quinta-feira, 30 de março de 2023

Eletrobras quer liderança global em renováveis e menores emissões

Fontes renováveis de energia são consideradas matrizes alternativas inesgotáveis de energia que provocam menos danos ao meio ambiente.

Companhia revisa planejamento estratégico mirando maior inserção na fonte eólica, solar e no fim dos contratos termelétricos para ultrapassar o grupo Enel e a Statkraft.

A Eletrobras quer aproveitar o embalo da transição energética para ser o maior player em energia renovável e com menores emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo. Em 31/01/23 o presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr, lembrou que a corporação é formada 97% por ativos ambientalmente mais amigáveis, mas focada em hidrelétricas E ainda, que o planejamento estratégico que está sendo revisado deverá seguir também em direção das fontes intermitentes, levando a empresa a ultrapassar a Enel e a Statkraft nos respectivos rankings de maior empresa de energia renovável e menores emissões por MWh gerado.

“A transição energética é um diferencial para o Brasil e para a Eletrobras […] Temos pouca eólica e solar e aqui eu acho que é o grande potencial, até em vista da infraestrutura que a empresa tem se juntado aos reservatórios e a obrigação de revitalizar o Rio São Francisco”, comentou o executivo durante o webinar que marcou o lançamento do evento Fórum Brasileiro de Líderes em Energia. Essa ação no rio do submercado do Nordeste poderia ser feita com uma usina solar flutuante aproveitando o sistema de transmissão e o fato das garantias físicas das usinas terem sido revisadas para baixo.

Wilson também ressaltou que nenhuma nação tem a quantidade de florestas para capturar carbono como o Brasil, e que agora existirá uma política mais aderente à preservação do meio ambiente, que seria o primeiro ativo para a transição energética. Outro destaque é o conjunto de térmicas da holding que estão no final da vida útil e vencendo seus contratos, algumas a carvão e a óleo, com o executivo prevendo a redução à metade do que há hoje em apenas três anos.

“Se continuarmos a crescer da forma como ambicionamos vamos ter a maior empresa de energia renovável e com o menor nível de emissão no mundo, algo que só o Brasil pode fazer”, concluiu.

Energias solares e eólicas estão liderando o aumento na geração global de eletricidade renovável em 2022.

Crescimento das renováveis freia aumento das emissões de CO2 em 2022.

Estudo da IEA aponta que as emissões mais que triplicariam se não fosse a implantação das energias limpas e dos VEs. (canalenergia)

Setor de energia solar registrou recorde de fusões e aquisições em 2022

Volume de transações envolvendo o segmento foi 92% maior do que em 2021 no Brasil.

Um levantamento realizado pela Redirection International mostrou que as fusões e aquisições (M&A) no mercado brasileiro de energia solar apresentaram um crescimento de 92% em 2022, em relação a 2021, com 25 transações concluídas, quase o dobro do ano anterior, que registrou 13.

De acordo com o estudo, os fatores que impulsionaram a atração de investimentos no setor são o marco legal da micro e minigeração distribuída, em vigor desde o início de 2022, e os incentivos fiscais para a instalação de sistemas fotovoltaicos. O economista e sócio da Redirection, Adam Patterson, destaca que a legislação vigente trouxe segurança jurídica para os investidores e as fusões e aquisições trazem grandes oportunidades para acelerar essa transição da matriz energética.

Além disso, o levantamento aponta que o setor macro de energia no Brasil também apresentou crescimento no volume de fusões e aquisições. As operações envolvendo companhias energéticas representaram 10% do total de transações registradas no Brasil no ano passado, com 114 negociações consolidadas, crescimento de 81% em relação a 2021, quando foram 63.

Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostram que o bom desempenho é resultado do crescimento do setor, que já responde por 11,2% de toda a energia elétrica produzida no país e se tornou recentemente a segunda principal fonte da matriz energética brasileira.

Só nos últimos doze meses, a potência instalada de sistemas fotovoltaicos aumentou 84% no país, passando de 13 gigawatts (GW) em janeiro de 2022 para 23,9GW no início de 2023, de acordo com dados da ABSOLAR. A expectativa é que a capacidade produtiva aumente 42% em 2023, alcançando 34GW de potência instalada.

Por fim, os dados da Redirection International mostram que o mercado de startups também deve alavancar o setor nos próximos anos. As energytechs atraíram, somente nos 11 primeiros meses de 2022, cerca de US$ 288 milhões em investimentos, crescimento de 134% em relação a 2021. (canalenergia)

terça-feira, 28 de março de 2023

Eletricidade aumentará participação para até 50% em 2050

Eletricidade aumentará participação para até 50% em 2050, aponta BP.
Empresa apresentou seu estudo BP Outlook que considera os efeitos da guerra da Rússia e Ucrânia, onde mostra aceleração da participação das renováveis no atendimento à demanda energética global.

