domingo, 30 de agosto de 2026

O carro elétrico vai pressionar a demanda por combustíveis?

Andando por cidades como São Paulo e Brasília, é impossível não notar como os carros elétricos estão ganhando espaço nas ruas. Lideradas pela BYD e a GWM, as vendas dos elétricos acabam de atingir 50 mil unidades por mês no país, levando os analistas do Citi a se debruçar sobre uma questão cada vez mais premente: como isso afetará o mercado de combustíveis e as empresas do setor?

A conclusão é que o impacto “já é real e crescente” apesar de ainda modesto. No longo prazo, porém, o tema deveria acender “uma luz amarela” para empresas como Vibra e Ultrapar, além de grupos de etanol como São Martinho, Jalles e Adecoagro.

“Em 2025, estimamos que os veículos elétricos (EVs) substituíram cerca de 0,7 bilhão de litros (em uso de etanol e gasolina), só 1% da demanda doméstica”, escreve a equipe liderada por Gabriel Barra. “Mas a dinâmica sugere que isso deve acelerar, e o mercado pode estar subestimando o quão rápido um ponto de inflexão está se aproximando”.

O Citi projeta que o deslocamento de demanda poderia atingir 5 bilhões de litros em 2030, ou 8% do consumo de gasolina e etanol em seu cenário-base, saltando para 9 bilhões de litros em 2040, ou 14% do total.

Isso poderia fazer a demanda por esses combustíveis ter seu pico em 2026, iniciando uma ligeira retração que levaria os volumes em 2040 para 8% abaixo do nível atual. Em um cenário mais agressivo, de penetração mais forte dos EVs, o uso de gasolina e etanol poderia cair em 2040 para 27% abaixo do pico.

A aceleração do movimento, principalmente após 2030, chama a atenção mais do que os números em si, disseram os analistas do Citi, sugerindo que o impacto sobre o setor de combustíveis será gradual, mas “se tornará estrutural ao longo do tempo”.

As projeções levam em conta uma penetração dos carros elétricos no país chegando a 47% das novas vendas em 2035, em linha com a média global. Um cenário de adoção mais rápida, usando a China como referência, poderia levar essa participação a 68% no período.

A demanda brasileira por gasolina e etanol só seguiria crescendo em um cenário mais conservador, em que a adoção dos elétricos estagnaria em 10% das novas vendas a partir de 2030.

O efeito sobre o uso dos combustíveis é gradual porque as vendas de novos EVs demoram para se refletir na frota total, um fenômeno visto em todos os países, até na China. Lá, 55% dos carros que saem das lojas são EVs, porém a penetração na frota é de 13% – um nível que o Brasil deve alcançar só em 2040.

Além disso, o mix de vendas no Brasil é principalmente de híbridos plug-in, o que significa que o deslocamento da demanda de combustíveis é menor que em outros países em que a adoção dos 100% elétricos é maior.

O Citi ainda incluiu em suas contas o recente aumento da tarifa de importação de elétricos para 35%, embora avaliando que a estratégia de players como a BYD, que investiu em uma fábrica local, pode compensar a maior parte do impacto da taxação.

A tendência, assim, é que o crescimento dos elétricos mude a relação entre o consumo de gasolina e etanol e o PIB no país, com a demanda pelos combustíveis passando a cair mesmo com a economia crescendo.

Isso inclusive já começa a ser visível em algumas cidades – em Brasília, por exemplo, a segunda capital com maior participação de elétricos nas vendas, a demanda por etanol e gasolina recuou em 2025. Em São Paulo, a líder em EVs, e no Rio de Janeiro ela tem ficado estável e abaixo dos picos já registrados.

“No longo prazo, uma mudança estrutural está a caminho”, escreveram os analistas. “O cenário não é bom para a demanda”. (biodieselbr)

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Solar atende 20% da demanda da União Europeia por 3 meses consecutivos

A energia solar supriu mais de 20% da demanda elétrica da União Europeia por três meses consecutivos, entre maio e julho de 2026.

Essa marca histórica foi registrada pela primeira vez pelo Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE através da plataforma Energy-Charts.
Dados compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE) mostram que a energia fotovoltaica supriu mais de 20% da demanda de eletricidade da União Europeia em maio (20,3%), junho (21,1%) e julho (21,5%) de 2026, alcançando essa marca por 3 meses consecutivos pela primeira vez na história do bloco.

Destaques por País

• Alemanha: Ultrapassou 30% de atendimento solar na demanda por 3 meses seguidos (30,3% em maio, 30,4% em junho e 31,6% em julho).

• Letônia: Bateu o recorde do bloco ao suprir 49% da demanda do país com energia solar em junho.

• Espanha e Grécia: Mantiveram marcas acima de 35% de atendimento solar ao longo do trimestre de maio a julho.

• França e Itália: Permaneceram com índices abaixo da média geral da União Europeia no período.

Dados compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE) mostram que a energia fotovoltaica respondeu por mais de 20% da demanda de eletricidade da União Europeia em maio, junho e julho pela primeira vez. A Letônia estabeleceu um novo recorde no bloco, com a geração solar atendendo 49% da demanda de eletricidade do país em junho.

A participação da energia solar na demanda de eletricidade dos 27 Estados-membros da União Europeia ultrapassou 20% pela primeira vez durante 3 meses consecutivos, de acordo com dados da plataforma Energy-Charts compilados pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE).

A Energy-Charts calculou uma participação de 20,3% em maio, 21,1% em junho e 21,5% em julho. Como o mês de julho ainda não foi concluído integralmente, os números podem sofrer pequenos ajustes, mas os analistas afirmam que isso não deve alterar o recorde.

