segunda-feira, 12 de abril de 2010

Etanol na Indy promove produto brasileiro no exterior

A publicidade do etanol por meio da Fórmula Indy pode ajudar na consolidação do biocombustível como commodity internacional, na avaliação do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. “A ideia é a gente mostrar todas as diferenças que existem nesse etanol, como complemento do programa norte-americano, como redutor de emissões, como gerador de maior diversificação energética nos Estados Unidos”, disse.
A Unica está fornecendo o etanol que abastece os carros da Fórmula Indy. A competição teve início neste domingo (14), em São Paulo. O evento também terá etapas no Japão e no Canadá, apesar de a maior parte das 17 provas ser realizada nos Estados Unidos.
Além disso, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) mantém um camarote nas corridas e faz uma série de ações promocionais durante as competições. O objetivo é expandir a atuação brasileira no mercado norte-americano.
Essas iniciativas possibilitaram o fechamento de contratos no valor de US$ 370 milhões em 2009. O convênio de renovação, com a expectativa de gerar mais de US$ 400 milhões em negócios neste ano, foi assinado entre o presidente da Apex,Alessandro Teixeira, e o presidente da divisão comercial da competição, Terry Angstadt, na presença dos ministros do Esporte, Orlando Silva e do Turismo, Luiz Barretto.
Segundo Marcos Jank, o mercado norte-americano é importante para a indústria sucroenergética brasileira porque já possui um programa de adição de etanol à gasolina, com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa. O país, entretanto, ainda mantém uma barreira tarifária “proibitiva” à entrada do produto brasileiro.
A internacionalização do etanol permitiria, de acordo com Jank, que o Brasil se tornasse um grande exportador do produto, a exemplo do que ocorre com o açúcar. “Hoje, a gente exporta 70% do nosso açúcar. O Brasil é o maior fornecedor de açúcar do mercado mundial e detém quase 50% do mercado. E no etanol, a gente só exporta 15% e 85% ficam aqui dentro”, ressaltou.

Estudo apoia o uso de etanol na Europa

A União Europeia divulgou na quinta-feira os resultados de um estudo científico que apoia o uso de etanol na Europa, aponta a produção no Brasil como a mais eficiente do ponto de vista ambiental e sugere medidas de liberalização para permitir uma importação "considerável" do combustível brasileiro.
O estudo "Comércio mundial e impacto ambiental do mandato da UE sobre biocombustíveis" foi encomendado pelo bloco e preparado pelo International Food Policy Research Institute (IFPR). O objetivo é atender às demandas do Parlamento europeu sobre os efeitos de uma mudança do uso indireto da terra na produção de biocombustíveis. O documento foi divulgado justamente pela área de comércio da UE, o que sinaliza que pelo menos parte da Comissão Europeia aprova a ideia.
O estudo apresenta diagnósticos positivos sobre os efeitos da redução de emissões com o uso do biocombustível de primeira geração, e sugere liberalização para o produto. Mostra que a mudança do uso indireto da terra de fato diminui os benefícios do corte de emissões, mas que isso não é uma ameaça à viabilidade ambiental da política da UE de elevar para 5,6% o uso de biocombustível no transporte até 2020, necessário para a meta de uso de 10% de energia renovável neste período.
"As conclusões sobre o impacto ambiental do etanol brasileiro são muito positivas", disse o embaixador do Brasil na UE, Ricardo Neiva Tavares. O documento dá ao etanol de cana um selo de eficiência ecológica semelhante ao da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, sigla em inglês).
A importância do estudo aumenta tendo em vista que nos últimos três anos cresceu a desconfiança europeia sobre os impactos dos biocombustíveis na produção de alimentos, cuja alta de preços globais gerou grave crise entre 2007 e 2008. Estudos também apontaram impactos negativos do etanol sobre o uso indireto da terra, com suposta elevação do desmatamento sendo apontada como necessária para a expansão da produção, o que é negado por governo e empresas no Brasil.
Mas o novo estudo, considerado o mais sério dos quatro encomendados - e, portanto, com maior influência -, faz comparações e aponta o etanol brasileiro como o mais eficiente, capaz de reduzir em 71% as emissões de gases de efeito-estufa em relação aos combustíveis fósseis.
O cenário central para que a meta de utilização de 5,6% de biocombustíveis no transporte terrestre em 2020 na UE seja alcançada aponta um aumento do consumo de etanol e biodiesel de 17,8 milhões de toneladas nos 27 países-membros. No caso do biodiesel, a maior parte da produção virá da própria UE. Mas o grosso do etanol deverá ser brasileiro. Isso implica considerável incremento das importações, apesar das tarifas aplicadas por Bruxelas.
Se as tarifas forem abolidas, a expansão da produção para atender às metas da UE deverá demandar no Brasil entre 4,8 mil e 6,8 mil quilômetros quadrados a mais de terra, o que representa, no máximo, 0,77% das terras disponíveis no país.
O estudo calcula que das terras a serem utilizadas no Brasil para o avanço de etanol e biodiesel de soja visando atender à demanda europeia, 58% serão no Cerrado, 14% de pastagens, 15% de florestas primárias (Amazônia) e 12% de outras terras. Mas nota que o cenário é baseado no desmatamento passado, sem considerar a redução recente.
Há efeitos da mudança no uso indireto da terra por causa do mandato europeu, mas são minimizados. O uso indireto resultaria em emissões adicionais de 5,3 milhões de toneladas de CO2. Mas a poupança de emissões com o uso de bicombustíveis é maior, de 18 milhões de toneladas. Ou seja, os bicombustíveis reduzem a emissão de quase 13 milhões de toneladas de carbono em 20 anos.
A UE alcançará esse resultado, diz o estudo, em razão da produção e do consumo que privilegiará o biocombustível mais eficiente - a partir da cana e do Brasil. O documento alerta para "consideráveis incertezas" sobre impacto de critérios de sustentabilidade nos biocombustíveis. O papel da certificação e a emergência na diferenciação de biocombustíveis, culturas para a produção e preços da terra, baseados em conteúdo de carbono e respeito de sustentabilidade, ainda precisam de mais estudos.

