quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Energização na SE Rio Grande II traz RAP de R$ 5,8 milhões para Taesa

A eficiência energética vem ganhando relevância no planejamento do setor elétrico brasileiro diante do avanço do consumo e da necessidade de ampliar a oferta de energia de forma mais eficiente. Nesse contexto, em vez de depender exclusivamente da construção de novas usinas, linhas de transmissão e redes de distribuição, o país pode reduzir a pressão sobre a infraestrutura existente por meio do uso mais racional da eletricidade.

Além disso, o potencial ainda não aproveitado é expressivo e está distribuído entre diferentes setores da economia. Nesse campo estão a indústria, comércio, serviços, residências e infraestrutura. De acordo com estimativas do planejamento energético, medidas de eficiência podem proporcionar ganhos relevantes nos próximos anos. E assim, reduzir o desperdício, além de contribuir para atender parte do crescimento da demanda sem a necessidade de uma expansão equivalente da oferta.

Os números mostram a dimensão desse potencial. O PDE 2035, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima ganhos de cerca de 20 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) em eficiência até 2035. Além disso, a projeção para o setor elétrico chega a 53 TWh. No longo prazo, o PNE 2055 aponta para uma redução de até 25% no consumo energético, equivalente a aproximadamente 200 milhões de tep. Ademais, no âmbito do Procel, as ações apoiadas pelo programa proporcionaram, somente em 2024, economia estimada de 23,79 bilhões de kWh. Ou seja, cerca de 4,24% do consumo nacional de eletricidade.

Taesa ganha RAP adicional de R$ 5,8 milhões, após energização de reforço

Taesa passa a receber receita anual permitida adicional pela energização do 3º banco de autotransformadores da SE Rio Grande II; valor terá efeito retroativo e será revisado em 2029.

A Taesa (BOV:TAEE11) informou que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu os Termos de Liberação referentes ao 3º banco de autotransformadores da Subestação Rio Grande II, parte da concessão São Pedro Transmissora de Energia. Com a energização do equipamento, a companhia passa a ter direito a uma Receita Anual Permitida (RAP) adicional de aproximadamente R$ 5,8 milhões no ciclo 2026-2027.

O valor já considera PIS/Cofins e corresponde a 100% da RAP autorizada para o reforço. Segundo a Taesa, a receita terá efeitos retroativos referentes ao período entre 14 e 21/08/2026, o que adiciona uma contribuição financeira ao negócio de transmissão de energia da companhia.

A notícia reforça a importância dos projetos de reforços e melhorias para a geração de receita da Taesa. Embora o valor de R$ 5,8 milhões seja pequeno diante do porte da companhia, a entrada em operação de ativos regulados amplia a capacidade da empresa de capturar receitas vinculadas à infraestrutura de transmissão de energia elétrica.

A Taesa destacou, porém, que a RAP adicional possui caráter provisório. O valor estará sujeito à próxima Revisão Tarifária Periódica (RTP) da concessão São Pedro, prevista para ocorrer em 2029. Portanto, a remuneração atualmente autorizada ainda poderá ser revisada no processo regulatório.

“É importante ressaltar que essa RAP tem caráter provisório e está sujeita à próxima Revisão Tarifária Periódica (RTP) desta concessão, que ocorrerá em 2029”, explicou a Taesa.

Os papéis terminaram em 25/08/26 estáveis em R$ 38,86, sem variação percentual. No momento da publicação, portanto, ainda não há preço de abertura ou máxima e mínima do pregão de 26/08/26. O mercado deverá avaliar o impacto da nova RAP sobre as receitas futuras da Taesa, especialmente levando em conta que o valor é provisório e poderá ser alterado na RTP de 2029. Nas últimas 52 semanas, TAEE11 apresenta faixa entre R$ 33,77 e R$ 46,11, mostrando que a ação ainda está abaixo da máxima registrada no período. Para quem acompanha as ações Taesa, o comportamento do papel após a abertura poderá indicar o peso atribuído pelo mercado à nova receita regulada.

A Taesa — Transmissora Aliança de Energia Elétrica — atua no segmento de transmissão de energia elétrica, operando concessões responsáveis pela infraestrutura que transporta eletricidade pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). O modelo de negócios é baseado principalmente em receitas reguladas, como a RAP, o que faz com que novos reforços, melhorias e entrada em operação de instalações sejam acompanhados de perto pelo mercado.

A evolução da RAP é um dos pontos relevantes para avaliar a geração de caixa e a capacidade de distribuição de proventos da companhia.

A energização do novo equipamento adiciona uma fonte de receita à concessão São Pedro, ainda que de forma provisória. Para o acionista, o principal ponto de atenção será acompanhar como essa RAP será incorporada aos resultados da Taesa e, posteriormente, como ficará após a revisão tarifária prevista para 2029.
Operação do 3º banco de autotransformadores da concessão São Pedro amplia margem do subsistema Sul e gera receita retroativa a agosto/26. (cenarioenergia)

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