No mesmo período do ano passado, a participação da energia solar na demanda de eletricidade da UE variou entre 17,3% e 18,8%.

Recordes na Alemanha, Suíça e Áustria

Os dados por país revelam uma série de novos recordes. Na Alemanha, a participação da energia solar na demanda de eletricidade superou 30% pela primeira vez e permaneceu acima desse patamar durante 3 meses consecutivos. Pesquisadores do Fraunhofer registraram uma participação de 30,3% em maio, 30,4% em junho e um índice preliminar de 31,6% em julho. O resultado de julho representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, quando as condições climáticas limitaram a energia fotovoltaica a uma participação de 22,6% na demanda de eletricidade.

Na Suíça, o patamar de 25% foi superado e mantido pela primeira vez ao longo de 3 meses consecutivos. A Energy-Charts registrou uma participação da energia solar de 25,8% em maio, 25,3% em junho e 26,5% em julho. Nos mesmos meses do ano passado, a fonte respondeu por entre 19,1% e 21,8% da demanda de eletricidade.

A Áustria também estabeleceu novos recordes, alcançando uma participação histórica da energia fotovoltaica de 23,3% na demanda de eletricidade em maio. Em junho, o índice foi de 22,5% e, em julho, a Energy-Charts registrou 21,9%. Os 3 resultados superaram o recorde anterior, de 20,3%, registrado em junho de 2025, quando o país ultrapassou pela primeira vez a marca de 20%.

Países bálticos lideram participação da energia solar

A Letônia registrou a maior participação da energia solar já observada na União Europeia, com a geração fotovoltaica atendendo 49% da demanda de eletricidade em junho. Os países vizinhos, Lituânia e Estônia, também apresentaram resultados expressivos, alcançando 44,7% e 35,8%, respectivamente, no mesmo mês.

O crescimento da Letônia é particularmente notável. A participação da energia solar no país já havia alcançado 34,9% em abril e subiu para 40% em maio. Para julho, a Energy-Charts estima um índice de 38,9%. Como comparação, no mesmo período do ano passado, os valores variaram entre 13,7% e 18,9%.

Participações elevadas na Espanha, Grécia e Bulgária

Na Espanha, a participação da energia fotovoltaica na demanda de eletricidade permaneceu acima de 35% durante todo o período de 3 meses pela primeira vez. O maior índice foi registrado em junho, quando a fonte respondeu por 36,9% da demanda de eletricidade. O resultado ficou mais de 5 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior.

Níveis semelhantes foram registrados na Grécia, onde a participação da energia solar também permaneceu acima de 35% entre maio e julho, representando um aumento superior a 7 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Na Bulgária, por sua vez, a participação da energia solar, assim como na Alemanha, também superou 30% entre maio e julho.

França e Itália permanecem abaixo da média da UE

A França também registrou avanço, mantendo um crescimento de cerca de 2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, os índices permanecem abaixo da média da União Europeia. A energia solar atingiu sua maior participação histórica na demanda de eletricidade em julho, com 14,6%. Em junho, o índice foi de 13,6%, enquanto maio registrou 12,6%, igualando o recorde anterior, estabelecido em julho de 2025.

Assim como a França, a Itália também permaneceu abaixo da média da União Europeia. De acordo com a Energy-Charts, o país registrou sua maior participação histórica da energia solar na demanda de eletricidade em maio, com 19,5%. Em julho, porém, o índice caiu para 16,7%, enquanto em junho foi de 18,5%. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Vendas de carros elétricos crescem mesmo com mercado automotivo global em queda

As vendas globais de carros elétricos cresceram 35% no segundo trimestre de 2026, impulsionadas pela crise energética no Oriente Médio, enquanto o mercado automotivo geral recuou cerca de 5%. Países como Brasil, Índia, Coreia do Sul e Vietnã dobraram seus emplacamentos no período.

Cenário Global e Demanda

• Mais de 9 milhões de veículos eletrificados foram comercializados no 1º semestre/2026.

• O avanço compensou a queda inicial do ano, com alta anual de 4% no 2º trimestre/2026.

• A volatilidade nos preços do petróleo forçou a transição em mais de 50 mercados com recordes de vendas.

Destaque no Brasil

• O mercado nacional registrou alta expressiva, com vendas de eletrificados disparando acima de 100% no semestre.

• A expansão da oferta e a concorrência de novas marcas impulsionaram os números locais a patamares recordes.

A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que os carros elétricos alcancem 29% do total de vendas de automóveis no mundo em 2026 e destaca o Brasil como um dos mercados que dobraram as vendas no segundo trimestre.

O Brasil está entre os mercados que praticamente dobraram as vendas de carros elétricos desde o início da atual crise energética, na comparação entre março e junho/2026 com o mesmo período de 2025. O dado consta do relatório “Electric Car Markets in a Time of Uncertainty”, divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEa), que também aponta Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã nessa mesma condição.

No cenário mundial, as vendas de elétricos cresceram 4% na comparação anual no 2º trimestre de 2026 e ficaram 35% acima do primeiro trimestre, compensando quase toda a queda do início do ano. Já o mercado automotivo global como um todo recuou cerca de 5% no primeiro semestre, puxado pela retração em China e Estados Unidos. Com isso, os elétricos alcançaram 24% das vendas globais de automóveis no período, e a AIE projeta que essa fatia chegue a 29% ao longo de 2026.

