Os principais motivos desse
contágio:
• Gatilho visual: Ver os
painéis instalados no telhado do vizinho funciona como uma propaganda constante
e silenciosa no bairro.
• Boca a boca: Os moradores
conversam e compartilham o nível de economia real obtido na conta de luz,
reduzindo o medo do investimento inicial.
• Incentivo social: Cria-se
um sentimento de pertencimento e modernização, fazendo com que outras pessoas
queiram adotar práticas ecológicas semelhantes.
Análises prévias de mercado,
repercutidas por portais como o Olhar Digital, já mostravam que a chance de
alguém investir em energia solar chega a ser 89% maior se ela conhecer
pessoalmente um vizinho que já utiliza a tecnologia.
Pesquisas da Suíça mostram que proprietários cujos vizinhos instalam um sistema solar têm mais probabilidade de instalar um sistema solar por conta própria, adotar um veículo elétrico e reduzir seu consumo de eletricidade.
Bern, Switzerland
Instalar um sistema solar
fotovoltaico pode influenciar o comportamento das famílias vizinhas em relação
à energia, revelou o artigo de pesquisa “Green spills: Peer effects in
pro-environmental behaviors“, disponível no Journal of Public Economics. Os
autores Benedikt Janzen, da Universidade de Passau da Alemanha, e Patrick Bigler,
da Universidade de Lausanne, na Suíça, analisaram dados geocodificados de
260.000 domicílios suíços no cantão de Berna observados entre 2008 e 2019.
Eles combinaram informações
sobre uso de eletricidade, propriedade de veículos elétricos (EV) e sistemas
fotovoltaicos e características residenciais. Eles também mediram a densidade
das instalações fotovoltaicas próximas com base na distância entre residências
e sistemas solares a cada ano, permitindo examinar como as mudanças na adoção
local de PV afetaram o comportamento energético das famílias vizinhas.
Janzen e Bigler disseram à pv
magazine que, de acordo com suas descobertas, quando uma residência instala um
sistema solar fotovoltaico, casas vizinhas ficam mais propensas a instalar
energia solar elas mesmas, adotar um veículo elétrico e reduzir o consumo de
eletricidade.
De acordo com os dados do
artigo científico, cada domicílio reduz seu consumo anual de eletricidade em
0,21% para cada nova instalação solar fotovoltaica a 100 metros de distância, correspondendo
a uma economia média anual de cerca de 11 kWh. Cada nova instalação de energia
solar fotovoltaica a menos de 10 metros de uma residência leva a uma redução de
2,1% no consumo anual de eletricidade.
Descobertas adicionais acrescentam que uma nova instalação solar a 100 metros de distância de uma residência leva a um aumento de 0,02 ponto percentual na probabilidade de adoção de sistemas fotovoltaicos e a um aumento de 0,01 ponto percentual na probabilidade de adoção de veículos elétricos.
“Embora a magnitude desses efeitos pareça pequena, eles são relativamente grandes em comparação com as probabilidades básicas de 1% para a energia solar fotovoltaica e 0,44% para a adoção de veículos elétricos”, diz o artigo científico. “Em outras palavras, uma nova instalação de solar a 100 metros de distância de uma residência leva a um aumento significativo tanto na probabilidade de adoção de um sistema fotovoltaico quanto um EV em 2% e 2,3%, respectivamente”.
Quando o painel solar
fotovoltaico está a menos de 10 metros de uma residência, a pesquisa constatou
que a probabilidade de adoção de sistemas solares aumenta 20% e de EV em 23%.
“No geral, nossa pesquisa
sugere que os benefícios da adoção do sistema solar fotovoltaico residencial
vão além do sistema solar fotovoltaico em residências, pois isso incentiva
outras residências a agirem de forma mais pró-ambiental”, explicaram Janzen e Biger.
Eles também disseram que
esperam ver influências semelhantes de pares no comportamento energético das
residências em outros mercados nacionais, apontando para pesquisas anteriores
dos EUA e de outros países europeus que descobriram que a adoção da energia
solar fotovoltaica tende a se agrupar geograficamente.
“Estamos entre os primeiros a documentar um impacto no consumo de eletricidade das famílias vizinhas, mas não vemos motivo óbvio para que esse efeito seja exclusivo da Suíça”, acrescentaram Janzen e Biger. “Dito isso, a magnitude e a natureza desses transbordamentos provavelmente dependem do contexto local”.
Análises adicionais simularam padrões de adoção contrafactual ao atribuir aleatoriamente sistemas solares fotovoltaicos a telhados privados na região do estudo, para ilustrar as implicações econômicas das mudanças comportamentais estimadas. Essa simulação constatou que a instalação de um sistema solar PV adicional pode gerar mediana 0,07 sistemas solares fotovoltaicos adicionais, 0,05 veículos elétricos adicionais e 3,7 MWh de economia anual de eletricidade por meio dos efeitos entre pares apresentados na pesquisa.
Janzen e Bigler disseram à pv
magazine que suas conclusões indicam que os formuladores de políticas devem
levar em conta os efeitos locais ao avaliar políticas que incentivam a adoção
de energia solar fotovoltaica residencial.
Energia solar é uma das
alternativas em prol do clima e Brasil já apresenta bons resultados nessa área.
As
políticas em torno da adoção residencial de energia solar fotovoltaica poderiam
buscar aproveitar essas dinâmicas sociais locais, acrescentaram.
“Por exemplo, campanhas de
informação poderiam destacar a adoção solar nos bairros e facilitar as trocas
entre residências que já instalaram sistemas fotovoltaicos e aquelas que estão
considerando fazê-lo”, acrescentaram Janzen e Biger. “Pesquisas anteriores
sobre essas campanhas nos EUA sugerem que aproveitar as interações sociais
pode, de fato, incentivar a adoção da energia solar fotovoltaica”.
(pv-magazine-brasil)





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