush com o desastre no Iraque.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Desenvolvimento Sustentável

Os atuais modelos de crescimento econômico geraram enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia.
Surge então a idéia do Desenvolvimento Sustentável, onde se procura conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.
De acordo com a teoria do desenvolvimento sustentável, precisamos nos desenvolver atentos às limitações ecológicas do planeta, para que as gerações futuras tenham a chance de existir e viver bem.
A proteção do ambiente tem de ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente. É aqui que surge uma questão sobre a qual pouco se pensa: qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento?
A diferença é que o crescimento não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça social, pois não leva em consideração nenhum aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas. O desenvolvimento, por sua vez, além de se ocupar da geração de riquezas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de todos, considerando, portanto, a qualidade ambiental do planeta.
Na rota do crescimento e da sustentabilidade, o Brasil tem ganhado credibilidade nos últimos anos e se tornado essencial à agenda de qualquer grande investidor. Reformas econômicas e estruturais estão conduzindo o país a uma nova posição no cenário internacional.
A economia brasileira apresentou um crescimento forte e sustentável nos últimos anos e as exportações dobraram desde 2003, resultando num significativo aumento da participação brasileira no comércio mundial.
A busca por alternativas aos combustíveis fósseis e as preocupações com o aquecimento global têm feito crescer o interesse mundial pelos biocombustíveis. O etanol brasileiro é uma das melhores alternativas para atender esse mercado potencial, uma vez que o Brasil é o maior produtor mundial de biocombustíveis e o segundo maior produtor de etanol do mundo com 33,2% da produção mundial e também o maior exportador com 37% do market share global.
As previsões são de que, o Brasil será responsável por metade do comércio mundial de etanol. Na safra 2007/2008, foram produzidas 22,5 bilhões de toneladas de álcool, sendo que 3,6 bilhões de toneladas foram exportadas. As perspectivas para 2021, de acordo com a União da Indústria de Cana- de- açúcar (UNICA), são de que o Brasil vai produzir 65,3 bilhões de toneladas de etanol e exportar 15,7 bilhões de toneladas.
Produzido em 1% das terras aráveis do Brasil, o etanol não compete com a produção de alimentos, que duplicou no país na última década. Metade da gasolina consumida no Brasil já foi substituída por etanol. Introduzidos no mercado brasileiro em março de 2003, os veículos flex- fuel (bicombustíveis) são projetados para trabalhar com qualquer mistura de gasolina e etanol. Do total de veículos leves licenciados no primeiro semestre de 2008, 87,6% foram do tipo bicombustível, contra 7,9% dos modelos a gasolina.
O Brasil é mundialmente reconhecido também como um grande centro de empresas e instituições públicas e privadas ligadas ao setor sucroalcooleiro, cobrindo a cadeia agroindustrial da cana-de-açúcar desde o desenvolvimento de tecnologias industriais e agrícolas, fabricação de equipamentos, desenvolvimento de variedades de cana e prestação de serviços diversos, até a participação efetiva no desenvolvimento e estruturação de mercados.
Por meio do Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA), o Brasil oferece soluções completas à indústria sucroalcooleira mundial para o processamento da cana-de-açúcar e produção de combustíveis renováveis (etanol, biodiesel, biomassa) e outros produtos, como o açúcar.
A bioeletricidade, energia elétrica produzida a partir de biomassa de origem vegetal, está se tornando também uma atividade promissora no país, com projeções de crescimento de até 700% na produção até 2021. Este tipo de energia limpa, renovável e sustentável, pode ser obtido através do bagaço e da palha, materiais ricos em fibras, que sobram do processamento da cana.
O biodiesel já está presente nos postos de combustíveis brasileiros, na proporção de 3% misturados ao óleo diesel. Uma das vantagens do biodiesel é sua origem diversificada. Pode ser obtido a partir do processamento de diversos óleos vegetais, girassol, soja, pinhão manso, mamona, palma, dentre outros.
A proposta da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis: os biocombustíveis como vetor do desenvolvimento sustentável, é debater estes e outros tópicos. Paralelamente, na 1ª Exposição Internacional Sobre Biocombustíveis, as melhores tecnologias de produção serão apresentadas por empresas e instituições que investem em soluções para a busca da energia sustentável.
Venha conhecer os casos de sucesso e as avançadas e inovadoras tecnologias de produção de biocombustíveis. Os biocombustíveis são a nova realidade sustentável e eficaz para substituir os combustíveis fósseis.
O Brasil se destaca na produção mundial de biocombustível, solo, água, sol e natureza compõem a base de um grande potencial para a produção dessa matriz energética do século XXI.
A produção nacional de biocombustíveis do Brasil é sustentável, a cada ano isso tem sido demonstrado através do nosso desenvolvimento tecnológico. A cana-de-açúcar é a principal matéria-prima do Brasil utilizada para a produção de etanol. A cada dia novas tecnologias e soluções inovadoras têm sido apresentadas para outras formas de biocombustíveis como o biodiesel e a bioeletricidade.
O Evento servirá como plataforma para disseminar o uso da tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil que permite um único automóvel a ser abastecido tanto com álcool como gasolina, fator já consolidado na indústria automobilística brasileira. Hoje 90% dos automóveis fabricados no Brasil já contam com essa tecnologia.
O valor estimado que o setor nacional de etanol movimenta está em torno de R$ 40 bilhões anuais.
O tema Biocombustível aparece com grande relevância no início do século XXI. Em um contexto de desenvolvimento sustentável, esse tema abrange muitas vertentes, tais como a produção de combustíveis sem danificar o meio ambiente, a geração de postos de trabalho, o desenvolvimento tecnológico e a preservação de áreas verdes que podem, no futuro próximo, atrair recursos financeiros para a economia brasileira.
Na última década, o desenvolvimento da indústria brasileira do etanol levou à necessidade de informar a sociedade sobre o desenvolvimento tecnológico que o país atingiu, enfatizando tema como sustentabilidade, soluções tecnológicas e perspectivas da indústria brasileira.