terça-feira, 6 de abril de 2010

Energia do vento atrai grandes usuários

A Associação Brasileira dos Investidores em Auto-Produção de Energia (Abiape), entidade que reúne nomes como Vale, Votorantim, Gerdau, ArcelorMittal, CSN e Alcoa, entre outros, decidiu promover um estudo de viabilidade do uso da energia eólica pelos grandes consumidores industriais. Uma das constatações é de que, embora o custo da chamada energia limpa seja superior ao da gerada pelas fontes tradicionais (leia-se hidrelétricas), as empresas não deveriam descartar o vento como fonte energética.
Em primeiro lugar, porque, em termos relativos, os custos de produção já baixaram muito em relação ao passado, como foi constatado no primeiro leilão de energia eólica, realizado no final de 2009.
Em segundo lugar, a recomendação tem a ver com o tema da sustentabilidade. A despeito do custo de produção, a possibilidade de que as empresas passem a exibir o selo verde da energia limpa pode funcionar como um diferencial de mercado numa série de países da Europa e da Ásia, além dos Estados Unidos. "Seria de muito valor estratégico para uma empresa ter, por exemplo, 5% de energia eólica em sua matriz energética", disse Mario Menel, presidente da Abiape, à repórter Renée Pereira.
"Seria um tremendo reforço de imagem nesses mercados exigentes e sensíveis à questão do meio ambiente." Segundo Menel, a Abiape deverá coordenar a implantação de um parque experimental de energia eólica, com capacidade para a geração entre 50 e 100 megawatts (MW), como forma de popularizar a alternativa sustentável entre seus associados. Ao mesmo tempo, será feito um esforço de envolvimento dos fabricantes de equipamentos para energia eólica, no sentido de uma redução de preços e viabilização dos projetos.
Comparado a mercados mais amadurecidos, como o europeu, americano e chinês, o do Brasil ainda tem uma posição discreta em termos de produção e consumo de energia eólica. A capacidade instalada no País é de 606 MW, contra 9,9 mil MW nos EUA ou 25, 1 mil MW na China, líder mundial. As perspectivas, porém, são de crescimento: no Leilão de Reserva de 2009, foram comercializados 1,8 mil MW a serem entregues até 2012.

domingo, 4 de abril de 2010

Biocombustível brasileiro deve ganhar o mundo

Diretor de Qualidade da ANP diz que Brasil já é exemplo na área.
Apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no exterior como grande alternativa mundial para os combustíveis derivados do petróleo, o etanol brasileiro deve se tornar uma commodity internacional de peso no mercado global. Este, pelo menos, é o objetivo do governo e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis garantem Allan Kardec, diretor de Abastecimento, Qualidade e Fiscalização da agência, nesta entrevista ao JB.
Qual é a expectativa da ANP para os próximos anos no setor de combustíveis?
- Temos alguns desafios pela frente. Precisamos elevar o etanol brasileiro ao patamar de commodity internacional.
Também temos como objetivo a consolidação do Programa de Biodiesel de forma sustentável, contribuindo para a maior participação da agricultura familiar na cadeia produtiva e reduzindo as disparidades regionais. Buscamos ampliar a utilização das matérias primas brasileiras como formas de reduzir o custo do produto final. Temos que cumprir essas tarefas garantindo a segurança energética do suprimento de longo prazo, mantendo a competitividade da energia ofertada, sem deixar de contemplar questões sócio-ambientais.
Na sua avaliação, quais são as questões mais importantes na indústria brasileira de petróleo e gás natural no momento? - É a nova realidade que se apresenta com os novos reservatórios do pré-sal. Trata-se de um desafio, não só em termos de exploração, mas também de refino, com a perspectiva de precisarmos de mais refinarias, e a maneira como o país vai se comportar nesse novo cenário. Outra questão relevante diz respeito aos biocombustíveis.
Somos um exemplo de mais de 30 anos de experiência nessa área. Podemos dizer que estamos onde muitos países gostariam de estar em termos de participação de fontes renováveis na matriz energética. Em 2008, a biomassa respondeu por 31,60% da matriz brasileira, enquanto o petróleo e derivados corresponderam a 36,70%. No caso dos combustíveis, houve um crescimento expressivo do biodiesel e do etanol na comparação do consumo aparente no período 2007/2008. No etanol, houve crescimento de 28,8% e as vendas deste combustível superam as de gasolina "A" desde março de 2008. No biodiesel, houve acréscimo de 332% no mesmo período.
O que a ANP aponta como sua principal conquista em sua atuação no mercado de combustíveis na última década? - Podemos destacar a criação do Programa de Monitoramento de Qualidade de Combustíveis, que representa um avanço no combate à adulteração. O programa, que permite a realização de ações de fiscalizações mais direcionadas, somado ao aperfeiçoamento do arcabouço regulatório, contribuiu para que o país saísse de duas casas decimais nos índices de não-conformidade, para uma casa decimal. Hoje, o Brasil mantém nível internacionalmente aceito em termos de não-conformidade dos combustíveis.
Temos também o etanol, que está consolidado como combustível no Brasil e surge como opção para o mundo em termos de energia. Sem falar na introdução do biodiesel em nossa matriz energética. Os biocombustíveis são de extrema importância para o crescimento do país. Hoje já existem mais de 60 empresas produtoras, responsáveis em 2009 pela produção do biodiesel, que atendem às especificações técnicas da ANP. Essas empresas participaram dos 15 leilões de venda do produto realizados pela ANP. Representam uma oportunidade para fixar o homem à terra, para produzir combustível limpo e gerar emprego e renda no campo. Podemos destacar ainda a ação que resultou na eliminação do mercado de agentes em situação irregular, e também a publicação de novas regras para o mercado e o aperfeiçoamento das existentes.
E o processo de publicação de novos regulamentos é realizado com ampla participação dos agentes econômicos.

