quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Energia solar levará água potável a comunidade indígena no Amazonas

Acoplado a um painel de energia solar e à caixa de água, o purificador filtra 400 litros por hora.
Com uma geração de energia 100% limpa e gratuita, as placas solares são muito utilizadas em projetos de atendimento a comunidades indígenas na Amazônia.
Na cidade amazonense de Maués, por exemplo, cinco comunidades indígenas serão beneficiadas com um sistema de abastecimento de água potável movido a energia solar.
O projeto faz parte do programa de Saneamento integrado de Maués (Prosaimaués), coordenado pelo Governo do Amazonas, por meio da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
Serão cinco poços tubulares que atenderão com água potável ao banheiro e as torneiras a serem construídos entre os povoados, além de um sistema de saneamento.
Placas solares fotovoltaicas, as mesmas utilizadas em kits de energia solar residencial, serão as responsáveis por gerar a energia necessária para o sistema de bombeamento da água.
Através da conversão direta da luz do sol em eletricidade, essas placas funcionarão em conjunto com banco de baterias para a utilização da energia também em períodos noturnos.
Impactados pelos períodos de seca, quando os níveis do rio Maués Açu diminuem e interferem no abastecimento e qualidade da água, esses povoados agora poderão ser beneficiados por esse projeto não só social, mas também sustentável.
As comunidades indígenas atendidas, todas da etnia Sateré Mawé, serão a Monte Salém, Novo Belo Horizonte, Terra Nova, Boas Novas e Sagrada Família.
O projeto em Maués, entretanto, não é o primeiro realizado pelo Prosaimaués, que já entregou outros oito poços na região desde 2017, atendendo as comunidades de Santo Anjo, Livramento I, Livramento II, Nova Liberdade, Santa Izabel, Marau Novo, São Benedito e São Pedro.
Segundo o coordenador do UGPE, o projeto irá levar mais qualidade de vida a essas populações indígenas, que poderão contar com água potável e sistema de saneamento, evitando várias doenças decorrentes da falta disso. (ecodebate)

EDP Renováveis aumenta produção global em 5% no 1º semestre/19

EDP Renováveis aumenta produção global em 5% no primeiro semestre do ano.
Energia produzida no Brasil cresceu 66%, ficando em 697 GWh.
A EDP Renováveis terminou o primeiro semestre deste ano produzindo 16,2 TWh de energia renovável, crescendo 5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa divulgou em 10/07/19 seus resultados operacionais globais. No Brasil ela produziu 697 GWh, tendo um aumento de 66% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O Brasil teve o maior aumento já que na Europa a produção subiu 4% e na América do Norte, subiu 2%.
Até junho, a empresa geria uma carteira de 11,8 GW, em que 2,4 GW estão na Espanha e 1,4 GW em Portugal. Na América do Norte, são 5,8 GW, enquanto no Brasil, são 0,5 GW. Ainda segundo a EDPR, nos últimos 12 meses, o portfólio aumentou 720 MW, com 318 MW na América do Norte, dos quais 40 MW consolidados por equity dada a execução da estratégia de Sell‐down no quarto trimestre de 2018 na qual a EDPR vendeu uma participação de 80% no parque Meadow Lake VI e consolidou os restantes 20% em equity, 266 MW na Europa e 137 MW no Brasil.
A empresa terminou o semestre com 1,3 GW de nova capacidade em construção, onde 993 MW são em projetos onshore e outros 330 MW em projetos offshore e flutuantes. O fator de capacidade da empresa no primeiro semestre ficou em 33%, refletindo 96% do P50.
No segundo trimestre, a EDPR alcançou um fator de utilização de 31%, frente a 29% no segundo semestre do ano passado, se beneficiando do maior recurso eólico. (canalenergia)

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Novo telhado da Catedral de Notre-Dame poderá gerar energia solar