China perde no mercado interno, mas dispara nas exportações

As vendas totais de automóveis na China caíram mais de 20% no 1º semestre de 2026, uma retração de cerca de 2,5 milhões de unidades. Para compensar, as exportações chinesas de carros cresceram 65% no período, e as de elétricos avançaram mais de 120%, elevando a participação dos elétricos nas exportações do país de 35% para mais de 45%.

A AIE observa ainda um descompasso entre exportações e vendas registradas no exterior: mais de 1 milhão de elétricos exportados pela China nos últimos 18 meses ainda não constam como vendidos em outros países, o que sugere acúmulo de estoques em alguns mercados de destino.

Montadoras tradicionalmente focadas em motores a combustão respondem por 98% das vendas desse tipo de veículo, mas apenas 55% das vendas globais de elétricos — reflexo do avanço das fabricantes chinesas, especialmente em mercados emergentes. Segundo a AIE, essa liderança se apoia em cadeias de suprimento integradas, forte capacidade em baterias e custos de produção cerca de 35% menores que os das economias avançadas, o que deve pressionar governos e indústria a reforçar inovação e competitividade nos próximos anos. (pv-magazine-brasil)

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Consumidores escolhem a energia solar ao combustível fósseis

Por que os consumidores estão escolhendo a energia solar em vez dos combustíveis fósseis.
Os consumidores estão escolhendo a energia solar em vez dos combustíveis fósseis devido à grande economia financeira na conta de luz, à sustentabilidade ambiental e à independência energética.

Economia e Custos

• Redução na fatura: O uso de sistemas próprios pode cortar os gastos com eletricidade em até 90% ou 95%.

• Queda no preço da tecnologia: O valor para fabricar e instalar painéis solares ficou muito mais barato nos últimos anos.

• Retorno rápido: O dinheiro investido na instalação se paga em poucos anos com o que deixa de ser pago à rede elétrica tradicional.

Meio Ambiente e Sustentabilidade

• Energia limpa: A luz do sol gera eletricidade sem soltar gases poluentes na atmosfera, ajudando a travar o aquecimento global.

• Recurso infinito: Diferente do petróleo e do carvão, que vão acabar um dia, a luz do sol é abundante e nunca esgota.

Autonomia

• Menos crises de preço: Os combustíveis fósseis mudam de preço o tempo todo por causa de guerras e problemas no mundo. A energia solar dá liberdade para produzir a própria luz em casa.

Pessoas ao redor do mundo perceberam que energia renovável é uma fonte de estabilidade econômica local e segurança energética, especialmente quando está em seus telhados, com uma pesquisa global recente mostrando que 2 em cada 3 pessoas agora apoiam investimentos em energia renovável e armazenamento.

Pessoas ao redor do mundo perceberam que a energia renovável é uma fonte de estabilidade econômica local e segurança energética, especialmente quando está em seus telhados.

2 em cada 3 pessoas agora apoiam investimentos em energia renovável e armazenamento. Ainda mais revelador, as fazendas solares – às vezes um campo de batalha para a oposição local – estão agora consistentemente se mostrando mais populares nas áreas locais do que qualquer outra forma de geração de energia.

Isso de acordo com dados recentes do Ipsos Energy Transition Barometer 2026 – uma pesquisa global realizada em 31 países – oferece um choque de realidade que os formuladores de políticas ignoram por sua conta e risco.

À medida que a turbulência geopolítica novamente provoca ondas de choque nos mercados globais de petróleo e energia, elevando os custos na bomba e na rede, pessoas ao redor do mundo estão percebendo uma verdade inescapável: segurança energética é sinônimo de segurança econômica.

Os números principais são contundentes: 3 em cada 4 pessoas no mundo estão preocupadas com o aumento dos custos de energia, e metade foi forçada a cortar outros itens essenciais apenas para manter as luzes acesas.

Esta é uma conversa sobre a saúde financeira imediata de lares e empresas. Sobre as contas de energia e gasolina deles, este mês e no próximo. É agora.

Por anos, o debate sobre energia tem sido enquadrado sob a ótica da necessidade ambiental. Isso, claramente, não é mais o principal motor para o público.

Se aceitarmos que os clamores do público são por preços mais baixos e maior independência energética, então devemos aceitar que o status quo de energia volátil, cara e importada, que precisa ser reimportada a cada poucos dias, é um fracasso.

Os dados da Ipsos mostram que o apetite por mudanças é maior do que muitos tomadores de decisão supõem.

Um claro 60% das pessoas agora apoia a independência energética.

As pessoas perceberam que depender de mercados globais voláteis, e das tensões geopolíticas que vêm com eles, é uma receita para a fragilidade econômica.

A ansiedade em relação à dependência de energia estrangeira disparou para 70%, impulsionada pelo medo imediato e concreto de choques de preços e oferta de energia induzidos por conflitos.

Então, como atendermos à demanda do público por preços baixos e segurança? A resposta, cada vez mais, está sentada em nossos telhados, nos quintais e nos espaços abertos ao redor das nossas cidades.

E é por isso que o Global Solar Council lançou uma nova parceria com o Global Covenant of Mayors on Energy & Climate para turbinar a energia solar residencial em telhados e armazenamento em 14.000 cidades ao redor do mundo.

Para residências e pequenos negócios, o caminho para contas mais baixas é cada vez mais a energia solar e o armazenamento em baterias nos telhados.

Ao gerar sua própria energia e armazená-la para quando os preços estiverem mais altos, as famílias podem se proteger dos picos de preços causados longe de casa.

Quando defendemos a implantação em massa de energia solar e baterias, não estamos apenas defendendo o aumento da capacidade de geração, mas também a democratização da energia. Para resiliência. Para autossuficiência.

