sábado, 8 de junho de 2013

‘Energia limpa’ é alvo de ambientalistas

Comunidades no Ceará e Rio Grande do Norte denunciam: instalação de usinas eólicas virou salvo-conduto para destruição de dunas, lagoas e vegetação.
Energia do vento
Parque eólico Aracati, em Aracati, Ceará, visto da Vila do Estevão em Canoa Quebrada.
Localidade de Diogo Lopes, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, no Rio Grande do Norte.
Parque eólico Aracati, em Aracati, Ceará, visto da Vila do Estevão em Canoa Quebrada.
Parque eólico na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão, em Macau (RN).
O pescador Luiz Luna, da comunidade Diogo Lopes, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão, em Macau (RN). Ele protesta contra a dificuldade de acesso a áreas de pesca imposta pelos parques eólicos.
Parque Eólico na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão, em Macau (RN).
Aerogeradores em Canoa Quebrada, Aracati, Ceará.
Moradores da comunidade Mangue Seco 2, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão em Macau-RN, afirmam que a chegada das eólicas dificultou a circulação dos animais de criação.
Usinas eólicas no litoral do Ceará.
Parque eólico Aracati, em Aracati, no Ceará.
O pescador Luiz Luna, da comunidade Diogo Lopes, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão em Macau, Rio Grande do Norte.
Parque eólico Aracati, em Aracati, no Ceará.
Casa pobre, sem eletricidade, o pescador José Nazário da Silva, de 49 anos, vê os cata-ventos gigantes, cravados nas dunas de Canoa Quebrada, em Aracati (CE). Os geradores de energia eólica estão a 300 metros para lembrar o pescador do desmatamento que marcou a chegada da usina e dos empregos que a empresa não trouxe para a região.
Do outro lado da cidade, no Cumbe, o catador de caranguejos Ronaldo Gonzaga, de 32 anos, aponta para os cabos de energia expostos no Parque Eólico Aracati, com 67 torres, e mostra dunas destruídas por estradas e lugares de onde sítios arqueológicos foram removidos para dar lugar à geração de energia.
A 250 km dali, conselheiros da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Ponta do Tubarão (RN) exibem uma lagoa seca. A água foi retirada para a construção das eólicas Alegria II e Miassaba II, plantada sobre um talude construído em uma restinga, que dificultou o acesso ao mar.
Considerada ambientalmente limpa, por não emitir gases-estufa em sua produção, a energia eólica virou alvo de protestos de moradores de pequenas comunidades, sobretudo no litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte. Eles acusam as novas usinas de usar a alegação de produzir energia ecologicamente correta como pretexto para aterrar dunas, derrubar matas, fechar praias, secar lagoas.
Os empregos prometidos, segundo eles, até hoje não apareceram. E, como anfitriões das usinas, os moradores dizem nunca ter recebido compensações significativas e compatíveis com os danos que elas causam ao seu redor.
Estudioso dos conflitos socioambientais ao longo da zona costeira, o professor Jeovah Meireles, da Universidade Federal do Ceará, questiona até que ponto a energia eólica pode ser considerada ecologicamente correta, pelo menos da forma como tem sido implantada em alguns pontos do Brasil.
"Que energia limpa é essa?", pergunta. "Primeiro, não estamos pagando menos. Toda a energia está saindo daqui e não temos o menor benefício com isso", diz o professor. "É a monocultura eólica", diz, em referência às plantações de cana-de-açúcar que dominaram a região por séculos.
Um giro pelas estradas da região do litoral cearense e potiguar mostra que a declaração de Meireles vai além da força de expressão. As torres de eólicas tomaram conta da paisagem do litoral nordestino.
É assim, por exemplo, na RDS Ponta do Tubarão, uma zona de exploração sustentável criada em 2003 após quase uma década de mobilização de ativistas e moradores - inicialmente, contra uma tentativa de estabelecer um resort, depois contra a criação de camarões em cativeiro em manguezais. Quem avança pelo Rio Tubarão vê as torres girando dos dois lados. São as usinas de Miassaba II e Alegria II. Há outras perto.