Projeto prevê ainda um jardim para a plantação de frutas e vegetais
Um projeto para a reconstrução de parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, que sofreu um incêndio em abril deste ano, tem ganhado cada vez mais notoriedade. Elaborado pelo renomado arquiteto belga Vincent Callebaut, cuja proposta é mais ecológica, o esboço prevê um telhado que armazene energia solar capaz de abastecer não somente a catedral, mas também compartilhar a energia excedente com prédios vizinhos.
Esta nova proposta de Callebaut apresenta uma estrutura de madeira coberta com vidros de cristais facetados e tridimensionais, em forma de diamante. Estes cristais possuem uma camada ativa orgânica, composta de carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio, que absorve a luz e a transforma em energia.
Para este projeto, o arquiteto incluiu também a construção de um jardim, que deverá servir não somente esteticamente, mas também como forma de alimentação compartilhada. ‘’Penso que deveria ser cultivado por voluntários e associações de caridade para ajudar os parisienses mais carentes e sem lar.
“Acredito que até 21 toneladas de frutas e vegetais poderiam ser produzidas e colhidas neste local, através dos sistemas de permacultura e hidroponia, e diretamente redistribuídas gratuitamente a cada ano”, disse Callebaut à imprensa local.
O arquiteto defende um projeto com engenharia ecológica para a Catedral de Notre-Dame que una economia circular, energias renováveis, inovação social inclusiva, agricultura urbana e proteção da biodiversidade, sem esquecer a beleza e a elevação espiritual. “Nossa proposta de design se alimenta de tais valores para proporcionar um significado profundo e consciente”, afirmou.
Vale lembrar que este projeto faz parte da competição criada pelo primeiro ministro francês, Édouard Philippe, que anunciou, dois dias depois da tragédia do incêndio, que será realizada uma concorrência internacional para definir um projeto de reconstrução. (portalsolar)

