quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Noruega importa lixo para produzir energia

Oslo é uma cidade que importa lixo. Parte vem da Inglaterra, parte vem da Irlanda e parte vem da vizinha Suécia. Ela inclusive tem planos para o mercado americano.
“Eu gostaria de receber alguma coisa dos Estados Unidos”, disse Pal Mikkelsen em seu escritório, numa enorme usina na periferia da cidade, onde o lixo é transformado em calor e em eletricidade. “O transporte marítimo é barato.”
Oslo, onde metade da cidade e a maioria das escolas são aquecidas pela queima do lixo doméstico, resíduos industriais e até resíduos tóxicos e perigosos de hospitais e apreensões de drogas-, tem um problema: o lixo para queimar se esgotou.
O problema não é exclusivo de Oslo. Em toda a Europa setentrional, onde a prática de queimar lixo para gerar calor e eletricidade disparou nas últimas décadas, a demanda por lixo é muito superior à oferta.
A meticulosa população do norte europeu produz apenas cerca de 136 milhões de toneladas de resíduos por ano, muito pouco para abastecer usinas incineradoras capazes de consumir mais de 635 milhões de toneladas.
“Mas os suecos continuam a construir [mais usinas], assim como a Áustria e a Alemanha”, disse Mikkelsen, 50, engenheiro mecânico que há um ano é o diretor-gerente da agência municipal encarregada da transformação de resíduos em energia.
De navio e de caminhão, incontáveis toneladas de lixo viajam de regiões onde há excesso de resíduos para outras que têm capacidade para queimá-las e transformá-las em energia. A maioria das pessoas no país aprova a ideia.
Os ingleses também gostam. A empresa de Yorkshire que lida com a coleta de lixo no norte da Inglaterra atualmente embarca até 907 toneladas de lixo por mês para os países do norte da Europa, incluindo a Noruega, de acordo com Donna Cox, assessora de imprensa da prefeitura de Leeds. Um imposto britânico sobre os aterros sanitários faz com que seja mais barato enviar o lixo para lugares como Oslo.
Para alguns, pode parecer bizarro que Oslo recorra à importação de lixo para produzir energia. A Noruega está entre os dez maiores exportadores mundiais de petróleo e gás e tem abundantes reservas de carvão e uma rede de mais de 1.100 usinas hidrelétricas em suas montanhas, ricas em água.
Mikkelsen, no entanto, disse que a queima do lixo é “um jogo de energia renovável para reduzir o uso de combustíveis fósseis”.
Já Lars Haltbrekken, presidente da mais antiga entidade ambientalista da Noruega, afirmou que, do ponto de vista ambiental, a tendência de transformar resíduos em energia constitui um grande problema, por gerar pressão pela produção de mais lixo.
Numa hierarquia de objetivos ambientais, disse Haltbrekken, a redução da produção de resíduos deveria estar em primeiro lugar, ao passo que a geração de energia a partir do lixo deveria estar no final. “O problema é que a nossa prioridade mais baixa conflita com a mais alta”, disse ele.
Em Oslo, as famílias separam seu lixo, colocando os restos de comida em sacos plásticos verdes, os plásticos em sacos azuis e os vidros em outro lugar. Os sacos são distribuídos gratuitamente em mercearias e outras lojas.
Mikkelsen comanda duas usinas. A maior delas usa sensores computadorizados para separar os sacos de lixo codificados por cor.
A separação do lixo orgânico, incluindo os restos de comida, passou a permitir que Oslo produza biogás, o qual já abastece alguns ônibus no centro da cidade.
Outras áreas da Europa estão produzindo grande quantidade de lixo, incluindo o sul da Itália, onde lugares como Nápoles pagaram a cidades da Alemanha e da Holanda para que aceitem seus resíduos, ajudando a neutralizar uma crise napolitana na coleta do lixo. No entanto, embora Oslo tenha cogitado receber o lixo italiano, a cidade preferiu continuar com o inglês, considerado mais limpo e seguro. “É uma questão delicada”, diz Mikkelsen. (tecnocontrol)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nuclear, carvão e gás natural serão fontes de base

