sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Proteger ativos solares de incêndios florestais

Como proteger os ativos solares dos incêndios florestais.
Para proteger usinas e ativos solares contra incêndios florestais, é fundamental adotar medidas de manejo de vegetação no entorno e tecnologias de segurança elétrica.

Manejo de Vegetação e Perímetro

• Faixas de aceiro: Mantenha uma faixa limpa de vegetação ou com vegetação rasteira controlada em um raio de até 50 metros ao redor da cerca perimetral da usina fotovoltaica.

• Coordenação local: Alinhe a limpeza e a manutenção de áreas limítrofes com os proprietários dos terrenos vizinhos antes do período de estiagem.

• Monitoramento preventivo: Utilize sistemas integrados com dados de satélite (como os do INPE) e inteligência artificial para detectar focos de calor nas proximidades em tempo real.

Tecnologias de Segurança e Desligamento

• Desligamento rápido (Rapid Shutdown): Adote dispositivos que reduzem rapidamente a tensão CC (corrente contínua) a nível de módulo em caso de emergência, facilitando a ação segura do corpo de bombeiros.

• Proteção contra arco voltaico (AFCI): Garanta que os inversores possuam o sistema AFCI para identificar e interromper falhas de arco elétrico que possam iniciar chamas.

O número de incêndios florestais em toda a Europa está aumentando. Países da Europa Central e do Norte também são cada vez mais afetados. Este artigo apresenta uma série de medidas preventivas para proteger sistemas fotovoltaicos contra incêndios e relata experiências na França.

Idealmente, após a implementação dessas medidas de proteção, as florestas ao redor apresentariam pouca vegetação combustível capaz de alimentar as chamas.

Os relatos de incêndios florestais em toda a Europa têm aumentado nos últimos anos. Não são apenas os destinos turísticos do sul da Europa — como as áreas próximas a Madri, Creta e o sul da França — que são afetados. Incêndios também estão ocorrendo na Grã-Bretanha, Bélgica e Alemanha, impulsionados, em parte, pelas mudanças climáticas, que vêm provocando ondas de calor mais frequentes e persistentes e períodos de seca. A indústria fotovoltaica precisa se adaptar a essa nova realidade, uma vez que a expectativa é de que o risco de incêndios florestais continue aumentando. Mas estamos indefesos diante dessas forças da natureza ou existem medidas eficazes capazes de reduzir o risco?

Nesse contexto, vale olhar além das fronteiras nacionais para países que já acumularam uma experiência maior — e muitas vezes dolorosa — com incêndios florestais. Em grande parte da França, por exemplo, os proprietários de imóveis são legalmente obrigados a implementar as chamadas Obligations Légales de Débroussaillement (OLD), termo que pode ser traduzido como “obrigações legais de limpeza da vegetação”. O artigo L. 131-10 do Código Florestal francês define essas medidas da seguinte forma:

“Limpeza da vegetação: medidas destinadas a reduzir combustíveis vegetais de qualquer natureza, com o objetivo de diminuir a intensidade do fogo e limitar sua propagação. Essas medidas garantem a existência de interrupções suficientes na cobertura vegetal. Elas envolvem a poda das árvores que devem ser preservadas e a remoção dos resíduos resultantes”.

De maneira um tanto incomum para um país que, de resto, possui uma administração altamente centralizada, as prefeituras locais determinam as áreas específicas abrangidas e as regulamentações aplicáveis. As regiões afetadas são destacadas em rosa no mapa do Geoportal. No entanto, as exigências não se aplicam apenas à região do Mediterrâneo e ao sul da França. Elas também estão em vigor no centro do país e até mesmo na Bretanha e na Normandia — áreas que normalmente não são associadas ao calor extremo. Nesses locais, a latitude e as condições meteorológicas são comparáveis às da Alemanha.

Quais medidas específicas são exigidas pelas OLD?

A Autoridade de Proteção contra Incêndios Florestais da Aquitânia (DFCI) publicou um guia específico para operadores de sistemas fotovoltaicos. O diagrama a seguir apresenta uma visão simplificada das regulamentações aplicáveis.