Revestimento fotovoltaico colorido para telhados chega em agosto no Brasil

Nova linha com 4 mil opções de cores está passando por testes na Europa, enquanto vidro solar para fachadas deve ser homologado pelo Inmetro nessa semana, com eficiência podendo chegar até o dobro dos painéis tradicionais.
Um telhado que ainda gera energia renovável através do sol e que passa despercebido ao olhar de qualquer um. Esse é um breve resumo da nova linha de produto desenvolvido pela multinacional SwissInso e que chega ao mercado brasileiro em agosto com uma variedade de 4 mil cores para o revestimento fotovoltaico completo ou parcial destinado ao setor residencial e comercial, semelhante ao que a Tesla lançou no ano passado. A informação foi passada pelo representante da empresa para América do Sul, Central e Caribe, Rogério Duarte, que falou com exclusividade à Agência CanalEnergia sobre os novos negócios da companhia que chegam ao país nesse segundo semestre.
O executivo contou que a solução foi concebida como uma alternativa ao conceito técnico do Kromatix, vidro fotovoltaico exclusiva da empresa para aplicação de revestimento e acabamento em edificações, e cuja tecnologia foi obtida através de um estudo envolvendo a borboleta da família morpho como inspiração, que inclusive estampa a logo da tecnologia. Essa espécie apresenta um brilhante azul metálico, por vezes verde, porém as cores não são resultado de pigmentação, mas provocadas pela refração da luz em minúsculas escamas transparentes inseridas em suas asas, as quais refletem repetidamente a luz incidente em várias camadas sucessivas, criando efeitos de cor observados.
“Quando se olha a coloração da asa dessa borboleta com incidência solar, ela transmite uma tonalidade de cor, porém é uma ilusão de ótica: sem aqueles raios não há nenhuma cor,” conta Duarte, afirmando que a diferença para a nova linha é que a cor será a mesma em qualquer angulação, sem problema de esgotamento ou laminação com o tempo. O novo produto, batizado como Kromiris, está passando por testes na Europa e deve estar disponível ao mercado brasileiro em aproximadamente 50 dias.
Já o vidro solar colorido importado de Dubai que promete substituir qualquer tipo de fachada, gerando ainda eletricidade, deve ser homologado pelo Inmetro nessa semana. Ele explicou que pelo fato da companhia ter um leque amplo de soluções para o segmento de geração fotovoltaica na construção civil – em qualquer tamanho e em diversas cores – a primeira certificação do Kromatix foi aconselhada a ser feita no Brasil, conforme cinco normatizações do Laboratório da Universidade de São Paulo (USP), o único acreditado para esse tipo de tecnologia no país.
Cores e eficiência
Embora sejam diferentes, a premissa das duas soluções é a mesma: integrar uma construção ao conceito de energia solar, utilizando um material que além de revestir bem esteticamente, produz energia limpa e renovável, e que pode ser armazenada em baterias quando não houver sol, ou repassadas a rede quando gerada em excesso, rendendo créditos na conta de luz do ponto consumidor em questão.
Duarte conta que foram necessários mais de oito anos de estudo para o desenvolvimento da tecnologia, que ele resume em um vidro laminado, temperado, que obtém sua coloração através de um processo de nanopartículas depositadas atomicamente na superfície do vidro, que atinge escalas de cor. “Não estou falando de tinta, nem de película, filme, ou de pigmentação. É o próprio vidro que se transforma na colocação que a gente deseja”, diz.
O executivo explica que é no processo de laminação que ocorre o método de captação, através de células que vão no meio do material e que se pode trabalhar com qualquer coloração, porém há seis cores em escalas industriais – cinza, verde, azul, terracota, bronze e ouro – que não deixam a desejar em eficiência em relação a célula fotovoltaica, com uma perda mínima de 1% em relação aos painéis tradicionais, proporcionando assim o melhor retorno de investimento para o cliente.
As outras colorações acabam perdendo mais em eficiência, como por exemplo o branco, vermelho e laranja. No entanto a empresa também trabalha com a entrega de vidros comuns e nessas cores mais gritantes, visando atender a diferentes conceitos que um arquiteto pode querer utilizar, por exemplo. “Às vezes entregamos o vidro também sem a célula fotovoltaica, para completar um conceito de design do profissional”, lembra.
Outro importante fator destacado é quanto a angulação do revestimento, que acaba influenciando na eficiência da energia captada. “Fizemos testes em laboratório comparando a eficiência de nossos vidros com os painéis tradicionais e constatamos que a 60 graus o Kromatix gera 30% mais energia que o tradicional, enquanto que a 90 graus ele dobra, gerando 50% a mais de energia”, resultado explicado, segundo ele, pela melhor performance na chamada radiação difusa, nos momentos em que o sol não bate diretamente nas placas, o que pode ser comprovado por software. “Durante o projeto já dimensionamos quanto que irá ser gerado na qualidade daquela edificação”, garante o empresário.