MME; Nuclear, carvão e gás natural serão fontes de base a partir de 2025
PNE 2050 deve ser lançado ainda este ano, segundo Altino Ventura.
Após o esgotamento do potencial hidrelétrico entre 2025 e 2030, a nuclear, o carvão mineral e o gás natural deverão passar a ser as fontes de base, de acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. Segundo ele, essas indicações devem estar presentes no Plano Nacional de Energia 2050, que será lançado ainda em 2014.
"Quando a hidrelétrica sair, temos que ter uma combinação da nuclear, carvão e gás natural como fontes de base", declarou Ventura, durante o seminário Perspectivas da Energia Nuclear no Brasil, promovido pelo Gesel, no Rio de Janeiro. Altino destacou que caso haja oferta e preço competitivo de gás natural, pode ser que essa seja a fonte predominante de expansão a partir da próxima década.
"Da mesma forma, se houver tecnologia de captura de CO2 a preços acessíveis, o carvão é viabilizado. Mas isso ainda não está acontecendo", comentou. Ele diz ainda que as fontes renováveis como eólica, biomassa e solar continuarão com participações efetivas na matriz energética, mas que estas são fontes complementares.
"Claro que vamos ter biomassa, eólica e solar e vamos tentar colocar o máximo possível sem prejudicar a operação", frisou Ventura. Sobre a participação privada no setor nuclear, Altino afirmou que não há nenhum estudo ou decisão sobre o tema. O PDE 2023, que está em consulta pública, não traz a indicação de nenhuma nova nuclear, além de Angra 3, que está em construção. (canalenergia)

Japão sinaliza retorno à energia nuclear

Segundo especialistas, usina de Sendai, no sul do país, é segura o suficiente para voltar a funcionar. Ambientalistas criticam avaliação, e governo quer antes ouvir a população.
Usina de Sendai, no sul do Japão
Apesar de protestos da sociedade civil, a Autoridade de Regulação Nuclear (NRA) do Japão declarou que a usina de Sendai, no sul do país, está apta a funcionar novamente. Segundo um relatório divulgado em 16/07/14, com mais de 400 páginas, dois reatores da usina são seguros o suficiente para serem novamente ligados à rede elétrica.
Entretanto, um retorno à energia nuclear – desativada desde o desastre de Fukushima, há mais de três anos – pode demorar vários meses. Isso porque o governo japonês e a empresa operadora da usina de Sendai, a Kyushu Electric Power, concordaram em incluir a população e as autoridades locais na tomada de decisão sobre a volta à operação da planta.
Durante a assembleia da NRA sobre o assunto, que foi transmitida pela internet, ativistas protestaram contra a decisão, gritando: “Vocês deveriam ter vergonha!”. Houve protestos também em frente à usina.
Em março de 2011, um terremoto e um tsunami atingiram a usina de Fukushima, no nordeste do país, provocando fusões nucleares no núcleo dos reatores. Devido à radioatividade, a região em torno da usina foi evacuada, com dezenas de milhares de pessoas tendo de deixar suas casas. Foi o mais grave acidente nuclear desde o de Chernobyl, em 1986. Por razões de segurança e manutenção, o Japão desligou todos seus reatores nucleares após o desastre.
O primeiro-ministro Shinzo Abe quer convencer a população a um retorno à energia nuclear, antes responsável por cerca de um terço da energia consumida no país. Somente assim seria possível diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados, argumenta. Segundo pesquisas recentes, cerca de 55% da população japonesa rejeita um retorno à energia nuclear.
A usina de Sendai está localizada a cerca de mil quilômetros ao sul de Tóquio, na ilha de Kyushu, e a apenas 50 quilômetros do vulcão ativo Sakurajima. (ecodebate)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GOL realiza 1º voo internacional com biocombustível

GOL faz primeiro voo internacional com biocombustível
Em 30/07/14 a Gol realizou o primeiro voo internacional com biocombustível, partindo de Orlando, com destino a Santo Domingo e São Paulo. O voo foi em um Boeing 737-800 NG, abastecido com combustível renovável, derivado da cana-de-açúcar. O abastecimento do voo G3 7725 foi composto por uma mistura com 10% do combustível renovável a partir da cana-de-açúcar, produzido pela Amyris em Brotas, interior de São Paulo, e 90% de combustível fóssil.
“Este ano a Gol consolidou importantes projetos relacionados ao seu compromisso com a sustentabilidade do setor. Operamos o primeiro voo do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG) abastecido com biocombustível, concluímos 200 voos verdes iniciados na Copa do Mundo e agora somos a primeira aérea brasileira a realizar um voo internacional com combustível renovável e, além disso, derivado da cana-de-açúcar brasileira”, destaca o diretor Técnico Operacional da Gol, Pedro Scorza. Ao longo de 2013, com medidas para redução de consumo de combustível, a Gol deixou de emitir mais de 12 mil toneladas de carbono. A meta é ter 1% de combustível renovável na frota da Gol até 2016. (panrotas)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eficiência Energética e Meio Ambiente

