sexta-feira, 14 de julho de 2023

Preços de energia ficarão abaixo de R$ 100 entre 2025 e 2030

PSR: Preços de energia tendem a ficar abaixo de R$ 100 entre 2025 e 2030.
Expansão da oferta indicam que os valores podem permanecer em patamares reduzidos com avanço do ACL, MMGD e térmicas a gás que impõem pressão baixista nos preços.

Os preços de energia com a abertura do mercado para o período de 2025 a 2030 mostram uma tendência de retração diante da atual oferta e da expansão prevista nos próximos anos. A estimativa apresentada pela PSR no primeiro dia do Greener Summit 2023, realizado em São Paulo, é de que o valor possa chegar a um patamar médio de R$ 85 por MWh para o produto convencional no submercado Sudeste para os cinco anos indicados. Esse é o cenário caso se confirmem a continuidade da MMGD, a oferta do ACL e ainda sejam viabilizadas parte das térmicas da Lei 14.182, que permitiu a privatização da Eletrobras.

O gerente de Projetos da consultoria, Mateus Cavalieri, disse que esse último item dificilmente será viabilizado em sua integridade. Ele acredita que dos 8 GW contidos na lei apenas 2,8 GW realmente sejam implementados por estarem em locais próximos a gasodutos já existentes. “O aumento da oferta com as térmicas, a expansão da MMGD e o mercado livre trarão uma pressão baixista nos preços”, avaliou ele.

Com isso, o cenário com o qual a PSR trabalha é de oferta com a expansão do mercado livre, liderados pela solar e eólica, que deverão acrescentar 15,4 GW em novas usinas até 2027. Com isso o preço médio ficaria na casa de R$ 90 por MWh para o produto convencional no Sudeste para o período de cinco anos. A faixa ainda está abrangida pelos limites de R$ 84 por MWh no valor mais baixo e de R$ 96 por MWh no mais alto.

O executivo lembrou que os preços do caso de referência para o período em análise estão em R$ 150 por MWh em média tomando para premissas o deck do PMO de janeiro de 2023, ENA de 86% da MLT, o volume de MMGD existente, demanda com crescimento da ordem de 2,8% ao ano e uma economia que cresce em 2,5% no longo prazo

Contudo, disse Cavalieri, apesar desses preços mais baixos que as renováveis atualmente praticam, ao se considerar o LCOE das fontes solar e eólica você alcança R$ 220 a R$ 250 por MWh. Para ele, esse é um cenário desafiador quando avalia o mercado atual e a manutenção da rentabilidade dos novos projetos. Mas, disse ainda que a abertura do mercado pode ser uma oportunidade para investidores uma vez que com a alta tensão é projetado um ritmo de migração de 2 GW médios em 2025, aumentando progressivamente para 8,6 GW médios em 2030.

“A tendência é de cada vez mais o fator de carga seja mais baixo e assim leva a prêmios mais altos, da ordem de R$ 60 a R$ 70 por MWh. Para um PPA de R$ 225 já faz sentido”, apontou ele. Os desafios que os investidores enfrentarão são, claro, a competição, a gestão de clientes e a automatização da operação.

Agora quando o tema é a abertura da baixa tensão, o potencial de migração é muito maior podendo chegar a 25 GW médios a partir de 2030. E o desafio é maior ainda por envolver milhões de consumidores na base e a adoção do Energy as a Service.

A situação da GD compartilhada pós lei 14.300 é que se complica. “Vemos grandes dificuldades dos projetos competirem com o mercado livre”, destacou, mas não decreta o final desse mercado, mas que a GD local com alta simultaneidade é que deve prevalecer no futuro. (canalenergia)

Eletronuclear admite mea culpa sobre vazamento em Angra1

Eletronuclear admite mea culpa por não comunicar vazamento em angra 1.
Se o vazamento de 90 litros de água com baixo teor radioativo de Angra 1 em setembro do ano passado não trouxe impactos ambientais a Baía de Itaorna (RJ), o conhecimento do evento através dos meios midiáticos em 2023 trouxe diferentes percepções entre a população, tendo sido algo prejudicial para a imagem da Eletronuclear e a cidade de Angra dos Reis/RJ.