Os problemas relatados por moradores na Ponta do Tubarão são muitos. A Lagoa do Carnaubal, por exemplo, resistiu à seca, mas não à construção das eólicas. "Aqui era uma lagoa. Para fazer a estrada, tiraram muita água dela, com carros-pipa.
“O resultado é que a lagoa secou”, diz Luiz Ribeiro, conselheiro da RDS. Ele conta que, diariamente, tiravam mais de 20 carros-pipa dali. A queixa não é isolada. Em outros pontos do Nordeste, há denúncias de aterramento de lagoas e uso predatório da água pelas construtoras que montam as eólicas.
Em um relatório de 2009, o Conselho Gestor da RDS potiguar, traz uma lista de pontos que deveriam ser considerados para concessão de licença prévia. Entre eles, está o impacto "ambiental no que diz respeito ao movimento de terra e aterramento das lagoas e das dunas".
Outro ponto que chama a atenção na Ponta do Tubarão é o talude de dois metros, erigido na restinga, onde o areal entre o "rio" e o mar foi estabilizado e recebeu a fila de torres. A "muralha" dificulta o trabalho dos pescadores. Eles dizem que ficou muito difícil voltar do mar com o balaio de peixes nas costas e escalar o "muro". Recentemente, fizeram acessos para facilitar a subida, considerados insuficientes pelos pescadores.
Pescaria. Ao leme do barco que avança pelo Rio Tubarão, Luiz Luna Filho, pescador há 25 anos, reclama das mudanças na restinga. "Isso aqui era cheio de dunas. Mexeram tanto que, em alguns lugares, o pescador não consegue mais puxar a rede", afirma, referindo-se à rede com três malhas diferentes, típica da região. "Fica difícil a pescaria assim."
Segundo ele, alguns animais e pássaros sumiram. A causa provável é o barulho dos aerogeradores, um zumbido surdo e constante. O relatório do Conselho Gestor já alertava em 2009 que parte do projeto do Parque Eólico Miassaba estava dentro de uma área de desova de tartarugas marinhas e de circulação de pescadores.
Outra pesquisa anterior à instalação de eólicas falava dos sítios arqueológicos na região das usinas. O local começou a ser ocupado com a chegada dos primeiros pescadores marisqueiros entre 5 mil e 6 mil anos atrás. Arqueólogos da região recomendaram "a não execução de empreendimentos de qualquer natureza nesse trecho".
A Bons Ventos, porém, contratou outros arqueólogos, que retiraram mais de 40 mil peças, encaminhadas ao Museu Câmara Cascudo, no Rio Grande do Norte, e pôs de pé as usinas.
O professor João Luiz do Nascimento, o João do Cumbe, é um dos principais líderes dos protestos contra os danos causados pelas usinas. Ele já liderou três bloqueios na região, um deles por 19 dias. Uma das principais queixas são os empregos prometidos.
"Chegaram dizendo que iam gerar 1,5 mil empregos. Não tem 600 pessoas lá." O professor diz ter sofrido uma tentativa de sequestro por estar à frente dessa causa. Ele foi incluído no Programa de Proteção às Defensoras e Defensores de Direitos Humanos do governo federal e se afastou da comunidade.
A percepção de que a chegada das eólicas é negativa, contudo, não é unânime. Em algumas comunidades, um número maior de pequenos proprietários passou a alugar terrenos para a instalação das torres, o que mexeu com a economia local, que passou a receber o que antes quase não tinha: dinheiro.
"A terra não produzia nada. Hoje eles alugam. Melhorou a situação", diz a comerciante Maria do Socorro Miranda, vestida com uma camisa da eólica de Alegria.  (OESP)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Países com sistema elétrico mais sustentável

Os 15 países com o sistema elétrico mais sustentável em 2012
Índice do Conselho Mundial de Energia avalia o desempenho dos países em três quesitos – segurança energética, equidade no acesso à luz e impacto ambiental. Desafio é ter um sistema confiável, de alta qualidade e baixo custo econômico e ambiental.
