domingo, 28 de maio de 2023

Impacto socioambiental de usinas eólicas e solares na Paraíba é investigado

Entre a população atingida pelos impactos de usinas eólicas e solares há comunidades tradicionais, quilombolas e assentamentos da reforma agrária.

O impacto socioambiental de usinas eólicas e solares construídas em áreas de comunidades tradicionais, assentamentos da reforma agrária e territórios quilombolas na Paraíba vêm sendo apurado pelo Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE/PB), a partir de denúncias recebidas por esses órgãos.

O passo mais recente da apuração conjunta ocorreu em 20/03/23, quando integrantes dos três órgãos se reuniram com representantes do Centro de Ação Cultural (Centrac), que atua com agricultores familiares; da Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba (Cecneq-PB), Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes da Paraíba (Aacade-PB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), e do mandato do deputado estadual Chió.

Conforme apurado até o momento, os impactos causados à parcela da população rural em cujas terras são instaladas as usinas de energias renováveis já começam na forma individual como cada pequeno proprietário é abordado, a fim de ser convencido a vender ou arrendar a propriedade rural onde será construída a estrutura da usina. A negociação ocorre de forma pouco transparente, visto que os contratos de arrendamento das terras são firmados e mantidos sob sigilo, impossibilitando a verificação das cláusulas e valores.

Além disso, como os contratos são feitos por longos períodos (20 anos ou mais) e são renováveis automaticamente, os arrendamentos acabam se tornando, na realidade, uma forma de apropriação das propriedades rurais pelas empresas. É o fenômeno da ‘territorialização das energias’, mencionado pelo advogado Claudionor Vital Pereira, representante do Centrac. Quando falo em territorialização das energias me refiro às transformações nas formas de apropriação dos territórios e seus recursos naturais, quando as empresas de geração de energia, ao ocuparem as terras onde serão instalados os empreendimentos, passam a exercer o controle sobre a gestão e o uso destes territórios e a se apropriar privadamente dos seus recursos energéticos (eólicos e solares), causando transformações nos modos de uso e ocupação da terra, explica Vital.

Problemas já identificados – A partir de envio de ofícios e coletas de informações com as populações atingidas, a Defensoria Pública da União identificou, pelo menos, seis eixos de problemas causados pelas usinas de energias renováveis: abusividades contratuais, especialmente a ausência de transparência e de acesso à informação pelas populações atingidas; danos ambientais expressivos e burla à fiscalização ambiental adequada; danos à saúde das populações; dano ao patrimônio histórico e arquitetônico; poucos impactos sociais positivos; e muitos impactos sociais negativos. Segundo o defensor público da União Edson Andrade, já se sabe que existe um fracionamento nesses parques de energia renovável para fugir da fiscalização ambiental tradicional que se faz por meio do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima).

Desmatamento de vegetação nativa em extensas áreas para a fixação de pás giratórias ou de células fotovoltaicas, causando morte da biodiversidade; rachaduras em paredes de casas e de cisternas causadas por explosões e pelo transporte por caminhões das gigantescas estruturas das usinas eólicas; comunidades rurais afetadas pela fuga de famílias para a zona urbana por conta da instalação das usinas; danos à saúde mental decorrentes do barulho das torres das usinas eólicas; risco de dano a sítios arqueológicos; silêncios impostos aos camponeses arrendadores por meio de cláusulas de sigilo nos contratos firmados estão entre os impactos negativos relatados decorrentes da instalação de usinas geradoras de energia considerada ‘limpa’.

Êxodo rural e desertificação – Segundo a defensora pública estadual Fernanda Peres, um dos grandes prejuízos causados pelas usinas de energias renováveis é com relação aos descendentes dos agricultores familiares, das comunidades tradicionais e dos quilombolas, por ser o trabalho deles uma tradição que passa de geração a geração. “Com a instalação das torres, os filhos não terão mais como desenvolver as atividades exercidas há anos pelos pais e avós, o que provocará inevitável êxodo e desemprego dessas pessoas no futuro, porque perderão o meio tradicional de trabalho”, prevê Peres. Ela ainda pondera quanto às mudanças ambientais: “temos que nos atentar que é uma região sensível e não houve nenhum estudo acerca dos impactos ambientais. Por ser uma região de vegetação mais sensível, há risco, inclusive, de desertificação, como já ocorreu em outros locais”, alerta a defensora.