EUA voltam a atacar etanol brasileiro

Os produtores de etanol dos Estados Unidos, que usam o milho como matéria - prima, lançaram nova ofensiva para tentar barrar a entrada do etanol brasileiro, de cana-de-açúcar. Na semana passada, dois deputados da bancada ruralista, em Washington, apresentaram um projeto de lei para tentar prorrogar por mais cinco anos os subsídios aos plantadores de milho e as tarifas à importação de etanol.
A Associação da Indústria de Cana de Açúcar do Brasil (Unica) considera que essa é a principal batalha do ano para os produtores brasileiros de etanol.
Recentemente, os usineiros brasileiros conseguiram grande vitória nos EUA, com o reconhecimento, pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), de que o etanol produzido a partir da cana é um biocombustível avançado, que reduz em ao menos 40% a emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina. A decisão da EPA abre as portas para o mercado americano - desde que o lobby dos produtores do etanol de milho não consiga manter ou elevar as barreiras hoje vigentes.
Subsídios. A atual legislação prevê dois tipos de benefícios aos produtores americanos. Um deles é o subsídio: para cada galão de gasolina com etanol, os produtores americanos de etanol ganham um crédito de US$ 0,45 para ser abatido em impostos. Outro benefício é a tarifa de importação, que impõe taxa de US$ 0, 54 por galão sobre o etanol brasileiro. Essa lei vigora até o fim do ano.
A ação bipartidária anunciada na semana passada pelos deputados democrata Earl Pomeroy e republicano John Shimikus visa a defender essa proteção aos produtores de milho americanos. Um projeto de lei similar e coordenado com a da Câmara deve ser apresentado no Senado nas próximas semanas.
Segundo os dois parlamentares, caso a atual legislação expire, 112 mil empregos podem ser perdidos e a produção de etanol será reduzida em 38%. "Em um momento em que a economia americana enfrenta problemas, não podemos permitir que esses incentivos fiscais expirem, minando o crescimento que temos visto na nossa indústria de etanol", disse Pomeroy. "A prorrogação dos créditos fiscais ajuda a indústria a contribuir com a segurança da nossa nação", acrescentou Shimkus.
A proposta foi imediatamente contestada por produtores do Brasil e pela indústria alimentícia dos EUA, que acaba pagando mais pelo milho que não é destinado ao etanol.
Reação. Joel Velasco, representante da Unica em Washington, divulgou comunicado afirmando que "os americanos não se beneficiarão dessa alternativa mais limpa e econômica se o Congresso continuar erguendo barreiras comerciais contra o etanol importado". "É irônico que o Congresso permita que o petróleo de nações hostis aos EUA entre no país sem pagar tarifa, enquanto pune a energia limpa do Brasil, um antigo aliado democrático."
A American Meat Institute, que representa os produtores americanos de carne, também se manifestou. "Infelizmente, essa lei continua a apoiar e a proteger de forma desonesta o etanol do milho nos últimos 30 anos à custa do contribuinte americano e do gado e das aves que dependem do milho para alimentação", disse, em comunicado, o presidente da associação, Patrick Boyle. "Chegou a hora de a indústria do etanol parar de usar o dinheiro dos impostos americanos e a passar a competir por conta própria no livre mercado."
A Unica tem agido no Congresso americano para defender a posição dos produtores brasileiros. O argumento principal é o de que os incentivos fiscais custam US$ 6 bilhões aos cofres americanos por ano.
A tarefa será difícil, já que este é um ano eleitoral e produtores de milho influenciam os votos para deputados em muitos Estados. O presidente Barack Obama também sabe que sua virada na disputa presidencial ocorreu graças à sua vitória nas primárias em Iowa, um dos principais Estados produtores de milho.
Os produtores de milho usam até o relatório da EPA para seu lobby. Como a EPA avaliou que o etanol de cana é menos poluente que o de milho, os produtores americanos dizem que esse é mais um motivo para o governo os defender.
Para entender melhor
O Brasil vende 1 bilhão de litros de etanol para EUA
Os Estados Unidos já são clientes do etanol brasileiro no exterior. As vendas devem cair este ano por causa do aumento do preço do combustível, mas, em 2009, foram embarcados 1,05 bilhões de litros para os EUA. Os usineiros brasileiros acreditam que, sem a tarifa, esse mercado seria muito maior. A produção local também teria de aumentar para dar conta da demanda interna e externa.

