quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nucleares sobreviverão ao acidente de Fukushima?

A opção nuclear vai sobreviver ao acidente de Fukushima?
Nem todas as novas tecnologias, por mais inovadoras que pareçam, resistem aos testes do tempo. O desastre nuclear no Japão, em março deste ano, forçou à reanálise da opção nuclear no mundo todo. Já os acidentes de Three Mile Island, nos EUA, em 1979 e de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986 haviam praticamente paralisado a expansão nuclear após 1990.
As razões para tal são complexas, mas se devem principalmente ao fato de a energia nuclear ter se tornado muito cara comparada com outras opções e ao fato de que populações de vários países decidiram não correr os riscos de acidentes nucleares, causados não apenas por terremotos e tsunamis.
Acidentes nucleares, quando ocorrem, podem provocar um número pequeno de mortes, como diz a indústria nuclear, mas a radiação atinge grandes populações e provoca danos fatais. Esse é um risco diferente do que é assumido em uma mina de carvão. A população que vive nas imediações de reatores como Fukushima não é coberta por seguros. Está sujeita a ser vítima involuntária de danos que podem causar sofrimento e morte por anos após o acidente.
Por essas razões, os custos e riscos da energia nuclear estão sendo reavaliados. A Alemanha, onde 22% da eletricidade se originam da energia nuclear, já decidiu desativar seus 17 reatores até 2022. Suíça e Bélgica tomaram a mesma decisão. O Japão já eliminou seus planos de expansão. Nos EUA, o início da construção de dois reatores foi cancelado. Isso significa maior esforço para gerar eletricidade com fontes renováveis ou utilizá-la de maneira mais eficiente, o que não só é possível como é economicamente atraente.
A decisão da Alemanha – mais radical do que o esperado – terá consequências importantes no resto do mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. O governo brasileiro anunciou que reavaliará a segurança dos reatores no País e dos planos de expansão. Esperamos que o faça logo e siga o que o bom senso indica.
Não há razão nenhuma para que um País como o nosso, com amplos recursos hidrelétricos e biomassa, se coloque na contramão do que ocorre no mundo e invista recursos desproporcionais numa opção tecnológica que talvez não sobreviva. (EcoDebate)

Alemanha desligará as centrais nucleares?

Governo alemão anuncia plano de desligamento das centrais nucleares até 2022
Medida prevê, em caso de problemas de abastecimento, que as três unidades mais novas continuem funcionando por mais um ano, até 2022.
O governo alemão anunciou em 30/05 que pretende encerrar a geração de energia nuclear, desativando todas as 17 usinas atômicas do país até 2022.
Segundo o ministro alemão de Meio Ambiente, Norbert Röttgen, oito das usinas mais antigas, que estavam desligadas em caráter provisório, não voltarão a funcionar. Sete delas foram desativadas em março passado, logo após o acidente nuclear em Fukushima, no Japão. As outras centrais atômicas deverão funcionar até 2021, sendo que as três mais modernas poderão eventualmente continuar a produzir energia até 2022, caso haja problemas de abastecimento elétrico durante a transição.
Consenso na madrugada
O governo anunciou a decisão após uma reunião de quase 13 horas durante a madrugada de domingo para segunda, reunindo membros do gabinete, dos partidos do governo e representantes da oposição.
O Executivo vem buscando o maior consenso possível para fazer a transição energética do país. Depois de ter decidido pelo prolongamento de vida útil das usinas nucleares no ano passado, a administração federal voltou atrás em decorrência do acidente nuclear no Japão.
De modo enfático, Röttgen afirmou que esse é um processo irreversível. “Não haverá cláusula de revisão”, disse. Está previsto apenas, segundo ele, um processo de monitoramento do progresso na transição almejada para fontes renováveis de energia.
Fornecimento estável é prioridade
Serão analisados critérios como custo, impacto ambiental e segurança de abastecimento energético, segundo Röttgen. As autoridades reportarão a cada ano os avanços obtidos. O ministro alemão ressaltou que o fornecimento de eletricidade será assegurado. “Ficou muito claro para todos (na reunião) que a estabilidade da rede e a segurança do fornecimento energético têm que ser garantidas a cada hora e a cada demanda anual”, comentou.
Por esse motivo, a coalizão concordou que uma das usinas atômicas antigas servirá até 2013 como uma espécie de reserva. De acordo com as regras estipuladas, em caso de escassez, as usinas que usam combustível fóssil serão ativadas primeiramente. Ainda assim, se a demanda não for atendida, a usina nuclear de reserva será reativada.
Protestos de ambientalistas
Röttgen garantiu que não houve qualquer interferência das empresas que atuam no ramo. “Foi um debate político. Não houve um debate com representantes do setor econômico ou empresas fornecedoras de energia.”
Enquanto os políticos discutiam, ativistas protestavam no Portão de Brandemburgo. Ambientalistas do Greenpeace pediam o abandono da geração nuclear já em 2015. No sábado, milhares de manifestantes saíram às ruas de 20 cidades na Alemanha pedindo o fim da energia atômica no país. (EcoDebate)

Onde está a saída para o nuclear?