Estamos colocando a capacidade de cortar as contas de energia diretamente nas mãos do consumidor, e de uma forma que significa que eles verão os benefícios no próximo mês. Construir sistemas de energia confiáveis enraizados na geração doméstica em vez de mercados de commodities em montanha-russa.

Sob essa perspectiva, roteiros nacionais para a transição da energia tradicional não são mais iniciativos verdes opcionais; São as políticas econômicas mais eficazes disponíveis para nós.

Seja incentivo eficientes para bombas de calor – apoiados por 58% do público – ou a implementação da energia solar e do armazenamento, as pessoas estão sinalizando que querem sair da esteira dos combustíveis fósseis. Eles estão cansados de ser reféns dos preços globais da energia que não podem controlar.

O apoio à energia renovável e à eletrificação é profundo e amplo em muitos dos maiores países da Europa, Ásia e Américas.

Governos e tomadores de decisão desses países precisam entender a profundidade dessa mudança na opinião pública e reconhecer que a transição energética é um imperativo econômico para a segurança e a acessibilidade energética.

Se quisermos construir um consenso que dure, precisamos começar a conversar com as pessoas sobre seus projetos de lei e o que pode ser feito para cortá-los. Em países que são democracias, e naqueles que não são.

Com o impacto econômico do nosso modelo energético atual se tornando cada vez mais difícil de ignorar, a transição para energia limpa já é uma aceleração já em andamento.

Os dados mostram que o público está pronto para abraçar a energia renovável, porque percebe que é a forma mais inteligente de manter as luzes acesas, os custos baixos e sua independência segura.

A tecnologia está pronta e a economia é convincente. É hora da política se atualizar.

Autora: Sonia Dunlop é CEO do Global Solar Council, onde representa a indústria mundial de energia solar fotovoltaica e armazenamento em baterias junto a formuladores de políticas, órgãos de normalização e o público.

Nota sobre a pesquisa do Ipsos Energy Transition Barometer 2026: A pesquisa representa os resultados de uma pesquisa realizada pela Ipsos em 31 países com mais de 46.000 adultos: Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Japão, Malásia, México, Holanda, Nova Zelândia, Peru, Polônia, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Tailândia, Turquia e Estados Unidos. (magazine-brasil)

sábado, 22 de agosto de 2026

Engenheiros mexicanos criam sistema agrivoltaico com captação de água da chuva

Engenheiros mexicanos criam sistema agrivoltaico com captação de água da chuva e irrigação inteligente.
Estudantes e engenheiros mexicanos criaram o SolarRoot, um projeto agrivoltaico inovador que junta geração de energia solar, cultivo de alimentos, captação de água da chuva e irrigação inteligente. Detalhes adicionais sobre a novidade foram reportados pelo pv magazine Brasil.

O Projeto SolarRoot

• Objetivo principal: Produzir eletricidade e alimentos no mesmo espaço de terra, sem precisar de áreas separadas para cada função.

• Tecnologias usadas: Combina painéis fotovoltaicos para gerar energia limpa com plantações agrícolas.

• Gestão da água: Possui captação de água da chuva ligada a um sistema de gotejamento subterrâneo guiado por sensores de umidade.

• Premiação: O projeto conquistou o primeiro lugar na competição internacional Invent for the Planet, realizada pela Faculdade de Engenharia da Texas A&M University.

• Status atual: Trata-se de uma proposta de engenharia em fase de testes e avaliação, com um projeto-piloto ainda por ser construído.

A proposta agrivoltaica do grupo, denominada SolarRoot, integra geração fotovoltaica, cultivo agrícola, captação de água da chuva e um sistema de irrigação por gotejamento subterrâneo controlado por sensores de umidade.

Esquema do sistema SolarRoot | Imagem: Instituto de Tecnologia de Monterrey

Uma equipe de recém-formados da Escola de Engenharia e Ciências do Instituto de Tecnologia de Monterrey desenvolveu uma proposta inovadora de agricultura fotovoltaica.

Conhecido como SolarRoot, seu sistema combina módulos fotovoltaicos instalados acima das plantações com captação de água da chuva e uma rede subterrânea de irrigação por gotejamento. Sensores de umidade do solo determinam quando a irrigação é necessária e permitem que apenas o volume necessário de água seja fornecido às plantas.

A proposta também busca utilizar a sombra projetada pelos painéis solares para reduzir o estresse térmico nas culturas e minimizar a perda de água. Segundo seus desenvolvedores, o objetivo do SolarRoot é produzir eletricidade e alimentos sem dedicar áreas separadas a cada atividade.

O instituto não divulgou a produção prevista de energia fotovoltaica, o tipo ou número de módulos, a área de superfície necessária, as culturas que seriam usadas ou a quantidade de água que poderia ser recuperada. O projeto continua sendo uma proposta de engenharia em avaliação, com qualquer construção planejada de um projeto-piloto ainda por ser anunciada.

A SolarRoot ganhou o 1º lugar em uma competição internacional, Invent for the Planet, promovida pela Faculdade de Engenharia da Texas A&M University. A competição envolve oficinas de 48 horas em que equipes universitárias desenvolvem soluções para desafios relacionados à energia, meio ambiente, equidade de recursos e desenvolvimento social.