O Brasil é o 53º país com o sistema de energia elétrica mais sustentável do mundo, segundo levantamento feito pelo Conselho Mundial de Energia (WEC, na sigla em inglês). Em sua edição 2012, o Índice de Sustentabilidade Energética avaliou o desempenho de 90 países em três quesitos – segurança energética, equidade no acesso à luz e redução do impacto ambiental. O desafio é ter um sistema elétrico confiável, de alta qualidade e baixo custo econômico e ambiental.
O estudo sugere que o Brasil deve explorar melhor as possibilidades apresentadas pela biomassa, incluindo a cana de açúcar e as reservas do pré-sal. “Ambos irão impactar a segurança energética do país positivamente e mudar o papel do Brasil no mercado global de energia”, diz o texto, destacando em seguida a necessidade de se avaliar melhor os efeitos sobre o meio ambiente e aumentar a eficiência energética.
Suécia
A Suécia é o país com o sistema elétrico mais sustentável. Para manter o título, no entanto, o país precisa tornar o seu transporte mais “limpo” e menos dependente de combustíveis fósseis, diz o relatório.
Ranking geral - 1º
Segurança energética - 2º
Equidade no acesso a energia - 16º
Redução do impacto ambiental - 2º
Suíça
Segundo colocado no ranking, a Suíça estuda abrir mão de construir novas usinas nucleares, fonte que hoje representa mais de 40% da matriz energética do país.
Ranking geral - 2º
Segurança energética - 12º
Equidade no acesso a energia - 4º
Redução do impacto ambiental - 10º
Canadá
Terceiro colocado no ranking geral, o Canadá é o país líder em segurança energética. Sua matriz se divide em: hidroeletricidade (60%), usinas termoelétricas (23%), nuclear (15%) e outras fontes renováveis (2%).
Ranking geral - 3º
Segurança energética - 1º
Equidade no acesso a energia - 2º
Redução do impacto ambiental - 12º
Noruega
Bem posicionada em todos os quesitos analisados, a Noruega se destaca pela redução do impacto ambiental da geração de eletricidade. Sua matriz é dominada pela hidroeletricidade (95%).
Ranking geral - 4º
Segurança energética - 9º
Equidade no acesso a energia - 10º
Redução do impacto ambiental - 5º
Finlândia
Quinto colocado no ranking, a Finlândia tem 41% de sua energia vinda de usinas termelétricas. Apesar disso, o país vem aumento os impostos sobre os combustíveis fósseis, a fim de tornar as fontes renováveis mais competitivas.
Ranking geral - 5º
Segurança energética - 13º
Equidade no acesso a energia - 14º
Redução do impacto ambiental - 6º
Nova Zelândia
A Nova Zelândia está bem posicionada no índice graças ao aumento no uso de fontes de energia renováveis ​​e redução das emissões de CO2, diz o relatório.
Ranking geral - 6º
Segurança energética - 16º
Equidade no acesso a energia - 13º
Redução do impacto ambiental - 8º
Dinamarca
Sétimo colocado do ranking, a Dinamarca mira alto: até 2020, quer que aproximadamente 50% do consumo de eletricidade seja suprido por energia eólica.
Ranking geral - 7º
Segurança energética - 3º
Equidade no acesso a energia - 28º
Redução do impacto ambiental - 25º
Japão
Oitavo país mais bem colocado no ranking, o Japão tem sua matriz energética composta na maior parte por termelétricas (63%) e nuclear (27%). Mas, após o terremoto e tsunami que causaram o acidente na usina nuclear de Fukushima, o Plano de Energia do país está sob revisão.
Ranking geral - 8º
Segurança energética - 7º
Equidade no acesso a energia - 9º
Redução do impacto ambiental - 24º
França
A França é o nono país com o sistema mais sustentável. O país tem nas usinas nucleares sua maior fonte de eletricidade (76%).