O lixo é que move o avião

O lixo que se acumula em aterros sanitários ao redor do mundo começa a ganhar função. E não é apenas produzir metano e acelerar o efeito estufa.
A companhia de aviação British Airways fechou um acordo com a empresa americana Solena Group para a construção da primeira unidade de produção de biocombustível para aviões na Europa.
A matéria-prima para esse biocombustível é o lixo comum.
500 mil toneladas de lixo serão capazes de produzir 60 milhões de litros de combustível para jatos da British. Isso equivale a apenas 2% do combustível que é consumido por todos os voos da companhia que decolam de Heathrow, o maior aeroporto de Londres. Mas já é um começo.
A construção inicia em 2012 na zona leste da capital inglesa e começa a produzir em quatro anos.
No acordo, a British Airways comprará a produção e o grupo americano será responsável por erguer o complexo, como conta o repórter Richard Scott da BBC.

Biocombustível plantado no espaço

Com patrocínio da NASA, pesquisadores tentam encontrar formas de melhorar a produção de energia em plantas usadas para fabricação de biocombustível testando sua reação no espaço.
Há algum tempo, cientistas da Universidade da Flórida vêm investigando as propriedades da Jatropha curcas, também conhecida como pinhão manso.
A planta tem capacidade de produzir uma grande quantidade de óleo, que pode ser convertido em biocombustível.
Decidida a testar os limites da planta, a equipe de cientistas planejou realizar alguns testes em um laboratório nada convencional, e enviou células de jatropha curcas à Estação Espacial Internacional. É em pleno espaço que o experimento chamado de National Lab Pathfinder-Cells 3 deve revelar se a microgravidade pode influenciar no crescimento das culturas.
Estudando os efeitos no espaço, os cientistas aqui da Terra pretendem acelerar o processo de cultivo comercial, melhorando a estrutura da célula, seu crescimento e desenvolvimento. Esse é o primeiro estudo a analisar os efeitos a microgravidade em células de uma planta biocombustível.
As culturas foram lançadas com o ônibus espacial Endeavour, durante a missão STS-130 em fevereiro/2010. Elas foram enviadas à Estação Espacial em frascos especiais com nutrientes e vitaminas e serão expostas à microgravidade até abril, quando retornam para a Terra com a missão Discovery STS-131.
Para controle, amostras idênticas às enviadas estão sendo cultivadas na universidade da Florida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Brasil já é exemplo em biocombustível