Parcs Photovoltaïques

A vegetação dentro da usina fotovoltaica deve ser mantida baixa. Essa é a exigência mais simples de ser cumprida, uma vez que os operadores já têm interesse econômico direto em evitar o sombreamento. Em instalações de grande porte ou em locais próximos a florestas, a construção de valas também pode ser obrigatória. Além disso, deve ser mantida, ao longo dos dois lados da cerca perimetral, uma faixa de acesso de 5 metros de largura para os serviços de emergência.

A maior parte da manutenção da vegetação e da limpeza exigidas oficialmente deve ser realizada em um raio de até 50 metros ao redor da cerca perimetral da usina fotovoltaica. É nesse ponto que frequentemente surgem complicações. Por um lado, os terrenos vizinhos normalmente não estão incluídos nos contratos de arrendamento existentes, o que exige que os operadores coordenem as ações com os respectivos proprietários.

Por outro lado, essas medidas podem ser complexas e caras, especialmente quando uma usina fotovoltaica é cercada por florestas ou está localizada em terrenos inclinados e de difícil acesso. O objetivo não é realizar o corte raso das árvores ou remover completamente os arbustos, mas reduzir a quantidade de vegetação inflamável. Na prática, os operadores frequentemente enfrentam conflitos entre as exigências de segurança contra incêndios e as normas de proteção de espécies, ou entre as exigências de compensação ecológica e as regras que determinam a realização de uma limpeza extensa da vegetação. Por isso, uma coordenação estreita com as autoridades locais é essencial.

Outro desafio é escolher o momento adequado para realizar os trabalhos. Se eles começarem muito cedo no ano, a vegetação poderá crescer novamente de forma significativa antes do verão. Se começarem tarde demais, um incêndio florestal poderá ocorrer antes que todas as medidas de proteção estejam implementadas. Isso deixa apenas uma janela relativamente estreita, entre o fim da primavera e o início do verão, adequada para a execução dos trabalhos. Encontrar uma empresa especializada disponível nesse período pode representar um desafio adicional.

Após os incêndios devastadores nas proximidades de Bordeaux, outra medida preventiva ganhou destaque. Faixas corta-fogo (pare-feu) estão sendo cada vez mais propostas em áreas densamente florestadas, onde as árvores são plantadas particularmente próximas umas das outras por razões econômicas. Ainda não está claro se isso resultará em requisitos específicos para o planejamento, a construção e a operação de sistemas fotovoltaicos.

Medidas voluntárias adicionais

Os operadores instalam reservatórios flexíveis de água para combate a incêndios, em alguns casos por exigência regulatória e, em outros, de forma voluntária. Diversos fatores precisam ser considerados. Uma coordenação estreita com o corpo de bombeiros local é essencial para garantir que as equipes de emergência estejam equipadas e preparadas para combater um incêndio dentro da instalação. Os bombeiros nem sempre são treinados ou estão dispostos a atuar diretamente em incêndios em usinas solares. O tanque de água também deve ser acessível pelo lado externo da cerca perimetral, para que não haja perda de tempo com a abertura de portões ou a entrada de veículos no local.

Outra medida após a manutenção da vegetação é remover do local os resíduos resultantes da poda e da limpeza. Nesse caso, o objetivo também é reduzir a quantidade de material combustível. Quando o manejo da vegetação é feito com a utilização de ovelhas, essa remoção ocorre automaticamente.

Qual é a eficácia dessas medidas?

Há algumas semanas, a pv magazine noticiou o caso de uma instalação de 11 MW na qual, apesar de um grande incêndio florestal ter atravessado a usina solar, apenas duas estruturas de suporte dos módulos, que sustentavam cerca de 100 módulos, foram danificadas.

Como isso foi possível? O fator decisivo foi a implementação consistente e abrangente de medidas preventivas de segurança contra incêndios. Tanto o investidor quanto a empresa responsável pela manutenção confirmaram os detalhes descritos na reportagem.

O exemplo mostra que a proteção preventiva contra incêndios não é apenas uma exigência regulatória. À medida que as mudanças climáticas avançam e o risco de incêndios florestais aumenta, essas medidas passam a atender cada vez mais aos próprios interesses dos operadores. Naturalmente, a decisão de implementar medidas adicionais, bem como sua abrangência, depende em grande medida das condições locais. (pv-magazine-brasil)

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