Ranking geral - 9º
Segurança energética - 29º
Equidade no acesso a energia - 8º
Redução do impacto ambiental - 4º
Áustria
O ponto fraco da Áustria é a segurança energética, com uma proporção relativamente baixa de produção em relação a oferta total de energia.
Ranking geral - 10º
Segurança energética - 39º
Equidade no acesso a energia - 7º
Redução do impacto ambiental - 11º
Alemanha
Apesar da boa colocação em segurança e acesso, a Alemanha tem desempenho ruim na redução do impacto ambiental. O país tem altas emissões de CO2 provenientes da produção de eletricidade.
Ranking geral - 11º
Segurança energética - 11º
Equidade no acesso a energia – 11°
Redução do impacto ambiental - 41º
Estados Unidos
Os Estados Unidos lideram o ranking quando o assunto é equidade social no acesso à eletricidade.
Ranking geral - 12º
Segurança energética - 27º
Equidade no acesso a energia - 1º
Redução do impacto ambiental - 31º
Bélgica
Quem aparece na décima terceira posição é a Bélgica, que tem sua matriz energética dominada por fontes nucleares (51%) e termelétricas (41%).
Ranking geral - 13º
Segurança energética - 31º
Equidade no acesso a energia - 12º
Redução do impacto ambiental - 15º
Holanda
A Holanda é o décimo quarto país mais sustentável em energia, segundo o levantamento. Seu desempenho no quesito ambiental vem melhorando nos últimos anos, apoiado por uma diminuição das emissões de CO2.
Ranking geral - 14º
Segurança energética - 34º
Equidade no acesso a energia - 20º
Redução do impacto ambiental - 20º
Reino Unido
A geração de energia no Reino Unido ainda tem um impacto ambiental alto, uma vez que 77% da matriz é composta por termelétricas.
Ranking geral - 15º
Segurança energética - 37º
Equidade no acesso a energia - 6º
Redução do impacto ambiental - 35º (exame)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Significado de Matriz Energética

O que é Matriz Energética:
Matriz energética é toda energia disponibilizada para ser transformada, distribuída e consumida nos processos produtivos, é uma representação quantitativa da oferta de energia, ou seja, da quantidade de recursos energéticos oferecidos por um país ou por uma região.
A análise da matriz energética é fundamental para a orientação do planejamento do setor energético, que deve garantir a produção e o uso adequado da energia produzida, onde uma das informações mais importantes adquiridas é a quantidade de recursos naturais que está sendo utilizada, para saber se esses recursos estão sendo feitos de forma racional.
O petróleo e seus derivados têm a maior participação na matriz brasileira, o carvão mineral, assim como o petróleo são fontes não renováveis e altamente poluentes. No Brasil, as fontes não-renováveis representam aproximadamente mais da metade da matriz energética, já a média mundial é bem mais elevada, com mais de 80% de ´participação de fontes não-renováveis.
A matriz energética brasileira é comporta por recursos renováveis, biocombustível, como madeira e álcool, hidrelétricas, carvão mineral, gás natural, urânio, petróleo e derivados. (significados)

Energia do carvão cresce na matriz alemã

Energia a partir do carvão cresce na matriz energética da Alemanha, aumentando suas emissões de CO2
Enquanto as usinas nucleares estão fadadas a desaparecer, as de gás são caras e as renováveis, voláteis, as centrais de carvão da Alemanha, um dos países europeus que mais eletricidade produz a partir desta fonte, trabalham a pleno vapor, mas contribuem para aumentar as emissões de CO2 do país.
Entre 2011 e 2012, a produção energética com lignito aumentou 4,7% e a de hulha, 5,5%, e com isso, também as emissões de dióxido de carbono de 130 usinas de carvão alemãs aumentaram 4% no ano passado.
Isso fez com que a Alemanha, pioneira nas políticas de respeito ao meio ambiente, tenha superado sutilmente o volume total de emissões de CO2 atribuídas ao país pelo mercado europeu de quotas.