Auditoria detecta impactos – Na reunião em 20/03/23 o deputado estadual Chió apresentou relatório do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE/PB) sobre auditoria em políticas públicas de combate à desertificação no Semiárido. Produzido em 2022, o relatório de auditoria do TCE menciona dados do portal da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os grandes geradores de energia que comercializam na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Conforme os dados da Aneel, os grandes geradores de energia que comercializam na CCEE somam, na Paraíba, 67 de energia eólica e 68 geradores de energia solar. Ainda consta no relatório que 38 municípios declararam a existência de empreendimentos de energia eólica e/ou fotovoltaica no município, sendo que nove deles informaram já se detectar impacto negativo, em função de desmatamento, e dois, com relação à saída de agricultores dos locais onde as usinas foram construídas.

O que? Como? Por quê? – Quando se trata da implantação dessas usinas, ainda há várias questões que precisam de resposta: quais são as medidas compensatórias pelos danos causados ao meio ambiente? Por que os empreendimentos estão descumprindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê a realização de consulta prévia e informada às comunidades tradicionais? Por que os proprietários de terra abordados individualmente não são também informados dos danos à saúde dos seres humanos e dos animais, decorrentes do barulho permanente das pás giratórias das usinas eólicas? Qual a dimensão do faturamento das empresas que exploram esse novo filão no mercado gerador de energia? Que riqueza essas empresas têm gerado para a região depois que começam a captar a energia dos ventos e da luz solar? Que impostos elas pagam? Afinal, o que está ficando de dinheiro nos municípios onde estão instaladas as usinas?

Soluções possíveis – Entre as medidas discutidas para proteger as comunidades tradicionais, quilombolas e assentamentos da reforma agrária atingidos estão a apuração de possíveis prejuízos previdenciários aos agricultores; apuração dos danos decorrentes da devastação da vegetação nativa e danos nos sítios arqueológicos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); aprimoramento da legislação para garantir licenciamento ambiental real e concreto; busca de medidas para mitigar o impacto negativo ambiental econômico e social causado às comunidades rurais; convocação de audiência pública para esclarecer a opinião pública sobre os aspectos negativos dessas alternativas energéticas, que ganham menos repercussão diante do forte lobby da indústria da energia renovável num cenário de eventos climáticos extremos em que se discute a adoção de fontes de energia alternativa.

O procurador da República Anderson Lima, que atua em Sousa, cidade do Sertão paraibano, ressalta que, independentemente da apuração dos danos, já é possível identificar o nítido descumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho  na abordagem às comunidades tradicionais. “É necessário que órgãos como a Aneel e a Sudema façam cumprir a Convenção 169 como fase obrigatória do processo de cadastramento”, afirma. “O procurador pondera que uma medida possível, que poderia ser tomada desde logo para corrigir essa falha, seria a propositura de Termo de Ajustamento de Conduta para que a Convenção 169 seja cumprida, pois ela tem status normativo supralegal”, ressalta.

Diagnóstico em produção – A Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba estão produzindo diagnóstico social sobre o impacto das usinas de energias renováveis instaladas nos territórios ou nas proximidades de territórios quilombolas no estado. Iniciado em fevereiro/2023, o levantamento já aponta seis comunidades que serão atingidas pela construção em breve dessas usinas. Outras quatro estão sendo impactadas pelas estruturas já implantadas em seus territórios. Numa dessas comunidades, o parque eólico passa a 400 metros de distância das casas das famílias, registra o diagnóstico em produção pela Ceqneq.

O vice-presidente da Ceqneq/PB, Josiel Alves, contou que os relatos que ouviu até o momento no levantamento do diagnóstico é que as empresas só informam as vantagens que as pessoas vão ter, como o valor que vão receber pelo arrendamento da terra, os benefícios que a empresa pode realizar, como reforma da sede da associação comunitária, construção de galpão, construção de sede, realização de oficinas de formação em diversas áreas, a exemplo de empreendedorismo, plantas medicinais e formação de associação. “O impacto que a empresa informa para a comunidade é que as pessoas não podem transitar nas proximidades do local em que vai ser instalado o parque”, relatou Alves.