O projeto agora representará o campus dos formandos na Cidade do México na próxima fase da competição. Projetos que passarem por essa fase avançarão para a fase final da competição, programada para acontecer no Catar.
Um inventor rural indiano criou uma máquina que permite a agricultores cegos plantar, irrigar e cuidar da lavoura sozinhos usando sensores, alertas sonoros e energia solar. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Estudantes holandeses desenvolvem ambulância movida a energia solar

Alunos da Universidade de Tecnologia de Eindhoven desenvolveram ambulância movida a energia solar, combinando uma bateria de 50 kWh com 542 células solares e autonomia de até 715 km em estradas pavimentadas, enquanto alimenta os equipamentos médicos a bordo para atendimento de comunidades remotas.
A ambulância Stella Juva. | Imagem: Bart van Overbeeke

A Solar Team Eindhoven, uma equipe multidisciplinar de estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, desenvolveu uma ambulância movida a energia solar. Chamada Stella Juva, a equipe afirma que é a primeira ambulância movida a energia solar do mundo.

“A ambulância Stella Juva gera energia por meio dos painéis solares e usa essa energia tanto para acionar quanto para alimentar equipamentos médicos”, relatou a equipe. “Em um dia ensolarado, a ambulância solar pode percorrer 715 km. Isso significa que a prestação de cuidados médicos não depende da infraestrutura de recarga”.

A parte traseira do veículo conta com um aparelho de raio-X portátil e um ultrassom para gestantes

Segundo a equipe, o veículo tem autonomia de até 715 km em estradas pavimentadas e autonomia média off-road de 360 km, dependendo do terreno. Ele é alimentado por uma bateria de 50 kWh e 542 células solares, incluindo 326 integradas ao teto e 216 montadas em painéis solares extensíveis. O veículo mede 5 m por 1,9 m, pesa 1.350 kg e atinge velocidade máxima de 120 km/h.

A ambulância utiliza um inversor solar desenvolvido por conta própria com eficiência reportada de 97%.

Diferente de uma ambulância convencional, que transporta pacientes para um hospital, a Stella Juva foi projetada para levar serviços de saúde a comunidades remotas. Equipado com tomadas de energia integradas, pode operar equipamentos médicos, incluindo um refrigerador de vacinas e medicamentos, uma máquina portátil de raio-X, um ultrassom, um monitor de pressão arterial, um termômetro, um desfibrilador externo automático (DEA) e outros suprimentos de primeiros socorros.

A equipe estudantil planeja viajar ao Quênia em agosto para simular cenários de prestação de serviços de saúde usando o veículo.

🚑☀️ A ambulância solar que leva um hospital até áreas isoladas

O protótipo Stella Juva combina autonomia elétrica, equipamentos médicos e comunicação remota para levar atendimento essencial a comunidades distantes da rede elétrica e dos grandes hospitais.

🔋 Até 715 km de autonomia

Painéis solares e bateria permitem longas viagens sem depender de postos de combustível ou tomadas.

🩻 Clínica sobre rodas

Raio-X portátil, ultrassom, desfibrilador e exames rápidos ampliam o atendimento no próprio local.

💉 Vacinas sempre refrigeradas

A energia solar mantém a cadeia de frio ativa mesmo em regiões com fornecimento elétrico instável.

📡 Conexão com especialistas

Sistemas de comunicação permitem apoio remoto de médicos durante atendimentos em áreas afastadas.

💡 O grande teste agora é transformar o protótipo em uma solução de larga escala: o veículo precisa provar sua resistência em estradas difíceis e manter os equipamentos médicos funcionando com segurança por muitos anos.
“Junto com organizações de saúde, estamos desenvolvendo um veículo que se encaixa na prática do mundo real. Esperamos melhorar o acesso à saúde e torná-lo mais sustentável”, relatou Yarno Basten, gerente de parcerias da Solar Team Eindhoven. “Queremos inspirar provedores de saúde, empresas e outras organizações a criar impacto social por meio da tecnologia”. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Renováveis responderam por 86% da geração durante a Copa do Mundo

 Renováveis responderam por 86% da geração durante a Copa do Mundo, aponta NOS.
Copa do Mundo 2026: Renováveis garantem 86% da geração e ONS gerencia picos de carga

Durante a Copa do Mundo FIFA 2026, fontes renováveis supriram 86% da energia, com o ONS gerenciando picos de demanda.

Confirmado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), esse percentual refere-se ao balanço da operação especial durante a Copa do Mundo de 2026 no Sistema Interligado Nacional (SIN). A matriz limpa garantiu o suprimento e atendeu a oscilações bruscas, como as rampas de demanda de até 6.479 MW no fim das partidas.

O expressivo volume de energia limpa disponível exigiu até ações de limitação temporária da produção (curtailment) para manter a estabilidade da rede, como a redução de 20 GW durante a partida entre Brasil e Japão.

No jogo entre Brasil e Japão, a demanda por eletricidade registrou uma rampa de 12.783 MW, equivalente à carga média combinada do Paraná e de Minas Gerais; segundo o operador, o suprimento de energia transcorreu sem intercorrências durante todo o torneio.

No jogo entre Brasil e Japão, a demanda por eletricidade registrou uma rampa de 12.783 MW.

A Copa do Mundo FIFA 2026 transcorreu sem intercorrências no suprimento de energia elétrica, período em que as fontes renováveis responderam por 86% da geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo balanço divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

De acordo com o operador, o planejamento especial para o torneio permitiu atender com segurança às rápidas variações de carga provocadas pelos horários das partidas, especialmente durante o intervalo e o apito final dos jogos, momentos em que milhões de consumidores retomam simultaneamente o uso de eletrodomésticos e equipamentos elétricos.