Perguntado sobre a competitividade dos produtos dentro do mercado no Brasil, além de ser uma novidade para o segmento, Duarte salientou que a precificação é feita a partir do custo do material que seria utilizado em determinada construção, mostrando potencial de atingir o público pelo plus da geração elétrica e consequentemente a conta mensal de luz muito mais baixa ou até nula, dependendo de cada caso. “Se o Kromatix custa R$ 2 mil o metro instalado e outro vidro custa mil, soma-se a isso também toda diferença que se terá com a geração de energia, o que será pago num certo tempo”, avalia.
A garantia do material é de 30 anos na potência linear, cinco a mais do que nos painéis tradicionais por ser um vidro frontal ou traseiro. Já o retorno do investimento varia conforme as regiões e tarifas. Em São Paulo a estimativa é de seis a sete anos, enquanto que em Minas Gerais cai para quatro ou cinco anos de payback, assim como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Para implantação do Kromatix, o trabalho acontece em três frentes, envolvendo quatro profissionais: a empresa, oferecendo o produto; o arquiteto, que irá especificar o material para obra; que depois contratará um fachadista ou instalador, estes tendo que possuir conhecimentos sobre o produto para instalá-lo corretamente. Por fim, a figura do engenheiro elétrico em energia solar, que irá desenvolver o projeto, solicitando a liberação de acesso junto a concessionária e trabalhando no chamado net metering, que é a flutuação entre a energia gerada e o excedente que deve ir para a rede e gerar créditos a esse autoprodutor de energia.
De acordo com Rogério Duarte, a estrutura de montagem é exatamente igual a de um painel fotovoltaico, com a companhia entregando o produto com moldura, já com o backsheet na parte traseira e o polímero igual dos painéis tradicionais, e também sem moldura, com entrega de um vidro frontal Kromatix e um vidro traseiro preto, cerâmico e com bom acabamento, que encaixa na fachada igual seria com qualquer outro tipo de material.
Projetos e expansões
O primeiro projeto no Brasil será concluído em agosto, em frente ao Aeroporto de Vitória (ES), numa capacidade total de 12 KWp. O outro, num prédio residencial em Curitiba (PR), deve ser finalizado em setembro e terá a potência de 60 KWp. Mas é em São Paulo que está bem encaminhada a negociação para o maior projeto até então da companhia, de 420 KWp em aproximadamente 3 mil m² de fachada. “Será num ícone da cidade de São Paulo”, ressalta o executivo, revelando também que a empresa terá um escritório com showroom a ser inaugurado nesse segundo semestre na capital paulista.
A SwissInso possui cerca de 70 mil m² de instalações exclusivas no mundo todo para aplicação de revestimento e acabamento em edificações com geração de energia solar fotovoltaica, fora a programação de projetos a serem instalados no Canadá, Noruega, Amsterdam, Dinamarca, Suíça e Dubai. A Emirates Insolaire, uma joint-venture estabelecida em 2013 partir da companhia e a Dubai Investment, fabrica o produto nos Emirados Árabes Unidos, sendo também responsável por seu licenciamento no país e pela distribuição dos painéis de vidros solares da empresa Almaden na América Latina, estes sem cor.
A estimativa da companhia é atingir um volume de vendas de 40 mil m² no Brasil, até 2022, o que representa um faturamento de US$ 21 milhões. “O Brasil pode se tornar um dos principais mercados para nosso produto por ser um território com grandes metrópoles e poucos espaços para implantação de usinas em solo, além de haver grande interesse do segmento da construção civil em entregar edificações com elevadas pontuações para a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)”, resumiu Duarte.
Atualmente o produto também é fabricado na Alemanha, e as obras para construção de uma nova fábrica na Suíça já foram iniciadas. Quanto a outras expansões, o empresário revela que já há tratativas para fazer o mesmo no Brasil. “Nossa ideia também é fazer a montagem aqui e entrar como fabricante nacional, até mesmo para conseguir o financiamento Finame, dentro da linha do BNDES”, assinalou, dizendo não trabalhar com parceiros exclusivos, mas que há ultimamente uma frutífera relação com a empresa brasileira Norr Energia, que esteve recentemente com a SwissInso em um processo de capacitação em Dubai.
Escola Internacional na Dinamarca é uma das aplicações icônicas do Kromatix da SwissInso. (ctee)