Ressarcimento – O procurador da República José Godoy destaca que a produção de energia renovável, dita ‘energia limpa’, não pode significar impacto excessivo para agricultores familiares, quilombolas e comunidades tradicionais do Semiárido nordestino, gerando uma situação em que estes ficam com os impactos negativos e o restante da sociedade fica com as benesses e positividades desses empreendimentos. “A política pública de energia renovável precisa precificar e ressarcir as comunidades do potencial energético, seja vento ou luz solar, processado a partir das pequenas propriedades rurais, porque é injusto que os contratos levem em consideração apenas o uso do espaço territorial. O sol que tanto castigou o sertanejo precisa também beneficiá-lo agora que adquiriu valor para o mercado”, enfatiza Godoy.

Política pública de proteção – “Embora se diga que essas energias renováveis são limpas, elas geram um impacto ambiental, especialmente, socioeconômico, desproporcional na localidade onde são implantadas”, afirma Edson Andrade. Ele explica que a desproporcionalidade é percebida quando se compara a ausência de impacto sobre a população que se beneficia da energia – que reside muito distante da localidade onde a energia é gerada – com o impacto sofrido apenas pela população pobre da Paraíba. O impacto também é desproporcional frente aos investimentos e ganhos econômicos que as empresas de geração de energia recebem, aponta Andrade. “A DPU não é contra a implantação dos parques de energias renováveis em nosso estado, contudo, a gente entende que é preciso que se crie uma política pública de proteção às comunidades atingidas, condicionando a implantação dos empreendimentos à adoção de medidas que protejam essa população, do ponto de vista social, ambiental e econômico”, reitera o defensor.

O advogado Claudionor Vital relata que famílias camponesas impactadas pela instalação e operação dos parques eólicos, em municípios do estado do Pernambuco, buscam na Justiça a reparação dos danos à saúde, perda da produção de alimentos e perda do sossego e da segurança. “As famílias relatam casos de insônia, dores de cabeça, zumbido nos ouvidos, hipertensão, decorrentes da emissão de ruídos de baixa frequência e infrassons pelas turbinas eólicas. Também mencionam restrição de uso da terra para cultivo e impactos dos ruídos na saúde dos animais e há ainda relato de queda de um dos aerogeradores em área próxima a moradias, considerando que aerogeradores chegaram a ser instalados a 220 metros de distância das residências”, conta Vital.

Complexo híbrido inaugurado – Dados extraídos do portal do governo da Paraíba informam que o estado tem cerca de 160 parques instalados e em processo de implantação em vários municípios. Foi inaugurado no estado o primeiro complexo associado de geração de energia eólica e solar no Brasil. O complexo eólico solar está localizado no município de Santa Luzia, no Sertão paraibano e se espalha por uma extensão de 8,7 mil hectares nos municípios de Santa Luzia, Areia de Baraúnas, São José de Sabugi e São Mamede. Constituído por 15 parques, o complexo abriga 136 aerogeradores com capacidade total instalada de 471 MW. O investimento para a sua construção foi de R$ 3 bilhões.

Mais um complexo eólico – Recente reportagem na imprensa nacional sobre o assunto mostrou a existência do empreendimento denominado Complexo Eólico Pedra Lavrada, que visa a implementação de 372 aerogeradores numa área de cerca de 1,6 mil hectares na região do Seridó, alcançando áreas dos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, atingindo mais comunidades tradicionais e sítios arqueológicos. Conforme noticiado, o empreendimento abrangerá oito cidades: Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas e Parelhas, no Rio Grande do Norte; Pedra Lavrada, Nova Palmeira, Picuí e Frei Martinho, na Paraíba. Ainda segundo a reportagem, o projeto aguarda a emissão da licença pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba, onde o processo estaria em andamento, para o início das obras. (ecodebate)

SENAI-RN expande qualificação em offshore e eletromobilidade

CTGAS-ER fez parceria com Banco do Nordeste e a Maersk Training Brasil para abrir novas perspectivas de capacitação para profissionais.
Após completar 21 anos de operação, Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), sediado em Natal (RN) e principal referência do SENAI no Brasil em educação profissional para as indústrias de energia e do gás, anunciou quase R$ 500 mil em investimentos para formação de profissionais na área de eletromobilidade e as primeiras investidas do país em segurança do trabalho voltadas à qualificação nos futuros parques eólicos offshore.