O maior salto de demanda ocorreu na partida entre Brasil e Japão, quando a carga aumentou 12.783 MW, valor equivalente ao consumo médio combinado dos estados do Paraná e Minas Gerais (PR+MG). O ONS classificou esse comportamento como a maior rampa de carga registrada durante o campeonato.

Outras partidas da Seleção Brasileira também provocaram elevações expressivas na demanda. No confronto entre Escócia e Brasil, a rampa atingiu 8.546 MW, equivalente à carga média dos estados do Paraná e Bahia (PR+BA). Já no jogo entre Brasil e Noruega, foi registrada uma rampa de 7.128 MW, equivalente à carga média de Minas Gerais (MG). Em outro confronto contra a Noruega, a variação chegou a 7.011 MW, equivalente à carga média combinada do Rio de Janeiro e Rondônia (RJ+RO).

Segundo o ONS, outros jogos da Copa também exigiram atenção especial da operação do sistema elétrico. A partida entre Alemanha e Paraguai provocou uma rampa de 4.450 MW em apenas 20 minutos, enquanto o confronto entre Argentina e Cabo Verde registrou uma variação de 3.000 MW em 11 minutos.

Para garantir o atendimento seguro à demanda, o operador reforçou o monitoramento em tempo real do SIN e intensificou a coordenação com agentes de geração, transmissão e distribuição. Também foram realizados estudos específicos para antecipar diferentes cenários operativos, considerando o comportamento da carga, as condições meteorológicas e a disponibilidade das instalações do sistema.

Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o planejamento antecipado e a atuação coordenada entre os agentes do setor foram fundamentais para assegurar a confiabilidade do sistema durante todo o campeonato. “A realização da Copa do Mundo exigiu uma atuação coordenada e um acompanhamento permanente do sistema elétrico. O planejamento realizado previamente e a integração com os agentes permitiram que o atendimento à demanda ocorresse de forma segura durante todo o evento”, afirmou.

A Copa do Mundo de 2026 já mostra que o futuro do esporte também passa pela sustentabilidade. Com estádios investindo em energia renovável e eficiência energética, o futebol entra em campo. (pv-magazine-brasil)

Volkswagen levou 100 ovelhas para pastar sob 31.000 painéis solares

A Volkswagen levou 100 ovelhas para pastar sob 31.000 painéis solares e começou a mudar a forma como a energia é produzida.
Essa iniciativa na fábrica da Volkswagen em Września, na Polônia, é um exemplo brilhante de agrivoltaica (ou agro fotovoltaica). O rebanho de quase 100 ovelhas da raça Wielkopolska substitui os cortadores de grama mecânicos, mantendo o pasto aparado, reduzindo emissões e custos, e melhorando o microclima para a biodiversidade local.

O sistema faz parte de uma mudança na forma como as empresas pensam o uso da terra ao redor de usinas solares de grande porte. A central da VW possui mais de 31.000 painéis e capacidade de 18,3 megawatts, fornecendo uma parte substancial da energia usada na fabricação dos veículos.

Os benefícios dessa integração incluem:

• Manutenção Natural: As ovelhas comem o mato, eliminando o uso de máquinas barulhentas a combustão ou tratores.

• Impacto Ambiental Reduzido: Sem a passagem constante de veículos pesados, evita-se a compactação do solo e há menos emissão de poluentes.

• Sinergia Ecológica: A área sombreada pelos painéis cria um ambiente favorável para insetos e polinizadores, além de manter o solo mais úmido, beneficiando o pasto e o próprio ecossistema sob a estrutura.

Ovelhas substituem cortadores de grama em usina solar da Volkswagen.

Curiosidades

Cortador de grama de quatro patas: A Volkswagen substituiu máquinas cortadoras por cerca de 100 ovelhas para cuidar da vegetação sob 31 mil painéis solares.

Sombra que vira conforto: Assim como buscamos sombra em dias quentes, as ovelhas encontram abrigo embaixo dos painéis solares.

Lã de melhor qualidade: Pesquisadores notaram sinais de melhor saúde e pelagem nos animais que pastam entre os painéis solares.

Imagine trocar o barulho constante de um cortador de grama pelo balanço tranquilo de um rebanho pastando. Foi exatamente isso que a Volkswagen fez em uma de suas fábricas na Polônia, onde cerca de 100 ovelhas cuidam da vegetação por baixo de mais de 31 mil painéis solares. A cena parece simples, quase bucólica, mas esconde uma descoberta que está mudando a forma como pensamos a produção de energia renovável.

O que a ciência descobriu sobre a parceria entre ovelhas e painéis solares

A usina fica em Wrzesnia, na Polônia, e pertence à planta da Volkswagen em Poznań. Ali, cerca de 100 ovelhas da raça Wielkopolska pastam livremente entre fileiras de painéis solares espalhados por 27 hectares. É uma das maiores instalações fotovoltaicas ligadas a uma fábrica em toda a Europa.

Com mais de 31 mil painéis solares e capacidade de 18,3 megawatts, a estrutura fornece parte importante da energia usada na produção da Volkswagen. O modelo faz parte de uma tendência crescente chamada agro fotovoltaica, que une geração de energia e criação de animais no mesmo pedaço de terra.

Pastoreio solar une energia renovável e pecuária no mesmo terreno.

Como esse sistema funciona na prática

As ovelhas circulam devagar entre as fileiras de painéis solares, mantendo o capim baixo sem precisar de máquinas, combustível ou herbicidas. É como ter uma equipe de jardinagem que trabalha o dia inteiro e ainda recebe pagamento em forma de lã e boa alimentação.