Essencialmente, são as disfunções deste mercado que tornam as usinas de carvão tão atraentes.
Concebido para encarecer a produção mais contaminante, obrigando os encarregados a comprar quotas de CO2 para compensar suas emissões, o mercado se mostra impotente, já que o valor destes certificados se desvirtuou.
O Parlamento Europeu bloqueou uma tentativa recente da Comissão Europeia de reduzir temporariamente estas quotas para que aumentem de preço.
“Se não conseguirmos reformar o sistema, não será possível alcançar o objetivo de reduzir as emissões na Alemanha”, alertou na semana passada Jochen Flasbarth, presidente do Departamento Alemão de Meio Ambiente. O país quer reduzir suas emissões em 40% até 2020 com relação aos níveis de 1990.
A queda de preços nas quotas de CO2, somada ao custo da compra atraente do carvão nos mercados mundiais, contribuíram para aumentar o uso deste combustível em toda a Europa.
Mas a Alemanha está particularmente envolvida, já que a parte do carvão na produção de energia é muito elevada: mais de 40% frente aos 3% da França e aos 25% do conjunto da União Europeia.
Gás, o grande perdedor A decisão de Berlim, em 2011, de prescindir da energia de origem nuclear até 2022, e o fechamento de oito reatores em consequência disso, contribuíram para que o carvão volte pela porta da frente. Segundo a Federação Alemã da Energia BDEW, dos 76 projetos de novos reatores ou dos que foram concluídos, 12 são usinas de carvão.
“A produção de hulha se beneficia dos preços baixos do CO2″, reconheceu nesta quarta-feira Bernhard Günther, diretor financeiro da RWE, número dois alemão da energia e maior produtor de carvão da Europa. Seu colega na concorrente EON, Marcus Schenck, também admitiu na semana passada: “se só forem levados em conta os aspectos ‘custo’, está claro que temos vantagens”. Se produzirmos carvão por mais tempo, produziremos mais barato”.
A concorrência do carvão afeta, em primeiro lugar, as usinas de gás, mais recentes, que ainda não renderam lucros aos seus proprietários devido, em parte, à matéria prima mais cara.
Vítimas também da concorrência das renováveis, as usinas de gás alemãs funcionam com capacidade reduzida: apenas 10% de sua capacidade, no caso das mais recentes de RWE, por exemplo. De fato, o grupo está estudando a possibilidade de fechar algumas enquanto o norueguês Statkraft já anunciou que vai fechar suas duas.
No entanto, 80% dos alemães desejam que o país abra mão do carvão, segundo pesquisa recente encomendada pelo Greenpeace. Esta semana, duas influentes associações ambientais reivindicaram uma “estratégia anti-carvão” para a Alemanha, por considerarem que “não há nada mais poluente”. (EcoDebate)

Matrizes Energéticas

A energia é um dos elementos fundamentais para o funcionamento do mundo moderno. Existem formas diversas de se conseguir energia, algumas delas são mais prejudiciais ao meio ambiente, outros mais sustentáveis. Entender o processo de cada uma é o primeiro passo para escolher quais tipos de matrizes energéticas queremos para nosso planeta.
Principais matrizes energéticas utilizadas no mundo.
Petróleo
O petróleo substitui o carvão mineral no século XIX por sua capacidade de iluminação (querosene em lampiões), o seu principal processo é o refinamento e tem a característica de ser fragmentado. As quatro fases econômicas da atividade petrolífera são: extração, transporte, refino e distribuição. As refinarias de petróleo sempre se localizam próximo aos grandes centros industriais, que são os maiores consumidores de derivados de petróleo, com o objetivo de reduzir os gastos com o transporte. Vale lembrar que depois de refinado, o petróleo aumenta de volume, exigindo maior capacidade de transporte e consequentemente, maiores recursos.