Comissão de Minas e Energia debate vazamento radioativo em Angra dos Reis

Usina Nuclear de Angra dos Reis

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para discutir o vazamento radioativo em Angra dos Reis (RJ).

O deputado Max Lemos (PDT-RJ), que pediu a audiência, disse que a Eletronuclear, que administra o complexo nuclear de Angra dos Reis, no litoral fluminense, omitiu das autoridades um acidente ocorrido na usina Angra 1, ocorrido em setembro do ano passado.

"A informação foi divulgada pela própria Eletronuclear (em março). Mas ela só veio após o jornal O Globo publicar, na quinta (23/3), reportagem revelando que, a pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou que a Eletronuclear realize, em até 30 dias, uma avaliação completa dos danos causados no acidente", disse Max Lemos.

Segundo o deputado, em consequência do acidente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) multou a empresa recentemente.

Debatedores

Confirmaram presença na audiência a analista de Infraestrutura do Ministério de Minas e Energia, Liliane Ferreira da Silva; e o diretor-presidente da Eletronuclear,

Eduardo Grivot.

Fonte: Agência Câmara de Notícias. (camara.leg.br)

Eletronuclear discute novo termo para compensações de angra 3

Obra da Central Nuclear prevê R$ 20 bilhões em investimentos e conclusão para 2028. (Eletronuclear)

A Eletronuclear não recusa projetos, desde que eles estejam dentro das considerações. Serão R$ 500 milhões divididos ao longo dos anos para todas as compensações socioambientais”, pontua, afirmando que um projeto ligado ao ICMbio e encomendado pelo Ibama já foi quitado, restando os municípios.

Eletronuclear diz não ter dinheiro para pagar Angra

Presidente da estatal diz não ter dinheiro para honrar a contrapartida em compensações socioambientais pela construção de Angra 3.

O diretor-presidente da Eletronuclear, Eduardo Grivot, admitiu em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília, que a estatal não tem dinheiro para pagar os R$ 264 milhões que deve à Prefeitura de Angra dos Reis a título de compensações ambientais pela construção da usina nuclear Angra 3.

Grivot argumentou que, com a interrupção das obras de Angra 3, durante a Lava Jato, não há recursos orçamentários para quitar a dívida. “Eu assino o compromisso de R$ 264 milhões, que é apresentado pela prefeitura, mas eu não vou ter dinheiro para pagar tudo. Há um problema de orçamento, que é público. Mas não tenho R$ 264 milhões”, disse.

Fernando Jordão, prefeito de Angra dos Reis, reagiu. “Não querem pagar. Tem que trabalhar para arranjar dinheiro. Se tem dinheiro para obra, por que não tem dinheiro para o município?”, enfatizou durante a sessão, que discutiu o vazamento de material radioativo da usina, em setembro de 2022. O governo federal já anunciou a pretensão de construir a quarta usina nuclear na cidade.

Durante a audiência pública, Jordão também rechaçou o argumento usado pela Eletronuclear que, em sessão na Câmara de Vereadores de Angra dos Reis, no dia 12 de abril, alegou falta de projetos para não fazer o repasse de recursos. “[Então] não adianta vir [dizer] que não tem projeto porque é mentira. Vocês estão contingenciando [o pagamento da dívida por] falta de dinheiro. Vocês precisam ter uma equação financeira para priorizar a cidade de Angra, de Paraty e Rio Claro. Não os prefeitos, mas a nossa população“.

De acordo com a deputada estadual Célia Jordão (PL-RJ), presente à sessão da Comissão de Minas e Energia, argumentou que, “por mais que a Eletronuclear tenha passado por momentos difíceis com a Lava Jato, o povo não pode sofrer as consequências. É preciso estabelecer um cronograma orçamentário”, defendeu.

DÍVIDA ANTIGA

A dívida da Eletronuclear com a prefeitura de Angra dos Reis é antiga. Em outubro de 2009, a estatal e a Prefeitura assinaram um termo de compromisso para o repasse de recursos a serem usados em projetos socioambientais na cidade. Foi a contrapartida à cessão do terreno pela prefeitura para a construção de Angra 3. Em valores atualizados, essa contrapartida em compensações socioambientais atinge R$ 264 milhões.