Por serem menores do que vacas ou cabras, os animais têm muito menos chance de esbarrar ou danificar as estruturas metálicas. Assim, o terreno continua produtivo dos dois lados, servindo tanto para a pecuária quanto para a energia solar.

Lã, sombra e saúde: o que mais os pesquisadores encontraram

Além de manterem a grama sob controle, as ovelhas parecem sair ganhando com o arranjo. Nos dias mais quentes, elas encontram sombra embaixo dos painéis solares e certa proteção contra chuva e vento, o que ajuda a manter o bem-estar do rebanho.

Estudos preliminares em outras fazendas com o mesmo sistema já registraram animais com melhor estado de saúde e pelagem de qualidade superior. Ainda assim, os cientistas são cautelosos: faltam dados de longo prazo sobre os efeitos reais na biodiversidade e na recuperação do solo.

Pontos-chave do estudo

🐑. Ovelhas fazem o trabalho pesado

Substituem cortadores de grama tradicionais e cuidam da vegetação sob os painéis solares da Volkswagen.

️. Uma usina de 18,3 megawatts

A instalação reúne mais de 31 mil painéis solares e abastece parte da produção da fábrica na Polônia.

🔬. Ciência ainda investiga os efeitos

Pesquisadores acompanham se a sombra e o pastoreio trazem ganhos reais para o solo e a biodiversidade.

Cientistas de outras partes do mundo estudam esse mesmo modelo, conhecido como pastoreio solar. Um levantamento publicado no periódico Frontiers in Sustainable Food Systems, sobre como o pastoreio de ovelhas em usinas solares comerciais afeta a saúde do solo em comparação ao corte mecânico, pode ser consultado neste estudo, que reúne dados coletados diretamente em instalações reais.

Por que essa descoberta importa para você

Mesmo quem não mora perto de uma usina solar sente os efeitos desse tipo de inovação. Menos máquinas cortando grama significa menos ruído, menos combustível queimado e menos emissões, algo que ganha peso conforme o número de painéis solares instalados no mundo continua crescendo.

O modelo também abre uma porta econômica interessante. Pequenos produtores podem alugar terra ou prestar serviço de pastoreio para empresas de energia, unindo pecuária tradicional e energia renovável em um só negócio, sem que uma atividade precise excluir a outra.

Painéis solares também oferecem sombra para o rebanho.

O que mais a ciência está investigando sobre o pastoreio solar

Os próximos passos da pesquisa incluem entender qual a quantidade ideal de ovelhas por hectare, se a sombra dos painéis realmente reduz o estresse térmico dos animais em ondas de calor e como esse modelo pode ser replicado com segurança em outras grandes instalações industriais pelo mundo.

No fim das contas, a Volkswagen mostra que nem toda solução precisa ser high tech. Às vezes, um rebanho de ovelhas pastando em silêncio consegue resolver um problema que a engenharia sozinha ainda estava tentando descobrir como fazer. (brasil247)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Potencial multifuncional das energias ecovoltaica e da agrivoltaica

 Onde a energia solar encontra o solo: o potencial multifuncional da ecovoltaica e da agrivoltaica.

A ecovoltaica e a agrivoltaica propõem o uso compartilhado do solo, unindo a geração de energia limpa com a preservação ambiental ou produção agrícola. Enquanto a agrivoltaica eleva os painéis para cultivar alimentos e criar animais, a ecovoltaica usa o sombreamento para restaurar a vegetação nativa e atrair polinizadores.

Agricultura e Energia (Agrivoltaica)

Sistemas agrivoltaicos utilizam estruturas elevadas (geralmente acima de 2,5 metros) que permitem o trânsito de máquinas e o cultivo de plantações.

• Benefícios mútuos: O sombreamento parcial reduz o estresse hídrico das plantas e a temperatura do solo. Em contrapartida, a transpiração das plantas ajuda a resfriar os painéis solares, aumentando a eficiência na geração de energia.

• Aplicações: Culturas tolerantes à sombra, como hortaliças (alface, tomate), frutas vermelhas e pastagens para gado, são excelentes para esse tipo de consórcio.

Biodiversidade e Solo (Ecovoltaica)

Na ecovoltaica, o espaço sob e ao redor dos módulos solares é dedicado à regeneração da vegetação nativa e à criação de habitats ecológicos.

• Benefícios: Essa prática melhora a qualidade e a retenção de umidade do solo, além de criar corredores ecológicos que atraem polinizadores e aumentam a biodiversidade de insetos e aves na região.

• Estudos de campo: Pesquisas internacionais indicam que esse manejo regenerativo restaura ecossistemas locais sem comprometer a eficiência da captação solar.

Cenário de Implementação

Enquanto o uso duplo do solo já é explorado em diferentes países, como a China e nações europeias, no Brasil — com seu vasto território e clima tropical — iniciativas como as da Tecnologia Agrovoltaica do Instituto Fraunhofer estão adaptando esses modelos para a nossa realidade local.

À medida que a demanda global por energia aumenta, abordagens de uso múltiplo da energia solar, como a ecovoltaica e a agrivoltaica, demonstram que a integração de painéis fotovoltaicos com habitats nativos e áreas agrícolas pode gerar eletricidade renovável ao mesmo tempo em que promove a biodiversidade, conserva recursos hídricos e garante uma fonte estável de renda para os proprietários de terras.