A Alemanha vai deixar o nuclear o mais tardar até 2022?
A decisão de Angela Merkel alegra os opositores da energia atómica mas levanta muitas questões sobre o futuro.
O Governo decidiu na noite de domingo para segunda-feira (29 e 30/05): a Alemanha abandonará a energia nuclear, o mais tardar, em 2022. Até agora, sete das 17 centrais continuam fechadas, as restantes serão progressivamente paradas ao longo dos próximos dez anos e substituídas por energias alternativas, que o país irá dedicar-se a desenvolver.
É dia de festa para a imprensa antinuclear, ou quase. Em Berlim, o "Tageszeitung" ressuscita na primeira página o mítico autocolante dos primórdios do movimento antinuclear na Alemanha, enfeitado com a sua nova heroína: a chanceler Angela Merkel. Mas a luta não acabou, garante o jornal alternativo:
Apenas há seis meses, depois de uma forçada passagem 'merkeliana', as centrais alemães deviam continuar a funcionar em pleno até 2030. Hoje, a maior parte está desligada da rede. [...] Contrariamente à saída do nuclear decidida em 2000 pela coligação vermelha-verde [liderada por Gerhard Schröder], não há oposição que queira anular esta decisão. [...] Por fim, a mudança energética pode estar numa nova fase e ser irreversível até 2020. Agora que o fim do nuclear está regulamentado, é preciso fazer desaparecer o carvão - e é preciso um plano para reduzir o consumo de petróleo e de gás. (aeiou.expresso)

Alemanha deixará energia nuclear

Até 2022, Alemanha deixará energia nuclear
Pressão popular, crescimento do Partido Verde e acidente no Japão levam governo de Angela Merkel a abrir mão, aos poucos, de seus 17 reatores.
Em extinção
Usina nuclear em Biblis, Alemanha; país pretende investir em energia renovável
O acidente nuclear de Fukushima, a pressão crescente da opinião pública e a ascensão do Partido Verde nas eleições regionais na Alemanha levaram o governo de Angela Merkel a anunciar ontem a extinção progressiva da energia nuclear no país.
O programa de desativação, que deve durar dez anos e custar?
40 bilhões (R$ 91 bilhões), será encerrado em 2022, com o fechamento dos 17 reatores nucleares em atividade. Portanto, a Alemanha se torna a primeira potência industrial a abandonar a geração de eletricidade pela fissão, apostando nas energias renováveis.
O anúncio marca uma reviravolta no governo Merkel. Há dois anos, a chanceler havia revisto a decisão tomada em 2002 pelo ex-chanceler Gerhard Schroeder, que prometera o fim da exploração da energia nuclear no país. "Nosso sistema de aprovisionamento pode e deve ser modificado em profundidade", defendeu Merkel na época.
Dos 17 reatores do país, 7 estão "em hibernação" desde março, quando do acidente de Fukushima, e agora passarão à fase de desligamento e desinstalação. Nos próximos dias, um reator nas imediações de Hamburgo passará à hibernação. Dos nove reatores que seguem em funcionamento, seis serão desativados até 2021. Os três restantes funcionarão até 2022, quando também serão desmontados.
Cálculos da ONG ambientalista Greenpeace afirmam que o governo alemão economizará recursos com o fim do nuclear. "O processo de migração total deverá custar ? 110 bilhões (R$ 250 bilhões) em dez anos, mas vai gerar economia de cerca de ? 145 bilhões (R$ 330 bilhões) em subvenções e manutenção das plantas e das redes de distribuição", afirma Andree Böhling, especialista em energia da organização.
O desafio alemão será substituir 22% de sua matriz hoje produzida pelos reatores. Segundo a nova política energética, a substituição se dará pelo investimento em energias alternativas e por medidas de estímulo à redução do consumo - como incentivos fiscais a construções de baixo gasto de eletricidade. O programa energético prevê a redução de 10% no consumo até 2020.
Especialistas afirmam que a desativação deve aumentar em curto prazo a exploração de energia termoelétrica, produzida a partir do carvão, que responde hoje por 43% da matriz do país. Em meados da década será possível aumentar o espaço de fontes alternativas de energia, como eólica e biomassa, que hoje representam 18% do total.
Mudança
Em setembro passado, o governo de Merkel havia prorrogado o uso de energia nuclear até 2042, 12 anos a mais que o previsto. A decisão desagradou ao ministro do Meio Ambiente e motivou manifestação de mais de 100 mil pessoas em Berlim.
Além da Alemanha, Áustria, Suíça e Dinamarca se comprometeram a não explorar a fissão. França, Grã-Bretanha e os países do Leste europeu, porém, não abrem mão de seus reatores. (OESP)

Alemanha abandona nuclear até 2022

Alemanha abandona o uso da energia nuclear até 2.022 
Foram precisas quase 12 horas de reunião entre líderes dos partidos da coligação governamental alemã e da oposição para se chegar a uma decisão histórica: o encerramento das 17 centrais nucleares do país até 2022.
Em conferência de imprensa, a chanceler alemã Angela Merkel referiu que “passo a passo, vamos abandonar a energia nuclear até finais de 2022. Este caminho representa um grande desafio para a Alemanha, mas também significa grandes oportunidades para as gerações futuras. Acreditamos que o nosso país pode tornar-se num pioneiro na criação de energias renováveis.”
Depois de ter decidido prolongar os prazos de funcionamento dos reatores alemães por mais 12 anos no Outono, Angela Merkel mudou de opinião e torna assim a Alemanha na primeira grande potência mundial a anunciar o fim da produção de energia nuclear.
A posição do governo alemão relativamente à produção de energia nuclear mudou depois da catástrofe nuclear em Fukushima, no Japão, em Março. (euronews)