quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Energia solar II

O Norte de Minas padece há décadas de projetos que possam resultar na sua transformação social e econômica.
O Norte de Minas padece há décadas de projetos como o da energia solar.

O norte de Minas padece há décadas de projetos que possam resultar na sua transformação social e econômica. É uma região vitimada pela ausência histórica do Poder Público, onde tudo é pior: a saúde e a educação são totalmente precárias, condenando seus habitantes a longas viagens para receberem assistência médica, assim mesmo limitada. Há cidades aonde crianças chegam a viajar 30 km para terem acesso às escolas, onde muitas vezes conseguem fazer a única refeição de um dia. Meras portarias paridas nos gabinetes da administração estadual e federal limitam o uso da terra, sob o mando de se proteger o meio ambiente. Não se quer ofender a natureza nem tampouco nossas reservas naturais, mas não se pode fechar totalmente as portas à possibilidade de se flexibilizar algum parâmetro da legislação ambiental para gerar emprego e renda, para se combater a miséria absoluta.

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Os Kits de energia solar do Portal Solar são os mais completos do mercado e possuem todos os equipamentos necessários para que você comece a produzir a sua energia com a luz do Sol. (otempo)

Energia solar I

Uma nova perspectiva econômica e social vai se abrir no norte de Minas, no médio São Francisco e no Vale do Jequitinhonha.
Uso de energia solar tem se destacado em Minas.

Uma nova perspectiva econômica e social vai se abrir no Norte de Minas, no médio São Francisco e no Vale do Jequitinhonha diante da aprovação do Projeto de Lei 5.829/2019, conhecido como o marco legal da geração distribuída (GD) a partir de fontes renováveis de energia. No Brasil, a maior contribuição para tal geração está no modo fotovoltaico, e o Norte de Minas, dada a sua insolação, representa em todo Brasil a região de melhor e mais econômica conversão do fator solar em energia.

Embora representativas, as instalações que já operam elevaram Minas Gerais à condição de Estado líder nesse processo de produção de energia, tendo gerado desde 2012 quase 35 mil empregos, além da atração de cerca de R$ 5 bilhões de investimentos. Esses números podem ser triplicados rapidamente. (otempo)

Campanha publicitária promove usinas nucleares

Diferentemente daqueles que defendem tal tecnologia para o Brasil, a nucleoeletricidade em nada contribui para a transição energética

O governo federal busca a aceitação popular para o uso da energia nuclear. Enquanto o ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, anuncia que o município de Angra dos Reis (RJ) é forte candidato a abrigar a quarta usina atômica – antes mesmo da conclusão de Angra 3 – campanha publicitária, inclusive na televisão, explora a importância das usinas para o bem do país. Por curiosidade, o valor da campanha foi divulgado?

A publicidade pró usinas tem várias inverdades. Elas não são suficientes para garantir o abastecimento do país de energia elétrica. Angra 1, com a potência instalada de 640 MW, quando opera com 100% de sua sincronizada ao Sistema Integrado Nacional (SIN), equivale a produção de somente 10% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro.

Angra 2, com o dobro da potência, gera 20% da energia, na mesma conta. São essas duas usinas em operação. Já Angra 3, poderá gerar a mesma energia, quando entrar em funcionamento, em 2026. Isso quer dizer que as usinas contribuem para a geração da energia elétrica, mas custam fábulas de dinheiro, podendo provocar prejuízos à população e ao meio ambiente e, não vão reduzir as possibilidades de o Brasil ficar imune ao problema.

Diferentemente daqueles que defendem tal tecnologia para o Brasil, a nucleoeletricidade em nada contribui para a transição energética. Usinas Angra 1 e Angra 2 contribuem com menos de 2% da potência total instalada na matriz elétrica. O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, projeta uma ampliação da geração nuclear entre 8 e 10 Gigawatts (GW). Mesmo que esta potência seja agregada à matriz elétrica nos próximos anos, a contribuição da fonte nuclear continuaria mínima e desnecessária para segurança energética do país.