Os projetos serão desenvolvidos em parceria com o Banco do Nordeste e a Maersk Training Brasil, parte da gigante dinamarquesa do setor de logística A.P. Miller (Maersk), especializada de treinamentos profissionais para a indústria de energia eólica do mundo. Assim abrem-se novas perspectivas para formação e desenvolvimento de profissionais que já atuam no mercado ou buscam vagas de emprego em implantação, operação e manutenção das torres dos parques eólicos, em terra e no mar.

Um termo aditivo à parceria com a multinacional dinamarquesa prevê, entre outros pontos, a cooperação científica e tecnológica entre as partes para o desenvolvimento de projetos e ações de Educação Profissional e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), de olho especialmente na indústria eólica, passa a incorporar, oficialmente, o foco também no offshore.

“Ideia é desenvolver ações incluindo GWO Sea Survival e o novo padrão GWO para elevadores em turbinas eólicas. São certificações que o Brasil ainda não oferece e vamos construir infraestrutura nos próximos 2 anos, para entregar as soluções necessárias ao setor”, explica o diretor do SENAI-RN, do CTGAS-ER e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello.

Ele lembra que a Maersk Training abrange um amplo campo de indústrias offshore e onshore e necessidades de treinamentos e que os treinamentos serão concentrados em organizações, tripulações e indivíduos da indústria de Petróleo & Gás, Marítima e Eólica, visando melhorar a segurança e o desempenho operacional tanto em operações marítimas quanto terrestres.

Expansão anunciada por Rodrigo Mello tem R$ 500 mil em aportes e parceria com BNB e Maersk.

Eletromobilidade

Já a parceria para mobilidade elétrica acontece com o Banco do Nordeste e irá se efetivar em um laboratório didático de conversão e reparação de veículos elétricos e que irá representar aproximadamente R$ 457 mil em investimentos, dos quais R$ 236,7 mil, não reembolsáveis, aportados pela instituição financeira, por meio do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR).

Além de promover o desenvolvimento de uma tecnologia de conversão adequada à realidade local, o projeto prevê a criação de ambientes de capacitação que suportem e estimulem esse mercado. Os recursos também abarcam o desenvolvimento de curso específico na área e de aspectos de infraestrutura, como uma estação de recarga para os veículos.

A parceria é formalizada em um momento de expansão contínua da indústria e do comércio do setor no Brasil. Só em 2022, as vendas desse tipo de veículo registraram alta de 41% na comparação com 2021, com o ritmo em 2023 seguindo aquecido, de acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Segundo o SENAI, mais de 160 mil profissionais do Rio Grande do Norte e de outros estados do Brasil já foram preparados no CTGAS-ER ou estão neste momento dentro das salas de aula e laboratórios para indústrias de vários segmentos, mirando agora a ampliação visando o contexto de transição energética.

Recentemente o centro liderou o projeto de desenvolvimento do primeiro buggy elétrico do estado, idealizado para regiões de dunas, além de ter sido pioneiro em mapeamentos no país para medir o potencial de energia eólica offshore, trabalho base para a atual fase de desenvolvimento das atividades de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação que o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) conduz atualmente.

“Nós fomos pioneiros na preparação de pessoas para atuar na cadeia produtiva do gás no Brasil, formamos outras milhares para parques eólicos em terra e para o setor de energia solar. Agora, damos novos passos, em direção a indústrias nascentes e absolutamente estratégicas para o país”, finaliza Rodrigo Mello. (canalenergia)

Helexia inicia operação da primeira usina de geração para a Vivo

Companhia vai conectar sua planta na modalidade de geração distribuída, de fonte solar, no Mato Grosso do Sul.

Helexia conectou 1ª usina solar para atender o projeto de geração distribuída da Vivo, empresa de telefonia. A instalação tem capacidade de 4,9 MWp e fica localizada no município de Paranaíba, no Mato Grosso do Sul. A Helexia também vai conectar, durante abri/23l, 20 MWp adicionais referentes a projetos localizados nos estados de Rondônia e Paraná. O restante do portfólio, representando 62 MWp, referente a projetos localizados nos estados de São Paulo, Ceara, Rio Grande do Sul, Tocantins e Amazonas, será conectado ao longo deste ano.