Muitos autores, como Braga et al, 2002, resumem a crise ambiental como resumida em “três aspectos básicos: crescimento populacional, demanda de energia e de matérias primas e geração de resíduos, ou seja, poluição” (Braga et al, 2002).
A principal fonte de energia da terra são as radiações eletromagnéticas provenientes do sol. A maior parte da energia térmica utilizada pelos ecossistemas provém desta fonte.
Os recursos energéticos primários são classificados em renováveis e não-renováveis.
As fontes renováveis provêm direta ou indiretamente das fontes solares, que cada vez mais são implementadas como produtoras diretas de energia. Podem ser citadas:
Energia dos Mares: energia obtida pela variação do nível do mar nos oceanos; esta energia potencial é revertida em energia mecânica ou qualquer outra forma de energia;
Energia Geotérmica: é a energia gerada a partir de fontes magmáticas plutônicas ou vulcânicas, produzida nos magmas ou fusões de rocha em zonas de margens construtivas ou margens destrutivas ou de subducção;
Energia solar: é a energia radiante do sol, que se transmite através de radiações eletromagnéticas (REM) que pode ser aproveitada diretamente para o aquecimento de água ou para a geração de energia elétrica através de células fotoelétricas;
Biogás: é a energia obtida com o gás natural resultante da decomposição anaeróbica de compostos orgânicos, pode ser utilizada através de queima ou com a utilização do calor da combustão;
Biocombustível líquidos: é o material obtido pela fermentação e decomposição em condições anaeróbicas de vários tipos de biomassa como por exemplo bagaço de cana-de-açúcar e resíduos sólidos de natureza orgânica, com aproveitamento através de queima ou combustão;
Gás Hidrogênio: fonte energética gasosa produzida através de procedimentos eletroquímicos, a partir da eletrólise da água, com aproveitamento através da queima ou combustão do gás;
Biomassa: que são fontes de origem vegetal diversa como óleos de mamona, álcool produzido por cana-de-açúcar e outras.
As fontes de combustíveis não-renováveis podem ser resumidas da seguinte maneira:
Combustíveis fósseis: os mais conhecidos são os depósitos naturais de carvão, gás natural e petróleo, que representam na verdade energia solar armazenada na forma de energia química em depósitos geológicos antigos, resultantes da decomposição de florestas e de animais, submetidos posteriormente a processos de diagênese ou transformação em rocha sedimentar e metamorfismo ou transformação em rocha metamórfica;
Derivados de combustíveis fósseis: são produtos obtidos a partir do fracionamento dos combustíveis fósseis, particularmente a partir de petróleo, como gasolina, óleo diesel, nafta, querosene e outras substâncias fracionadas;
Derivados sintéticos: óleo cru sintético e gás natural sintético produzidos por gaseificação “in situ” ou “alóctone” de carvão mineral;
Óleos pesados não convencionais: são depósitos geológicos de óleos de consistência asfáltica que podem ser explorados por métodos de recuperação forçada a partir de folhelhos betuminosos (conhecidos popularmente por xistos betuminosos) ou depósitos arenosos com reservas de alcatrão, todos podem servir para a produção de óleos pesados similares ao petróleo;
Gás natural não convencional: é o gás que se encontra presente em depósitos geológicos, subterrâneos e em grandes profundidades, tendo como rocha hospedeira litotipos sedimentares psamíticos, ou se encontram em depósitos profundos de águas salgadas a altas temperaturas e pressões (denominadas zonas geopressurizadas);
Combustíveis nucleares: são elementos radioativos que podem ser induzidos a sofrer fissão nuclear, com liberação de energia presente no núcleo dos materiais físseis que é utilizada para a geração de vapor em alta pressão que aciona turbinas acopladas a geradores elétricos;
Fusão nuclear: processo no qual os átomos de elementos leves se unem produzindo um elemento de peso atômico mais pesado num processo que precisa energia para ser produzido, mas posteriormente libera uma quantidade muito maior de energia que é utilizada para a geração de energia elétrica;
Depósitos geotérmicos confinados: são fontes caloríficas de baixa temperatura em zonas subterrâneas onde o vapor seco é hegemônico ou misturado com água quente, sendo o calor liberado por substâncias químicas de natureza radioativa, encontradas no manto superior ou em fontes magmáticas;
A questão energética, talvez mais do que todos os demais itens apresentados e discutidos, desnuda e expõe com grande clareza a consagrada expressão mudança de paradigmas.
O que se busca expressar quando se utiliza estes termos são mudanças profundas, não materiais, mas filosóficas na forma de pensar a vida, nos fatores e condicionantes da felicidade humana.
Ninguém condena a melhoria da qualidade de vida das populações. Ao contrário, todos nós desejamos que o desenvolvimento traga melhoria de condições de conforto e qualidade de vida para todos. (ecodebate)