Parece que o Brasil corre na contramão de muitos países desenvolvidos. Vamos reiterar: essas usinas nucleares, que transformam o calor produzido pelas reações nucleares em energia elétrica usam uma tecnologia em declínio de aceitação. São notórias as possibilidades de ocorrer acidentes extremos, ou seja, vazamento de material radioativo para a atmosfera. Além do custo da energia gerada ser considerada uma das mais caras entre as opções energéticas para termoelétricas. Hoje seu custo por MWh está em torno de quatro vezes maior que o produzido pelas usinas solares fotovoltaicas e eólicas.

Países como a Alemanha, Itália, Áustria, Bélgica, entre outros, já abandonaram esta tecnologia. Na França e no Japão novas instalações de usinas nucleares sofrem grandes resistências, de inúmeros e representativos grupos sociais. Nota-se mundialmente entre os povos, um posicionamento majoritário contrário à tecnologia nuclear, pois além do risco de uma tragédia com espalhamento de material radioativo para o solo-terra-ar; as usinas nucleares são caras, sujas e perigosas.

Diante desse quadro, nos preocupam também as últimas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), definindo que legislar sobre atividades nucleares cabe exclusivamente a União Federal. Este entendimento ocorreu após o ajuizamento, pelo Procurador Geral da República, de ações de inconstitucionalidade contra artigos e dispositivos de Constituições Estaduais que defendiam e protegiam suas populações e o meio ambiente de uma “catástrofe nuclear”.

No caso de Pernambuco, o artigo 216 de sua Constituição Estadual restringia a instalação de usinas nucleares em seu território, desde que todas outras fontes energéticas já tivessem sido utilizadas. Segundo decisão do STF este dispositivo foi anulado, e assim, do ponto de vista jurídico, esta decisão vai facilitar a instalação de usinas nucleares em seu território, conforme defende o governo federal.

Existem inequívocos interesses econômicos e militares em promover as usinas nucleares, em detrimento ao interesse público. Econômicos, pois são construções caras, US$ 5 bilhões cada usina de 1.200 Megawatts (MW), obviamente de grande interesse dos vendedores dos equipamentos e das empreiteiras.

A sociedade precisa de informações sobre a construção dos submarinos nucleares, cujo custo ao país é estimado em R$ 35 bilhões. Na área militar o desejo, sempre desmentido, é pela construção de artefatos nucleares, como a bomba nuclear. Assuntos gravíssimos e de interesse da sociedade brasileira, que impliquem consequências para as gerações futuras não estão sendo devidamente debatidos. Um deles é a nuclearização do país em um continente até então pouco provido de atividades nucleares. 

Heitor Scalambrini Costa – Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco. Graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França. É também membro da Articulação Antinuclear Brasileira. (ecodebate)

domingo, 30 de janeiro de 2022

Hidrogênio brasileiro é elemento-chave da transição energética global

O hidrogênio brasileiro como elemento-chave para a transição energética global.
Mundo vem debatendo uso do hidrogênio verde e seu potencial de contribuir para o processo de descarbonização da economia global.

O foco no desenvolvimento de fontes de energia e tecnologias de carbono neutro, como o hidrogênio, se dá em meio à mudança climática e à pressão para que governos e países se comprometam a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa.

O hidrogênio se tornou uma prioridade estratégica nas políticas energéticas e climáticas ao redor do mundo, não apenas como vetor energético, mas também por permitir o armazenamento de energia. Por essas características, ele pode ser utilizado diretamente como fonte de energia de baixo ou zero carbono, além de permitir que o setor energético tenha um papel importante em segmentos de difícil mitigação, como transporte e indústria pesada. A possibilidade de armazenamento da molécula permite ainda a maior utilização de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar.

Diversos países lançaram iniciativas para estudar a viabilidade do hidrogênio, voltadas a apoiar a transição energética e a recuperação econômica pós-pandemia nestas nações.