Helexia iniciou construção de muitas usinas solares para Vivo.

Juntas, todas as unidades somariam mais de 60 MW de capacidade instalada e irão abastecer mais de 5 mil pontos de consumo; empreendimentos deveriam entrar em operação comercial em 2022.

A operadora Vivo consome energia 100% renovável desde novembro/2018, tanto em função do seu projeto de geração distribuída, em expansão por todo o país, e que tem a Helexia como um de seus importantes parceiros, quanto pela energia obtida no mercado livre. O total do consumo da companhia é complementado com a aquisição de certificados, os I-RECs (International Renewable Energy Certificates), que diminuem à medida em que novas usinas em geração distribuída são implantadas.

A energia produzida em cada usina será injetada no Sistema Nacional Integrado (SIN) e se transformará em crédito para a Telefônica, detentora da operadora Vivo, que terá importante economia em suas contas de luz. Serão, ao todo, sete mil pontos de consumo da operadora distribuídos entre os oito estados brasileiros. (canalenergia)

sexta-feira, 26 de maio de 2023

GD atinge 19 GW e 70% da capacidade solar no país

Segmento mantém média de acrescentar praticamente 1 GW por mês no sistema elétrico brasileiro.

O Brasil alcançou a marca de 19 GW de capacidade em geração própria de energia elétrica, também chamada de Geração Distribuída (GD). O resultado, puxado em 98,6% pela energia solar, conta também com a evolução de outras fontes, como a biomassa, o biogás, a energia eólica, a energia movida a potencial hidráulico e a cogeração a gás natural, aponta levantamento da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

Entidade ressalta que a modalidade começou 2023 com o ritmo de crescimento que terminou em 2022, com a média de acrescentar praticamente 1 GW de capacidade instalada ao sistema por mês. Dessa vez o feito aconteceu em 6 dias. Atualmente a GD responde por cerca de 70% de toda a potência de energia solar do Brasil, com chances reais de acrescentando mais de 8 GW ao longo do ano.

São 1,8 milhão de usinas de microgeração e minigeração distribuídas pelo país e 2,3 milhões de unidades consumidoras (UC’s) que utilizam a tecnologia. Cada UC representa a casa de uma família, um estabelecimento comercial ou outro imóvel abastecido por micro ou mini usinas, todas elas utilizando fontes renováveis.

De acordo com a ABGD, com os atuais 19 GW de potência instalada, a geração distribuída tem capacidade suficiente para abastecer aproximadamente 9,5 milhões de residências, ou 38 milhões de pessoas. Entre os consumidores beneficiados, a maioria (48,5%) dos projetos é do grupo residencial, seguido pelo consumo comercial (28,3%), rural (14,9%) e industrial (7,1%). (canalenergia)

Biocombustíveis são ineficientes em relação à área cultivada

Biocombustíveis são ineficientes em relação à área cultivada, afirma instituto de pesquisa alemão.
O Instituto de Pesquisa de Energia e Meio Ambiente (IFEU) realizou estudo sobre as superfícies atualmente consagradas à produção de biocombustíveis na Europa.

Encomendado pela Federação Europeia de Transporte e Meio Ambiente, o estudo constatou que a superfície europeia destinada a cultura de biocombustíveis é da ordem de 9,6 milhões de hectares. Área equivalente a dos Estados de Santa Catarina ou de Pernambuco, ou ainda da ilha irlandesa.

Também afirma que, se toda a superfície cultivada com biocombustíveis retornasse ao estado primário (vegetação natural), ela absorveria em torno de 65 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera, ou seja, quase o dobro da obtida com a cultura de biocombustíveis.

Alemanha avalia eliminar uso de alimentos na produção de biocombustíveis.

Medida avaliada pelo governo local seria colocado em prática até 2030.

Quando comparada a energia solar, a pesquisa constatou que, para produzir a mesma quantidade de energia sob a forma de eletricidade, os painéis fotovoltaicos ocupariam uma superfície de apenas 2,5% da área europeia total consagrada à cultura de biocombustíveis.

Ainda segundo o estudo, estas superfícies cultivadas, se reconvertidas à produção alimentar humana, poderiam suprir as necessidades calóricas de pelo menos 120 milhões de pessoas.

Dados são altamente impactantes para o Brasil.

(ecodebate)