terça-feira, 4 de novembro de 2025

Petroleiras contribuem com apenas 1,4% dos projetos renováveis

Petroleiras contribuem com apenas 1,4% dos projetos renováveis, aponta a revista Nature Sustainability.

Petroleiras ficam para trás na transição energética: Estudo revela que 1,4% dos projetos renováveis no mundo têm participação do setor.

Dados apontam que apenas 20% das produtoras possuem algum projeto de energia renovável operando. No Brasil, empresas do setor detêm 2,82 GW de capacidade renovável, apenas 1,3% do total do país. Apesar dos anúncios, a Petrobras não tem nenhuma usina renovável em operação.
A indústria de combustíveis fósseis está muito longe de sua promessa de “liderar a transição energética”, de acordo com novo levantamento do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambientais da Universidade Autônoma de Barcelona (ICTA-UAB). O estudo mostra que as maiores empresas de petróleo e gás do mundo são responsáveis por apenas 1,42% dos projetos de energia renovável em escala global.

A pesquisa, recém-publicada na revista Nature Sustainability, desafia a narrativa dominante promovida pela indústria fóssil, que se apresenta agora como uma protagonista da luta contra a mudança climática por meio de projetos “verdes”.

Com base em dados do Global Energy Monitor, o estudo analisa as 250 maiores produtoras de petróleo e gás do mundo — responsáveis por 88% da produção global de hidrocarbonetos — e identifica 3.166 projetos únicos de energia eólica, solar, hídrica e geotérmica nos quais essas empresas possuem participação, seja direta, por meio de subsidiárias, ou via aquisições.

Os resultados mostram que apenas 20% dessas empresas possuem algum projeto de energia renovável em operação, e que as renováveis representam apenas 0,1% de sua produção primária de energia.

“As empresas de petróleo e gás simplesmente não estão investindo em renováveis como prometeram. Afirmar o contrário é puro greenwashing”, destaca Kasandra O’Malia, gerente do Global Solar Power Tracker do Global Energy Monitor.

No Brasil, empresas de combustíveis fósseis detêm atualmente 2,82 GW de capacidade renovável, o que representa apenas 1,3% da capacidade total de energia renovável do país. Esses ativos em operação são majoritariamente controlados pela Equinor (32%), Mitsui (27%) e TotalEnergies (24%).

“A Petrobras afirma que está investindo em energia renovável, mas ainda não construiu nenhuma usina renovável. Mesmo que construa todas as usinas que anunciou, apenas uma fração minúscula (0,7%) de sua energia viria de fontes renováveis”, segundo pesquisador do ICTA UAB e autor principal do estudo, Marcel Llavero Pasquina. Na prática, a Petrobras está investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de novas reservas de combustíveis fósseis”.

As usinas anunciadas fariam parte da parceria com a Equinor para desenvolver três unidades offshore (Aracatu, Atobá e Mangará) com capacidade combinada de 8,34 GW, nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Maranhão. Essas usinas ainda estão em fase de licenciamento e não há garantia de que serão construídas. Mesmo que saiam do papel, sua contribuição para a geração de energia da Petrobras seria em torno de 0,7%.

Empresas como Shell, TotalEnergies, Equinor e Petrobras planejam 48 GW de usinas eólicas offshore no Brasil, entre anunciadas e em licenciamento — para efeito de comparação, há cerca de 83 GW de energia eólica offshore operando no mundo atualmente.

“A atuação das empresas de petróleo e gás nas energias renováveis é meramente anedótica. Sua contribuição para o enfrentamento da crise climática deve ser avaliada exclusivamente pela quantidade de combustíveis fósseis que deixam de extrair do solo”, pontuou Llavero Pasquina.

Petroleiras serão obrigadas por lei a investir em pesquisa, energias renováveis e inovação com 1% da receita bruta no Brasil.

Estudos recentes propõem rota para descarbonizar a Petrobras

Dois estudos divulgados em 16/09/2025 mapeiam caminhos para que a Petrobras possa deixar de depender exclusivamente do petróleo e se reposicionar como uma gigante da transição energética.