sábado, 10 de abril de 2010

Etanol de celulose ainda não é viável

Etanol de celulose está longe de ser comercialmente viável.
O etanol fabricado a partir da celulose, fórmula que deve substituir o biocombustível à base de milho, ainda está longe de ser comercialmente viável por conta do custo e da dificuldade de se conseguir grandes quantidades de insumo, informou nesta terça-feira Joseph Glauber, principal economista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). "Ainda levará alguns anos antes de poder se tornar competitivo", disse ele durante uma conferência.
"Os desafios são a distribuição e o armazenamento das matérias-primas."
Legisladores norte-americanos estabeleceram metas ambiciosas para produção de etanol à base de celulose: refinarias dos Estados Unidos deverão misturar 16 milhões de galões do biocombustível na oferta de gasolina até o final de 2022, contra apenas 6,5 milhões de galões em 2010.
O etanol celulósico depende de matérias-primas não alimentares, como capim e resíduos de papel, eliminando o conflito que levou muitos economistas a culpar uma produção maior de etanol à base de milho nos Estados Unidos por um aumento acentuado nos preços dos alimentos em 2008.
Os insumos para fabricação desta modalidade são muito baratos e, até mesmo, gratuitos, mas o sistema de distribuição para transportar amplas quantidades de celulose para unidades de produção em escala comercial ainda não está em vigor, acrescentou Glauber. Isso pode tornar a comercialização uma meta mais distante, embora companhias, como a Genencor e a Novozymes, tenham feito progresso no desenvolvimento de enzimas que transformam celulose em etanol em escala comercial.

Brasil pode suprir 10% do etanol mundial até 2025

O etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil pode substituir, até 2025, entre 5% e 10% da gasolina consumida em todo o mundo. A afirmação foi sustentada por Luís Cortez, professor titular da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp.
Segundo Cortez, as fontes renováveis já respondem por 46% da demanda brasileira de energia (um percentual 3,5 vezes maior do que o registrado no mundo, de 13%) e a cana-de-açúcar por 15%. A produção do etanol, que cresceu motivada pela "necessidade", após a crise do petróleo da década de 1970, encontra-se agora diante da perspectiva de um novo ciclo de expansão, regido pela "oportunidade".
O interessante é que as plantações de cana para a produção de etanol ocupam, atualmente, apenas 0,4% do campo brasileiro: 3,4 milhões de hectares, contra 22 milhões de hectares destinados à soja e 200 milhões de hectares de pastagens.