A criação de empresas estatais de petróleo, a partir dos anos 1930, consistiu em estratégia de enfrentamento ao cartel das “sete irmãs”, associação de empresas petrolíferas que visava controlar o setor. Com isso, os países buscavam garantir a autonomia nacional no que se refere à produção e distribuição de tão importante recurso energético.
A Opep (Organização dos países Exportadores de Petróleo) é uma associação formada por doze países (Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Indonésia, Argélia, Nigéria, Líbia, Gabão e Venezuela) que se uniram para tentar ampliar sua participação percentual nos lucros gerados pelo setor petrolífero. A primeira crise mundial do petróleo ocorreu em 1973 e teve caráter político com significativo aumento dos preços tornando refém todos os países dependentes dessa forma de energia.
Carvão Mineral e Gás Natural
Apesar de ser conhecido há muito tempo, o carvão mineral assumiu importância mundial a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial e foi a principal fonte energética até a chegada do petróleo, destacando-se os transportes (navegação e ferrovia a vapor) e a termoeletricidade (usinas termoelétricas). Apesar disso continua sendo importante com 28 % do consumo primário, 5% do carvão produzido é consumido no setor siderúrgico, mais ainda sim cresce, pois é barato para produção de energia, porém o custo de transporte é muito caro, pois por ferrovias dificulta o transporte entre países.
O gás natural corresponde a 20% da produção no mundo, seus principais problemas estão relacionados ao transporte que pode ser feito por gasodutos ou rodoviário o que é muito arriscado. Existe um desinteresse da indústria petrolífera em tornar o gás uma forma alternativa viável para os países já que sua exploração está vinculada a essa indústria.
Usinas Termoelétricas
São responsáveis pela produção da maior parte da eletricidade utilizada no mundo, fazendo uso principalmente do carvão mineral e do petróleo como fontes de energia. Isso explica, por exemplo, o predomínio desse tipo de usina nos países e regiões ricas em carvão e petróleo, como a Europa, a América do Norte e a China, entre outros.
A principal vantagem é que ela pode ser construída próximo ou junto aos locais de consumo, o que implica grande economia nos custos de implantação das redes de transmissão. Por outro lado, tem como maior desvantagem os elevados gastos como o consumo de combustíveis e sua manutenção, e ainda, o uso do carvão provoca intensa poluição no ar.
Energia Nuclear
O emprego da energia nuclear para fins pacíficos (geração de energia) começou em 1956 na Inglaterra. Apesar do custo muito elevado da produção de eletricidade de origem nuclear, a disseminação de centrais nucleares e o aumento da produção dessa energia foram espetaculares nas ultimas décadas do século XX.
Mais de 90 % das usinas nucleares estão nos EUA, na Europa, no Japão e na Rússia. Alguns países subdesenvolvidos, principalmente os recentemente industrializados como: Brasil, Argentina, China, Índia e com destaque para Coréia do Sul , utilizam esse tipo de energia.
A utilização para fins não pacíficos (produção de bomba atômica) e para obtenção de poderio militar representa enorme perigo. Além de elevado custo de investimentos necessário para a utilização de energia nuclear, existe ainda o gravíssimo problema dos acidentes nucleares, dos resíduos e da contaminação do meio ambiente.
Os riscos podem ser reduzidos se medidas de seguranças forem seguidas e se um monitoramento constante das usinas for realizado. Além dos riscos outro problema relacionado a esta matriz é aonde "jogar o lixo nuclear fora".
Hidroeletricidade
A utilização força da água corrente como fonte de energia para produção de eletricidade iniciou-se por volta de 1860. Atualmente esse tipo de fonte energética se encontra difundido em todo mundo, sendo particularmente utilizada nos países que dispõe de grande potencial hidrelétrico.
As vantagens da hidroeletricidade em relação às usinas termoelétricas e termonucleares são: as usinas hidroelétricas só causam impactos ambientais durante o represamento da água, a produção de energia dessa forma não polui o ambiente; a hidroeletricidade é uma fonte renovável de energia; depois de prontas os gastos com a manutenção das usinas hidroelétricas são comparativamente inferiores aos das usinas termoelétricas e termonucleares, além de não haver necessidade de queima de combustíveis ou de fissão atômica.