“Estamos em 2023 e ainda debatendo regras que foram estabelecidas lá atrás. A União e a Eletronuclear precisam ter responsabilidade com os municípios e construir um cronograma orçamentário para honrar seus compromissos”, disse a deputada estadual Célia Jordão (PL-RJ).

Na audiência pública, o prefeito Fernando Jordão ressaltou que defende a matriz energética nuclear brasileira. Mas argumentou que, enquanto a Eletronuclear não pagar o que deve ao município, as obras de Angra 3 permanecerão paralisadas. A Prefeitura embargou a obra em 19/04/23, após mudanças no projeto urbanístico inicialmente aprovado pela gestão municipal.

A audiência pública na Comissão de Minas e Energia foi pedida pelo deputado federal Max Lemos (PDT-RJ) após a Eletronuclear, que administra o complexo nuclear de Angra, omitir das autoridades o vazamento de material radioativo ocorrido na usina Angra 1 em setembro do ano passado, fato que posteriormente foi confirmado pela própria estatal.

A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou que a Eletronuclear realize uma avaliação completa dos danos causados. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) multou a empresa.

Sobre o caso, Fernando Jordão cobrou o diretor-presidente da Eletronuclear para que a estatal cumpra com as normas internacionais de comunicação de acidentes com material radioativo, independentemente da quantidade ou do potencial de danos às pessoas ou ao meio ambiente. “Não são vocês da Eletronuclear que vão decidir que a partir de agora vão comunicar. São normas internacionais. Vocês sabem disso, mas omitiram a comunicação do evento. Isso foi muito grave“, enfatizou Jordão.

A sessão teve, ainda, a presença da deputada estadual Célia Jordão (PL-RJ); do prefeito de Paraty, Luciano Vidigal; de representantes do Ministério de Minas e Energia; de vereadores de Angra e secretários da Prefeitura de Angra. (angra.rj.gov.br)

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Brasil é país com maior parcela de eletricidade limpa do G20

Brasil é país com maior parcela de eletricidade limpa do G20, diz relatório.
Global Electricity Review mostra que fontes eólica e solar vem causando a redução na participação do carvão.

De acordo com a quarta edição anual da Global Electricity Review, publicada em 15/05/23, a energia eólica e a solar reduziram a participação da energia a carvão nos países do G20 desde o Acordo de Paris. O relatório foi produzido pelo think tank Ember. Apesar do aumento na participação, a transformação ainda não está ocorrendo com rapidez suficiente para a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global bem abaixo de 1,5°C. O Brasil tem a maior parcela de eletricidade limpa do G20. Em 2022, o país gerou 89% de sua eletricidade a partir de fontes limpas, o que inclui 63% de energia hidrelétrica, 12% de energia eólica e 3% de energia solar. Os combustíveis fósseis foram responsáveis por 11% da geração do Brasil em 2022, sendo a maior parte deles gás (7%).

Os dados revelam que, nos países do G20, as energias eólica e solar atingiram uma participação combinada de 13% da eletricidade em 2022, em comparação com 5% em 2015, quando o Acordo foi firmado. Nesse período, a participação da energia eólica dobrou e a participação da energia solar quadruplicou. Como resultado, a energia a carvão caiu de 43% da eletricidade do G20, em 2015, para 39%, em 2022. As participações de outras fontes de eletricidade permaneceram praticamente estáveis, com flutuações de apenas 1 a 2 pontos percentuais.

De acordo com Malgorzata Wiatros-Motyka, analista sênior da Ember, trocar a energia a carvão por eólica e solar é a coisa mais próxima que temos de uma bala de prata para o clima. Para ele, a energia solar e a eólica não apenas reduzem as emissões rapidamente, mas também diminuem os custos da eletricidade e reduzem a poluição prejudicial à saúde. No G20, o progresso em direção à energia eólica e solar é misto. Os líderes são a Alemanha (32%), o Reino Unido (29%) e a Austrália (25%). A Turquia, o Brasil, os EUA e a China têm se mantido consistentemente acima da média global.