O primeiro documento, “Questões-Chave e Alternativas para a Descarbonização do Portfólio de Investimentos da Petrobras”, foi produzido pelos economistas Carlos Eduardo Young e Helder Queiroz, da UFRJ. Ele dá subsídios ao segundo, “A Petrobras de que Precisamos”, produzido pelas 30 organizações do Grupo de Trabalho em Energia do Observatório do Clima. Ambos buscam iniciar um debate sobre transição energética justa que o governo brasileiro tenta postergar.

“A surpresa seria se os investimentos numa verdadeira transição fossem significativos. Isso mostra que não se pode dizer que elas estão se adequando às políticas fósseis do governo americano”, afirmou o pesquisador do Instituto ClimaInfo e um dos autores do segundo estudo, Shigueo Watanabe Jr. “Longe disso, declarações cheias de sustentabilidade servem apenas para escamotear a intenção de perpetuar a extração e comércio de combustíveis fósseis”.

Entre as propostas dos pesquisadores estão: ampliação de investimentos em biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono; retomada da atuação em distribuição e terminação de recarga elétrica; priorização de energias limpas (SAF, hidrogênio verde); realocação de recursos de novas refinarias e congelamento da expansão em fronteiras como a Foz do Amazonas. (pv-magazine-brasil)

Complexo Fotovoltaico Dunamis entra em operação em RN

Com investimento estimado de R$ 569 milhões, empreendimento do Novo PAC soma 117,5 MW de capacidade instalada e é composto por 36 unidades geradoras, distribuídas em quatro usinas – Dunamis I a IV.
O Complexo Fotovoltaico Dunamis entrou em operação no município de Santana do Matos, Rio Grande do Norte. Composto por 36 unidades geradoras, distribuídas em 4 usinas – Dunamis I a IV –, o empreendimento soma 117,54 megawatts (MW) de capacidade instalada.

O projeto, que faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal, conta com um investimento estimado de R$ 569 milhões, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da região.

Geração de energia renovável impulsiona o desenvolvimento com o Complexo Fotovoltaico Dunamis no RN e fortalece energia solar no Nordeste sustentável.

A conexão do complexo à Rede Básica ocorre por meio de instalações de interesse restrito, composta por uma subestação elevadora e uma linha de transmissão em 230 kV, em circuito duplo, com aproximadamente 100 metros de extensão.

O licenciamento ambiental foi conduzido pelo Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN), que emitiu as Licenças de Operação (LO) para as usinas e para a linha de transmissão associada.

Até o final de setembro, o Brasil acrescentou 1,718 GW de capacidade de geração solar centralizada à sua matriz elétrica, contra 4 GW em igual período de 2024.

Complexo Dunamis: O sol potente que eletriza o RN e lidera a energia solar no Nordeste. (pv-magazine-brasil)

domingo, 2 de novembro de 2025

Novas usinas solares ajudarão a zerar as contas de energia em Mercedes

Novas usinas solares ajudarão a zerar as contas de energia em Mercedes, no Paraná.
Foi concluída a usina solar no Salão Comunitário de Novo Rio do Sul

Novas usinas solares vão praticamente zerar as contas de energia pública. A Administração de Mercedes está ampliando o uso de energia solar para abastecer os prédios públicos do município. Com novas usinas em implantação, a conta de luz da Prefeitura, hoje em torno de R$ 60 mil por mês, será praticamente zerada.

Com investimento muito superior aos R$ 1,3 milhão, com parte dos recursos viabilizados pela Itaipu Binacional, cinco novos sistemas fotovoltaicos capacidade de 67 MWh por mês estão sendo instalados no município e abastecerão praticamente todos os prédios públicos, gerando economia de R$ 60 mil na conta de luz todos os meses.

A administração de Mercedes, no extremo oeste do estado do Paraná (PR) e próximo ao Lago de Itaipu Binacional, na fronteira com o Paraguai, está ampliando o uso de energia solar para abastecer os prédios públicos do município. Com novas usinas em implantação, a conta de luz da prefeitura — hoje em torno de R$ 60 mil por mês — será praticamente zerada.

No total, estão sendo instaladas cinco novas usinas de energia solar, com capacidade para gerar cerca de 67 MWh por mês, o suficiente para abastecer praticamente todos os prédios públicos municipais.