Energia Eólica
O vento gira uma hélice gigante conectada a um gerador que produz eletricidade. Quando vários mecanismos como esse - conhecido como turbina de vento - são ligados a uma central de transmissão de energia, temos uma central eólica. A quantidade de energia produzida por uma turbina varia de acordo com o tamanho das suas hélices e, claro, do regime de ventos na região em que está instalada. E não pense que o ideal é contar simplesmente com ventos fortes. "Além da velocidade dos ventos, é importante que eles sejam regulares, não sofram turbulências e nem estejam sujeitos a fenômenos climáticos como tufões", diz o engenheiro mecânico Everaldo Feitosa, vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica.
O Brasil tem um dos maiores potenciais eólicos do planeta e, embora hoje o vento seja responsável por míseros 29 megawatts (MW) dos cerca de 92 mil MW instalados no país, há planos ambiciosos para exploração dessa fonte de energia. Apoiado no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), lançado pelo Ministério de Minas e Energia, o Brasil pretende atingir, em 2008, cerca de 1.500 MW gerados pelo vento - um terço disso será instalado no Ceará e deve suprir mais da metade da demanda do estado.
O que impede a instalação de mais centrais eólicas ainda é o preço. A energia gerada por uma central eólica custa entre 60% e 70% a mais que a mesma quantidade gerada por uma usina hidrelétrica. Por outro lado, a energia do vento tem a grande vantagem de ser inesgotável e causar pouquíssimo impacto ao ambiente.
Biomassa
Biomassa é um material constituído por substâncias de origem orgânica (vegetal animal e microrganismos). Plantas, animais e seus derivados são biomassa. A utilização como combustível pode ser feita a partir de sua forma bruta, como madeira, produtos e resíduos agrícolas, resíduos florestais, resíduos pecuários, excrementos de animais e lixo. Ao contrário das fontes fósseis de energia, como o petróleo e o carvão mineral, a biomassa é renovável em curto intervalo de tempo.
A renovação da biomassa ocorre através do ciclo do carbono, ou seja, a decomposição ou a queima de matéria orgânica ou seus derivados provoca a liberação de CO2 na atmosfera. As plantas, através da fotossíntese, transformam o CO2 e água em hidratos de carbono, liberando oxigênio. Dessa forma, o uso adequado da biomassa não altera a composição média da atmosfera ao longo do tempo.
Energia Solar
A energia solar é uma boa opção na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente, pois consiste numa fonte energética renovável e limpa (não emite poluente).
Sua obtenção ocorre de forma direta ou indireta.
A forma direta de obtenção se dá através de células fotovoltaicas, geralmente feitas de silício. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertida em eletricidade. No entanto, essas células fotovoltaicas apresentam preços elevados. O efeito fotovoltaico ocorre quando fótons (energia que o sol carrega) incidem sobre os átomos, proporcionando a emissão de elétrons, que gera corrente elétrica.
Normalmente, a energia solar é utilizada em locais mais isolados, secos e ensolarados. Em Israel, aproximadamente 70% das residências possuem coletores solares, outros países com destaque na utilização da energia solar são os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Indonésia. No Brasil, a utilização de energia solar está aumentando de forma significativa, principalmente o coletor solar destinado para aquecimento de água.
Apesar de todos os aspectos positivos da energia solar (abundante, renovável, limpa, etc.), ela é pouco utilizada, pois os custos financeiros para a obtenção de energia são muito elevados, não sendo viável economicamente. Necessita de pesquisas e maior desenvolvimento tecnológico para aumentar sua eficiência e baratear seus custos de instalação.
No Brasil a matriz energética mais utilizada ainda é o petróleo, mas especialistas afirmam que o país tem grande potencial para produção de fontes de energia sustentáveis. (greennation)