Principais Vetores e
Impactos:
Data Centers e IA: O consumo
de energia por data centers pode dobrar até 2030, com servidores de IA
crescendo 30% ao ano.
Economias Avançadas: Após
anos de estagnação, o consumo elétrico nesses países voltou a crescer,
respondendo por cerca de um quinto do aumento global até 2030.
Renováveis e Nuclear: A
Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a participação de renováveis
e nuclear na matriz mundial aumentará significativamente, acompanhando o
crescimento do gás natural.
Brasil: O consumo de
eletricidade no país deve crescer, em média, 3,3% a 3,4% ao ano até meados da
década de 2030, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Carvão e Petróleo: A demanda
por carvão atingiu um patamar estável e pode cair até 2030, enquanto o petróleo
deve se estabilizar no mesmo período.
O relatório Electricity 2026
destaca que esse ritmo acelerado exige investimentos robustos em redes
elétricas para suportar a carga.
O documento projeta que o
Brasil terá um crescimento de demanda por energia elétrica acima de 3% em 2026
e acima de 2% durante o restante da década, ficando acima de outros países das
Américas, que deve ficar em média em 2% ao ano. Na região, a demanda por
eletricidade cresceu 2,1% em 2025, em comparação com 2,8% no ano anterior,
quando ondas de calor intensas em vários países aumentaram o consumo. Por outro
lado, um clima mais ameno contribuiu para a moderação do crescimento da demanda
em 2025, especialmente no Brasil e no México.
Eventos climáticos extremos,
como ondas de calor e invernos mais frios ou mais quentes, continuarão a afetar
significativamente os picos de carga e a demanda na região, injetando níveis
mais altos de volatilidade nas previsões.
Os Estados Unidos, o segundo
maior consumidor de eletricidade do mundo depois da China, serão responsáveis
por mais de 60% do crescimento nas Américas durante o período de previsão. A
expansão massiva de centros de dados, impulsionada pelo crescimento acelerado
da IA e dos serviços em nuvem, aumenta a demanda na região, especialmente nos
Estados Unidos, onde representam mais da metade do aumento total até 2030,
enquanto Brasil, Canadá, Chile e México também estão se consolidando como
atores importantes.
Segundo o relatório, lançado
em 06/02/26, a demanda por eletricidade deverá crescer pelo menos 2,5 vezes
mais rápido que a demanda total de energia até 2030, à medida que a “Era da
Eletricidade” se consolida. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento do uso
industrial de eletricidade, pela crescente adoção de veículos elétricos, pelo
maior uso de ar-condicionado e pela expansão de data centers e inteligência
artificial.
O relatório constata que a
geração global de eletricidade a partir de fontes renováveis – impulsionada
pela implantação recorde de energia solar fotovoltaica – está agora em processo
de ultrapassar a geração a partir do carvão, depois de praticamente igualá-la
em 2025, com base nos dados mais recentes disponíveis. A produção de energia
nuclear também atingiu um novo recorde. O impulso em torno das fontes de
geração de baixa emissão continua até 2030, altura em que as energias
renováveis e a energia nuclear deverão, juntas, gerar 50% da eletricidade
global, contra 42% atualmente.
A produção de energia a gás natural também deverá crescer até 2030, impulsionada pelo aumento da demanda por eletricidade nos Estados Unidos e pela contínua substituição do petróleo pelo gás natural na geração de energia no Oriente Médio. A geração de energia a carvão perde espaço globalmente com a expansão das energias renováveis, retornando aos níveis de 2021 até o final da década. Como resultado, espera-se que as emissões globais de CO2 provenientes da geração de eletricidade permaneçam praticamente estáveis entre agora e 2030.
Expansão da rede e flexibilidade de sistemas
O relatório enfatiza que
essas tendências – demanda crescente, uma matriz energética cada vez mais
dependente das condições climáticas e a evolução dos padrões e tecnologias de
consumo de eletricidade – exigem uma expansão rápida e eficiente tanto das
redes elétricas quanto da flexibilidade do sistema. Atualmente, mais de 2.500
gigawatts em projetos – incluindo energias renováveis, armazenamento e projetos
com grandes cargas, como data centers – estão paralisados em filas de conexão
em todo o mundo.
Uma nova análise do relatório
conclui que, à medida que a expansão das redes elétricas avança, a implantação
de tecnologias que aprimoram a rede e a implementação de reformas regulatórias
que permitam conexões e uso mais flexíveis da rede podem viabilizar a
integração no curto prazo de até 1.600 gigawatts de projetos em espera. Juntas,
essas medidas permitiriam que a rede fosse usada com mais eficiência e
liberariam uma capacidade substancial.
“Em um momento de significativa incerteza nos mercados de energia, uma certeza é que a demanda global por eletricidade está crescendo muito mais fortemente do que na última década. Nesta Era da Eletricidade, o aumento no consumo global de energia até 2030 deverá ser equivalente a mais de duas Uniões Europeias”, afirmou Keisuke Sadamori, Diretor de Mercados e Segurança de Energia da Agência Internacional de Energia (IEA). “Atender a essa demanda exigirá um aumento de 50% nos investimentos anuais em redes elétricas até 2030. A expansão da flexibilidade também será crucial à medida que as redes de energia continuam a evoluir – assim como um forte foco em segurança e resiliência”.
Armazenamento
O relatório constata que as
instalações de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços
públicos aumentaram acentuadamente, proporcionando uma importante fonte de
flexibilidade a curto prazo. Mercados como Califórnia, Alemanha, Texas,
Austrália do Sul e Reino Unido registraram um forte crescimento na implantação
de capacidade de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços
públicos nos últimos anos.
Segundo o relatório, são
necessários maiores esforços para melhorar a segurança e a resiliência dos
sistemas de energia em todo o mundo, que enfrentam riscos crescentes associados
à infraestrutura obsoleta, eventos climáticos extremos, ameaças cibernéticas e
outras vulnerabilidades emergentes. Modernizar o funcionamento dos sistemas,
bem como fortalecer a proteção física da infraestrutura crítica, será essencial
para combater essas ameaças, enfatiza o relatório. (pv-magazine-brasil)





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