O cenário para 2050 projetado pela BP e apresentado dia 30/01/23 em Londres, mostra uma mudança significativa em como o mundo consumirá energia nos próximos 27 anos. Enquanto a participação de energia elétrica aumentará em termos de demanda de energéticos, os combustíveis fósseis deverão seguir em direção oposta. Essas são algumas das constatações da atualização do BP Outlook, versão 2023, e que está disponível para download, em inglês.

De acordo com os dados, os hidrocarbonetos, que atualmente respondem por pouco menos de 80% da energia primária em termos globais, deverão recuar entre 20 a 60 pontos percentuais a depender do cenário avaliado. Enquanto isso a eletricidade passará de uma participação dos atuais 20% para a faixa entre 30% a 50%.

A demanda de petróleo que é de quase 100 milhões de barris diários recuará até 2050. O ritmo varia e pode chegar a esse horizonte entre menos de 80 milhões de barris e para um ponto mais radical chegar a 20 milhões de barris daqui a 27 anos. O cenário intermediário indica uma demanda de pouco mais de 40 milhões de barris diários.

Os cenários que são considerados no estudo Outlook 2023 vão do mais conservador, chamado de New Momentum, com o ritmo de investimento atual e as metas anunciadas de descarbonização, há o intermediário que é chamado de Accelerated e o mais incisivo que é o Net Zero em relação à emissão de gases de efeito estufa.

O gás natural segue o caminho da expansão no cenário atual passando de 4 mil Bcm para um patamar de cerca de 5 mil Bcm. Já nos outros dois cenários esse combustível também aponta retração, no intermediário, para pouco mais de 2 mil Bcm e no Net Zero recua para algo como 1,8 mil Bcm.

O economista chefe da BP, Spencer Dale, explica que a expansão da eletricidade está baseada principalmente em edificações e, mais ainda, na eletrificação da frota de veículos, com destaque para os de menor porte.

“O transporte rodoviário apresenta duas tendências que reduzem a dependência do uso de combustíveis fósseis, um é o aumento da eficiência energética e o segundo é o maior número de veículos elétricos, esses são os fatores fundamentais”, afirmou ele durante sua apresentação.

Edificações passarão de um uso de pouco mais de 30% para algo entre 50% a 75%. Já transportes avançarão mais proporcionalmente. Isso por conta da representatividade quase zero atual para uma faixa de 20% a mais de 45%. A indústria já é altamente eletrificada, poderá avançar de 20% para até 40%. Esses índices levam em comparação dados de 2019.

Em eletricidade o destaque ficou por conta do aumento da participação das renováveis como fontes primárias. Notadamente solar e eólica. Sem deixar de mencionar os biocombustíveis. A faixa passa dos atuais 15% para uma faixa que vai de cerca de 35% para pouco mais de 60% a depender do cenário ate 2050.

No que se referem ao H2, os valores passam do quase zero atual para uma faixa de 5% a 20% do uso de energia para sua produção. Na visão da BP, explica Dale, as cores do H2 ficarão entre o verde e o azul.

Como consequência desse conjunto de expectativas as emissões de CO2 equivalentes recuam em todos os cenários até 2050. O volume é que difere. No nível mais baixo o de zero líquido é de cerca de 3 Gt , no intermediário fica em cerca de 10 Gt e considerando o momento atual ainda se situa em cerca de 30 Gt, ante os cerca de 40 Gt do momento pré-covid, em 2019.

Na comparação com a versão do ano passado, o BP Outlook indica uma redução no consumo de energia de 2% no cenário mais conservador do estudo. A demanda por petróleo recua pouco mais de 5%, enquanto por gás natural tem retração de mais de 6%, muito em função da guerra entre Rússia e Ucrânia, por ser esta primeira o alvo de sanções globais e representar um país com um importante volume de reservas. O carvão também recua, em índice de 3%. No sentido contrário, renováveis deverão aumentar mais de 5% na comparação com a projeção do ano passado e a nuclear em 2%. (canalenergia)

Haddad e Marina Silva destacam oportunidade em energia limpa

Ministros reforçaram potencial do país como fornecedor de energia renovável, no dia em que a Alemanha anunciou R$ 1,1 bi em recursos para o Brasil.
Em compromissos diferentes em 30/01/23, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçaram a oportunidade que o Brasil terá nos próximos anos de se transformar no grande fornecedor de energia limpa para outros países do mundo. Para Haddad, este pode ser o caminho para a reindustrialização do país, enquanto Marina acredita tanto na possibilidade de exportar energia para a Europa, em função do potencial de produção de hidrogênio verde, quanto atrair investimentos de empresas europeias.

“O mundo inteiro está em busca de energia limpa. As indústrias estão escolhendo o local para se instalar com base em energia limpa. E o Brasil é o país que está mais bem posicionado para produzir hidrogênio verde, energia eólica, solar e biomassa. Tudo o que está disponível tecnologicamente nós estamos com vantagem competitiva, e isso pode ser um forte componente de atração de investimentos estrangeiros para o Brasil e de reindustrialização do capital nacional, se tomarmos algumas medidas centrais para pensar o reposicionamento da indústria na nossa economia”, disse o ministro durante reunião de diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Em entrevista coletiva após reunião com a ministra alemã da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento, Svenja Schulze, Marina Silva destacou a importância das parcerias com os europeus. No caso da Alemanha, haverá um reforço de €$ 203 milhões (R$ 1,1 bilhão) do país europeu para ações socioambientais no Brasil.