Diretor de Qualidade da ANP: Brasil já é exemplo em biocombustível.
Apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no exterior como grande alternativa mundial para os combustíveis derivados do petróleo, o etanol brasileiro deve se tornar uma commodity internacional de peso no mercado global. Este, pelo menos, é o objetivo do governo e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, garante Allan Kardec, diretor de Abastecimento, Qualidade e Fiscalização da agência, nesta entrevista ao JB.
Temos alguns desafios pela frente. Precisamos elevar o etanol brasileiro ao patamar de commodity internacional. Também temos como objetivo a consolidação do Programa de Biodiesel de forma sustentável, contribuindo para a maior participação da agricultura familiar na cadeia produtiva e reduzindo as disparidades regionais. Buscamos ampliar a utilização das matérias-primas brasileiras como forma de reduzir o custo do produto final. Temos que cumprir essas tarefas garantindo a segurança energética do suprimento de longo prazo, mantendo a competitividade da energia ofertada, sem deixar de contemplar questões sócio-ambientais.
Na sua avaliação, quais são as questões mais importantes na indústria brasileira de petróleo e gás natural no momento?
É a nova realidade que se apresenta com os novos reservatórios do pré-sal. Trata-se de um desafio, não só em termos de exploração, mas também de refino, com a perspectiva de precisarmos de mais refinarias, e a maneira como o país vai se comportar nesse novo cenário. Outra questão relevante diz respeito aos biocombustíveis. Somos um exemplo de mais de 30 anos de experiência nessa área. Podemos dizer que estamos onde muitos países gostariam de estar em termos de participação de fontes renováveis na matriz energética. Em 2008, a biomassa respondeu por 31,60% da matriz brasileira, enquanto o petróleo e derivados corresponderam a 36,70%. No caso dos combustíveis, houve um crescimento expressivo do biodiesel e do etanol na comparação do consumo aparente no período 2007/2008. No etanol, houve crescimento de 28,8% e as vendas deste combustível superam as de gasolina “A” desde março de 2008. No biodiesel, houve acréscimo de 332% no mesmo período.
O que a ANP aponta como sua principal conquista em sua atuação no mercado de combustíveis na última década?
Podemos destacar a criação do Programa de Monitoramento de Qualidade de Combustíveis, que representa um avanço no combate à adulteração. O programa, que permite a realização de ações de fiscalizações mais direcionadas, somado ao aperfeiçoamento do arcabouço regulatório, contribuiu para que o país saísse de duas casas decimais nos índices de não-conformidade, para uma casa decimal. Hoje, o Brasil mantém nível internacionalmente aceito em termos de não-conformidade dos combustíveis. Temos também o etanol, que está consolidado como combustível no Brasil e surge como opção para o mundo em termos de energia. Sem falar na introdução do biodiesel em nossa matriz energética. Os biocombustíveis são de extrema importância para o crescimento do país. Hoje já existem mais de 60 empresas produtoras, responsáveis em 2009 pela produção do biodiesel, que atendem às especificações técnicas da ANP. Essas empresas participaram dos 15 leilões de venda do produto realizados pela ANP. Representam uma oportunidade para fixar o homem à terra, para produzir combustível limpo e gerar emprego e renda no campo. Podemos destacar ainda a ação que resultou na eliminação do mercado de agentes em situação irregular, e também a publicação de novas regras para o mercado e o aperfeiçoamento das existentes. E o processo de publicação de novos regulamentos é realizado com ampla participação dos agentes econômicos.
Biodiesel conquista espaço na economia nacional
O biodiesel foi introduzido na matriz energética brasileira em 2005 e ampliou a competência administrativa da ANP, que passou desde então a denominar-se Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A partir de então, a ANP assumiu a atribuição de regular e fiscalizar as atividades relativas à produção, controle de qualidade, distribuição, revenda e comercialização do biodiesel e da mistura óleo diesel-biodiesel (BX). A produção e o uso do biodiesel no Brasil propiciam o desenvolvimento de uma fonte energética mais sustentável sob os aspectos ambiental e econômico e também trazem a perspectiva da redução das importações de óleo diesel.
Desde 2008, o óleo diesel comercializado em todo o Brasil deve conter, obrigatoriamente, 3% de biodiesel. Esta regra foi estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que aumentou de 2% para 3% o percentual obrigatório de mistura de biodiesel ao óleo diesel. O biodiesel é, basicamente, um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais. A redução das importações de diesel deve resultar numa economia de cerca de US$ 410 milhões por ano e gerar divisas para o país, além de reduzir a dependência externa referente ao produto de 7% para 5%.
Temas serão debatidos em fórum na Suécia
Questões fundamentais para a política energética brasileira, tal como os biocombustíveis, regulados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), serão temas debatidos na conferência O Brasil e o futuro, a realizar-se na próxima terça-feira, 16 de março, na Academia Real Sueca de Engenharia (IVA), em Estocolmo, na Suécia. A conferência dá seguimento ao ciclo de debates intitulado Brasil e o futuro, iniciado no ano passado na Universidade de Columbia, em Nova York, EUA.
O JB reúne personalidades brasileiras dos mais diversos setores para no exterior para debater temas chaves para o crescimento do país, como novas energias, combustíveis, sustentabilidade e educação. A conferência contará com a participação de Allan Kardec Duailibe Barros Filho, diretor da ANP; Ricardo Castello Branco, diretor executivo de Etanol da Petrobras Biocombustíveis; Antonio Roberto Cortes, presidente da MAN na América Latina; Ivo Pitanguy, cirurgião plástico; Arnaldo Niskier, presidente do CIEE/RJ, entre outras personalidades.