Nos últimos 12 meses, o setor de energia passou por mudanças significativas à medida que a demanda aumentou, impulsionada, em parte, pelo crescimento do consumo de eletricidade por data centers, mineração de criptomoedas e veículos elétricos. Esse aumento ocorre em um contexto em que o governo federal dos Estados Unidos tem bloqueado ou desacelerado a construção de novos projetos de geração renovável e priorizado os combustíveis fósseis, responsáveis por 87% das emissões globais de dióxido de carbono. Enquanto o governo concentra esforços na expansão dessas fontes — como o investimento de US$ 625 milhões do Departamento de Energia para ampliar a produção de carvão —, a tecnologia solar fotovoltaica (FV) tornou-se mais eficiente e registrou uma redução de 88% nos custos de produção nos últimos 15 anos, consolidando-se como uma alternativa energética competitiva para diversos setores.

No setor agropecuário, a energia solar pode oferecer benefícios que os combustíveis fósseis não proporcionam. Além de gerar receitas adicionais para proprietários rurais, como agricultores e pecuaristas, os sistemas fotovoltaicos podem reduzir impactos sobre os ecossistemas e até contribuir para o aumento da biodiversidade em usinas solares.

Duas abordagens de uso múltiplo vêm sendo estudadas e implementadas para alcançar esses benefícios: a ecovoltaica e a agrivoltaica.
Ecovoltaica

O desenvolvimento de usinas solares frequentemente envolve a remoção da vegetação existente e a terraplenagem da área, eliminando praticamente todos os vestígios da flora nativa. Esse processo destrói sistemas radiculares e bancos de sementes, reduz a qualidade do solo e favorece a colonização por espécies vegetais exóticas, dificultando a restauração da biodiversidade original.

A ecovoltaica propõe uma abordagem diferente. Em vez de eliminar a vegetação, utiliza os painéis fotovoltaicos como fonte de sombreamento parcial para favorecer o crescimento de espécies vegetais nativas e promover a biodiversidade.

Um estudo realizado em Minnesota avaliou os efeitos de três usinas solares sobre a biodiversidade e constatou que o estabelecimento de um ecossistema de pradaria nativa sob os painéis fotovoltaicos melhorou a qualidade do solo, atraiu mais polinizadores, aumentou a abundância de espécies floríferas e ampliou a diversidade de grupos de insetos.

Outro estudo semelhante analisou 13 usinas fotovoltaicas distribuídas por diferentes estados da região Centro-Oeste dos Estados Unidos, com diferentes níveis de manejo da vegetação. Utilizando técnicas de monitoramento acústico passivo, os pesquisadores concluíram que os locais com manejo ecovoltaico abrigavam um número maior de aves em comparação com áreas vizinhas sem geração solar.

O Projeto Solar Gemini, em Las Vegas, Nevada, está inserido em um ecossistema bastante diferente das pradarias, mas apresentou resultados semelhantes aos observados em Minnesota. Como a área abriga espécies vegetais raras, as atividades de construção foram adaptadas para minimizar os impactos sobre o ambiente. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que a usina reduziria a sobrevivência dessas espécies. No entanto, verificou-se que as plantas nativas presentes no local cresceram mais e se tornaram mais abundantes do que aquelas encontradas em áreas externas ao empreendimento. Nesse caso, a construção da usina foi planejada levando em consideração o ecossistema local — e o ambiente acabou se beneficiando.

Esses estudos indicam que a ecovoltaica pode melhorar efetivamente a biodiversidade dos habitats e favorecer espécies vegetais nativas, resultado que tende a fortalecer a aceitação social de novos projetos solares.

Agrivoltaica

A maior parte dos sistemas fotovoltaicos é instalada em áreas destinadas exclusivamente à geração de eletricidade. A agrivoltaica, por sua vez, combina produção agrícola e geração solar na mesma área, prática conhecida como co-localização.

Esse modelo pode trazer benefícios importantes, pois elimina a necessidade de separar fisicamente a produção de alimentos da geração de energia renovável e, quando bem planejado, cria uma relação mutuamente vantajosa para ambas as atividades.

Em estados com disponibilidade limitada de terras para agricultura e geração renovável, a co-localização pode ser particularmente útil. Além disso, a agrivoltaica oferece uma fonte estável de renda durante períodos de volatilidade dos mercados agrícolas, especialmente em regiões que vêm reduzindo a disponibilidade de água para irrigação em cumprimento a políticas de conservação hídrica.

Embora a adoção da agrivoltaica ainda esteja em estágio inicial nos Estados Unidos, outros países já demonstraram seu potencial. No Japão, por exemplo, foram desenvolvidos arrozais capazes de manter elevada produtividade sob painéis solares.

Uma das modalidades da agrivoltaica consiste na integração entre painéis fotovoltaicos e áreas de pastagem. Conhecida como solar grazing, essa prática utiliza o mesmo terreno para geração de energia e criação de animais.

Um exemplo é o projeto híbrido Cornucopia, no condado de Fresno, Califórnia. A iniciativa integra os esforços do governo local para ampliar a oferta de energia renovável, manter atividades agrícolas e fortalecer a conservação das águas subterrâneas. O projeto prevê a instalação de uma usina solar com capacidade de 300 MW, permitindo simultaneamente o pastejo de ovelhas entre os painéis para controle da vegetação. Dessa forma, além de fornecer eletricidade renovável à rede regional, o empreendimento reduz o risco de incêndios provocado pelo acúmulo de vegetação e diminui a necessidade de pesticidas ou de outras formas de manejo vegetal.
Embora a integração de painéis fotovoltaicos com ecossistemas nativos, áreas agrícolas e pastagens ainda seja relativamente recente, essas abordagens demonstram um potencial significativo para otimizar o uso do solo e ampliar os benefícios associados à geração de energia renovável. (pv-magazine-brasil)