Novas usinas solares vão praticamente zerar as contas de energia pública

Projeto vai gerar economia permanente e tornar os prédios públicos autossuficientes em energia

Nesta semana, está sendo instalada uma nova usina sobre a quadra esportiva da comunidade de São Marcos. Outra unidade já foi concluída no Salão Comunitário de Novo Rio do Sul, e mais duas serão implantadas na quadra esportiva do Arroio Guaçu e no novo Parque de Máquinas da Prefeitura, que está em fase de construção no Loteamento Zancanella. Neste último local, as estruturas serão montadas sobre o solo, com coberturas que também servirão como estacionamento.

O projeto representa um investimento superior a R$ 1,3 milhão, com parte dos recursos viabilizados pela Itaipu Binacional.

“Estamos investindo em energia limpa, que traz economia permanente e reforça o compromisso de Mercedes com o meio ambiente. O que hoje gastamos em contas de luz vai poder ser aplicado em saúde, educação e obras. É um investimento que se paga e deixa um legado para o futuro”, afirmou o prefeito Laerton Weber.

Nova usina solar sobre a quadra esportiva da comunidade da Associação São Marcos. (pv-magazine-brasil)

IEA reduz previsão de crescimento solar de 2025 a 2030

IEA (Agencia energética internacional) reduziu a previsão para energia renovável após mudanças de políticas nos EUA e em leilões da China.

IEA reduz projeção de aumento das renováveis até 2030 por causa de EUA e China. Mas a Agência projeta que fontes renováveis vão mais que dobrar até 2030, com energia solar respondendo por mais de 80% do avanço. As fontes renováveis de geração de energia elétrica continuam crescendo a passos largos em todo o mundo.

A International Energy Agency (IEA) cortou sua previsão de energias renováveis para o período em 5%, citando adições solares mais baixas, embora a energia fotovoltaica ainda represente quase 80% do crescimento esperado de 4,6 TW.

Espera-se que cerca de 3,6 TW de energia solar sejam instalados globalmente entre 2025 e 2030, de acordo com a última análise da IEA.

O relatório de previsão de médio prazo da agência, “Renewables 2025“, prevê que a energia solar será responsável por quase 80% dos 4,6 TW de energia renovável que serão adicionados em todo o mundo na segunda metade da década.

O relatório afirma que baixos custos, licenciamento mais rápido e ampla aceitação social continuarão a impulsionar a adoção acelerada da energia solar. A análise ano a ano prevê um ano recorde para adições solares em 2025, aproximando-se de 600 GW de capacidade adicional, em grande parte devido a um aumento nas aplicações solares distribuídas.

Espera-se que as instalações anuais diminuam ligeiramente entre 2026 e 2028, com a IEA prevendo desacelerações na China e nos Estados Unidos ligadas à evolução dos cronogramas de políticas. A agência estima que mais de 600 GW de energia solar serão adicionados em 2029, antes de se aproximar do limite de 700 GW em 2030.

O último relatório da IEA reduz sua previsão de crescimento de energia renovável para 2025-2030 em 5% em comparação com a publicação do ano passado, correspondendo a uma perda de 248 GW de capacidade renovável.

A energia solar é responsável por mais de 70% dessa redução absoluta, principalmente em projetos de grande escala, e se deve na maioria às reduções previstas na China, equivalente a 129 GW a menos de energia solar, e nos Estados Unidos.

A IEA espera que 140 GW a menos de energia solar sejam instalados nos Estados Unidos até 2030 do que o previsto no ano passado, devido a fatores como restrições da FEOC e suspensões de licenças em terras federais. O maior impacto relativo é sobre a energia solar distribuída e, em particular, o mercado residencial dos EUA, que será o mais afetado pela expiração programada dos créditos fiscais para energia solar residencial no final deste ano.

Em contraste, outros mercados viram suas previsões de instalação solar aumentarem. A IEA revisou ligeiramente a previsão da UE, principalmente para capacidade solar em escala de utilidade na Alemanha, Espanha, Itália e Polônia. A previsão da Índia é de quase 10% em todas as tecnologias renováveis, enquanto a capacidade do Oriente Médio e Norte da África foi revisada para cima em 23%, na maioria devido a desenvolvimentos mais rápidos do que o esperado na Arábia Saudita.