“O Brasil está fazendo um esforço muito grande pra ampliar a cooperação de base tecnológica também. Acordo de cooperação técnica e científica para que possamos acelerar ainda mais a possibilidade de o Brasil ser um grande fornecedor de energia para a Europa, em função do potencial que temos de produção de hidrogênio verde. Mas, também, a busca de parceria com empresas alemãs, empresas europeias, para que possamos ter investimentos no Brasil nessa agenda”, disse Marina.

Svenja Schulze reforçou a agenda conjunta dos dois países, inclusive no setor energético, no que ela classificou como um apoio mútuo. “O Brasil realmente pode ser uma nação líder na área de hidrogênio verde”.

O pacote anunciado hoje pelas duas ministras para os próximos 100 dias prevê €$ 35 milhões para o Fundo Amazônia, que tem como gestor o BNDES e €$ 31 milhões para um fundo de apoio aos estados amazônicos, em projetos de proteção e uso sustentável das florestas, alinhados com o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. O PPCDAM será atualizado pelo governo federal, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Produção de energia limpa é um mar de oportunidades.

Estão incluídos ainda €$ 29,5 milhões para um fundo garantidor de eficiência energética para pequenas e médias empresas, via BNDES, e €$ 80 milhões em empréstimos com juros reduzidos a agricultores, voltado para o reflorestamento, por meio do Banco do Brasil.

Outros €$ 13,1 milhões são para a recuperação de áreas degradadas, com apoio a pequenos agricultores; €$ 9 milhões vão apoiar cadeias de abastecimento sustentáveis (2 projetos da agência alemã GIZ com o Ministério da Agricultura e IFAD); €$ 5,37 milhões irão para o fomento de energias renováveis na indústria e no setor de transportes (consultoria da GIZ com o Ministério de Minas e Energia).

Segundo Schulz, a ideia e fazer rapidamente cooperação, com um programa imediato já para os primeiros 100 dias. Mas este seria o primeiro pacote, já que a Alemanha pretende fazer novas negociações anualmente.

A ministra Marina Silva anunciou que os recursos do Fundo da Amazônia estão sendo direcionados neste primeiro momento a questões emergenciais, como a situação de saúde, o grave problema de fome e a segurança do povo Yanomami, em um primeiro passo para a desintrusão (retirada) de garimpeiros ilegais da terra indígena. (canalenergia)

domingo, 26 de março de 2023

EDP registra 14,7 GW de ativos renováveis mundial em 2022

EDP Renováveis registra 14,7 GW de ativos renováveis no mundo em 2022.
Capacidade foi impulsionada principalmente pela expansão bem-sucedida de ativos solares na região da Ásia-Pacífico.

A EDP Renováveis atingiu uma capacidade total instalada de 14,7 GW em ativos renováveis, um crescimento de 1,2 GW em relação ao ano de 2021 e incluindo as rotações dos ativos realizadas no ano passado.

Segundo a companhia, a nova capacidade foi impulsionada principalmente pela expansão bem-sucedida de ativos solares na região da Ásia-Pacífico, com 0,7 GW, e na América do Sul, que acrescentou 0,6 GW em projetos eólicos ao portfólio, no mesmo período. Além isso, a EDPR colocou em operação também 0,4 GW de energia eólica e solar tanto na América do Norte como na Europa, incluindo a entrada em operação do primeiro parque híbrido da empresa e da Península Ibérica combinando energia solar e eólica.

Fontes de energias renováveis.

Energia renovável: Aneel projeta o dobro de investimentos em energia eólica e solar no Brasil para 2022.

O Brasil continua crescendo com o mercado de energia renovável e, para 2022, a estimativa foi de que as fontes como a energia solar e energia eólica, principais fontes no país, receberam quase o dobro de novos investimentos.

Ainda durante o ano passado, a EDP Renováveis assegurou acordos de rotação de ativos de 1 GW de capacidade na Polônia, Espanha, Itália, Brasil e EUA, incluindo a construção e transferência de um projeto solar de 200 MW em Indiana. A Europa e a América do Norte representaram 38% e 49% da carteira, respectivamente. Já a Ásia-Pacífico, uma região onde a EDPR entrou em 2022 com a aquisição da Sunseap, já representa 5% da carteira total.

A EDPR também está investindo em uma maior diversificação de tecnologias e tem em funcionamento 1,5 GW brutos em energia eólica offshore. No final de 2022, a companhia atingiu 4 GW de capacidade recorde em construção entre projetos solares e eólicos, juntamente com os primeiros 40 MW de armazenamento de energia. (canalenergia)