Na parte inferior da lista estão a Rússia, a Indonésia e a Arábia Saudita, com quase zero de energia eólica e solar em seu mix. Treze países do G20 ainda terão mais da metade de sua eletricidade proveniente de combustíveis fósseis em 2022. A Arábia Saudita se destaca com quase 100% de sua eletricidade proveniente de petróleo e gás. A África do Sul (86%), a Indonésia (82%) e a Índia (77%) são os próximos países mais dependentes da geração fóssil — predominantemente carvão.

Entre as economias avançadas no G20, que deveriam ter como meta a eliminação progressiva do carvão até 2030, houve uma redução na geração de carvão de 42% em termos absolutos, de 2.624 TWh em 2015 para 1.855 TWh em 2022. Um declínio mais rápido na energia a carvão no G20 foi alcançado pelo Reino Unido, que reduziu sua geração de carvão em 93% desde a assinatura do acordo, caindo de 23% em 2015 para apenas 2% em 2022. A Itália reduziu pela metade sua energia a carvão no mesmo período, enquanto os EUA e Alemanha reduziram a energia a carvão em um terço. Até mesmo a Austrália, dependente do carvão, reduziu sua parcela de energia a carvão de 64% em 2015 para 47% em 2022. O Japão se destaca por ainda não ter reduzido sua parcela de energia a carvão, que continua sendo cerca de um terço de sua eletricidade.

O crescimento da geração eólica e solar tem sido um fator fundamental para o sucesso desses países da OCDE na redução da energia a carvão. O Reino Unido e a Alemanha têm as maiores participações de energia eólica, com 25% e 22% em 2022, enquanto a Austrália e o Japão estão no topo do G20 em termos de participação de energia solar, com 13% e 10% em 2022.

Embora a participação do G20 na geração de energia a carvão tenha diminuído desde o Acordo de Paris, a geração absoluta de energia a carvão aumentou à medida que os países recorrem ao carvão para atender à crescente demanda. Em 2015, os países do G20 geraram 8.565 TWh de eletricidade a carvão, aumentando em 11% para 9.475 TWh em 2022.

Esse aumento está concentrado em apenas cinco países: China (+34%, +1374 TWh), Índia (+35%, +357 TWh), Indonésia (+52%, +65 TWh), Rússia (+31%, +47 TWh) e Turquia (+50%, +37 TWh). Entre esses países, China e Índia conseguiram reduzir a participação percentual do carvão nesse período, pois se concentraram em aumentar a energia eólica e solar para atender à crescente demanda.

A China gerou 70% de sua eletricidade a partir do carvão em 2015, reduzindo-a para 61% em 2022. A Índia obteve um declínio menor, de 76% da eletricidade gerada por carvão em 2015 para 74% em 2022. No entanto, a Indonésia, a Rússia e a Turquia viram sua parcela de energia a carvão aumentar. Há sinais de que esses países estão se aproximando do “pico” de emissões de carvão, pois a energia limpa está perto de crescer com rapidez suficiente para atender a todo o crescimento da demanda.

Na China, as energias eólica e solar atenderam a 69% do crescimento da demanda de eletricidade em 2022, enquanto todas as fontes limpas atenderam a 77%. Mais da metade do aumento da demanda de eletricidade na Ásia (52%) foi atendida com eletricidade limpa entre 2015 e 2022 — o dobro dos 26% alcançados nos sete anos anteriores. O pico das emissões é o primeiro passo; a rapidez com que a redução gradual dos combustíveis fósseis ocorrerá dependerá das ações tomadas pelos governos para acelerar a implantação de energia eólica e solar. (canalenergia)

Eólicas e solar somam 21,1 MW para teste

EOL Serra do Seridó III inicia operação comercial de 5,5 MW.

A Agência Nacional de Energia Elétrica liberou para início da operação em teste, a partir de 06/05/23, a UG2 da EOL Tucano II com 6,2 MW de capacidade instalada; a UG2, EOL Serra do Seridó II, com 5,5 MW; as UG4 e UG12, da EOL Ventos de Santa Leia 2 e 13, que juntas somam 8,8 MW; e a UG1, da UFV Coopermaçã, com 0,6 MW. Juntos, para operação em teste, foram liberados 21,1 MW de capacidade instalada.

Para a operação comercial, a Aneel autorizou a UG2, da EOL Serra do Seridó III, com 5,5 MW, no estado da Paraíba. (canalenergia)