Hoje há rotas tecnológicas para a produção de hidrogênio, um dos processos mais “limpos” é a eletrólise de água com eletricidade gerada por fontes de baixo carbono, uso de energia renovável para quebrar as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

O Brasil está particularmente bem posicionado para ser um grande polo de desenvolvimento do hidrogênio verde, dada a abundância de recursos naturais no país (em especial hidro, eólico e solar). Um exemplo disso é o fato de que, após o elemento ser mencionado em 2020 pela Alemanha em sua Estratégia de Hidrogênio, o Ministério de Minas e Energia do Brasil e o governo alemão iniciaram conversas para identificar possibilidades de cooperação na área.

Embora os processos de produção e utilização industrial do hidrogênio estejam razoavelmente consolidados, a ampliação do uso de projetos de energia baseados em hidrogênio vai requerer investimentos adicionais em pesquisa, desenvolvimento e inovação, criando diversas oportunidades de negócios.

A implementação de novas tecnologias e o desenvolvimento da infraestrutura de produção, armazenamento, transporte e distribuição de hidrogênio vêm sendo estudados não apenas pelo governo brasileiro, mas também por pesquisadores de universidades do país, em parceria com agências de desenvolvimento internacionais.

Em fevereiro/2021, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) declarou o hidrogênio uma das prioridades para a pesquisa e o desenvolvimento e, em agosto do mesmo ano, o governo lançou o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), voltado à criação de um marco legal para o uso da energia proveniente do hidrogênio e de um ambiente de estabilidade regulatória.

Movimento impulsionou ambiente de negócios favorável e, apesar de o marco regulatório específico não ter sido estabelecido, investidores vêm demonstrando interesse especial em desenvolver o hidrogênio verde no Brasil, dada a competitividade significativa de fontes renováveis.

Governos locais têm apostado na criação de polos de hidrogênio, concentrados em projetos para a exportação direta e indireta de hidrogênio, na forma de amônia ou metanol. O Ceará, por exemplo, criou um grupo de trabalho para desenvolver políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e à implementação do Hub de Hidrogênio Verde no Complexo do Pecém, levando companhias como a Enegix, White Martins e Fortescue, a assinarem memorandos de entendimento com o Estado, com investimentos previstos de US$ 6 bilhões. Além disso, a EDP já investiu R$ 42 milhões em um projeto-piloto no Complexo do Pecém.

Pernambuco tomou iniciativa similar no Porto de Suape, sugerindo que os grandes complexos portuários e industriais do país serão a chave para o desenvolvimento de um mercado de hidrogênio, já que custos logísticos competitivos e a infraestrutura de processamento de exportação terão papel importante na exportação do produto.

A francesa Qair Brasil vem negociando com o governo a instalação de uma planta de produção de hidrogênio verde em Suape, com investimentos de US$ 3,8 bilhões, e também planeja uma usina no Ceará.

A desenvolvedora Casa dos Ventos, que tem um portfólio de projetos com capacidade instalada somada de 30 GW, também anunciou investimentos no hidrogênio. Em novembro, fechou acordo com o grupo Comerc Energia para aplicar US$ 4 bilhões em projetos de hidrogênio verde nos próximos dez anos.

Esses movimentos deixam claro que, quando se trata de investir na transição focada em hidrogênio, aproveitar-se dos recursos energéticos diversos e abundantes disponíveis no Brasil pode ser decisivo para uma estratégia de negócios bem-sucedida.

Hidrogênio verde é considerado a “menina dos olhos” da transição energética.

Elemento mais abundante do universo, H2 desponta como promessa de um futuro baixo carbono. Os desafios para sua adoção em massa são grandes, mas a revolução já começou (ecodebate)

Eólicas devem crescer 9% no mundo até 2030

Eólicas devem crescer 9% no mundo até 2030, afirma Wood Mackenzie.
Crescimento da demanda segue impulsionado pelo setor industrial chinês e recente crise energética no país deve acelerar ainda mais a previsão de 458 GW para a década.