O relatório diz que 80% dos países verão a capacidade de energia renovável crescer mais rápido entre 2025 e 2030 do que nos cinco anos anteriores. O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, destacou a Arábia Saudita, o Paquistão e vários países do Sudeste Asiático como áreas que devem receber surtos solares.

Em outras partes do relatório, prevê-se que as energias renováveis se tornem a maior fonte global de energia até o final da década, usada para 43% da geração de eletricidade até 2030, com a energia solar ultrapassando a energia hidrelétrica como a maior fonte de energia renovável.
A projeção atual da IEA espera 16.200 TWh de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis em 2030, o que é quase 850 TWh a menos do que as estimativas do ano passado. Foi reduzido devido à previsão de capacidade revisada e ao aumento dos níveis de redução solar e eólica.

Os níveis crescentes de redução e os preços negativos da eletricidade sinalizam a necessidade de investimentos urgentes em redes, armazenamento e geração flexível, acrescenta o relatório. A IEA alerta que, embora vários países estejam começando a responder com leilões de capacidade e armazenamento, muito mais será necessário para garantir que as energias renováveis variáveis sejam integradas de maneira econômica e segura.

No início deste ano de 2025, a análise da empresa da consultoria de dados GlobalData, com sede em Londres, previu que o mundo terá implantado 4,8 TW de energia solar até o final de 2030, aumentando para 7,6 TW até 2035.

Capacidade instalada global de energia renovável deve dobrar até 2030

Energia solar fotovoltaica lidera avanço, respondendo por 80% do crescimento no período, mostra estudo da IEA. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Governo Trump corta as verbas para projetos de energia limpa

O governo Trump vem adotando uma postura abertamente contrária à transição energética

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) anunciou no início deste mês o cancelamento de verbas para 321 projetos, avaliados em US$ 7,56 bilhões, a maior parte deles voltada para energia limpa.

Em um primeiro momento, o DOE não tornou pública a lista dos projetos afetados, mas segundo veículos de imprensa que teriam tido acesso à lista, a maioria dos cortes atingiu estados que votaram em Kamala Harris na última eleição presidencial, embora alguns projetos em estados que apoiaram Donald Trump, também tenham sido afetados.

Projetos de captura direta de carbono (DAC) e hubs de hidrogênio estão entre os mais atingidos. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou que entre os cancelados está um investimento de US$ 1,2 bilhão no hub de hidrogênio do estado, o Alliance for Renewable Clean Hydrogen Energy Systems. Verbas para projetos semelhantes no Texas e na Louisiana também foram cortadas.

Ao menos dez outros projetos menores de captura direta de carbono, totalizando US$ 47,3 milhões, foram suspensos, embora iniciativas no Alasca, Kentucky, Louisiana e Dakota do Norte tenham sido mantidas. O setor de petróleo e gás vinha apoiando esses projetos, já que o CO2 capturado pode ser injetado em poços de petróleo com baixo rendimento para aumentar a produção.

O governo Trump vem adotando uma postura abertamente contrária à transição energética. Há alguns dias, o DOE proibiu o uso de termos como “mudança climática” e “emissões” em comunicações internas. Em maio/2025, já havia cancelado US$ 3,7 bilhões em incentivos a projetos de energia limpa e manufatura.

As decisões vêm gerando uma onda de ações judiciais contra o governo. Embora um tribunal federal tenha considerado parte dessas medidas “arbitrárias e caprichosas”, uma instância superior as validou, alegando que demonstram “fiscalização e gestão adequadas”.

É difícil entender porque posturas como essas prosperam naquele que é um dos países mais avançados do mundo. Seriam interesses econômicos de curto prazo? Negacionismo? Simples vingança contra adversários políticos?

Quaisquer que sejam os motivos, todos seremos prejudicados por essas medidas.

Governo Trump corta US$ 7,5 bi em subsídios para energia renovável em vários estados: impacto em projetos solares, eólicos e política ambiental. (ecodebate)