domingo, 4 de agosto de 2019

Palma é nova opção para geração de energia a partir do biogás

Pesquisadores pernambucanos detectaram capacidade da palma pernambucana gerar espécie de biogás purificado.
Amostras de palma pernambucana chegaram a gerar 65 m³ de gás por tonelada de matéria verde.
Símbolo da resistência no semiárido nordestino, a palma – que mata fome do gado – também tem potencial energético satisfatório aos humanos. Embora não se trate diretamente da alimentação, pesquisadores pernambucanos estão debruçados sobre estudos que assegurem a capacidade da palma como fonte para produção de biogás, e os primeiros resultados são animadores.
Com o pontapé inicial dado pelo engenheiro agrônomo e consultor Luiz Gondim, em parceria com um parente que mora na Alemanha, chegou-se à conclusão – após testes realizados naquele país com raquetes de palmas colhidas no Agreste pernambucano – que, a partir de processos fermentativos, a matéria verde produzida pela palma pode ser transformada em um tipo de biogás com aproximadamente 60% de metano, o que proporciona uma capacidade calorífica para geração de eletricidade e calor, se conduzido a um motor de cogeração. Quando tratado, segundo as pesquisas, com a retirada de todo o conteúdo de gás carbônico, o resultado pode ser ainda mais expressivo, chegando ao biometano (biogás purificado) com taxa de 98% de metano ou biometano – mais importante item no caso da queima para geração energética.
“Desde 2004 estamos estudando essa possibilidade. Enchemos uma mala do material coletado em Caruaru e testamos numa empresa alemã. Nessa época, já havia alguns estudos em andamento no Chile que apontavam a capacidade de 45 m³ de biogás por cada tonelada de matéria verde de palma, mas uma das nossas amostras chegou a gerar 65 m³ de gás por tonelada de matéria verde”, conta Gondim.
Fonte energética renovável, o biogás é fruto do processo de decomposição de matéria orgânica utilizada para a produção de energia, a chamada biomassa. No caso da palma forrageira, o processo utilizado para extração se dá através da ação de micro-organismos, em um ambiente com baixa presença de oxigênio: dentro de um biodigestor. “O biogás é armazenado em reservatórios que são feitos geralmente com lonas plásticas grossas, os biodigestores são de fácil aquisição e tem se barateado muito o custo do equipamento. É uma coisa adequada a nossas condições, até porque a cultura da palma para plantação é algo comum”, reforça o pesquisador.
Extraído, o biogás é capaz de - análogo ao gás natural - fazer funcionar máquinas térmicas que, por sua vez, geram energia elétrica. “Após gerado, esse biogás é queimado em turbinas a gás, gerando o processo de combustão como ocorre hoje, normalmente”, explica a consultora de biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Rachel Henriques. Quanto à liberação de gás metano na atmosfera, o processo de queima do biogás aproveita todo o metano para a geração de energia, com liberação do dióxido de carbono (CO2), 20 vezes menos poluente.
Para que o biogás da palma seja altamente eficiente, pesquisadores do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e do Departamento de Energia Nuclear (DEN) da UFPE esperam, agora, a liberação de recursos do CNPQ para continuidade dos estudos que, quando concluídos, podem incrementar o parque energético e a economia no Agreste e Sertão.
“É um leque de pesquisa que se abre sobre a palma como fonte energética. Temos áreas plantadas em Caruaru, Arcoverde e São Bento do Una, e um biodigestor na UFPE. Estamos analisando 50 espécies de palma para saber qual tem mais potencial, e aí divulgar os resultados ao setor produtivo”, conta o pesquisador do IPA Josimar Gurgel.
Potencial
Fonte sustentável para a geração de energia a partir do reaproveitamento de resíduos, o biogás aos poucos tem ganhado espaço na matriz energética brasileira. Tendo como principais frentes as unidades produtoras em aterros sanitários e usinas de cana-de-açúcar, a possibilidade da extração do gás a partir da palma é considerada um bom sinal para descentralização da produção.
“O biogás está na sua melhor época, seja para geração de energia ou outras finalidades. O Brasil tem cada vez mais fontes renováveis intermitentes, e o biogás é não intermitente, sendo gerado de forma descentralizada e perto das áreas de consumo”, analisa o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann. Segundo ele, o mercado de biogás brasileiro tem crescido, em média, 30% ao ano, e já movimenta aproximadamente R$ 700 milhões. “Agora o que se precisa é de fontes de financiamento e aumento do conhecimento. Falta desenvolver uma cadeia, porque o biogás pode substituir tanto o gás natural quanto o óleo combustível, como o diesel. Tem um espaço muito grande a ser aproveitado”, acredita.
 De acordo com a EPE, desde 2016, com estímulo da Aneel através da publicação de resolução normativa, a geração distribuída de usinas de biogás cresceu bastante. “Em 2014, tínhamos 0,2 megawatts (MW) de capacidade instalada, agora, em 2019, já estamos em 21,2 MW”, frisa a consultora Raquel.
Para o IPA, a descoberta da palma é mais uma característica que reforça o potencial de renovação do Agreste e Sertão nordestino.
“Ter produção de álcool ou biogás no semiárido, a partir de uma planta altamente adaptada às condições de baixa precipitação, é garantir incremento na renda do produtor local e desenvolvimento social e econômico dessas regiões semiáridas”, aponta Josimar. (uol)