A capacidade instalada de energia eólica no mundo deve crescer 9% entre 2021 e 2030 e chegar a mais de 1.756 GW acumulados, segundo novo relatório da Wood Mackenzie divulgado em 14/12/21. A China deu um grande impulso às últimas previsões, com incrementos médios de 48 GW a cada trimestre, sendo responsável por quase 70% do aumento para a perspectiva global de 10 anos.

A análise deste quarto trimestre reporta aumento de 69 GW em novos aerogeradores na comparação com a perspectiva do trimestre anterior para o final desta década. Para o diretor de pesquisa da Wood Mackenzie, Luke Lewandowski, o rápido crescimento da demanda energética segue impulsionado pelo setor industrial chinês, com a recente escassez de energia em setembro tendo acelerado a determinação do país no desenvolvimento das tecnologias renováveis.

“Atualizamos nossa perspectiva de capacidade eólica instalada na China, que deve adicionar 458 GW nesta década e continuará a liderar o ranking global”, destacou o executivo.

O levantamento aponta que a demanda aguda por energia ao longo da costa chinesa desencadeou uma atualização de 13 GW no setor eólico offshore, em grande parte concentrado de 2023 a 2026. Já o compromisso da nação com emissões líquidas zero deve gerar 88 GW de vento offshore adicional capacidade até 2030.

Na perspectiva trimestral nos Estados Unidos e na Europa os ajustes combinam-se para contribuir com 22 GW de capacidade adicional, uma vez que esses mercados respondem às metas de descarbonização e aos mecanismos de incentivo esperados.

A expectativa é de que o congresso americano aprove uma extensão de 100% do Crédito Fiscal de Produção, o que resultaria em quase 12 GW adicionais, impactando principalmente o período de 2026 a 2030, quando os incrementos atingirão em média 18 GW se os investimentos na rede se materializarem. Hoje USA está em 2º lugar em termos de nova capacidade global na década, com 150 GW.

Por sua vez os 3,3 GW na perspectiva do sul europeu, principalmente devido aos desenvolvedores eólicos que ganharam a totalidade de um lote de 1,1 GW tecnologicamente neutro em outubro, contribuiu para perspectiva de quase 10 GW em todo continente neste trimestre. Oriente Médio e África tiveram ajustes mínimos, embora o avanço da construção eólica na África do Sul, Omã, Israel e Egito indique que o desenvolvimento está no ritmo da previsão.

Japão cai, Vietnã sobe

Contrariando a tendência de aumento de capacidade está o Japão, que caiu cinco posições para a 16ª posição nos principais mercados para novas classificações de capacidade eólica. O rebaixamento de 2,5 GW para o país é causado por uma meta offshore mais conservadora do que o previsto, com menos 800 MW para a perspectiva da Ásia-Pacífico, excluindo a China. O país agora está projetado para adicionar 11,7 GW de nova capacidade nesta década.

Por sua vez o Vietnã é considerado a estrela em ascensão, tendo relatado um aumento de 33 vezes em novas adições de potência em apenas um ano, já que os desenvolvedores pressionaram para capitalizar no FIT eólico que expirou no final de outubro. O mercado está atualmente classificado em 17º no quesito, com 9,9 GW de novas instalações esperadas no período.

Na visão do analista Robert Liew o Vietnã deixou de ser um mercado emergente para se tornar o segundo maior mercado eólico regional da Ásia-Pacífico, excluindo a China. Os 3,3 GW oficiais divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio provavelmente incluirão projetos que conseguiram garantir certificados COD, apesar de não estarem totalmente concluídos, já que as empresas correram para garantir FITs eólicos antes que expirassem no final de outubro/2021.

Potencial de solar e eólica é 100 vezes maior que a demanda global de energia. (canalenergia)